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    Quando Sierra Yoder estava grávida de cinco meses, os médicos da pequena cidade onde ela vivia no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, disseram que seu filho tinha uma doença muito rara, conhecida como encefalocele.

    Isso significa que o cérebro do bebê estava crescendo fora do crânio.

    “Eles nos disseram que nosso filho não sobreviveria. Não nos deram nenhuma esperança”, explicou Yoder.

    Diante dos prognósticos ruins dados pelos médicos, ela e seu marido, Dustin Yoder, decidiram que interromperiam a gravidez.

    Eles já estavam dispostos a iniciar o procedimento do aborto, mas, de última hora, mudaram de ideia e seguiram em frente.

    E, apesar de todas as previsões negativas, Bentley nasceu com saúde e sobreviveu.

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    Preparados para o pior

    Sierra teve uma gestação normal, e o bebê veio ao mundo em 31 de outubro de 2015, um dia depois do previsto.

    “Quando Bentley nasceu, esperávamos que ele não fosse chorar, que não fosse se mexer, pensávamos que não saberíamos nem identificar quando ele estivesse com fome”, disse Dustin.

    No entanto, o bebê chegou como todos os outros: chorando. “Nós nos olhamos e pensamos: eles nos disseram que ele nem sequer iria respirar”, contou Sierra.

    Apesar da surpresa, o processo não foi fácil. Apesar da alegria pelo nascimento do filho, a mãe tinha se preparado para perdê-lo – diante das previsões negativas, ela procurou saber, por exemplo, informações sobre os procedimentos para funerais.

    Mas o bebê se desenvolveu bem e recebeu alta.

    “Nós não conseguíamos entender como Bentley estava usando seu cérebro. Pensamos que ele talvez ele estivesse usando uma parte que ficava dentro do crânio”, disse Sierra.

    Esperançosos, eles decidiram pedir uma segunda opinião em uma clínica em Cleveland e contataram especialistas do Hospital Infantil de Boston. Foram os médicos de lá que disseram ao casal que era possível fazer uma cirurgia em Bentley.

    Os neurocirurgiões John Meara e Mark Proctor operaram o bebê em 24 de maio passado. E o procedimento foi um sucesso.

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    Um caso raro

    Quando a equipe do hospital conheceu os pais do bebê, dois meses antes da operação, ficou surpresa com o fato de que Bentley tinha sobrevivido e felizes diante da possibilidade de dar a ele melhores condições de vida, contou Proctor à BBC.

    “Fizemos várias operações desse tipo durante o ano e por isso os pais vieram até nós. Não é algo que nunca havíamos visto”, explicou.

    “A encefalocele é uma doença rara que afeta um bebê em milhões. Mas o caso de Bentley era ainda mais particular porque ele tinha uma grande parte de seu cérebro ativa.”

    Por causa disso, havia razões para acreditar que o cérebro poderia funcionar normalmente, segundo o médico.

    De acordo com os especialistas, não há como saber exatamente a porcentagem que estava ativa – eles estimam, porém, que provavelmente chegava perto dos 90%.

    “Cada caso é um caso, mas o de Bentley era um dos mais complexos”, disse o neurocirurgião.

    Mas e agora, o que esperar do desenvolvimento do bebê?

    “É uma pergunta difícil de responder. Ele provavelmente vai demorar um pouco mais para desenvolver a fala, mas esperamos que possa ter uma vida normal. Ainda é complicado saber como ele vai evoluir”, afirmou o médico.

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    Nos últimos 18 meses, o americano Stan Larkin, de 25 anos, levou uma rotina semelhante a de outros jovens da mesma idade, com momentos de lazer ao lado a família, passeios de carro com os amigos e eventuais jogos de basquete. A diferença é que Larkin não tinha um coração.

    Diagnosticado com cardiomiopatia, condição genética que afeta o músculo do coração, o morador de Ypsilanti, no Estado de Michigan, foi submetido a uma cirurgia para a retirada do órgão em 7 de novembro de 2014.

    Durante os 555 dias seguintes, enquanto aguardava um doador compatível para que pudesse ser submetido a um transplante, Larkin foi mantido vivo graças a um coração artificial temporário.

    O dispositivo, denominado “Coração Artificial Total” e fabricado pela empresa SynCardia, é conectado por dois tubos que saem do corpo do paciente a uma máquina chamada Freedom Driver, que garante a energia para o funcionamento do coração artificial e permite que o sangue seja bombeado para o corpo.

    Pesando pouco mais de 6 kg, o Freedom Driver é carregado em uma mochila, o que permitiu que Larkin, em vez de esperar pelo transplante em uma cama de hospital, como a maioria dos pacientes nessa situação, pudesse ir para casa e levar uma vida praticamente normal durante o período.

    No mês passado, os médicos finalmente encontraram um doador e Larkin recebeu um transplante. Ele passa bem e já teve alta.

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    “É impressionante como ele levou uma vida ativa com o dispositivo, até jogando basquete”, disse à BBC Brasil o médico Jonathan Haft, que realizou ambas as cirurgias no Centro Cardiovascular Frankel da Universidade de Michigan.

    “Ele obviamente queria o transplante, queria se livrar da mochila e de todo o trabalho envolvido, mas em termos de independência e qualidade de vida foi realmente extraordinário ver como ele se saiu bem”, avalia o cirurgião.

    Grupo seleto

    Apesar de não ser inédito, o caso de Larkin é pouco comum. “Ele foi o primeiro paciente no Estado de Michigan a ser liberado do hospital usando essa tecnologia, esse componente externo que permite ao paciente esperar pelo transplante em casa”, salienta Haft.

    Segundo a Universidade de Michigan, antes dessa tecnologia portátil ser aprovada nos Estados Unidos (em junho de 2014), o coração artificial total temporário era ligado a uma máquina chamada “Big Blue”, que pesava cerca de 190 kg e tinha o tamanho de uma lavadora de roupas, obrigando os pacientes a permanecer no hospital por meses ou até anos até encontrarem um doador.

    De acordo com Haft, o coração artificial total do tipo usado por Larkin é implantado cerca de 200 vezes por ano ao redor do mundo, um número bastante baixo em um universo de milhões de pessoas com doenças cardíacas graves.

    O médico observa que, em caso de pacientes à espera de transplante, costuma ser mais frequente o uso de dispositivos de assistência ventricular, que auxiliam apenas um ou outro lado do coração.

    Ao contrário desses dispositivos, o coração artificial total é equipado para auxiliar quando ambos os lados do coração falham e precisam de assistência, como no caso de Larkin.

    Conforme a Universidade de Michigan, Larkin faz parte de um grupo seleto de pacientes nos Estados Unidos a se beneficiar da independência proporcionada por essa tecnologia portátil.

    Irmão

    Larkin foi diagnosticado em 2007, após desmaiar jogando basquete.

    Seu caso é ainda mais incomum porque seu irmão mais novo, Dominique, de 24 anos, descobriu ter a mesma doença e teve o coração removido menos de um mês depois de Larkin.

    Dominique teve seu coração substituído pelo órgão artificial em dezembro de 2014. Seis semanas depois, ainda no hospital, recebeu um transplante.

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    “É raro o fato de dois irmãos, que sofriam da mesma doença havia anos, terem vindo parar no hospital na mesma época. Ambos chegaram a um estágio avançado da doença ao mesmo tempo, então tínhamos os dois na nossa Unidade de Tratamento Intensivo, e ambos receberam um coração artificial na mesma época, com poucas semanas de diferença”, observa Haft.

    Limitações

    Em entrevista coletiva após o transplante, Larkin descreveu os últimos 18 meses como uma “montanha-russa de emoções”.

    Apesar da independência proporcionada pelo dispositivo portátil, Larkin teve de conviver com algumas limitações.

    “Esse dispositivo obviamente precisa de energia para funcionar. Há baterias que dão ao paciente liberdade por um curto período de tempo, mas é preciso sempre levar baterias extras e poder carregar o dispositivo quando a carga estiver chegando ao fim”, ressalta Haft.

    “Nós também recomendamos aos pacientes levar um Driver extra para que, caso falhe, possam trocar onde estiverem. Larkin precisava estar sempre acompanhado de alguém que levasse o Driver extra”, diz o médico.

    Além disso, Haft ressalta que os tubos que saem da pele do paciente são grandes e suscetíveis a infecções.

    O cirurgião prevê que avanços tecnológicos irão produzir dispositivos menores, mais leves e com baterias mais duradouras.

    Haft afirma que, à medida que essa tecnologia se tornar mais frequente, vai permitir aos pacientes atividades como trabalhar e viajar.

    “É gratificante ver o resultado fantástico no caso de Larkin”, comemora.

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    Diante de tantas marcas e cores de pastas de dente, não é fácil saber qual é a melhor opção para nós.

    Elas obviamente têm como objetivo principal ajudar a limpar os dentes durante a escovação, mas também podem trazer outros diferentes benefícios para a saúde dental.

    Quem tem uma boca saudável não deve usar o mesmo tipo de produto que alguém que sofre de gengivite ou sensibilidade nos dentes, por exemplo.

    Juan Carlos Llodra, professor titular de Odontologia Preventiva e Comunitária da Universidade de Granada e diretor-executivo do Conselho Geral dos Médicos Dentistas da Espanha, explicou à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o que deve ser levado em conta ao comprar uma pasta de dente. Confira:

    Prevenir as cáries

    Se você tem uma boca saudável e quer apenas prevenir cáries, faça a higiene oral com frequência e use uma pasta de dente contendo flúor.

    Essa substância ajuda a remineralizar o esmalte dos dentes, fortalecendo-os e removendo a placa, fazendo assim que as bactérias não possam perfurá-lo.

    Mas para isso, segundo o especialista, é essencial que a pasta de dente tenha uma quantidade superior a 1 mil partes por milhão (ppm) de fluoreto.

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    “Cremes dentais que têm pouco flúor, abaixo de 1 mil ppm, são inúteis”, alerta Llodra.

    “Dessa forma, escovar os dentes com ou sem esse tipo de pasta de dentes é a mesma coisa”, diz.

    Na opinião de Llodra, o mais comum é que o produto tenha concentração de 1500 ppm de fluoreto.

    Ele ainda aconselha seus pacientes a não lavar a boca após a escovação, pois a água retira o flúor, reduzindo seu efeito. A recomendação é somente cuspir a pasta de dentes.

    Aliviar a sensibilidade

    Se você sente dor ao comer alimentos ou ingerir bebidas quentes ou frias, é porque tem sensibilidade nos dentes.

    Tal problema pode ser tratado com pastas de dentes específicas.

    “A sensibilidade dentária é um sinal de que o esmalte está desgastado”, afirma Llodra.

    Ele explica que esse tipo de creme dental contém substâncias que obstruem os poros espalhados pela dentina e que ligam os nervos aos dentes, causando reação às mudanças de temperatura.

    Doenças periodontais

    A gengivite é uma doença oral bacteriana que geralmente provoca inflamação e sangramento nas gengivas.

    Segundo Llodra, o paciente precisa de uma ajuda adicional quando esse problema aparece.

    Nesses casos, é necessária uma pasta de dentes mais potente, que, além de flúor, contenha algum antisséptico mais potente, como o triclosano.

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    No entanto, “esses cremes dentais são destinados a tratar um problema específico e não devem ser utilizadas por mais de duas semanas consecutivas. Se o problema persistir, você deve consultar um dentista”, alerta Llodra.

    “Na maioria das vezes, é um problema trivial, de fácil solução, mas há certas doenças graves, como a leucemia, que têm a gengivite como um dos sintomas.”

    Dentes mais brancos

    Ter dentes brancos está cada vez mais popular. Por isso, muitas pessoas optam por branqueá-los usando pastas de dente específicas.

    Mas, aparentemente, elas não são muito eficazes quando usadas sozinhas.

    Segundo Llodra, pastas de dente com essa finalidade são recomendadas apenas para complementar o clareamento dental realizado em consultórios odontológicos.

    Esse tipo de creme dental, que têm como principais componentes o peróxido de carbamida e o bicarbonato de sódio, facilita também a remoção de manchas causadas pelo café, cigarro e outras substâncias.

    Seu uso excessivo pode, entretanto, sensibilizar os dentes.

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    O cacau é a nova droga recreativa da vez. De acordo com o site de notícias americano Ozy, a substância tem sido usada em festas eletrônicas onde o consumo de bebidas alcoólicas não é permitido, como a Lucid, realizada mensalmente em Berlim, na Alemanha. De acordo com seus usuários, a ingestão de cacau – na forma de pílula, bebida e até mesmo via nasal – excita o cérebro e provoca sensação de energia e disposição.

    Na Lucid, o cacau amargo balinês é servido em bebidas misturadas com mel, xarope de agave e canela. Já a Morning Gloryville, uma empresa que organiza festas nos Estados Unidos e na Europa, abastece seus bares com bebidas à base de cacau e com a substância em cápsulas. A forma mais curiosa — ou estranha — de consumir o cacau é via nasal. O produto em pó pode ser encontrado na loja do belga Dominique Persoone. Ele inventou um dispositivo que ajuda a “inalar” o alimento, além de ter criado uma mistura inédita da substância com menta e gengibre.

    Segundo os defensores, o cacau cru, além de ser uma substância lícita em todas as partes do mundo, é muito mais potente do que se imagina. Ele desencadearia uma onda de endorfina na corrente sanguínea, aumentando a sensação de euforia. Em seguida, o cacau reduziria a tensão corporal ao promover o relaxamento muscular. Além disso, a substância é cheia de flavonoides que, de acordo com um estudo publicado recente no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, responsáveis por aumentar a circulação sanguínea e estimular o cérebro. Outra vantagem descrita pelos adeptos: ao contrário de outras drogas, o cacau não distorce a realidade. De acordo com Ruby May, organizadora da Lucid, ele apenas “amplifica” a experiência musical.

    Por outro lado, segundo Catherine Kwik-Uribe, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Mars Symbioscience, empresa de tecnologia dedicada ao desenvolvimento de produtos com base científica, embora o cacau puro contenha certos compostos que melhoram o humor, como a anandamida e feniletilamina, a quantidade deles na substância seria tão baixa que não teria qualquer influência direta sobre o humor. Ou seja, os efeitos “entorpecentes” citados seriam apenas um placebo.

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    Em meio às divisões que marcaram a crise política e o processo de impeachment, uma lei foi aprovada de forma unânime e com muita rapidez por deputados e senadores de todos os partidos: a que libera o uso da fosfoetanolamina sintética por pacientes com câncer.

    Sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff em 14 de abril, a legislação é criticada pela comunidade científica por autorizar a chamada “pílula do câncer” sem que testes clínicos tenham comprovado sua eficácia – até o momento, foram realizados só estudos com animais, os chamados testes pré-clínicos, que indicaram que a substância não é tóxica.

    Agora, a lei está suspensa de forma cautelar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após magistrados apreciarem nesta quinta-feira uma ação movida pela Associação Médica Brasileira. A organização argumenta que ela é inconstitucional por infringir direitos fundamentais, como o direito à saúde, à vida e à dignidade humana, e também viola a regulamentação vigente sobre o uso de medicamentos no país.

    Como relator da matéria, o ministro Marco Aurélio Melo disse que o Legislativo não pode liberar medicação sem testes clínicos, pois a legislação exige o registro da fosfoetanolamina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lei ficará suspensa até o julgamento definitivo do tema, que ainda não tem data para acontecer.

    Ela gera de fato bastante controvérsia. Especialistas ouvidos pela BBC disseram que, ao aprová-la, o Congresso pode estar colocando em risco a saúde da população e abrindo precedentes para a liberação de outras substâncias não testadas. Para outros, no entanto, o Congresso deu voz a pacientes e reagiu à suposta morosidade dos órgãos que aprovam remédios.

    Já na Câmara dos Deputados e no Senado, parlamentares defenderam se tratar de uma lei “pela vida” e que confere esperança e dignidade a pacientes em estágio terminal. Em discursos carregados de emoção, pediram sensibilidade a seus pares por já terem enfrentado casos de câncer em suas famílias.

    Sob estes argumentos, o projeto tramitou com uma velocidade excepcional no Congresso. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, órgão que auxilia sindicatos sobre questões legislativas, leis aprovadas em 2013 levaram em média cinco anos da proposição à sanção presidencial e, em 2014, nove anos.

    Por sua vez, o PL 4639/16 passou pela Câmara e pelo Senado em questão de dias, e foi aprovada por unanimidade.

    Com urgência e emoção

    O projeto de lei foi elaborado por um grupo de deputados federais no qual estão, lado a lado, parlamentares que normalmente se encontram em polos opostos das disputas políticas, como os petistas Adelmo Carneiro Leão (MG) e Arlindo Chinaglia (SP) e os deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

    Apresentado no plenário da Câmara em 8 de março, o projeto foi apreciado no mesmo dia, graças a dois acordos entre líderes partidários. Primeiro, para que tramitasse em regime de urgência. Depois, para que a oposição abrisse mão da obstrução da pauta, imposta na época até que o STF se manifestasse sobre os ritos do impeachment.

    No fim daquele dia, em uma sessão extraordinária com 2h15 de duração, o projeto passou por todas as etapas na Câmara: foi discutido, avaliado por um relator e três comissões – Constituição e Justiça e de Cidadania, de Finanças e Tributação e Seguridade Social e Família – e, finalmente, votado.

    Em meio ao breve debate naquela sessão, deputados pediram a palavra para se manifestarem a favor da lei, muitas vezes com discursos apoiados em experiências pessoais.

    “Se você ou algum familiar estivesse com câncer e alguém dissesse que água de bateria na veia cura, todo mundo tomaria”, disse Eduardo Bolsonaro. “A fosfoetanolamina é muito melhor que isso. Há o relato de pessoas que tomaram apenas a pílula e melhoram. Meu avô morreu em virtude de um câncer de pulmão e, hoje, não pode, infelizmente ter acesso a fosfoetanolamina.”

    Caio Narcio (PSDB-MG) disse ter perdido sua mãe para o câncer, que chamou de “doença do milênio”. “Só quem tem alguém com uma doença dessas em casa sabe o que é o sofrimento. Mesmo que fosse 1% de possibilidade, já valeria a pena.”

    “Voto ‘sim’ em homenagem à minha mãezinha, que morreu de câncer”, disse Moroni Torgan (DEM-CE) ao anunciar o posicionamento do seu partido.

    Celso Russomano (PRB-SP) deu um depoimento sobre seu pai, que tinha câncer. “Ele respirava por aparelhos, começou a tomar a fosfoestanolamina e saiu da cama. Mas o pouco medicamento que tínhamos acabou, e sua fabricação parou. Em alguns dias, ele começou a piorar e foi a óbito.”

    Benedita da Silva (PT-RJ) contou na sessão já ter perdido seis irmãos e um sobrinho por conta da doença: “Gostaria muito que eles tivessem tido a oportunidade de ter esperança de algo que pudesse amenizar as suas partidas”.

    Pressão social

    Outros parlamentares defenderam que a lei dá “esperança” a quem sofre de câncer e é uma resposta a uma demanda da sociedade.

    “Não vamos discutir a questão técnica. Isso não é para nós”, disse Ronaldo Fonseca (PROS-DF). “A Câmara não pode ficar de costas para a opinião pública. Assim mostraremos à sociedade que a Câmara pensa, sim, no cidadão. Queremos plantar uma semente de esperança.”

    Laura Carneiro (PMDB-RJ) fez um pronunciamento parecido: “Não vamos salvar as pessoas do câncer, mas vamos lhes dar alguma esperança, alguma possibilidade de resolver o problema”.

    Houve uma voz dissonante no debate. Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) defendeu em plenário que “a maneira como se encaminha o tema é extremamente perigosa de fazer ciência”.

    “Nós estamos reduzindo este debate a quem é a favor e contra a cura do câncer. A ciência é feita de pesquisa, de resultados. Não se pode liberar uma substância sem saber seu efeito colateral, qual é a dosagem para uma criança, para um idoso, para uma mulher”, disse Mandetta.

    ‘Quem tem câncer tem pressa’

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    Seu posicionamento não foi suficiente para barrar o avanço do projeto: todos os blocos e partidos se manifestaram a favor da aprovação. Não houve uma votação nominal – em que cada deputado se posiciona individualmente -, mas simbólica, em que o presidente da Casa pede que os contrários ao projeto se pronunciem. Sem qualquer gesto significativo neste sentido, a lei seguiu para o Senado.

    “Foi uma matéria bastante estudada em audiências públicas e por um grupo de trabalho, está sendo debatida desde outubro do ano passado. A substância é alvo de 20 anos de pesquisas, e os estudos mostram que não é tóxica. A população clamava por isso”, diz à BBC Brasil a relatora do projeto, a deputada Leandre Dal Ponte (PV-PR), sobre a celeridade da tramitação na Câmara.

    Para ela, a aprovação da lei vai pressionar para que os estudos clínicos da fosfoetanolamina sejam realizados. “O câncer mata milhares de pessoas todos os anos, e quem tem câncer pode tudo, menos esperar. É justo negar o acesso a fosfoetanolamina, diante de relatos que mostram que ela no mínimo prolonga a vida das pessoas?”

    Um dos principais autores do projeto e médico fisiologista, Leão (PT-MG) defende à BBC Brasil a aprovação da lei mesmo sem a comprovação da eficácia da fosfoetanolamina. “Não estamos pulando etapas, porque não é algo descoberto hoje. Se ninguém estivesse usando, aí sim. Mas a substância está em nosso cotidiano há 15 anos, sem haver um relato de prejuízos por seu uso”, diz o deputado.

    “Como médico, não posso receitar, porque não é considerado medicamento, mas não teria dúvida de indicar para amigos ou familiares com câncer. Eu mesmo usaria diante de uma situação tão dramática.”

    ‘Ceifador de esperanças’

    Ao chegar ao Senado, como projeto de lei da Câmara nº 3 de 2016, a proposta também tramitou rapidamente, ainda que menos do que na Câmara.

    Entre os dias 9 e 17 de março, foi analisado e aprovado pelas comissões de Assuntos Sociais e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. Chegou ao plenário no dia 22, onde novamente foi colocado em regime de urgência e se abriu uma exceção para ser votado no mesmo dia.

    O regimento do Senado determina que, uma vez aprovada a urgência, a votação deve ocorrer só após duas sessões de debates, o chamado “interstício”, como argumentou o senador Cássio Cunha Linha (PSDB-PB), mas outros líderes defenderam que o tema era delicado e deveria ser apreciado naquele dia.

    “Minha experiência é a de milhões de brasileiros. Minha mãe morreu com câncer no cérebro. Sei exatamente o que é isso”, disse o senador Magno Malta (PR-ES).

    Waldemir Moka (PMDB-MS) argumentou ser uma situação de emergência: “É muito difícil você falar para um paciente terminal de câncer que ele não vai ter mais acesso àquilo que estava esperando. Porque várias pessoas deram testemunho que, ao tomarem o medicamento, que não é um medicamento ainda, apresentaram melhoras”.

    Os apelos fizeram Lima ceder. “Não sou um ceifador de esperanças, nunca fui. Se há um entendimento, todos os líderes de que o interstício deve ser suprimido eu não vou me opor à votação de uma matéria tão importante”. Novamente, houve uma votação simbólica, e o projeto acabou sendo aprovado apenas 16 dias após ter sido apresentado na Câmara – e levou outros 23 dias até ser sancionado por Dilma.

    ‘A próxima vítima’

    Ao fim da sessão, Ivo Cassol (PP-RO), um dos principais defensores da lei na Casa, fez um longo discurso para agradecer o empenho dos colegas para “dar alento e esperança” aos pacientes. Ele chamou a pílula do câncer de “descoberta do século” e disse que ainda não havia passado por testes clínicos porque laboratórios e oncologistas não teriam interesse em comercializá-la.

    Também criticou a Anvisa e sua política de aprovação de medicamentos contra câncer. “Do jeito que está, é uma vergonha nacional. Aprovou dois medicamentos que têm um efeito mínimo no tratamento de câncer, mas a um preço astronômico. Aí, sim, a Anvisa aprova.”

    Argumentou em prol das mulheres, que são “mais passíveis de câncer”, segundo o senador: “Tenho amigos que, por causa do câncer, se escondem, especialmente as mulheres, porque elas têm cabelo comprido. Os homens são carecas. Está aqui o Júnior, meu assessor, que é careca. Se amanhã tivesse um câncer, não teria problema, mas as mulheres não são carecas. Perdem cabelo, perdem a autoestima”.

    Disse ter recebido muitos pedidos pela aprovação da lei e testemunhado casos em que a substância deu bons resultados. “Recebo por dia de 200 a 300 e-mails. Conheço mais de 30 pessoas. Tenho o depoimento de mais de 100 pessoas que usaram. O resultado é fenomenal. Quem garante que amanhã não será alguém da nossa família? Que não seremos nós a próxima vítima?”

    E anunciou: “Estou aqui defendendo a liberação desse medicamento do câncer. Mas é só esse? Não, gente! Se amanhã aparecer outro lá pelas matas amazônicas, vamos utilizar! Se vier da Mata Atlântica, vamos utilizar. Se vier outro composto, vamos utilizar! Por que não, gente?”

    Procurado pela BBC Brasil, o senador Cassol preferiu não conceder entrevista sobre o tema. Disse por meio de sua assessoria que está “muito chateado” com a declaração feita pelo Ministério da Saúde de que a pílula só será distribuída no SUS com aprovação da Anvisa e que trabalhará para reverter a decisão.

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    A transmissão do vírus da zika pelo mosquito Aedes aegypti acontece em 57 países e territórios, revelou o boletim epidemiológico da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado nesta quinta-feira (5). Em nove países foi observada a transmissão entre pessoas – provavelmente por via sexual.

    Segundo o documento, em 44 dos territórios foi a primeira vez que foi registrado o surto do vírus. No restante, a transmissão já acontecia desde 2007.

    Em oito países foram registrados casos de microcefalia potencialmente causados pela zika. Em dois casos, reportados na Eslovênia e nos Estados Unidos, a contaminação aconteceu no Brasil. Em outro, também nos Estados Unidos, está relacionado a breve estada no México, Guatemala e Belize.

    Em 13 países foram observados casos da síndrome de Guillain-Barré. Desses, em pelo menos oito houve a confirmação de infecção por zika.

    De acordo com o comunicado, a OMS não vê um declínio geral no surto. Com base nas evidências, o vírus da zika continua a se espalhar geograficamente a áreas onde os vetores competentes estão presentes. Embora ao número de infeção tenha caído em alguns países, a vigilância deve permanecer alta.

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    Criar uma bateria que dure toda a vida parecia algo difícil, mas um grupo de pesquisadores americano conseguiu realizar o feito.

    E fizeram isso por acidente.

    Cientistas da Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos, estavam procurando uma forma de substituir o lítio líquido das baterias por uma opção mais sólida e segura – as baterias de lítio são extremamente combustíveis e muito sensíveis à temperatura- quando acabaram criando esta bateria 400 vezes mais eficiente que as atuais.

    Eles começaram a fazer testes com nanocabos de ouro recobertos com um gel de eletrólitos e descobriram que eram incrivelmente resistentes. A bateria podia continuar trabalhando de forma efetiva durante mais de 200 mil ciclos de carga.

    Durante muito tempo, os cientistas fizeram testes com nanocabos para baterias.

    Isso porque eles são milhares de vezes mais finos que o cabelo humano, altamente condutores e contam com uma superfície ampla para o armazenamento e transferência de elétrons.

    O problema é que esses filamentos são extremamente frágeis e não aguentavam a pressão de carga e descarga.

    Mas um dia a estudante de doutorado Mya Le Thai decidiu colocar nestes delicados fios uma capa de gel.

    “Mya estava ‘brincando’ e cobriu tudo com uma fina capa de gel antes de começar o ciclo”, explicou Reginald Penner, conselheiro do departamento de química da Universidade da Califórnia em Irvine.

    “Descobriu que apenas usando este gel (de eletrólitos) podia submetê-los a ciclos (de carga e descarga) centenas de milhares de vezes sem que perdessem sua capacidade”, diz.

    Ela fez isso durante três meses.

    O problema do ouro

    “Isso é incrível porque essas bateria tipicamente morrem depois de 5 mil ou 6 mil ciclos, 7 mil no máximo”, acrescenta.

    Penner contou à revista Popular Science que, quando começaram a testar os dispositivos, se deram conta de que as baterias não iam morrer.

    Os especialistas acreditam que a efetividade da bateria de Irvine se deve ao fato de a substância viscosa plastificar o óxido metálico na bateria e lhe dar flexibilidade, o que evita rachaduras.

    “O eletrodo revestido mantém sua forma muito melhor, o que faz com que seja uma opção mais confiável”, explicou Thai.

    “Esta pesquisa prova que as baterias com nanocabos de ouro podem ter uma vida longa e que são uma realidade”, acrescentou.

    Segundo o estudo, após submeter a bateria a 200 mil ciclos, ela só perdeu 5% de sua carga máxima.

    Mas ainda resta um longo caminho antes que estas baterias comecem a ser vistas em nossos celulares.

    Por mais finos que sejam esses filamentos, eles são de ouro, o que faz com que as baterias sejam muito caras para fabricação em massa.

    Para solucionar este problema, Penner sugeriu a Popular Science a possibilidade de substituir o ouro por uma metal mais comum, como o níquel.

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    A Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou na sexta-feira (15) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da lei que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer.” A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

    Para o coordenador jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, há uma “desconhecimento amplo acerca da eficácia e dos efeitos colaterais da substância”. Já o presidente da AMB, Florentino Cardoso, diz que todas as orientações e alertas científicos das comunidades médicas foram ignorados.

    Na ADI de número 5501, a AMB diz que a liberação da substância sem que sua efetividade tenha sido clinicamente comprovada é incompatível com a Constituição, pois não garante aos brasileiros os direitos à saúde, à segurança e à vida, além do princípio da dignidade da pessoa humana.

    A associação argumenta ainda que a não realização de testes clínicos da fosfoetanolamina em seres humanos fere a Lei 6.360/76, que prevê três fases de análises antes da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Além de não autorizar a comercialização da sustância, a Anvisa informou não ter como garantir se ela pode ou não trazer riscos à saúde de quem a ingerir. “Com o produto estando fora do ambiente regulatório, não há como a Anvisa fiscalizar o processo de fabricação e distribuição, o que também resulta em riscos sanitários para a população. Afinal, sem os estudos clínicos necessários, não há como assegurar que a fosfoetanolamina é segura e eficaz”, disse o órgão.

    Uso da substância

    O SUS não vai fornecer a fosfoetanolamina. Segundo Ministério da Saúde, quem quiser fazer uso da substância terá de pagar por ela.

    A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolaimina para que o paciente possa usá-la. No entanto, o Ministério da Saúde divulgou nota em que afirma que “está sendo sugerida a prescrição médica em talonário numerado que permita o rastreamento do paciente (com justificativa para o uso)”.

    Sendo o produto de efeito desconhecido, é possível que médicos não queiram prescrevê-lo. O oncologista Helano Freitas, coordenador de pesquisa clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção para o fato de que a lei exige apenas um laudo médico que comprove o diagnóstico.

    “Dessa maneira, estão transferindo toda a responsabilidade para o paciente de julgar se algo é bom ou não para ele”, disse. Isso pode levar a uma situação em que o paciente escolha seguir o tratamento com a fosfoetanolamina sem o devido acompanhamento de seu médico.

    “Respeitamos o livre arbítrio, mas precisamos informar adequadamente os pacientes para que eles não incorram em decisões precipitadas acreditando em informações que ainda não têm comprovação”, afirma o oncologista.

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    Em doses baixas, o lítio prolongou a vida desses invertebrados. Os testes foram conduzidos por uma equipe de pesquisadores da Universidade College London, no Reino Unido.

    Os cientistas dizem que a descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas drogas que ajudem as pessoas a viver vidas mais longas e saudáveis.

    O lítio é receitado por psiquiatras para controlar transtornos mentais, como a bipolaridade e a depressão, mas pode provocar uma série de efeitos colaterais se ministrado em doses altas.

    A ciência ainda não sabe explicar muito bem como o lítio atua no cérebro, mas nas moscas a substância retarda o envelhecimento através do bloqueio de uma enzima conhecida como GSK-3.

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    “A resposta das moscas para doses baixas de lítio é bastante encorajadora e nosso próximo passo é atacar o GSK-3 em animais mais complexos”, disse Linda Partridge, responsável pelo estudo.

    “Dessa forma, podemos no futuro pensar em desenvolver testes em humanos”, acrescentou.

    O estudo foi publicado na revista científica Cell Reports e concluiu que as moscas tratadas com lítio viveram 16% mais do que a média.

    Por outro lado, quando a substância foi ministrada em alta dosagem, diminuiu o período de vida dos insetos.

    “As doses baixas não apenas prolongaram a vida das moscas mas também protegeram seus organismos do estresse e ainda bloquearam a produção de gordura naquelas com uma dieta rica em açúcar”, acrescentou Ivana Bjedov, parte da equipe responsável pelas descobertas.

    A ONG britânica Parkinson’s UK ajudou a financiar o estudo. Uma de suas porta-vozes, Claire Bale, afirmou que a pesquisa tem o potencial de gerar idosos mais saudáveis e também oferecer possíveis soluções para tratar ou prevenir doenças, como o Mal de Parkinson.

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    Afinal, o chão da minha cozinha é bem limpo e o chocolate havia ficado ali por menos de cinco segundos.

    A “regra dos cinco segundos” estava a meu favor. Todos conhecemos a regra, certo? Se a comida ficou no chão por menos de cinco segundos, não tem problema comê-la.

    Mas será que eu fiz bem em comer ou enchi minha boca de pequenos e perigosos micróbios?

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    Para responder a pergunta, primeiro é preciso esclarecer que não há um bando de bactérias no chão esperando para avançar em qualquer coisa que caia.

    Pelo contrário, as bactérias já estão em todo lugar, mesmo que você tenha acabado de varrer o chão.

    Assim que qualquer comida encosta no chão, claro que “pega sujeira” e consequentemente entra em contato com os micróbios dessa sujeira, diz Jack Gilbert, ecologista especializado em micróbios na Universidade de Illinois, nos EUA.

    Há cerca de 9 mil diferentes espécies de criaturas microscópicas na poeira de nossas casas, incluindo 7 mil tipos diferentes de bactérias, de acordo com um estudo feito por pesquisadores das universidades do Colorado e da Carolina do Norte, no EUA, em 2015. A maioria é inofensiva.

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    Elas estão em toda parte, todo o tempo: em seu rosto, sua mão, e na sua casa. Frequentemente liberamos bactérias pela pele e pelo ar que respiramos.

    “É impossível se esconder de micro-organismos. Vivemos e respiramos em um mar de bactérias”, diz Gilbert.

    Segundo um estudo da Universidade de Yale, cada pessoa libera cerca de 38 milhões de células bacterianas no ambiente a cada hora.

    E mesmo assim, diz Gilbert, há mais de cem anos nos dizem que micro-organismos são perigosos e que precisamos matá-los.

    Gilbert diz que certamente comeria algo que caiu no chão – desde que o ambiente fosse minimamente seguro. “Se eu derrubasse comida num lugar em que foram enterradas vítimas da peste, não pegaria”, diz.

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    Ele vai além e diz que, na maioria das vezes, até mesmo lamber o chão ou o assento do vaso sanitário não vai te deixar doente.

    Mas não seria inteligente fazer isso se alguém na sua casa está doente ou se você está em um país com condições de higiene precárias.

    Certamente existem alguns agentes causadores de doenças no ambiente. Mas se um deles está no chão da sua casa, também podem estar em qualquer outra parte, como na mesa ou na maçaneta. Você pode ficar doente independentemente de ter comido algo que caiu no chão.

    Mas há cuidados necessários. Se você tiver azar suficiente de ter a bactéria salmonella no chão, comer algo que caiu no chão pode fazer você ficar doente, mesmo se a comida tiver ficado no chão por menos de cinco segundos.

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    Um estudo publicado no Journal of Applied Microbiology em 2006 descobriu que havia menos risco de exposição a salmonella em cinco segundo do que em um minuto, mas mesmo assim o risco existia.

    Não há uma barreira mágica entre seu corpo e o mundo das bactérias, então mesmo a limpeza mais profunda não será capaz de eliminá-las.

    Na verdade, o contato com micróbios pode ser benéfico.

    “Ao menos que você esteja derrubando comida no consultório médico ou em um banheiro químico, a exposição a micróbios é boa”, diz Katherine Amato, da Universidade Nothwestern, nos EUA.

    Isso ocorre porque nós evoluímos com micróbios ao nosso redor. Pesquisadores como Amato acreditam cada vez mais que eles tiveram papel importante na evolução da nossa espécie.

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    Pegamos micróbios do ambiente quando somos muitos novos, inclusive pelo contato com a sujeira. A “comunidade de micróbios” de uma criança começa a se parecer com a de um adulto por volta dos dois anos.

    “Se há micróbios naquela comida isso pode contribuir para o desenvolvimento de um sistema imunológico saudável”, diz Amato. “Eu iria em frente e comeria algo que caiu no chão.”

    Em outras palavras: a regra dos cinco segundos não faz nenhum sentido. Se realmente houver um micróbio perigoso ali, seguir a regra não vai impedir que você fique doente. E nas outras situações, não tem problema comer comida do chão.

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