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Estados Unidos proíbe homens gays de doarem sangue

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A agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos (FDA) recomendou nesta terça-feira (23) a suspensão de uma regra que proibia homens gays e bissexuais de doarem sangue, permitindo que a doação seja feita por esse grupo após um ano abstinência sexual.

O órgão informou ter tomado a esta decisão após revisar evidências científicas nos últimos anos relativas à política de doação de sangue para homossexuais do sexo masculino. A normativa em questão está em vigor há 31 anos, desde a época em que a epidemia de Aids era transmitida rapidamente na comunidade gay americana.

“A agência dará os passos necessários para recomendar uma mudança de um intervalo indefinido para um ano a partir do último contato sexual”, destacou em um comunicado a diretora da FDA, Margaret Hamburg.

A FDA acrescentou que publicará uma recomendação favorável a implementar esta mudança em 2015, que será submetida à opinião das partes interessadas antes de entrar em vigor.

É cada vez maior o número de especialistas médicos e legais que argumentam sobre as restrições existentes, alegando que estão desatualizadas, já que atualmente existem testes mais sofisticados para detectar o vírus HIV, causador da Aids. Os opositores a esta proibição dizem que ela estigmatiza os homossexuais.

Infecções por HIV aumentam no Brasil

Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV e Aids) revela que o número de infecções com o vírus aumentou 11% no Brasil entre 2005 e 2013 e que, no mundo, cerca de 54% das pessoas infectadas não têm consciência disso.

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O relatório, intitulado GAP, compilou dados de 11 instituições parceiras da ONU em 189 países sobre a doença.

O documento estima que, até o final do ano passado, 35 milhões de pessoas estavam vivendo com o vírus em todo o mundo.

O número confirma a tendência de queda no número de novas infecções, que chega a 13% nos últimos três anos.

O número de mortes atribuído à Aids também atingiu o mais baixo nível desde 2005, acumulando um declínio de 35% no período.

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Por outro lado, o relatório da Unaids alerta que alguns países concentram um maior risco relacionado ao HIV.

Na África ao sul do Saara, apenas três países, a Nigéria, a África do Sul e Uganda, respondem juntos por 48% das novas infecções.

O documento também destaca seis países – República Centro Africana, República Democratica do Congo, Indonésia, Nigéria, Rússia e Sudão do Sul – como sendo vulneráveis a três ameaças relacionadas à Aids – alto risco de infecção pelo HIV, baixa cobertura de tratamento e pequena ou ausência de declínio no número de novas infecções.

Na América Latina, a Unaids estima que 1,6 milhão de pessoas vive hoje com o HIV. A maioria dos casos se concentra em cinco países – além do Brasil, a Argentina, a Colômbia, o México e a Venezuela.

O Brasil contabilizou no ano passado, sozinho, 47% dos novos casos de infecção na América Latina.

Os esforços globais para ampliar o acesso à terapia antirretroviral aos infectados – que é gratuito no Brasil – estão funcionando, destaca a Unaids no relatório.

Em 2013, 2,3 milhões de pessoas passaram a ter acesso ao tratamento, elevando o total no mundo para 13 milhões.

“Se acelerarmos isso até 2020, estaremos num bom caminho para acabar com a epidemia em 2030. Se não fizermos isso, levaremos uma década extra ou mais”, afirma o relatório.

Cura da Aids? Transplante de medula – Sinais do vírus no organismo dos paciente foi reduzido para níveis indetectáveis após tratamento

Dois pacientes com o vírus HIV receberam boas notícias após um transplante de medula óssea, de acordo com cientistas envolvidos no caso. Os pesquisadores apresentaram o caso durante conferência da Sociedade Internacional de Aids, que acontece em Kuala Lumpur, na Malásia.

Os dois homens receberam o transplante no hospital Dana-Farber/Brigham and Women’s Cancer Centre, na cidade de Boston, nos Estados Unidos. Ambos sofriam com uma infecção antiga com o vírus HIV e precisaram tratar um câncer no sangue com transplante. Após a operação, deixaram de apresentar níveis detectáveis de infecção no organismo.

Um deles parou de tomar o medicamento contra o vírus há quatro meses e o outro há sete semanas e em nenhum deles houve progressão do HIV, como explica o jornal britânico The Guardian.

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Ainda é cedo, no entanto, para falar em uma cura definitiva, já que o vírus tem a capacidade de se “esconder” e se manter em níveis indetectáveis antes de voltar à ativa. “Mesmo que os resultados sejam empolgantes, um acompanhamento de pelo menos um ano é necessário para entender o impacto do transplante de medula óssea na persistência do HIV”, afirma o pesquisador Timothy Henrich, da divisão de doenças infecciosas do hospital.

Entretanto, mesmo que o vírus não reapareça, ainda é muito cedo para falar que o tratamento com medula óssea seja viável para todos. Além dos custos, ainda há uma taxa de mortalidade entre 15% e 20% para os transplantes, e o paciente ainda é obrigado a tomar medicamentos para suprimir o sistema imunológico, sendo que em muitos casos, a pessoa consegue levar uma vida quase normal com o vírus com o tratamento adequado.

Mesmo assim, a cura é possível como mostra o famoso caso do “Paciente de Berlim”, por mais que os esforços para uma vacina até hoje tenham se mostrado ineficazes. Thimothy Ray Brown, que ficou famoso pelo codinome, tinha leucemia e recebeu um transplante de células tronco de um doador com uma imunidade genética ao HIV, o que é algo muito raro. O processo o curou tanto da infecção com HIV quanto do câncer.

Henrich se mostrou empolgado com as pesquisas na área. “Há cinco anos, se você mencionasse uma cura, os pesquisadores não levariam a sério. Nós ainda não chegamos lá. Estamos perto? Provavelmente não, mas quem sabe? Isto pode se tornar uma curva rápida de aprendizado nos próximos anos”, afirma.

Técnica de previsão do tempo pode ajudar a rastrear gripe, aponta estudo

[adrotate banner=”2″]Uma técnica usada na previsão do tempo poderia ser adaptada por especialistas em saúde pública para antever e rastrear, em tempo real, o momento exato e a gravidade de surtos de gripe, aponta um novo estudo feito pela Universidade Columbia e pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA.

O trabalho, coordenado pelos cientistas Jeffrey Shaman e Alicia Karspeck, foi publicado na edição desta segunda-feira (26) da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). Segundo os autores, esse é o primeiro passo para desenvolver um sistema de estatísticas rigoroso para prever a gripe, principalmente nas regiões temperadas do globo.

Nesse estudo, os cientistas criaram uma ferramenta capaz de transformar dados da internet sobre estimativas de infecções pelo vírus influenza em previsões locais de gripes sazonais – ou seja, ligadas a épocas específicas do ano.

Para fazer essa simulação, a equipe usou dados de temporadas de gripe em Nova York entre 2003 e 2008 para gerar previsões semanais. Os pesquisadores descobriram que a técnica também pode prever o momento de pico de uma epidemia mais de sete semanas antes de isso ocorrer.

Apesar de epidemias históricas revelarem detalhes importantes sobre a propagação de doenças infecto-contagiosas, os atuais modelos matemáticos ainda não conseguem prever como os surtos regionais de gripe podem evoluir.

Os modelos modernos sobre transmissão de doenças infecciosas têm sido usados há mais de um século, e foram desenvolvidos para estudar as propriedades dinâmicas de contágio, determinar as características biológicas dos patógenos e analisar o comportamento de transmissão durante os surtos.

Por ano, o vírus influenza provoca de 3 milhões a 5 milhões de doenças graves e mata entre 250 mil e 500 mil pessoas em todo o mundo, sobretudo grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e portadores de problemas crônicos, como o HIV.

Comprimido de uso diário deve ser ingerido por pessoas não infectadas e que correm risco de contrair o vírus

[adrotate banner=”2″]Um comitê de especialistas em saúde dos Estados Unidos apoiou, pela primeira vez, um medicamento para evitar a contaminação pelo vírus HIV.

O Comitê Consultivo sobre Drogas Antivirais, que aconselha a Agência Americana de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), aprovou o uso do Truvada, um comprimido de uso diário que deve ser usado por pessoas não infectadas que estariam correndo risco maior de contrair o vírus da Aids.

O uso do medicamento foi aprovado pelo comitê com 19 votos a favor e três contra para que o Truvada seja receitado para o grupo considerado de maior risco, homens não infectados que tem relações sexuais com múltiplos parceiros também homens.

Também foi aprovado, por maioria dos votos, a prescrição do Truvada para pessoas não infectadas que tem parceiros portadores do HIV e para outros grupos considerados em risco de contrair o vírus através de atividade sexual.

O uso do Truvada já foi aprovado pela FDA para pessoas que já tem o vírus HIV e é tomado junto com outros medicamentos.

Estudos realizados em 2010 mostraram que o Truvada, do laboratório californiano Gilead Sciences, reduziu o risco de infecção pelo HIV entre 44% e 73% em homossexuais masculinos saudáveis e entre heterossexuais saudáveis que são parceiros de portadores do vírus HIV.

Oposição

A votação no comitê ocorreu depois de uma reunião de 11 horas em Silver Spring, Maryland, e uma longa sessão de comentários.

Alguns funcionários do setor de saúde e grupos ativos na comunidade de portadores do HIV foram contra a aprovação do uso do Truvada. Este grupos temem que os usuários do medicamento desenvolvam uma falsa sensação de segurança.

Eles também temem o surgimento de uma variante do HIV resistente ao remédio.

Também existe a preocupação com o alto custo do Truvada, que pode desviar recursos de opções mais baratas.

‘Precisamos ir mais devagar. Eu me preocupo muito com minha comunidade para não falar de minhas preocupações’, afirmou Joey Terrill, da Aids Healthcare Foundation, fundação que fez campanha contra a aprovação do medicamento.

‘O Truvada precisa ser tomado todos os dias, 100% do tempo e a minha experiência como enfermeira registrada me diz que isto não vai acontecer’, afirmou a enfermeira Karen Haughey.

No entanto, outros aprovaram a decisão do comitê.

‘Isto nos coloca mais perto de um marco decisivo nos esforços globais de prevenção do HIV’, afirmou depois da votação Mitchell Warren, diretor-executivo da Coalizão de Defesa da Vacina da Aids.

A FDA não é obrigada a seguir o aconselhamento do comitê, mas geralmente segue. A decisão final da agência americana deve ser tomada no dia 15 de junho.