Arquivo da tag: vacinas

Pessoas a partir de 5 anos de idade com câncer, infecção pelo vírus HIV ou que passaram por transplante de órgãos terão direito ao imunizante

Uma proteção extra contra doenças causadas pelas bactérias pneumococo — como pneumonia e meningite — acaba de chegar à rede pública. O Ministério da Saúde anunciou a inclusão da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com câncer, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados.

Também chamada de Prevenar 13, ela é a única capaz de proteger contra os 13 subtipos mais comuns dessa bactéria no mundo (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F). Produzida pelo laboratório Pfizer, já estava disponível desde 2016 nas clínicas privadas brasileiras.

“São várias as doenças provocadas pelo pneumococo. Ele é um dos principais agentes causadores de pneumonia, por exemplo”, informa a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A especialista conta que todas as crianças do país já têm direito a outro imunizante que afasta o risco de infecção por esse inimigo da saúde. Trata-se da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10). Ela deve ser aplicada aos 2 meses de vida, com reforços aos 4 e 12 meses.

De acordo com a Sbim, 70% dos casos de doenças graves decorrentes do pneumococo são evitados com essa versão. Já a Prevenar 13, por proteger contra três sorotipos a mais, levanta esse número para 90%.

“Agora, em geral, pessoas com mais de 5 anos não têm indicação rotineira, porque o risco de complicações é baixo”, informa Isabella. No entanto, quando falamos de indivíduos com quadros que suprimem as defesas do corpo, o perigo de o pneumococo causar estragos é consideravelmente maior. Daí porque o SUS optou por oferecer daqui em diante a VPC 13 para aqueles três grupos de pacientes.

Como será a vacinação agora

Antes da inclusão do novo imunizante, o SUS disponibilizava a pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) para esses mesmos pacientes. Entretanto, ela é menos eficaz e seu tempo de duração é menor. A Prevenar 13, portanto, chega para complementar o tratamento dos maiores de 5 anos.

“O esquema de doses inclui as duas. Primeiramente, deve-se tomar a VPC13. Doze meses depois, a VPP23 e, após cinco anos, a VPP23 novamente”, ensina a Isabella.

Segundo a vice-presidente da Sbim, a Prevenar 13 é segura e não possui contraindicações dentro dos grupos aos quais é recomendada. “Ela pode causar apenas dor no braço e vermelhidão local. É importante que o médico dê orientações”, completa a pediatra.

Onde encontrar a Prevenar 13

Diferentemente da VPC10, ela não será oferecida em todo posto de saúde. Assim como a VPP23, é necessário visitar os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries). Essas instalações estão presentes em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal.

“Para ter acesso à vacinação, é preciso receber um laudo médico justificando a recomendação”, orienta a pediatra. Como dissemos, na rede pública apenas pacientes oncológicos, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados se beneficiarão dela.

Já nas clínicas privadas, a aplicação se estende a outras turmas que correm um risco maior de sofrerem complicações da infecção por pneumococo. Indivíduos com diabetes e hipertensão estão entre elas.

Sintomas dessa doença às vezes são parecidos com uma gripe, por exemplo. O alerta vem da entidade que representa hospitais e laboratórios particulares

A meningite meningocócica pode ser confundida com infecções menos ameaçadoras – principalmente durante a temporada de gripe e afins. Quem faz o alerta é a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp).

Em campanha lançada nesta semana, a entidade pede cautela redobrada na avaliação de pessoas que chegarem ao pronto-atendimento. “Serviços de saúde devem estar atentos à ocorrência de doenças como meningite, zika, dengue e chikungunya, e realizar um diagnóstico criterioso para evitar erros”, declarou à imprensa o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp.

O diagnóstico correto é importante, mesmo que às vezes a única opção seja combater os sintomas e acompanhar a evolução do quadro, caso dos resfriados e das infecções transmitidas pelos Aedes aegypti. Se o que estiver por trás dos sintomas for uma gripe forte ou mesmo a meningite bacteriana, o tratamento é mais específico.

Como diferenciar meningite de gripe e outras infecções

Muitas infecções têm, como primeiro sintoma, a febre. Por isso nem sempre é evidente qual a origem da subida na temperatura quando a pessoa chega ao pronto-socorro.

“Num primeiro momento, pode ser difícil suspeitar de meningite ou outra coisa mais séria”, aponta Renato Kfouri, infectopediatra diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Vale esclarecer que estamos falando de uma situação relativamente rara no Brasil. Em 2018, foram 1 072 ocorrências da versão meningocócica, a mais comum entre as meningites transmitidas por bactérias, com 218 mortes. Há também uma versão viral da doença, mas seus sintomas são mais brandos.

As bacterianas, por sua vez, merecem atenção por causa da taxa alta de mortalidade – cerca de 20% dos casos, geralmente crianças e adolescentes. A meningocócica, destaque da categoria, é causada por 12 subtipos do micro-organismo meningococo. No país, os mais comuns são os A, B, C, W e Y, todos evitáveis com a vacinação.

As semelhanças entre gripe e meningite são febre alta e mal-estar abruptos, além de vômito. Depois, elas evoluem de maneiras diferentes.

O vírus da gripe ataca as vias respiratórias. Por isso, provoca coriza, tosse e cansaço.

Já a meningite desencadeia dores de cabeças e vômito intensos, rigidez no pescoço, além de sintomas neurológicos, como surdez, perda de consciência e, em alguns casos, paralisia. “É um quadro que evolui rapidamente, geralmente em 24 horas”, destaca Kfouri.

Diagnóstico

O diagnóstico das duas pode ser feito com exames de sangue. No caso da meningite bacteriana, o médico solicita ainda a coleta do líquor da medula espinhal, um líquido que banha as meninges, para identificar qual o agente causador do problema.

“Esse teste sempre é feito para saber qual antibiótico deve ser administrado. Dependendo do tipo da bactéria, também é preciso fazer um tratamento preventivo em quem teve contato com o doente”, aponta Kfouri.

O ideal é que a análise seja feita antes de iniciar o tratamento, pois o uso de antibióticos pode interferir no exame. Entretanto, como o resultado às vezes demora até três dias para chegar, em alguns episódios é necessário aplicar a medicação imediatamente.

Eu devo me preocupar?

É claro que uma febre alta sempre chama a atenção, mas a meningite não está em alta no Brasil. “Vivemos uma tendência de queda nos casos há anos, e a incidência diminuiu muito depois que a vacinação começou no SUS”, reforça Kfouri.

Atualmente, só as doses contra a meningite meningocócica C – a versão mais comum – estão na rede pública. Nas clínicas particulares, dá ainda para se imunizar contra os tipos A, B, W e Y.

“Temos a vacina contra o tipo mais frequente gratuitamente para crianças e adolescentes, mas nossas taxas de cobertura estão aquém do esperado”, alerta o médico.

Já a gripe preocupa mais as autoridades públicas – não pela gravidade, que é menor do que a da meningite, mas pelo alto número de casos. Essa infecção costuma ser mais incidente nos meses frios do ano. Fique ligado e aproveite as campanhas de vacinação.

A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola foi acusada no passado de provocar autismo. Mas um estudo com 650 mil crianças refuta essa teoria – outra vez

Que nos perdoem os defensores do movimento antivacina, mas, com as evidências científicas disponíveis hoje, afirmar que a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubérola) causa autismo é, no mínimo, negar a realidade. Se não bastassem os estudos anteriores, agora um levantamento dinamarquês com mais de 650 mil crianças deixa claro que não há qualquer associação entre as injeções e esse transtorno – mesmo entre os pequenos mais suscetíveis a ele.

Nesse último experimento, pesquisadores da Universidade de Copenhague cruzaram registros de vacinação de 657 461 crianças com dados de desordens psiquiátricas. Ao longo dos anos, 6 517 delas desenvolveram autismo.

Ao comparar a turma que tomou a tríplice viral com a que não a recebeu, ficou claro que não há qualquer ligação de autismo com a vacina. E isso valeu mesmo para os pequenos mais predispostos à doença (como àqueles cujos irmãos são autistas).

“Não encontramos qualquer apoio para a hipótese de aumento no risco de autismo após a vacinação para sarampo, caxumba e rubéola nessa população”, reforçam os autores, no artigo. E eles estão longe de estarem sozinhos.

Onde surgiu a polêmica e o que veio depois

Essa relação sem pé nem cabeça do autismo com a vacinação ganhou os holofotes por causa de um estudo fraudulento publicado em 1998 – que terminou com a cassação da licença para praticar medicina do seu autor. Nossa colunista contou essa história em detalhes neste artigo.

De lá para cá, uma série de experimentos sérios rejeita a teoria. Os próprios autores desse último estudo já haviam se debruçado sobre o assunto em outro artigo com 537 mil crianças dinamarquesas.

“Uma crítica ao nosso trabalho anterior era o de que ele e outras investigações não abordavam um eventual risco em crianças presumivelmente mais suscetíveis ao autismo”, afirmaram os experts dinamarqueses. “Nesse trabalho, nós avaliamos inclusive isso”, reforçaram.

Ou seja, de uma vez por todas, vamos parar de espalhar essa notícia falsa e estimular a vacinação infantil.

A quantidade de pessoas infectadas por essa doença culminou em um alerta da Organização Mundial da Saúde – e é motivo de preocupação para nós, brasileiros

Mais de 41 mil pessoas na Europa foram infectadas pelo sarampo nos primeiros seis meses deste ano, segundo alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O número ultrapassa o total registrado ao longo de 12 meses em todos os últimos anos desta década.

Até então, o maior número de casos de 2010 para cá havia sido identificado em 2017, quando foram contabilizadas 23 927 infecções. Os dados mostram ainda que pelo menos 37 pessoas morreram este ano por causa da doença no continente europeu.

“Estamos observando um aumento dramático nas infecções e surtos prolongados”, destacou a diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab. “Pedimos a todos os países que implementem imediatamente medidas amplas e adequadas ao contexto para impedir uma maior disseminação dessa doença”, acrescentou.

Aqui mora o perigo para nós. Se o Brasil não aumentar sua cobertura vacinal – a Campanha Nacional de Vacinação é uma ótima oportunidade -, viajantes europeus com essa doença podem desembarcar por aqui e provocar mais surtos.

Onde os casos de sarampo mais assustam na Europa

Dados da OMS mostram que sete países de lá registram ao menos mil episódios entre crianças e adultos este ano – França, Geórgia, Grécia, Itália, Rússia, Sérvia e Ucrânia. Apenas na Ucrânia, mais de 23 mil pessoas foram afetadas pela doença, o que representa mais da metade do total de casos identificados no continente.

Mortes relacionadas ao sarampo, segundo a entidade, foram reportadas em todos esses sete países. A Sérvia responde pelo número mais alto: 14 até o momento.

A organização reforçou que o vírus do sarampo é excepcionalmente contagioso e se espalha facilmente entre indivíduos suscetíveis. A orientação para prevenir surtos é manter, todos os anos, uma cobertura vacinal de pelo menos 95%, utilizando duas doses da vacina contra a doença, com esforços especiais para identificar crianças, adolescentes e adultos que não foram imunizados no passado.

Essa doença contagiosa voltou a afetar a região Norte do país. Há risco de se espalhar para o resto do Brasil? E onde entra a vacina nessa história?

A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias em razão do surto de sarampo registrado no estado, principalmente na capital. No Amazonas, até 20 de junho, foram confirmados 263 casos da doença, enquanto 1 368 permanecem em investigação e 125 foram descartados. Das 1 756 notificações registradas no estado, 82,1% (1 441) ocorreram em Manaus.

Para ser mais exato, o surto de sarampo atinge tanto Amazonas quanto Roraima. Até o último balanço, divulgado no dia 2 julho pelo Ministério da Saúde, já haviam sido confirmados nos dois estados perto de 500 casos da do problema em 2018.

Em Roraima, duas mortes foram registradas em decorrência da doença. No estado, a disseminação da enfermidade é associada por autoridades à chegada de venezuelanos refugiados.

A vacina contra o sarampo

Segundo o Ministério da Saúde, foram encaminhadas aos dois estados mais de 700 mil doses da vacina tríplice viral, usada para sarampo, caxumba e rubéola. Deste total, 487 mil foram para o Amazonas e 224 mil para Roraima.

No Amazonas, a campanha de vacinação foi adiantada para o mês de abril. O foco foi estabelecido na região metropolitana de Manaus, nas cidades com mais de 75 mil habitantes e nas áreas de fronteira.

Em Roraima, essa movimentação ocorreu em 15 municípios entre os meses de março e abril. Foram administradas 112 mil doses.

Há risco de o sarampo espalhar para o resto do Brasil?

Em março, SAÚDE conversou com o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), sobre a possibilidade de essa infecção se alastrar para outros estados. Na ocasião, o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a situação não era preocupante, porque todas as medidas estavam sendo tomadas.

Entretanto, Kfouri foi menos otimista, afirmando que, sem uma ótima cobertura vacinal, há sim uma probabilidade de o sarampo voltar a circular com força no Brasil – na matéria, você também vai entender mais sobre a doença e a vacina. Cabe destacar que, em 2016, nosso país recebeu o certificado de eliminação dessa moléstia pela Organização Panamericana de Saúde. Dito de outra forma, se você ou seu filho não receberam suas doses da vacina contra sarampo, converse com um médico.

Este conteúdo foi adaptado a partir deste e deste conteúdo da Agência Brasil.

Em certos municípios, a vacinação nos postos foi liberada para crianças entre 5 e 9 anos de idade e adultos com mais de 50 anos – veja os detalhes

Cidades que ainda têm estoque da vacina contra a gripe devem, a partir desta segunda (25 de junho), ampliar a indicação para crianças entre 5 e 9 anos e adultos entre 50 e 59 anos, conforme orientação do Ministério da Saúde. A Campanha Nacional de Vacinação foi encerrada, na maioria dos municípios, na última sexta-feira. Ela garantia doses gratuitamente para os seguintes grupos:

– Idosos a partir de 60 anos

– Crianças de 6 meses a 5 anos de idade

– Trabalhadores da saúde

– Professores das redes pública e privada

– Povos indígenas

– Gestantes

– Puérperas (até 45 dias após o parto)

– Pessoas com doenças crônicas (asma, diabetes…) ou com imunossupressão

Agora, como saber quais municípios ampliarão a cobertura? Infelizmente, não há uma lista oficial e consolidada até o momento, então o jeito é pesquisar caso a caso. Capitais como São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belém e Fortaleza já anunciaram a extensão da indicação. E, claro, nesses locais os grupos de risco seguirão tendo direito à vacinação.

O principal alerta do governo é para a importância da imunização de crianças – o país já contabiliza 44 mortes de menores de 5 anos por complicações relacionadas ao vírus influenza, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2017 (14 óbitos). Até o momento, 3,6 milhões de brasileiros 6 meses e 5 anos ainda não tomaram a injeção. Este é o grupo prioritário com menor cobertura vacinal (67,7%), seguido pelas gestantes (71%).

As turmas com maior cobertura são professores (98%), puérperas (96,2%), idosos (91%), indígenas (90,5%) e trabalhadores da saúde (88,6%).

A cobertura da vacina

Segundo o Ministério da Saúde, 54,4 milhões de brasileiros integram os grupos prioritários que eram alvo da campanha e deveriam ser vacinados. Desses, 45,8 milhões visitaram os postos.

A Região Sudeste é a com menor cobertura vacinal contra a gripe até o momento, com 77,2%. Em seguida estão Norte (78,4%), Sul (84,8%), Nordeste (89,3%) e Centro-Oeste (96,5%).

Os estados de Goiás, do Amapá, Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Tocantins, Maranhão, da Paraíba e de Alagoas têm cobertura vacinal contra a gripe acima de 90%. Roraima tem 60,4%, e o Rio de Janeiro, 62,4%.

Os casos de gripe em 2018

O último boletim do governo mostra que, até 16 de junho, foram registrados 3 122 casos de influenza em todo o país, com 535 mortes. Do total, 1 885 episódios e 351 óbitos foram por H1N1 e 635 casos e 97 óbitos por H3N2. Foram registrados 278 casos e 31 óbitos por influenza B e 324 de influenza A não subtipado, com 56 mortes.

Saiba como evitar que o vírus influenza cause estragos na infância, quando a doença é especialmente perigosa

As crianças devem ser especialmente protegidas contra a gripe – não à toa, a campanha nacional de vacinação oferece doses gratuitas para os brasileirinhos entre 6 meses e 5 anos de idade. Por quê?

“Os chamados grupos de risco, que envolvem essa faixa etária, estão mais sujeitos a complicações após a infecção do vírus influenza”, resume a pediatra Renata Scatena, diretora da Casa Crescer, um centro de vacinas de São Paulo. Ou seja, os pequenos têm uma maior probabilidade de sofrer com pneumonias e outros casos graves, que podem inclusive matar.

Ainda assim, Renata ressalta que até os meninos e meninas mais velhos não podem se descuidar – há casos de quadros severos nessa faixa etária também. Para eles, a opção seria tomar a injeção em clínicas particulares, por exemplo.

Aliás, o ideal é que todas as pessoas que vivem ao redor de crianças – ou de outros grupos de risco – se protejam da gripe. Isso porque a vacina não é 100% eficaz, ou seja, alguns garotos podem pegar a doença mesmo após terem ido ao posto de saúde. Agora, se os pais, os avós e os irmãos estão imunizados, é muito mais difícil de o vírus sequer entrar em contato com o novo membro da família.

E os bebês com menos de 6 meses de idade? Eles não devem aplicar a vacina, porque faltam estudos nessa subpopulação. Mas calma: se a mãe recebeu o imunizante na gestação ou logo após o nascimento, vai repassar os anticorpos contra a gripe pelo leite.

Hoje, praticamente não há contraindicações. “Só se pede para evita-la quando o indivíduo está resfriado, por exemplo, para não confundir os sintomas com eventuais reações leves da vacina”, ensina Renata. No mais, talvez o jovem tenha um pouco de dor local, cefaleia ou febre baixa.
Só não ache que a vacinação causa gripe. É balela, como você pode ver clicando aqui. Mais um lembrete: as doses devem ser anuais, assim como em toda a população.

A escola e a gripe

Está aí um local que junta componentes para a disseminação de uma infecção. Veja: as crianças ficam aglomeradas em locais fechados, estão sempre brincando umas com as outras – e, cá entre nós, às vezes até “pegam emprestado” itens como uma chupeta ou garrafinha.

“Mas não é para o seu filho ficar em casa”, tranquiliza Renata. Segundo ela, é importante estimular nos ambientes escolares a vacinação. E, dentro do possível, estipular regrinhas de higiene protetoras.

Por exemplo: lavar as mãos com frequência, não compartilhar chupetas e brinquedos mastigáveis e deixar o pequeno de molho caso os sintomas da gripe deem as caras (febre, nariz escorrendo, tosse…).

As mulheres grávidas não só podem como devem participar da campanha de vacinação de 2018 contra o vírus influenza – saiba o que fazer

A grávida deve tomar a vacina da gripe – ela inclusive tem direito à versão gratuita, que será oferecida na campanha de 2018 do Ministério da Saúde a partir do dia 23 de abril. Ao se imunizar contra essa doença, a mãe protege tanto a si própria como ao bebê.

Benefícios da vacinação na mulher grávida

Os diversos subtipos do vírus influenza podem causar mais estragos na gestação. “Durante a pandemia de gripe em 2009, vi muitas grávidas com quadros sérios da doença”, reitera a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Nelas, é mais comum que, além dos sintomas clássicos (febre, coriza, dor, indisposição), surjam complicações como pneumonia e outras infecções respiratórias. Em situações extremas, isso chega a levar à morte.

“Há uma hipótese de que isso ocorra porque a flutuação hormonal piora a resposta imunológica da paciente a vírus e bactérias”, explica Rosana. A distribuição de líquidos pelo corpo, que se altera nos nove meses, também teria a ver com a maior severidade.

Ao se vacinar, portanto, a futura mamãe evita a gripe e suas complicações. Não à toa, as últimas campanhas incluem as gestantes no grupo de risco, que tem direito à imunização gratuita.

Aliás, há um subtipo do vírus influenza – o H1N1 – que seria especialmente danoso às grávidas. A boa notícia é que a vacina de 2018 foi produzida para também nos proteger contra ele.

E as vantagens para o bebê

Quando recebe sua dose do imunizante, a mãe diminui inclusive a probabilidade de parto prematuro, uma situação que coloca ela e o filho em risco. “A principal causa de prematuridade são as infecções em geral”, relata Rosana.

Claro que, aí, não estamos falando apenas da gripe. Mas o fato é que o processo inflamatório decorrente da invasão do vírus pode, sim, antecipar o parto.

Além disso, os anticorpos produzidos pelo organismo da mãe a partir da vacinação passam para o feto através da placenta. Em outras palavras, a proteção contra a gripe vai se estender para o filho.

E por que isso é tão importante? Ora, antes dos 6 meses de vida, a criança não pode receber essa injeção. Logo, se a mãe não foi atrás de sua dose, o bebê fica suscetível às agressões do vírus influenza. Cabe ressaltar que o sistema imune do pequenino ainda é frágil nessa fase – se ele é infectado, corre maior risco de sofrer problemas graves.

“Até por isso, pedimos para que, dentro do possível, as pessoas que convivem com a criança também se vacinem”, reforça Rosana.

Veja: o imunizante não garante 100% de proteção, inclusive porque os diversos subtipos do vírus influenza estão sempre sofrendo mutações e circulando por lugares diferentes do planeta. Estima-se que 70% das pessoas que aplicam a dose de fato se resguardam contra esses inimigos da saúde.

Assim, pedir para todo mundo que está ao redor da gestante ou da criança aplicar a vacina é uma ótima maneira de afastar qualquer chance de a gripe atingi-las. Quanto menos gente capaz de transmitir a doença na casa, melhor.

A vacinação é segura durante a gestação?

Certamente: Ao contrário da vacina da febre amarela, por exemplo, o vírus colocado na composição do imunizante para a gripe é inativado. Ou seja, não há qualquer risco de ele se espalhar pelo corpo e causar estragos.

Mas por que então algumas pessoas tomam a picada e, depois, relatam sintomas da infecção? Em primeiro lugar, o sistema imune demora dias para produzir os anticorpos – e pode ser que o sujeito tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio termo. É por isso que os experts pedem para a população se proteger antes do inverno, a estação oficial da gripe.

Segundo: como já dissemos, a eficácia da vacina é de 70%. Pode ser, portanto, que a dose não tenha surtido o efeito desejado.

De reações à vacina, é possível que o indivíduo apresente uma alergia local na pele. Entretanto, isso é raro. Ela só está proibida para quem tem alergia severa ao ovo, o que está longe de ser algo frequente.

Quando tomar

A rede pública vai começar a disponibilizar a vacina trivalente – contra as cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata – a partir do dia 23 de abril de 2018. Já as clínicas particulares oferecem a versão quadrivalente, que também afasta o risco de infecção pelo tipo B Victoria. Seu custo varia entre 100 e 200 reais, mais ou menos.

A injeção pode ser administrada em qualquer período da gestação. “Aliás, quem está amamentando e não se imunizou também deveria se vacinar”, completa Rosana.

E que fique claro: a vacinação é anual. Não adianta a mulher achar que, como se protegeu no ano passado, não deve se preocupar agora que está grávida. Como o vírus da gripe está sempre se modificando, as vacinas devem ser adaptadas anualmente.

Um recado final: o bebê pode se vacinar a partir dos 6 meses de vida, se o médico achar conveniente. Só cabe ressaltar que, na primeira vez que uma criança menor de 9 anos receber a picada contra a gripe, será necessária uma dose de reforço.

Os casos em Roraima alertam sobre a necessidade da vacinação. Entenda a situação e aproveite para saber o que é o sarampo e quais seus sintomas

O sarampo voltou a desembarcar no Brasil em 2018 – dessa vez no estado de Roraima, por causa da chegada de imigrantes da Venezuela com a doença. E as duas principais perguntas são: qual o risco de o vírus voltar a se alastrar pelo país e o que podemos fazer para evitar isso? SAÚDE vai responder ambas as questões, mas já antecipamos: a vacina é fundamental.

No último informe do Ministério da Saúde, foram notificados 29 casos suspeitos – 19 procedentes de venezuelanos e 10 de brasileiros. Até o momento, seis episódios foram confirmados. Uma criança venezuelana de 3 anos morreu.

Cabe destacar que, até então, os últimos registros dessa moléstia no Brasil ocorreram entre 2013 e 2015, principalmente nos estados de Ceará e Pernambuco. Naquela época, foram contabilizados 1 310 casos no país. Em 2016, recebemos o certificado de eliminação do sarampo.

Apesar do histórico recente e dos episódios em Roraima, o ministro Ricardo Barros praticamente descartou a possibilidade da disseminação da doença. “A situação não é preocupante porque está sob controle e as medidas estão tomadas. Todos os casos identificados são importados da Venezuela e não há nenhum autóctone [uma infecção de brasileiro para brasileiro]”, disse, à Agência Brasil.

Esse otimismo, entretanto, não é compartilhado pelo pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim). “Hoje, o controle de infecções em geral é muito mais complexo, porque a circulação de pessoas é enorme e propicia surtos”, afirma. “Só podemos ficar tranquilos se nos vacinarmos”, arremata.

Até porque não são apenas os venezuelanos que podem trazer a enfermidade. No ano passado, o número de casos de sarampo na Europa cresceu 400%. Logo, se um europeu com a doença viaja para o Brasil e entra em contato com um brasileiro não imunizado, pode dar início a um surto.

Como o sarampo é transmitido e quais os sintomas

Esse vírus é facilmente passado de um indivíduo para outro através de secreções. Ou seja, um espirro ou um beijo são o suficiente.
Parte das pessoas que o contraem lidam com ele sem manifestar quaisquer sintomas. Mas algumas sofrerão com manchas no corpo, coceira, conjuntivite, febre…

O maior problema, no entanto, envolve as crianças, que têm o sistema imunológico mais frágil. “Antes das vacinas, o sarampo foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo”, reitera Kfouri.

Ainda assim, os adultos não imunizados também devem se proteger. Falaremos das vacinas em si mais adiante, mas o fato é que, ao tomarem uma injeção, eles ajudam a bloquear surtos e impedir que os pequenos sejam infectados.

Acha que isso é balela? Pois o caso do ex-surfista profissional Fabio Gouveia deixa isso claro. Durante uma viagem, ele pegou o vírus – e, no Brasil, espalhou-o para várias pessoas (inclusive seu filho). Veja o depoimento dele:

A cobertura vacinal contra o sarampo

Em Roraima especificamente, está acontecendo uma campanha de vacinação para impedir que o sarampo se alastre. Até porque a adesão à vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) caiu por lá nos últimos anos.

Se em 2016 a primeira dose atingiu uma cobertura de 95,4% e a segunda, 76,7%, em 2015 as taxas baixaram para 83,2% e 68,5%. Esses últimos dados são preliminares, mas estão abaixo da meta, que é de 95%.

Dito de outra forma, há, sim, pessoas suscetíveis ao sarampo e que, uma vez em contato com ele, podem disseminá-lo pelo Brasil. “Acima disso, a taxa de adesão não é homogênea no país. Temos locais com uma aparente ótima cobertura, enquanto outros possuem muitos indivíduos suscetíveis”, alerta Kfouri.

No último informe do Ministério da Saúde sobre a cobertura de vacinas, de 2016, 66,7% dos municípios avaliados de Roraima estavam com esse índice abaixo do preconizado. No Brasil inteiro, o número ficou em 46%. Há, portanto, espaço para o sarampo avançar em certas regiões se nada for feito.

“As vacinas deram tão certo que os mais jovens dificilmente viram um caso de sarampo ou de paralisia infantil, por exemplo”, diz Kfouri. “E isso dá uma falsa percepção de que não há motivo para se vacinar”, lamenta.

Está aí um engano dos grandes: a maioria dos vírus e bactérias que assolaram o mundo em décadas passadas seguem circulando – nem que de forma mais restrita. Se baixarmos a guarda, portanto, eles ganham espaço e podem se disseminar globalmente outra vez.

A vacina contra o sarampo

E o que fazer então? Vacinar, vacinar e vacinar. Hoje, tanto a tríplice viral quanto a tetravalente (contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora) estão disponíveis na rede pública e privada.

Segundo Kfouri, a versão tríplice viral idealmente deve ser aplicada em bebês de 12 meses, com um reforço aos 15 meses de vida. O imunizante também é ofertado para pessoas de até 49 anos que não foram vacinadas. Se você não sabe se recebeu suas doses, converse com um médico e vá ao posto de saúde.

A proteção conferida pela vacina é alta. Mais de 90% dos sujeitos que recebem as duas doses criam um bloqueio duradouro contra o vírus.

Fora isso, ela é segura na população indicada. E, mesmo nos poucos casos em que gera reações adversas, pode ter certeza: eles são bem menos preocupantes do que a doença em si. “Não há risco de óbito pela vacinação, mas muitas crianças já morreram de sarampo”, afirma Kfouri.

Só é importante conferir se o indivíduo é alérgico ou se possui alguma contraindicação. Nada que uma conversa com o profissional de saúde não resolva.

A caderneta de vacinação

Não faça pouco caso desse documento. Mais do que isso, mantenha-o atualizado com o passar dos anos. Não, vacina não é só coisa de criança.
Hoje em dia, há protocolos para adolescentes, gestantes, pessoas com doenças crônicas, idosos e mesmo adultos considerados saudáveis. Ao tomar as injeções, você protege a si próprio e aos outros ao seu redor.

Estudo com essa dose, que está sendo oferecida nas campanhas de vacinação, mostra que a maioria das pessoas imunizadas criam anticorpos contra a doença

Esta notícia é para quem estava cético com a vacina fracionada da febre amarela. Um estudo de diversas entidades internacionais, entre elas o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, revela que essa dose gera uma resposta imunológica positiva em 98% dos casos – uma taxa parecida com a da versão convencional.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 716 indivíduos antes e um mês após receberem a vacina fracionada. Isso aconteceu na República Democrática do Congo no ano de 2016, em uma epidemia de febre amarela que assolou o país.

Foi com base nesses testes que se notou a produção de anticorpos contra essa infecção na enorme maioria das pessoas que tomaram a injeção. “Descobrimos que a resposta imunológica à dose fracionada foi apropriada entre pessoas com mais de 2 anos”, escreveram os cientistas no artigo. “A proporção de pacientes que apresentaram soroconversão [que passaram a desenvolver anticorpos contra febre amarela] foi similar ao da dose completa”, completam.

O levantamento não incluiu gestantes – portanto, segue a regra de que elas devem tomar a versão tradicional da vacina, desde que com o aval do médico. As crianças também exigem cuidados especiais.

Mais: embora não tenha sido alvo da pesquisa, as reações adversas graves com a vacina fracionada na República Democrática do Congo foram raras, de acordo com dados epidemiológicos. A cada 200 mil doses aplicadas, uma gerava problemas sérios – taxa parecida com a observada durante campanhas que usaram a versão convencional no Oeste africano.

O que é a vacina fracionada e quanto dura
Não tem segredo. Em resumo, essa versão possui apenas um quinto da dose tradicional. Com isso, uma mesma quantidade do imunizante pode ser oferecida a mais pessoas, o que expande o acesso à vacina em situações de surto como o do Brasil.

O artigo científico em questão dá segurança para que as pessoas saiam dos postos de saúde sabendo que estão realmente protegidas contra a febre amarela, mesmo que tenham tomado a versão fracionada.

Mas por quanto tempo dura essa blindagem? Ainda não dá pra saber ao certo, mas, de acordo com outro estudo, pelo menos oito anos. É um tempo mais do que suficiente para revertermos essa crise que ameaça principalmente São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Já a vacina tradicional tem eficácia garantida para o resto da vida.

As campanhas de vacinação
O mais importante recado é: se você faz parte do grupo de risco, pode aproveitar as campanhas para tomar a vacina fracionada numa boa. Até o momento, vários municípios de São Paulo e Rio de Janeiro registram taxas de adesão baixas, o que favorece a disseminação da febre amarela.

A Bahia começa sua campanha hoje, dia 19 de fevereiro. E o estado paulista já anunciou que vai prorrogar sua campanha até o dia 2 de março.