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    Somando duas décadas de estudos sobre substâncias chamadas AGEs, o nefrologista Jaime Uribarri, da Faculdade de Medicina Icahn, em Monte Sinai, nos Estados Unidos, guarda motivos de sobra para não nutrir simpatia por tais moléculas. “Temos vários experimentos indicando que uma dieta rica em AGEs causa doenças”, justifica.

    Mas onde estão as inimigas? Bem, seu surgimento depende das técnicas culinárias que empregamos. Nesse sentido, fritar é uma furada. Em busca de mais evidências sobre esse tema, Uribarri dividiu 100 indivíduos obesos em dois grupos.

    Apenas um deles recebeu a orientação de fugir das altas temperaturas e, no lugar, cozinhar os alimentos na água ou no vapor, por exemplo. “Foram justamente essas pessoas que apresentaram melhoras em relação a indicadores de inflamação e estresse oxidativo. Também notamos que caiu a resistência à insulina, fator precursor do diabete”, conta o médico. É ou não é para rever o jeito de preparar as refeições?

    Um poço de AGEs

    De acordo com o pesquisador americano, a produção dessas moléculas é intensa em condições que usam o que ele define como “calor seco”. “Desculpe, isso inclui o churrasco brasileiro”, brinca o médico. Fazer a marinada com ervas, usar peças menores de carne e virar os bifes com frequência minimizam o surgimento das substâncias na grelha.

    Sem perigo e com sabor

    Você pode fazer um prato pobre em AGEs e gostoso usando sua imaginação como cozinheiro. “Nós sugerimos que as pessoas usem quantas especiarias desejarem”, diz Uribarri. Ele também recomenda marinar os alimentos no limão ou no vinagre antes de cozinhá-los.

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    Hemorroidas

    As veias anais ficam inflamadas e doloridas. Higiene, remédios e cirurgia resolvem o dilema.

    Fissura

    Ocorre um pequeno corte no revestimento do ânus. Dá pra usar pomadas e evitar alguns alimentos.

    Fístula

    É a abertura de um canal infeccionado entre a pele e o ânus. É preciso recorrer a uma operação.

    Incontinência

    Há descontrole na eliminação de fezes. A encrenca aumenta entre os jovens por erros dietéticos.

    Câncer

    Tumores que crescem ali geralmente são confundidos com hemorroidas. São 348 mortes/ano no Brasil.

    Oxiúros

    Esses vermes chocam seus ovos no ânus do ser humano. Mas tem um medicamento que acaba com todos eles.

    Problemas psicológicos

    Existe uma conexão estreita entre o sistema digestivo e o cérebro. Para ter ideia, nós possuímos 500 milhões de neurônios no intestino, que produzem 90% de toda a serotonina — neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar — do nosso corpo.

    É por isso que a dificuldade de defecar nos irrita. Aliás, o termo “enfezado” quer dizer, literalmente, “cheio de fezes”. “No caminho inverso, é comum notar em indivíduos estressados e nervosos constipação ou diarreia”, observa a coloproctologista Sonia Yusuf, do Hospital Santa Cruz, em São Paulo. Pois é, desarranjos abdominais às vezes exigem aconselhamento psicológico.

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    Origem: típica da região mediterrânea central, a salsa dá um toque especial às culinárias do sul da Itália, da Tunísia e da Argélia.

    Forma de uso: o sabor fica mais acentuado quando se usa a planta fresca e recém-colhida. Seca, ela perde parte do aroma. Acrescente apenas no fim do cozimento — depois de apagar o fogo — e abafe o preparo por poucos segundos antes de servir.

    Com o que combina: a erva pode ser utilizada em saladas, molhos para todos os tipos de carnes, massas, sopas, pescados e legumes. Ela dá ainda um toque de frescor aos sucos de fruta.

    Com o que não combina: difícil encontrar um alimento que não se dê bem com a salsa. Só evite exageros, pois, aí, ela esconde os outros sabores.

    Benefícios nutricionais: a salsa é um dos temperos mais comuns da mesa brasileira. Ainda bem! Pesquisas já mostraram que ela é rica em vitaminas A, B1, B2 e C, além de carregar sais minerais como cálcio, potássio, fósforo, enxofre, magnésio e ferro.

    E tem mais! Um estudo do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que esse vegetal diminui o risco de formação de trombos e coágulos que podem entupir os vasos e causar derrames. Mas, claro, o consumo deve ser frequente para colher esses benefícios.

    Como plantar: pode ser cultivada em jardins e vasos com terra fresca e adubada. Colher as folhas com frequência ajuda a manter a planta viva.

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    Nada nem ninguém gerou tanto bafafá no último Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, recém-ocorrido na Costa do Sauípe, na Bahia, quanto a tireoide. A glândula localizada no pescoço e que regula o ritmo de funcionamento de todo o organismo foi o tema central de 12 mesas-redondas, conferências e aulas – a título de comparação, a obesidade, outra estrela do evento científico, esteve presente em 11 palestras. Dá pra entender o porquê: novos estudos estão mudando pra valer a maneira como os médicos (e os pacientes) devem encarar e remediar os descompassos tireoidianos.

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    A primeira grande notícia é a reclassificação de um tipo de câncer relativamente comum na glândula. Seu nome é complicado: variante folicular do carcinoma papilífero não invasivo encapsulado (ou EFVPTC, na sigla em inglês). Há seis meses, ele era considerado maligno e exigia um contra-ataque pesado, com cirurgia e boas doses de radiação.

    Pois um convênio de cientistas do mundo inteiro capitaneado pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, decidiu alterar radicalmente o caráter desse tumor. “Partimos da observação de que, na maioria dos casos, ele evoluía muito bem, sem sinal de proliferação, mesmo quando não se faziam intervenções”, relata o patologista Venancio Alves, da Universidade de São Paulo e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), único brasileiro a fazer parte da investigação.

    Por isso, a partir deste ano, o que era um câncer passa a ser visto como nódulo benigno, que não carece necessariamente de bisturi ou bombardeios de iodoterapia. “Alguns colegas dizem que este foi o primeiro recall da história da medicina”, brinca a endocrinologista Patrícia Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Estima-se que o EFVPTC represente 20% do total de tumores de tireoide. A expectativa é que essa decisão reduza gastos com a saúde e o uso de tratamentos supérfluos, além de minimizar a ansiedade das pessoas diagnosticadas.

    A reclassificação é apenas um exemplo de uma série de transformações pelas quais a abordagem dos nódulos tireoidianos está passando. Todas as etapas de diagnóstico e tratamento são revistas atualmente e geram acalorados debates. Isso começou quando os experts perceberam que, nos últimos 25 anos, houve um aumento de três vezes no número de episódios, embora a taxa de mortalidade continuasse a mesma.

    A principal explicação para o fenômeno está na prescrição indiscriminada do ultrassom de pescoço, que vasculha a glândula à caça de tumores. A tecnologia progrediu tanto que essas máquinas são capazes hoje de apontar massas cada vez menores e indolentes.

    “Exames realizados com sujeitos de mais de 50 anos detectam lesões incidentais, sem grande significado para a saúde, em quase 60% das circunstâncias“, calcula o endocrinologista Hans Graf, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E 100% daqueles que alcançaram as oito décadas de vida apresentam um caroço na região. Ou seja: flagrar um nódulo com características perigosas é um tanto quanto mais raro.

    Portanto, não se recomenda fazer o ultrassom de rotina, como acontece com a mamografia na prevenção do câncer de mama após os 45 anos. “Esse teste só está indicado como checkup quando há histórico familiar da doença ou suspeitas na palpação do pescoço no consultório”, afirma Graf. Aliás, 7% das malformações são perceptíveis no exame clínico, em que o médico palpa o pescoço do paciente

    Se alguma bolota esquisita é encontrada no ultrassom, a próxima fase envolve determinar se ela é tranquila ou agressiva. Isso é possível por meio da biópsia, em que uma agulha fina é inserida na região da garganta e aspira um pedacinho defeituoso da glândula para análise em laboratório.

    E não é que esse procedimento também é alvo de reformas? A Associação Americana de Tireoide – que admite uma certa epidemia artificial do problema – atualizou suas diretrizes sobre o assunto e aconselha que nódulos com menos de 1 centímetro não sejam avaliados por uma punção. Isso vale até para aqueles que aparentam ser do mal: basta monitorar seu crescimento de tempos em tempos. Essa conduta, por enquanto, ainda não é a realidade nas clínicas e nos hospitais brasileiros.

    Nada de precipitações com o câncer

    Mas, ok, vamos supor que o médico pediu ultrassom e biópsia e os laudos mostram que se trata de um tumor maligno. Pois senta que lá vem novidade: há situações em que o melhor é nem intervir. Estudiosos do Hospital Kuma, no Japão, seguiram 340 pessoas com microcarcinoma papilífero – o câncer de tireoide mais prevalente – durante dez anos, sem recorrer a qualquer ação. Nesse período, 15% tiveram uma ampliação da massa cancerosa superior a 3 milímetros e apenas 3% sofreram metástase, ou seja, as células malignas se espalharam por outras áreas.

    A lição nipônica é que, na maior parte das vezes, o indivíduo morre com o nódulo, mas não em decorrência dele. Essa é a típica ocasião em que a terapia se torna mais prejudicial do que a enfermidade em si.

    Isso abre a perspectiva de se tomar alguma atitude só no momento em que existe uma ameaça à saúde. “O tema é bastante controverso e o nosso desafio está em selecionar os casos em que uma operação não é mesmo necessária”, raciocina o cirurgião de cabeça e pescoço Erivelto Volpi, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Que fique claro: uma estratégia dessas é válida somente se o tumor é pequeno, não está num local complicado nem tem capacidade de se dispersar pela circulação ou sistema linfático. Aliás, uma discussão similar vem ocorrendo com o câncer de próstata.

    A própria cirurgia, aliás, já não é a mesma. Os cortes ganharam precisão, e as cicatrizes estão quase imperceptíveis. Os riscos se mostram modestos e, mais importante, a palavra de ordem é preservar sempre que possível.

    “Hoje em dia, dá para retirar metade da glândula e conservar a porção saudável”, conta o médico Antonio Bertelli, do Hospital Samaritano de São Paulo. A parcela sadia consegue até produzir o T3 e o T4 normalmente, sem precisar de reposição hormonal por meio de comprimidos diários

    Cinco fatores influenciam a probabilidade de os tumores aparecerem

    Sexo: mulheres são mais propensas a desenvolver os carocinhos do que homens. A culpa é do estrogênio, hormônio feminino que estimula a proliferação desenfreada de células da tireoide.

    Idade: levantamentos comprovam que praticamente todas as pessoas com 80 anos têm massas tumorais na glândula. Na esmagadora maioria das vezes, isso não compromete o bem-estar delas.

    Genética: falhas no DNA predispõem a nódulos e tumores agressivos. Já está disponível um teste genético que antevê a doença e permite remover a glândula antes de o mal se instalar.

    Agressões: as versões autoimunes de hipotireoidismo e hipertireoidismo são marcadas por ataques das células de defesa ao tecido tireoidiano. Em longo prazo, isso também promove o surgimento de nódulos.

    Escassez de iodo: ele é o ingrediente básico da receita de T3 e T4. Se está em falta, tudo entra em parafuso. No Brasil, a carência é incomum, uma vez que o sal de cozinha é suplementado com esse mineral.

    Hiper e hipotireoidismo

    O hipotireoidismo, quando a glândula produz pouco hormônio e deixa o organismo lento, e o hipertireoidismo, situação contrária em que o corpo fica acelerado demais, são bem conhecidos e estudados. Mas, durante o congresso, causaram barulho as descobertas recentes sobre as versões subclínicas das duas doenças – o termo “subclínico” faz referência a um problema orgânico inicial que ainda tem poucas manifestações evidentes.

    8% dos brasileiros sofrem com o hipotireoidismo
    1,2% tem hipertireoidismo
    50% deles não sabem que têm disfunções tireoidianas. Um exame de sangue já flagra as variações

    Nessa situação, o hormônio TSH, liberado no cérebro e o grande influenciador do trabalho da tireoide, está em excesso (no hipotireoidismo) ou em falta (no hiper), só que o hormônio tireoidiano em si, o T4, está dentro dos níveis normais. Médicos ao redor do globo começaram a suspeitar que essa metamorfose prematura não é tão inofensiva assim. Desde então, pipocam pesquisas acusando um elo direto entre essas variações sutis e uma coleção de complicações.

    10% da população apresenta hipotireoidismo subclínico. A maioria nem sabe disso
    1,5% convive com o oposto: o hipertireoidismo subclínico
    15% daqueles com hipotireoidismo subclínico evoluem para a doença em si dentro de um ano

    O primeiro grupo do mundo a publicar achados sobre o hipertireoidismo subclínico é do Brasil, mais precisamente do interior paulista. O endocrinologista José Augusto Sgarbi, da Faculdade de Medicina de Marília, identificou que pessoas acompanhadas nesse estágio já sofriam perrengues cardiovasculares em comparação com quem tinha o TSH dentro das metas.

    “Observamos uma alteração na frequência das batidas do coração delas”, destaca Sgarbi. E o drama é que, entre essa turma, também foi registrado um maior número de infartos. Evidências posteriores, obtidas a partir de uma aliança internacional de pesquisadores, a Thyroid Studies Collaboration, reuniram dados de 55 mil pessoas de diversas etnias e desvendaram uma relação das quedas de TSH com osteoporose e AVCs.

    Tudo leva a crer que o hipotireoidismo subclínico também semeia desordem em várias instâncias… a começar pelos vasos sanguíneos. “Ele aumenta as taxas de colesterol ruim, o LDL, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares”, exemplifica o endocrinologista Cleo Otaviano Mesa Junior, do Hospital de Clínicas da UFPR. Já existem indícios, ainda, de que o hipo leve teria algo a ver com infertilidade e disfunções renais.

    A questão é que as versões subclínicas não costumam dar sinais claros de sua presença. “Porém, se você perguntar para os pacientes, verá que eles demonstram mais sintomas típicos do hipo ou do hipertireoidismo do que a população geral e, obviamente, merecem ser avaliados com bastante critério”, chama a atenção a endocrinologista Laura Ward, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    Fica a dúvida, então, de quando investigar ativamente queixas tão tímidas ou quase inexistentes. Alguns perfis, já se sabe, demandam cuidado extra, como quem tem distúrbios autoimunes – especialmente vitiligo, artrite reumatoide e diabete tipo 1 -, gente com depressão, gestantes e aqueles que tomam remédios que interferem na ação da tireoide, caso da amiodarona, prescrita para conter arritmias cardíacas, e do lítio, utilizado para controlar transtornos psiquiátricos.

    E como é possível o pequeno sobe e desce hormonal provocar esse rebuliço todo? “O TSH é muito sensível e apresenta grandes flutuações antes de o T4 ser afetado”, responde o médico Mario Vaisman, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ.

    Logo, por mais que o hormônio tireoidiano esteja dentro dos parâmetros nos exames laboratoriais, sua quantidade já não é suficiente para suprir as exigências do organismo. Sabe aquela história da água mole em pedra dura? Modificações mínimas que se arrastam na clandestinidade por anos a fio levam àquele turbilhão de ligações perigosas.

    Como o conhecimento sobre os incômodos subclínicos é novo, ainda permanece a polêmica de quando eles devem ser combatidos com remédios. Para inibir o hipo inicial, os médicos utilizam a levotiroxina, versão sintética do hormônio T4. Por ora, a terapia só está indicada a indivíduos com TSH muito elevado e que tenham menos de 65 anos.

    “De certa maneira, os mais velhos são protegidos e se beneficiam desse hipotireoidismo”, informa Sgarbi. Neles, a condição reduz ligeiramente o metabolismo e o uso do oxigênio. Isso facilita o trabalho do coração, que já não funciona como outrora. Pesquisas demonstraram, inclusive, que na faixa etária avançada a intervenção sai pela culatra e aumenta o risco de morte.

    E olha que curioso: no hipertireoidismo tênue, a recomendação se inverte. O tratamento, feito a partir de remoção cirúrgica ou drogas que sossegam a tireoide, é bem-vindo para mulheres na pós-menopausa e naqueles que passaram da casa das seis décadas de vida.

    “Quanto mais idoso, maior o risco de o hiper levar a um prejuízo cardíaco, uma vez que ele se soma a outros fatores comuns nessa idade, como pressão alta”, avisa Laura. Na contramão, um sistema cardiovascular jovem seria capaz de aguentar o tranco das flutuações hormonais. Por fim, os especialistas consideram a maior probabilidade de os quadros subclínicos evoluírem para as versões típicas antes de prescreverem o contra-ataque terapêutico.

    O que está em suas mãos

    Algumas mudanças no estilo de vida ajudam, sim, a prevenir enroscos na glândula. A primeira delas é emagrecer ou se manter dentro de um peso adequado. “Novas evidências sugerem que a obesidade perturba a função da tireoide e induz o surgimento de nódulos e até câncer ali”, afirma o endocrinologista

    Joaquim Custódio Junior, da Universidade Federal da Bahia. O caminho contrário, porém, é mito: o hipotireoidismo não engorda pra valer. Há uma facilidade de retenção de líquidos que acrescenta uns 3 quilos à balança – e não mais que isso. “Ele desacelera o metabolismo, o que dificulta a perda de peso, mas os medicamentos tendem a acabar com esse problema”, diz Vaisman.

    Circulou pela internet recentemente uma moda de tomar a levotiroxina para enxugar as medidas, mesmo sem diagnóstico de doenças na tireoide. Muita cautela com tais fórmulas miraculosas. “Essa atitude não é aconselhável porque pode provocar o hipertireoidismo e uma posterior degradação dos ossos”, alerta Mesa Junior.

    No que se refere à alimentação, não há nenhuma comida ou dieta mágica para proteger a glândula. O iodo é suficiente para que ela funcione em paz. O mineral marca presença no sal de cozinha por lei desde a década de 1950 e a porção ali supre nossas necessidades diárias.

    Em 2013, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária baixou o teor permitido. Antes, eram liberadas concentrações de 20 a 60 miligramas de iodo por quilo do produto. Agora, a legislação pede entre 15 e 45.

    Muitos endocrinologistas foram contra a decisão porque temem repercussões na gestação. “Estamos conduzindo uma investigação para conferir se essa modificação afeta as mulheres grávidas”, diz Vaisman. Talvez as futuras mamães precisem engolir cápsulas de iodo pelo bem do bebê.

    O selênio, presente em abundância na castanha-do-pará, parece ter influência positiva sobre a tireoide. Mas, como inexistem deficiências do mineral entre os brasileiros, não haveria razão para usar suplementos. Vale, se for o caso, consultar um especialista para averiguar a situação e verificar se cápsulas seriam necessárias para corrigir desfalques nutricionais.

    Agora, exageros à mesa seriam contraindicados sobretudo em se tratando da soja, que tem substâncias capazes de interferir na fabricação dos hormônios. “Os derivados do grão devem ser consumidos sem abuso porque estão relacionados ao bócio”, diz Custódio Junior.

    Se a doença está instalada, saiba que os fármacos disponíveis são seguros, baratos e eficazes – a levotiroxina, por exemplo, é idêntica ao T4 natural. E as farmacêuticas lançaram nos últimos tempos doses intermediárias do remédio, o que assegura um ajuste mais certeiro do esquema de uso.

    Sim, são muitas descobertas para uma glândula só. Esteja certo, porém, de que o bem-estar dela repercutirá pelo corpo todo… e pela vida inteira.

    4 condutas que ajudam a evitar hipo, hiper e até os nódulos

    Alimentação: o iodo, adicionado ao sal, é essencial à formação dos hormônios da tireoide, enquanto o selênio regula seu trabalho. A falta ou o abuso geram problema.

    Meio ambiente: a exposição a poluição e a produtos químicos como o chumbo e o bisfenol dos plásticos bagunça a glândula. Hábitos sustentáveis são cada vez mais importantes.

    Peso: a obesidade desnivela as concentrações de leptina, hormônio do tecido gorduroso que atrapalha a tireoide. Emagrecer evita a necessidade de algumas intervenções.

    Exames: medir o TSH e o T4 no checkup e realizar ultrassom nos casos em que há indicação auxiliam a detectar (e tratar) as doenças no estágio inicial.

    A história da tireoide

    Ela só foi estudada com profundidade há cerca de 500 anos. Os avanços nos séculos 19 e 20 permitiram garantir uma vida totalmente normal aos portadores de distúrbios na secreção dos seus hormônios

    2700 a.C.

    Imperadores chineses usam algas marinhas para tratar o bócio – inchaço no pescoço ocasionado pela deficiência de iodo.

    961 d.c.

    O árabe Abulcasis realiza uma cirurgia de retirada da glândula, mesmo sem saber direito para que ela servia.

    1500

    O artista e inventor italiano Leonardo da Vinci é o primeiro a reconhecer, vasculhar e desenhar a tireoide.

    1656

    O britânico Thomas Wharton cria o termo “tireoide”. Ele se inspirou no formato de um escudo que soldados da Grécia Antiga portavam.

    1831

    O médico brasileiro Francisco Freire Alemão recomenda, de forma pioneira, suplementar o iodo para evitar o bócio.

    1834

    Um quadro de palpitações e olho saltado é descrito pelo inglês Robert Graves. A culpada? A tireoide acelerada.

    1895

    Descoberto o papel da estrutura com formato de borboleta no ritmo de funcionamento de vários órgãos.

    1909

    Emil Theodor Kocher, fisiologista alemão, fatura o Prêmio Nobel de Medicina pelas suas descobertas sobre a glândula.

    1914

    Surgem as primeiras versões sintéticas do T4. Mas elas só chegaram às farmácias a partir de 1917.

    1956

    Descrita a ação dos anticorpos do sistema imune que atacam a tireoide no hipotireoidismo de Hashimoto.

    2016

    Um tipo de tumor que atinge as células tireoidianas é reclassificado e deixa de ser visto como um câncer.

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  • foto-imagem-oregano

    Origem: a planta vem da região mediterrânea e é bem comum na culinária daquela região. Marca presença principalmente em pratos italianos, portugueses, espanhóis, franceses e gregos.

    Forma de uso: o sabor dessa erva é mais acentuado quando ela está seca. Para extrair o máximo do aroma e dos benefícios, o orégano deve ser adicionado ao final da preparação tanto de alimentos cozidos, como crus.

    Com o que combina: o tempero vai bem com as massas e seus respectivos molhos. Também harmoniza com caldeiradas e assados, cozidos com aves, saladas de legumes e verduras, queijos e molhos com queijos.

    Com o que não combina: carne vermelha. Segundo especialistas, ela briga com o sabor da erva.

    Benefícios nutricionais: uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinhas (Unicamp), no interior paulista, mostra que a planta tem mais de 200 compostos fenólicos e antioxidantes com poder de retardar o envelhecimento do organismo.

    Como plantar: o cultivo caseiro pode ser feito em jardins ou vasos com terra adubada e húmus. Você pode optar pelas sementes ou já adquirir mudas pequenas. A planta precisa de ambiente ensolarado.

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    Uma pesquisa das universidades de Zhejiang e de Zhengzhou, na China, descobriu que o magnésio, mineral presente em alimentos como amêndoas, nozes, feijão, cacau, cereais integrais e vegetais de folhas verdes, ajuda a reduzir o risco condições sérias. Estamos falando de, entre outras coisas, acidente vascular cerebral (AVC) e diabete tipo 2.

    Esse nutriente não é daqueles superfamosos como o ferro e o cálcio. Até por isso, é relativamente comum que esteja em falta no cardápio das pessoas — entre 2,5% e 15% da população geral tem magnésio de menos no organismo.
    Acontece que nosso corpo precisa desse composto para funcionar bem. Ele é responsável por processar a glicose, ajudar na produção de proteínas, formar o DNA… A recomendação é que homens consumam cerca de 300 miligramas por dia e as mulheres, 270.

    Mas vamos voltar ao estudo chinês: os experts perceberam que quem consumia a quantidade diária ideal possuía um risco 10% menor de desenvolver doença arterial coronariana e 12% menor de ter um AVC. A probabilidade de sofrer com diabete também caía 26% em comparação àqueles que não ingeriam magnésio direito.

    E tem mais. Os voluntários que ultrapassaram aquela meta em pelo menos 100 miligramas — totalizando 400 miligramas por dia ou mais — apresentaram um perigo ainda menor de derrame (7%) ou diabete (19%), quando equiparados aos que consumiam 300 miligramas. Já passou da hora de reconhecer os méritos do magnésio para que ele também alcance a fama (e o seu prato).

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    A pressão alta é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. No Brasil, cerca de 30% da população sofre com o problema que evolui quase sempre de forma lenta e sem sintomas.

    E, além dos tradicionais fatores de risco — predisposição genética, excesso de consumo sal, obesidade, tabagismo… —, cabe destacar o papel do sedentarismo no enrijecimento das artérias. Sim, ficar sentado o dia inteiro contribui para a subida crônica da pressão, que pode lesar diversos órgãos, como coração, rins e cérebro.

    Visto de outra forma, o exercício físico é uma tática essencial tanto para a prevenção quanto para o tratamento dessa enfermidade. Acontece que mexer o esqueleto eleva naturalmente a pressão durante a prática — logo, quando a pessoa já sofre com hipertensão, é preciso ficar de olho e tomar certas precauções para evitar sufocos.

    Veja abaixo algumas dicas de como suar a camisa de forma segura. Elas foram extraídas do livro Avaliação e Prescrição de Exercícios Físicos (Editora Manole).

    Recomendações para os hipertensos

    Caminhada, corrida, ciclismo, natação, entre outros, são ótimas opções de atividades aeróbicas que ajudam a baixar a pressão arterial — desde que realizadas em intensidade moderada. O ideal é praticar três vezes na semana, por pelo menos 30 minutos por sessão. Agora, é bom não forçar e progredir nos treinos gradativamente, com supervisão profissional.

    O exercício aeróbico é o mais indicado até por ter sido mais estudado pelos cientistas. Pelo visto, ele é especialmente benéfico para domar a pressão. Além disso, é o que mais facilita o controle da hipertensão durante a execução. Isso é importante, porque o indicado é medir a pressão algumas vezes ao longo do treino para checar se está tudo numa boa.

    Práticas muito intensas, principalmente se fazem o indivíduo prender a respiração, devem ser evitadas. Isso é comum, por exemplo, quando o sujeito levanta peso demais na academia. De novo: é melhor maneirar e evoluir aos poucos.

    E não custa recordar que pacientes hipertensos devem passar por um checkup antes de dar início aos trabalhos físicos e obter a liberação do médico, não é mesmo?

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    Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, 6 milhões de pessoas no mundo morrem por ano devido ao cigarro. E um novo estudo do Intuito Nacional do Câncer desse país mostrou que mesmo quem fuma uma vez por dia (ou até menos) já se expõe a problemas graves que culminam em morte prematura.

    Participaram da pesquisa 290 mil adultos, que responderam, entre os anos de 2004 e 2005, questionários sobre seu convívio com o tabaco. Eles então foram acompanhados por uma média de seis anos e meio — durante esse período, 37 331 voluntários morreram. Ao cruzar todos as informações, os cientistas calcularam que indivíduos que fumaram até um cigarro por dia ao longo do tempo apresentavam um risco 64% maior de morrer, quando comparados a não fumantes.

    A maior probabilidade de falecer antes da hora subia para 87% se o indivíduo fumasse de um a dez cigarros por dia. E nesses dois grupos o risco de desenvolver câncer de pulmão era de seis a 12 vezes maior. Já a possibilidade de sofrer com doenças respiratórias subia seis vezes. Não é, nem de perto, pouca coisa.

    Mas nem tudo está perdido. Ao avaliar apenas os ex-fumantes, notou-se que a taxa de mortalidade foi menor entre os que costumavam tragar menos cigarros ao longo da vida. E o mais bacana: quanto mais cedo paravam com o vício, maior era a chance de viver mais.

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    Paraíso é, na concepção da maioria dos brasileiros, um lugar em que a gente pode descansar com vista para o mar e à base de sombra e água (de coco, por favor!) fresca. Mas digamos que o coqueiro, apelidado pelos antigos justamente de “árvore do paraíso”, dá motivos aos cachos para o homem trabalhar e se sustentar. Porque esse coqueiro que dá coco, como ensina o mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) na sua História da Alimentação no Brasil, “…fornece iluminação, casa, alimento, traje, vasilhagem, embarcação”.

    E, entre tantos proveitos desde que a planta veio parar e prosperar no nosso litoral lá no século 16, o que mais ganha destaque nos últimos anos é a oportunidade de se nutrir e arrecadar saúde com os derivados do fruto. A começar pela sua água, que, de duas décadas pra cá, não precisa ser degustada só numa tarde em Itapuã ou em outras praias – hoje ela está na mão devidamente embalada no supermercado, pronta pra hidratar até em um dia de expediente.

    O Brasil está com sede de coco. Segundo dados da indústria, batemos desde 2012 a cifra de mais de 100 milhões de litros da água consumidos por ano. Em 2004, eram 22 milhões. “Nunca ingerimos tanto do produto em caixinha. Comparando 2013 com 2015, o volume da categoria foi 40% maior”, conta Jamerson Ferreira Alves, executivo da Nielsen, empresa de pesquisa de mercado.

    De acordo com a consultoria Euromonitor, entre as dez principais nações consumidoras de sucos e bebidas 100% fruta (onde se encaixa a água de coco), o Brasil apresentou o maior crescimento acumulado entre 2010 e 2015 – 77,5%, e considerando, ainda, que o derivado do coqueiro ocupa por aqui parcela cada vez mais expressiva nesse segmento. O produto é um dos poucos a ter driblado a crise econômica brasileira.

    O apelo saudável é um dos motores dessa onda, que, gradualmente, rouba espaço de refrigerantes e néctares industrializados. E esse apelo tem fundamento. “É o melhor produto do coco do ponto de vista nutritivo. Pode ser tomado desde o desmame do bebê até a terceira idade”, diz Isabela Pimentel Mota, diretora científica do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

    A opinião é compartilhada por outros profissionais, que louvam o líquido pela sua capacidade de hidratar e ofertar nutrientes como potássio, útil ao controle da pressão arterial. E saiba que dá pra aproveitar essas virtudes via caixinha, tomando alguns cuidados na hora de escolhê-la – nada que uma espiada no rótulo não dê conta.

    Mas a fome pelos derivados do coco vai além. Quem segue despontando nas vendas é o óleo, que ganhou uma controversa fama de alimento emagrecedor. Ao comparar o primeiro semestre de 2015 com o deste ano, a loja online de produtos naturais Natue registrou um crescimento de 59%. “E estamos falando do óleo in natura, e não das cápsulas”, nota a nutricionista Carolina Arbache, da Natue. A rede Mundo Verde identifica a mesma liderança na procura. Só que o coqueiro multiúso tem rendido outros frutos em ascensão para a indústria. Tem farinha, tem açúcar e, agora, terá até leite pronto para beber – caso de uma bebida da marca Obrigado que chega às prateleiras em outubro concorrendo com outros extratos vegetais.

    Apesar da diversidade nas gôndolas, a água continua a protagonista no mercado do coco por aqui. O Brasil é o maior produtor mundial da bebida, exportada cada vez mais para os Estados Unidos e a Europa. E a demanda interna (e externa) foi um dos fatores que impulsionaram o cultivo nacional nos últimos 25 anos.

    Em 1990, estávamos na décima posição no ranking dos maiores produtores de coco do planeta, com 477 mil toneladas por ano. Hoje, ocupamos o quarto lugar com aproximadamente 2,9 milhões de toneladas anuais. Esse disparo acompanha a popularização da água em caixinha – a primeira do mercado, a Kero Coco, foi lançada em 1995 -, e se deve a novas tecnologias aplicadas à agricultura e à ampliação no uso da variedade do coqueiro anão, mais produtivo por natureza.

    A espécie anã é a que rende os frutos verdes empregados na obtenção da água. Já o coqueiro gigante costuma prover os frutos secos visando aos derivados da polpa, como óleo e farinha. Tem ainda o híbrido, um casamento dos anteriores, que oferece de tudo um pouco. “Quando se fala em crescimento na produção, nos referimos ao coqueiro anão. A do gigante, pelo contrário, tem caído”, esclarece Francisco Porto, presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco do Brasil (Sindcoco). Hoje, mais de 75% da colheita corresponde à variedade anã (e híbrida). “Há dez anos, era meio a meio”, informa Porto.

    O enfoque no coco verde também difere o Brasil das nações do sudeste asiático que encabeçam a produção mundial – a líder é a Indonésia. Lá, o mercado ainda está voltado para o fruto seco, cuja polpa ralada é amplamente exportada. “O maior interesse ali é o óleo. Eles usam o de coco como nós utilizamos o de soja”, compara Porto.

    Embora a Ásia impere no volume absoluto – 70% dos coqueirais do mundo estão lá, e os indonésios, sozinhos, fornecem 19 milhões de toneladas por ano -, investimentos e melhorias agrícolas já permitiram ao Brasil assumir o primeiro lugar em produtividade. São 11 toneladas por hectare contra 6 da Indonésia.

    A expansão do coqueiro anão e da chamada agricultura científica e de precisão ajuda a entender também por que o cultivo do coco no Brasil chegou a 1,9 bilhão de frutos por ano e rompeu fronteiras geográficas. Até o início dos anos 1990, ele se restringia efetivamente às regiões Nordeste e Norte.

    Hoje se disseminou a quase todos os estados – as exceções são Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E é curioso observar que, apesar de a Bahia permanecer a campeã em números, com mais de 500 milhões de unidades por ano, Espírito Santo e Rio de Janeiro já apresentam maior produtividade – cada um gera mais de 15 mil frutos por hectare ante 7 mil do território baiano.

    Algumas empresas do setor de água de coco e derivados têm investido nesse sentido para agregar maior rendimento, apoio ao pequeno agricultor (mais de 70% da produção nacional depende deles) e sustentabilidade ambiental. “Além de uma fazenda própria, trabalhamos com 105 produtores de sete estados, sendo que 60% deles atuam em propriedades pequenas. Proporcionamos assistência técnica e ajudamos a transferir o conhecimento adquirido sobre cultivo e colheita a eles”, conta Marcelo Zanetti, gerente de agrobusiness da Kero Coco/Pepsico, líder do segmento de caixinhas no país.

    É em Conde, no litoral da Bahia, que a Obrigado tem instaladas fazenda e fábrica – 97% dos funcionários são da região. No campo, optou pelo sistema arista, em que cada agricultor, munido de carteira de trabalho, é responsável por uma área do coqueiral. “A ideia é empoderá-lo com conhecimento e autonomia”, diz Roberto Lessa, vice-presidente do grupo Aurantiaca, dono da marca.

    A tecnologia fincou raízes no cultivo. Cada pé de coqueiro tem um código de barras que, por meio de um leitor óptico, permite identificar o estado da planta. “É como se fosse um prontuário médico. Com ele, controlamos melhor as pragas e a necessidade de fertilizante e irrigação”, explica Lessa. A fazenda ainda conta com uma estação computadorizada em que se mapeiam progressos e problemas por área.

    Tudo isso injeta ânimo ao coqueiral – 73% da área é destinada ao coco verde anão e 27% ao coco seco híbrido -, o que leva cada planta adulta a render cerca de 230 frutos ao ano. “É o coqueiro com potencial máximo de produção”, diz Lessa. E olha que ele nem precisa crescer tanto pra entrar nesse ritmo – de tempos em tempos, os técnicos se valem inclusive do replante a fim de ter pés mais baixos e que viabilizem melhor a colheita.

    Ok, e depois que se aproveitam a água ou a polpa de tanto coco por esse Brasil afora, aonde vai parar a casca? De acordo com a engenheira agrônoma Maria Urbana Nunes, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, no Sergipe, a maior parte ainda é descartada no ambiente, onde demora até dez anos para se decompor. “Calculamos que apenas 30% das cascas sejam aproveitadas hoje. E falamos de uma matéria-prima de alta qualidade”, afirma.

    Esse resíduo cheio de fibras pode virar adubo, mantas para recompor o solo, estofamento de banco de carro e combustível. As empresas estão de olho nisso. A Kero Coco já reaproveita 100% do material gerado em sua fazenda própria como fertilizante. A Obrigado, que produz biomantas, tem planos de transformar a casca em fonte de energia. Sim, daria pra fazer até etanol com coco.

    Soa estranho, mas, apesar de ter coco pra dar e vender, o Brasil importa polpa ralada e, de uns tempos pra cá, até um pouco de água para ser reconstituída em caixinha. Essa é uma questão polêmica e que vem à tona desde 2012, quando terminou o período de salvaguarda para o cultivo nacional – ele foi imposto justamente para melhorar a concorrência local em relação aos baixos preços da Ásia.

    O presidente do Sindcoco vê a prática com preocupação: “Primeiro temos o aspecto social e econômico, com a falta de estímulo para o produtor brasileiro. Em segundo lugar, devemos levar em conta a baixa qualidade da matéria-prima importada. E, em terceiro, falta fiscalização até em relação a possíveis contaminações”. Enquanto o coco ralado é ingrediente de sorvetes, iogurtes e afins, a água em pó é diluída pra compor caixinhas. “É uma fraude para o consumidor”, critica Porto, que cobra maior atuação do governo.

    A prioridade pelo coco verde anão (e até pelo híbrido) e a importação dos subprodutos da versão seca também refletem em um impacto ambiental, que é o declínio dos coqueiros gigantes, mais apreciados pela polpa, no litoral nordestino. “É preciso incentivo para revitalizar essa cultura com plantios novos, já que ela esbarra em dificuldades como áreas degradadas, déficit hídrico e falta de capacidade de investimento do pequeno agricultor”, analisa o engenheiro agrônomo Humberto Rollemberg Fontes, da Embrapa. Quem sabe a nova febre dos derivados do fruto – que vai além da água – não servirá de estímulo para resgatar esses coqueirais?

    Na indústria, no supermercado, nas lojas de artigos naturais e nos restaurantes, brasileiros estão (re)descobrindo o coco. Uns buscam experiências gastronômicas. Muitos desejam saúde… “As receitas com coco (…) representam, em estética e sabor, o trópico, o litoral, as paisagens que atendem ao imaginário ideal do paraíso”, escreve o antropólogo Raul Lody em Coco: Comida, Cultura e Patrimônio (Ed.Senac). Pois é, talvez tenha só quem queira sentir isso, um gostinho do paraíso.

    A anatomia do coco

    O que a indústria faz com as suas principais partes

    Água

    É a porção mais apreciada no Brasil. Hidrata e fornece minerais bem-vindos como o potássio.

    Polpa

    As empresas preferem a do seco, mais carnuda, para fazer a versão ralada, óleo, leite, farinha…

    Casca

    Não é lixo, não. Já é matéria-prima para adubos, estofados, artigos do lar e até energia.

    Folhas

    A ampla folhagem é bastante usada na elaboração de cestos e artesanatos em geral.

    Flor

    As inflorescências é que dão origem ao açúcar de coco, cujo poder de adoçar é igual ao de cana.

    Os tipos de coqueiro

    As características das três espécies cultivadas no país – a anã protagoniza a produção

    Anão

    Vida útil (anos) – 30 a 40
    Porte da árvore (metros) – 8 a 10
    Produção (frutos/ano) – 150 a 200
    Peso do fruto (gramas) – 900
    Teor de óleo (%) – 25,41
    Produção de água (ml) – 200 a 300

    Híbrido

    Vida útil (anos) – 50 a 60
    Porte da árvore (metros) – 20
    Produção (frutos/ano) – 130 a 150
    Peso do fruto (gramas) – 1 200
    Teor de óleo (%) – 66,01
    Produção de água (ml) – 400 a 550

    Gigante

    Vida útil (anos) – 60 a 80
    Porte da árvore (metros) – 35
    Produção (frutos/ano) – 60 a 80
    Peso do fruto (gramas) – 1 400
    Teor de óleo (%) – 67,02
    Produção de água (ml) – 500 ou mais

    Tabuleiro cultural

    Pitadas do lado histórico, religioso e popular do coco

    Oferenda aos deuses

    Na Índia, um dos berços do coco, ele era (e ainda é) usado em festas e rituais dedicados a deuses como Ganesh e Durga.

    De onde vem o nome dele

    O termo é atribuído a portugueses que, em viagem ao Oriente, teriam achado o fruto parecido com o bicho-papão da época, o “coco”.

    A chegada ao Brasil

    A origem do fruto é o sudeste asiático. Ele teria sido introduzido aqui no século 16 com os portugueses – antes disso, fez escalas na África.

    O encontro com o açúcar

    No Nordeste brasileiro, o coco angariou espaço em meio ao domínio da cultura canavieira. Dessa parceria nasceu uma profusão de doces, caso da cocada.

    Inspiração musical

    A região nordestina é palco do coco de roda, ritmo que se dança batendo mãos e pés – diz-se que a percussão era feita com a casca do fruto.

    Mil usos na cozinha

    O popular leite de coco dá corpo e sabor a sobremesas como o arroz-doce e pratos salgados como a moqueca de peixe.

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    No livro O Fim das Dietas, o professor da USP Antonio Herbert Lancha Jr. expõe erros comuns perpetrados por quem busca perder peso. Não cair neles faz parte da sua proposta para se livrar do excesso de gordura e do efeito sanfona. Confira essas grandes ciladas!

    Dieta tem que ser restritiva
    Parece até uma sentença: daqui para a frente você vai abolir o pão, a lasanha, o chocolate, a cerveja… Prepare-se para o mundo das calorias contadas, regado a água, filé de frango e folhas de alface. Claro que isso é uma caricatura, mas tenha em mente que o princípio por trás desse raciocínio norteia a maior parte dos regimes. Evidentemente, emagrecer depende de um acerto no balanço energético — o quanto se gasta e se repõe de calorias —, só que Lancha Jr. mostra por A mais B que dietas superrestritivas ou monótonas não sustentam a perda de peso. Além disso, defende que momentos de indulgência — as ilhas na travessia do emagrecimento — podem ser muito úteis. Acabar com o prazer oferecido por um tablete de chocolate ou por um chope no final de semana não raro é o que dá margem para o plano inteiro ruir.

    É preciso banir o carboidrato
    Nos últimos anos, o nutriente das massas e companhia levou muita pedrada das dietas da moda (inclusive a glúten-free). A ele atribuem a culpa pela engorda da civilização ocidental. Lancha Jr. não banca o advogado, mas explica por que a restrição extrema do ingrediente é uma furada que muitas vezes sabota a manutenção do peso perdido. Por ser fonte de energia mais imediata, o carboidrato é caro ao organismo — tanto que entre 50 e 70% das calorias da dieta deveriam vir dele. Quando se corta o nutriente, o sujeito até perde peso, só que manda embora líquido e massa magra. Para complicar, sem carboidrato o organismo perde eficiência em quebrar e se livrar da gordura acumulada. Aí não funciona. O autor postula que não temos de proibir um ou outro nutriente. Tudo cabe no prato se houver consciência e moderação.

    Tecnologia sempre ajuda
    O professor não propõe um regresso aos tempos dos nossos avós, quando nem se sonhava com internet no celular. No entanto, faz questão de ressaltar que a bem-vinda tecnologia pode estorvar a perda e a manutenção do peso. Talvez você argumente que hoje existe até aplicativo para ajudar a se exercitar ou controlar a ingestão calórica. E eles são aliados, sim. A questão é que a dependência das telinhas e telonas tira a atenção e o foco de questões cruciais ao emagrecimento. Lancha Jr. se refere aqui a algumas cenas clássicas dos dias de hoje: o indivíduo que almoça de olho no celular e nem contempla o que leva à boca, o amigo que vai para a cama com o telefone… O mundo digital facilita muito a vida, mas, sem se desligar um pouco dele, ninguém adere de verdade aos bons hábitos que resultam na perda de peso.

    Metas devem ser ousada
    Nem projeto verão, nem “perderei 30 quilos em dois meses”. Anos de pesquisas acadêmicas e experiências de consultório levaram o expert a preconizar um esquema consolidado de metas. Elas têm de ser específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes no dia a dia e baseadas em um tempo definido. Em uma palavra, têm de ser realistas. No livro, Lancha Jr. ajuda a estruturá-las sem deixar de lembrar que elas podem e devem mudar quando o contexto também muda. Ou seja, o que valia para os tempos de solteiro não necessariamente vale para os tempos de casado. Traçar essa agenda é essencial para perder peso de maneira sustentada. E é preciso ter flexibilidade para fazer ajustes de olho em novos objetivos. O livro é taxativo: dietas prontas têm começo, meio e fim. Uma rotina balanceada, não.

    Dá para pular os exercícios
    Lancha Jr. revela que se cansou de ouvir a pergunta “é possível emagrecer sem se exercitar?”. Como ele conta no livro, existe gente que consegue se safar dos quilos extras só com mudanças no cardápio. O duro é manter-se magro e ganhar saúde quando a atividade física não faz parte do cotidiano. O corpo humano foi feito para se movimentar. Quando o sedentarismo impera, nosso módulo “poupar energia” é ativado com tudo, cenário perfeito para a gordura se acumular, de preferência na barriga. Ao adotar um esquema regular de exercícios — que nem precisa ser feito em uma academia, diga-se —, o organismo pisa no acelerador do gasto calórico, inclusive no repouso do pós-treino. Aos poucos e com planejamento, a gente pega gosto pela coisa e define novos limites, inclusive para espantar o efeito platô.

    Pode confiar na balança
    Na última parte de O Fim das Dietas, o autor foca nas melhores formas de monitorar o emagrecimento, as conquistas e as derrapadas. E, nesse sentido, trate de aposentar a balança. Ela até pode acusar vitórias (ou pequenas derrotas), mas não é o método mais respaldado para medir o progresso. A começar pelo fato de não distinguir a massa gorda da magra — é a mesma falha, aliás, do cálculo do índice de massa corporal, o IMC. Sem contar que flutuações de peso normais após um fim de semana, por exemplo, podem gerar angústia a ponto de balançar a continuidade do plano de ação. De olho nisso, Lancha Jr. prefere recorrer ao número da roupa ou à fita métrica. Eles marcam a evolução de maneira mais fidedigna. Só não vale, é óbvio, transformar as medidas numa bitolação contraproducente.

    Experimentar o fim das dietas não engorda

    Separamos cinco trechos do livro para você degustar a proposta de Lancha Jr. E começar a encarar i processo de emagrecimento de um jeito diferente

    Não acredito em dietas
    “Eu não acredito em dietas, pelo menos não na forma como a gente as conhece hoje. E não estou falando apenas de regimes malucos, que defendem o consumo de um único tipo de alimento ou proíbem a ingestão de determinado nutriente sob pretextos que simplesmente não batem com as evidências científicas. Sim, essas fórmulas mágicas são especialmente perigosas, inclusive para a missão de emagrecer e manter-se magro, como verá mais adiante. Mas isso não quer dizer que ter em mãos a dieta mais balanceada do mundo do ponto de vista nutricional e um programa de exercícios intensos vai fazer você conquistar a forma física que deseja. Aliás, provavelmente não vai. Faço questão de trazer um pouco da minha trajetória e experiência profissional para explicar os porquês.”

    Pare de culpar a genética
    “Pare de culpar a genética (ou o universo). Uma das piores consequências de enfiar a saúde goela abaixo da população, isto é, de impor um padrão considerado ideal a todo mundo, é a de que cada um de nós passa a atribuir a responsabilidade pelo próprio bem-estar ao médico, ao hospital, à família, ao governo… menos a si mesmo. Seguindo esse raciocínio, é normal uma pessoa achar que está gordinha porque três letras — o D, o N e o A, ou seja, o DNA — não a deixam emagrecer e ponto final. No entanto, a epidemia de obesidade, que vem se espalhando pelo mundo independentemente de cor, raça, credo ou classe social, não permite atribuir os quilos a mais da humanidade apenas a fatores genéticos individuais. Pelo menos não na vasta maioria dos casos.”

    Apreensão dispara fome
    “É comum confundir fome com ansiedade. Até porque ambas são interpretadas de um jeito parecido na cabeça. Existe uma região no cérebro chamada hipotálamo, onde ocorre o controle da ingestão de alimentos. Lá, certas substâncias abrem o apetite, enquanto outras promovem a saciedade. Acontece que essa área da massa cinzenta integra o sistema límbico, responsável por armazenar experiências atreladas ao prazer e por processar as nossas emoções. Em outras palavras, um estado de apreensão dispara mensagens nesse centro cerebral que, até pela proximidade, podem ser percebidas como fome no hipotálamo. Está aí uma das razões pelas quais a ansiedade é um gatilho para a alimentação compulsiva. Se, diante disso, não optamos por fazer uma intervenção, é natural que a barriga cresça.”

    Livre-se da culpa
    “Julgar um comportamento qualquer é tão perigoso que tem quem esvazie travessas enormes ‘porque há pessoas morrendo de fome’. Parte desse raciocínio é uma herança dos imigrantes que, durante as guerras do passado, conviveram com a escassez de alimentos e, assim, não toleravam o desperdício dentro de casa. O mau aproveitamento da comida merece ser atacado nas mais diversas instâncias. Mas não é estufando o próprio estômago que alguém vai solucionar a fome mundial (ou nem sequer nutrir uma pessoa além dela mesma). Se deseja combater a miséria, trace metas factíveis e coloque os planos em ação. Quanto ao seu prato, se não dá para reduzir a porção, guarde o excesso para depois ou o ofereça a um terceiro, se for possível. Acima de tudo, livre-se da culpa que prejudica sua busca por qualidade de vida.”

    Não existem atalhos
    “Ninguém engorda 2 quilos em um fim de semana. Ganhar 2 quilos de gordura significa acumular 18 mil calorias além do que você gasta. Vou dar um exemplo: 18 mil calorias equivalem a 3 quilos de chocolate. Por mais que eu adore essa guloseima, é um desafio comer tanto assim em tão pouco tempo. E considere que você acrescentaria esses 3 quilos às refeições que faz normalmente. Na contramão, ninguém emagrece 2 quilos em um fim de semana. Para ter ideia, um homem com 90 quilos gasta 900 calorias a cada 10 quilômetros percorridos. Isso quer dizer que ele teria de cumprir essa tarefa 20 vezes para atingir a meta até o domingo! Grandes ganhos ou perdas de peso no curto prazo vêm eminentemente de acúmulo ou eliminação de massa magra. O emagrecimento verdadeiro é lento. Não existem atalhos.”

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