Coronavírus: 6 mitos e conselhos falsos que você deve ignorar sobre a covid-19

O alho pode ser bom para a saúde geral, mas não bloqueia o coronavírus

Casos de contágio pelo novo coronavírus aparecem em cada vez mais países e não há cura conhecida para combater a doença causada por ele, a covid-19.

Em meio à preocupação de contágio, surgem nas redes sociais diversas dicas de saúde, variando de algumas inúteis a relativamente inofensivas até outras muito perigosas.

1. Alho
Muitas publicações que recomendam comer alho para prevenir infecções, inclusive de coronavírus, são compartilhadas no Facebook.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, embora seja “um alimento saudável que possa ter algumas propriedades antimicrobianas”, não há provas de que comer alho possa proteger as pessoas do novo coronavírus.

Em muitos casos, esses tipos de remédios não são prejudiciais em si, desde que sejam tomados após recomendações médicas baseadas em evidências científicas. Mas os abusos podem ter consequências complexas.

O jornal South China Morning Post publicou a história de uma mulher que teve de receber tratamento hospitalar porque a garganta dela ficou inflamada depois de consumir 1,5 kg de alho cru.

Sabe-se que, em geral, comer frutas e verduras e beber água é bom para se manter saudável. No entanto, não há evidências de que alimentos específicos ajudem a combater esse vírus especificamente.

2. ‘Minerais milagrosos’
O youtuber Jordan Sather, que tem milhares de seguidores em diferentes plataformas, disse que um “suplemento mineral milagroso”, chamado MMS, pode “eliminar” o coronavírus.

Ele contém dióxido de cloro, um alvejante.

Sather e outros promoveram a substância mesmo antes do surto de coronavírus, e em janeiro tuitaram que “o dióxido de cloro (também conhecido como MMS) não é apenas é um matador eficaz de células cancerígenas, mas também pode eliminar o coronavírus”.

No ano passado, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA alertou sobre os perigos para a saúde de beber MMS. As autoridades de saúde de outros países também emitiram alertas a esse respeito.

A FDA diz que “não tem conhecimento de nenhuma pesquisa que mostre que esses produtos são seguros ou eficazes para tratar qualquer doença”.

E adverte que beber o produto pode causar náusea, vômito, diarreia e sintomas graves de desidratação.

3. Desinfetante caseiro para as mãos
Órgãos de imprensa de diversos países noticiaram uma escassez de gel desinfetante para as mãos. Lavar as mãos é uma maneira importante de evitar a propagação do vírus.

À medida que eram publicadas informações sobre a escassez do álcool gel na Itália, também se multiplicavam receitas caseiras nas redes sociais.

Mas essas receitas eram para criar um desinfetante para limpeza de superfícies que, como os cientistas apontaram, não é adequado para uso na pele.

Os géis para as mãos à base de álcool geralmente também contêm emolientes ou hidratantes, que os tornam mais suaves para a pele, além de possuírem um teor de álcool de 60% a 70%.

A professora Sally Bloomfield, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, diz que não acredita que esse possa ser um produto eficaz para desinfetar as mãos e ainda menos se for feito com vodca (como indicam alguns vídeos, que contém apenas 40% de álcool).

Para limpeza de superfícies, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, por sua sigla em inglês) dos EUA dizem que os desinfetantes domésticos mais comuns são eficazes.

4. Prata coloidal
O uso da prata coloidal para combater o coronavírus surgiu no programa do evangelista americano Jim Bakker, ex-ministro das Assembleias de Deus.

A prata coloidal é composta de pequenas partículas metálicas suspensas em líquido.

Um convidado do programa disse que o líquido mata algumas cepas de coronavírus em 12 horas (embora ele tenha admitido que isso ainda não havia sido testado).

A ideia de que poderia ser um tratamento eficaz contra o coronavírus foi amplamente compartilhada no Facebook, principalmente por grupos que tentam desacreditar a medicina e a ciência.

Publicação no Facebook sobre poder da prata coloidal no combate ao coronavírus

Os defensores da prata coloidal afirmam que ela pode tratar todos os tipos de condições, agir como antisséptico e ajudar o sistema imunológico.

Mas as autoridades de saúde dos Estados Unidos dizem que não há evidências de que esse tipo de prata seja eficaz na cura de doenças.

Mais importante ainda, ela pode causar efeitos colaterais graves, como danos nos rins, convulsões e argiria, uma doença que faz com que a pele fique azul.

Alguns dos que promovem a substância nas redes sociais descobriram que suas postagens agora geram um aviso do serviço de verificação de dados do Facebook.

5. Beber água a cada 15 minutos
Uma publicação, copiada e colada por várias contas do Facebook, cita um “médico japonês” que recomenda beber água a cada 15 minutos para eliminar qualquer vírus que possa ter entrado na boca.

Uma versão em árabe foi compartilhada mais de 250 mil vezes.

A professora Bloomfield diz que não há evidências de que isso tenha qualquer resultado.

Segundo ela, os vírus transmitidos pelo ar entram no corpo através do trato respiratório quando inalados. Alguns deles conseguem entrar pela boca, mas beber água constantemente não fará com que você não pegue o vírus.

No entanto, beber água e manter-se hidratado geralmente é um bom conselho médico.

6. Calor e evitar sorvete
Algumas dicas nas redes sociais sugerem que o calor mata o vírus e recomendam beber água quente, tomar banhos quentes ou usar secadores de cabelo.

Uma publicação, copiada e colada por dezenas de usuários em redes sociais de diferentes países, e atribuída falsamente a ONU, afirma que o consumo de água quente e a exposição à luz solar matam o vírus e afirma que o sorvete deve ser evitado.

Charlotte Gornitzka, da ONU, diz: “É uma mensagem falsa que surgiu na internet… que afirma ser um comunicado do Unicef e parece indicar evitar sorvete e outros alimentos frios pode ajudar a prevenir o aparecimento da doença. Isso, é claro, é totalmente falso.”

“Sabemos que o vírus da gripe não sobrevive muito tempo fora do corpo durante o verão, mas ainda não sabemos como o calor afeta o novo coronavírus.”

“Aquecer o corpo para eliminar o vírus é completamente ineficaz”, de acordo com a professora Bloomfield.

Quando o vírus entra no organismo, não há como matá-lo: seu corpo apenas precisa combatê-lo.

Fora do corpo, “são necessárias temperaturas de cerca de 60 graus Celsius para matar o vírus”, diz a professora Bloomfield.

Lavar roupas de cama ou toalhas a 60 graus é uma boa ideia, pois isso pode matar qualquer vírus no tecido. Mas não é uma boa opção para lavar a pele.

Tomar um banho quente ou beber líquidos quentes não altera a temperatura real do corpo, que permanece estável, a menos que você já esteja doente.

Pesquisa adicional da BBC Monitoring

Meditação: Meditar pode rejuvenescer o cérebro de 50 anos para 25, segundo estudo

A neurocientista Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts e da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, começou a praticar meditação depois de sofrer lesões correndo na Maratona de Boston. “Eu pensava que estava meditando apenas para me alongar. Mas comecei a perceber que estava mais calma. Era mais capaz de lidar com situações difíceis”.

Ao estudar literatura científica sobre meditação, ela encontrou evidências que mostram que o exercício diminui o estresse, a depressão e a ansiedade, reduz a dor e a insônia e aumenta a qualidade de vida. Depois de começar sua própria pesquisa, Sara analisou pessoas que praticam a meditação por sete a nove anos.

Os resultados do estudo conduzido por ela mostraram que aqueles com forte formação em meditação aumentaram a massa cinzenta em várias áreas do cérebro, incluindo o córtex auditivo e sensorial. De acordo com a neurocientista, a meditação Mindfulness, da atenção plena, faz com que o indivíduo diminua a velocidade e tome consciência do momento presente, incluindo as sensações físicas, como as respiração e os sons ao redor.

Os cientistas também descobriram que as pessoas praticantes da meditação tinham mais massa cinzenta em outra região do cérebro, ligada à tomada de decisão e à memória, no córtex frontal. Ou seja, enquanto na maioria das pessoas essa área do cérebro encolhe à medida que a idade avança, nos indivíduos com idade de 50 anos que meditavam a massa cinzenta se mantinha na mesma quantidade da registrada em pessoas com 25.

Um segundo estudo colocou pessoas sem experiência para meditar em um programa de oito semanas. Como resultado, as oito semanas de meditação mudaram o cérebro desses indivíduos para melhor, desenvolvendo partes associadas ao aprendizado, memória, empatia e capacidade de assumir múltiplas perspectivas.

Quanto tempo você tem de meditar para ver esses resultados? Os participantes do estudo foram instruídos a meditar 40 minutos por dia. Mas outras pesquisas sugerem mudanças positivas e significativas na saúde em apenas 15 a 20 minutos de meditação por dia.

Covid-19 : O que acontece agora que Brasil tem 1º caso confirmado de coronavírus

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (26/02) ter confirmado o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil.

Dois exames atestaram que um empresário de 61 anos que vive em São Paulo foi infectado após viajar sozinho à Itália. Ele retornou na sexta-feira e apresentou sintomas, como febre, tosse, dor de garganta e coriza, dois dias depois.

Na segunda-feira, procurou atendimento médico no Hospital Albert Einstein, onde foi feito o primeiro exame. Depois, uma amostra foi enviada ao Instituto Adolfo Lutz, que fez contraprova e confirmou a presença do vírus.

O empresário está bem, segundo o ministério, e permanecerá isolado em sua casa até o desaparecimento dos sintomas. Sua mulher também será monitorada por mais duas semanas após cessarem os sinais da doença em seu marido.

De acordo com o governo, o protocolo internacional recomenda que ele seja mantido em sua residência, porque não se encontra em estado grave. No hospital, haveria o risco de ele transmitir o vírus para outros pacientes mais debilitados.

Também estão sendo monitorados cerca de 30 parentes que estiveram em sua casa em uma reunião de família no domingo. O ministério ainda está entrando em contato com passageiros que viajaram perto do paciente no avião que o trouxe da Itália.

“Agora, com o primeiro caso confirmado no Brasil, vamos ver como o vírus vai se comportar em um país tropical em pleno verão”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“É um vírus novo, que pode ou não manter o mesmo padrão de comportamento de transmissão que tem no hemisfério norte, com o frio.”

Medidas para evitar que o vírus se espalhe

O Brasil já se encontrava desde o dia 4 de fevereiro no terceiro e mais elevado nível de alerta do sistema de vigilância epidemiológica, após o Ministério da Saúde decretar uma situação de emergência de saúde pública de importância nacional.

Anteriormente, o governo havia informado que essa etapa só seria alcançada quando houvesse um caso confirmado no país, mas Mandetta decidiu antecipá-la para ser capaz de fazer contratações emergenciais para preparar o país para receber os brasileiros que foram trazidos da China e mantidos em quarentena em uma base militar em Anápolis, em Goiás.

A decisão foi tomada após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar uma situação de emergência em âmbito global, ao manifestar preocupação com casos de transmissão fora da China e o impacto do coronavírus sobre os sistemas de saúde de países mais pobres.

Agora, com a confirmação do primeiro caso, serão ampliadas as ações da vigilância epidemiológica e os preparativos para atendimentos de possíveis pacientes na cidade de São Paulo, além de serem tomadas medidas de contenção para evitar que o vírus se espalhe em território nacional.

“São Paulo é a cidade mais populosa do país e tem uma comunicação com a Itália e países europeus e comunidades destas nacionalidades muito extensas, e esse trânsito deve se intensificar, porque as pessoas com receio do vírus antecipam sua volta das férias ou de intercâmbio”, disse Mandetta.

Caso haja disseminação do vírus dentro do país, será dado início à fase de mitigação do surto, com ações para evitar que ocorram muitos contágios e mortes. “A situação não muda muito em relação ao que era feito com os casos suspeitos”, disse o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Henrique Ferreira.

“A própria vigilância tem condições de atuar nesta nova epidemia que talvez venhamos a enfrentar por aqui. Mas ainda não podemos dizer que estamos nesta situação, porque temos apenas um caso aqui.”

Desde a decretação de emergência, disse Mandetta, algumas medidas já foram tomadas antevendo diferentes cenários, como a compra de equipamentos de proteção e a licitação para aluguel de equipamentos usados em unidades de cuidados intensivos.

Foram adquiridos testes rápidos para ter um processo mais ágil de confirmação de casos. Também será ampliada a campanha de comunicação sobre a doença para orientar os cidadãos sobre como proceder.

Também foram consultados o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Infectologia para saber quais medicamentos serão necessários para atender possíveis pacientes.

Não há, até o momento, medicamentos retrovirais ou vacina específicos para o novo coronavírus. No tratamento, são usadas drogas para combater os sintomas da doença que ele causa — a covid-19. “Só vamos superar essa situação quando tivermos tecnologia para ter uma vacina. Por enquanto, é precaução e cautela”, disse Mandetta.

O governo descartou suspender voos ou fazer um controle das fronteiras. “Fechar fronteiras ou fazer testagem em portos em aeroportos não tem eficácia nenhuma, porque os pacientes podem ter o vírus sem apresentar sintomas. Essa é mais uma doença que a humanidade vai ter que enfrentar”, afirmou Mandetta.

OMS já deveria ter decretado uma pandemia, diz ministro

O governo alertou que o número de casos suspeitos no Brasil deve aumentar nos próximos dias, porque atualmente a classificação de risco para possíveis infecções do ministério leva em consideração 16 países — este critério tem como base países nos quais houve mais de cinco casos de transmissão local.

O planejamento de ações para este surto é similar ao que foi aplicado no país durante a pandemia de H1N1, em 2009, disse o ministro.

Uma pandemia é uma epidemia em escala global. Na segunda-feira (24/02), a OMS disse ainda ser cedo para decretar que este surto seja uma pandemia, porque não foi detectada uma disseminação descontrolada do novo coronavírus.

O ministro disse discordar desta posição. “Muito em breve, a OMS não vai trabalhar mais com nexo de país (para detecção de possíveis casos). Ela vai ter que fazer reunião com especialistas e considerar que se trata de uma pandemia. Aliás, já tem critérios para isso. Se ficar nesse nexo causal, vamos estar sempre correndo atrás”, disse Mandetta.

Até a terça-feira, segundo a OMS, foram registrados 80,2 mil casos do novo coronavírus no mundo, dos quais 77,7 mil na China. Outros 33 países já foram afetados.

Mas o Ministério da Saúde aponta que o total de pacientes na China pode ser bem superior aos índices oficiais, porque muitas pessoas podem ter apresentado sintomas leves e não procurado atendimento médico.

De acordo com o governo federal, a tendência atual é de estabilização do número de casos na China e de elevação em outros países.

A Itália tornou-se nos últimos dias um dos países mais afetados na Europa, com mais de 300 casos confirmados e 12 mortes.

Além do Brasil, outros países, como Grécia, Algéria, Áustria, Croácia, Espanha e Suíça notificaram recentemente seus primeiros casos do novo coronavírus em pessoas que viajaram para a Itália.

No Brasil, além do primeiro caso confirmado, há 20 casos suspeitos sendo monitorados, em sete Estados — São Paulo (11), Santa Catarina (2), Rio de Janeiro (2), Minas Gerais (2), Espírito Santo (1), Paraíba (1) e Pernambuco (1). Outros 59 foram descartados.

O novo coronavírus já provocou 2,7 mil mortes — 2.666 na China. Isso aponta que o vírus tem uma taxa de letalidade no mundo de 3,4%. Mas este índice chega a 8% entre pacientes com 70 e 79 anos e a 15% entre aqueles com mais de 80 anos.

“Esta é uma síndrome gripal que se comporta de maneira mais agressiva nos pacientes de mais idade. Mas temos observado um número expressivo de pessoas se recuperando da doença”, disse Mandetta.

Segundo dados da OMS, o período de incubação do vírus, ou seja, o tempo entre a infecção e o surgimento dos primeiros sintomas, é de até 14 dias, mas a média apontada até agora é de 5 dias.

O Ministério da Saúde informou que, até o momento, de acordo com os estudos feitos sobre o novo coronavírus, uma pessoa infectada é capaz de transmiti-lo para mais duas ou três pessoas, mas há casos em que chega a ser passado para até sete pessoas.

“Ainda não há um padrão bem descrito, mas podemos observar a maioria dos casos estudados estão nesta faixa de duas a três pessoas”, afirmou o secretário de vigilância em saúde, Wanderson de Oliveira.

Estima-se que o paciente de São Paulo tenha entrado em contato com 50 a 60 pessoas após ser infectado. No entanto, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, esclareceu que isso não significa que todas serão contaminadas.

“Mesmo que o número de pessoas com quem ele teve contato seja alto, estudos apontam que outros pacientes contaminaram de duas a três pessoas apesar de ter entrado em contato com 20, 30 ou 40 pessoas. Isso significa que o contato precisa ser mais íntimo para que haja transmissão”, disse Gabbardo.

Coronavírus: “Prefiro morrer em casa a ir para quarentena”, diz Wenjun Wang, moradora de Wuhan

Wenjun Wang é moradora da cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus.

Wang, uma dona de casa de 33 anos, e a família estão confinados desde que a cidade foi colocada em isolamento em 23 de janeiro.

Desde então, o vírus infectou mais de 24,3 mil pessoas na China e provocou pelo menos 490 mortes.

Foram registrados ainda 175 casos em outros 25 países.

Wang compartilhou com a BBC a luta desoladora da família pela sobrevivência.

“Desde que o surto de coronavírus começou, meu tio já faleceu, meu pai está gravemente doente, e minha mãe e minha tia começaram a apresentar alguns sintomas.

Uma tomografia mostrou que os pulmões delas estão infectados. Meu irmão também está tossindo e com problemas respiratórios.

Meu pai está com febre alta. A temperatura dele ontem chegou a 39,3°C, e ele está sempre tossindo e com dificuldade para respirar. Nós conseguimos uma máquina de oxigênio para usar em casa, e ele conta com ela 24 horas por dia.

Ele está tomando medicamentos chineses e ocidentais no momento. E não pode ser internado porque o caso dele não foi confirmado devido à falta de kits de teste.

Minha mãe e minha tia vão ao hospital todos os dias na esperança de conseguir um leito para o meu pai, apesar da própria condição de saúde delas. Mas nenhum hospital vai aceitá-los.

‘Ninguém está nos ajudando’

Em Wuhan, há muitos postos de quarentena para acomodar pacientes que apresentam sintomas leves ou ainda estão no período de incubação.

As instalações são simples e bem básicas. Mas para pessoas gravemente doentes como meu pai, não há leitos adequados.

Meu tio morreu, na verdade, em um dos postos de quarentena, porque não havia estrutura médica para pacientes com sintomas graves. Eu realmente espero que meu pai possa receber um tratamento adequado, mas ninguém está em contato conosco ou nos ajudando no momento.

Entrei em contato com agentes comunitários várias vezes, mas a resposta que recebi foi: ‘não há chance de conseguirmos um leito no hospital’.

No começo, achamos que o posto de quarentena para onde meu pai e meu tio foram era um hospital, mas descobrimos que era um hotel.

Não havia enfermeira ou médico, tampouco aquecimento. Eles foram à tarde, e os funcionários serviram um jantar frio naquela noite. Meu tio estava muito doente, com sintomas respiratórios graves, e começou a perder a consciência.

Nenhum médico foi atendê-lo. Ele e meu pai ficaram em quartos separados, e quando meu pai se levantou para vê-lo, às 6h30 da manhã, ele já havia falecido.

‘Preferimos morrer em casa’

Os novos hospitais que estão sendo construídos são para pacientes que estão internados em outros hospitais no momento. Eles serão transferidos para as novas unidades.

Mas pessoas como nós não conseguem sequer um leito agora, muito menos nos novos hospitais.

Se seguirmos as orientações do governo, o único lugar para onde podemos ir agora é para esses pontos de quarentena. Mas, se formos, o que aconteceu com meu tio aconteceria com meu pai.

Então, preferimos morrer em casa.

‘A população infectada é enorme’

Há muitas famílias como nós por aqui, todas enfrentando as mesmas dificuldades.

O pai de um amigo meu foi rejeitado pelas equipes dos postos de quarentena porque estava com febre alta.

Os recursos são limitados, mas a população infectada é enorme. Estamos com medo, não sabemos o que vai acontecer em seguida.

A mensagem de Wang para o mundo

O que quero dizer é que, se soubesse que eles fechariam a cidade em 23 de janeiro, eu sem dúvida teria levado toda a minha família embora, porque não há assistência aqui.

Se estivéssemos em outro lugar, poderia haver esperança. Não sei se pessoas como nós, que ouviram o governo e ficaram em Wuhan, tomaram a decisão certa ou não.

Mas acho que a morte do meu tio responde a essa pergunta.”

O que é o vício em exercício? – Como o vício em esporte pode tornar uma obsessão


Hoje no blog Saúde da Vida, vamos falar sobre “vícios nos esportes”. A obsessão nos esportes pode prejudicar e até acabar com os relacionamentos.
Vamos pra matéria!!!!!

Correndo em um parque, Valerie Stephan parece estar em paz ao cumprir seu ritual matinal. “Quando corro, sinto que estou ficando mais rápida, mais forte. É como uma série de pequenas vitórias”, diz a atleta amadora.

Há dez anos, Valerie começou a correr para melhorar sua forma física. Ela se inscreveu em uma prova de 5 km. Depois, passou para as corridas de 10 km e conseguiu completar uma maratona.

Mas, então, ela começou a acordar cedo todas as manhãs para treinar e a priorizar o esporte acima de tudo. “O exercício me controlava, em vez de eu controlar o exercício. Isso rapidamente se tornou uma obsessão e prejudicou meu trabalho, minha família, todos os aspectos da minha vida”, diz.

À medida que o vício aumentava, ela se isolava cada vez mais, até mesmo de pessoas próximas. “Algumas pessoas simplesmente não entendiam por que eu tinha de me exercitar. Elas me achavam um pouco louca.”

Atrasar-se para os compromisso ou reagendá-los e cancelá-los tornou-se a regra. Valerie passou a combinar de se encontrar com os amigos com a condição de que fossem jogar squash ou nadar, relaxando apenas quando atingia seu objetivo no dia. “Eles pensavam que não queria vê-los. Eu queria, mas tinha de treinar muito antes para não me sentir culpada.”

Sua obsessão também afetou outros relacionamentos importantes. “Eu nunca conseguia descansar. Estava sempre correndo. Nunca queria passar um tempo em casa.”

Depois de anos forçando os limites do seu corpo e da sua mente, Valerie ficou deprimida e esgotada. Precisou parar com tudo para se recuperar e ficou quatro meses sem trabalhar.

“Tudo o que eu queria era mostrar que era uma super-humana que tinha controle total. Não conseguia demonstrar o quanto aquilo era difícil emocionalmente para mim”, afirma Valerie.

O que é o vício em exercício?

Psicólogos dizem que a dependência em exercício se enquadra em uma categoria de vício na qual um comportamento se torna compulsivo e causa problemas na vida de uma pessoa.

Estima-se que isso afete cerca de 3% da população em geral, mas chegue a 10% entre os praticantes de corrida de alto desempenho.

Normalmente, os mais propensos ao vício ?são os atletas amadores que, como Valerie, buscam na atividade física alívio para algum sofrimento interno, diz a psicóloga Chetna Kang, do Hospital The Priory, em Londres, no Reino Unido.

“Muitas vezes, as pessoas chegam com problemas de relacionamento, ansiedade, depressão. Mas, quando você começa a analisar, percebe que o excesso de exercício é o motivo. Isso não é extremamente comum, mas está se tornando cada vez mais”, diz Kang.

Caz Nahman, psiquiatra de crianças e adolescentes especializada em distúrbios alimentares, diz que excesso de exercício é uma condição frequente entre seus pacientes.

“O exercício geralmente é benéfico para a saúde mental. É uma ótima maneira de gerenciar a depressão leve ou a ansiedade severa. Mas o excesso pode ter um impacto negativo”, afirma Nahman.

Os sintomas incluem lesões como fraturas por estresse, tendinite e falhas do sistema imunológico. Em mulheres, pode levar à interrupção da menstruação, osteoporose e distúrbios alimentares. Nos homens, provoca redução da libido.

Martin Turner, psicólogo de esportes da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, estuda atletas há dez anos e encontra regularmente pessoas que são dominadas por esse aspecto de suas vidas.

“Elas criam uma ideia de que o sucesso como atleta reflete seu valor como ser humano. ‘Se falho como atleta, sou inútil’. Quando correr se torna um elemento central de quem a pessoa é, ela pensa: ‘Se eu não correr, quem eu sou?’.”

Os estudos de Turner mostram que essas ideias estão geralmente associadas a um maior grau de dependência de exercícios, depressão, raiva, ansiedade e esgotamento.

“Existem três razões principais pelas quais essas crenças não fazem sentido. Primeiro, impedem o bem-estar, em vez de contribuir para isso. Segundo, refletem uma motivação de curto prazo. As pessoas correm para evitar a culpa e não pela atividade em si. Terceiro, isso não condiz com a realidade: uma pessoa precisa respirar, comer, se hidratar e dormir, mas não precisa correr”, diz o psicólogo.

Sintomas de abstinência

Enfrentar a abstinência da adrenalina e da endorfina liberadas pelo esporte pode ser particularmente difícil. Valerie tentou reduzir a carga de exercícios, mas isso teve um forte impacto sobre seu bem-estar, fazendo com que se sentisse mais inquieta.

Ela diz que isso a manteve presa em um ciclo vicioso. “Fico ansiosa quando não consigo treinar. Não consigo dormir, tenho dores de cabeça. Se não sair para me exercitar, parece que estou em uma prisão.”

Especialistas apontam que aparelhos ou aplicativos que monitoram o volume de exercício praticado podem alimentar este vício, especialmente se a pessoa é motivada por conquistas e perfeccionismo.

Usar esses dispositivos e compartilhar o desempenho pelas redes sociais faz com que essa prática se torne pública e competitiva, e torna ainda mais difícil reduzir a carga.

Valerie diz que adora estes aplicativos e os usa todos os dias para monitorar seu ritmo de corrida, volume de treino e seu progresso. “Você recebe elogios e vê como melhorou e o que seus amigos estão fazendo. Mas, se tenho uma maratona chegando e meu amigo está treinando mais, me sinto pressionada.”

Turner diz que estas ferramentas podem aumentar a obsessão e prejudicar a recuperação. “Elas podem ser uma injeção de autoestima. O problema é se te dizem que você ficou aquém de alguma forma. Você não foi tão bom quanto da última vez, não foi tão bom quanto seu amigo. Você fica constantemente competindo com os outros”, afirma o psicólogo.

A situação pode piorar ainda mais se a autoestima de uma pessoa estiver diretamente atrelada às suas realizações na prática de exercícios, diz Turner. “Se o aplicativo te diz que você não foi tão bem e você pensa que isso te torna um fracasso completo, é algo pode ser ainda mais problemático.”

O caminho para a recuperação

A treinadora de triatlo britânica Audrey Livingstone diz que estes aplicativos e aparelhos estimulam um comportamento doentio entre seus atletas.

“Alguns deles ficam muito ocupados checando o que os outros estão fazendo. Digo a eles que só precisam fazer melhor do que fizeram da última vez. ‘Concentre-se no seu próprio desempenho'”, diz ela.

Livingstone afirma que busca, nestes casos, reduzir a carga de exercícios dos seus atletas por uma semana. “Eles não gostam, questionam e lutam contra isso. Simplesmente, não entendem por que precisam descansar às vezes.”

Como com qualquer outro tipo de vício, interromper o ciclo vicioso e dar os primeiros passos rumo à recuperação pode ser um processo demorado e complicado. Turner acredita que, antes, é preciso reconhecer que há um problema.

“Uma das coisas que os atletas devem fazer é refletir sobre seus pensamentos, motivações e crenças. É importante ser realista e flexível e dizer ‘se não treinar hoje, pode ser ruim, mas certamente não é a pior coisa do mundo’ e reconhecer que só porque não treinou, isso não faz da pessoa uma perdedora.”

Para Valerie, buscar um equilíbrio entre exercícios e descanso é um desafio contínuo. Agora, com o apoio de parentes e amigos, acredita que está conseguindo se recuperar.

“Entender que aquilo se tornou um vício levou muito tempo. Precisei aprender a abrir mão de me exercitar, não ficar obcecada com isso e que não posso controlar tudo, ao dizer para mim mesma: ‘Você não precisa ser perfeita.”

Sono – Como dormir melhor( e em menos tempo)

É comum o pouco tempo de sono ser usado como motivo de orgulho, como uma espécie de prova de que se leva uma vida extremamente agitada.

Personalidades como Thomas Edison, Margaret Thatcher, Martha Stewart e Donald Trump relataram dormir de quatro a cinco horas por noite — muito menos que o período de sete a nove horas de sono recomendado para adultos.

Muitos de nós estão seguindo o exemplo daquelas personalidades: de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, mais de um terço dos adultos americanos não conseguem dormir o suficiente regularmente.

As consequências disso, como problemas de memória e maior propensão a infecções e obesidade, são bem conhecidas — mas fáceis de ignorar. Quando há muito o que fazer durante o dia, o sono ainda é o principal sacrificado.

Mas e se pudéssemos simplesmente otimizar a experiência do sono para que desfrutássemos da maioria dos benefícios do sono profundo, só que em menos tempo?

Essa possibilidade pode estar mais próxima do que parece, graças a novas técnicas de “otimização do sono”. Algumas experiências em diferentes partes do mundo mostraram que é possível aumentar a eficiência da atividade noturna do cérebro — acelerando a chegada ao sono profundo e melhorando o descanso quando chegamos lá.

Parece quase bom demais para ser verdade. Mas é isso mesmo?

Uma batida mais lenta
Em uma noite normal, o cérebro passa por estágios diferentes do sono, cada um com um padrão característico de ondas cerebrais, em que neurônios de diferentes regiões do cérebro atuam juntos, em sincronia, em um ritmo específico. É como uma multidão cantando ou tocando alguma batida em uníssono.

Durante a fase R.E.M., do “movimento rápido dos olhos” (tradução livre), esse ritmo é bastante rápido. É também este o período mais provável em que sonhemos.

Mas, em certos momentos, nossos olhos deixam de se mover, nossos sonhos desaparecem e o ritmo das ondas cerebrais cai para menos de uma “batida” por segundo — momento em que entramos em nosso estado de inconsciência mais profundo, chamado “sono de ondas lentas”.

É este estágio que tem sido de particular interesse para os cientistas que investigam a possibilidade da otimização do sono.

Desde os anos 1980, pesquisas vêm mostrando que o sono de ondas lentas é essencial para a manutenção do cérebro. Ele permite que as regiões cerebrais transmitam nossas memórias do armazenamento de curto ao longo prazo — para que não esqueçamos o que aprendemos.

“As ondas lentas facilitam a transmissão de informações”, diz Jan Born, diretor do Departamento de Psicologia Médica e Neurobiologia Comportamental da Universidade de Tübingen, Alemanha.

As ondas lentas também podem desencadear o fluxo de sangue e líquido cefalorraquidiano (material que circula entre o cérebro e a medula espinhal) pelo cérebro, liberando detritos potencialmente prejudiciais que poderiam causar danos neurais. Elas também reduzem o hormônio associado ao estresse, o cortisol, e ajudam a rejuvenescer o sistema imunológico.

Tais resultados levaram cientistas, incluindo Born, a considerar que aumentar a produção dessas ondas lentas poderia impulsionar os benefícios do sono e melhorar nossa atividade diurna.

Uma das técnicas mais promissoras para isso funciona um pouco como um metrônomo que conduz a atividade no cérebro ao ritmo certo. Em experimento, participantes dormem usando um dispositivo preso à cabeça que acompanha a atividade cerebral e é capaz de notar o início da produção de ondas lentas. Nesse momento, o dispositivo emite pulsos curtos de som suave em intervalos regulares durante a noite, em sincronia com as ondas lentas naturais do cérebro. Os sons são silenciosos o suficiente para evitar acordar o participante, mas altos o suficiente para serem registrados, inconscientemente, pelo cérebro.

Born liderou grande parte do trabalho experimental, descobrindo que esse estímulo auditivo suave é apenas o suficiente para reforçar os ritmos cerebrais necessários. Os participantes que usaram o dispositivo tiveram um desempenho melhor nos testes de memória, mostrando uma melhor capacidade de recordar o que haviam aprendido no dia anterior. Também foram observadas melhoras no equilíbrio hormonal, com redução nos níveis de cortisol; e no sistema imunológico.

Nos testes realizados até agora, os participantes ainda não relataram consequências indesejadas.

“Não podemos ter certeza, mas até agora não há efeitos colaterais óbvios”, diz Born.

Dormir melhor em uma loja perto de você
A maioria dos estudos que tentam incrementar o sono de ondas lentas foi realizada em pequenos grupos de participantes jovens e saudáveis. Para ter certeza dos benefícios dessas técnicas, precisaríamos assistir a experimentos maiores em grupos mais diversos. Mas essas evidências já existentes permitiram à chegada ao mercado de um punhado de dispositivos para auxiliar o sono, principalmente na forma de faixas de cabeça para serem usadas durante a noite.

A start-up francesa Dreem, por exemplo, produziu uma faixa (disponível por cerca de € 400 ou R$ 1,8 mil) que também usa a estimulação auditiva para estimular o sono de ondas lentas, com uma configuração semelhante à dos experimentos científicos — que foram confirmados por outros estudos.

O Dreem também se conecta a um aplicativo que analisa os padrões de sono e oferece conselhos e exercícios práticos, como meditação, para favorecer uma melhor noite de sono.

A faixa de cabeça para sono profundo SmartSleep, da Philips, explicita buscar contornar os efeitos negativos da privação de sono — para pessoas “que, por qualquer que seja o motivo, simplesmente não estão se dando uma oportunidade adequada de sono”, diz David White, diretor científico da Philips.

Esse produto foi lançado pela primeira vez em 2018 e, como o Dreem, trata-se de uma faixa para a cabeça que detecta a atividade elétrica do cérebro e reproduz periodicamente pequenos impulsos de som para estimular as oscilações lentas que são características do sono profundo. O dispositivo conta com um software que controla cuidadosamente o volume do som ao longo do tempo para garantir que ele dê o nível ideal de estímulo para cada usuário. Hoje, o produto está disponível apenas nos EUA por cerca de US$ 399 (cerca de R$ 1,6 mil).

White concorda que o dispositivo não pode substituir completamente uma noite de sono, mas lembra que é notoriamente difícil convencer as pessoas que costumam dormir pouco a fazer as mudanças necessárias no estilo de vida. Ao ampliar os benefícios do sono, esse aparelho ao menos contribui para a atividade cotidiana. Nesse sentido, as próprias experiências da Philips confirmaram que o SmartSleep aumenta o sono de ondas lentas em pessoas privadas de sono e atenua alguns dos efeitos imediatos dessa situação, como uma pior consolidação da memória.

Pesquisas futuras podem sugerir ainda mais maneiras inovadoras de otimizar o sono. Aurore Perrault, da Universidade de Concordia, no Canadá, testou recentemente uma cama de balanço suave que oscilava para frente e para trás a cada quatro segundos.

Ela diz que a técnica foi inspirada no bebê recém-nascido de um colega sendo ninado para dormir, levando a equipe a se perguntar se os adultos também podem se beneficiar desses movimentos suaves. Eles descobriram que participantes de testes entravam mais rápido na fase das ondas lentas e passavam mais tempo nela quando as ondas cerebrais se sincronizavam com o movimento externo. Como era de se esperar, eles também relataram sentir-se mais relaxados no final da noite, e isso foi novamente acompanhado pelos benefícios esperados para sua memória e aprendizado.

“Essa foi a cereja do bolo”, diz Perrault.

Se uma cama desse tipo for lançada no mercado, ela deverá ter um propósito semelhante às faixas de cabeça que estimulam sons. Perrault está particularmente interessado em ajudar as pessoas mais velhas, já que a quantidade de tempo no sono profundo parece diminuir à medida que envelhecemos, contribuindo potencialmente para alguns problemas de memória relacionados à idade.

Ainda assim, procure dormir

A nova opção está disponível contra miopia e hipermetropia e usa a tecnologia dos óculos Transitions, que se adaptam a diferentes níveis de luminosidade

Regulamentada nos Estados Unidos desde abril de 2018, uma lente de contato com grau que se ajusta à luz do ambiente enfim desembarcou nas óticas do Brasil. Ela foi criada pela marca Acuvue, da Johnson & Johnson, e estava aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 27 de maio de 2019, mas só agora é possível comprá-la.

Segundo a assessoria de imprensa da empresa, foram necessários dez anos de pesquisa para criar essa lente que usa a tecnologia Transitions — a mesma dos óculos que escurecem em ambientes bem iluminados e clareiam nos mais escuros.

Por enquanto, o produto está disponível apenas para correção de miopia e hipermetropia. As lentes devem ser trocadas e descartadas a cada 14 dias.

Além de proteger contra os raios UVA e UVB, a novidade bloqueia em até 70% a luz visível (ou luz azul), emitida pelo sol e por telas de aparelhos eletrônicos. A exposição excessiva e desprotegida a esses fatores está associada a degeneração macular e lesões na córnea e retina.

Quando a lente foi aprovada nos Estados Unidos, nós fizemos uma reportagem com mais detalhes sobre o assunto.

A inclusão dessa atividade na reabilitação de vítimas de ataque cardíaco traz resultados positivos, segundo novo estudo

Ganhar destaque no Congresso Europeu de Cardiologia em meio a remédios e aparelhos de última geração não é um feito trivial para uma prática milenar. E foi o que aconteceu com a ioga, protagonista de uma pesquisa indiana com 2 470 pessoas que sofreram um infarto.

Já nos primeiros dias após o susto, 1 470 voluntários começaram a experimentá-la diariamente, além de receberem todos os outros cuidados. O treino, que durou três meses, envolvia adotar certas posturas de manhã e reservar um tempo para técnicas de respiração à tarde.

Depois de cinco anos, notou-se uma taxa de mortalidade ligeiramente menor nessa turma, em comparação com a que passou pela reabilitação tradicional.

“A ioga é um exercício leve, o que já seria positivo no início da recuperação. Mas ela ainda traz um componente de relaxamento”, avalia o cardiologista Marcelo Nishiyama, da BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo ele, que acompanhou a apresentação dos dados, em Paris, o estresse eleva o risco de uma segunda pane cardiovascular.

Repouso total é coisa do passado

Há um consenso de que o imobilismo prejudica ainda mais o indivíduo que infartou. “Mesmo quando está na UTI, ele deveria mexer um pouco os membros com o apoio de especialistas”, diz Nishiyama. Conforme vai melhorando, o paciente precisa incorporar progressivamente mais doses de movimento no cotidiano.

A ioga é uma ótima opção, porém não a única. Converse com seu médico sobre caminhadas ou outras modalidades que preferir. Acredite: isso vai afastar outros perrengues.

Mesmo sendo demonizado, esse alimento se mantém em alta e vem se reinventando em receitas mais saudáveis. Tem gente até que começou a prepará-lo em casa

Farinha, água, fermento e sal. Você só precisa de quatro ingredientes para fazer um belo pão — algo que nossos ancestrais descobriram há coisa de 6 mil anos. “Se considerar o tipo ázimo, não fermentado, a receita pode ter até 20 mil anos”, conta o consultor gastronômico Luiz Américo Camargo, pesquisador de panificação caseira desde 1990 e autor do livro Pão Nosso (Editora Panelinha, em parceria com o Senac).

“O alimento ajudou a organizar o modo de produção agrícola, já que sua preparação obrigou as tribos a cultivar regularmente trigo, centeio, cevada etc.”, explica Camargo. Ou seja, o pão pode não ter feito parte da dieta dos homens das cavernas, mas também não entrou em nossa vida ontem, como seguidores de menus à base de carnes e vegetais costumam dar a entender.

Mais do que isso: ele está longe de ser símbolo de uma alimentação desajustada. “Italianos, franceses e povos de países do Oriente Médio são grandes comedores de pão. E eles têm menos problemas de saúde do que outras populações com médias bem menores de consumo”, compara Camargo.

Ainda assim, a onda da low carb, dieta com baixa ingestão de fontes de carboidratos, angariou vários adeptos. Quem nunca viu um amigo ou familiar fugir de pães, massas e arroz para emagrecer? “Na maioria das vezes, cortes assim levam a uma redução na ingestão calórica e, consequentemente, à perda de peso”, justifica a nutricionista Luciana Lancha, de São Paulo.

Ocorre que isso não é sinal de sucesso. Após um tempo seguindo um cardápio tão restritivo, a tendência é voltar ao padrão (ou seja, ao peso) anterior. “Em vez de focar em um grupo alimentar, o ideal é buscar mudar o estilo de vida. Os resultados demoram mais a aparecer, mas são realmente duradouros”, garante Luciana.

Cada um no seu forno

Há inúmeros tipos de pão. O expert Luiz Américo Camargo ensina as diferenças entre alguns dos mais conhecidos

Italiano: pasme é criação de imigrantes italianos de São Paulo. “As boas padarias fazem com farinha, água, fermento natural e sal.”

Australiano: foi inventado por uma rede de restaurantes que nem australiana é. Há receitas que levam chocolate, outras café… Nada padronizado.

Pão de fôrma: a massa dos mais industriais às vezes nem fermenta direito. Só é batida. Evite os lotados de ingredientes.

De centeio: “Um clássico!”, diz Camargo. Se bem-feito, fica muito bom. A fermentação longa dá sabor marcante e leveza à receita.

Francês: pão simples, crocante e, em geral, com durabilidade curta. “Alguns padeiros abusam de açúcar e gorduras.”

Pão sírio: é da família dos pães chatos, como pizza e foccacia. É ótimo para acompanhar refeições e montar sanduíches.

Bisnaguinha: a da padaria segue a tradição dos pães de leite. Já a industrial costuma esbanjar açúcar, gordura e aditivos. Olhe o rótulo.

Croissant: mais um clássico. Para Camargo, poucos o preparam direito. “Enrolados massudos não são croissants”, crava o especialista.

O pão dentro de uma rotina saudável e balanceada

Para além do emagrecimento, há quem enxergue a exclusão de pães e afins como solução para domar picos de açúcar no sangue e baixar o risco de diabetes e doenças do coração. “Mas, até o momento, não há evidências de que a redução exagerada de carboidratos faça realmente bem à saúde”, afirma a nutricionista Débora Bohnen Guimarães, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes.

“O ponto-chave é a proporção. Porque, de fato, o excesso traz problemas”, pontua a nutricionista Isabela Pimentel Mota, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Quem viu de perto os dois lados da moeda foi a pesquisadora Sara Seidelmann, em um estudo conduzido no Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, e publicado no respeitado periódico científico The Lancet.

Após analisar 15 428 americanos e cerca de 432 mil indivíduos de mais de 20 países, ela constatou que tanto a alta (70% ou mais) como a baixa (40% ou menos) porcentagem de calorias vindas de fontes de carboidratos elevavam a mortalidade. O menor risco ficou atrelado a um consumo de 50 a 55% de calorias representadas pelo nutriente — valor sugerido há tempos pelos especialistas.

Sara ressalta, porém, que, se as dietas pobres em carboidratos contam com proteínas e gorduras de origem vegetal como substitutas, o risco de morrer acaba sendo menor do que quando a troca é por proteínas e gorduras animais (carne, ovo…).

De qualquer maneira, o recado é que ninguém precisa dar adeus ao pãozinho de cada manhã. “Esse alimento faz parte da dieta humana há dezenas de milhares de anos e pode integrar uma rotina saudável”, tranquiliza a estudiosa. Para ela, o pulo do gato é focar em versões ricas em grãos integrais, que fornecem fibras. “Elas costumam ter índice glicêmico baixo e ajudar na saciedade”, concorda Débora.

Por falar em índice glicêmico (ou IG, para os mais íntimos), que é a velocidade com que o alimento é convertido em açúcar e liberado na circulação, Luciana Lancha frisa que esse conceito não precisa ser levado a ferro e fogo pela população em geral.

“Embora o pão branco tenho um alto IG, ele não é consumido puro”, explica. Quando o associamos a um queijo, por exemplo, o açúcar demora mais a dar as caras no sangue, porque ambos devem ser digeridos e absorvidos. “O organismo não pega o pão primeiro e depois o queijo. Vai tudo junto”, diz Luciana.

Apesar de não ser um sacrilégio sucumbir ao pão branco, o integral realmente soma mais vantagens. “É que o refinamento leva embora fibras, nutrientes e fitoquímicos”, resume Isabela.

Para o nutricionista Igor Ucella, do Centro Universitário Senac Santo Amaro, na capital paulista, esses elementos podem vir de outras fontes, não só do trigo. “A panificação tem trazido opções com mandioquinha, batata-doce, inhame…”, exemplifica.

O que considerar na hora da compra

No pacote: é interessante que a farinha integral, com mais fibras, apareça em primeiro lugar na lista de ingredientes, que é em ordem decrescente. Compare os teores de sódio e gorduras — em um pão com castanhas, é natural ter mais desse nutriente. Prefira os produtos com receitas mais simples, sem mil ingredientes.

Pão branco: fornece energia de forma mais rápida. Por isso, pode ser indicado no pós-treino para acelerar a recuperação. Porém, no processo de refinamento, perde fibras, vitaminas e minerais. E os picos de glicose facilitam o ganho de peso.

Pão integral: preserva mais nutrientes e fibras, que contribuem para a saciedade e auxiliam o trânsito intestinal. No entanto, nem todo mundo curte de cara o sabor do pão 100% integral. Uma boa é começar aos poucos, com misturas de farinhas.

Ops, embolorou: as manchas azuis que surgem no pão após um tempo são sinais de fungo. Há quem tire essas partes e coma o resto. “Mas os fungos já podem ter se espalhado. Só não enxergamos”, alerta Carmen Tadini, engenheira de alimentos do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), da Universidade de São Paulo. Evite!

Por que o mais brasileiro dos pães é conhecido como francês?

Não se engane: o carro-chefe das padarias nacionais não tem nada de gringo. “Esse pão nem existe na França”, nota Rui Gonçalves, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sampapão). O que aconteceu foi o seguinte: ao vir para cá, no início do século 19, a corte portuguesa não gostou da receita tupiniquim.

“A nova clientela começou a exigir pães mais branquinhos, como os dos franceses. Daí surgiu um pão de produção cotidiana, com farinha de trigo branca, que passou a ser chamado, com o tempo, de francês”, esclarece Camargo.

Outros apelidos pelo brasil

Cacetinho: é desse jeito que os gaúchos se referem ao famoso pãozinho.

Jacó: em Sergipe, pode encostar no padeiro e pedir por ele.

Careca: esse é o nome conhecido entre quem mora no Pará.

Carioquinha: foi batizado assim no Ceará. Lá também se chama pão de sal.

A febre dos pães artesanais
Segundo a americana Sara Seidelmann, os pães artesanais, produzidos por métodos semelhantes aos dos tempos antigos, são mais rústicos. “E provavelmente melhores para a saúde”, avalia.

A expert em panificação Julice Vaz, dona de um dos empreendimentos pioneiros em oferecer esse tipo de produto, em São Paulo, observa que a digestão é facilitada. “Ao usar um fermento natural, formado por micro-organismos, não é necessário incluir mais nada na receita”, justifica.

“Esse pão ainda tem melhor sabor e aroma, além de maior durabilidade”, afirma. Não à toa, tem muita gente cultivando seu próprio fermento e preparando o alimento em casa.

Mas não tem problema buscar o pão de cada dia no supermercado. “Ele inclusive está sujeito a regras e fiscalização mais controladas”, aponta Carmen Tadini. É preciso checar ingredientes e tabela nutricional e comparar os pacotes. “Essa sempre é uma atitude saudável”, frisa.

Comendo com parcimônia e fazendo boas escolhas, até quem tem diabetes pode manter o pãozinho na rotina. “O carboidrato é sinônimo de energia e vida, especialmente para quem usa insulina”, informa Débora.

A retirada acentuada do nutriente traz prejuízos para esse pessoal, como risco de crises frequentes de hipoglicemia — quando o açúcar baixa demais, vêm confusão mental, palpitações e outros incômodos. Já o mau humor pega todo mundo que é fã do pão e tenta limá-lo da dieta. Sorte que ninguém tem motivos para cometer essa insensatez.

Botando a mão na massa

Cada vez mais pessoas estão preparando o próprio pão. Eis alguns pontos importantes do processo

Fermento natural: tem leveduras e bactérias que você deve alimentar com farinha e água. Na digestão vagarosa de amido, elas liberam gases. O pão cresce e ganha sabor e aroma únicos.

Fermento biológico: feito industrialmente com leveduras. Como a concentração delas é alta, gera gases rapidamente e o pão se desenvolve logo. A dica é usar menos para um melhor sabor.

Na máquina: a sova, o descanso e o tempo de forno são no aparelho. Se usar bons ingredientes e fermentação lenta, também é artesanal. Mas se perde a parte manual do processo.

Os melhores ingredientes

Sementes: elas são fontes de nutrientes, como proteínas e gorduras boas. Prove as de abóbora, girassol, linhaça e chia.

Oleaginosas: mais redutos de substâncias do bem, a exemplo de gorduras insaturadas e minerais. Teste castanhas, nozes e amêndoas.

Raízes: batata-doce, inhame e beterraba deixam a receita mais nutritiva e fornecem sabor, cor e aroma diferenciados.

Farinha integral: deixa o pão com mais fibras, vitaminas e minerais. Se quiser acostumar o paladar aos poucos, tudo bem mesclar com a branca.

O que pode acompanhar o pão no café da manhã

Queijos magros: ricota e minas frescal são do time. Só não abuse. Se a fatia parar em pé, sinal de que está grande demais.

Ovo mexido: ele carrega proteínas. Por isso, ao combiná-lo com o pão, a glicose não dispara no sangue. Maneire no óleo.

Manteiga: essa é tradicional. Mas possui gordura saturada, cujo excesso eleva o colesterol. Use só um pouco.

Os ingredientes parceiros no jantar

Peixe, frango…: para uma refeição, inclua carne magra, frango desfiado ou atum. Embutidos não são legais.

Salada fria: Alface, cenoura, tomate e companhia adicionam vitaminas, minerais e fibras ao lanche. Capriche.

Vegetais cozidos: no inverno, eles caem como uma luva. Abobrinha, berinjela, espinafre… Varie cores e sabores.

Pastinhas: o grão-de-bico cozido vira uma pasta que deixa o sanduíche mais apetitoso e saudável.

Pessoas a partir de 5 anos de idade com câncer, infecção pelo vírus HIV ou que passaram por transplante de órgãos terão direito ao imunizante

Uma proteção extra contra doenças causadas pelas bactérias pneumococo — como pneumonia e meningite — acaba de chegar à rede pública. O Ministério da Saúde anunciou a inclusão da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com câncer, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados.

Também chamada de Prevenar 13, ela é a única capaz de proteger contra os 13 subtipos mais comuns dessa bactéria no mundo (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F). Produzida pelo laboratório Pfizer, já estava disponível desde 2016 nas clínicas privadas brasileiras.

“São várias as doenças provocadas pelo pneumococo. Ele é um dos principais agentes causadores de pneumonia, por exemplo”, informa a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A especialista conta que todas as crianças do país já têm direito a outro imunizante que afasta o risco de infecção por esse inimigo da saúde. Trata-se da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10). Ela deve ser aplicada aos 2 meses de vida, com reforços aos 4 e 12 meses.

De acordo com a Sbim, 70% dos casos de doenças graves decorrentes do pneumococo são evitados com essa versão. Já a Prevenar 13, por proteger contra três sorotipos a mais, levanta esse número para 90%.

“Agora, em geral, pessoas com mais de 5 anos não têm indicação rotineira, porque o risco de complicações é baixo”, informa Isabella. No entanto, quando falamos de indivíduos com quadros que suprimem as defesas do corpo, o perigo de o pneumococo causar estragos é consideravelmente maior. Daí porque o SUS optou por oferecer daqui em diante a VPC 13 para aqueles três grupos de pacientes.

Como será a vacinação agora

Antes da inclusão do novo imunizante, o SUS disponibilizava a pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) para esses mesmos pacientes. Entretanto, ela é menos eficaz e seu tempo de duração é menor. A Prevenar 13, portanto, chega para complementar o tratamento dos maiores de 5 anos.

“O esquema de doses inclui as duas. Primeiramente, deve-se tomar a VPC13. Doze meses depois, a VPP23 e, após cinco anos, a VPP23 novamente”, ensina a Isabella.

Segundo a vice-presidente da Sbim, a Prevenar 13 é segura e não possui contraindicações dentro dos grupos aos quais é recomendada. “Ela pode causar apenas dor no braço e vermelhidão local. É importante que o médico dê orientações”, completa a pediatra.

Onde encontrar a Prevenar 13

Diferentemente da VPC10, ela não será oferecida em todo posto de saúde. Assim como a VPP23, é necessário visitar os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries). Essas instalações estão presentes em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal.

“Para ter acesso à vacinação, é preciso receber um laudo médico justificando a recomendação”, orienta a pediatra. Como dissemos, na rede pública apenas pacientes oncológicos, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados se beneficiarão dela.

Já nas clínicas privadas, a aplicação se estende a outras turmas que correm um risco maior de sofrerem complicações da infecção por pneumococo. Indivíduos com diabetes e hipertensão estão entre elas.