Arquivo da tag: tipo de tratamento

Pílula do câncer foi desenvolvida por pesquisador da USP e alvo de diversas ações na Justiça

foto-imagem-pilula-câncer

Em meio às divisões que marcaram a crise política e o processo de impeachment, uma lei foi aprovada de forma unânime e com muita rapidez por deputados e senadores de todos os partidos: a que libera o uso da fosfoetanolamina sintética por pacientes com câncer.

Sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff em 14 de abril, a legislação é criticada pela comunidade científica por autorizar a chamada “pílula do câncer” sem que testes clínicos tenham comprovado sua eficácia – até o momento, foram realizados só estudos com animais, os chamados testes pré-clínicos, que indicaram que a substância não é tóxica.

Agora, a lei está suspensa de forma cautelar pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após magistrados apreciarem nesta quinta-feira uma ação movida pela Associação Médica Brasileira. A organização argumenta que ela é inconstitucional por infringir direitos fundamentais, como o direito à saúde, à vida e à dignidade humana, e também viola a regulamentação vigente sobre o uso de medicamentos no país.

Como relator da matéria, o ministro Marco Aurélio Melo disse que o Legislativo não pode liberar medicação sem testes clínicos, pois a legislação exige o registro da fosfoetanolamina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A lei ficará suspensa até o julgamento definitivo do tema, que ainda não tem data para acontecer.

Ela gera de fato bastante controvérsia. Especialistas ouvidos pela BBC disseram que, ao aprová-la, o Congresso pode estar colocando em risco a saúde da população e abrindo precedentes para a liberação de outras substâncias não testadas. Para outros, no entanto, o Congresso deu voz a pacientes e reagiu à suposta morosidade dos órgãos que aprovam remédios.

Já na Câmara dos Deputados e no Senado, parlamentares defenderam se tratar de uma lei “pela vida” e que confere esperança e dignidade a pacientes em estágio terminal. Em discursos carregados de emoção, pediram sensibilidade a seus pares por já terem enfrentado casos de câncer em suas famílias.

Sob estes argumentos, o projeto tramitou com uma velocidade excepcional no Congresso. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, órgão que auxilia sindicatos sobre questões legislativas, leis aprovadas em 2013 levaram em média cinco anos da proposição à sanção presidencial e, em 2014, nove anos.

Por sua vez, o PL 4639/16 passou pela Câmara e pelo Senado em questão de dias, e foi aprovada por unanimidade.

Com urgência e emoção

O projeto de lei foi elaborado por um grupo de deputados federais no qual estão, lado a lado, parlamentares que normalmente se encontram em polos opostos das disputas políticas, como os petistas Adelmo Carneiro Leão (MG) e Arlindo Chinaglia (SP) e os deputados Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Apresentado no plenário da Câmara em 8 de março, o projeto foi apreciado no mesmo dia, graças a dois acordos entre líderes partidários. Primeiro, para que tramitasse em regime de urgência. Depois, para que a oposição abrisse mão da obstrução da pauta, imposta na época até que o STF se manifestasse sobre os ritos do impeachment.

No fim daquele dia, em uma sessão extraordinária com 2h15 de duração, o projeto passou por todas as etapas na Câmara: foi discutido, avaliado por um relator e três comissões – Constituição e Justiça e de Cidadania, de Finanças e Tributação e Seguridade Social e Família – e, finalmente, votado.

Em meio ao breve debate naquela sessão, deputados pediram a palavra para se manifestarem a favor da lei, muitas vezes com discursos apoiados em experiências pessoais.

“Se você ou algum familiar estivesse com câncer e alguém dissesse que água de bateria na veia cura, todo mundo tomaria”, disse Eduardo Bolsonaro. “A fosfoetanolamina é muito melhor que isso. Há o relato de pessoas que tomaram apenas a pílula e melhoram. Meu avô morreu em virtude de um câncer de pulmão e, hoje, não pode, infelizmente ter acesso a fosfoetanolamina.”

Caio Narcio (PSDB-MG) disse ter perdido sua mãe para o câncer, que chamou de “doença do milênio”. “Só quem tem alguém com uma doença dessas em casa sabe o que é o sofrimento. Mesmo que fosse 1% de possibilidade, já valeria a pena.”

“Voto ‘sim’ em homenagem à minha mãezinha, que morreu de câncer”, disse Moroni Torgan (DEM-CE) ao anunciar o posicionamento do seu partido.

Celso Russomano (PRB-SP) deu um depoimento sobre seu pai, que tinha câncer. “Ele respirava por aparelhos, começou a tomar a fosfoestanolamina e saiu da cama. Mas o pouco medicamento que tínhamos acabou, e sua fabricação parou. Em alguns dias, ele começou a piorar e foi a óbito.”

Benedita da Silva (PT-RJ) contou na sessão já ter perdido seis irmãos e um sobrinho por conta da doença: “Gostaria muito que eles tivessem tido a oportunidade de ter esperança de algo que pudesse amenizar as suas partidas”.

Pressão social

Outros parlamentares defenderam que a lei dá “esperança” a quem sofre de câncer e é uma resposta a uma demanda da sociedade.

“Não vamos discutir a questão técnica. Isso não é para nós”, disse Ronaldo Fonseca (PROS-DF). “A Câmara não pode ficar de costas para a opinião pública. Assim mostraremos à sociedade que a Câmara pensa, sim, no cidadão. Queremos plantar uma semente de esperança.”

Laura Carneiro (PMDB-RJ) fez um pronunciamento parecido: “Não vamos salvar as pessoas do câncer, mas vamos lhes dar alguma esperança, alguma possibilidade de resolver o problema”.

Houve uma voz dissonante no debate. Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) defendeu em plenário que “a maneira como se encaminha o tema é extremamente perigosa de fazer ciência”.

“Nós estamos reduzindo este debate a quem é a favor e contra a cura do câncer. A ciência é feita de pesquisa, de resultados. Não se pode liberar uma substância sem saber seu efeito colateral, qual é a dosagem para uma criança, para um idoso, para uma mulher”, disse Mandetta.

‘Quem tem câncer tem pressa’

foto-imagem-Senado

Seu posicionamento não foi suficiente para barrar o avanço do projeto: todos os blocos e partidos se manifestaram a favor da aprovação. Não houve uma votação nominal – em que cada deputado se posiciona individualmente -, mas simbólica, em que o presidente da Casa pede que os contrários ao projeto se pronunciem. Sem qualquer gesto significativo neste sentido, a lei seguiu para o Senado.

“Foi uma matéria bastante estudada em audiências públicas e por um grupo de trabalho, está sendo debatida desde outubro do ano passado. A substância é alvo de 20 anos de pesquisas, e os estudos mostram que não é tóxica. A população clamava por isso”, diz à BBC Brasil a relatora do projeto, a deputada Leandre Dal Ponte (PV-PR), sobre a celeridade da tramitação na Câmara.

Para ela, a aprovação da lei vai pressionar para que os estudos clínicos da fosfoetanolamina sejam realizados. “O câncer mata milhares de pessoas todos os anos, e quem tem câncer pode tudo, menos esperar. É justo negar o acesso a fosfoetanolamina, diante de relatos que mostram que ela no mínimo prolonga a vida das pessoas?”

Um dos principais autores do projeto e médico fisiologista, Leão (PT-MG) defende à BBC Brasil a aprovação da lei mesmo sem a comprovação da eficácia da fosfoetanolamina. “Não estamos pulando etapas, porque não é algo descoberto hoje. Se ninguém estivesse usando, aí sim. Mas a substância está em nosso cotidiano há 15 anos, sem haver um relato de prejuízos por seu uso”, diz o deputado.

“Como médico, não posso receitar, porque não é considerado medicamento, mas não teria dúvida de indicar para amigos ou familiares com câncer. Eu mesmo usaria diante de uma situação tão dramática.”

‘Ceifador de esperanças’

Ao chegar ao Senado, como projeto de lei da Câmara nº 3 de 2016, a proposta também tramitou rapidamente, ainda que menos do que na Câmara.

Entre os dias 9 e 17 de março, foi analisado e aprovado pelas comissões de Assuntos Sociais e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática. Chegou ao plenário no dia 22, onde novamente foi colocado em regime de urgência e se abriu uma exceção para ser votado no mesmo dia.

O regimento do Senado determina que, uma vez aprovada a urgência, a votação deve ocorrer só após duas sessões de debates, o chamado “interstício”, como argumentou o senador Cássio Cunha Linha (PSDB-PB), mas outros líderes defenderam que o tema era delicado e deveria ser apreciado naquele dia.

“Minha experiência é a de milhões de brasileiros. Minha mãe morreu com câncer no cérebro. Sei exatamente o que é isso”, disse o senador Magno Malta (PR-ES).

Waldemir Moka (PMDB-MS) argumentou ser uma situação de emergência: “É muito difícil você falar para um paciente terminal de câncer que ele não vai ter mais acesso àquilo que estava esperando. Porque várias pessoas deram testemunho que, ao tomarem o medicamento, que não é um medicamento ainda, apresentaram melhoras”.

Os apelos fizeram Lima ceder. “Não sou um ceifador de esperanças, nunca fui. Se há um entendimento, todos os líderes de que o interstício deve ser suprimido eu não vou me opor à votação de uma matéria tão importante”. Novamente, houve uma votação simbólica, e o projeto acabou sendo aprovado apenas 16 dias após ter sido apresentado na Câmara – e levou outros 23 dias até ser sancionado por Dilma.

‘A próxima vítima’

Ao fim da sessão, Ivo Cassol (PP-RO), um dos principais defensores da lei na Casa, fez um longo discurso para agradecer o empenho dos colegas para “dar alento e esperança” aos pacientes. Ele chamou a pílula do câncer de “descoberta do século” e disse que ainda não havia passado por testes clínicos porque laboratórios e oncologistas não teriam interesse em comercializá-la.

Também criticou a Anvisa e sua política de aprovação de medicamentos contra câncer. “Do jeito que está, é uma vergonha nacional. Aprovou dois medicamentos que têm um efeito mínimo no tratamento de câncer, mas a um preço astronômico. Aí, sim, a Anvisa aprova.”

Argumentou em prol das mulheres, que são “mais passíveis de câncer”, segundo o senador: “Tenho amigos que, por causa do câncer, se escondem, especialmente as mulheres, porque elas têm cabelo comprido. Os homens são carecas. Está aqui o Júnior, meu assessor, que é careca. Se amanhã tivesse um câncer, não teria problema, mas as mulheres não são carecas. Perdem cabelo, perdem a autoestima”.

Disse ter recebido muitos pedidos pela aprovação da lei e testemunhado casos em que a substância deu bons resultados. “Recebo por dia de 200 a 300 e-mails. Conheço mais de 30 pessoas. Tenho o depoimento de mais de 100 pessoas que usaram. O resultado é fenomenal. Quem garante que amanhã não será alguém da nossa família? Que não seremos nós a próxima vítima?”

E anunciou: “Estou aqui defendendo a liberação desse medicamento do câncer. Mas é só esse? Não, gente! Se amanhã aparecer outro lá pelas matas amazônicas, vamos utilizar! Se vier da Mata Atlântica, vamos utilizar. Se vier outro composto, vamos utilizar! Por que não, gente?”

Procurado pela BBC Brasil, o senador Cassol preferiu não conceder entrevista sobre o tema. Disse por meio de sua assessoria que está “muito chateado” com a declaração feita pelo Ministério da Saúde de que a pílula só será distribuída no SUS com aprovação da Anvisa e que trabalhará para reverter a decisão.

O aumento do consumo de um perigoso composto que promete “queimar” a gordura do corpo está preocupando autoridades de saúde pública em todo o mundo.

foto-imagem-pilular

A substância 2,4-dinitrofenol, mais conhecida como DNP, era usada originalmente para a fabricação de explosivos, mas está sendo cada vez mais comercializada de forma ilegal pela internet em forma de cápsulas, pó ou creme, sendo procurada por pessoas que querem emagrecer ou reduzir a porcentagem de gordura em seu corpo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o DNP “já causou doenças graves e mortes em vários países nos últimos três anos”.

foto-imagem-pilulaas

O uso do DNP como emagrecedor não é novo: na década de 30 foi descoberto que essa substância aumentava a taxa metabólica e permitia a perda de peso.

Mas o alto número de efeitos colaterais e mortes fez com que a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, proibisse o composto em 1938 e ele acabou catalogado como uma “substância extremamente perigosa e não apta para o consumo humano”.

O uso do DNP, no entanto, parece estar crescendo novamente, especialmente graças à facilidade de se adquirir essa substância pela internet.

Segundo um estudo do Departamento de Medicina de Emergência do Hospital Whittington, de Londres, publicado em 2011 pela revista especializada Journal of Medical Toxicology, desde a década de 60 até o fim do século 20 não foram registradas mortes devido ao consumo de DNP.

Os pesquisadores observaram, porém, um ressurgimento dos casos fatais na primeira década do século 21 – foram 12 mortes entre 2001 e 2010 -, o que, segundo eles, reflete “o aumento da disponibilidade do DNP na internet, onde (esse produto) é comercializado particularmente para o uso de fisiculturistas”.

Em 2015, apenas na Grã-Bretanha foram 30 casos de intoxicação pela substância (contra 9 casos em 2014). E dos intoxicados, cinco acabaram morrendo.

Por isso, o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra decidiu fazer um alerta no dia 11 de dezembro, advertindo sobre o “ressurgimento” desse tipo de intoxicação, principalmente entre adolescentes e jovens.

“Essa droga deveria ser classificada como veneno, já que só traz danos (ao organismo)”, disse à BBC Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin, na Grã-Bretanha.

Morte

foto-imagem-pilula

Um dos casos mais recentes de intoxicação por DNP foi o da jovem britânica Eloise Aimee Parry, que sofria de bulimia e morreu aos 21 anos em abril, após ingerir a substância.

Fiona Parry, sua mãe, disse à BBC que Eloise tomou oito pílulas e que os médicos “não puderam fazer nada para salvar sua vida”.

Parry também pediu que fossem adotadas medidas mais duras contra as empresas que distribuem o DNP.

“As pessoas precisam saber do perigo que são essas pílulas. A busca por uma boa aparência nunca deveria custar a saúde ou (causar) a morte de alguém”, disse a jornais britânicos.

Em maio, Rachel Cook, que sofria de transtorno alimentar, também morreu, aos 25 anos.

De acordo com uma investigação recente, Rachel, que já estava muito magra, tomou as pílulas de DNP porque “queria queimar gordura e perder peso rapidamente”.

“Sei que existe uma pressão entre os jovens para ficarem magros e muitos tomam medidas drásticas para conseguir isso. Mas eles devem estar cientes das consequências inevitáveis de ingerir essa substância mortal”, disse um dos peritos que investigou o caso de Rachel.

Alerta mundial

A Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aecosan) fez recentemente um alerta de que algumas páginas na web que vendem o DNP se passam por empresas farmacêuticas.151214175926_dnp_304x171_reuters_nocredit

A OMS e a Interpol (a agência internacional de polícia criminal) também emitiram informes alertando sobre o aumento do consumo desse composto.

“(Trata-se de uma substância) ilícita e potencialmente mortal. Além disso, os riscos ligados a seu consumo são agravados pela condição ilícita de sua fabricação”, afirmou a Interpol em um Alerta Laranja mundial emitido em maio e distribuído a seus 190 países membros.

Segundo a Aecosan, o efeito adverso mais comum associado ao uso do DNP são as erupções cutâneas (vermelhidão e inflamação da pele, muitas vezes com presença de bolhas).

“Outros efeitos são a neuropatia periférica (problemas no sistema nervoso), gastroenterite (inflamação que afeta o estômago e o intestino), anorexia, catarata ou surdez permanente”, entre outros.

Há também outros problemas derivados dos efeitos tóxicos do DNP: confusão, agitação, coma, convulsão, hipertermia, taquicardia, sudorese e colapso cardiovascular.

E não há nenhum antídoto para a intoxicação por essa substância.

“As pessoas precisam estar conscientes e atentas, especialmente no que diz respeito a vulnerabilidade de pessoas com transtornos alimentares que pode levar ao uso dessa substância”, diz Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin.

O poder do alho

foto-imagem-o-poder-do-alhoDesde a época dos faraós egípcios já se conhecia bem o alho por suas propriedades medicinais. De lá pra cá, seus dentes ficaram famosos mesmo pelo sabor forte e ardido que imprime às receitas e pelo odor impregnado na boca. Sorte que a ciência não se esqueceu dos escritos deixados pelos antigos e, cada vez mais, leva o alho à mesa… do laboratório. Conheça os benefícios comprovados recentemente.Coração

Na Universidade de Hong Kong, na China, pesquisadores recrutaram 125 pacientes que haviam sofrido um derrame e investigaram sua rotina alimentar, dando atenção especial aos vegetais da família Allium, da qual fazem parte o alho, a cebola, a cebolinha e o alho-poró. Foi aí que perceberam um coincidência, que de mera não tem nada: quem comia alho diariamente apresentava uma melhor função endotelial. Isso significa que os vasos sanguíneos teriam maior facilidade para dilatar. “Esse trabalho identifica um dos possíveis mecanismos para explicar como o alho provoca uma redução na pressão arterial”, elucida a nutricionista Marcia Gowdak, diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Tal efeito, nunca é demais frisar, contribui para a prevenção de um infarto ou de um derrame.

Pressão

A derrocada da pressão apareceu de forma mais cristalina em um artigo publicado recentemente no The Journal of Clinical Hypertension. Os autores, da Universidade Soochow, também na China, revisaram 17 estudos sobre o tema e concluíram: em comparação com pílulas placebo, suplementos à base de alho propiciaram um queda média de 3,75 mmHg na pressão sistólica e de 3,39 mmHg na diastólica. Em outras palavras, uma pessoa com a pressão 14 por 9 talvez chegue à casa dos 13 por 9. Ao ajustar ainda mais os resultados, os experts descobriram que a pressão sistólica caiu pra valer nos hipertensos, ou seja, aqueles que mais precisavam tirar as artérias do sufoco. Enquanto os cientistas racham a cabeça para descrever em detalhes como o alho combate a hipertensão, é importante observar que nessa revisão chinesa a ingestão do vegetal ocorreu em forma de cápsulas. Calma: não precisa desanimar. “Podemos usufruir desses benefícios ao consumirmos o alimento in natura”, garante Laís Bhering, mestre em ciências dos alimentos pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Colesterol

Num trabalho da Universidade Ewha Womans, na Coreia do Sul, os experts analisaram mais de 80 estudos sobre a relação entre o vegetal triturado e os fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Entre os desfechos, registra-se que o alho em pó – facilmente encontrado no mercado, caso a ideia lhe apeteça – não só controla a pressão como contribui para a diminuição do colesterol LDL, aquele infeliz que entope as artérias. Como? É provável que ele breque sua formação lá no fígado. De novo, o que se tem são boas teorias.

Câncer

Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, se debruçaram sobre 17 estudos – no total, havia 8 621 pessoas com câncer de estômago e 14 889 livres da doença – e constataram que qualquer vestígio do vegetal bulboso na dieta reduzia a probabilidade de encarar esse tipo de tumor. Quem o ingeria com mais frequência contava com blindagem ainda maior. O câncer de pulmão é outro que estaria na mira do ilustre representante da família Allium. De 2003 a 2010, cientistas chineses analisaram 1 424 indivíduos com a doença e 4 543 sem ela. Depois de afinar os dados, eles perceberam que comer o vegetal cru pelo menos duas vezes por semana derrubaria o risco de ter esse tumor em 44% – claro que não adianta ingerir e fumar, né? – Segundo a nutricionista Ana Carolina Cantelli, do A.C. Camargo Cancer Center, na capital paulista, existem também sólidas evidências de que o câncer de mama seria afugentado quando o alho entra na rotina.

Nova forma de tratamento que pode devolver parte da visão aos cegos

foto-imagem-visão
por mais que as novas próteses prometam dar um pouco da visão de volta para quem não consegue enxergar, o fato é que ainda não há muito que se possa fazer quando as células fotorreceptoras – também conhecidas como cones e bastonetes – do olho falham por conta de um ferimento ou doença. Agora, no entanto, parece que as estudadas terapias genéticas finalmente estão começando a dar frutos e poderão começar a ser testadas em humanos.Liderados por Zhuo-Hua Pan, uma equipe de pesquisadores da Wayne State University de Detroit, nos EUA, ingressou em um promissor campo científico chamado de optogenética. Em vez de tentar reutilizar os fotorreceptores mortos, essa área busca ignorá-los em favor das células ganglionares, que ficam atrás deles e costumam carregar sinais elétricos dos cones e bastonetes para o nervo óptico.Os cientistas descobriram que podem controlar as funções dessas células ganglionares inserindo no olho moléculas sensíveis à luz vindas de algas e outros microrganismos e lançando feixes luminosos azuis para estimulá-las. Embora tecnicamente seja uma forma de terapia de genes, a optogenética não depende da alteração do genoma de uma pessoa, apenas fazendo com que células transmissoras se tornem fotossensíveis com o uso de uma proteína.

foto-imagem-visão

Sem polêmicas

Como a nova técnica não envolve todos os dilemas médicos e éticos levantados pela terapia de genes tradicional, sua aplicação pode progredir sem grandes impasses. Se tudo der certo, os testes clínicos em humanos devem começar já no próximo ano e em breve teremos uma opção para devolver um pouco da visão a milhões de pessoas que sofrem de deficiências visuais ao redor do mundo.

Acupuntura pode ser aliada contra a prisão de ventre

Estudo chinês aponta que agulhadas na orelha beneficiariam pessoas que sofrem com a constipação.

foto-imagem-saude-acupuntura-prisao-de-ventre

Uma revisão assinada por estudiosos da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa sinaliza que a auriculoacupuntura, método que aplica as agulhas exclusivamente nas orelhas, alivia quadros de prisão de ventre crônica. “Elas possuem complexos neurovasculares. Eles são pontos que, quando estimulados, interferem no trabalho de várias regiões do organismo”, explica Alessandra Scavone, acupunturista auricular de Campinas. “Essa técnica é capaz de tanto acelerar funções corporais lentas demais como controlar as que estão hiperativadas”, completa. Em outras palavras, ela também beneficiaria gente com o intestino solto.

A exposição ao sol pode desacelerar o ganho de peso e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, segundo pesquisa realizada em ratos.

foto-imagem-luz-do-sol

Cientistas descobriram que a radiação ultravioleta em ratos superalimentados fez com que os animais comessem menos. Mas a vitamina D, produzida pelo corpo em resposta à luz solar, não estaria envolvida no fenômeno, disse o estudo.

Após o tratamento com luz ultravioleta, os ratos do estudo também apresentaram menores sinais de alerta de diabetes tipo 2, tais como níveis anormais de glicose e resistência à insulina (condição em que a insulina produzida pelo corpo é insuficiente ou ineficiente para processar a glicose nas células).

Leia mais: Déficit de sono tem efeito ‘dramático’ sobre o corpo humano, diz estudo

Estes efeitos estavam ligados ao óxido nítrico, que é liberado pela pele após a exposição à luz solar. O mesmo efeito foi obtido quando um creme contendo este composto foi aplicado sobre a pele dos ratos.

Os pesquisadores disseram que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois ratos são animais noturnos, cobertos de pelo, e que normalmente não são expostos a muita luz solar.

A descoberta, feita por cientistas de Edimburgo (Escócia), Southampton (Inglaterra) e Perth (Austrália), foi divulgada na publicação científica Diabetes. Mais pesquisas são necessárias para descobrir se a luz do sol tem o mesmo efeito em humanos, disseram especialistas.

Leia mais: Fazer só duas refeições por dia pode ajudar no tratamento de diabetes tipo 2

“Nós sabemos de estudos epidemiológicos que aqueles que tomam sol vivem mais do que aqueles que passam a vida na sombra. Estudos como esse nos ajudam a entender como o sol pode ser bom para nós”, disse Richard Weller, professor de dermatologia da Universidade de Edimburgo.

“Precisamos lembrar que o câncer de pele não é a única doença que pode matar e talvez devessemos equilibrar o nosso conselho de exposição ao sol”.

Shelley Gorman, do Instituto Telethon Kids, de Perth, na Austrália, e principal autora do estudo, disse que os resultados mostraram que a luz do sol era um elemento importante de um estilo de vida saudável.

“Eles sugerem que a exposição ocasional da pele à luz solar, juntamente com a prática de exercícios e uma dieta saudável, pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da obesidade em crianças”.

Um inalador de nicotina que se parece muito com um maço de cigarro tornou-se o primeiro produto do tipo a ser licenciado como medicamento no Reino Unido.

foto-imagem-voke

Isso permite que o Voke seja prescrito a pacientes que desejam parar de fumar. Ele ainda não está disponível, mas pode vir a ser vendido nos próximos meses.

Uma série de inaladores de nicotina, sprays, adesivos e chicletes já podem ser prescritos, mas este é o primeiro aparelho feito para imitar um cigarro que é licenciado pela Agência Reguladora de Produto Médicos e de Saúde (MHRA, na sigla em inglês).

Segundo a organização Action on Smoking and Health (ASH), isso abre caminho para que cigarros eletrônicos também sejam licenciados nesta categoria de produtos de saúde.

Por enquanto, nenhum cigarro eletrônico foi licenciado como medicamento, apesar de sua crescente popularidade.

Ainda não se sabe o quão seguros eles são, apesar de haver um consenso entre especialistas de que geram menos danos do que fumar tabaco.

Sem cinzas ou fumaça

O novo inalador não produz cinzas ou fumaça e não envolve a combustão ou o aquecimento de alguma substância.

Também não é eletrônico e, por isso, não requer uma bateria para funcionar. O usuário deve apenas inalar seu conteúdo.

Deborah Arnott, diretora da ONG Ash, vê a decisão da MHRA de forma positiva.

“Esta nova alternativa permitirá que fumantes escolham um produto que está dentro dos mais alto padrões regulatórios para medicamentos”, disse ela.

No entanto, uma porta-voz da Associação Europeia de Saúde Pública alertou que estes produtos não podem ofuscar outras medidas de combate ao fumo.

“Apoiamos a regulamentação como medicamento de todos os aparelhos de nicotina, mas a recente publicidade dada a eles pode desviar a atenção de formas mais efetivas de reduzir o número de fumantes, como a padronização de embalagens de cigarros e aumentos de preços.”

Lúpus conheça 9 causas, os sintomas e os tratamentos disponíveis contra o problema.

foto-imagem-saude-lupus

1. O que é Lúpus?
Trata-se de uma doença inflamatória crônica de origem autoimune – isto é, ocorre uma produção excessiva de anticorpos contra as próprias células do organismo ou contra proteínas existentes no núcleo celular. Há dois tipos principais: o lúpus cutâneo, que se restringe à pele, e o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que também atinge outros órgãos.

2. É uma doença rara?
Pesquisas apontam que a prevalência do lúpus varia entre 1 a cada 2 mil pessoas e 1 a cada 10 mil. Não há estudos epidemiológicos feitos aqui no Brasil, mas especialistas acreditam que os números sejam os mesmos de outros países.

3. O lúpus atinge mais o sexo masculino ou feminino?
“90% dos casos são em mulheres, principalmente naquelas entre 15 e 45 anos de idade”, informa a médica Emilia Inoue Sato, professora titular de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Isso porque é nessa faixa etária que os hormônios estão mais atuantes. E, nesse caso, o estrógeno chama a atenção. “Ele é um facilitador de linfócitos, células produtoras de anticorpos”, explica a reumatologista.

4. O que pode desencadear o lúpus?
Fatores genéticos, hormonais e também ambientais – a exposição ao sol, por exemplo, é um deles. “É que a luz ultravioleta pode ativar o lúpus”, conta Emilia. Além disso, outros elementos podem servir de pontapé para o aparecimento do problema, como infecções virais e até medicamentos.

5. Quais são os sintomas?
Nem todas as pessoas manifestam o lúpus da mesma maneira, pois os sintomas variam de acordo com a fase em que a enfermidade se encontra (atividade ou remissão) e o local onde ocorre a inflamação. Mas é comum que pacientes com LES apresentem cansaço, desânimo, febre e perda de peso nos períodos em que a doença está ativa. Além disso, são comuns:

– Dor e inchaço nas articulações (principalmente nas mãos);
– Manchas vermelhas na pele, em especial nas maçãs do rosto e que pioram ao tomar sol;
– Inchaço ou dificuldade para urinar devido à inflamação nos rins;
– Dores no peito ou para respirar decorrentes de inflamações nas membranas que recobrem os pulmões e o coração;
– Problemas neurológicos ? a exemplo de convulsão e psicose -, em virtude de comprometimento do sistema nervoso central.

[adrotate banner=”2″]

6. Como é feito o diagnóstico?
A identificação do lúpus é baseada em manifestações clínicas e alterações notadas em testes laboratoriais, principalmente os de sangue. Não há um exame que tenha alta especificidade e sensibilidade para o diagnóstico do LES.

7. Existe um tratamento?
Por ser uma doença crônica, o lúpus não tem cura. No entanto, é possível controlá-lo não só com medicamentos, mas também com a adoção de certos hábitos. “Entre eles estão evitar exposição ao sol, prevenir-se de infecções e praticar atividade física nas fases em que a doença não estiver ativa”, recomenda a reumatologista Lilian Tereza Lavras Costallat, professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista.

Quanto aos remédios usados no tratamento, os pacientes devem tomar hidroxicloroquina, substância que previne a doença de entrar em atividade. Já os corticoesteroides são indicados para a fase inflamatória aguda do lúpus. Se mesmo assim não houver controle, a indicação é associar outro medicamento que ajude a atenuar o processo inflamatório ou a reduzir a resposta imunológica do organismo. “Mas o tratamento depende muito das manifestações que o paciente apresenta”, pondera Lilian Costallat.

8. A pessoa com lúpus precisa de cuidados especiais?
Sim. Entre eles estão evitar exposição ao sol; parar de fumar, já que o cigarro reduz a ação da hidroxicloroquina; fazer exercícios; adotar uma dieta rica em cálcio para prevenir a osteoporose, associada ao uso de corticoesteroides; e não consumir alimentos ricos em gordura e açúcar, afastando, assim, os picos de colesterol e triglicérides e o risco de aumento da glicemia, também ligado a esses medicamentos.

9. A mulher com lúpus pode ter filhos?
Sim, desde que a doença esteja controlada por, no mínimo, seis meses e a paciente não faça uso de medicamentos que possam fazer mal ao feto. Mesmo assim, a gravidez precisa de cuidados e acompanhamento médico mais rigorosos. “Pessoas que ficaram com disfunções importantes em órgãos como rim, coração ou pulmão não devem engravidar”, alerta Emilia Inoue Sato.

Musculação não é contraindicada a pessoas com o problema hipertenso

foto-imagem-exercicio-hipertensao

Por anos perdurou o mito de que a academia era um local proibido aos indivíduos com pressão alta. “Mas hoje sabemos que os exercícios resistidos podem ser realizados por eles com segurança. Só é necessário fazer pequenos ajustes nos treinos”, contextualiza a educadora física Andréia Queiroz, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ela apresentou, durante o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, uma série de estudos que delimitam estratégias certeiras para hipertensos levantarem peso sem ameaçar a própria saúde. “Uma das orientações mais importantes é seguir à risca todo o protocolo de tratamento contra a doença. Pacientes com pressão descontrolada não deveriam fazer musculação”, exemplifica. Confira a seguir outras medidas destacadas pela especialista. Respeitando cada uma delas, não há por que ter receio dos halteres.

Dicas para hipertensos suarem a camisa com segurança

Exercite poucos músculos por exercício
Em vez de malhar os dois braços ao mesmo tempo, faça uma série só com o esquerdo e, depois, outra com o direito. Recrutar muitos músculos pode comprimir demais os vasos.

[adrotate banner=”2″]Adote uma intensidade moderada
Se notar que está prendendo a respiração, você passou do ponto. Afinal, o simples fato de segurar o ar já joga a pressão para o alto. Opte, sob orientação profissional, por cargas mais leves.

Preste atenção ao nível de cansaço
Não passe do seu limite – ou melhor, até pare um pouco antes de alcancá-lo. O ideal é executar algumas repetições a menos do que conseguiria se atingisse o máximo de esforço.

Descanse por mais tempo
Cada série precisa ser intercalada com um período de repouso de pelo menos um a dois minutos. Assim a pressão se mantém sempre em um nível tolerável.

Batata-doce ajuda a enxugar medidas e a controlar o diabete

foto-imagem-saude-batata

É difícil acreditar que algo que tenha a palavra doce no nome ajude a emagrecer. Pois essa batata originária da América Central auxilia a exterminar os quilos a mais com muita doçura. Pelo menos é o que mostra uma pesquisa da College of Agriculture and Life Sciences, nos Estados Unidos. O poder desse tubérculo se deve a seu baixo índice glicêmico, o famoso IG. “Isso significa que ele é digerido de forma mais lenta e, portanto, dá mais saciedade, auxiliando no combate à obesidade”, ensina a nutricionista Gisele Pavin, coordenadora de nutrição da Unilever. “E, por liberar a glicose de forma gradual, evita que ela seja armazenada no corpo feito gordura”, completa.

Não à toa, graças à geração equilibrada de energia proporcionada pelo vegetal, a batata- doce é considerada o alimento dos atletas. Afinal, propicia que o açúcar seja absorvido na medida exata. Daí, o corpo não se vê obrigado a secretar doses exageradas de insulina, o hormônio responsável por botar esse combustível adocicado para dentro das células. “Em outras palavras, a pessoa tem disposição de sobra para se exercitar”, explica a nutróloga Marcella Garcez Duarte, da Associação Brasileira de Nutrologia, que dá a dica: o ideal é consumi-la entre uma e duas horas antes da atividade física.

[adrotate banner=”2″]A batata-doce é benéfica até para quem apresenta tendência ao diabete. Afinal, com a produção de insulina na dose certa, o pâncreas, encarregado de fabricá-la, não trabalha adoidado. Assim, o indivíduo não desenvolve resistência à substância, um fator por trás do tipo 2 da doença. O estudo americano ainda descobriu que a variedade Beauregard, que está chegando agora ao Brasil, tem o mesmo padrão proteico de suplementos vendidos até pouco tempo no exterior para controle da glicose no sangue de portadores do distúrbio. “Por enquanto ela está sendo distribuída para cultivo próprio, mas deve chegar aos mercados sem demora”, conta Jairo Vieira, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Hortaliças, em Brasília. Diante dessas propriedades, ninguém deixará a batata-doce fora da lista de compras, não é mesmo?

Na hora de comer

Evite prepará-la com óleos para não engordá-la. Para aproveitar melhor seus nutrientes, cozinhe-a com a casca. Assim, você desfruta das fibras. Adoce seu cardápio com o ingrediente de duas a três vezes por semana e complete o prato com proteínas.