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Pesquisadora explica os potenciais benefícios do alimento para a memória e diante de problemas como Alzheimer, Parkinson e AVC

A ciência do envelhecimento tem avançado rapidamente e feito importantes descobertas sobretudo na área das doenças neurodegenerativas. Hoje já entendemos melhor os mecanismos por trás de problemas como Parkinson e Alzheimer, o que facilita a busca por compostos farmacológicos úteis à prevenção e ao tratamento. Nesse contexto, o gengibre, uma raiz utilizada há séculos pela medicina tradicional oriental, vem atraindo a atenção de pesquisadores e especialistas por apresentar potencial terapêutico frente a doenças neurológicas associadas ao avançar da idade.

Em uma revisão de estudos publicada em 2018 no periódico Pharmacology and Therapeutics, os cientistas destacam propriedades do gengibre capazes de combater males como o Parkinson e Alzheimer, bem como a perspectiva de o alimento melhorar a memória e reduzir a severidade dos danos causados por um acidente vascular cerebral (AVC).

De onde vem o efeito?
Antes de visualizar de que modo o gengibre pode repercutir no cérebro, precisamos entender os fenômenos que dão origem às doenças neurodegenerativas. O Alzheimer é caracterizado pela formação de placas beta-amiloide, que destroem progressivamente os neurônios, e pela redução do neurotransmissor acetilcolina. O nome é complicado, mas basta dizer que neurotransmissores são substâncias responsáveis pelo transporte de informação em nosso cérebro. A acetilcolina está particularmente relacionada ao aprendizado e à memória.

Pois experimentos de laboratório, em células e animais, demonstram que o extrato de gengibre diminui o acúmulo das tais placas beta-amiloide e minimizam a atividade de uma enzima que degrada a acetilcolina. O resultado: melhora nas funções cognitivas e redução da perda de células nervosas.

Na doença de Parkinson, por sua vez, há uma degradação dos neurônios que liberam outro neurotransmissor, a dopamina. Ela está diretamente envolvida com as funções motoras: sua insuficiência pode levar, portanto, a tremores, dificuldades ao caminhar etc. Estudos em modelo animal apontam que o gengibre também atua na redução da destruição desses neurônios, preservando e otimizando a capacidade motora das cobaias com Parkinson.

No caso do AVC isquêmico, o problema ocorre com a obstrução de uma artéria no cérebro que interrompe o fornecimento de sangue para um grupo de neurônios. Isso desencadeia danos oxidativos nesse órgão e a morte de células. Nos experimentos, o tratamento com extrato de gengibre combate o estresse oxidativo e diminui os danos aos neurônios. Na prática, isso atenua déficits físicos e comportamentais originários do AVC.

À parte os efeitos positivos diante de doenças neurológicas, existem indícios de que o gengibre pode melhorar a memória de pessoas saudáveis. Em pesquisa feita com mulheres, o consumo do extrato da raiz trouxe ganhos cognitivos: as voluntárias que consumiram gengibre apresentaram desempenho superior em testes de memória espacial e numérica, tempo de reação e reconhecimento de palavras.

Pensando em obter esses benefícios, o conselho por ora é usar a raiz como tempero ou na forma de chá — lembrando que o gengibre não substitui nenhum tratamento prescrito pelo médico. Nos dias mais frios, a infusão feita com a raiz dá aquela sensação de aconchego e ainda turbina a memória. Na temporada de calor, um smoothie com lascas de gengibre é refrescante e revigorante.

Uma recomendação importante é conversar com o profissional de saúde antes de usá-lo no dia a dia. Alguns compostos encontrados na raiz podem potencializar a ação de medicamentos que atuam na coagulação sanguínea, por exemplo. É com orientação e sem exageros que tiramos o melhor proveito desse alimento reverenciado há tanto tempo.

Embora seja menos pesquisado no combate a tumores, o treino de força também ajudaria a evitá-los (ao menos no cólon, uma parte do intestino)

Fazer exercícios aeróbicos — nadar, correr, pedalar— em intensidade moderada é uma estratégia reconhecida para diminuir o risco de câncer. Mas, conforme a ciência avança, a musculação também parece ganhar reconhecimento nessa área. A mais recente pesquisa sobre o tema mostra que levantar peso pode ajudar a evitar os tumores de cólon, uma parte do intestino.

O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, avaliou mais de 200 mil aposentados do país que foram incluídos em um estudo maior, conduzido entre 1995 a 2005. Nesse período, eles responderam periodicamente a questionários com perguntas sobre dieta, saúde e estilo de vida.

Diante dessas informações, os especialistas analisaram a frequência dos dez tumores mais comuns nessa turma. E concluíram que, entre os homens que puxam ferro, o risco de manifestar câncer de cólon era quase 10% menor. Para as mulheres, a diferença não foi relevante do ponto de vista estatístico.

Treinamento de força versus câncer

Os cientistas americanos destacam no artigo que há poucas evidências sobre os efeitos da musculação na prevenção dos tumores. Assim, não dá para cravar quais tumores ela protegeria e os motivos por trás disso.

No entanto, outras pesquisas exploraram esse elo. Exemplo: um estudo de 2017 da Universidade de Sidney (Austrália), feito com mais de 80 mil homens e mulheres, revelou que os praticantes de atividades de força simples, como flexões e abdominais, possuíam uma probabilidade 31% menor de morrer de câncer.

Para os autores, o achado sugere que exercícios de fortalecimento são tão importantes quanto os aeróbicos para evitar a doença.

Estudo revela que cuidar da microbiota beneficiaria não apenas o funcionamento do intestino, mas também a saúde mental

A cada dia, novas pesquisas reiteram os papéis da microbiota intestinal — trilhões de micro-organismos que habitam o intestino — dentro do nosso corpo. Uma microbiota saudável contribui, entre outras coisas, para a imunidade e o metabolismo. Isso acontece porque bactérias e companhia produzem nutrientes, vitaminas e outras substâncias com ação local ou a distância. E até o sistema nervoso é influenciado por elas. Por isso falamos no eixo intestino-microbiota-cérebro.

Acontece que o estresse mental e físico, o descuido com o estilo de vida e uma dieta desbalanceada também impactam nos micro-organismos do aparelho digestivo. Nesse contexto, a microbiota pode se modificar e deixar de oferecer benefícios. Algo que tem reflexo inclusive na saúde mental.

A novidade é que experimentos recentes sugerem que doenças psiquiátricas podem ser tratadas com a regulação da microbiota intestinal, conforme conclui uma revisão de estudos do Centro de Saúde Mental de Xangai, na China.

Os investigadores analisaram 21 trabalhos de qualidade, 14 deles testando probióticos (micro-organismos que, ingeridos em quantidade adequada, oferecem vantagens a quem os recebe) e os outros sete avaliando ajustes na dieta. Os cientistas chineses verificaram, então, que mais da metade dessas pesquisas encontrou efeitos positivos sobre os sintomas de ansiedade.

ipos específicos de bactérias através de um suplemento que pode ter sido usado por tempo insuficiente para produzir mudanças reais no ambiente intestinal. Outro ponto a destacar: a maioria dos estudos não encontrou eventos adversos.

Com esses dados, os pesquisadores chineses reforçam a ideia de que regular a microbiota por meio de mudanças na dieta e/ou uso de probióticos pode ser uma alternativa, ao lado dos tratamentos psiquiátricos consagrados, para aliviar os sintomas da ansiedade — situação que, segundo estimativas, afeta um terço da população mundial pelo menos em algum momento da vida.

Conversamos com especialistas para desmistificar mais um boato virtual – o de que o fruto do coqueiro eliminaria tumores malignos

Segundo um texto que circula nas redes sociais, o professor Chen Huiren, do Hospital Geral da China, descobriu a cura para todos os tipos de câncer. É bem simples: basta tomar água de coco quente – não aquela tradicional, mas uma feita com flocos finos do fruto. Isso seria o suco de coco quente.

Só que a história não tem quase nada de verdade. Desde 2017, ela é desmentida por autoridades e veículos da imprensa, inclusive de outros países. Ainda assim, vira e mexe ela ressurge, com um outro detalhe diferente.

“Não há nenhum estudo sobre o assunto, mas infelizmente essa notícia falsa se espalhou pelo mundo”, comenta Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center.

O único elemento real do texto é que existe um cientista chamado Chen Hui-Ren (o nome está um pouco diferente mesmo), que atua no Hospital Geral da China. Seu nome está no Research Gate, site que compila pesquisadores do mundo todo.

Segundo o portal, ele desenvolve estudos sobre alguns tipos de câncer. Porém, nenhum aborda o coco.

Daqui em diante, é inconsistência atrás de inconsistência. Comecemos pela ideia de que uma única estratégia é capaz de eliminar qualquer tumor.

“O câncer não é uma doença só. Por isso, é impossível existir um remédio que mate todas as suas versões”, aponta Clarissa Baldotto, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

Mais uma fake news envolvendo a água alcalina

Uma versão semelhante da história faz sucesso há anos na internet, com a limonada quente como protagonista. Segundo a mensagem, a mistura de limão (ou coco, se você preferir) e água aquecida tornaria o líquido alcalino, o que liberaria uma substância “que é o mais recente avanço no tratamento de câncer, cistos e tumores”.

A água alcalina é a protagonista, aliás, de vários boatos sobre saúde. Não existe, contudo, nenhuma evidência a seu favor na ciência. Pelo contrário – saiba mais clicando aqui.

O risco de cair em furadas

Tratamento e prevenção do câncer são algumas das áreas mais atingidas pelas fake news. E isso é ruim mesmo que o tratamento alternativo em questão inclua uma fruta tão saudável como o coco.

“O mais cruel dessas notícias é, que além de espalharem mentiras, mexem com as emoções de pessoas que estão precisando de ajuda contra uma doença séria”, salienta Clarissa.

Além da ineficácia, essas abordagens terapêuticas não raro fazem as pessoas abandonarem os tratamentos convencionais. E já há estudos mostrando que essa atitude aumenta o risco de morte.

Quando o assunto é câncer (e a saúde no geral), vale o ditado: se o milagre é grande, desconfie do santo. Ao receber um material suspeito, não compartilhe antes de checar a veracidade com seu médico e em sites confiáveis. Se não encontrar nada sobre o tema, envie-nos sua sugestão pelo Facebook ou Instagram que verificaremos para você.

Os sintomas e as consequências dessa doença respiratória perigosa (e muito associada ao cigarro) podem ser amenizados com a atividade física

Pode ser difícil encontrar ânimo diante da falta de ar e da fraqueza provocadas pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Mas pesquisadores espanhóis têm argumentos convincentes para incluir os exercícios no combate à condição, um resultado de anos de tabagismo ou da inalação de gases poluentes.

Eles distribuíram acelerômetros – um aparelho que mexe a movimentação – a 114 pacientes com diferentes níveis de atividade física. Aí, constataram que a progressão da doença é mais lenta entre aqueles que se movimentam no dia a dia. A cada mil passos dados, o efeito protetor se ampliava.

“Exercitar-se tem um poder anti-inflamatório”, interpreta o fisioterapeuta e educador físico Celso Ricardo Carvalho, da Universidade de São Paulo. “Dançar, subir escada, andar no parque… Tudo o que o sujeito conseguir fazer ajuda a preservar a função pulmonar”, afirma.

A DPOC afeta os músculos

A redução do fluxo de ar característica da doença se reflete em todo o corpo. Com a falta de oxigenação, até os músculos começam a degenerar.

E a perda de força leva a pessoa ao sedentarismo, formando um círculo vicioso. Devidamente orientados por um profissional, exercícios de resistência, com pesinhos, ajudam a reverter a perda de massa magra.

Como montar um treino seguro e eficaz

Ajuste aos poucos: deve-se começar de maneira leve e avançar lentamente. O controle de tempo e intensidade das práticas é crucial.

Foco na respiração: na DPOC, os músculos do tórax e o diafragma são muito exigidos. Por isso, exercícios específicos para respiração são bem-vindos.

Pausa nas crises: diante de falta de ar, chiado no peito e tontura, é preciso parar os exercícios até se recuperar bem.

Após hospitalização: depois de uma internação, um programa de reabilitação pulmonar, orientado por fisioterapeuta, ajuda a retomar as atividades.

Com altas taxas de cura e maior comodidade, esses medicamentos foram disponibilizados no setor público recentemente

Julho Amarelo, o mês de conscientização das hepatites virais, veio com uma novidade para os brasileiros com hepatite C. Desde o início do mês, dois novos remédios estão sendo distribuídos no SUS – eles são mais cômodos e altamente eficazes contra diferentes genótipos (subtipos) do vírus.

Segundo o pregão que definiu a compra desses medicamentos pelo Ministério da Saúde, os pacientes com o genótipo 1 – que corresponde a cerca de 75% dos casos – agora têm acesso à droga Harvoni, que reúne as moléculas sofosbuvir e ledispavir. Juntas, elas atacam o vírus C por diferentes vias, com uma chance de cura acima de 95%.

“Trata-se de um comprimido só, o que facilita a adesão do indivíduo”, afirma o hepatologista Raymundo Paraná, da Universidade Federal da Bahia.
Já para os outros genótipos, quem entra agora em cena é o Epclusa, um remédio que carrega as moléculas sofosbuvir e velpatasvir. “Ele também age muito bem contra o genótipo 1, porém o governo optou por não utilizá-lo nesses episódios pelo preço um pouco mais alto”, afirma Eric Bassetti, diretor médico da Gilead, a farmacêutica que detém a patente das duas medicações.

Veja: enquanto o Harvoni vai custar aos cofres públicos 1 148,12 dólares a cada paciente, o Epclusa sai por 1 470 dólares. Isso para 12 semanas de tratamento – o prazo pode se estender ou até ser abreviado a depender de algumas características do paciente e da enfermidade.

“Além da comodidade, vejo uma vantagem maior para as pessoas com o genótipo 3 do vírus, o segundo mais comum no nosso país”, afirma Paraná. “As opções disponíveis antes eram menos eficientes do que o tratamento atual, que fica em 95% de chance de cura”, completa.

O tratamento na prática

Os remédios mais modernos abrem as portas para um cenário de controle da hepatite C – não à toa, há o plano de eliminação da doença até 2030, encabeçado pela Organização Mundial da Saúde e apoiado pelo governo brasileiro.

O problema: para usarmos essas novas armas, os pacientes precisam ser diagnosticados. A hepatite C é uma infecção silenciosa, que só apresenta sintomas mais claros (pele amarelada, náusea, urina escura…) quando o fígado está bastante comprometido. E as drogas atuais, embora arrasem o vírus, não são capazes de anular os danos que ele provocou ao longo de décadas.

Portanto, a chave para o bom tratamento é o diagnóstico precoce. Desde 2016, o Conselho Federal de Medicina recomenda que todo doutor, não importa a especialidade, deveria conversar com qualquer paciente sobre os exames para hepatite C – e para sífilis, HIV e hepatite B.

Infelizmente, estima-se que apenas 25% dos brasileiros com hepatite C saibam ter a doença. “Para complicar, aproximadamente 70% deles não inicia o tratamento”, completa Bassetti.

Por quê? Entre os motivos, há todo um protocolo de atendimento que, se não for bem encadeado, acaba fazendo o paciente desistir em alguma das etapas.

Funciona assim: se o teste rápido der positivo, o indivíduo é encaminhado para realizar um exame mais complexo, que confirma a presença do vírus no organismo. Aí, ele passa por mais um exame de sangue, que define o genótipo do vírus.

Por fim, o paciente é submetido a outra técnica com o objetivo de detectar o grau de lesão no fígado. E só então recebe a sua prescrição (que ainda precisa ser seguida à risca). Agora imagine todo esse vaivém em diferentes cenários no Brasil.

“Sem uma política de estado para a assistência básica, não vamos resolver esse problema”, sentencia Paraná. “A vítima de uma doença silenciosa precisa ser bem encaminhada ao longo de todo o caminho no SUS para não abandonar o tratamento”, complementa.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, lançado no dia 22 de julho de 2019, o vírus C é o que mais mata entre as hepatites. De 2000 a 2017, foram 53 715 óbitos. Os remédios são uma parte importante na contenção desse número – mas não resolverão a questão por si sós.

Aproveitando o 15 de julho, Dia do Homem no Brasil, a SAÚDE lista destaques recentes para preservar o bem-estar e evitar doenças típicas do sexo masculino

O Dia do Homem, que acontece no 15 de julho, é uma oportunidade para divulgar mensagens importantes sobre a saúde masculina. Portanto, não vamos ficar de fora dessa.

A partir das notícias recentes sobre o tema, fizemos um compilado de destaques para você se atualizar sobre a prevenção e o tratamento de doenças que afetam os homens. Tem matéria sobre HIV, fertilidade, métodos de aumento peniano… Confira:

Sexo e fertilidade

Métodos de aumento peniano são contraindicados!

Os espermatozoides estão cada vez mais fraquinhos. Por quê?

Zika pode provocar infertilidade no sexo masculino

Homens com HIV e tratamento em dia não transmitem o vírus

Homem relata como é testar o anticoncepcional masculino em gel

Exames

Câncer de próstata: rastrear ou não essa doença com exames no Brasil?

Você sabe a diferença do toque retal na urologia e na coloproctologia?

Doenças que não se restringem às mulheres

O impacto da incontinência urinária no sexo masculino

Câncer de mama também é coisa de homem

Varizes em homens? Sim, isso existe

Esse problema, que causa muita irritação na pele sem razão aparente, é comumente confundido com uma simples reação alérgica, segundo nova pesquisa

A urticária crônica espontânea, doença que atinge em torno de 1 milhão de brasileiros, provoca lesões vermelhas e com relevo na pele, além de muita coceira. Até por isso, é frequentemente confundida com diferentes tipos de alergia — inclusive pelos profissionais de saúde, segundo uma pesquisa encomendada pela farmacêutica Novartis e conduzida pelo Instituto Ipsos Brasil.

O estudo, realizado em abril de 2019 com 183 pacientes, revela que 79% deles receberam o diagnóstico errado de uma alergia comum antes de finalmente descobrirem o motivo real da coceira e da vermelhidão.

“Isso ocorre porque, infelizmente, a maioria dos colegas não conhece o mecanismo exato da urticária. Eles acham que é uma reação alérgica a alguma coisa quando, em boa parte das vezes, não é”, justifica o imunologista e alergista Luis Felipe Ensina, coordenador do Centro de Referência e Excelência em Urticária da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O especialista conta que existem vários tipos de urticária. Há as agudas, que de fato são reações alérgicas a uma substância aplicada na pele ou a um alimento ingerido, por exemplo. Os sintomas surgem e depois somem com tratamento após no máximo umas semanas.

Também temos as urticárias crônicas, cujos sintomas duram mais de seis semanas. Entre elas, há as desencadeadas por estímulos físicos, como frio, calor, luz do sol…

E é possível que o quadro não possua uma causa aparente — essa é a tal urticária crônica espontânea. Para detectá-la, o médico precisa conhecer o histórico do indivíduo e realizar exames clínicos.

Independentemente da versão, as crises são caracterizadas por lesões vermelhas e elevadas na pele e muita coceira. “Cada crise aparece e desaparece em minutos ou horas sem deixar marca. Podem vir acompanhadas de inchaço na língua, nas pálpebras, nas orelhas e nas extremidades”, complementa Luis Felipe Ensina.

A vida com urticária crônica espontânea

“Esse tipo é um problema autoimune. O próprio sistema imunológico reconhece moléculas e células da pele como estranhas e as ataca. Com isso, temos a liberação da histamina, que é a substância que provoca a irritação”, esclarece o especialista.

A urticária crônica espontânea pode persistir de seis meses a cinco anos. Imagine como é conviver com a coceira todos os dias durante esse tempo — o cenário fica ainda mais dramático se o diagnóstico e o tratamento não forem precisos.

“Sem remediar os sintomas, a pessoa chega ao ponto de não dormir direito, nem de se concentrar no trabalho e nas atividades sociais”, alerta Ensina. Aliás, aquela pesquisa do Instituto Ipsos Brasil mostra que 80% dos entrevistados já deixaram de ir ao serviço por causa da doença.

“O aspecto das lesões interfere no bem-estar. Os portadores têm vergonha de sair de casa ou sentem medo por não saberem quando vão ter as crises”, alega o expert. Segundo o levantamento, 56% dos pacientes relataram sofrer preconceito.

“Eles acabam se isolando e desenvolvendo ansiedade ou um monte de outros problemas psicológicos”, afirma Ensina. Não à toa, 58% dos respondentes do estudo tiveram indícios de depressão ou outro transtorno mental.

É possível ter qualidade de vida

Quando tratada da forma correta, dá para conviver com a chateação. “Do mesmo jeito que começa, a urticária um dia vai embora. Então, o que fazemos é controlar os sintomas. Esse é objetivo do tratamento”, relata Ensina.

O imunologista explica que há uma sequência lógica de medicamentos a serem empregados para cada caso. Quando um remédio falha ou não surte o efeito desejado, é substituído por outro.

Tudo começa com os anti-histamínicos. A dose pode ser aumentada de acordo com a evolução do paciente.

Se não houver melhora, dá para recorrer a um tratamento moderno batizado de omalizumabe. É um imunobiológico que controla a doença em 85% das vezes. Quem ainda assim não observar um alívio considerável pode ser medicado com a ciclosporina (um imunossupressor).

“A pessoa terá uma vida absolutamente normal até que um dia não irá mais precisar dos medicamentos”, conclui o médico.

Portanto, se coceira e vermelhidão surgirem na pele — e especialmente se durarem mais de seis semanas —, procure um alergista e não deixe de relatar essa informação. Ela é crucial para o diagnóstico e o tratamento corretos.

Efeito seria pior anos depois do ataque cardíaco – no curto prazo, uma dose moderada de tristeza até ajudaria na recuperação. Entenda

Pessoas que infartaram e se sentem tristes ou deprimidas por longos períodos têm maior risco de morrer em até quatro anos após o ocorrido. Na contramão, quando o baixo astral ocorre por pouco tempo, o efeito na recuperação pode ser até positivo.

A descoberta vem de um estudo recente, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, que avaliou mais de 57 mil indivíduos que tiveram uma pane cardíaca. O estresse emocional foi medido dois e 12 meses após o ataque. Além disso, houve um acompanhamento da saúde em geral por uma média de quatros anos.

Mais de 20% deles caíram na categoria “estresse emocional persistente”, pois se sentiam mal nas duas análises. Comparados aos pacientes que não exibiam problemas de humor, os depressivos apresentaram um risco de mortalidade 46% maior e, nos ansiosos, o perigo de morte aumentou 54%.

De acordo com outros trabalhos citados nessa pesquisa, o estado de espírito está mais associado a fatores sociais do que clínicos: jovens, mulheres, estrangeiros e desempregados são mais acometidos pela tristeza intensa pós-infarto.

O lado positivo da tristeza

Investigações anteriores já haviam mostrado que as emoções influenciam no prognóstico do ataque cardíaco. Mas o novo estudo foi o primeiro a levar em conta a duração do estresse. Cerca de 15% dos participantes se sentiram deprimidos ou ansiosos nos dois primeiros meses pós-infarto, mas se recuperaram com o tempo.

Nesse caso, a tristeza temporária não impactou negativamente a saúde. “Alterações passageiras de humor, quando não frequentes ou exageradas, são parte comum da vida”, explicou à imprensa Erik Olsson, psicólogo da Universidade Uppsala, na Suécia, autor do trabalho.

“Estar um pouco deprimido após um infarto pode até ser bom, pois o humor regula nosso comportamento e faz com que você saia um pouco de circulação e descanse”, comentou o pesquisador, que ressaltou mais uma vez o aspecto socioeconômico por trás da retomada do humor. “Provavelmente essas pessoas tinham um status social mais alto e, assim, contavam com recursos melhores para lidar com a situação”, ressaltou.

A chateação e o desânimo constantes, por outro lado, dificultam a adoção de mudanças de estilo de vida que melhoram a reabilitação da pane cardíaca, como parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer bem e tomar direitinho os medicamentos.

Como se recuperar do infarto

Não é fácil superar um evento tão marcante quanto um ataque cardíaco, claro. Mas há estratégias que ajudam a lidar melhor com o baque.

A primeira dica é buscar fazer as mesmas coisas de antes – ao menos as positivas. “Alguns pacientes evitam sexo e exercícios porque têm medo de que a atividade seja gatilho para um novo evento. Isso não é bom”, exemplificou Olsson.

Para quem nunca foi de ficar cabisbaixo antes, é preciso um pouco de paciência e aceitação. Ora, é normal se sentir derrubado: trata-se de uma reação em parte biológica a um evento que colocou a vida em risco.

O ideal é procurar auxílio de um especialista quando sentimentos como tristeza e angústia passam a ocupar a maior parte dos dias, impedindo a manutenção da rotina. Parte das clínicas cardiológicas já oferece suporte psicológico. Basta pedir ajuda – outro aspecto desafiador dessa história.

Uma alimentação menos engordativa pode ser fundamental na prevenção dessa doença, como mostra nosso colunista direto de um congresso nos Estados Unidos

O congresso da Associação Americana de Diabetes, que acontece em San Francisco neste ano, está recheado de novidades importantes para a população. Entre as pesquisas que acompanhei por aqui, destaco uma que avaliou o papel da restrição de calorias na alimentação para evitar o diabetes tipo 2. Aliás, eu gravei um vídeo, que está logo abaixo, para você ficar por dentro dos resultados.

Só adianto uma coisa: não adianta comer pouco por uns meses e, depois, voltar a abusar nas refeições. Ao atingir o peso ideal, é importante seguir com uma alimentação balanceada para afastar o diabetes. Infelizmente, muita gente acaba abandonando um estilo de vida saudável com o tempo.