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    Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, 6 milhões de pessoas no mundo morrem por ano devido ao cigarro. E um novo estudo do Intuito Nacional do Câncer desse país mostrou que mesmo quem fuma uma vez por dia (ou até menos) já se expõe a problemas graves que culminam em morte prematura.

    Participaram da pesquisa 290 mil adultos, que responderam, entre os anos de 2004 e 2005, questionários sobre seu convívio com o tabaco. Eles então foram acompanhados por uma média de seis anos e meio — durante esse período, 37 331 voluntários morreram. Ao cruzar todos as informações, os cientistas calcularam que indivíduos que fumaram até um cigarro por dia ao longo do tempo apresentavam um risco 64% maior de morrer, quando comparados a não fumantes.

    A maior probabilidade de falecer antes da hora subia para 87% se o indivíduo fumasse de um a dez cigarros por dia. E nesses dois grupos o risco de desenvolver câncer de pulmão era de seis a 12 vezes maior. Já a possibilidade de sofrer com doenças respiratórias subia seis vezes. Não é, nem de perto, pouca coisa.

    Mas nem tudo está perdido. Ao avaliar apenas os ex-fumantes, notou-se que a taxa de mortalidade foi menor entre os que costumavam tragar menos cigarros ao longo da vida. E o mais bacana: quanto mais cedo paravam com o vício, maior era a chance de viver mais.

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    Paraíso é, na concepção da maioria dos brasileiros, um lugar em que a gente pode descansar com vista para o mar e à base de sombra e água (de coco, por favor!) fresca. Mas digamos que o coqueiro, apelidado pelos antigos justamente de “árvore do paraíso”, dá motivos aos cachos para o homem trabalhar e se sustentar. Porque esse coqueiro que dá coco, como ensina o mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) na sua História da Alimentação no Brasil, “…fornece iluminação, casa, alimento, traje, vasilhagem, embarcação”.

    E, entre tantos proveitos desde que a planta veio parar e prosperar no nosso litoral lá no século 16, o que mais ganha destaque nos últimos anos é a oportunidade de se nutrir e arrecadar saúde com os derivados do fruto. A começar pela sua água, que, de duas décadas pra cá, não precisa ser degustada só numa tarde em Itapuã ou em outras praias – hoje ela está na mão devidamente embalada no supermercado, pronta pra hidratar até em um dia de expediente.

    O Brasil está com sede de coco. Segundo dados da indústria, batemos desde 2012 a cifra de mais de 100 milhões de litros da água consumidos por ano. Em 2004, eram 22 milhões. “Nunca ingerimos tanto do produto em caixinha. Comparando 2013 com 2015, o volume da categoria foi 40% maior”, conta Jamerson Ferreira Alves, executivo da Nielsen, empresa de pesquisa de mercado.

    De acordo com a consultoria Euromonitor, entre as dez principais nações consumidoras de sucos e bebidas 100% fruta (onde se encaixa a água de coco), o Brasil apresentou o maior crescimento acumulado entre 2010 e 2015 – 77,5%, e considerando, ainda, que o derivado do coqueiro ocupa por aqui parcela cada vez mais expressiva nesse segmento. O produto é um dos poucos a ter driblado a crise econômica brasileira.

    O apelo saudável é um dos motores dessa onda, que, gradualmente, rouba espaço de refrigerantes e néctares industrializados. E esse apelo tem fundamento. “É o melhor produto do coco do ponto de vista nutritivo. Pode ser tomado desde o desmame do bebê até a terceira idade”, diz Isabela Pimentel Mota, diretora científica do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

    A opinião é compartilhada por outros profissionais, que louvam o líquido pela sua capacidade de hidratar e ofertar nutrientes como potássio, útil ao controle da pressão arterial. E saiba que dá pra aproveitar essas virtudes via caixinha, tomando alguns cuidados na hora de escolhê-la – nada que uma espiada no rótulo não dê conta.

    Mas a fome pelos derivados do coco vai além. Quem segue despontando nas vendas é o óleo, que ganhou uma controversa fama de alimento emagrecedor. Ao comparar o primeiro semestre de 2015 com o deste ano, a loja online de produtos naturais Natue registrou um crescimento de 59%. “E estamos falando do óleo in natura, e não das cápsulas”, nota a nutricionista Carolina Arbache, da Natue. A rede Mundo Verde identifica a mesma liderança na procura. Só que o coqueiro multiúso tem rendido outros frutos em ascensão para a indústria. Tem farinha, tem açúcar e, agora, terá até leite pronto para beber – caso de uma bebida da marca Obrigado que chega às prateleiras em outubro concorrendo com outros extratos vegetais.

    Apesar da diversidade nas gôndolas, a água continua a protagonista no mercado do coco por aqui. O Brasil é o maior produtor mundial da bebida, exportada cada vez mais para os Estados Unidos e a Europa. E a demanda interna (e externa) foi um dos fatores que impulsionaram o cultivo nacional nos últimos 25 anos.

    Em 1990, estávamos na décima posição no ranking dos maiores produtores de coco do planeta, com 477 mil toneladas por ano. Hoje, ocupamos o quarto lugar com aproximadamente 2,9 milhões de toneladas anuais. Esse disparo acompanha a popularização da água em caixinha – a primeira do mercado, a Kero Coco, foi lançada em 1995 -, e se deve a novas tecnologias aplicadas à agricultura e à ampliação no uso da variedade do coqueiro anão, mais produtivo por natureza.

    A espécie anã é a que rende os frutos verdes empregados na obtenção da água. Já o coqueiro gigante costuma prover os frutos secos visando aos derivados da polpa, como óleo e farinha. Tem ainda o híbrido, um casamento dos anteriores, que oferece de tudo um pouco. “Quando se fala em crescimento na produção, nos referimos ao coqueiro anão. A do gigante, pelo contrário, tem caído”, esclarece Francisco Porto, presidente do Sindicato Nacional dos Produtores de Coco do Brasil (Sindcoco). Hoje, mais de 75% da colheita corresponde à variedade anã (e híbrida). “Há dez anos, era meio a meio”, informa Porto.

    O enfoque no coco verde também difere o Brasil das nações do sudeste asiático que encabeçam a produção mundial – a líder é a Indonésia. Lá, o mercado ainda está voltado para o fruto seco, cuja polpa ralada é amplamente exportada. “O maior interesse ali é o óleo. Eles usam o de coco como nós utilizamos o de soja”, compara Porto.

    Embora a Ásia impere no volume absoluto – 70% dos coqueirais do mundo estão lá, e os indonésios, sozinhos, fornecem 19 milhões de toneladas por ano -, investimentos e melhorias agrícolas já permitiram ao Brasil assumir o primeiro lugar em produtividade. São 11 toneladas por hectare contra 6 da Indonésia.

    A expansão do coqueiro anão e da chamada agricultura científica e de precisão ajuda a entender também por que o cultivo do coco no Brasil chegou a 1,9 bilhão de frutos por ano e rompeu fronteiras geográficas. Até o início dos anos 1990, ele se restringia efetivamente às regiões Nordeste e Norte.

    Hoje se disseminou a quase todos os estados – as exceções são Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E é curioso observar que, apesar de a Bahia permanecer a campeã em números, com mais de 500 milhões de unidades por ano, Espírito Santo e Rio de Janeiro já apresentam maior produtividade – cada um gera mais de 15 mil frutos por hectare ante 7 mil do território baiano.

    Algumas empresas do setor de água de coco e derivados têm investido nesse sentido para agregar maior rendimento, apoio ao pequeno agricultor (mais de 70% da produção nacional depende deles) e sustentabilidade ambiental. “Além de uma fazenda própria, trabalhamos com 105 produtores de sete estados, sendo que 60% deles atuam em propriedades pequenas. Proporcionamos assistência técnica e ajudamos a transferir o conhecimento adquirido sobre cultivo e colheita a eles”, conta Marcelo Zanetti, gerente de agrobusiness da Kero Coco/Pepsico, líder do segmento de caixinhas no país.

    É em Conde, no litoral da Bahia, que a Obrigado tem instaladas fazenda e fábrica – 97% dos funcionários são da região. No campo, optou pelo sistema arista, em que cada agricultor, munido de carteira de trabalho, é responsável por uma área do coqueiral. “A ideia é empoderá-lo com conhecimento e autonomia”, diz Roberto Lessa, vice-presidente do grupo Aurantiaca, dono da marca.

    A tecnologia fincou raízes no cultivo. Cada pé de coqueiro tem um código de barras que, por meio de um leitor óptico, permite identificar o estado da planta. “É como se fosse um prontuário médico. Com ele, controlamos melhor as pragas e a necessidade de fertilizante e irrigação”, explica Lessa. A fazenda ainda conta com uma estação computadorizada em que se mapeiam progressos e problemas por área.

    Tudo isso injeta ânimo ao coqueiral – 73% da área é destinada ao coco verde anão e 27% ao coco seco híbrido -, o que leva cada planta adulta a render cerca de 230 frutos ao ano. “É o coqueiro com potencial máximo de produção”, diz Lessa. E olha que ele nem precisa crescer tanto pra entrar nesse ritmo – de tempos em tempos, os técnicos se valem inclusive do replante a fim de ter pés mais baixos e que viabilizem melhor a colheita.

    Ok, e depois que se aproveitam a água ou a polpa de tanto coco por esse Brasil afora, aonde vai parar a casca? De acordo com a engenheira agrônoma Maria Urbana Nunes, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, no Sergipe, a maior parte ainda é descartada no ambiente, onde demora até dez anos para se decompor. “Calculamos que apenas 30% das cascas sejam aproveitadas hoje. E falamos de uma matéria-prima de alta qualidade”, afirma.

    Esse resíduo cheio de fibras pode virar adubo, mantas para recompor o solo, estofamento de banco de carro e combustível. As empresas estão de olho nisso. A Kero Coco já reaproveita 100% do material gerado em sua fazenda própria como fertilizante. A Obrigado, que produz biomantas, tem planos de transformar a casca em fonte de energia. Sim, daria pra fazer até etanol com coco.

    Soa estranho, mas, apesar de ter coco pra dar e vender, o Brasil importa polpa ralada e, de uns tempos pra cá, até um pouco de água para ser reconstituída em caixinha. Essa é uma questão polêmica e que vem à tona desde 2012, quando terminou o período de salvaguarda para o cultivo nacional – ele foi imposto justamente para melhorar a concorrência local em relação aos baixos preços da Ásia.

    O presidente do Sindcoco vê a prática com preocupação: “Primeiro temos o aspecto social e econômico, com a falta de estímulo para o produtor brasileiro. Em segundo lugar, devemos levar em conta a baixa qualidade da matéria-prima importada. E, em terceiro, falta fiscalização até em relação a possíveis contaminações”. Enquanto o coco ralado é ingrediente de sorvetes, iogurtes e afins, a água em pó é diluída pra compor caixinhas. “É uma fraude para o consumidor”, critica Porto, que cobra maior atuação do governo.

    A prioridade pelo coco verde anão (e até pelo híbrido) e a importação dos subprodutos da versão seca também refletem em um impacto ambiental, que é o declínio dos coqueiros gigantes, mais apreciados pela polpa, no litoral nordestino. “É preciso incentivo para revitalizar essa cultura com plantios novos, já que ela esbarra em dificuldades como áreas degradadas, déficit hídrico e falta de capacidade de investimento do pequeno agricultor”, analisa o engenheiro agrônomo Humberto Rollemberg Fontes, da Embrapa. Quem sabe a nova febre dos derivados do fruto – que vai além da água – não servirá de estímulo para resgatar esses coqueirais?

    Na indústria, no supermercado, nas lojas de artigos naturais e nos restaurantes, brasileiros estão (re)descobrindo o coco. Uns buscam experiências gastronômicas. Muitos desejam saúde… “As receitas com coco (…) representam, em estética e sabor, o trópico, o litoral, as paisagens que atendem ao imaginário ideal do paraíso”, escreve o antropólogo Raul Lody em Coco: Comida, Cultura e Patrimônio (Ed.Senac). Pois é, talvez tenha só quem queira sentir isso, um gostinho do paraíso.

    A anatomia do coco

    O que a indústria faz com as suas principais partes

    Água

    É a porção mais apreciada no Brasil. Hidrata e fornece minerais bem-vindos como o potássio.

    Polpa

    As empresas preferem a do seco, mais carnuda, para fazer a versão ralada, óleo, leite, farinha…

    Casca

    Não é lixo, não. Já é matéria-prima para adubos, estofados, artigos do lar e até energia.

    Folhas

    A ampla folhagem é bastante usada na elaboração de cestos e artesanatos em geral.

    Flor

    As inflorescências é que dão origem ao açúcar de coco, cujo poder de adoçar é igual ao de cana.

    Os tipos de coqueiro

    As características das três espécies cultivadas no país – a anã protagoniza a produção

    Anão

    Vida útil (anos) – 30 a 40
    Porte da árvore (metros) – 8 a 10
    Produção (frutos/ano) – 150 a 200
    Peso do fruto (gramas) – 900
    Teor de óleo (%) – 25,41
    Produção de água (ml) – 200 a 300

    Híbrido

    Vida útil (anos) – 50 a 60
    Porte da árvore (metros) – 20
    Produção (frutos/ano) – 130 a 150
    Peso do fruto (gramas) – 1 200
    Teor de óleo (%) – 66,01
    Produção de água (ml) – 400 a 550

    Gigante

    Vida útil (anos) – 60 a 80
    Porte da árvore (metros) – 35
    Produção (frutos/ano) – 60 a 80
    Peso do fruto (gramas) – 1 400
    Teor de óleo (%) – 67,02
    Produção de água (ml) – 500 ou mais

    Tabuleiro cultural

    Pitadas do lado histórico, religioso e popular do coco

    Oferenda aos deuses

    Na Índia, um dos berços do coco, ele era (e ainda é) usado em festas e rituais dedicados a deuses como Ganesh e Durga.

    De onde vem o nome dele

    O termo é atribuído a portugueses que, em viagem ao Oriente, teriam achado o fruto parecido com o bicho-papão da época, o “coco”.

    A chegada ao Brasil

    A origem do fruto é o sudeste asiático. Ele teria sido introduzido aqui no século 16 com os portugueses – antes disso, fez escalas na África.

    O encontro com o açúcar

    No Nordeste brasileiro, o coco angariou espaço em meio ao domínio da cultura canavieira. Dessa parceria nasceu uma profusão de doces, caso da cocada.

    Inspiração musical

    A região nordestina é palco do coco de roda, ritmo que se dança batendo mãos e pés – diz-se que a percussão era feita com a casca do fruto.

    Mil usos na cozinha

    O popular leite de coco dá corpo e sabor a sobremesas como o arroz-doce e pratos salgados como a moqueca de peixe.

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  • foto-imagem-dieta-cinto

    No livro O Fim das Dietas, o professor da USP Antonio Herbert Lancha Jr. expõe erros comuns perpetrados por quem busca perder peso. Não cair neles faz parte da sua proposta para se livrar do excesso de gordura e do efeito sanfona. Confira essas grandes ciladas!

    Dieta tem que ser restritiva
    Parece até uma sentença: daqui para a frente você vai abolir o pão, a lasanha, o chocolate, a cerveja… Prepare-se para o mundo das calorias contadas, regado a água, filé de frango e folhas de alface. Claro que isso é uma caricatura, mas tenha em mente que o princípio por trás desse raciocínio norteia a maior parte dos regimes. Evidentemente, emagrecer depende de um acerto no balanço energético — o quanto se gasta e se repõe de calorias —, só que Lancha Jr. mostra por A mais B que dietas superrestritivas ou monótonas não sustentam a perda de peso. Além disso, defende que momentos de indulgência — as ilhas na travessia do emagrecimento — podem ser muito úteis. Acabar com o prazer oferecido por um tablete de chocolate ou por um chope no final de semana não raro é o que dá margem para o plano inteiro ruir.

    É preciso banir o carboidrato
    Nos últimos anos, o nutriente das massas e companhia levou muita pedrada das dietas da moda (inclusive a glúten-free). A ele atribuem a culpa pela engorda da civilização ocidental. Lancha Jr. não banca o advogado, mas explica por que a restrição extrema do ingrediente é uma furada que muitas vezes sabota a manutenção do peso perdido. Por ser fonte de energia mais imediata, o carboidrato é caro ao organismo — tanto que entre 50 e 70% das calorias da dieta deveriam vir dele. Quando se corta o nutriente, o sujeito até perde peso, só que manda embora líquido e massa magra. Para complicar, sem carboidrato o organismo perde eficiência em quebrar e se livrar da gordura acumulada. Aí não funciona. O autor postula que não temos de proibir um ou outro nutriente. Tudo cabe no prato se houver consciência e moderação.

    Tecnologia sempre ajuda
    O professor não propõe um regresso aos tempos dos nossos avós, quando nem se sonhava com internet no celular. No entanto, faz questão de ressaltar que a bem-vinda tecnologia pode estorvar a perda e a manutenção do peso. Talvez você argumente que hoje existe até aplicativo para ajudar a se exercitar ou controlar a ingestão calórica. E eles são aliados, sim. A questão é que a dependência das telinhas e telonas tira a atenção e o foco de questões cruciais ao emagrecimento. Lancha Jr. se refere aqui a algumas cenas clássicas dos dias de hoje: o indivíduo que almoça de olho no celular e nem contempla o que leva à boca, o amigo que vai para a cama com o telefone… O mundo digital facilita muito a vida, mas, sem se desligar um pouco dele, ninguém adere de verdade aos bons hábitos que resultam na perda de peso.

    Metas devem ser ousada
    Nem projeto verão, nem “perderei 30 quilos em dois meses”. Anos de pesquisas acadêmicas e experiências de consultório levaram o expert a preconizar um esquema consolidado de metas. Elas têm de ser específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes no dia a dia e baseadas em um tempo definido. Em uma palavra, têm de ser realistas. No livro, Lancha Jr. ajuda a estruturá-las sem deixar de lembrar que elas podem e devem mudar quando o contexto também muda. Ou seja, o que valia para os tempos de solteiro não necessariamente vale para os tempos de casado. Traçar essa agenda é essencial para perder peso de maneira sustentada. E é preciso ter flexibilidade para fazer ajustes de olho em novos objetivos. O livro é taxativo: dietas prontas têm começo, meio e fim. Uma rotina balanceada, não.

    Dá para pular os exercícios
    Lancha Jr. revela que se cansou de ouvir a pergunta “é possível emagrecer sem se exercitar?”. Como ele conta no livro, existe gente que consegue se safar dos quilos extras só com mudanças no cardápio. O duro é manter-se magro e ganhar saúde quando a atividade física não faz parte do cotidiano. O corpo humano foi feito para se movimentar. Quando o sedentarismo impera, nosso módulo “poupar energia” é ativado com tudo, cenário perfeito para a gordura se acumular, de preferência na barriga. Ao adotar um esquema regular de exercícios — que nem precisa ser feito em uma academia, diga-se —, o organismo pisa no acelerador do gasto calórico, inclusive no repouso do pós-treino. Aos poucos e com planejamento, a gente pega gosto pela coisa e define novos limites, inclusive para espantar o efeito platô.

    Pode confiar na balança
    Na última parte de O Fim das Dietas, o autor foca nas melhores formas de monitorar o emagrecimento, as conquistas e as derrapadas. E, nesse sentido, trate de aposentar a balança. Ela até pode acusar vitórias (ou pequenas derrotas), mas não é o método mais respaldado para medir o progresso. A começar pelo fato de não distinguir a massa gorda da magra — é a mesma falha, aliás, do cálculo do índice de massa corporal, o IMC. Sem contar que flutuações de peso normais após um fim de semana, por exemplo, podem gerar angústia a ponto de balançar a continuidade do plano de ação. De olho nisso, Lancha Jr. prefere recorrer ao número da roupa ou à fita métrica. Eles marcam a evolução de maneira mais fidedigna. Só não vale, é óbvio, transformar as medidas numa bitolação contraproducente.

    Experimentar o fim das dietas não engorda

    Separamos cinco trechos do livro para você degustar a proposta de Lancha Jr. E começar a encarar i processo de emagrecimento de um jeito diferente

    Não acredito em dietas
    “Eu não acredito em dietas, pelo menos não na forma como a gente as conhece hoje. E não estou falando apenas de regimes malucos, que defendem o consumo de um único tipo de alimento ou proíbem a ingestão de determinado nutriente sob pretextos que simplesmente não batem com as evidências científicas. Sim, essas fórmulas mágicas são especialmente perigosas, inclusive para a missão de emagrecer e manter-se magro, como verá mais adiante. Mas isso não quer dizer que ter em mãos a dieta mais balanceada do mundo do ponto de vista nutricional e um programa de exercícios intensos vai fazer você conquistar a forma física que deseja. Aliás, provavelmente não vai. Faço questão de trazer um pouco da minha trajetória e experiência profissional para explicar os porquês.”

    Pare de culpar a genética
    “Pare de culpar a genética (ou o universo). Uma das piores consequências de enfiar a saúde goela abaixo da população, isto é, de impor um padrão considerado ideal a todo mundo, é a de que cada um de nós passa a atribuir a responsabilidade pelo próprio bem-estar ao médico, ao hospital, à família, ao governo… menos a si mesmo. Seguindo esse raciocínio, é normal uma pessoa achar que está gordinha porque três letras — o D, o N e o A, ou seja, o DNA — não a deixam emagrecer e ponto final. No entanto, a epidemia de obesidade, que vem se espalhando pelo mundo independentemente de cor, raça, credo ou classe social, não permite atribuir os quilos a mais da humanidade apenas a fatores genéticos individuais. Pelo menos não na vasta maioria dos casos.”

    Apreensão dispara fome
    “É comum confundir fome com ansiedade. Até porque ambas são interpretadas de um jeito parecido na cabeça. Existe uma região no cérebro chamada hipotálamo, onde ocorre o controle da ingestão de alimentos. Lá, certas substâncias abrem o apetite, enquanto outras promovem a saciedade. Acontece que essa área da massa cinzenta integra o sistema límbico, responsável por armazenar experiências atreladas ao prazer e por processar as nossas emoções. Em outras palavras, um estado de apreensão dispara mensagens nesse centro cerebral que, até pela proximidade, podem ser percebidas como fome no hipotálamo. Está aí uma das razões pelas quais a ansiedade é um gatilho para a alimentação compulsiva. Se, diante disso, não optamos por fazer uma intervenção, é natural que a barriga cresça.”

    Livre-se da culpa
    “Julgar um comportamento qualquer é tão perigoso que tem quem esvazie travessas enormes ‘porque há pessoas morrendo de fome’. Parte desse raciocínio é uma herança dos imigrantes que, durante as guerras do passado, conviveram com a escassez de alimentos e, assim, não toleravam o desperdício dentro de casa. O mau aproveitamento da comida merece ser atacado nas mais diversas instâncias. Mas não é estufando o próprio estômago que alguém vai solucionar a fome mundial (ou nem sequer nutrir uma pessoa além dela mesma). Se deseja combater a miséria, trace metas factíveis e coloque os planos em ação. Quanto ao seu prato, se não dá para reduzir a porção, guarde o excesso para depois ou o ofereça a um terceiro, se for possível. Acima de tudo, livre-se da culpa que prejudica sua busca por qualidade de vida.”

    Não existem atalhos
    “Ninguém engorda 2 quilos em um fim de semana. Ganhar 2 quilos de gordura significa acumular 18 mil calorias além do que você gasta. Vou dar um exemplo: 18 mil calorias equivalem a 3 quilos de chocolate. Por mais que eu adore essa guloseima, é um desafio comer tanto assim em tão pouco tempo. E considere que você acrescentaria esses 3 quilos às refeições que faz normalmente. Na contramão, ninguém emagrece 2 quilos em um fim de semana. Para ter ideia, um homem com 90 quilos gasta 900 calorias a cada 10 quilômetros percorridos. Isso quer dizer que ele teria de cumprir essa tarefa 20 vezes para atingir a meta até o domingo! Grandes ganhos ou perdas de peso no curto prazo vêm eminentemente de acúmulo ou eliminação de massa magra. O emagrecimento verdadeiro é lento. Não existem atalhos.”

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    Estão chegando ao mercado dois produtos turbinados com proteína, nutriente conhecido por fortalecer os músculos. A marca Itambé acaba de lançar um leite (nas versões semi e desnatada) que apresenta o dobro da substância em relação aos similares. Já a Maxxi Ovos investe em uma linha com três sucos integrais, todos enriquecidos com albumina, a famosa proteína do ovo.

    A nutricionista Cynthia Antonaccio, da Equilibrium Consultoria, na capital paulista, vê as novidades com bons olhos. “É uma tendência mundial”, diz. Segundo ela, a proteína não deve ser encarada como coisa de marombeiro, não. “Esse nutriente favorece a saciedade, o que é interessante em um mundo ansioso por comida como o nosso”, afirma. Portanto, as bebidas proteicas são indicadas para todos — de crianças a idosos — que quiserem fazer lanches intermediários capazes de deixar a barriga cheia por mais tempo.

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    A escova é um dos alvos preferidos de micróbios nocivos à nossa saúde. Isso porque ela fica no banheiro, um ambiente com as condições perfeitas para a proliferação das bactérias — umidade, luz, temperatura e nutrientes são ideais para elas nesse cômodo. Mas dá pra evitar a contaminação. Basta seguir algumas regras básicas, como dar descarga com a tampa fechada e não usar a toalha de rosto para secar as cerdas.

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    Preparos em temperatura acima de 65 °C elevam o risco de tumores de esôfago, alerta a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) com base em novas evidências sobre o tema. Em nosso país, café e chá não são consumidos tão quentes assim. Já o chimarrão… “Pesquisas apontam que no sul ele é tomado a quase 70 °C”, diz Luis Felipe Ribeiro Pinto, vice-diretor do Instituto Nacional de Câncer e representante do Brasil no conselho científico da Iarc.

    E tem um complicador aí: a bomba, como é chamada aquela espécie de canudo, faz o líquido fumegante cair direto no esôfago – como a parte superior do órgão não tem enervação, nem dói. “Só que a queimadura constante pode levar à proliferação celular excessiva”, explica Pinto. Para evitar a doença, ele sugere checar, com ajuda de um termômetro, em quantos minutos a bebida atinge 60 °C. Nas próximas degustações, é só aguardar esse tempo.

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    Em 1973, no auge de seus 100 quilos, o peso-pesado da música popular brasileira Tim Maia resolveu se internar em um spa e entrar em um regime radical. A experiência foi um fracasso: na primeira oportunidade, ele fugiu e correu para a churrascaria. Ao ser questionado por um repórter sobre o ocorrido, o cantor soltou uma frase icônica. “Cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas, perdi 14 dias.” É lógico que Tim precisava emagrecer, assim como 54% da população brasileira que atualmente se encontra acima do peso. Não param de surgir evidências, porém, de que apostar numa dieta pra lá de rigorosa (e, muitas vezes, apoiada em restrições e trocas alimentares malucas) pode ser uma perda de tempo – e de saúde.

    Para entender essa história direito, temos que fazer uma breve viagem ao passado. Há 12 mil anos, nossos ancestrais penavam para obter uma boa refeição. Eles se esforçavam com frequência na caça a um bisão ou a um antílope – e olha que nem todo dia a empreitada era um sucesso. Quando havia fartura de alimentos, nossos antepassados devoravam tudo e estocavam o excedente da comilança em forma de gordura na barriga. Daí, em tempos de escassez, o organismo recorria a essas reservas de energia para se manter. “A seleção natural privilegiou genes que permitiam uma maior chance de sobrevivência naquele ambiente de menor oferta de comida”, diz o endocrinologista Walmir Coutinho, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

    O problema é que o mundo evoluiu e não corremos mais atrás da refeição. Ela já está pronta para consumo, no supermercado ou na praça de alimentação. “Acontece que nós continuamos com a genética do homem das cavernas”, afirma o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. Isso significa que o corpo interpreta qualquer exagero à mesa como pretexto para amontoar energia de olho no período de vacas magras – mesmo que tais momentos nem existam mais.

    O grande atrativo das dietas da moda é a promessa de perda de peso rápido. E muitas delas até permitem eliminar 5 quilos em poucas semanas. Só que aí é que vem a má notícia: “Os estudos mostram que esse peso subtraído é basicamente água e massa muscular”, conta a nutricionista Marle Alvarenga, idealizadora do movimento Nutrição Comportamental. A gordura permanece lá. Se levarmos isso em conta, o indivíduo na verdade “engorda” no regime. Ora, com a diminuição de músculos e líquidos, a proporção de tecido adiposo no corpo é ampliada.

    Mas, ok, vamos ser bonzinhos e considerar que houve um enxugamento nas medidas – e o espelho está aí para provar. O dilema é que, após as primeiras semanas, começa o efeito platô. Em outras palavras, o ponteiro da balança se mantém estático, mesmo que o corte de calorias siga firme. E isso acontece porque o próprio organismo conspira contra as tentativas de chapar a barriga. Lembra o mecanismo de sobrevivência de nossos tataravôs pré-históricos? “Durante uma dieta, há uma maior secreção de grelina, hormônio que dá fome, e uma queda nos hormônios por trás da saciedade”, esclarece o médico Amélio Godoy Matos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Parece que a comida não enche a pança e fica sempre aquela vontade de beliscar algo.

    Nesse sentido, cientistas do Instituto Nacional de Diabete, Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos acompanharam os participantes do reality show The Biggest Loser (“O Grande Perdedor”), competição que dá o prêmio a quem perde mais peso em menos tempo. Eles descobriram que o metabolismo dos participantes fica mais lento que o normal, mesmo seis anos depois do fim do programa de TV. Todos passaram a queimar gordura numa velocidade reduzida e voltaram a engordar. “O corpo entra em modo de economia de energia e poupa tudo o que puder para restabelecer o peso original”, resume o endocrinologista Bruno Geloneze, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    Pois é, o efeito sanfona ainda gera frustração e nervosismo. E esses sentimentos, por si sós, são promotores do ganho (ou da volta) de peso. De acordo com a Associação Americana de Psicologia, 38% dos adultos dizem exagerar nas porções por causa de preocupações e aflições emocionais. “Sob o ponto de vista fisiológico, o estresse altera o ciclo do hormônio cortisol e pode facilitar o ganho de peso, lentificar o metabolismo e modificar a distribuição de gordura pelo corpo”, lista Geloneze. Em última instância, regimes extremos deixam as pessoas tensas, neuróticas e sabotadas pelos próprios hormônios.

    Outro fator que aumenta a ansiedade é o desejo constante pelo corpo de capa de revista – ou de foto de celebridade no Instagram. “Fazemos de tudo para nos enquadrar num padrão magro de beleza, que é visto como símbolo de sucesso em todas as sociedades ocidentais”, analisa o psiquiatra Adriano Segal, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Infelizmente, o abdômen trincado é para poucos: formas esculturais dependem de grandes privações e, principalmente, de uma genética favorável. Aceitar a própria imagem corporal na busca por uma vida saudável é o primeiro passo para não entrar em parafuso.

    Pra piorar, o ambiente em que vivemos também patrocina a obesidade. As comidas mais acessíveis são inúmeras vezes aquelas com muitas calorias e poucos nutrientes. As escadas são trocadas pelos elevadores. O controle remoto e o celular permitem realizar tudo sem sair do sofá. “As modernidades inverteram a lógica da natureza e nos fazem consumir mais calorias do que gastamos ao longo do dia”, diz a endocrinologista Tarissa Petry, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. É nesse mar de contradições que o mercado das dietas nada de braçada: só nos Estados Unidos, a venda de livros, DVDs, métodos de emagrecimento, aplicativos e afins cresce desde os anos 1980 e movimentou 59,8 bilhões de dólares só em 2014.

    A preocupação excessiva com carboidratos, proteínas, gorduras e calorias típica de dietas exigentes é outro ponto de crítica entre os especialistas. “Valorizar tanto os nutrientes faz as pessoas se esquecerem do caráter social e cultural da comida”, reflete Marle. Afinal, a refeição não cumpre só uma necessidade fisiológica. Sentar-se à mesa envolve compartilhar histórias e momentos com os familiares e os amigos, honrar tradições culinárias e testar novos sabores e combinações de ingredientes. Uma dieta muito restritiva isola e impede de aproveitar toda essa riqueza que está por trás de um reles prato. Mais um motivo para essas estratégias naufragarem em médio prazo.

    Tachar alguns produtos como bons ou ruins também é contraproducente. Proibir determinados itens só aumenta o desejo de prová-los, enquanto liberar determinada classe pode levar ao exagero nas quantidades. “Devemos sempre apostar no conhecimento e no consumo responsável”, acredita Antonio Herbert Lancha Junior, professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo e autor do livro O Fim das Dietas. Portanto, dentro de uma vida equilibrada, há espaço até para o chocolate e a batata frita. O segredo está na frequência e no tamanho das porções. “O ser humano não é uma máquina que precisa de um combustível qualquer. Cada um tem alguma comida que adora e faz bem à alma”, concorda a nutricionista Olga Amancio, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

    Esse maniqueísmo alimentar não encontra amparo nem na ciência. Um experimento com 800 voluntários realizado no Instituto Weizmann, em Israel, concluiu que o mesmo alimento pode ser vantajoso a alguns e provocar barbaridades no organismo de outros. No artigo, os estudiosos citam o caso de uma mulher que sofria um aumento expressivo do açúcar no sangue após mastigar um inofensivo tomate. “As características genéticas individuais têm uma repercussão enorme no ganho ou na perda de peso”, ressalta Coutinho.

    Se as dietas falham (ou, no mínimo, não surtem efeito de maneira consistente), então devemos desistir e nos conformar com os quilos extras? Claro que não. Um emagrecimento consciente e sustentável é possível dentro de um plano mais amplo de mudanças no estilo de vida. Isso envolve exercício, alívio do estresse, respeito ao sono… “Não há segredo: a dieta tem de contar com quantias adequadas de nutrientes”, diz Iara Waitzberg Lewinski, nutricionista do Ganep Nutrição Humana, em São Paulo. Tantas vezes, pequenos ajustes fazem diferença. Em uma pesquisa da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, indivíduos capazes de manter o novo peso eram aqueles que, em vez de aderir a um pacote de proibições, priorizavam alimentos saudáveis de que realmente gostavam.

    O êxito contra o excesso de peso tira proveito também do acompanhamento de médicos, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos. Esse time ajuda a balizar indivi-dualmente a rota do emagrecimento. Há casos, inclusive, em que remédios ou a cirurgia bariátrica têm um papel a cumprir. “Os profissionais de saúde devem realizar um atendimento customizado e considerar o que é saudável e prazeroso para cada pessoa na hora de fazer as prescrições”, argumenta Lancha. E não pode faltar o apoio de familiares e amigos. Em estudo da americana Universidade Harvard, voluntários que compareciam a reuniões e conversavam com outros pacientes enxugavam duas vezes mais quilos em relação aos que seguiam um programa sozinhos.

    “Se insistirmos na ideia de que as dietas são a resposta para a obesidade, não lograremos efeito nenhum”, sentencia Lancha. O emagrecimento saudável não depende de fórmulas mágicas ou sacrifícios drásticos, mas, sim, de estabelecer uma relação honesta com os alimentos e o próprio corpo. Criar metas realistas e reconhecer os sinais de fome e saciedade são um ótimo ponto de partida. É uma mudança de visão e postura na rotina – não uma vez ou outra – que permitirá assinar um cessar-fogo na guerra com a balança.

    Que furada!

    Confira alguns planos dietéticos que ganham espaço na agenda de quem quer emagrecer num zás-trás. Eles valem a pena?

    Dieta da sopa

    Pede pra trocar almoço e jantar por ensopados e caldos de legumes durante uma semana ou mais. É até carregada de fibras, vitaminas e sais minerais. Mas deixa as refeições chatas – e quase aposenta a arcada dentária.

    Dieta do limão

    A principal vertente pede que seus seguidores bebam um copo de limonada (sem açúcar!) em jejum. O fruto até possui boas doses de vitamina C e minerais, mas não é a única solução para ficar magro, né?

    Dieta do tipo sanguíneo

    Diz que as escolhas à mesa devem se guiar pelo grupo sanguíneo. O tipo O carece de um capricho nas proteínas, enquanto o B necessita de leite e derivados aos borbotões. Não tem o menor fundamento científico.

    Dieta Detox

    O conceito é amplo e abarca desde aqueles que defendem tomar só suco verde até quem mete o pau em glúten e lactose. A missão seria “desintoxicar” as células, termo com pouco crédito entre os estudiosos.

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    Há 30 anos, o otorrinolaringologista Edmir Américo Lourenço, da Faculdade de Medicina de Jundiaí, no interior paulista, deu início à aplicação de vacinas terapêuticas feitas por ele mesmo em indivíduos com rinite alérgica. Chamada de imunoterapia, a técnica surtia efeitos impressionantes. Mas como provar sua eficácia? Em 2005, ele começou a recrutar pacientes e submetê-los a um protocolo-padrão, como mandam as boas práticas da ciência. Dez anos depois, os resultados demonstram o que Lourenço suspeitava: 79% dos voluntários viram as crises de espirro, coriza e coceira sumirem de vez.

    Para o estudo, publicado no periódico International Archives of Otorhinolaryngology, o médico selecionou 281 pacientes entre 3 e 69 anos – além de rinite alérgica, alguns sofriam de asma. Primeiro, submeteu essa gente a um teste de pele que identifica a quais componentes o indivíduo é sensível. Foram testados ácaro, fungo, pelo de animais, pólen e penas. A partir dos laudos, o médico elaborou uma vacina para cada paciente. Está aí um conceito-chave da imunoterapia: o tratamento é personalizado, baseado em alérgenos específicos. “A ideia é dessensibilizar o paciente até ele ficar sem sintomas”, explica Lourenço.

    Durante 14 meses, os voluntários receberam mais de 30 aplicações da vacina. As primeiras doses continham uma quantidade pequena dos alérgenos. A segunda, uma concentração média; a terceira, mais forte; e a quarta e última dose, extraforte. Os pacientes eram monitorados até 30 minutos após a picada – em caso de reação, os remédios podiam entrar em cena tranquilamente. Logo após as primeiras sessões, os pacientes relataram estar com o nariz desobstruído. Um ganho e tanto para quem vira e mexe se vê com a respiração travada.

    Só tem um porém na história: o preço do procedimento. Alguns hospitais públicos até fornecem a imunoterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a maior oferta se encontra em clínicas particulares. “O tratamento chega a custar entre 6 mil e 12 mil reais por ano”, diz o otorrinolaringologista Olavo Mion, professor da Universidade de São Paulo. Na experiência de Lourenço, as aplicações duraram um ano e dois meses. Mas esse tempo pode se estender até cinco anos.

    A imunoterapia que combate a rinite alérgica não é uma técnica nova. Pelo contrário: trata-se de um método centenário. Em 1911, o cientista inglês Leonard Noon (1877-1913) publicou o primeiro artigo defendendo a eficácia das vacinas terapêuticas contra essa condição crônica – hoje, ela afeta quase um terço da população. “Mas desde 1835 havia relatos de que era uma alternativa promissora”, conta o médico José Carlos Perini, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

    Desde então, centenas de pesquisas fortaleceram as evidências de que expor o organismo a microdoses dos alergênicos é uma maneira eficiente de ensinar as próprias defesas a tolerá-los melhor. No final da década de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou até a reconhecer a imunoterapia como único procedimento médico capaz de alterar o curso de uma doença alérgica.

    Acontece que ela não é para todo mundo. Médicos costumam prescrevê-la a indivíduos que, durante uma crise, formam anticorpos de uma classe de proteínas batizada de imunoglobulina (famosa pela sigla IgE). Trata-se de uma das manifestações mais comuns da rinite, mas não a única. Além disso, as vacinas dão mais certo em quem é sensível a poucos alérgenos. “E os melhores resultados são contra os ácaros, uma das alergias mais frequentes”, completa Mion, também presidente da Academia Brasileira de Rinologia.

    São tantos detalhes que, para ter sucesso no tratamento, o jeito é procurar um alergista com experiência na área – e que faça as aplicações em uma clínica ou hospital com estrutura para atender eventuais reações às doses. “Embora não haja relatos de mortes há mais de 30 anos, a imunoterapia pode ter consequências fatais”, alerta Perini.

    Também é bom frisar que falar em sucesso não tem nada a ver com cura – essa ainda não existe. A grande sacada da imunoterapia é deixar o indivíduo livre de crises por bons anos depois do ciclo de injeções. “Os outros tratamentos contra a rinite duram o tempo de ação do medicamento. Se o indivíduo para de tomar, o efeito acaba”, esclarece o médico Edmir Lourenço. “Com a imunoterapia, a proteção se mantém”, assegura.

    Ainda assim não dá para relaxar 100%. “Se você tem 3 milhões de anticorpos e vai para uma casa de praia úmida e suja e entra em contato com 5 milhões de ácaros, as crises vão voltar”, ilustra Lourenço. É como entrar em um campo de batalha com milhares de soldados a menos: as perspectivas não são nada favoráveis. Por isso, certos cuidados permanecem imprescindíveis após as vacinas. “Lave sempre o nariz com soro fisiológico, mantenha a casa limpa e evite entrar em contato com o causador da alergia”, exemplifica a imunologista Mariana Jobim, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

    Quando o receio é a agulha

    As picadas frequentes fazem você torcer o nariz para a imunoterapia? Então escuta essa: uma versão sublingual não deve demorar muito para virar realidade. Em um trabalho americano publicado recentemente na revista Allergy & Asthma Proceedings, foram revisados experimentos feitos até hoje com as duas técnicas. E ambas se mostraram eficazes contra a rinite e a asma. “Mas a sublingual só funciona nas pessoas que seguem as prescrições médicas à risca”, observa Mariana. Isso porque o paciente tem que tomar religiosamente as doses no período indicado para desfrutar dos benefícios.

    Fora o custo e as agulhas, tem a questão do tempo de acompanhamento: por ser longo, eleva o risco de desistência no meio do caminho. Mas os cientistas também estão pesquisando maneiras de resolver esse entrave. Entre as soluções estão emplastros contendo baixas doses de alérgenos e esquemas com número reduzido de injeções. Como se vê, a centenária imunoterapia ganhará novas roupagens. Sinal de que, atualmente, é a grande aposta para garantir um clima de paz entre o alérgico e seu nariz.

    Diagnóstico mais preciso

    Além do teste cutâneo que flagra os causadores de alergia e a dosagem do anticorpo IgE, os exames de sangue evoluíram muito nos últimos anos. Um deles, o 3gAllergy, da Siemens Healthineers, faz o diagnóstico em 65 minutos e tem alta sensibilidade para detectar múltiplos alérgenos. “Como seu resultado é quantitativo, serve também para avaliar se o tratamento está dando certo”, destaca Gisela Bozzo, gerente de produto da marca. Outra opção é o ISAC, sigla para Immuno Solid-phase Allergen Chip, que detecta reações contra 112 alérgenos de 51 fontes diferentes. É indicado para pessoas com suspeita de serem sensíveis a muitos fatores ao mesmo tempo.

    Qual rinite é a sua?

    Existem vários tipos do problema. Descubra qual o seu

    Persistente

    Dura ao menos de quatro dias a quatro semanas consecutivas. Facilita o desenvolvimento de resfriados, gripes e sinusite. Está mais associada a pelos de animais, ácaros e alimentos.

    Intermitente

    Manifesta-se por no máximo quatro dias ou menos de quatro semanas seguidas. É conhecida como rinite sazonal, porque costuma estar atrelada à mudança das estações. Por trás das crises geralmente estão mofo e pólen.

    Leve

    A crise é tão branda que não chega a afetar as atividades diárias ou o sono.

    Moderada

    Os sintomas começam a incomodar, abalando o repouso e a rotina.

    Grave

    As crises prejudicam seriamente o descanso e a qualidade de vida.

    Os principais alérgenos
    – Pólen
    – Ácaros
    – Fungos
    – Pelos de animais
    – Penas

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  • foto-imagem-batata-crocante

    A batata é um alimento cheio de nutrientes, como o potássio, que contribui para o bom funcionamento dos músculos e a evitar a retenção de líquido. Acontece que o modo de preparo pode botar tudo a perder.

    A chef Paula Belleza, de São Paulo, ensina a fazer uma batata assada e, ao mesmo tempo, crocante. Veja no vídeo como preparar essa delícia sem deixar a saúde de lado.

    Passo a passo
    Corte as batatas (com casca mesmo) em forma de palitinhos.

    Coloque em um recipiente e tempere com sal, páprica e alecrim.

    Regue com azeite e misture até untar bem. Polvilhe farinha de coco e mexa mais.

    Asse em forno preaquecido a 220 °C por 40 minutos ou até dourar.

    Sirva como acompanhamento ou aperitivo.

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  • foto-imagem-mulher

    Dor e ardência na hora do sexo podem ser sinal de secura vaginal. Acontece que um quinto das brasileiras desconhece esse tipo de ressecamento, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Conecta, a pedido da farmacêutica Teva.

    A investigação ouviu 1 007 mulheres a partir dos 16 anos de todo o país. Por meio de um questionário online, elas forneceram informações sobre o que sabiam a respeito da condição. E o resultado foi que 88% apresentaram algum grau de desconhecimento em relação a ela — 20% sequer sabiam o que era.

    “O ressecamento ocorre por causa de uma alteração na produção de estrogênio [hormônio feminino] que é comum em momentos como pós-parto e a menopausa”, explica o ginecologista Eliano Pellini, chefe do Departamento de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André. “Além disso, o tratamento para algumas condições, como a quimioterapia no câncer de mama, influencia essa fabricação”, completa.

    De acordo com os dados da pesquisa, o ressecamento vai além das dores físicas. Entre as mulheres com o quadro, 53% se sentiam irritadas, 44% manifestavam insegurança e 33% exibiam autoestima baixa.

    Apesar disso, poucas procuram ajuda médica. Apenas 24% das que reclamaram de secura vaginal foram atrás de um ginecologista. Por quê? Confira as respostas mais comuns:

    • “Considerar normal sentir-se ressecada/o desconforto não precisava ser tratado” (em 40% das vezes)
    • “Não achar importante” (25%)
    • “Falta de tempo” (23%).

    Mas Pellini acredita que, além desses fatores relatados, a falta de autoconhecimento das mulheres desempenha função importante nessa equação. “Infelizmente, a maioria não olha para a vagina. Não usa espelho, por exemplo, e depende totalmente das informações do ginecologista”, lamenta.

    O médico defende que o assunto precisa ser debatido e divulgado com a mesma intensidade com a qual o câncer de mama é disseminado no Outubro Rosa. “Em alguns casos, elas chegam ao consultório num estágio tão avançado de que não conseguimos nem fazer o exame de toque”, completa.

    Quando a parede do órgão seca e inflama, gera rachaduras e fissuras. Só que esse processo pode ser controlado. “O uso de hidratantes vaginais protege a mucosa”, exemplifica. Alguns alimentos, como a soja, também ajudam a estimular a produção de estrogênio e minimizar o quadro. Mas importante mesmo é estar em contato com o próprio corpo e não deixar de buscar ajuda caso perceba qualquer coisa fora do lugar.

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