• foto-imagam-novo-achocolatadoAcaba de chegar às gôndolas dos supermercados uma opção mais saudável para o lanche das crianças: o Sustagen Nutriferro. Pronto para consumo, o achocolatado concentra 33% das necessidades diárias de ferro, um mineral determinante para a prevenção de anemia — e olha que há indícios de que ela afeta cerca de 40% dos brasileirinhos. Para facilitar a absorção do nutriente, a fórmula conta com doses generosas de vitamina C.

    “A quantidade é 125% superior àquela observada nos produtos similares”, informa Ana Carolina Donan, nutricionista vinculada à Mead Johnson, empresa que produz a bebida. Outro diferencial é que ela carrega mais 16 vitaminas e minerais, como cálcio, fósforo, potássio, zinco, além de vitaminas A e E. “O ideal é que as crianças consumam pelo menos três porções de lácteos por dia”, lembra Ana. “E uma unidade do achocolatado vai ajudar a suprir essa demanda”, completa.

    Nada de exagero
    Apesar de o produto ter um monte de nutrientes, crianças e adolescentes não devem abusar. “Os achocolatados carregam também açúcar”, justifica Bruna Lago, nutricionista do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Sem contar que a presença de cálcio acaba diminuindo a quantidade de ferro absorvida pelo corpo. “Por isso, esses alimentos deveriam ser usados mais como fontes de cálcio e substitutos do leite de vaca integral do que apenas como fontes de ferro”, avalia a especialista.

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  • foto-imagem-exames A equipe da universidade Kings College de Londres, responsável pela pesquisa, analisou o sangue de 1 mil grávidas e concluiu que o novo teste, chamado exame de DNAfetal (cfDNA, na sigla em inglês), pode mostrar “quase que com certeza” se o bebê é portador do distúrbio genético.

    Atualmente, o teste mais comum é feito entre a 11ª e a 13ª semana de gravidez por meio de ultrassom. Nele, o médico mede a quantidade de um líquido atrás do pescoço do bebê chamado translucência nucal. Crianças com síndrome de Down tendem a apresentar uma maior quantidade de dessa substância.

    Além disso, hoje, as grávidas podem fazer um exame de sangue para checar se há níveis anormais de certas proteínas e hormônios em seus bebês.

    A partir desses testes, são calculadas as chances da criança ser portadora da síndrome. No entanto, se a chance for alta, a recomendação é que as grávidas passem por um dos dois testes para esses casos – ambos invasivos e arriscados.

    Um deles é a biópsia do vilo corial, que analisa uma pequena amostra da placenta. O outro é a amniocentese, que testa o líquido amniótico que envolve o bebê. A probabilidade de os dois exames provocarem aborto é de 1 em 100 casos.

    Definitivo
    O professor Kypros Nicolaides, que coordenou a pesquisa, afirmou que o novo exame de DNA é muito mais certeiro, já que seu resultado indica com 99% de precisão se o bebê apresenta a síndrome de Down.

    “Esse teste é praticamente um diagnóstico. Ele mostra com quase certeza se o seu bebê tem ou não a síndrome”, diz Nicolaides. “Da perspectiva da mulher, ele traz uma mensagem muito mais clara sobre o que fazer em seguida.”

    Segundo ele, hoje a prática médica recomenda envolver os pacientes nessas decisões. “Mas isso é apenas da boca para fora. Porque se o risco é de, por exemplo, um em 250, como é possível decidir? Quando os pacientes tiverem mais clareza, será mais fácil.”

    A equipe médica, que publicou a pesquisa sobre o teste na revista científica Ultrasound in Obstetrics and Gynaecology, agora vai fazer um estudo com 20 mil mulheres para incrementar os resultados obtidos.
    A Associação de Síndrome de Down no país disse que a realização do teste ainda não é algo iminente.

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  • foto-imagem-hpvSexo oral não é brincadeira quando se trata do HPV, o papilomavírus humano. Todo mundo associa a famosa doença sexualmente transmissível — ou DST — com a área genital, mas ela também representa um perigo para a boca. E, uma vez instalado na mucosa bucal, seu vírus é transmitido até pelo beijo. Resultado: o aumento dos casos de câncer de boca e garganta em gente cada vez mais jovem.

    Antes, as vítimas desses tumores costumavam ter mais de 50 anos e, em comum, o hábito de acender um cigarro atrás do outro e de consumir demais bebidas alcoólicas. Mas uma pesquisa feita pelo Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, revela que o perfil mudou: hoje, mais de 30% das pessoas com câncer na cavidade bucal têm menos de 40 anos. “Muitas nunca fumaram na vida”, conta o líder do estudo, o cirurgião oncologista Luiz Paulo Kowalski. Segundo ele, entre os que desenvolvem o carcinoma na garganta, a contaminação pelo HPV alcança 80%. “O sexo oral é o principal comportamento de risco, mas a epidemia é tão grande que suspeitamos de formas de contágio mais simples, que ainda nem conhecemos”, afirma Kowalski.

    Existem mais de 100 tipos de HPV por aí. Uns passam batidos pelo organismo, enquanto outros causam as grandes infecções. Mas as variações que provocam tumores e mais preocupantes são a 16 e a 18 — a primeira é responsável por 90% das encrencas no pescoço. Esses dois tipinhos desencadeiam o câncer nas mucosas em que se instalam — sempre no revestimento externo dos órgãos. Na garganta, a região preferida é a orofaringe, ou seja, tudo o que fica atrás do tal sininho: a amígdala e a base da língua. Mas o HPV também protagoniza tumores na laringe, na ponta da língua, na gengiva, no assoalho e no céu da boca.

    O câncer começa como algo parecido com uma afta que não desaparece. “São como pequenas feridas e verrugas que até podem sangrar. Mas, se não cicatrizar em até duas semanas, é preciso buscar a avaliação de um médico ou dentista”, aconselha o otorrinolaringologista Onivaldo Cervantes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando não é descoberto ligeiro, evolui para um formato de couve-flor; isso quando ele não cresce internamente. O principal sintoma, por incrível que pareça, é a dor de ouvido. Mas é possível sentir também dificuldade para mastigar, engolir e até para falar.

    Os estudos ainda não esclareceram o motivo pelo qual a garganta é a favorita do HPV, mas as suspeitas recaem sobre a rica rede linfática da região. “A hipótese é que ela favoreça a disseminação do vírus na mucosa e a sua transformação, alterando a maquinaria celular e facilitando a proliferação do câncer”, considera André Lopes Carvalho, diretor científico do Hospital de Câncer de Barretos, no interior de São Paulo.

    Visualmente, o aglomerado de células malignas causado pelo papilomavírus se assemelha a qualquer outro tumor originado sem a sua participação — por isso só uma biopsia pode confirmar a culpa do HPV. Seja qual for o resultado, o tratamento segue o padrão indicado a outros tipos de tumor. “Se a lesão é pequena, é feita a operação convencional. Se é grande, segue-se um protocolo de preservação do órgão para evitar uma grande mutilação”, diz o cirurgião Terence Farias, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. “E sempre recomendamos a quimioterapia e a radioterapia mesmo se o paciente não é HPV positivo”, ele complementa.

    Uma característica, porém, diferencia o carcinoma causado pela DST: ele é menos agressivo e tem um desenvolvimento mais lento. Por isso, o prognóstico de cura é mais otimista. “Esse tipo de tumor é mais sensível às terapias. Se a pessoa não fuma para complicar a situação, as chances de eliminá-lo são ainda maiores”, diz Carvalho.

    E a vacina?
    Existem dois tipos: a bivalente, que só protege contra as variantes que causam o câncer, e a quadrivalente causadores das verrugas genitais. Embora as duas versões só devam entrar no calendário oficial de vacinação no ano que vem, elas já estão disponíveis em clínicas particulares — e para meninos e meninas, a despeito de a turma do sexo feminino ser o alvo preferencial do vírus. Ambas são aplicadas em três etapas, e têm eficácia comprovada por dez anos. A única contraindicação é a gravidez.

    Uma questão ainda controversa diz respeito a quem deve ser vacinado. Uns defendem que o procedimento vale a pena só para jovens que não iniciaram a vida sexual. Outros alertam: ser sexualmente ativo não é sinônimo de ter sido contaminado, portanto deixar de receber a imunização seria uma roubada.

    “A vacinação é sempre recomendada, até para quem já foi contaminado por um tipo, lembrando que o corpo não fica imune para sempre após esse contato, como acontece com o vírus do sarampo”, argumenta o ginecologista José Focchi, professor da Unifesp e consultor do laboratório SalomãoZoppi, na capital paulista. “Os riscos de ser reinfectado são enormes”, acrescenta. O fato é que a vacina não mata o HPV já instalado. Em 90% das vezes, o próprio organismo se encarrega de eliminar o agente infeccioso — o problema é que isso pode levar muitos anos.

    Alerta final: a eficácia da camisinha em conter a transmissão do vírus é de 70 a 80%, porque ela não cobre todas as áreas suscetíveis à infecção. Isso, claro, não legitima as desculpas para esquecê-la na hora H. Afinal, esse ainda é o melhor método de prevenção, além da vacina.

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  • foto-imagem-vacina-contra-maláriaUma equipe de pesquisadores japoneses desenvolveu uma vacina contra malária que pode diminuir até 72% o número de pessoas infectadas. O estudo foi feito entre 2010 e 2011 com adultos no Japão e pessoas de 6 a 20 anos que vivem em Uganda, na África, onde a doença é endêmica. Os resultados foram publicados esta semana na revista científica americana “PLOS One“.

    Os autores, da Universidade de Osaka, criaram uma vacina em pó seco, chamada BK-SE36, por meio da alteração genética de uma proteína encontrada no parasita do gênero Plasmodium, que causa a malária – a transmissão ao ser humano ocorre pela fêmea do mosquito Anopheles. Essa proteína foi, então, misturada a um gel de hidróxido de alumínio.

    “Os efeitos da vacina são melhores que os obtidos até agora com qualquer outra vacina antimalária”, informaram os cientistas em comunicado. Segundo o texto, espera-se que a BK-SE36 reduza consideravelmente o número de mortes provocadas pela doença em todo o mundo, principalmente na África.

    De acordo com os pesquisadores, nenhum dos testes apontou problemas de segurança. O professor Toshihiro Horii, responsável pelo estudo, disse à agência de notícias japonesa Jiji Press que deseja que a BK-SE36 possa estar em atividade “cinco após após a realização de testes clínicos em crianças de 0 a 5 anos, que representam a maior parte das mortes por malária”.

    A cada ano, a doença mata 650 mil pessoas, a maioria crianças africanas com menos de 5 anos de idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora atualmente existam alguns medicamentos preventivos, os cientistas afirmam que a resistência a esses remédios está crescendo.

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  • imagem-foto-antiinflamatorioUm estudo britânico sugere que anti-inflamatórios analgésicos, como o ibuprofeno e o diclofenaco, podem aumentar o risco de doenças cardíacas quando ingeridos em grandes doses.

    Estudos passados já haviam apontado a relação entre anti-inflamatórios e problemas do coração, mas esta é a primeira vez que uma pesquisa faz uma análise em detalhe.

    O estudo foi publicado na revista científica Lancet.

    Os pesquisadores, da Universidade de Oxford, analisaram os prontuários de 353 mil pacientes para avaliar o impacto dos anti-inflamatórios, que são medicamentos não-esteroides e no Brasil são comercializados em produtos como Voltaren e Cataflan.

    Eles examinaram receitas médicas de altas doses dos anti-inflamatórios, de 150 mg de diclofenaco ou 2.400 mg de ibuoprofeno diariamente, e não as prescrições para pequenas doses, que podem ser adquiridas na farmácia sem receita.

    Eles concluíram que, para cada mil pacientes analisados, o risco de ataque cardíaco aumentava de 8 para 11 por ano. Eles também registraram quatro casos adicionais de falência cardíaca e uma morte, além de casos de sangramento no estômago.

    “Três casos adicionais de ataque cardíaco por ano pode parecer um risco baixo, mas cabe aos pacientes julgarem se querem tomar os medicamentos”, disse o pesquisador-chefe, Colin Baigent.

    Baigent salientou que os resultados da pesquisa não devem preocupar pessoas que tomam baixas doses dos medicamentos para tratar dor de cabeça, por exemplo.

    No entanto, ele alerta que quem já corre risco de ter doenças cardíacas tem mais chance de desenvolver as complicações se tomar altas doses dos anti-inflamatórios.

    Tábua de salvação
    Um terceiro medicamento analisado no estudo, naproxeno, acusou riscos menores de complicações cardíacas e tem sido prescrito por médicos para pacientes considerados de alto risco.

    O remédio, que tem ação similar à da aspirina, impedindo coágulo sanguíneo, também pode aumentar o risco de sangramento estomacal, afirmaram os especialistas.

    Pessoas que sofrem de artrite geralmente se beneficiam dos anti-inflamatórios analisados no estudo, que agem aliviando a dor e combatendo a inflamação.

    O professor Alan Silman, diretor da organização Arthritis Research UK, diz que esses medicamento são uma “tábua de salvação” para milhões de pessoas e são extremamente eficientes em atenuar a dor.

    “No entanto, por causa de seus possíveis efeitos colaterais, especialmente o de maior risco de complicações cardiovasculares, há uma necessidade urgente de encontrar alternativas que sejam tão eficientes e seguras”.

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  • foto-imagem-pregnancyPassado um ano desde que o Supremo Tribunal Federal autorizou o aborto em casos de gravidez de fetos anencéfalos (sem cérebro), pacientes brasileiras estão tendo acesso mais fácil ao procedimento, mas ainda há importantes deficiências a serem resolvidas, dizem médicos consultados pela BBC Brasil.

    A decisão do STF – tomada em abril de 2012 e detalhada no mês seguinte em resolução do Conselho Federal de Medicina – tem forte oposição de grupos religiosos, que a veem como um retrocesso das garantias do direito à vida.

    Antes, mulheres grávidas de fetos sem cérebro tinham de pedir à Justiça autorização para interromper a gestação, algo que podia ou não ser concedido pelo juiz.

    “Em São Paulo, isso poderia levar de uma semana a dois ou três meses”, afirma o ginecologista Cristião Rosas, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Atualmente, esse período foi reduzido a dias, caso a mulher decida pelo procedimento.

    “Mas a rapidez não vem em primeiro lugar”, complementa o ginecologista Thomaz Gollop, coordenador de um grupo de estudos sobre o aborto. “A paciente deve receber orientação psicológica e ter tempo de amadurecer (sua decisão).”

    Informações

    A gravidez de anencéfalos é considerada de alto risco, porque o feto fica em posição anormal e há o perigo de acúmulo de líquido no útero, descolamento de placenta e hemorragia. E não há perspectivas de longa sobrevivência para o feto, que em muitos casos morre durante a gestação.

    Os médicos aguardam a publicação de uma norma técnica do Ministério da Saúde, com diretrizes claras sobre como os profissionais devem lidar com o tema. A norma está em fase final, mas não há data para sua publicação.

    Enquanto isso, especialistas dizem que há desinformação, tanto entre pacientes quanto entre as próprias equipes de saúde; que os serviços que realizam o aborto (entre 50 e 60) são insuficientes; e que muitos profissionais alegam razões de foro íntimo para não informar as gestantes de seu direito ou mesmo para negar o procedimento.

    “Ainda há (entre alguns médicos) a falsa ideia de que a interrupção é mais arriscada do que deixar a gravidez evoluir. E é ao contrário”, explica Cristião Rosas. “Daí o médico posterga tanto que, quando a mulher chega ao hospital (para interromper a gestação), já está em situação de risco.”

    ‘Chorei tanto’

    A dona de casa pernambucana Elisa (nome fictício), de 23 anos, descobriu estar grávida de um bebê anencéfalo no mês passado, seu quinto de gestação.

    “Era uma menina, uma filha que eu desejei muito”, diz Elisa. “Chorei tanto. Fiz de novo o ultrassom e o médico falou que eu poderia interromper a gravidez. Decidi interromper.”

    Mas o hospital procurado por Elisa, a 680 km de Recife, é dirigido por religiosos católicos, que negaram o procedimento. Elisa recorreu a uma prima, enfermeira em um hospital em Recife, onde a jovem fez a antecipação terapêutica do parto.

    O Ministério da Saúde afirma que, diante da decisão do STF e sendo o Brasil um Estado laico, hospitais que se negarem a realizar procedimentos legais podem ser acionados na Justiça.

    Já a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende o direito de médicos e entidades exercerem objeções de consciência.

    Disparidades

    Polêmicas à parte, para Thomaz Gollop, o direito ao aborto no caso de anencefalia está consolidado “por 21 anos de (emissão de) alvarás judiciários (autorizando a prática), algo sacramentado pela decisão do Supremo”. Mas a ausência da norma técnica abre espaço para disparidades.

    “O procedimento é rápido nos Estados onde existe o serviço legal (de aborto)”, diz ele. “Não acredito que as mulheres estejam desassistidas. Mas não temos nenhuma mensuração.”

    Não há dados oficiais sobre os abortos legais de anencéfalos no Brasil nem sobre o impacto da decisão do Supremo.

    Mas o médico Jefferson Drezzet, do hospital Pérola Byington – referência em saúde da mulher em São Paulo -, diz que a decisão do Supremo não fez aumentar o número de procedimentos.

    “A anencefalia é uma doença cuja incidência obedece a uma constante. É diferente do aborto de gestações indesejadas. Portanto, não houve aumento de casos”, diz.
    “O que mudou é que as mulheres diagnosticadas não precisam passar pela torturante tarefa de ir a uma vara criminal por um pedido que podia ou não ser concedido.”

    Luto

    A isso – e independentemente se a mulher decida fazer ou não o aborto – se soma um dolorido processo de luto, explica Drezzet.

    “A mulher sente culpa, derrota. É uma situação emocionalmente difícil.”

    Elisa diz à BBC Brasil que ainda tem crises de choro quando pensa na filha que não teve.

    “Todas as vezes que eu mexo nas coisinhas que comprei para ela, eu lembro e choro.”

    Dados globais indicam que a incidência de anencefalia é de em média 1 em cada 10 mil gestações, mas – por razões não totalmente compreendidas – o Brasil é um dos países com o maior número de casos. A prevenção é feita com a ingestão de ácido fólico antes da gestação, o que reduz consideravelmente os riscos, diz Drezzet.

    Os médicos consultados dizem que, em meio à perda, é importante que a mulher não se sinta como culpada ou criminosa.

    “Ela tem que saber que tem liberdade de decidir”, diz Gollop.

    Para Débora Diniz, pesquisadora da Anis (grupo de bioética que propôs a ação no Supremo), a decisão do STF acabou com a instabilidade jurídica antes enfrentada pelas mulheres.
    Mas o tema está longe de consensos.

    “Nos preocupa o modo como o Supremo decidiu pela não-vida do anencéfalo”, diz à BBC Brasil Lenise Garcia, da comissão de bioética da CNBB. “Sua perspectiva de vida é pequena, mas ele só pode morrer porque está vivo. E a vida humana precisa ser resguardada até a morte.”

    Garcia relata histórias de mulheres que optaram por dar continuidade à gravidez de anencéfalos, os fetos sobreviveram mais do que o esperado e, até sua morte, “existiu uma interação de muito amor” entre mãe e filho.

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  • foto-imagem-enzimaSegundo a pesquisa, publicada na revista científica Journal of Biological Chemistry, as enzimas metaloproteinases da matriz (MMP-8) enviam uma mensagem ao sistema imunológico para que ataque o tumor.

    Os cientistas, da Universidade de East Anglia (UEA), investigaram como tais substâncias agem em pacientes com câncer de mama.

    Eles descobriram que as células cancerígenas que produzem altas doses de MMP-8 não sobrevivem porque essas enzimas alertam o sistema imunológico sobre a localização do tumor, ajudando o organismo a atacá-lo.

    Segundo os pesquisadores, pacientes de câncer de mama que produzem boas doses de MMP-8 têm mairoes chances de cura.

    Camarada

    Pesquisas anteriores haviam mostrado que as enzimas MMP-8 provocavam o efeito contrário.

    Segundo o pesquisador-chefe do estudo, Dylan Edwards, da Faculdade de Ciências Biológicas da UEA, antes acreditava-se que essas enzimas atuavam como “tesouras moleculares”, produzindo dois agentes inflamatórios que danificam estruturas da células, abrindo o caminho para a proliferação do tumor.

    “No entanto, agora sabemos que, ao mesmo tempo, as MMP-8 também servem de alerta para o sistema imunológico, que é acionado para atacar o tumor. Isso nos ajuda a entender sua função protetora”, disse Edwards.

    Medicamentos contra o câncer testados na década de 90 que agiam boqueando essas enzimas não se mostraram eficientes e agora essa pesquisa explica por quê.

    Ainda não se sabe exatamente como a enzima produz os dois agentes inflamatórios, o que deve ser investigado em próximas pesquisas.

    A médica Emma Smith, da organização Cancer Research UK, diz que o estudo fornece pistas iniciais sobre como a enzima desempenha o papel de “camarada” ao recrutar as células de defesa para lutar contra o câncer.
    “Mas as descobertas estão no estágio inicial e mais estudos são necesssários para provar que as enzimas são de fato eficientes no combate aos tumores”, diz Smith.

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  • foto-imagem-mastectomia-retirada-da-mama-seiosA atriz americana Angelina Jolie anunciou, em um texto no jornal The New York Times, que se submeteu à retirada das mamas com a finalidade de evitar um tumor ali. A notícia causou alvoroço e as pessoas passaram a questionar a real necessidade de um procedimento tão radical.

    Em primeiro lugar, vale reforçar que Angelina perdeu a mãe para a mesma doença e realizou um teste genético para saber o seu risco. No caso, o exame apontou que ela tinha uma probabilidade de 87% de desenvolver o problema nas glândulas mamárias em algum momento da vida. Esse método consiste em pegar uma amostra de sangue e rastrear mutações em genes que, segundo estudos, elevam pra valer o risco de câncer, como o BRCA1, alterado em Angelina Jolie.

    Segundo o mastologista João Carlos Sampaio Góes, diretor técnico-científico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, além da questão genética, existem outros fatores que acusam a maior possibilidade de ter a doença, como o estilo de vida e o histórico do paciente e a presença de casos de câncer na família. Por isso, cogitar a retirada das mamas requer que se avalie cada caso em particular, bem como as condições de saúde da mulher. A cirurgia profilática é indicada apenas a pacientes de alto risco confirmado.

    “Na verdade, Angelina nem se submeteu a uma mastectomia, que consiste na retirada total dos seios, mas a uma adenectomia, ou seja, a remoção das glândulas mamárias”, esclarece Góes. Depois disso, já se costuma reconstruir a região, em uma cirurgia plástica, com enxertos e uma prótese de silicone. “Todo esse procedimento reduz o risco de câncer ali em até 95%, o que, de fato, é mais eficaz do que qualquer outro método, além de ter um efeito permanente”, explica o médico.

    O mastologista Henrique Pasqualette ressalta, no entanto, que a retirada não anula por completo a probabilidade de um tumor aparecer. No caso de Angelina, o risco caiu de 87% (apontado no seu teste genético) para 5%. Daí que é necessário continuar o acompanhamento médico. Como nem todas as mulheres terão essa alteração genética que faz a doença se manifestar mais cedo, às vezes na casa dos 30 anos, nem vão realizar os testes de DNA que a deduram, cabe lembrarmos das estratégias mais amplas de detecção precoce do câncer de mama.

    Prevenção sem cortes
    De modo geral, as recomendações para flagrar o quanto antes um câncer de mama, algo fundamental para vencer a doença — quanto mais cedo o problema for descoberto e começar o tratamento, maior a chance de cura — envolvem a realização do autoexame e da mamografia a partir dos 40 anos de idade. O exame tem de ser feito anualmente. Caso a mulher possua histórico familiar da doença, a inspeção deve começar mais cedo e se repetir a cada seis meses.

    Quando é confirmado um alto risco e a mulher não quer, sob hipótese nenhuma, passar por uma cirurgia para remover as mamas, uma opção é apelar para o que os especialistas chamam de quimioprevenção. “Administramos substâncias que funcionam como anti-hormônios e evitam estímulos naturais para a multiplicação de células cancerosas”, explica Góes. A eficácia dessa estratégia gira em torno de 20 a 50%, mas ela dispara alguns efeitos adversos.

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  • Cientistas americanos afirmam ter criado um embrião humano por meio de clonagem – uma descoberta comemorada e considerada promissora pela comunidade científica.

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    Em um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Cell, cientistas da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, dos Estados Unidos, afirmaram ter recorrido a métodos semelhantes aos usados na clonagem da ovelha Dolly, em 1996.

    Criar células-tronco a partir de clonagem é mais fácil, barato e, especialmente, menos polêmico do que fazê-lo a partir de um embrião real.

    No novo experimento, o material retirado de uma célula adulta é transplantado em um óvulo cujo DNA havia sido retirado.

    Os cientistas, então, induziram os óvulos não fertilizados a se transformar em células-tronco embrionárias. Para isso, foi utilizado um estímulo elétrico.

    Aposta

    Células-tronco são uma das maiores esperança da medicina. Isso porque são capazes de se transformar em qualquer outra célula encontrada no corpo humano, como um músculo cardíaco, ossos ou neurônios.

    Na prática, elas podem ser usadas para curar os danos causados por um ataque cardíaco ou recuperar um trauma em uma medula espinhal.

    Já há testes que usam células-tronco – retiradas de embriões doados – para restaurar a visão de pessoas, por exemplo.

    O novo procedimento, de usar células-tronco a partir de clonagem, também ganhou elogios dos mais conservadores, que são contra a utilização das células-tronco embrionários.

    Tais grupos afirmam que todos os embriões, sejam eles criados em laboratórios ou não, têm o potencial de se transformar em um ser humano, e que, por essa razão, seria imoral realizar experimentos com eles.

    Descoberta promissora

    “Uma análise minuciosa das células-tronco criadas com essa técnica provou que elas são capazes de serem convertidas, assim como uma célula-tronco embrionária normal, em diferentes tipos de célula, incluindo células nervosas ou cardíacas”, afirmou Shoukhrat Mitalipov, um dos coordenadores do estudo.

    “Ainda há muito trabalho a ser feito para que seja desenvolvido um tratamento com células-tronco seguro e efetivo. Mas acreditamos que esse é um passo significativo pra desenvolver células que podem ser usadas na medicina regenerativa.”

    Chris Mason, professor de medicida regenerativa da Universidade College London, descreveu o estudo como promissor.

    “Eles fizeram o mesmo que os irmãos Wright. Olharam para onde estavam as melhores pesquisas sobre isso e, basicamente, fizeram uma amálgama disso”, afirmou.

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  • foto-imagem-gripe Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos indica que gripes durante a gravidez podem aumentar o risco de a criança desenvolver transtornos bipolares ao longo da vida.

    O estudo realizado com 814 mulheres grávidas e publicado na revista especializada JAMA Psychiatry afirma que infecções contraídas durante a gestação podem fazer com que a criança tenha quatro vezes mais chances de ser bipolar.

    Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia identificaram uma ligação entre a condição, frequentemente diagnosticada até a faixa etária dos 20 anos, e experiências vividas ainda no útero.

    Os cientistas envolvidos com a pesquisa alertam que os riscos permanecem baixos, mas o estudo, no entanto, se assemelha a descobertas semelhantes que ligam a gripe à uma maior incidência de esquizofrenia.

    Bipolaridade
    A bipolaridade leva a intensas mudanças no humor de uma pessoa, que podem durar meses, fazendo com que se vá da depressão e desespero a sensações de euforia, hiperatividade e perda de inibições.

    A pesquisa realizada entre pessoas nascidas no início dos anos 1960 mostrou que transtornos bipolares são quatro vezes mais comuns entre pessoas cujas mães ficaram gripadas durante a gravidez.

    A bipolaridade afeta uma em cada cem pessoas. O pesquisador-sênior envolvido com o experimento, Alan Brown, estima que as mães que ficam gripadas durante a gravidez têm uma chance de 3 a 4% de ter filhos que apresentarão transtornos bipolares.

    No entanto, na maioria dos casos de pessoas com bipolaridade não houve um histórico de mães gripadas durante a gravidez.

    Preocupação
    Sendo assim, na lista de coisas com as quais mulheres grávidas devem se preocupar, quão alto figuraria a gripe?

    “Eu diria que não muito alta”, afirma o professor Alan Brown. “As chances ainda são pequenas. Não creio que isso deva ser um motivo de alarme para as mães.

    Segundo o especialista, a vacina recomendada a mulheres grávidas em muitos países pode reduzir as chances de se contrair gripe.

    Ainda não se sabe, no entanto, como a gripe afetaria o cérebro do feto, já que o vírus não incide diretamente sobre o bebê, mas sim sobre o sistema imunológico da mãe.

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