• foro-imagem-coraçao

    Uma pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, foi a primeira a analisar o elo entre as ondas de calor da menopausa e a capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos. Os resultados apontaram que, entre as mulheres que tinham esse incômodo com mais frequência, os vasos que transportam sangue eram mais contraídos e de difícil expansão, características que servem de estopim para enfermidades cardíacas.

    Curiosamente, esse vínculo foi identificado somente em voluntárias mais jovens, entre 40 e 53 anos. Aquelas com idades entre 54 e 60 também foram analisadas, mas nenhuma alteração importante foi encontrada. No total, 252 mulheres foram avaliadas, sendo que elas não eram fumantes nem possuíam histórico de disfunções cardiovasculares.

    “As ondas de calor não são apenas um desconforto. Elas já foram relacionadas a doenças no coração, nos ossos e no cérebro”, explicou JoAnn Pinkerton, diretor da Sociedade Norte-Americana da Menopausa. “Nesse estudo, elas puderam ser medidas fisiologicamente e mostraram estar ligadas a alterações cardíacas que ocorrem no início da transição para a menopausa”, completa.

    É bom que os profissionais de saúde fiquem cientes dos achados da pesquisa, já que infartos são uma das principais causas de morte entre o sexo feminino. Ainda de acordo com a investigação, 70% das participantes relataram que sentiam ondas de calor e, dessas, um terço disse que o sintoma era frequente e severo.

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  • foto-imagem-fibromialgia

    O último Congresso Brasileiro de Reumatologia trouxe à tona um efeito pouco discutido desse distúrbio. O chamado fibrofog (uma aglutinação das palavras fibromialgia e neblina, em inglês) consiste na perda da capacidade de manter a atenção e guardar fatos na memória. “Hoje esses sintomas até fazem parte do diagnóstico do problema”, diz o médico Eduardo Santos Paiva, da Sociedade Brasileira de Reumatologia. “As dores ocupariam o cérebro de tal forma que ele deixa de fazer suas funções adequadamente”, argumenta. Mas, ao domar os incômodos, a massa cinzenta volta a trabalhar direito.

    Regras de ouro para deixar a mente tinindo

    Trate o mal em si

    Em vez de medicar o esquecimento, busque, com um expert, alternativas contra a própria fibromialgia.

    Faça exercício

    Ele aumenta a tolerância à dor e turbina a memória.

    Afaste a depressão

    A melancolia grave é tão comum entre fibromiálgicos quanto danosa aos neurônios.

    Sobrou para a massa cinzenta

    Não é só a fibromialgia que bagunça o raciocínio

    De acordo com o reumatologista Eduardo Santos Paiva, qualquer doença que provoca desconfortos com frequência pode ocasionar distração – além de mau humor e tristeza. Ao flagrar uma dessas encrencas, não demore para buscar atendimento especializado.

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  • foto-imagem-cotonete

    A Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço atualizou suas diretrizes acerca da limpeza da cera de ouvido. O documento conscientiza sobre a importância do material viscoso para a saúde auditiva. “Ele lubrifica a região, controla a temperatura e evita a invasão de bactérias“, lista o otorrino Alfredo Lara, do Hospital Cema, em São Paulo. Mais: enfiar hastes flexíveis, chaves ou grampos no buraquinho da orelha está relacionado a irritações, infecções e até lesões mais sérias, como o rompimento do tímpano.

    Você não deve

    Limpar o ouvido demais. Isso abre alas para uma série de problemas.
    Inserir qualquer objeto pequeno no local.
    Usar velas terapêuticas. Seu efeito não está comprovado.

    Você deve

    Procurar o médico se tiver sinais de perda auditiva.
    Perguntar sobre as maneiras de remover a cera excedente.
    Visitar o especialista quando há sangramento ou dor.
    Cerca de 10% das crianças, 5% dos adultos e 30% dos idosos sofrem com excesso de cera.

    A cera tem seu papel

    1. Fábrica

    O cerume é produzido pelas glândulas do canal auditivo. Ele é essencial para nos proteger de agentes infecciosos e manter as estruturas ali em bom estado.

    2. Renovação

    A substância é secretada continuamente e escorre de dentro pra fora. Aos poucos, fica velha e dura. Daí, cai na orelha e vai embora durante o banho.

    3. Acúmulo

    Acontece que alguns indivíduos soltam cera em demasia. Ela acumula e chega a bloquear o tímpano, o que prejudica a captação de sons do ambiente.

    4. Agravamento

    O uso das hastes flexíveis ou de outros objetos, porém, só piora o quadro. Isso porque eles empurram mais meleca para o fundo, o que apenas vai postergar o chabu.

    Útil até para os robôs?!

    Não bastassem os serviços prestados aos humanos, a cera deve conquistar o mundo das máquinas: a engenheira Alexis Noel notou o poder de vedação da secreção quando o namorado ficou com o ouvido cheio d’água numa viagem. Agora ela pesquisa o cerume no Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. O objetivo é criar versões sintéticas para os sistemas de ventilação de robôs.

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  • foto-imagem-vacina

    Após o início repentino e o crescimento no número de casos de gripe em 2016, o Ministério da Saúde resolveu antecipar a campanha nacional de vacinação contra a doença neste ano. A imunização começou ontem (10) para profissionais de saúde e estará disponível ao restante da população a partir da semana que vem, no dia 17 (segunda-feira). Para saber mais sobre o assunto e as principais mudanças que ocorrem em 2017, entrevistamos a médica Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Confira:

    Por que a campanha deste ano foi antecipada?

    Isso se deve a uma lição que aprendemos em 2016, quando o vírus começou a circular muito antes do que se esperava. O problema é que não conseguimos prever isso. O ideal é antecipar a campanha o quanto antes. Até porque o período entre tomar a vacina e estar protegido contra a infecção é de duas semanas. Então, se eu tomar a vacina quando o influenza já estiver circulando, vou estar exposto a ele. Quanto antes iniciarmos, mais a população estará protegida.

    A vacina de 2017 é diferente daquela que foi aplicada nos anos anteriores?

    Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde define qual deve ser a composição da vacina no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul. Eles fazem essa recomendação com base nas cepas de influenza que circularam nos anos anteriores. Em 2017, tivemos uma pequena modificação no H1N1 que está dentro da vacina desde 2010.

    E quem deve tomar a vacina?

    As gestantes, as mulheres que tiveram um filho nos últimos 45 dias, crianças de 6 meses a 5 anos, indivíduos com mais de 60 anos e aqueles que possuem alguma doença crônica, ou seja, todas as pessoas que tomam algum remédio todo dia para tratar diabete, asma, obesidade, colesterol alto…

    Além deles, foram incluídos novos públicos-alvo na campanha de 2017?

    Sim. A grande novidade deste ano é que professores da rede pública e privada, trabalhadores do sistema prisional, prisioneiros e adolescentes que estão sob medidas socioeducativas também devem tomar a vacina para se proteger da gripe.

    E quem não pode tomar?

    A vacina é extremamente segura. A única contraindicação formal é para quem tem alergia ao ovo. Mas essa é uma condição bastante rara.

    Quem tomou a vacina no ano passado precisa repetir a dose agora?

    Sim, pois a ação da vacina contra a gripe não é prolongada, diferentemente do que acontece com outros imunizantes. A proteção leva duas semanas para funcionar e dura cerca de 9 meses. Quem tomou ano passado precisa tomar novamente, uma vez que não tem mais anticorpos suficientes para combater o influenza. O segundo motivo é que a vacina é diferente e resguarda contra outras cepas do vírus.

    A vacina dá alguma reação?

    É importante deixar claro que o imunizante não causa gripe. É um vírus morto que está lá dentro, então é impossível ele provocar a doença. As reações que podem ocorrer são desconforto no local da aplicação, dor de cabeça e mal-estar nos primeiros dias. Mas essas chateações são raras.

    Quem tem sintomas de gripe pode tomar a vacina?

    A pessoa que está com febre, dor no corpo e não consegue nem levantar da cama para trabalhar deve aguardar alguns dias. Mas caso esteja apenas espirrando e com coriza, como ocorre durante um resfriado simples, não há nenhuma contraindicação.

    Qual a importância de se imunizar?

    Novos estudos mostram que o vírus influenza está relacionado a uma série de complicações, como pneumonia e doenças cardíacas. Portanto, ao tomar a vacina, você não apenas se protege da gripe, mas evita quadros mais graves relacionados com hospitalização e morte. Um segundo ponto é a importância social. Uma vez que me protejo, diminuo a circulação do agente infeccioso e evito que ele seja transmitido para as pessoas ao meu redor.

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  • foto-imagem-mulher-corpo

    Pera, maçã ou banana? Pode até parecer que estamos reinventando aquela famosa brincadeira juvenil ou selecionando ingredientes para uma salada de frutas. Mas, na verdade, os três termos são utilizados por médicos para definir tipos físicos.

    A endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, explica: “Um corpo maçã é aquele com maior concentração de gordura na região abdominal, com pernas e braços finos. O pera, por sua vez, é curvilíneo, tem uma melhor distribuição de tecido adiposo. Banana seriam os totalmente magros”. Agora que você já sabe qual é o seu biótipo, descubra mais detalhes clicando nas imagens abaixo:

    Maçã

    foto-imagem-maça

    Seu metabolismo é: lento. A barriga mais inchada, típica do perfil maçã, é resultado do excesso de gordura visceral, que se aloja dentro e ao redor dos órgãos. O problema: ela é especialmente danosa e pode, por exemplo, levar a problemas cardiovasculares e diabete, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Pera

    foto-imagem-pera

    Seu metabolismo é: rápido. O maior volume das coxas e do quadril — que dá o formato de pera —, denota uma tendência a estocar gordura no chamado tecido adiposo subcutâneo. Ele é bem menos nocivo do que o visceral, porém é mais difícil de ser queimado.

    Banana

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    Seu metabolismo é: superrápido. Mas atenção: não caia na história de que magreza é sinônimo de saúde e dispensa exercícios físicos e alimentação equilibrada. Mesmo que a silhueta permaneça intacta, ficar parado e exagerar nas refeições favorece o diabete e diversas doenças entre os “magros de ruim”.

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  • foto-imagem-criança-cubos

    Falta de vitamina B12 pode estar por trás do baixo rendimento cognitivo de meninos e meninas que vivem em países subdesenvolvidos, onde o consumo de carne, leite, ovos, queijo e outras fontes da substância costuma ser limitado. A conclusão vem do instituto de pesquisa norueguês Uni Research.

    Cientistas desse centro acadêmico cruzaram a Europa para coletar o sangue de 500 bebês nascidos no Nepal. Cinco anos depois, reencontraram 320 desses voluntários mirins a fim de obter uma nova amostra e realizar testes que avaliam o desempenho dos neurônios.

    Para a surpresa dos estudiosos, as taxas de vitamina B12 dessa turma não eram das piores — mas ainda assim estavam abaixo do recomendado. Acima disso, as crianças com maior carência do nutriente apresentavam dificuldade em realizar tarefas básicas, como montar um quebra-cabeça e reconhecer letras e formas geométricas.

    Claro que outras questões entram em jogo no desenvolvimento cognitivo infantil — como a oferta de professores e pediatras bem treinados. Mas é bem plausível que o aporte adequado de vitamina B12, ao estimular o cérebro, contribua para o raciocínio rápido.

    E nem pense que, a partir da pré-adolescência, a presença do nutriente em questão é dispensável. Pelo contrário: em doses adequadas, ele aumenta a quantidade de células nervosas e favorece a comunicação entre uma e outra. Portanto, deve-se ficar atento à deficiência da substância — principalmente entre vegetarianos ou veganos, que não contam com muitas boas fontes dela.

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  • A publicidade de suplementos esportivos, as revistas especializadas e o clássico ambiente das academias nos fizeram crer que o atleta, seja o amador ou o profissional, tem que comer diferente do resto da humanidade. Apesar de estar bem difundida essa ideia, a verdade é que, essencialmente, se trata de um enorme erro. Sem ir muito longe, o Colégio Americano de Medicina Esportiva defende num documento de posicionamento, junto com as associações norte-americana e canadense de dietética, que “a alimentação dos esportistas não deve ser substancialmente diferente daquela recomendada para a população em geral”.

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    Mas a realidade é o que é. E sabemos como o chamado efeito Popeye chega a ser tentador em alguns momentos. Efeito que propõe acreditar em mensagens com nenhuma ou pouquíssima evidência, que nos sugerem comer de uma forma especial – com a adição de alimentos concretos (no caso de Popeye era o arquifamoso espinafre) ou com a inclusão de suplementos maravilhosos – para obter um rendimento quase milagroso: mais força, mais volume, mais velocidade, mais resistência, melhor recuperação, menos lesões etc.

    Neste artigo não se pretende dar conselhos personalizados aos praticantes de diversas modalidades esportivas que procuram na alimentação, na nutrição ou na suplementação uma espécie de pedra filosofal que os ajude a superar seus desafios pessoais. Pelo contrário: só se tenta oferecer um pouco de prudência, num terreno especialmente fértil para o equívoco científico com base em alegações milagrosas, promessas complacentes e beberagens secretas. E em especial aquelas nas quais se alude à “ciência” (sic) para lhes dar credibilidade.

    Se você decidiu fazer exercício, parabéns

    Manter-se ativo melhora seu prognóstico de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que as pessoas sedentárias têm entre 20% e 30% mais chances de morrerem de forma prematura do que os indivíduos que fazem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Na mesma linha, um interessante estudo publicado na prestigiosa revista The Lancet estima que o sedentarismo é a causa, em todo o mundo, de 6% das doenças coronárias, 7% dos casos de diabetes tipo 2, 10% dos cânceres de mama e outros 10% dos cânceres de cólon.

    A falta de atividade física estaria por trás de 5,3 milhões de mortes no panorama mundial, o que representa quase 10% dos óbitos do ano de 2008, por exemplo. Com esses resultados, o artigo sustenta que se mexer serviria não só para diminuir a incidência de várias doenças não contagiosas como as já apontadas, mas também para aumentar de forma global a expectativa de vida em 0,68 ano. Assim, de saída, se você deixa a categoria dos sedentários e opta por manter um estilo de vida mais ativo já merece um aplauso.

    É possível que nestas circunstâncias você também tenha se perguntado sobre o papel da alimentação na sua saúde, no seu rendimento e na hora de cumprir metas esportivas. E faz bem. Pelo lado da saúde, é provável que esses parabéns por fazer exercício sejam duplos: está bastante provado que pessoas que fazem exercícios, em geral, costumam comer melhor que a população sedentária. Um virtuoso peixe que morde o próprio rabo, retroalimentando os bons hábitos.

    Passemos ao rendimento, sobre o qual também é consenso que a dieta desempenha um papel crucial. Importante, mas não único: esse rendimento será afetado por múltiplos elementos – pessoais (genéticos), relativos ao treinamento, socioeconômicos e ambientais – tão ou mais importantes que a alimentação isolada. Apesar disso, o universo esportivo acolhe com enorme interesse mensagens que, sem maior suporte científico, mas sim com um importante investimento em marketing, pretendem nos vender terrenos na Lua (ou seria, neste caso, nas academias de ginástica?) e nos fazer acreditar mil maravilhas sobre os benefícios de comer de um jeito mais ou menos extravagante, ou incluir este ou aquele suplemento.

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    Desmascarando o discurso esportivo-nutricional

    O dietista-nutricionista Julio Basulto, um dos profissionais mais reconhecidos da Espanha nesse terreno – e autor, com Juanjo Cáceres, do recomendável livro Comer y Correr – deixa bem claro: “A primeira coisa que chama a atenção no lindo mundo da alimentação e dos complementos dietéticos ligados ao mundo esportivo é que se trata de uma questão atrozmente complexa. Tudo precisa estar embebido de algo bioquímico, imunológico, insulínico, glicogênico, fitoquímico, polifenólico, neurológico, proteínico, aminoacídico, enzimático, hidrolítico, metabólico, catabólico, anabólico… e hiperbólico”. Ou seja, neste terreno é habitual o uso uma série de termos que, bem empregados, são habituais no mundo acadêmico das ciências da saúde, mas que se transformam em moeda de uso corrente no jargão cientificista de monitores de academia e outros arrivistas da venda suplementadora.

    É impossível abordar num artigo destas características todos os conceitos alto astral que rodeiam o mundo da nutrição esportiva; mas esmiuçaremos alguns dos mais recorrentes.

    • A janela anabólica: este conceito propõe a importância de incluir determinados nutrientes – especialmente proteínas e carboidratos – em estreitas “janelas temporais” antes, durante e principalmente depois do exercício, afim de propiciar a reconstrução da malha muscular prejudicada e restaurar as reservas energéticas. Seria uma estratégia que uniria nutrição e treinamento de modo indivisível, tudo isso para ajudar a melhorar tanto a composição corporal como o rendimento esportivo e para reduzir o tempo de recuperação. Seus seguidores são contados aos milhares, especialmente entre aqueles que dedicam boa parte dos seus treinamentos a levantar pesos. Para isso, legiões do homo croassanis costumam se fazer acompanhar em suas rotinas de astronáuticas garrafinhas (shakers, no seu jargão). Isso, ou saem disparados de casa depois do treino para devorar uma calculada combinação de claras de ovo e arroz, antes que a tal “janela” termine, fazendo-os praticamente jogar no lixo a sessão de ginástica.

    Entretanto, apesar da sua extensa popularização nas duas últimas décadas e de haver dezenas de estudos destacando as virtudes da “janela anabólica”, o fato é que seus supostos benefícios não estão totalmente claros. Aliás, nem mesmo a sua existência está clara. “Se destilarmos todos os dados da literatura científica a respeito da suposta ‘janela metabólica’, fica difícil estabelecer recomendações específicas, devido à inconsistência dos resultados e a escassez de pesquisas sistemáticas que busquem otimizar a dose de proteínas antes e depois do exercício”, diz um contundente estudo de revisão sobre o tema. “Assim, os supostos benefícios de confiar numa suposta ‘janela anabólica’, além de se basearem em diversas suposições e dependerem de muitos outros fatores nem sempre controláveis, estão muito longe de serem uma realidade.” Na verdade, um recente ensaio renega, com todas as letras, esse conceito: “Nossas conclusões refutam a existência de uma estreita janela posterior ao exercício anabólico com o objetivo de maximizar a resposta muscular; em seu lugar, apoia-se a teoria de que o intervalo para a ingestão de proteínas pode ser tão amplo como várias horas, ou talvez mais depois do treino com base na refeição anterior ao treinamento.”

    • Aminoácidos de cadeia ramificada: bastante relacionado ao item anterior – eles são uma espécie de denominador comum no uso da famosa janela –, refere-se a uma classe de aminoácidos essenciais com um radical alifático, entre os quais se destacam a leucina, a isoleucina e a valina. Explicado de forma muito breve e gráfica, os aminoácidos em geral seriam as contas que formam os colares de proteínas. Aos ramificados, além disso, se atribui com bastante fundamento a regulação da síntese e degradação das proteínas. Ao mesmo tempo, podem ser utilizados na hora de contribuir com energia por via anaeróbica.

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    Mas a utilidade de suplementos à base de aminoácidos de cadeia ramificada, ou de qualquer outro tipo de aminoácidos ou proteínas, está, para dizer de forma sutil, em dúvida. Pelo menos quando se compara essa suplementação com a inclusão de tais proteínas na forma de alimentos da dieta habitual. E o que diz esse recente estudo de revisão quando conclui que a ingestão total diária de proteínas tem mais peso no efeito em longo prazo que o momento da administração (a tal “janela”) ou a qualidade dessas proteínas. Embora admita uma possível e importante variabilidade interpessoal nessas estratégias, a informação já nos deveria deixar no mínimo desconfiados perante qualquer discurso totalizador e generalista sobre os benefícios desse tipo de suplementos. Por esta razão, o manual Nutrição e Dietética Clínica aconselha, na medida do possível, cobrir nossas necessidades proteicas a partir de uma dieta adequada quando se faz exercício. É algo relativamente simples, levando em conta que em nossas sociedades tendemos a incluir em nossa dieta uma quantidade de proteínas bastante acima das recomendações. Então não se esqueça: carne, ovos, peixe e muitos outros alimentos contêm muitas proteínas – com suficientes aminoácidos de cadeia ramificada, os quais bem distribuídos bastam por si só para otimizar o efeito de seu treinamento. Sem pirar, sem pozinhos, mais barato e com comida de verdade.

    • Bebidas de reposição: chegamos a uma questão sensivelmente diferente das anteriores, já que está mais do que provado que os fatores que mais contribuem para o surgimento da fadiga durante o exercício e para o atraso na recuperação são a diminuição dos carboidratos armazenados em forma de glicogênio no organismo e a aparição de certa desidratação resultante da perda de água e eletrólitos através do suor. Mas tampouco neste campo é necessário cair na complacência cientificista para fazer as coisas direito. Segundo o Documento de Consenso da Federação Espanhola de Medicina do Esporte Sobre Bebidas para o Esportista – Composição e Pautas de Reposição de Líquidos, “em geral uma dieta equilibrada e uma hidratação correta são a base para cobrir as exigências nutricionais na maioria das pessoas que fazem esporte”. O texto faz uma especial ressalva quanto às diversas condições ambientais, pessoais e de cada modalidade esportiva que condicionarão essas necessidades particulares. Assim, toda bebida de reposição deveria cumprir três objetivos elementares: 1º) Fornecer carboidratos que mantenham uma concentração adequada de glicose no sangue e adiem o esgotamento dos depósitos de glicogênio (em competições ou treinos que se prolonguem durante um tempo significativo); 2º) repor os eletrólitos, sobretudo o sódio; e 3º) a reposição hídrica para evitar a desidratação.

    Entretanto, no universo atlético, seja amador ou profissional, abundam as charlatanices repositoras que prometem recuperações pseudomilagrosas, com nomes tão sugestivos como hydrofuel, go-fuel, topfuele vários outros no qual o tema “fuel” (combustível, em inglês) é um suspeito habitual.

    A descontextualização máxima nesse terreno se dá no caso da cerveja, em especial com a recente comercialização de uma suposta variedade isotônica. Mas não, a cerveja não é uma bebida de reposição. Nem mesmo a dita isotônica. Destacamos o tema porque este produto levou a Sociedade Espanhola de Medicina do Esporte (SEMED) e o Conselho Geral de Colégios Oficiais de Médicos (OMC) da Espanha a cerrar fileiras diante desse despropósito. Por isso, ambas as entidades firmaram um documento conjunto detonando a suposta cerveja isotônica e, já que haviam tocado no assunto, refutando a tese de que a cerveja seria uma bebida de reposição e alertando para a situação de vulnerabilidade dos esportistas nessas questões. Disseram o seguinte: “Na Espanha, o coletivo dos esportistas amadores […] em grande medida carece de informação adequada sobre aspectos nutricionais, como a hidratação no esporte. A cerveja que se apresenta como bebida para esportistas não cumpre os critérios e as garantias necessários para ser recomendada nem no esporte nem na atividade física”.

    Destacaram ainda que, “a cerveja [seja qual for] constitui uma forma de entrada ao consumo de álcool dos mais jovens, e inclusive crianças. Por isso, a adaptação precoce da criança ou do adolescente que pratica esporte ao sabor da cerveja, usando como estímulo e referência ídolos esportivos, é, sob qualquer ponto de vista, repreensível para a OMC e a SEMED e constitui um novo exemplo de publicidade com clara intenção subliminar contrária à promoção da saúde”.

    • Colágeno: deixando no tinteiro dezenas de suplementos (equinácea, glutamina, selênio, espirulina, ginseng, picolinato de cromo, hidroximetilbutirato, várias vitaminas e outros compostos de nome ainda mais exótico e impronunciável), não resisto comentar a jogada de um dos compostos com maior apelo comercial nos últimos anos. Estou me referindo aos suplementos de colágeno, em suas várias formas ou combinado com outras substâncias (a mais clássica, o magnésio). O colágeno é uma proteína e, como tal, uma vez ingerida com os alimentos, ou suplementos, é dividida em suas partes constituintes — os aminoácidos — para que estes, e não a proteína, sejam absorvidos um por um na maioria dos casos.

    Supor que esses tijolos tenham memória e se lembrem que já fizeram parte de uma estrutura superior, uma proteína chamada colágeno, é como tentar fornecer veículos a uma tribo indígena jogando todas as partes de um avião e esperar que caiam montados. Os aminoácidos constituintes do colágeno são a glicina e a prolina, nenhum é essencial, e podem ser obtidos tanto a partir da síntese endógena como em outras fontes alimentares proteicas. Assim, se alguém apresenta uma clara deficiência de colágeno (devido ao estado de suas articulações ou pela aparência da pele), terá de considerar por que esse colágeno necessário não é produzido por seus fibroblastos — na maior parte das vezes, ocorre por problemas genéticos, de idade e fatores ambientais, como o tabagismo —, ao invés de ingerir suplementos desnecessários, que sempre são caríssimos independentemente do preço.

    Use o bom senso

    É imprescindível terminar o artigo tal e qual começou, fazendo um chamado à racionalidade. E é algo que se faz para o bem geral, para que ninguém gaste um dinheiro absurdo com tantas bobeiras, para que ninguém seja enganado e, portanto, para lembrar que a alimentação dos atletas não deve ser substancialmente diferente da recomendada para a população em geral. Considere que a prática de certos rituais associados com maior ou menor evidência ao desempenho esportivo (isso é o de menos) poderá levar a uma fidelização com uma certa rotina de treinamento, mas isso não se traduz em resultados reais. Resumindo: vestir um macacão de Fórmula 1 e capacete pode incentivá-lo a se sentir mais poderoso dentro de um carro, mas não fará você dirigir melhor. Isso é certo. Porque, com isso tudo, dá na mesma.

    Finalmente, e no campo estritamente dos suplementos e das ajudas ergogênicas, é conveniente lembrar das duas regras básicas do Professor Ronald Maughan, membro condecorado do American College of Sports Medicine, entre muitos outros méritos, um profissional reconhecido neste campo que dedicou grande parte de sua vida ao tema do desempenho esportivo, do uso de suplementos e à luta contra o doping: “1ª Regra: Se o suplemento funciona, provavelmente está proibido; 2ª Regra: Se o suplemento não é proibido, provavelmente não vai funcionar”.

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    A apneia do sono é caracterizada por ruídos e interrupções na respiração que se repetem, no mínimo, cinco vezes num período de 60 minutos. Não se trata de um simples ronco. Na apneia, a barulheira noturna é entrecortada por engasgos — e o duro é que muitas vezes o indivíduo nem os percebe enquanto dorme. Essas pequenas pausas na entrada de ar chegam a diminuir a concentração de oxigênio no sangue.

    É daí que derivam as consequências mais sérias do distúrbio. A redução de oxigênio superativa o sistema nervoso, que eleva o ritmo dos batimentos cardíacos e estimula a contração dos vasos sanguíneos. E, com o tempo, isso se perpetua ao longo do dia. Daí o fato de a apneia do sono ser considerado um fator de risco para pressão alta e arritmia cardíaca.

    Além disso, o quadro favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina (hormônio que permite à glicose entrar nas células e gerar energia), condições que contribuem para o surgimento do diabete tipo 2.

    A apneia obstrutiva do sono é a versão mais comum da doença. Nesses casos, o ar para de fluir para as vias aéreas em função de um bloqueio temporário causado pelo relaxamento dos músculos da garganta — questões anatômicas interferem aqui. Em crianças, o problema pode estar relacionado ao aumento das adenoides, glândulas localizadas no nariz, ou das amígdalas, estruturas que ficam na entrada da faringe. A apneia central do sono, por sua vez, é um tipo mais raro, ocasionado por uma alteração na região do cérebro que controla a respiração.

    Sinais e sintomas

    – Ronco
    – Respiração ofegante
    – Sensação de sufocamento ao dormir
    – Sono agitado
    – Sonolência ao longo do dia
    – Dificuldade de concentração
    – Dor de cabeça matinal

    Fatores de risco

    – Excesso de peso
    – Maxilar inferior encurtado, o que empurra a língua muito para trás, tapando a garganta
    – Tabagismo
    – Álcool em excesso
    – Uso exagerado ou equivocado de sedativos
    – Aumento das amígdalas e adenoides
    – Dormir de barriga para cima
    – Tumores

    A prevenção

    Como o excesso de peso é um dos principais desencadeadores da apneia, um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercício físico, é essencial para se ver livre do problema.

    Os fumantes devem fazer um esforço extra e deixar o cigarro de lado, uma vez que o hábito costuma agravar bastante a condição. Recomenda-se também maneirar nas doses de bebida alcóolica, que em excesso interfere no ciclo do sono e no relaxamento da musculature da garganta e se transforma em gatilho para o distúrbio.

    O diagnóstico

    O relato de sono agitado e ruidoso é o ponto de partida para a detecção da apneia — e, nesse sentido, a avaliação do parceiro (ou parceira) é muito bem-vinda. A confirmação e a análise da gravidade do distúrbio são feitas por meio de um exame chamado polissonografia.

    Ele é realizado em um laboratório do sono de um hospital ou clínica especializada. O paciente passa a noite ligado a um aparelho que registra parâmetros como os batimentos cardíacos, a atividade cerebral, o movimento dos olhos, a respiração e o nível de oxigênio no sangue.

    Também é possível fazer esse monitoramento com um dispositivo portátil, do tamanho de um relógio, que fica preso ao pulso e em dois dedos da mão. Colocado na hora de dormir, ele assinala as condições de sono. Depois, o aparelho é levado para o médico, que analisa os resultados na tela do computador.

    O tratamento

    Conhecer a origem do distúrbio é fundamental para o especialista determinar as medidas de controle. Se a pessoa for obesa, a recomendação inicial é a perda de peso, associada a exercícios fonoaudiológicos para tonificar os músculos da garganta.

    Apneias mais leves, em geral provocadas pelo hábito de respirar pela boca, costumam ser tratadas com dilatadores de narinas.
    Para quem tem mandíbula curta, aparelhos ortodônticos feitos sob medida projetam a ossatura ou abaixam a língua, facilitando a passagem de ar.

    Uma das formas mais eficazes para resolver as pausas na respiração durante o sono é o uso de um mecanismo chamado CPAP — sigla para pressão positiva contínua nas vias aéreas, em inglês. Como o nome sugere, trata-se de uma máscara que cobre o nariz e a boca e joga o ar para as vias respiratórias. O CPAP é considerado o padrão-ouro no tratamento da apneia do sono. Quando a razão do problema é uma incorreção anatômica — na arquitetura da face ou nas amígdalas, por exemplo — indicam-se cirurgias.

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    Em comparação com quem veio ao mundo nos anos 1950, pessoas que nasceram na última década do século 20 possuem um risco duas vezes maior de apresentar câncer de cólon e quatro vezes maior de serem diagnosticadas com um de reto. Não é pouca coisa.

    A pesquisa, realizada pela Sociedade Americana do Câncer, englobou 500 mil casos que ocorreram entre 1974 e 2013. Embora a análise não revele os motivos por trás desse aumento, os especialistas têm alguns palpites.

    Primeiro, eles descartaram a possibilidade de a questão ser exclusivamente genética. “É difícil especular que um indivíduo dos anos 1990 seria tão diferente geneticamente de um dos anos 1950. O que mudou foi a nossa exposição ambiental e nosso estilo de vida”, disse coloproctologista George Chang, em entrevista à CNN.

    Os cientistas também não acreditam que isso se fruto de métodos mais eficientes para diagnosticar o problema. Ora, são justamente os indivíduos mais velhos que se submetem corriqueiramente aos exames para flagrar o mal — não os mais jovens.

    Uma possibilidade considerada pelos médicos é a obesidade. Ou melhor: talvez não o excesso de peso em si, e sim os riscos em comum com o câncer colorretal, como alimentação ruim e sedentarismo. De qualquer maneira, é importante não ignorar certos sintomas, como sangue nas fezes e constipação recorrente.

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    Uma das reclamações mais comuns de quem está se tratando contra o câncer é a fadiga. Para aliviá-la, os especialistas costumam prescrever remédios, psicoterapia ou exercícios físicos. Mas qual dessas táticas é mais eficaz? Uma pesquisa da Universidade de Rochester, em Nova York, jogou uma luz sobre o assunto — e o resultado vai surpreender muita gente.

    Acredite ou não, os medicamentos ficaram em último lugar. Já a terapia e a atividade física empataram na primeira posição. Segundo o estudo, combinar as duas opções é uma boa ideia, já que são “significativamente melhores do que os recursos farmacêuticos disponíveis”.

    Tal conclusão foi alcançada com a análise de 113 testes clínicos, que somaram 11 525 pessoas entre 35 e 72 anos. Metade do grupo era composto por mulheres com tumores na mama, enquanto o restante tinha outro tipo da doença. “Um paciente com fadiga, em vez de tomar algumas xícaras a mais de café […] ou tomar um medicamento, deve considerar fazer uma caminhada de 15 minutos”, explica Karen Mustian, líder do estudo, em comunicado.

    O time de Rochester diz que, baseando-se nessas evidências, os médicos devem focar mais em alternativas não-medicamentosas para reduzir a exaustão. “Quem tem câncer já ingere muitos remédios que vêm com riscos e efeitos colaterais. Tirar um fármaco do cenário, quando possível, geralmente beneficia os pacientes”, argumenta Karen.

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