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Nonagenários de hoje têm a mente mais saudável

Conclusão é parte de estudo que compara cognição de idosos nascidos com uma década de diferença

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Hoje, as pessoas não só têm uma longevidade maior do que no passado, mas também chegam a idades avançadas com a mente mais ‘em forma’ em comparação com as gerações anteriores. É o que diz um novo estudo dinamarquês que comparou as habilidades cognitivas entre nonagenários nascidos em décadas diferentes. As conclusões do trabalho mostraram que os idosos que nasceram mais recentemente alcançam os 95 anos de idade com uma cognição mais saudável do que aqueles que nasceram dez anos antes quando tinham a mesma faixa-etária. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta quinta-feira na conceituada revista médica The Lancet.

O novo estudo, feito no Centro de Pesquisa Dinamarquês sobre Envelhecimento, que faz parte do Instituto Nacional de Saúde do país, estudou dois grupos de pessoas. O primeiro era formado por 2.262 indivíduos nascidos em 1905, que foram avaliados em 1998, quando completaram 93 anos de idade. O segundo grupo era formado por 1.598 pessoas que nasceram em 1915 e que foram avaliadas em 2010, ao completarem 95 anos. A avaliação dos participantes foi feita por meio de testes de habilidades cognitivas – ou seja, de memória, raciocínio, percepção, imaginação e linguagem – e de desempenho em atividades cotidianas, como caminhar, sair da cama e subir escadas.

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Saúde física e mental — Embora o estudo tenha avaliado as pessoas do segundo grupo quando elas eram dois anos mais velhas do que as outras, a pontuação delas nos testes cognitivos foi maior do que a do outro grupo. Segundo o estudo, os participantes nascidos em 1915 foram duas vezes mais propensos a atingir a pontuação máxima nessas avaliações do que aqueles que nasceram uma década antes. Eles também apresentaram um melhor desempenho nas atividades cotidianas. A pesquisa ainda mostrou que os participantes nascidos dez anos depois tiveram uma chance 32% maior de chegar aos 95 anos de idade.

Os autores do estudo explicam que a longevidade pode seguir por dois caminhos diferentes: as pessoas podem viver por mais tempo porque são mais saudáveis, ou então alcançar uma idade avançada acumulando mais doenças ou deficiências, mas sobrevivendo com a ajuda de intervenções médicas. Para os pesquisadores, a diferença da saúde mental entre as gerações pode ser explicada pela combinação das melhorias nas condições de vida, o que inclui um maior estímulo intelectual ao longo da vida.

Sono melhor pode reduzir deterioração da memória, diz estudo

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Melhorar o sono pode deter declínio da memória, diz estudo

Um estudo divulgado na publicação científica Nature Neuroscience sugere que ter um bom sono pode reduzir a deterioração da nossa memória à medida que envelhecemos.

Até antes da pesquisa, os cientistas já sabiam que tanto o cérebro quanto o corpo sofrem desgaste com o tempo, mas não se sabia ao certo se as mudanças no cérebro, sono e memória eram sinais distintos do envelhecimento ou se haveria uma conexão profunda entre eles.

Mas a pesquisa, feita por cientistas da University of California, Berkeley, indicam que mudanças que ocorrem no cérebro com a idade prejudicam a qualidade do sono profundo, o que, por sua vez, diminui a capacidade do cérebro de aprender e armazenar memória.

Com base nessas conclusões, a equipe pretende agora testar formas de melhorar o sono para interromper o declínio da memória.

Experimentos

Trabalhando com um grupo de 36 voluntários – metade dos quais com idade em torno de 20 anos e outra metade com cerca de 70 anos – os especialistas fizeram uma série de experimentos.

Primeiro, a equipe constatou que era capaz de prever a quantidade de sono profundo (o chamado sono de ondas lentas) que o participante teria com base nas condições de preservação de uma região do seu cérebro chamada córtex pré-frontal médio.

Essa parte do cérebro é essencial para que a pessoa consiga entrar no estágio de sono profundo, mas com a idade ela tende a se deteriorar.

Em seguida, os especialistas demonstraram que a quantidade de sono profundo podia ser usada para prever quão bem as pessoas se sairiam em testes de memória.

[adrotate banner=”2″]Os pacientes jovens, que conseguiam obter sono de boa qualidade em abundância, tiveram melhor desempenho nos testes do que os participantes mais velhos, cujo sono tinha qualidade inferior.

Matthew Walk, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse à BBC que, “vista em conjunto, a deterioração do cérebro leva à deterioração do sono que produz a deterioração da memória (geralmente solidificada na fase de sono REM, ou de movimentos rápidos dos olhos)”.

“O sono de ondas lentas é muito importante para solidificar novas memórias que você aprendeu recentemente. É como clicar o botão ‘salvar’ (no computador)”, ele explicou.

A equipe disse não ser capaz de restaurar a região do cérebro desgastada pela idade, mas espera que algo possa ser feito em relação ao sono.

Por exemplo, é possível melhorar a qualidade do sono estimulando a região certa do cérebro com eletricidade durante a noite, os especialistas explicaram.

Estudos demonstraram que essa técnica pode melhorar o desempenho da memória em jovens. Agora, os pesquisadores querem iniciar testes também com pacientes mais velhos.

“Você não precisa restaurar as células do cérebro para restaurar o sono”, disse Walker. Ele disse que a técnica é uma forma de fazer o sistema “pegar no tranco”.

Demência

Em pacientes com demência, os sintomas associados à morte das células do cérebro – como sono ruim e perda de memória – são muito piores do que no envelhecimento normal.

Alguns estudos sugerem que exista um vínculo entre sono e demência. Um relatório divulgado na publicação científica Science Translational Medicine apontou para a possibilidade de que problemas de sono sejam um dos primeiros sinais do Mal de Alzheimer.

O médico Simon Ridley, da entidade beneficente Alzheimer’s Research UK, disse que são necessários mais estudos para confirmar ou não essa conexão.

“Cada vez mais evidências vinculam alterações no sono a problemas de memória e demência, mas não está claro se essas mudanças seriam uma causa ou consequência”.

“As pessoas estudadas aqui foram monitoradas por um período muito curto e o próximo passo poderia ser investigar se a falta de sono de ondas lentas também pode ser relacionada ao declínio de memória a longo prazo”.

Luz ao dormir pode dar depressão e dificultar aprendizagem, diz estudo

Uma exposição frequente à luz durante a noite pode favorecer a depressão e causar problemas de aprendizagem e memória, conclui um estudo feito pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A pesquisa foi publicada na edição da revista “Nature” desta semana.

Essa interferência da luminosidade, segundo os autores, pode ser desencadeada tanto por uma lâmpada acesa quanto por um computador ligado. Com o atual ritmo de vida de muitas pessoas, que tendem a ficar até de madrugada na internet ou trabalham por turnos, cresce a carga de cortisol – o hormônio do estresse – liberada no corpo.

O trabalho com roedores, coordenado pelo biólogo Samer Hattar, demonstrou que células sensíveis à luz localizadas na retina – região no fundo do olho onde as imagens são projetadas e traduzidas – se ativam pela luz brilhante e prejudicam o centro do cérebro responsável pelo humor, pelo aprendizado e pela memória, chamado sistema límbico.

[adrotate banner=”2″]Os animais foram submetidos a ciclos de 3,5 horas de luz e, em seguida, 3,5 horas de escuridão.

“É claro que você não pode pedir que os ratos digam como se sentem, mas vimos um aumento no comportamento depressivo deles, incluindo a falta de interesse por açúcar ou pela busca de prazer”, diz.

As cobaias deprimidas também se movimentavam menos, não aprendiam mais tão rapidamente nem se lembravam das tarefas. Além disso, esses ratos não demonstravam interesse por novos objetos, em comparação com os bichos que ficaram no escuro.

Segundo Hattar, os seres humanos têm esses mesmos receptores nos olhos, o que faria com que os efeitos fossem muito semelhantes.

Até então, os cientistas já sabiam que dias mais curtos no inverno podem desencadear nas pessoas uma forma de depressão conhecida como “transtorno afetivo sazonal“, que pode ser tratada com uma simples e regular exposição à luz.

Atividade física na terceira idade pode prevenir encolhimento do cérebro

A atividade física regular na terceira idade pode ajudar a evitar o encolhimento do cérebro e outros sinais associados à demência, revela um novo
estudo.

A pesquisa foi feita pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e analisou dados de 638 pessoas com 70 anos que foram submetidas a exames cerebrais.

Os resultados mostraram que aqueles que eram fisicamente mais ativos tiveram menor retração do cérebro do que os que não se exercitavam.

Por outro lado, os que realizavam atividades de estimulação mental e intelectual, como fazer palavras cruzadas, ler um livro ou socializar com os amigos, não tiveram efeitos benéficos em relação ao tamanho do cérebro, constatou o estudo, publicado na revista Neurology.

 

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Deterioração

A ciência já provou que a estrutura e funcionamento do cérebro se deterioram com o passar dos anos.

Também são inúmeros os registros na literatura médica de que o cérebro tende a encolher com o envelhecimento.

Tal encolhimento está ligado a uma perda de memória e das capacidades cerebrais, dizem as pesquisas.

Os estudos têm mostrado que as atividades sociais, físicas e mentais podem contribuir para a prevenção desta deterioração.

No entanto, até agora não tinham sido realizados amplas pesquisas com imagens cerebrais para observar essas mudanças na estrutura do cérebro e seu volume.

Segundo o estudo, que levou três anos para ser concluído, o médico Alan Gow e sua equipe pediram aos participantes que levassem um registro de suas atividades diárias.

No final desse período, quando completaram 73 anos, os participantes passaram por scanners de ressonância magnética para analisar as mudanças no cérebro.

Depois de levar em conta fatores como idade, sexo, saúde e inteligência, os resultados mostraram que a atividade física estava “significativamente associada” com a menor atrofia do tecido cerebral.

“As pessoas de 70 anos que fizeram mais exercício físico, incluindo uma caminhada, várias vezes por semana, apresentaram uma retração menor do cérebro e outros sinais de envelhecimento da massa cerebral do que aqueles que eram menos ativos fisicamente”, exlicou Grow.

“Além disso, nosso estudo não mostrou nenhum benefício real no tamanho do cérebro com a participação em atividades mental e socialmente estimulantes, como observado por imagens em scanners de ressonância magnética durante os três anos de estudo”, acrescentou.

Segundo o pesquisador, a atividade física foi também associada a um aumento no volume de massa cinzenta.

Esta é a parte do cérebro onde se originam as emoções e percepções. Em estudos anteriores, essa região está relacionada à melhora da memória de curto prazo.

Quando os cientistas analisaram o volume de substância branca, responsáveis pela transmissão de mensagens no cérebro, descobriram que as pessoas fisicamente ativas tinham menos lesões nessa área do que as que se exercitavam menos.

Causas

Embora estudos anteriores já tenham mostrado os benefícios do exercício para prevenir ou retardar a demência, ainda não está claro os motivos por que isso acontece.

Os pesquisadores acreditam que as vantagens da atividade esportiva podem estar ligadas ao aumento do fluxo de oxigênio no sangue e de nutrientes para o cérebro.

Mas uma outra teoria é que, como o cérebro das pessoas encolhe com a idade, elas tendem a se exercitar menos e, assim, acabam tendo menos benefícios.

Seja qual for a explicação, dizem os especialistas, os resultados servem para comprovar que o exercício físico é benéficio para a saúde.

“Este estudo relaciona a atividade física à redução dos sinais de envelhecimento do cérebro, sugerindo que o esporte é uma forma de proteger a nossa saúde cognitiva”, disse Simon Ridley, da entidade Alzheimer’s Research no Reino Unido.

“Embora não possamos dizer que a atividade física é o fator causal deste estudo, nós sabemos que o exercício na meia idade pode reduzir o risco de demência futura”, acrescentou.

“Vai ser importante acompanhar tais voluntários para ver se essas características estruturais estão associadas com maior declínio cognitivo nos próximos anos”, disse.

“Também será necessário mais pesquisas para saber detalhadamente sobre por que a atividade física está tendo esse efeito benéfico”, afirmou.

Já o professor James Goodwin, da organização Age UK, que financiou a pesquisa, disse: “Este estudo destaca novamente que nunca é tarde para se beneficiar dos exercícios, seja uma simples caminhada para fazer compras ou um passeio no jardim”, concluiu.

“É crucial que, se o fizermos, permanecer ativo à medida que envelhecem”, acrescenta.

Analgésicos podem provocar dor de cabeça, em vez de curá-la

Quase 1 milhão de pessoas na Grã-Bretanha sofrem intensas dores de cabeça “completamente evitáveis”, causadas pela ingestão de analgésicos em excesso, informam médicos do Instituto Nacional de Excelência Clínica e de Saúde (Nice, na sigla em inglês).

De acordo com as orientações da organização, muitas pessoas encontram-se em estado de dependência, após cederem a um “ciclo vicioso” de alívio da dor, o que acaba causando ainda mais dores de cabeça.

“Pessoas que ingerem medicamentos regularmente, como aspirina, paracetamol e triptan, podem estar causando mais dor do que alívio a si mesmos”, diz documento elaborado pelo painel. “Enquanto tratamentos de farmácia são eficientes para aliviar dores de cabeça ocasionais, acredita-se que 1 em cada 50 pessoas sofra dores causadas pelo excesso de medicação, e a incidência é cinco vezes maior entre as mulheres”.

Não há dados específicos na Grã-Bretanha sobre a incidência do problema, mas estudos em outros países sugerem que entre 1% e 2% da população é afetada por dores de cabeça. A Organização Mundial da Saúde (OMS) cita estatísticas que apontam que, em alguns grupos pesquisados, a incidência chega a 5% da população.

Para Martin Underwood, da Escola de Medicina de Warwick, que liderou a pesquisa do Nice, “(a ingestão de analgésicos) pode acabar em um ciclo vicioso no qual a dor de cabeça fica cada vez pior, então você toma mais analgésicos, sua dor de cabeça fica pior, e pior e pior. E é uma coisa tão fácil de prevenir”.

As novas orientações para os médicos na Inglaterra e no País de Gales são alertar os pacientes para que suspendam imediatamente o uso dos analgésicos. Entretanto, isso pode levar a aproximadamente um mês de agonia, até que os sintomas eventualmente melhorem.

Os especialistas disseram ainda que devem ser considerados outras opções de tratamentos profiláticos e preventivos — em alguns casos, por exemplo, recomenda-se a acupuntura.

[adrotate banner=”2″]Efeito

A forma como os analgésicos atuam no cérebro não é totalmente compreendida pelos médicos.

Acredita-se que a maior parte das pessoas afetadas tenha começado a ter dores de cabeça comuns diárias ou enxaquecas; o problema foi se agravando à medida que essas pessoas passaram a recorrer à automedicação frequente.

Manjit Matharu, neurologista consultor do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, disse que, em geral, a automedicação se torna um problema sério quando os pacientes começam a ingerir analgésicos por dez a 15 dias todo mês.

“Isso é um grande problema para a população. O número de pessoas com excesso de uso de remédios para dor de cabeça já é de um a cada 50. Isso representa aproximadamente 1 milhão de pessoas que têm dor de cabeça diariamente ou quase diariamente devido ao uso de analgésicos”, diz Matharu.

As pessoas com um histórico familiar de dores de cabeça tensionais ou enxaqueca também podem ter uma vulnerabilidade genética ao excesso de medicação para dor de cabeça. Elas podem ser mais suscetíveis aos anlagésicos, mesmo que estes não sejam específicos para dor de cabeça.

‘Diagnóstico mais preciso’

O Nice sugere que os médicos recomendem acupuntura para pacientes suscetíveis a enxaquecas e dores de cabeça tensionais.

“Podemos esperar que isso leve mais pessoas a procurarem acupuntura. Levando em conta que há evidências de que a prática é eficaz para a prevenção de enxaquecas e dores de cabeça tensionais, isso é algo positivo”, diz Martin Underwood.

A chefe da Fundação Enxaqueca da Grã-Bretanha, Wendy Thomas, disse que as orientações deverão ajudar o trabalho dos médicos.

“As medidas vão colaborar para um diagnóstico mais preciso, recomendações apropriadas e informações baseadas em evidências para aqueles com dores de cabeça perturbadoras. Também vão conscientizar sobre os excessos de automedicação, que podem ser um problema sério para aqueles com dores de cabeça graves”.

Fayyaz Ahmed, director da Associação Britânica para o Estudo de Enxaqueca, também vê as orientações com bons olhos.

“A dor de cabeça é a doença mais frequente, e uma em cada sete pessoas na Grã-Bretanha sofre de enxaqueca. O problema coloca um peso enorme sobre os recursos do sistema de saúde e a economia de forma geral”, avalia.

No Brasil, estudos de 2009 apontam a incidência de enxaqueca em cerca de 15% da população.

Cura do Alzheimer – Cientistas nos Estados Unidos acaba de dar um passo importante na busca por um tratamento eficiente para a doença

Em artigo publicado nesta sexta-feira (10/02) no site da revista Science, Gary Landreth, professor da Universidade Casa Western, e colegas de diversas instituições descrevem que a droga bexaroteno foi capaz de agir contra diversos efeitos da doença.

O bexaroteno é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) do governo norte-americano e usado há mais de uma década no tratamento de alguns tipos de câncer, como no sistema linfático.

De acordo com a pesquisa, camundongos administrados com a droga apresentaram reversão rápida no quadro clínico com relação a efeitos danosos promovidos pelo Alzheimer, como perda de memória e prejuízos cognitivos. Segundo os autores do estudo, os resultados são mais do que simplesmente promissores.

A doença de Alzheimer decorre em grande parte da incapacidade do organismo em limpar o cérebro de fragmentos de proteínas conhecidas como beta-amiloide, que ocorrem naturalmente. Em 2008, Landreth e equipe descobriram que o principal condutor de colesterol para o cérebro, a abolipoproteína (ApoE), facilita a remoção das proteínas beta-amiloide.

No novo trabalho, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos do bexaroteno no aumento da expressão da ApoE em camundongos modificados geneticamente para apresentar efeitos semelhantes aos promovidos pelo Alzheimer em humanos.

Em artigo publicado nesta sexta-feira (10/02) no site da revista Science, Gary Landreth, professor da Universidade Casa Western, e colegas de diversas instituições descrevem que a droga bexaroteno foi capaz de agir contra diversos efeitos da doença.

O bexaroteno é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) do governo norte-americano e usado há mais de uma década no tratamento de alguns tipos de câncer, como no sistema linfático.

De acordo com a pesquisa, camundongos administrados com a droga apresentaram reversão rápida no quadro clínico com relação a efeitos danosos promovidos pelo Alzheimer, como perda de memória e prejuízos cognitivos. Segundo os autores do estudo, os resultados são mais do que simplesmente promissores.

A doença de Alzheimer decorre em grande parte da incapacidade do organismo em limpar o cérebro de fragmentos de proteínas conhecidas como beta-amiloide, que ocorrem naturalmente. Em 2008, Landreth e equipe descobriram que o principal condutor de colesterol para o cérebro, a abolipoproteína (ApoE), facilita a remoção das proteínas beta-amiloide.

No novo trabalho, os pesquisadores decidiram investigar os efeitos do bexaroteno no aumento da expressão da ApoE em camundongos modificados geneticamente para apresentar efeitos semelhantes aos promovidos pelo Alzheimer em humanos.

Sabia-se que a elevação dos níveis da ApoE aumenta a limpeza das proteínas beta-amiloides do cérebro. O bexaroteno atua ao estimular receptores conhecidos como RXR, que controlam quanto de beta-amiloide é produzido.

Os cientistas ficaram surpresos não apenas com os efeitos, mas com a velocidade com que o bexaroteno melhorou a perda de memória e problemas de comportamento. Apenas seis horas após a administração da droga, os níveis de beta-amiloides solúveis – que se estimam sejam causadores dos danos na memória causados pelo Alzheimer – caíram em 25%.

Além disso, segundo o estudo, a mudança se deu juntamente com uma rápida melhoria em diversas características comportamentais em três diferentes modelos de Alzheimer em camundongos.

Um exemplo de melhoria envolveu o instinto de montagem de ninhos. Quando camundongos com modelo da doença deparavam com materiais que poderiam ser usados para fazer um ninho – como papel higiênico, no estudo –, eles nada faziam.

Apenas 72 horas após o tratamento com bexaroteno, os animais começavam a usar o papel para construir ninhos. A droga também melhorou a capacidade dos animais em perceber e responder a odores.

Os cientistas verificaram que o tratamento com bexaroteno atuou rapidamente para estimular a remoção de placas amiloides no cérebro. De acordo com a pesquisa, mais da metade das placas foi eliminada em até 72 horas.

A redução ao final chegou a 75%. Segundo os autores, a droga parece reprogramar as células envolvidas na resposta imune para “engolir” os depósitos amiloides. O bexaroteno atuaria, portanto, tanto na forma solúvel como na depositada das proteínas beta-amiloides.

O artigo ApoE-directed Therapeutics Rapidly Clear ?-amyloid and Reverse Deficits in AD Mouse Models (doi: 10.1126/science.1217697), de Gary Landreth e outros, pode ser lido por assinantes da Science.

O funcionamento do cérebro no trabalho – Estresse é bom

Complexo e repleto de ligações, o cérebro reage de maneiras diferentes a cada situação enfrentada no dia a dia do trabalho.

A cobrança por um resultado rápido desencadeia uma poderosa onda de estresse. E aquele projeto complicado faz com que a ansiedade mande constantes mensagens de alerta.

Na entrevista a seguir, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, de 37 anos, diretora do Laboratório de Neuroanatomia Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de cinco livros, entre os quais Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor (Editora Sextante), explica como essas emoções podem ser benéficas ou perigosíssimas para o desempenho e para a motivação profissional.

O que ocorre com o corpo, do ponto de vista da neurociência, quando um profissional passa por situações estressantes no trabalho?

O estresse nada mais é do que uma força que provoca transformações mentais e físicas no corpo. O coração dispara, a pressão arterial aumenta e o cérebro reage para que possa enfrentar novos problemas.

A princípio, o estresse é bom, porque faz com que os níveis de atenção cresçam. Isso só acontece quando o profissional sente que tem controle sobre a situação e que é capaz de encontrar soluções para o problema.

O estresse se torna perigoso no momento em que a pessoa acha que não consegue dar conta do trabalho e entra num estado de paralisia. A situação fica drástica quando alguém precisa fazer grandes esforços para tentar driblar um desafio e não chega a lugar nenhum.

O que fazer para ter mais qualidade de vida?

Três fatores são importantes: lazer, sono e exercício. O primeiro passo é parar de pensar nos problemas assim que o expediente terminar.

Um profissional não consegue relaxar se for para casa e ficar remoendo as obrigações do dia seguinte. Desligar- se é vital.

O lazer ajuda nessa tarefa, pois faz com que o cérebro se ocupe com atividades prazerosas e se sinta satisfeito e recompensado.

Como o sono e a atividade física ajudam?

O sono faz com que o cérebro registre as atividades desenvolvidas durante o dia e crie estratégias para resolver novos problemas. Uma boa noite de sono ajuda a regenerar os neurônios do hipocampo, parte do cérebro que cuida da memória recente. Essas novas células ampliam a capacidade de aprendizagem e auxiliam na administração do estresse.

Os exercícios também mantêm o hipotálamo em bom funcionamento. Mas tem que ser alguma atividade física que dê prazer. Caso contrário, o cérebro vai encontrar mais um motivo para se estressar.

Uma das queixas mais comuns entre os profissionais é a dificuldade de planejar tarefas. É possível treinar o cérebro para ter uma organização mental?

Sim. Nós temos uma agenda interna no hipocampo que funciona como uma lista de tarefas, armazenando as informações mais novas do dia. Para funcionar bem, o cérebro precisa priorizar essas atividades e diminuir a complexidade dos problemas. Esse é o segredo do bom planejamento mental.

A satisfação aparece quando nós resolvemos aquilo que nos deixa angustiados. Por isso é importante dividir

os grandes problemas em pequenos desafios, que podem ser resolvidos com mais facilidade, e traçar uma estratégia simples para solucioná-los.

A motivação é um dos pontos-chave para que uma pessoa se sinta realizada com o trabalho. Como controlamos esse sentimento?

Quando tem uma decisão a tomar, o cérebro ativa o sistema de recompensa, localizado no córtex cingulado, responsável por avaliar as chances de sucesso e fracasso de uma empreitada.

Se o cérebro determina que o fracasso é o resultado mais provável, o corpo não sai do lugar.

A motivação só acontece quando a mente manda o sinal de que há pelo menos 50% de chance de uma atividade ser bem-sucedida. É a antecipação do sucesso e a sensação de uma recompensa futura que estimulam uma pessoa a se dedicar a uma tarefa, por mais desgastante que seja.

Com a redução das equipes, os profissionais têm mais objetivos para cumprir e menos tempo para entregar bons resultados. Qual é a reação do cérebro nesses casos?

A manifestação mais comum é a ansiedade, quando o cérebro manda sinais de preocupação com problemas que ainda não existem, mas que aparecerão logo mais. A inquietação com o futuro é maravilhosa, porque é uma maneira de se preparar antecipadamente para o que está por vir.

Por mais que os chefes insistam que é preciso estar atento e bem informado para as metas do próximo mês, a pressão interna causada pela ansiedade é completamente pessoal e inevitável.

Em que medida a ansiedade, uma doença comum hoje em dia, pode ser prejudicial ao trabalho de uma pessoa?

A ansiedade fica perigosa quando a inquietação é tanta que o cérebro se convence de que não tem nenhum domínio sobre as situações futuras e começa a fazer avaliações exageradas sobre o tamanho do problema a ser resolvido. Isso faz com que a mente fique incapacitada para agir.

Se essa sensação persiste por um longo período, surge o estado ansioso crônico, uma doença que precisa ser tratada com remédios e terapia.

É comum que subordinados imitem as atitudes de seus chefes, tanto as boas quanto as ruins. Por que isso ocorre?

Há um sistema no cérebro que nos faz ser capaz de repetir mentalmente as ações das pessoas com as quais convivemos, são os neurônios espelho (é por causa deles que bocejamos logo depois de alguém, por exemplo).

Esse mecanismo nos faz imitar o outro e intuir quais são suas intenções. Mas, para isso, é preciso ter identificação. Se o funcionário não se identificar com o líder, vai refutar suas ações.

Por que é importante estar disposto a enfrentar novos desafios?

Se um profissional se mantém o tempo todo na zona de conforto, sem pensar em nada de diferente, a mente fica entediada e não cria novas maneiras de resolver problemas. E do que o cérebro mais gosta é ser desafiado, desde que se sinta apto para encontrar soluções.

Esse é o ponto mais importante: a sensação de autonomia. As empresas têm que dar certa liberdade para seus funcionários poderem tocar novos projetos. Quem não tem um mínimo poder dentro das corporações fica estressado, se sente incapaz e se torna uma bomba ambulante de estresse.

O jornalista Malcolm Gladwell, autor do livro Fora de Série, diz que para se destacar em determinada área é necessário repetir uma atividade por 10 000 horas. Qual a importância da prática para o desenvolvimento cerebral?

Só o talento não transforma alguém num gênio. A prática e a motivação são fundamentais para que o cérebro se acostume a uma tarefa e encontre as melhores maneiras de realizá-la. Para conseguir dedicar tempo a uma atividade, é necessário que uma pessoa encontre algo que adore fazer.

Só conseguimos repetir tantas vezes a mesma tarefa se o nosso cérebro se sentir recompensado e feliz com isso. Quem ainda não encontrou sua vocação precisa experimentar novas atividades. Sair da zona de conforto é o melhor remédio.