• Hoje em dia, um protetor ajuda na prevenção do câncer de pele ao impedir que os raios ultravioleta entrem em contato com a derme. Mas no futuro ele talvez faça mais do que isso. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram um antioxidante capaz de controlar as consequências da exposição solar no DNA das células – e querem inclui-lo nos filtros.

    O time se concentrou na substância N-acetilcisteína, hoje usada como medicamento, em células isoladas com um defeito genético chamado de xeroderma pigmentoso variante. Essa alteração provoca uma doença rara que aumenta o risco de câncer de pele em até 2 mil vezes antes dos 20 anos de idade.

    Pois bem: ao aplicar o antioxidante nas células defeituosas antes da exposição à radiação solar, os cientistas perceberam que elas ficaram mais preparadas para lidar com a luz ultravioleta do tipo A (UVA). Se isso acontece em uma célula sujeita a desencadear o câncer, talvez o mesmo ocorra com unidades sem mutações genéticas problemáticas.

    Os danos causados pelo UVA

    O efeito da radiação ultravioleta na pele ainda está sendo desvendado pela ciência. Durante o estudo, os pesquisadores verificaram que a derme sofre um processo oxidativo e danoso entre quatro e seis horas depois da exposição ao UVA. Mas, ainda bem, o uso da tal N-acetilcisteína freou esses estragos, que parecem estar por trás de mutações cancerígenas.

    A expectativa é que moléculas do tipo sejam acrescentadas aos protetores. “Acreditamos que o antioxidante nos cremes solares vai prevenir danos na capacidade de recuperação da célula, evitando o câncer de pele em pacientes com xeroderma pigmentoso e, porque não, na população como um todo”, comentou, em comunicado à imprensa, o biólogo Carlos Menck, líder do trabalho.

    Protetores mais modernos e turbinados

    Em março, o Laboratório de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP apresentou um protetor com ação antioxidante até 70% mais potente que os convencionais. O produto é feito com rutina, flavonoide encontrado em uma planta nativa do cerrado brasileiro, e já foi testado em seres humanos, porém ainda não está nas farmácias.

    Além dos UVA e UVB, que são barrados pelos protetores solares disponíveis atualmente no mercado, há ainda a luz visível. Trata-se da claridade que ilumina o dia, considerada inofensiva até pouco tempo, mas que pode ser perigosa também. Ela age em conjunto com o UVA danificando o DNA das células, processo que favoreceria o aparecimento do câncer de pele.

    Eis que, no final de 2017, outro grupo da USP desenvolveu um filtro colorido, semelhante à maquiagem, para barrar esse tipo de radiação. O produto usa nanopartículas de melanina – o pigmento que colore a pele – para criar uma camada física contra a luz visível.

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  • Faz tempo que a humanidade se queixa das varizes. O primeiro registro que se conhece delas está estampado numa estátua de mármore feita quatro séculos antes de Cristo e encontrada em escavações nas proximidades de Atenas, dentro de um santuário construído em homenagem ao herói Amynos. A imagem, hoje guardada no Museu Nacional de Arqueologia da Grécia, retrata um homem segurando uma perna com veias dilatadas e tortuosas. A peça representa o agradecimento de um paciente após um tratamento bem-sucedido.

    Passados mais de dois milênios desde que a obra foi esculpida, as varizes continuam incomodando muita gente — e quem mais se queixa hoje são as mulheres. Estatísticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indicam que 38% dos adultos convivem com ela.

    No público feminino, o número é ainda maior: 45% apresentam a condição. Entre as pessoas com 70 anos, 70% têm algum grau do quadro conhecido por insuficiência venosa crônica.

    Mas por que as varizes são tão corriqueiras? A culpa é da própria evolução da nossa espécie. Quando o ser humano passou a adotar a postura ereta e a andar apenas com os pés, ficou bem mais difícil levar o sangue das pernas de volta ao coração — imagine o esforço que é vencer a gravidade e fazer o líquido vermelho subir ao peito! “Com o tempo, as veias ficam debilitadas e deixam de cumprir seu papel”, explica o cirurgião vascular Nelson Wolosker, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Mas engana-se quem pensa que o alargamento desses tubos nos membros inferiores seja apenas um impedimento para vestir short, maiô ou biquíni. Diversos estudos demonstram que o fenômeno está por trás de repercussões mais sérias à saúde.

    Uma pesquisa do Hospital Memorial Chang Gung, em Taiwan, por exemplo, acaba de confirmar que as varizes aumentam em cinco vezes o risco de trombose venosa, a formação de um coágulo nos vasos sanguíneos profundos.

    O trabalho, publicado no prestigiado periódico científico The Journal of American Medical Association, analisou os registros de 425 mil cidadãos da ilha asiática. Metade do grupo penava com as varizes, enquanto a outra parcela vivia livre delas. A investigação revela que ter o quadro dobra a probabilidade de um indivíduo sofrer uma grave embolia — quando um trombo sanguíneo se solta da periferia do corpo e vai parar lá nos pulmões, por exemplo.

    Por mais que esse elo já estivesse estabelecido pela ciência, ele não havia sido confirmado por um levantamento com números tão expressivos. A boa notícia é que os episódios de tromboembolismo pulmonar provocados pelas varizes não acontecem com tanta frequência.

    “Por outro lado, existem outras complicações mais comuns, como a inflamação dessas veias e o aparecimento de úlceras na pele, que são dolorosas e de difícil cicatrização”, diz o cirurgião vascular Gilberto Narchi, do Hospital do Coração, em São Paulo. Ainda bem que dá pra intervir muito antes de a situação ficar desse jeito.

    Quem precisa ficar atento às varizes

    O primeiro passo para driblar essa série de enrascadas — e, claro, botar a roupa de banho sem neura — é ficar de olho nas pernas, principalmente a partir dos 30 anos de idade. Geralmente, as varizes se manifestam por meio de manchas verdes ou roxas, que se expandem aos poucos. Outras pistas frequentes são o inchaço e a sensação de peso nos pés ao final do dia.

    “A doença começa muito antes dos sintomas, então é importante procurar um profissional o mais cedo possível”, aconselha o angiologista Marcelo Moraes, diretor da SBACV.

    A atenção deve ser redobrada se você tem um parente próximo com o problema — a genética influencia bastante por aqui. Outros fatores bem conhecidos são o envelhecimento, o ganho de peso, o sedentarismo, o uso de terapias hormonais e duas ou mais gestações.

    Recentemente, um estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, acrescentou outro componente à lista, a altura. Numa análise genética de 413 mil voluntários, eles descobriram que, quanto mais alta a pessoa, mais costumeiras são as varizes.

    “Além de o caminho para bombear o sangue de volta ao coração ser mais longo, parece que há algo no DNA que relaciona o tamanho corporal com o desenvolvimento inadequado das veias”, especula a pesquisadora Alyssa Flores, coautora da investigação.

    De acordo com os médicos ouvidos por SAÚDE, as mulheres, mais sujeitas à intempérie, costumam marcar consultas com maior frequência e rapidez. Os homens, na contramão, deixam a coisa se arrastar por anos — por descuido ou por não reparar nos vasos irregulares em meio aos pelos das pernas.

    E olha que a detecção do problema não tem nada do outro mundo: o especialista faz o diagnóstico no próprio consultório. Ele ainda pode requisitar alguns exames complementares, como o ultrassom e o eco-doppler colorido, para determinar a gravidade e selecionar o melhor tipo de tratamento.

    Os principais causas das varizes

    Genética: Se você tem um familiar de primeiro grau com varizes, seu risco de desenvolvê-las também é alto.

    Hormônios: Remédios que mexem com o sistema hormonal chegam a alterar a integridade dos tubos sanguíneos.

    Obesidade: Os quilos extras sobrecarregam e pressionam os vasos responsáveis por transportar o sangue pelas pernas.

    Gestações: O crescimento do bebê no útero aperta as veias da pelve, o que repercute direto nos membros inferiores.

    Sedentarismo: Estimula o ganho de peso e deixa a panturrilha mirrada. Assim, o músculo não consegue realizar seu trabalho.

    Sexo: Mulheres sofrem mais com elas do que os homens. Parece que os hormônios têm um papel por aqui.

    Altura: Descoberta como fator de risco nos últimos meses, seu impacto ainda precisa ser mais bem estudado.

    Os tratamentos disponíveis

    As intervenções disponíveis para acabar com as varizes evoluíram muito e solucionam a chateação na maioria das vezes. A primeira escolha tende a ser a cirurgia convencional, utilizada há mais de 100 anos com segurança e eficácia. Por meio de pequenas incisões na pele, é possível extrair os vasos que estão doentes.

    Para quem busca alternativas menos invasivas, as técnicas de ablação por laser ou radiofrequência são uma boa pedida. “Introduzimos um cateter que gera um calor entre 120 e 400 ºC para destruir a veia com problema”, detalha o angiologista Arno Von Ristow, da Rede D’Or e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

    Outra saída bastante popular é a escleroterapia, que envolve a aplicação de uma substância com aspecto de espuma diretamente nas regiões afetadas. “Por meio de uma reação química, o vaso se inflama e se fecha, até desaparecer completamente”, resume o cirurgião vascular Marcelo Ruettimann Liberato, do Hospital São Rafael, em Salvador. São necessárias de duas a cinco sessões para completar o tratamento, que é feito em ambulatório, sem necessidade de internação ou anestesia.

    Tamanha facilidade fez com que a escleroterapia fosse incluída a partir de 2017 no Sistema Único de Saúde, o SUS. “Essa aprovação foi uma vitória para os milhares de indivíduos com insuficiência venosa crônica que estavam havia anos à espera de uma solução”, comemora Liberato, que coordenou um projeto-piloto com esse método na capital da Bahia.

    Só é preciso cuidado para não cair em ciladas: tem muito lugar suspeito oferecendo a escleroterapia por aí. “Não é uma coisa que você aprende num curso de fim de semana e faz indiscriminadamente”, avisa Moraes.

    A SBACV, aliás, iniciou uma campanha para alertar sobre os perigos dessa prática irregular. Se injetada de forma errada, a espuma pode causar alergias, infecções e até trombose. Para fugir dessas complicações, sempre procure o médico com a devida formação na área.

    Em resumo:

    Cirurgia: Geralmente é a primeira indicação, uma vez que pode ser realizada em várias veias de tamanhos e calibres distintos. A retirada não afeta em nada a circulação sanguínea, já que esses tubos doentes não cumpriam mais sua função. Apesar dos cortes pequenos, é necessário respeitar o repouso por alguns dias antes de retomar as atividades normais.

    Ablação: Trata-se de uma forma minimamente invasiva de queimar a parede interna dos vasos defeituosos por meio de raio laser ou radiofrequência. Como a operação usa cateteres, só é feita nos ductos maiores, como a safena, que vai da coxa até o meio da batata da perna. É necessário bastante cautela durante o procedimento para não lesar os nervos nas cercanias.

    Escleroterapia: A espuma do princípio ativo polidocanol irrita e destrói as células que compõem a veia. Com isso, o vaso danificado entra em colapso e some. Após algumas semanas, ele se transforma num cordão fibroso e acaba reabsorvido pelo corpo. A técnica é barata, simples e funciona nos quadros mais difíceis. O único porém é que 30% dos pacientes ficam com manchas na pele.

    E os vasinhos?

    Essas linhas arroxeadas parecidas com teias de aranha recebem o nome de telangiectasias. São veias bem menores que estão na derme e na epiderme. Elas não estão relacionadas a desajustes de saúde — o prejuízo é só estético mesmo.

    Quem tem muitas formações desse tipo deve ficar atento, pois é comum que as varizes apareçam em conjunto ou na sequência. Para secá-las, não carece de nada muito sofisticado: injeções de glicose administradas por um especialista dão conta do recado.

    Quando vira ferida

    As inflamações e úlceras na pele são um suplício. E estima-se que 1,5% dos brasileiros tenham essas feridas provocadas pela insuficiência venosa. É primordial seguir direitinho o tratamento com curativos e as recomendações de repouso para acelerar a recuperação.

    A importância do diagnóstico precoce

    Apesar de as opções cirúrgicas serem bastante confiáveis, nem sempre se recorre a elas logo de cara. Se diagnosticadas numa fase inicial, as varizes são manejadas de maneira conservadora, utilizando estratégias para que elas não progridam nem apresentem sintomas.

    Nesse sentido, a meia elástica é uma parceira para todas as horas. “Ela aperta alguns pontos específicos da perna com o objetivo de melhorar o retorno do sangue ao coração”, explica o angiologista Walter Campos Júnior, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    O uso contínuo da peça reduz a dor e o inchaço ao final do dia. Ela está indicada tanto para casos recém-diagnosticados quanto para aquelas pessoas que já fizeram uma intervenção — em cerca de 20% das vezes, a doença retorna em outros vasos dos membros inferiores nos três anos seguintes.

    Existem ainda medicamentos da classe dos flebotônicos que dão uma força extra ao sistema circulatório. Os mais famosos deles são de origem fitoterápica, como a castanha-da-índia e a hamamélis. Esses produtos, cuja utilização pede sempre orientação médica, aumentam o tônus dos tubos sanguíneos e têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

    Só não espere que façam milagres… “Eles não evitam o problema em si, mas aliviam queixas como o inchaço e a dor”, aponta Campos Junior.

    Não dá pra se esquecer também do papel da atividade física nesse contexto. “Movimentar e fortalecer a panturrilha e os demais músculos é essencial para aprimorar o fluxo sanguíneo”, ressalta o cirurgião vascular Tony Furuie, do Hospital Santa Cruz, na capital paulista. Isso sem contar o efeito do exercício na perda de peso — como vimos, a obesidade é um dos principais promotores da doença.

    Ao contrário dos gregos antigos, hoje em dia não há mais razão para esculpir estátuas a fim de mostrar um ideal de corpo ou celebrar a melhora das varizes. Nossas pernas podem (e devem!) ficar sempre livres, leves e soltas. A saúde e a autoestima vão agradecer.

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  • Mais uma marca foi flagrada vendendo produtos de beleza sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dessa vez, todos os cosméticos para pele do site raizprodutos.com.br serão retirados do mercado.

    De acordo com a decisão desse órgão regulador, nem dá para saber qual a empresa por trás desses produtos. E, sem um registro junto à Anvisa, é impossível comprovar a segurança e a eficácia dos produtos.

    O site raizprodutos.com.br vendia manteiga corporal, máscaras faciais de argila rosa ou verde, repelentes, tônico facial, esfoliante de café e por aí vai. São cosméticos mais voltados para a saúde da pele.

    Com a decisão, esses itens deixarão de ser produzidos. Os que já estão no mercado devem ser inutilizados.

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  • Há quem diga que o fator de proteção solar (FPS) dos filtros só faz diferença na pele até chegar ao número 30. Ou seja, de pouco adiantaria comprar um creme com FPS 50 ou mesmo 100. Mas uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, sugere justamente o contrário.

    O grupo observou que o FPS 100 pode ser mais eficiente do que os outros para barrar queimaduras. Para chegar à conclusão, os cientistas entregaram dois frascos de protetor para cerca de 200 voluntários, um com FPS 100 e outro com 50. Aí, pediram que os voluntários aplicassem um no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo.

    No dia seguinte, os participantes visitaram um consultório médico para analisar o impacto recente provocado pela radiação solar, com uma escala que ia de 0 a 5, do menos ao mais grave. Nessa avaliação, notou-se que o lado besuntado com o protetor mais leve exibia danos duas vezes maiores do que o outro.

    Para ter ideia, os dermatologistas que examinaram os voluntários – e que não sabiam qual filtro havia sido colocado em qual lado do corpo –, notaram que 55% dos participantes tinham se queimado mais na área do FPS 50, enquanto apenas 5% ficaram com a pele bem vermelha na porção coberta pelo protetor mais potente.

    Proteção solar na prática

    O estudo não bota um ponto final na discussão. Aliás, os autores reforçam que o efeito observado em um dia não necessariamente significa que a proteção do FPS 100 seja mais efetiva a longo prazo.

    Hoje, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda usar FPS mínimo de 30. “Costumo indicar esse no inverno e o 50 no verão, mas noto na prática que os fatores de proteção mais alto preservam melhor a derme”, indica Murilo Drummond, dermatologista da SBD.

    O especialista ressalta ainda que o protetor com FPS 100 não será duas vezes mais competente do que o 50 – apesar de aquele primeiro dado do estudo sugerir isso. “A diferença não é tão grande. Mas estamos falando de prevenir um câncer, então, mesmo que o benefício seja pequeno, ainda assim vale a pena considerá-lo”, opina o médico.

    O fato é: não dá para dispensar o protetor e as outras medidas que resguardam contra a radiação solar. Chapéu, guarda-sol e roupas compridas ajudam bastante, assim como valorizar a sombra e não se expor por muito tempo entre 10 e 16 horas.

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  • Boa notícia para os cerca de 5 milhões de brasileiros com psoríase. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente mais dois remédios contra essa doença de pele crônica que promove descamações e lesões cutâneas.

    Comecemos pelo guselcumabe, da farmacêutica Janssen. Indicado para casos moderados a graves, ele é um medicamento biológico que bloqueia a interleucina 23, uma proteína inflamatória associada à doença e aos seus sintomas.

    Nos estudos que garantiram sua liberação, a droga garantiu uma redução de 90% dos sinais da psoríase após seis meses de aplicação. Isso de sete a cada dez pacientes tratados. E, em uma pesquisa mais recente, notou-se que 86% das pessoas mantiveram a melhora mesmo após um ano e meio.

    “Os resultados com esse tipo de remédio são muito positivos. E o melhor é que ganhamos mais uma opção para quando outros tratamentos falham”, opina o médico Caio Castro, coordenador da Campanha Nacional de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Tratamento à prova de falhas
    Além do guselcumabe, existem outros fármacos biológicos disponíveis por aqui – todos são injetáveis. O secuquinumabe (Novartis) e o ixequizumabe (da Eli Lilly, aprovado no finalzinho de 2017), por exemplo, focam em outra substância inflamatória atrelada à psoríase, a interleucina 17.

    Portanto, se uma medicação não traz o resultado esperado, o médico ainda pode recorrer a outras, com mecanismos de ação diferentes, mesmo nas situações mais graves. “Também podemos trocar de opção em virtude de efeitos colaterais indesejados”, completa Castro.

    Por exemplo: os remédios biológicos que focam na inibição da interleucina 17 causam um ligeiro aumento no risco de candidíase. Logo, pessoas com maior propensão a esse problema podem apostar em alternativas.

    “Até o momento, não há muitas pesquisas comparando a eficácia entre as drogas dessa nova geração, então a decisão será tomada por certos detalhes mesmo”, explica Castro. Entre eles, claro, também está o preço.

    Hoje, dificilmente uma dose do secuquinumabe, por exemplo, sairá por menos de 5 mil reais – após um período mais intenso de aplicações, a administração pode se tornar mensal. E os seguros de saúde ainda não são obrigados a cobrir esses custos, embora alguns arquem com eles. Atualmente, vários pacientes recorrem à Justiça para obter acesso a tais medicações.

    No caso do guselcumabe, os preços ainda serão definidos junto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

    De qualquer forma, o valor desses remédios modernos ajuda a explicar o fato de os médicos apostarem, para a psoríase mais leve, em cremes e fármacos tradicionais, como a ciclosporina. “Eles também funcionam bem nessas situações”, tranquiliza Castro.

    E o outro remédio?
    O segundo medicamento aprovado contra a psoríase se chama apremilaste, da farmacêutica Celgene. Ao contrário do guselcumabe, esse é um fármaco sintético, que poderá entrar em cena para pacientes que não responderam ou têm alguma contraindicação contra terapias como as mencionadas acima.

    O que é psoríase
    Trata-se de uma doença crônica inflamatória da pele, que afeta cerca de 1,5% da população brasileira. Lesões, descamações e coceira são bem comuns – a severidade do quadro é definida, por exemplo, pela extensão das feridas e pelo impacto na qualidade de vida.

    Alguns indivíduos desenvolvem artrite psoriática, uma inflamação nas juntas que pode levar à perda de movimentos e deformações. Os tratamentos biológicos, aliás, também podem ajudar a tratar e até mesmo prevenir essa encrenca.

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  • A ascensão dos chamados nutricosméticos reforça a importância da alimentação saudável. Afinal, essas cápsulas e sachês que prometem rejuvenescer a pele, fortalecer as unhas e dar brilho ao cabelo são, na verdade, extratos superconcentrados de nutrientes encontrados em produtos de origem animal e vegetal. Confira a ficha completa dos ativos campeões de audiência:

    Colágeno

    Na alimentação

    Tutano bovino e algas

    Função

    Atua na formação e na renovação das fibras de sustentação da pele

    Benefícios

    Redução da flacidez e prevenção de estrias

    Biotina

    Na alimentação

    Gema de ovo e castanhas

    Função

    A vitamina auxilia na síntese da queratina, uma proteína

    Benefícios

    Cabelos e unhas mais bonitos e saudáveis

    Vitamina C

    Na alimentação

    Frutas cítricas

    Função

    Neutraliza os efeitos nocivos dos radicais livres no organismo

    Benefícios

    Controle do envelhecimento precoce

    Ômega-3

    Na alimentação

    Peixes e linhaça

    Função

    Combate processos inflamatórios e estimula a produção de elastina

    Benefícios

    Melhora o aspecto e o grau da celulite

    Resveratrol

    Na alimentação

    Uva

    Função

    Antioxidante, defende as células, mantendo-as em bom estado

    Benefícios

    Controle do envelhecimento precoce

    Silício orgânico

    Na alimentação

    Aveia e leguminosas

    Função

    Contribui, entre outras coisas, para a fabricação de queratina

    Benefícios

    Cabelos e unhas mais bonitos e saudáveis

    Betacaroteno

    Na alimentação

    Alimentos alaranjados

    Função

    Colore os queratinócitos, células que compõem a epiderme

    Benefícios

    Reforço no bronzeado e combate a manchas

    Ácido hialurônico

    Na alimentação

    Carnes com pele e osso

    Função

    Recruta e ajuda a preservar a água ingerida no tecido dérmico

    Benefícios

    Hidratação profunda e prolongada da pele

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  • Muito em breve, extratos feitos de nutrientes originalmente encontrados em certos alimentos estarão literalmente na boca do povo — pelo menos daquela parcela mais vaidosa. É o que apontam pesquisas de mercado, como a Transparency Market Research, cuja previsão é a de que o segmento dos chamados nutricosméticos cresça 5% em nível mundial em comparação ao ano passado, ultrapassando a marca de 7 bilhões de dólares até 2025.

    O apelo justifica a demanda. Quem não gostaria de manter uma pele jovem e bronzeada tomando alguns comprimidos ou dissolvendo um sachê em água? “O problema é que muita gente encara esse recurso como um substituto para a boa alimentação e outros hábitos importantes”, pondera a dermatologista Betina Stefanello, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, no Rio de Janeiro.

    Veja o caso da exposição ao sol: raios ultravioleta potencializam a liberação de radicais livres, moléculas que fazem os sinais da idade aparecerem antes do tempo. Logo, o poder antioxidante do betacaroteno, responsável pela cor alaranjada da cenoura, da abóbora e do mamão, é muito bem-vindo.

    Só que nem mesmo uma montanha dessa substância — já disponível em cápsulas — seria capaz de criar uma barreira fotoprotetora sobre o corpo. Ou seja, não dá para abdicar do filtro solar. “São mecanismos de ação diferentes, que devem se complementar”, avisa o farmacêutico Emiro Khury, consultor técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia, na capital paulista.

    Também é preciso acertar na dose. Pesquisas indicam que a suplementação de colágeno só faz diferença na cútis em níveis diários superiores a 5 gramas. “Considerando que uma cápsula possui, no máximo, 0,5 grama dessa proteína, o ideal é investir na versão em pó. Uma colher de sopa tem cerca de 10 gramas”, recomenda a farmacêutica Janete Grippa, professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

    Foi essa quantidade de colágeno que 60 voluntárias de 45 a 60 anos foram convidadas a ingerir, todos os dias, em um estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Resultado: três meses depois, a suplementação não só se equiparou aos cremes indicados para estrias na melhora da elasticidade como se mostrou mais eficiente que os cosméticos anti-idade frente à flacidez.

    Em outro experimento brasileiro, foram testados suplementos diários de colágeno (5 gramas) e de vitamina C (1 grama), além de sessões semanais de radiofrequência, aparelho que estimula a produção de certas proteínas. “Separamos 40 participantes em quatro turmas. E o grupo que aliou as três alternativas obteve mais benefícios”, conta a fisioterapeuta Patrícia Froes, autora do trabalho e professora da Universidade Potiguar, em Natal (RN).

    Sendo assim, por que não abandonar os cremes e focar nas cápsulas de colágeno, por exemplo? “Ao cair no sistema digestório, ele é quebrado em diversos aminoácidos, que serão direcionados de acordo com as necessidades do organismo”, explica a nutróloga Letícia Fontes, membro da Associação Brasileira de Nutrologia, em São Paulo.

    Então, não dá para afirmar que consumir essa substância favorecerá a pele em vez de outro órgão e tecido. “Melhor dar preferência a alimentos ricos em vitamina C, que contribuem para a formação natural de colágeno”, completa a nutricionista Ceres Della Lucia, da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

    Quanto aos demais tipos de nutricosméticos, vale recapitular: utilizá-los não exclui a necessidade de outros cuidados. E eles devem começar antes de as primeiras rugas ameaçarem apontar. Dietas restritivas e cardápios cheios de gordura e açúcar cobram um preço caro à aparência. “Há evidências de que a insônia e o estresse também são prejudiciais nesse sentido, já que levam a alterações hormonais”, destaca o endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    Uma análise conduzida por cientistas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, chegou a escancarar os efeitos negativos de alguns fatores do cotidiano na beleza. Uma noite de privação de sono, uma entrevista de emprego no dia seguinte e a prática de atividades físicas intensas provocaram, em 46 mulheres, redução da capacidade de recuperação da pele ou aumento da atividade inflamatória. Um combo que atrapalha mesmo a relação com o espelho.

    Tem mais um detalhe para garantir que o investimento nos nutricosméticos valerá a pena. “É fundamental passar pela avaliação de um profissional”, diz o gastroenterologista Guilherme Andrade, do Hospital 9 de Julho, na capital paulista. “Tanto para confirmar se há necessidade de recorrer a esses produtos quanto para ter certeza de que o organismo absorverá bem seus nutrientes”, completa. No fim das contas, as pílulas só funcionam se você cumprir sua parte. Sozinhas, elas não conseguem duelar com o relógio.

    As diferenças entre nutricosméticos, nutracêuticos e cosmecêuticos

    Cosmecêuticos

    Falamos de cremes, loções, pomadas e outros itens de uso tópico, isto é, externo. Voltados para casos que demandam maior atenção, como acne e celulite severas.

    Nutracêuticos

    São suplementos que dão ênfase à saúde em geral. Aliados de quem comete deslizes na alimentação, podem dar força na prevenção de doenças e na melhora da disposição.

    Nutricosméticos

    Aqui, o foco é puramente estético. No entanto, lançar mão desses produtos de uso oral (em cápsulas, sachês…) às vezes repercute em outras áreas do organismo.

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  • Doença de Chagas, hanseníase, febre amarela, malária… Enfermidades bastante comuns no Brasil há séculos foram reduzidas e até controladas nas últimas décadas. Mas uma delas continua a se expandir e preocupar as autoridades: a leishmaniose.

    Ela é causada por diversas espécies de protozoários do gênero Leishmania, que invadem células de defesa chamadas macrófagos. Mas sua transmissão depende da picada de insetos conhecidos como flebótomo, mosquito-palha ou birigui.

    Estima-se que entre 20 e 25 mil pessoas sejam infectadas todos os anos por aqui — o problema está espalhado por vários estados, mas tem maior incidência em locais como Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e Bahia. Somos os campeões em números de casos nas Américas, junto com países andinos como o Peru e o Equador.

    Aproximadamente 12% da população brasileira possui o micro-organismo circulando pelo corpo — na maioria das vezes, ele é silencioso e não causa complicações. Mas, às vezes, uma baixa na imunidade pode despertar esse inimigo. “Estamos falando de um quadro amplamente disseminado e em franca expansão”, constata o infectologista Marcelo Simão Ferreira, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. O especialista deu uma aula sobre o tema no último Congresso Brasileiro de Infectologia.

    A leishmaniose se manifesta de duas maneiras: por meio de lesões na pele ou em órgãos como o fígado, o baço e a medula óssea. Além de humanos, ela acomete os cachorros — para nossos amigos caninos, há inclusive uma vacina e uma coleira inseticida que acaba com os mosquitos transmissores.

    Mas por que a doença continua a crescer?

    Existem vários motivos para isso. O primeiro é a negligência e a falta de investimentos em pesquisas e campanhas de conscientização. O diagnóstico laboratorial até avançou nos últimos tempos, mas segue com um preço elevado.

    Outro fator que complica esse cenário é a quantidade de espécies causadoras da moléstia — só no Brasil, há uns sete tipos de Leishmania circulando. Definir o agente que está por trás dos sintomas é essencial para determinar a melhor forma de tratamento.

    Entre as atitudes preventivas, é possível pensar em medidas de controle do mosquito, como instalação de telas em portas e janelas de casas em locais com maior número de casos. Repelentes podem ser indicados em algumas situações.

    Por fim, não existe nenhuma droga específica para combater o protozoário. Os médicos lançam mão de quimioterápicos da classe dos antimoniais pentavalentes, utilizados desde a década de 1940. Ainda se discute a necessidade de associar outros fármacos na terapia.

    Para piorar, a leishmaniose costuma aparecer mais frequentemente em pacientes com alguma condição crônica, como a asma e a aids. “Portadores do vírus HIV, aliás, têm um risco de 100 a 2 mil vezes maior de desenvolver a doença quando o protozoário invade o organismo”, completa Ferreira.

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  • Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • foto-imagem-planta-combate-estrias

    Nativo do cerrado brasileiro, o barbatimão já era conhecido pelo seu alto poder cicatrizante. “Por ser adstringente, ele causa uma tensão e aproxima as bordas das feridas na pele. Como a estria é um machucado interno, o uso da planta é benéfico nesse contexto”, explica o farmacêutico Guilherme Monteiro, que desenvolveu uma pomada com essa indicação pelo Ateliê Saúde Fitoterapia.

    O produto, que já está à venda, foi avaliado em pesquisa com 31 mulheres de 18 a 65 anos. Com um mês de uso, mais de 60% delas relataram melhora na quantidade e na textura das estrias e apontaram resultados positivos no aspecto geral das marcas.

    Aliás, um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina avaliou o efeito do barbatimão (por meio de outra pomada) na cicatrização. Todas as lesões tiveram redução de pelo menos 30% da área inicial já na primeira semana de uso, o que foi considerado bastante vantajoso.
    Como tratar e como evitar estrias

    Hidratantes

    Não existe uma loção milagrosa capaz de apagar as estrias, mas se sabe que manter a pele hidratada ajuda a impedir sua formação.

    Óleos

    Eles complementam o efeito dos hidratantes. Aposte em opções como o de semente de uva e o de amêndoas, e use depois do banho.

    Colágeno

    Essa proteína, que confere elasticidade e firmeza à pele, é uma boa pedida contra as estrias. Pode ser encontrada em pó, cápsulas e bebidas.

    Peso

    Procure evitar o ganho de peso ou o efeito sanfona. Isso faz a pele esticar muito rápido, o que favorece o aparecimento de estrias.

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