Pandemia da COVID-19: Planos de saúde perdem 283 mil clientes em 2 meses

Em maio, o número de beneficiários no país caiu para 46,829 milhões de pessoas, contra 47,113 milhões no final de março, segundo dados da ANS.

Os planos de saúde no Brasil perderam 283 mil clientes em dois meses, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (7) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em maio, o número de beneficiários caiu para 46,829 milhões de pessoas, contra 47,113 milhões no final de março.

A redução do número de clientes ocorre em meio à pandemia de coronavírus e aumento do desemprego no Brasil.

Em maio do ano passado, o número de clientes estava em 46,956 milhões.

A quantidade de clientes dos planos de saúde vem caindo desde 2015. Somente em 2018, houve uma estabilidade nos números. Em 2019, houve uma perda de 60,4 mil clientes. Em dezembro de 2014, o setor chegou a reunir 50,49 milhões de clientes.

Apesar da queda do número de clientes nos últimos em abril e maio, a ANS avalia que o cenário é de estabilidade.

“No geral, o setor manteve a tendência de estabilidade, com pequenas oscilações em relação aos meses anteriores. Cabe ressaltar que os números podem sofrer modificações retroativas em função das revisões efetuadas pelas operadoras”, afirmou a agência, em nota.

A perda de beneficiários tem sido puxada pela diminuição dos planos individuais. Em maio, essa modalidade de contratação tinha 8,95 milhões de clientes, ante 9,042 milhões em igual mês de 2019.

Nos planos coletivos empresariais, o número de beneficiários caiu para 31,609 milhões – 61 mil pessoas a menos na comparação anual.

Já o número de clientes na segmentação exclusivamente odontológica cresceu no país e chegou a 25,373 milhões – alta de 979 mil na comparação anual. Em maior do ano passado, eram 24,394 milhões.

Os números a ANS mostram ainda que existem atualmente 739 operadoras em atividades no país com 17.692 planos ativos.

Covid-19 : Vacina contra coronavírus é aprovada em primeiro estudo com humanos. A cura está chegando?

A superfície do vírus SARS-CoV-2 é coberta por espículas de proteína (em vermelho). A vacina de RNA mensageiro (RNAm) da Moderna ensinaria o corpo humano a reconhecer essas espículas, permitindo a produção de um exército de anticorpos neutralizantes (em branco) para impedir a ação do coronavírus antes que ele estabeleça uma infecção. FOTO DE MODEL AT ATOMIC RESOLUTION IN BY VISUAL SCIENCE

A Moderna Therapeutics recentemente ingressou na fase dois de seus ensaios clínicos. Veja como as vacinas baseadas na tecnologia RNAm funcionam e o que significam os últimos desdobramentos.

UM CANDIDATO PROMISSOR à vacina contra o coronavírus superou um obstáculo importante na última semana, quando a Moderna Therapeutics entrou na fase dois dos estudos clínicos. A conquista sinaliza que a vacina à base de RNAm da empresa foi aprovada nas verificações iniciais de segurança e alcançou um marco importante ao aproximar o medicamento dos mercados público e comercial.

Após quase cinco meses de mortes e paralisações econômicas provocadas pela pandemia da covid-19 em todo o mundo, as pessoas aguardam ansiosamente por algum sinal de esperança para que possam retornar à vida como era antes. Isso explica, em parte, a recente agitação envolvendo os resultados da Moderna e seu mais avançado candidato, que saiu do laboratório da empresa em Cambridge, Massachusetts, para estudos em humanos em um tempo recorde de 63 dias.

Em 18 de maio, a empresa de biotecnologia anunciou descobertas preliminares de que indivíduos saudáveis haviam respondido à sua vacina de RNAm produzindo “anticorpos neutralizantes”. Os anticorpos são as principais sentinelas produzidas pelo sistema imunológico para prevenir infecção pelo coronavírus. Especialistas foram rápidos em apontar que os resultados se referem a apenas oito pessoas de um total de 45 que participam do estudo, que está sendo conduzido pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. A empresa não divulgou informações suficientes para avaliar se os participantes da primeira fase apresentaram respostas imunes protetoras, que, de acordo com imunologistas, envolvem mais do que a simples produção de anticorpos.

O farmacêutico Michael Witte (à esquerda) aplica uma dose do medicamento em Rebecca Sirull na primeira fase de um estudo clínico sobre uma possível vacina contra a covid-19, em 16 de março de 2020. Sirull é a terceira paciente a receber a dose no estudo do Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente Washington, em Seattle, um dos três centros do estudo de fase um. FOTO DE TED S. WARREN, AP PHOTO

Mas os detalhes apresentados pela Moderna, combinados com o último comunicado, sugerem que a empresa esteja caminhando para alcançar algo sem precedentes: licenciar a primeira vacina com tecnologia RNAm para uso humano.

“Os resultados são empolgantes porque possuem dados da primeira fase que demonstram que a vacina é segura, o que é muito importante”, diz Ali Salem, desenvolvedor de medicamentos e professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Iowa, que não participou do estudo da Moderna.

O estudo de fase dois envolverá cerca de 600 participantes de 10 centros e oito estados. Os centros recrutaram participantes e, se forem elegíveis com base nos exames físicos realizados, alguns receberão imunizações. A Moderna confirmou por meio de um comunicado à imprensa que os primeiros participantes em cada faixa etária do estudo — adultos abaixo e acima dos 55 anos — receberam doses do candidato desenvolvido pela empresa.

“Nossos investigadores principais diriam facilmente que esses estudos são os mais importantes que já realizaram na vida”, afirma Jaime Farra, diretor de marketing da Alliance for Multispecialty Research, que opera um centro do estudo em Newton, Kansas.

Uma célula humana (marrom-esverdeado) está gravemente infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (rosa) isolado de um paciente. Essa imagem foi obtida e processada no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID). FOTO DE COLORIZED SCANNING ELECTRON MICROGRAPH BY NATIONAL INSTITUTE OF ALLERGY AND INFECTIOUS DISEASES, NIH

Como surgiram as vacinas de RNAm

Sempre que um micro-organismo infecta o corpo, nosso sistema imunológico se esforça para reconhecê-lo e formular um plano de resposta. As vacinas tradicionais utilizam essa resposta por meio da introdução, em nosso organismo, de vírus inteiros, porém inativos, ou de suas proteínas inteiras, desencadeando uma reação imune. Essas vacinas levam tempo para serem desenvolvidas, em parte porque os cientistas precisam cultivar e inativar o micro-organismo todo ou suas proteínas, e fazem isso de forma bem específica.

O RNA mensageiro é um material genético feito de ácido nucleico — o mesmo material que o nosso DNA — que percorre nossas células, dando instruções finais sobre quais proteínas construir para formar a arquitetura celular do corpo. No início da década de 1990, os cientistas se perguntaram o que aconteceria se produzissem pedaços de DNA viral e RNAm e os injetassem em células humanas ou animais de laboratório. A esperança era que as células captassem os fragmentos genéticos, produzissem proteínas virais e acionassem uma resposta imune.

Na teoria, esse método permitiria aos cientistas acelerar as vacinas; em vez de semanas, um candidato poderia ficar pronto para testes em horas ou dias. Esses candidatos à vacina também seriam mais flexíveis e duráveis contra vírus que tendem a evoluir por meio de mutações, como o coronavírus, influenza e HIV. Isso pode ajudar no desenvolvimento de uma vacina universal que seja eficaz contra várias cepas de um vírus, afirma Margaret Liu, presidente do conselho da Sociedade Internacional de Vacinas.

Trinta anos atrás, Liu estava entre o primeiro grupo de pesquisadores de laboratório a tentar utilizar vacinas de DNA e RNAm; seus primeiros resultados com uma vacina universal de DNA contra influenza foram os primeiros a demonstrar proteção e se mostraram os mais promissores — pelo menos em camundongos. Em geral, quando vacinas de DNA e RNAm foram produzidas pela primeira vez, elas demonstraram êxito sustentado em modelos animais, momento conhecido como estágio “pré-clínico” no desenvolvimento de medicamentos, mas as vacinas não produziram respostas imunes potentes em humanos.

“As pessoas pensaram que isso se devia ao fato dos humanos serem maiores”, conta Liu. Mas essa hipótese perdeu força após o desenvolvimento bem-sucedido de vacinas à base de DNA para cavalos, peixes e condores-da-califórnia.

Enquanto isso, as vacinas com tecnologia RNAm enfrentavam dificuldades, pois não eram estáveis. Uma vez dentro do corpo, o RNAm de uma vacina se decompõe mais rapidamente que o DNA, o que também limita a potência imune. Além disso, o RNAm pode intensificar as células imunes, causando reações adversas. Durante anos, esses desafios foram responsáveis por descartar as vacinas de RNAm e relegar as vacinas de DNA à medicina veterinária.

Dezenas de espículas em forma de coroa (em vermelho), que deram aos coronavírus seu nome, se projetam a partir da superfície do vírus e permitem a infecção de uma célula humana. FOTO DE MODEL AT ATOMIC RESOLUTION IN BY VISUAL SCIENCE

Elementos importantes em desenvolvimento

A história começou a mudar em 2005, quando cientistas da Universidade da Pensilvânia realizaram pequenas modificações químicas nas vacinas de RNAm. Essas modificações aumentaram a durabilidade e tornaram as vacinas mais seguras, causando menos respostas imunes adversas.

“Muitas pessoas começaram a considerar o RNAm como uma estratégia terapêutica para uma variedade de doenças”, diz Salem, da Universidade de Iowa. Uma delas seria a “ModeRNA Therapeutics”, agora conhecida como Moderna, empresa criada em 2010 depois que o pesquisador da Harvard Derrick Rossi usou RNAm modificado para reprogramar células-tronco em uma tentativa de tratar doenças cardiovasculares.

Ao longo dos anos, a empresa também passou a contar com uma famosa ferramenta para a administração de medicamentos chamada nanopartículas lipídicas. Ao preencher uma cápsula escorregadia feita de lipídios oleosos com material genético, essas partículas poderiam transportar o RNAm mais facilmente para dentro das células, onde ele poderia fazer o seu trabalho. Com tecnologia RNAm mais segura e melhor administração dos medicamentos, a empresa conseguiu expandir seu portfólio e buscar soluções para o câncer e diversas doenças infecciosas, incluindo a gripe. Mas o momento decisivo veio com o vírus zika transmitido por mosquitos.

Depois que o zika surgiu em 2015, os laboratórios se apressaram para encontrar uma vacina adequada. Justin Richner, agora professor assistente da Universidade de Illinois, em Chicago, fez parte de um projeto que envolveu diversas universidades que realizaram pesquisas iniciais sobre candidatos à vacina de RNAm desenvolvidos pela Moderna Therapeutics. Richner diz que a equipe aprimorou os códigos de RNAm, ação que levou uma das vacinas contra o zika da Moderna aos primeiros estudos em humanos em 2016 — momento em que o desenvolvimento se estagnou.

Depois que uma vacina convence o corpo a produzir anticorpos neutralizantes (em branco), essas sentinelas eliminam o vírus, anexando-se às suas proteínas em forma de espícula. Para produzir uma vacina, a estrutura genética e molecular do vírus precisa ser compreendida. Assista a um vídeo que mostra os componentes do vírus aqui. FOTO DE MODEL AT ATOMIC RESOLUTION IN BY VISUAL SCIENCE

Segurança em primeiro lugar

A Moderna Therapeutics não respondeu aos diversos pedidos de entrevista da National Geographic. Mas as atualizações da empresa, que não são revisadas por pares, podem fornecer pistas sobre seu progresso na vacina contra a covid-19. Por exemplo, o anúncio feito pela Moderna em 18 de maio não apresentou números concretos sobre a quantidade de anticorpos detectados em humanos ou camundongos após a imunização. Mas revelou que a primeira fase de seu estudo sobre a covid-19 aparentemente alcançou seu objetivo principal de determinar a dosagem mais segura do medicamento.

“Quando se conduz um estudo clínico que nunca foi realizado em humanos antes, a informação mais importante a ser obtida é se a vacina é segura”, diz Maria Elena Bottazzi, reitora da Escola Nacional de Medicina Tropical da Baylor College of Medicine, que não participou do estudo da Moderna.

Ela acrescenta que um sinal mais concreto de êxito para a Moderna pode ser algum ponto ainda não abordado nas declarações da empresa: as células T. Os anticorpos são apenas uma parte da resposta imune. As células T são outra. Ambos podem formar proteção duradoura por conta própria, mas as células T ajudam na manifestação de anticorpos. Isso é importante porque as vacinas de DNA e RNAm são mais eficazes em acionar células T, diz Bottazzi, mas avaliar essa resposta é difícil e normalmente isso é reservado para fases posteriores de estudos em humanos.

Ainda assim, a Moderna pode ter um longo caminho pela frente. Os participantes da fase dois devem ser monitorados por pelo menos 15 meses. Contudo se os primeiros sinais forem positivos, o candidato à vacina poderia chegar aos estágios finais ainda este ano.

Independentemente do sucesso da Moderna, o mundo precisará de diversas versões para vencer a pandemia. Globalmente, mais de cem estudos com candidatos à vacina contra a covid-19 estão em andamento e, até agora, diversas empresas estão relatando resultados promissores revisados por pares. Ter um grande número de possibilidades é vantajoso porque se um candidato à vacina falhar, os outros poderão continuar oferecendo esperança, afirma Bottazzi.

Criar barreiras protetoras do câncer oral

Estatísticas mundiais mostram que a incidência de câncer na boca tem crescido no planeta, principalmente entre adultos jovens. O grande responsável pelo aumento entre essa turma é o vírus HPV. A explicação, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, teria a ver com os hábitos sexuais. Os outros dois vilões são o álcool e o cigarro — quando essa dupla maligna atua em conjunto, o risco de o problema dar as caras é 30 vezes maior. A boa notícia é que o diagnóstico precoce da doença eleva as chances de cura. Para isso, devem entrar em cena dentistas e médicos.

Esse foi um dos objetivos de um projeto realizado no Ceará e finalista na categoria Políticas Públicas do Prêmio SAÚDE 2011. “Criamos o programa porque estávamos cansados de receber pacientes com a doença avançada a ponto de não ser possível operar”, explica Fabricio Bitu, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará e coordenador da força-tarefa idealizada para conter o avanço da doença no estado. “Esses tumores são comuns em pessoas de baixa instrução e renda, com dificuldade de acesso aos serviços de saúde”, continua o dentista.

A solução foi criar uma rede de diagnóstico e rastreamento que, desde 2006, reúne especialistas também da Universidade de Fortaleza, da Secretaria Estadual de Saúde, do Conselho Regional de Odontologia e da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza — e já atendeu mais de 20 mil pessoas.

A equipe é formada por dentistas de especialidades como patologia, cirurgia, epidemiologia, além de cirurgiões médicos e estudantes. Os profissionais identificam as áreas cearenses mais impactadas pela doença, levam aos moradores dessas regiões informações sobre os fatores que provocam o mal, ensinam medidas de prevenção e realizam exames detalhados. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para as grandes cidades, em especial Fortaleza.

O time cearense tem foco ainda no treinamento de dentistas da rede básica de saúde. Afinal, visitas regulares ao consultório desses profissionais não devem servir apenas para verificar o estado dos dentes, mas para procurar sinais que denunciem a presença de tumores. Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, menor será a área retirada pela intervenção cirúrgica indicada para esse tipo de neoplasia. Daí que iniciar logo o tratamento diminui as complicações que a doença costuma provocar na fala, deglutição e respiração.

Informar para prevenir

Uma dieta equilibrada é arma essencial nessa luta, lembra Luiz Paulo Kowalski, cirurgião oncológico do Hospital A.C. Camargo, na capital paulista. “O consumo de frutas e verduras protege contra o câncer”, diz o médico. “Por outro lado, pessoas que comem churrasco ou carne grelhada mais de quatro vezes por semana têm maior risco de desenvolver a doença.” A justificativa está na fumaça, cujos agentes cancerígenos ficam impregnados na carne. Não é o caso de limar da agenda o famoso churrasquinho com os amigos — o segredo está no equilíbrio. Outro fator que conta, e muito, para fechar as portas aos agressores é não se descuidar da higiene. Escova e fio dental, já se sabe, precisam entrar em ação pelo menos três vezes ao dia. “Mas é preciso evitar o uso indiscriminado de enxaguatórios bucais com álcool na fórmula. Eles podem disparar o problema”, alerta Kowalski.

O exame clínico ainda é a melhor forma de flagrar alterações que podem ser sinal de perigo, mas pesquisadores buscam na tecnologia um apoio para a tarefa. Na Universidade de São Paulo, por exemplo, está em teste há um ano um aparelho chamado Velscope (Visually Enhanced Lesion Scope). “Ele é um coadjuvante no diagnóstico”, apressa-se a dizer Celso Augusto Lemos Júnior, que supervisiona o trabalho e é presidente da Sociedade Brasileira de Estomatologia. “Os feixes luminosos emitidos pelo equipamento ajudam na avaliação e são eficientes na demarcação da área onde a biópsia deve ser feita.”

O mais importante da pesquisa, na opinião de Celso Lemos, é jogar luz sobre o assunto para reforçar a prevenção: apagar o cigarro de vez, diminuir o consumo de álcool e usar protetor labial, evitando os estragos da ação do sol. Já para vencer um dos protagonistas dessa história, o HPV, não tem acordo: sexo oral, só com camisinha. Até porque a vacina contra esse vírus, recomendada há algum tempo para garotas a partir de 9 anos, só recentemente foi aprovada também para meninos. Ou seja, serão necessários anos até que os primeiros resultados apareçam. E não é nada esperto se expor ao inimigo quando se sabe a estratégia para fazê-lo recuar.

Sinais de alerta
É fundamental procurar o dentista ou o médico quando alguns sintomas persistem por mais de duas semanas. Os mais comuns são lesões e feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na gengiva e na língua e carocinhos nas bochechas. Atente também para a dificuldade para mastigar e engolir.

O mapa da doença
Dados do Globocan 2008, levantamento da Organização Mundial da Saúde, apontam cerca de 275 mil novos casos de câncer oral no mundo por ano. Ao lado, em vermelho, as regiões do planeta em que há maior incidência da doença

Que áreas da cavidade oral podem ser afetadas?
Os tumores são mais frequentes na língua, no assoalho (embaixo da língua) e no palato, o céu da boca. Mas eles ocorrem também nos lábios, na mucosa, na gengiva e nas amígdalas.

Sorriso bonito contra o mal
Traumas crônicos, provocados por dentes fraturados e próteses mal adaptadas, aumentam o risco de tumores. E estudos mostram que as bactérias envolvidas na doença periodontal, que ataca a gengiva, facilitam a ação de substâncias cancerígenas. Portanto, a boa escovação também previne esse câncer.

Números da doença

• No Ceará, de 5 a 10 novos casos são diagnosticados por semana

• Esse tipo de câncer é o 4º mais frequente na Região Nordeste (6/100 mil)

• O fumo é responsável por cerca de 42% de mortes pela doença

• Segundo estimativas do Inca, o Brasil terá 14 170 casos da doença em 2012, sendo 9 990 em homens e 4 180 em mulheres

• A combinação de álcool e cigarro aumenta em 30 vezes o risco de desenvolver a doença

Ar condicionado: cuidados para não trazer complicações para a saúde

Ele deixa o ambiente geladinho e alivia o calor. Mas para que não ofereça riscos à saúde, alguns cuidados são essenciais:

Sol forte, altas temperaturas, locais abafados… Para aliviar o calor intenso, muita gente recorre aos sistemas condicionadores de ar. Realmente, eles refrescam – e até mesmo gelam – o ambiente, mas, sem os devidos cuidados, esses aparelhos podem trazer complicações para a saúde e agravar o quadro de doenças respiratórias.

“Uma das funções fisiológicas do nariz é filtrar, aquecer e umidificar o ar que inspiramos, para que ele chegue ao pulmão de forma agradável. O ar-condicionado, no entanto, tem justamente o objetivo inverso: ele esfria e retira a umidade do ambiente. Com isso, quem fica exposto à sua ação durante muitas horas pode sofrer com o ressecamento das vias respiratórias e, consequentemente, sentir dificuldade e desconforto para respirar, além de outros sintomas como tosse, garganta seca e sensível, irritação no nariz e olhos”, diz Mônica Menon, otorrinolaringologista e alergista, doutora em ciências médicas pela FMUSP.

E os problemas não param por aí, não! “A mucosa nasal é revestida por cílios vibrantes, responsáveis, juntamente com o ar que respiramos, por impedir a entrada de bactérias, fungos e vírus. Porém, quando a região está ressecada e fria, esses pelos ficam paralisados e essa proteção diminui. Dessa forma, a chance de contrair infecções aumenta”, explica a médica. E para aqueles que sofrem com quadros alérgicos, as reações se amplificam. “A mucosa fica ainda mais irritada, e a pessoa passa a ter crise de espirros”, afirma.

Quem tem rinossinusite também sente os danos. “A doença, que consiste na inflamação do revestimento interno (mucosa) do nariz e dos seios da face, pode se agravar com a presença do ar frio e seco. Mas se o paciente estiver tratado e com o quadro controlado, pode frequentar ambientes com ar-condicionado sem problemas”, avisa o alergista Clóvis Eduardo Galvão, diretor da ASBAI-SP (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia de São Paulo).

A limpeza é essencial
Se não for higienizado adequadamente, o ar-condicionado pode provocar e agravar doenças como resfriados, pneumonias, conjuntivites, rinites, asma e alergias respiratórias. “O fato é que tanto o filtro quanto o duto do aparelho acumulam impurezas existentes no ambiente, fazendo com que o ar circule contaminado de bactérias, ácaros, fungos e até mesmo pelos de animais”, alerta Clóvis Eduardo. Por isso, é essencial que a manutenção seja realizada frequentemente, com a limpeza do filtro e dos dutos internos do aparelho, conforme as recomendações do fabricante.

Proteja sua saúde
Uma maneira de minimizar os problemas causados pelo ressecamento do ar é utilizar recursos que ajudem a umidificar as vias respiratórias. “Aplique soro fisiológico ou gel nasal sempre que sentir necessidade”, aconselha Mônica. E, principalmente: hidrate-se bem. “Beba água de forma fracionada: meio copo de hora em hora”, ensina a médica. E quem trabalha em locais onde há ar-condicionado central e não é possível controlar a temperatura do ambiente, vale a pena manter um casaquinho sempre à mão, para manter o corpo aquecido e se proteger do frio.

Saiba como tirar o máximo de proveito desse vegetal. Ensinamos até como plantar a cebola!

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Origem: há muitas dúvidas sobre o povo que introduziu a cebola na dieta. Mas existem registros de sua utilização na Ásia Central, no Paquistão e no Irã há pelo menos 5 mil anos. Hoje, é difícil imaginar uma culinária em que o vegetal não apareça com frequência.

Formas de uso: a cebola traz uma infinidade de opções. Ela pode ser empregada fresca como base aromática, como tempero para todo tipo de receita salgada, como componente da receita, ou até como prato principal.

É possível servir a leguminosa crua, cozida, assada, grelhada, frita, empanada, em conserva… Haja versatilidade!

Com o que combina: o mix de sabores adocicado, picante e ácido realça o sabor de diversos tipos de carnes, molhos, saladas, sopas, legumes, conservas, risotos, recheios de massa, tortas salgadas, fornadas, cozidos.

Com o que não combina: só evite mesclá-la com frutas e doces.

Benefícios nutricionais: a cebola é rica em antioxidantes, vitaminas C e do complexo B e vários minerais. Inclusive, seu potencial antioxidante e anti-inflamatório tem chamado a atenção dos estudiosos. Uma pesquisa do Instituto Federal do Maranhão indica que o vegetal contém compostos sulfurados, capazes de inibir o desenvolvimento de células cancerosas.

Como plantar: ponha diretamente no jardim, com espaço entre as mudas para que o bulbo possa crescer. Mantenha o solo adubado e bem drenado. Colha as cebolas quando as folhas secarem.

O ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga.

O psicólogo britânico Mark Griffiths, professor da Nottingham Trent University, vem estudando o jogo compulsivo há 25 anos e diz acreditar “enfaticamente” que o ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga.

“Os efeitos sociais e de saúde da jogatina extremada são muitos e têm muita coisa em comum com os efeitos de vícios mais tradicionais, entre eles mau humor, problemas de relacionamento, absenteísmo do trabalho, violência doméstica e ir à falência.

Os efeitos para a saúde – para jogadores e seus parceiros e parceiras – incluem ansiedade, depressão, insônia, problemas intestinais, enxaquecas, stress, problemas estomacais e pensamentos suicidas.

Se comportamentos como a jogatina podem se tornar um vício genuíno, não existe razão em teoria que impediria alguém de se viciar em atividades como videogames, trabalho ou exercícios físicos.

Pesquisas sobre jogadores compulsivos relatam que eles sofrem ao menos um efeito colateral quando passam por períodos de abstinência, como insônia, dores de cabeça, perda de apetite, fraqueza física, palpitações cardíacas, dores musculares, dificuldades de respiração e calafrios.

Abstinência

Na verdade, jogadores compulsivos aparentam sofrer mais sintomas de abstinência física quando tentam cortar o vício do que viciados em drogas.

Mas quando é exatamente que um entusiasmo saudável se transforma em um vício?

Comportamento excessivo por si só não significa que alguém seja viciado.

Eu consigo pensar em muitas pessoas que se envolvem em atividades excessivas, mas eu não as classificaria como viciadas, já que elas parecem não sofrer qualquer efeito negativo ao apresentar tal comportamento.

Em essência, a diferença fundamental entre o excesso de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam vida às atividades desprovidas dela.

Para qualquer comportamento ser definido como viciante, é preciso que existam consequências específicas como se tornar a atividade mais importante na vida de uma pessoa ou ser o meio pelo qual o humor dela pode melhorar.

Eles podem também começar a precisar fazer mais e mais da atividade ao longo do tempo para sentir seus efeitos e sentir sintomas físicos e psicológicos de abstinência se eles não conseguem fazê-lo.

Isso pode levar a conflitos com o trabalho e com responsabilidades pessoais e muitos podem até viver recaídas se tentam largar o vício.

A maneira pela qual os vícios se desenvolvem – sejam eles químicos ou comportamentais – é complexa.

Vícios ‘ocultos’

O comportamento viciante se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição biológica e genética de uma pessoa, o ambiente social em que elas cresceram e sua constituição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências e crenças e a própria atividade.

Muitos vícios comportamentais são vícios ”ocultos”. Diferentemente do alcoolismo, o viciado em trabalho não apresenta a fala embolada ou sai tropeçando.

Mas, no entanto, o vício comportamental é um tema relativo a saúde que precisa ser levado a sério por todos os profissionais das áreas médicas ou de saúde.

Se o principal objetivo dos profissionais da área médica é garantir a saúde de seus pacientes, então ter consciência sobre o vício comportamental e os temas que o cercam deveriam ser tão importantes quanto o conhecimento básico e o treinamento.

Diversos vícios comportamentais podem ser tão graves quanto vícios em drogas.”

Covid-19: Além dos pulmões, o coronavírus pode atacar os rins, fígado, coração cérebro e intestinos

 

Do Rio de Janeiro a Nova York, médicos observam a emergência de um novo padrão da Covid-19, à medida que ela se espalha pelo mundo e mais casos severos aparecem. Ele ataca não apenas os pulmões, mas também os rins, o fígado, o coração, o cérebro e os intestinos.

A Covid-19 pode atacar quase qualquer parte do corpo humano com consequências devastadoras, disse à revista Science, uma das bíblias da pesquisa mundial, o cardiologista Harlan Krumholz, da Universidade de Yale, e que lidera estudos nos Estados Unidos sobre os casos graves de Covid-19. “Sua ferocidade é arrasadora e tem nos deixado de joelhos”, afirmou Krumholz.

A maioria dos pacientes graves tem sido acometida por microtrombos. Na circulação pulmonar, esses microtrombos não deixam o sangue chegar aos pulmões para remover o CO2 e levar oxigênio aos órgãos. Uma pesquisa publicada semana passada na revista Thrombosis Research mostrou que 38% de 184 pacientes de Covid-19 numa UTI holandesa tinham sangue coagulado de forma anormal.

Os coágulos sanguíneos bloqueiam a circulação nos pulmões e em outros órgãos. Em consequência, a pessoa pode sofrer embolia pulmonar. Se o rompimento for no cérebro, a vítima sofre um AVC, disse na Thrombosis Research Behnood Bikdeli, da Universidade de Columbia. Bikdeli está convencido que os microtrombos estão associados à gravidade e à letalidade do coronavírus.

Os pulmões costumam ser atacados primeiro. Neles, o coronavírus mata as células dos alvéolos e faz com que eles se rompam. O pulmão fica inflamado, e a circulação dos vasos do sistema respiratório é afetada, o que por si só pode matar.

Mas os rins também são severamente atingidos, e entre 40% e 60% dos pacientes internados em UTIs precisam de diálise. Os microtrombos afetam tão intensamente a circulação que seus efeitos são visíveis em necroses nas mãos e nos pés de alguns pacientes. A tendência crescente de casos de hipercoagulação, que leva aos microtrombos, tem transformado casos leves em críticos.

— Temos visto, por exemplo, muitos pacientes com microtrombos, dentro e fora dos pulmões, e com necrose nos dedos. A Covid-19 é uma doença extremamente grave e complexa — afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz e colunista do GLOBO, um dos expoentes do combate da Covid-19 no Brasil.

‘Ponta do iceberg’

Atrofia do baço, necrose dos gânglios linfáticos (onde são produzidas células de defesa), hemorragia dos rins, anomalias no fígado e degeneração de neurônios no cérebro foram observados em alguns pacientes, segundo a Science. E um terço dos pacientes hospitalizados nos EUA desenvolveram conjuntivite, mas não se sabe se o coronavírus ataca diretamente os olhos, como faz o ebola.

O respirador tão em falta no mundo é só a ponta do iceberg das necessidades e do sofrimento do corpo atacado pela Covid-19. Os rins bombardeados pelo coronavírus precisam de diálise e muitos necessitam do ECMO (abreviação de oxigenação extracorpórea por membrana), um equipamento que evita a intoxicação pelo CO2 acumulado devido à má oxigenação causada pela doença.

Há casos misteriosos de pessoas com níveis extremamente baixos de oxigênio, potencialmente letais, e que não demonstram sofrer de falta de ar. Uma hipótese é que o cérebro atacado não sinaliza ao corpo que ele precisa de ar. O ataque do vírus não apenas ao sistema respiratório, mas também ao sistema nervoso, é a hipótese mais provável para a perda de olfato e paladar, sintomas comuns na Covid-19.

A ciência ainda não desvendou como o coronavírus pode atacar o cérebro. Mas chamou atenção o caso de uma funcionária de uma companhia área nos EUA de 58 anos, sem comorbidades. Com diagnóstico de Covid-19, ela desenvolveu encefalopatia aguda necrotizante, uma doença rara e gravíssima.

Ela teve sintomas como desorientação e perda de memória em apenas três dias. O caso foi descrito na revista médica Radiology. A mulher sobreviveu, mas não se sabe se terá sequelas.

Vírus pode atacar órgãos

Inicialmente se pensava que os casos mais graves eram causados não pelo ataque direto do vírus propriamente dito, mas à resposta exagerada do sistema imunológico. Essa reação descontrolada, chamada tempestade imunológica, causa uma inflamação generalizada.

Mas agora, segundo estudos publicados nas revistas Science, Lancet e New England Journal of Medicine, cientistas suspeitam que, embora ocorra também a tempestade imunológica, o ataque direto do vírus pode destruir órgãos e matar.

Se estima que 20% das pessoas com coronavírus adoecem com maior gravidade. Destas, 5% vão precisar de UTI. Nas que evoluem para casos mais graves, os sintomas começam a se tornar mais severos entre o oitavo e o 12º dia. Quase sempre, a pessoa começa a ter dificuldade para respirar, entra em fadiga respiratória. Esta pode ser tão intensa, que é preciso colocar o paciente de barriga para baixo na UTI (posição pronada).

A síndrome de angústia respiratória aguda (Sara) atinge os pacientes com Covid 19 grave, mas ela, como o respirador, é apenas uma parte da doença, afirma o médico intensivista Felipe Saddy, chefe da UTI Ventilatória do Copa D’Or, que também atende pacientes com coronavírus no Procardíaco.

— Os pacientes são acometidos pela formação de trombos com enorme intensidade, entre 40% a 60% deles sofrem insuficiência renal e precisam de diálise. Além disso, alguns pacientes começam a reter gás carbônico e entram em colapso respiratório. Eles podem morrer intoxicados por gás carbônico e precisam do ECMO — diz Saddy, que trata de dois pacientes nesta situação, um de 42 anos e outro de 61 anos.

Ele destaca que mesmo no pulmão, a doença apresenta diversas formas de acometimento:

— A Covid-19 é heterogênea no pulmão. O que é bom para um paciente não é bom para outro, nenhum se comporta da mesma forma. Não existe receita única para tratar pacientes com Covid 19. O tratamento tem que ser individualizado e isso é um desafio imenso numa doença que causa adoecimento em massa — diz ele.

Comunidades podem viver ‘massacre’

Saddy salienta que fatores como a genética da pessoa, e comorbidades, como diabetes e hipertensão, importam. Mas há pacientes em estado grave que não são idosos ou têm comorbidades. É o caso do paciente homem de 42 anos, apenas ligeiramente acima do peso.

Também é o caso de uma paciente de 33 anos em estado crítico e tratada pelo imunologista Marcelo Velho. Por dez dias ela apresentou Covid-19 sem maior gravidade, mas seu estado piorou a partir do décimo dia após o surgimento dos sintomas. Ela desenvolveu pneumonia grave, teve que ser submetida à diálise devido à insuficiência renal e está com sepsis (inflamação generalizada). Com quase 20 dias de doença, ela permanece grave.

Saddy está pessimista sobre as chances de tratar os casos graves à medida que o coronavírus se espalha e atinge comunidades de baixa renda:

— Não tenho a menor dúvida de quando bater nas comunidades vai ser um massacre. A Covid 19 nos desafia a toda hora — frisa.

A força do ataque do coronavírus

O coronavírus pode atacar muitos outros órgãos além dos pulmões e médicos e cientistas alertam que estamos apenas no início da compreensão sobre os danos da Covid-19.

Pulmões

O Sars-CoV-2 invade as células dos alvéolos e começa a se replicar nelas. Células de defesa então tentam matar o vírus, mas acabam por causar inflamação. Atingidos por inflamação e pelo vírus, os alvéolos se rompem e a oxigenação do corpo é afetada. O paciente tosse, tem febre e dificuldade para respirar.

Fígado

Mais da metade dos pacientes hospitalizados apresentam sinais de danos ao fígado. As lesões poderiam ser causadas pelo sistema imunológico ou pelas drogas usadas no tratamento.

Rins

Lesões nos rins têm se tornado comuns nos casos graves e aumentam o risco de morte. O vírus já foi encontrado nos rins. Os danos podem ser causados tanto por ataque direto, como por inflamação ou ainda pelos microtrombos.

Intestinos

Há evidência de que o coronavírus penetra nas células do trato intestinal. Isso explicaria a diarreia observada em 20% dos pacientes.

Cérebro

Casos de derrames, convulsões, inflamação cerebral e confusão mental já foram observados em pacientes com Covid-19. Os médicos ainda não sabem se são causados pela ação direta do coronavírus ou pela inflamação associada a ele.

Olhos

Conjuntivite acomete com regularidade pacientes em estado grave.

Nariz

A perda de olfato tem sido frequente em pessoas com Covid-19. É possível que a multiplicação do vírus nas terminações nervosas do nariz cause o problema.

Coração e vasos sanguíneos

O coronavírus entra nas células se ligando a uma estrutura na superfície delas chamada receptor de ACE2.

A infecção pode levar a coágulos sanguíneos, inflamação no coração e foi associada a ataques cardíacos.

COVID-19: Deitar de barriga pra baixo, pode salvar vidas dos pacientes com coronavírus

O título da matéria não é FAKE NEW. Veja baixo mais detalhes sobre:

Paciente deita de bruços( barriga para baixo)

Na sexta-feira, o Dr. Mangala Narasimhan recebeu uma ligação urgente. Um homem de 40 anos com Covid-19 estava em uma situação terrível e seu colega queria que ela fosse para a unidade de terapia intensiva do Hospital Judaico de Long Island para ver se ele precisava de suporte de vida.

Antes de eu chegar lá, Narasimhan disse ao outro médico, tente virar o paciente de bruços e veja se isso ajuda.

Narasimhan não precisou ir à UTI. O flip funcionou.

Os médicos estão descobrindo que colocar os pacientes com coronavírus mais doentes no estômago – chamado posicionamento prono – ajuda a aumentar a quantidade de oxigênio que chega aos pulmões.

“Estamos salvando vidas com isso, cem por cento”, disse Narasimhan, diretor regional de cuidados intensivos da Northwell Health, que possui 23 hospitais em Nova York. “É uma coisa tão simples de fazer, e vimos uma melhoria notável. Podemos ver isso para cada paciente”.

“Quando você vê que funciona, você quer fazê-lo mais e quase imediatamente”, acrescentou a Dra. Kathryn Hibbert, diretora da UTI médica do Hospital Geral de Massachusetts.

Estamos abrindo partes do pulmão

Pacientes com coronavírus geralmente morrem de SDRA ou síndrome do desconforto respiratório agudo. A mesma síndrome também mata pacientes com influenza, pneumonia e outras doenças.

Há sete anos, médicos franceses publicaram um artigo no New England Journal of Medicine mostrando que pacientes com SDRA que usavam ventiladores tinham menor chance de morrer se fossem colocados de bruços no hospital.

Desde então, em graus variados, médicos nos Estados Unidos colocam pacientes com SDRA ventilados em seus estômagos.

Agora eles dobraram isso com pacientes com coronavírus e está valendo a pena. Quando o paciente de Long Island Jewish foi colocado de bruços, sua taxa de saturação de oxigênio, uma medida de oxigênio no sangue, passou de 85% para 98%, um grande salto.

Os pacientes ventilados geralmente ficam de barriga para baixo por cerca de 16 horas por dia, ficando de costas pelo resto do tempo, para que os médicos tenham melhor acesso à parte frontal e possam dar-lhes mais facilmente os tratamentos de que precisam.

Por que virar de bruços? A ciência responde!

Especialistas em cuidados críticos dizem que estar de barriga para baixo parece ajudar porque permite que o oxigênio chegue mais facilmente aos pulmões. Enquanto nas costas, o peso do corpo efetivamente esmaga algumas seções dos pulmões.

“Ao colocá-los de bruços, estamos abrindo partes do pulmão que não estavam abertas antes”, disse Hibbert.

Escolhendo bruços ou costas

Existe uma desvantagem em colocar pacientes com coronavírus ventilados em seus estômagos.

Pacientes ventilados requerem mais sedação quando estão de estômago, o que pode significar uma permanência mais longa na UTI. Na Mass General, cerca de um terço dos pacientes com coronavírus sob ventilação são colocados de bruços, geralmente os que estão mais doentes e têm mais a ganhar por estar nessa posição.

Alguns hospitais também estão colocando pacientes com coronavírus que não estão na unidade de terapia intensiva de estômago.

Na Mass General, uma “equipe de pronação” de enfermeiras visita pacientes fora da UTI para incentivá-los a revirar o estômago. Como pode ser desconfortável para um paciente não sedado passar 16 horas de estômago, as enfermeiras tentam fazê-lo passar pelo menos quatro horas de estômago, dividido em duas sessões.

“A maioria está disposta a tentar”, disse Hibbert. “Quanto tempo eles permanecem nessa posição realmente varia de pessoa para pessoa, se estão confortáveis ??em adormecer nessa posição ou se ficam entediados e querem se virar de costas.”

O estudo francês de 2013 analisou apenas pacientes que usavam ventiladores, portanto, não está totalmente claro o que afeta a posição do estômago em pacientes que não estão tão gravemente doentes.

No Rush University Medical Center, eles estão estudando se a posição do estômago é útil para pacientes que não estão tão doentes que precisam de um ventilador para respirar por eles, mas doentes o suficiente para que precisem de oxigênio suplementar fornecido através de um tubo no nariz.

Em seus ensaios clínicos , os pacientes estão sendo designados aleatoriamente para ficar de bruços ou costas, de acordo com David Vines, presidente do departamento de ciências cardiopulmonares de Rush.

Coronavírus: 6 mitos e conselhos falsos que você deve ignorar sobre a covid-19

O alho pode ser bom para a saúde geral, mas não bloqueia o coronavírus

Casos de contágio pelo novo coronavírus aparecem em cada vez mais países e não há cura conhecida para combater a doença causada por ele, a covid-19.

Em meio à preocupação de contágio, surgem nas redes sociais diversas dicas de saúde, variando de algumas inúteis a relativamente inofensivas até outras muito perigosas.

1. Alho
Muitas publicações que recomendam comer alho para prevenir infecções, inclusive de coronavírus, são compartilhadas no Facebook.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, embora seja “um alimento saudável que possa ter algumas propriedades antimicrobianas”, não há provas de que comer alho possa proteger as pessoas do novo coronavírus.

Em muitos casos, esses tipos de remédios não são prejudiciais em si, desde que sejam tomados após recomendações médicas baseadas em evidências científicas. Mas os abusos podem ter consequências complexas.

O jornal South China Morning Post publicou a história de uma mulher que teve de receber tratamento hospitalar porque a garganta dela ficou inflamada depois de consumir 1,5 kg de alho cru.

Sabe-se que, em geral, comer frutas e verduras e beber água é bom para se manter saudável. No entanto, não há evidências de que alimentos específicos ajudem a combater esse vírus especificamente.

2. ‘Minerais milagrosos’
O youtuber Jordan Sather, que tem milhares de seguidores em diferentes plataformas, disse que um “suplemento mineral milagroso”, chamado MMS, pode “eliminar” o coronavírus.

Ele contém dióxido de cloro, um alvejante.

Sather e outros promoveram a substância mesmo antes do surto de coronavírus, e em janeiro tuitaram que “o dióxido de cloro (também conhecido como MMS) não é apenas é um matador eficaz de células cancerígenas, mas também pode eliminar o coronavírus”.

No ano passado, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA alertou sobre os perigos para a saúde de beber MMS. As autoridades de saúde de outros países também emitiram alertas a esse respeito.

A FDA diz que “não tem conhecimento de nenhuma pesquisa que mostre que esses produtos são seguros ou eficazes para tratar qualquer doença”.

E adverte que beber o produto pode causar náusea, vômito, diarreia e sintomas graves de desidratação.

3. Desinfetante caseiro para as mãos
Órgãos de imprensa de diversos países noticiaram uma escassez de gel desinfetante para as mãos. Lavar as mãos é uma maneira importante de evitar a propagação do vírus.

À medida que eram publicadas informações sobre a escassez do álcool gel na Itália, também se multiplicavam receitas caseiras nas redes sociais.

Mas essas receitas eram para criar um desinfetante para limpeza de superfícies que, como os cientistas apontaram, não é adequado para uso na pele.

Os géis para as mãos à base de álcool geralmente também contêm emolientes ou hidratantes, que os tornam mais suaves para a pele, além de possuírem um teor de álcool de 60% a 70%.

A professora Sally Bloomfield, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, diz que não acredita que esse possa ser um produto eficaz para desinfetar as mãos e ainda menos se for feito com vodca (como indicam alguns vídeos, que contém apenas 40% de álcool).

Para limpeza de superfícies, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, por sua sigla em inglês) dos EUA dizem que os desinfetantes domésticos mais comuns são eficazes.

4. Prata coloidal
O uso da prata coloidal para combater o coronavírus surgiu no programa do evangelista americano Jim Bakker, ex-ministro das Assembleias de Deus.

A prata coloidal é composta de pequenas partículas metálicas suspensas em líquido.

Um convidado do programa disse que o líquido mata algumas cepas de coronavírus em 12 horas (embora ele tenha admitido que isso ainda não havia sido testado).

A ideia de que poderia ser um tratamento eficaz contra o coronavírus foi amplamente compartilhada no Facebook, principalmente por grupos que tentam desacreditar a medicina e a ciência.

Publicação no Facebook sobre poder da prata coloidal no combate ao coronavírus

Os defensores da prata coloidal afirmam que ela pode tratar todos os tipos de condições, agir como antisséptico e ajudar o sistema imunológico.

Mas as autoridades de saúde dos Estados Unidos dizem que não há evidências de que esse tipo de prata seja eficaz na cura de doenças.

Mais importante ainda, ela pode causar efeitos colaterais graves, como danos nos rins, convulsões e argiria, uma doença que faz com que a pele fique azul.

Alguns dos que promovem a substância nas redes sociais descobriram que suas postagens agora geram um aviso do serviço de verificação de dados do Facebook.

5. Beber água a cada 15 minutos
Uma publicação, copiada e colada por várias contas do Facebook, cita um “médico japonês” que recomenda beber água a cada 15 minutos para eliminar qualquer vírus que possa ter entrado na boca.

Uma versão em árabe foi compartilhada mais de 250 mil vezes.

A professora Bloomfield diz que não há evidências de que isso tenha qualquer resultado.

Segundo ela, os vírus transmitidos pelo ar entram no corpo através do trato respiratório quando inalados. Alguns deles conseguem entrar pela boca, mas beber água constantemente não fará com que você não pegue o vírus.

No entanto, beber água e manter-se hidratado geralmente é um bom conselho médico.

6. Calor e evitar sorvete
Algumas dicas nas redes sociais sugerem que o calor mata o vírus e recomendam beber água quente, tomar banhos quentes ou usar secadores de cabelo.

Uma publicação, copiada e colada por dezenas de usuários em redes sociais de diferentes países, e atribuída falsamente a ONU, afirma que o consumo de água quente e a exposição à luz solar matam o vírus e afirma que o sorvete deve ser evitado.

Charlotte Gornitzka, da ONU, diz: “É uma mensagem falsa que surgiu na internet… que afirma ser um comunicado do Unicef e parece indicar evitar sorvete e outros alimentos frios pode ajudar a prevenir o aparecimento da doença. Isso, é claro, é totalmente falso.”

“Sabemos que o vírus da gripe não sobrevive muito tempo fora do corpo durante o verão, mas ainda não sabemos como o calor afeta o novo coronavírus.”

“Aquecer o corpo para eliminar o vírus é completamente ineficaz”, de acordo com a professora Bloomfield.

Quando o vírus entra no organismo, não há como matá-lo: seu corpo apenas precisa combatê-lo.

Fora do corpo, “são necessárias temperaturas de cerca de 60 graus Celsius para matar o vírus”, diz a professora Bloomfield.

Lavar roupas de cama ou toalhas a 60 graus é uma boa ideia, pois isso pode matar qualquer vírus no tecido. Mas não é uma boa opção para lavar a pele.

Tomar um banho quente ou beber líquidos quentes não altera a temperatura real do corpo, que permanece estável, a menos que você já esteja doente.

Pesquisa adicional da BBC Monitoring

Meditação: Meditar pode rejuvenescer o cérebro de 50 anos para 25, segundo estudo

A neurocientista Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts e da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, começou a praticar meditação depois de sofrer lesões correndo na Maratona de Boston. “Eu pensava que estava meditando apenas para me alongar. Mas comecei a perceber que estava mais calma. Era mais capaz de lidar com situações difíceis”.

Ao estudar literatura científica sobre meditação, ela encontrou evidências que mostram que o exercício diminui o estresse, a depressão e a ansiedade, reduz a dor e a insônia e aumenta a qualidade de vida. Depois de começar sua própria pesquisa, Sara analisou pessoas que praticam a meditação por sete a nove anos.

Os resultados do estudo conduzido por ela mostraram que aqueles com forte formação em meditação aumentaram a massa cinzenta em várias áreas do cérebro, incluindo o córtex auditivo e sensorial. De acordo com a neurocientista, a meditação Mindfulness, da atenção plena, faz com que o indivíduo diminua a velocidade e tome consciência do momento presente, incluindo as sensações físicas, como as respiração e os sons ao redor.

Os cientistas também descobriram que as pessoas praticantes da meditação tinham mais massa cinzenta em outra região do cérebro, ligada à tomada de decisão e à memória, no córtex frontal. Ou seja, enquanto na maioria das pessoas essa área do cérebro encolhe à medida que a idade avança, nos indivíduos com idade de 50 anos que meditavam a massa cinzenta se mantinha na mesma quantidade da registrada em pessoas com 25.

Um segundo estudo colocou pessoas sem experiência para meditar em um programa de oito semanas. Como resultado, as oito semanas de meditação mudaram o cérebro desses indivíduos para melhor, desenvolvendo partes associadas ao aprendizado, memória, empatia e capacidade de assumir múltiplas perspectivas.

Quanto tempo você tem de meditar para ver esses resultados? Os participantes do estudo foram instruídos a meditar 40 minutos por dia. Mas outras pesquisas sugerem mudanças positivas e significativas na saúde em apenas 15 a 20 minutos de meditação por dia.