• foto-imagem-dieta-detox-funcionaEntender o que é uma dieta de desintoxicação, ou simplesmente detox, não é fácil. Há quem defenda o consumo exclusivo de líquidos por alguns dias. Outros focam na eliminação das fontes de glúten ou lactose. E os partidários da abolição dos industrializados? Tem também. O tempo de dedicação ao cardápio é mais um fator sem regra: pode ser de três, sete ou 30 dias. “Não se trata de receita de bolo”, justifica a nutricionista Roseli Rossi, da clínica Equilíbrio Nutricional, na capital paulista. “A indicação de alimentos e a duração da dieta detox vão depender das necessidades do paciente”, esclarece.Algo que todas as variações do método têm em comum é o propósito: eliminar toxinas e emagrecer. Mas como essas substâncias nocivas vão parar dentro de você? “Com a ingestão excessiva de embutidos, sal, proteínas animais, acúcares, itens processados…”, enumera a nutricionista Lucyanna Kalluf, de São Paulo. Por isso, tanto quem comete abusos ao longo da vida como quem o faz em um final de semana cheio de festas fica tentado a topar a dieta detox.

    A opinião dos especialistas

    “Esse é um modismo sem fundamento científico”, garante a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). O ceticismo em relação a essas estratégias alimentares esbarra sobretudo nas promessas de deixar o corpo zero-bala. “Não sabemos quais elementos essas dietas vão tentar atacar, tampouco o mecanismo envolvido nessa investida”, diz a nutricionista Olga Amancio, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban).

    Não é que o papo de termos substâncias potencialmente perigosas trafegando pelo corpo seja balela. Estudos demonstram que moléculas presentes no nosso dia a dia podem mesmo causar alterações no organismo. “O bisfenol é uma delas”, cita a nutricionista Mariana Del Bosco, da capital paulista. Encontrado em embalagens plásticas, esse composto vira e mexe é acusado de patrocinar problemas na tireoide, doenças cardíacas e outros desastres – tanto que seu uso foi proibido em 2011. “Mas não acredito que seguir uma dieta específica seja uma maneira eficiente de eliminar esse e outros elementos nocivos”, desdenha Mariana.

    Antes de partir para recomendações à mesa, Mariana assegura que é preciso compreender certas questões, como os reais danos que se deseja combater, quais alimentos e quantidades culminariam em um efeito detox, e por aí vai. “Por enquanto, há boas suspeitas: frutas cítricas, vinho e coentro, por exemplo, auxiliariam na expulsão de metais tóxicos do corpo”, diz Olga Amancio. “Mas necessitamos de mais trabalhos científicos para ter certeza”, avisa, firme.

    O que explica a sensação de bem-estar

    Por que algumas pessoas sentem que, depois da detox, o corpo funciona melhor? “Ora, a dieta se torna mais saudável do que antes”, resume a gastroenterologista Mira Marzinotto, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. É aquela coisa: trocar uma batata frita por um suco natural sempre faz bem. Maira explica que certos alimentos indicados para a tal desintoxicação favorecem o sistema disgestório. “A sensação de bem-estar muitas vezes vem disso, e não da eliminação de toxinas”, especula.

    Efeito sanfona

    Uma coisa é inegável: quem segue a detox para perder peso acaba secando, já que há uma bela restrição de calorias no período, só por isso. “Se a detox levar a uma falta de nutrientes, há possibilidade de se prescreverem suplementos”, adianta a nutricionista Roseli Rossi. Um dos poréns levantados por quem não bota fé nessa moda é que os resultados tendem a ir embora tão rápido quanto foram conquistados. “A perda de peso pode até servir de estímulo para uma alimentação melhor. Mas isso é exceção. Depois desse tratamento intensivo, muita gente volta a engordar”, conta Maria Edna.

    Se ainda assim quiser experimentar a dieta detox para tirar a prova, ao menos procure um especialista.

    Invista em estratégias saudáveis

    Antes de pensar em desintoxicar, que tal assumir hábitos que ajudam a evitar o acúmulo de gordurinhas e contribuem para o funcionamento do corpo?

    Açúcar: sal e gordura saturada: não é preciso para eliminá-los, mas cai bem dar uma maneirada.

    Água: não há consenso sobre a dose de consumo. O certo é tomar vários copos ao longo do dia.

    Fibras: leguminosas são cheias dessa substância que dá uma baita saciedade e… desentoxica.

    Frutas: 5 porções é a quantidade ideal de frutas e hortaliças que deveríamos comer todo dia.

    Gorduras insaturadas: são as que blindam a saúde – estão nas oleaginosas, no azeite, nos peixes. Só não vale abusar.

    Carnes brancas: peixes e frango merecem tomar lugar da carne vermelha de duas a três vezes por semana.

    Leite e derivados: o cálcio deles é essencial para blindar os ossos – e há evidências associando o mineral ao controle de peso.

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  • Não, não vamos falar de dietas milagrosas, mas de truques simples revelados por especialistas em nutrição. Claro que nem por isso você vai deixar de lado os exercícios e a alimentação balanceada – a dupla que combate a gordura pra valer

    1. BOTE OS DENTES PARA TRABALHAR

    Mastigar bem faz toda a diferença nesse processo de enxugar a barriga. “Quanto mais você fracionar o alimento, mais fácil fica a digestão, o que evita aquele efeito estufa no abdômen”, garante Marcella Amar, da clínica Essentiale, no Rio de Janeiro. “Se não mastigamos, há uma sobrecarga no estômago e um aporte maior de fluxo sanguíneo, o que distende essa região”, completa a nutricionista e fitoterapeuta Vanderlí Marchiori, de São Paulo.

    2. COMA MENOS E MAIS VEZES

    Excesso de comida faz volume no estômago. Por isso, diminua o tamanho das refeições principais e faça pequenos lanches entre elas. “Procure também se alimentar sem pressa e em ambiente calmo. Quem come num piscar de olhos tende a engolir mais ar, o que também aumenta a barriga”, afirma a nutróloga ortomolecular Tamara Mazaracki, do Rio de Janeiro.

    [adrotate banner=”2″]3. PREFIRA OS ALIMENTOS DE FÁCIL DIGESTÃO

    Alguns itens, como as frutas, os grãos integrais e as verduras, passam mais rapidamente pelo intestino e azeitam seu funcionamento. Já os de absorção lenta favorecem a fermentação, responsável pelo aspecto de barriga inchada. “Logo, evite comidas gordurosas, como queijos, carne vermelha, grão-de-bico, repolho, couve-flor e doces”, recomenda a nutricionista Marcella.

    4. CAPRICHE NAS FIBRAS, MAS SEM EXAGERO

    Elas ajudam o intestino a funcionar, o que elimina aquele aspecto de abdômen estufado. E estão presentes nas frutas, nas hortaliças e nos produtos integrais, como granola, aveia e linhaça. Mas exagerar na dose pode ter o efeito contrário, provocando cólicas e inchaço. “Para facilitar a eliminação do excesso, é importante beber bastante líquido durante o dia”, sugere Vanderli Marchiori.

    5. TROQUE OS REFINADOS POR INTEGRAIS

    Deixe de lado o pão, o arroz, a farinha e a massa convencional e opte pelas versões integrais. De novo, além de terem mais fibras e ajudarem o intestino a funcionar melhor, esses alimentos baixam o índice glicêmico, o que evita a produção excessiva de insulina, hormônio que estimula o organismo a estocar gordura.

    6. MANEIRE NO SALGADO

    Evite alimentos muito condimentados e/ou salgados. Excesso de sódio provoca retenção hídrica, responsável pelo aspecto de inchaço no corpo — inclusive na barriga, claro. “Os condimentos irritam o intestino e aumentam a formação de gases”, explica Tamara Mazaracki. Portanto, olho vivo nos vilões: azeitonas, anchovas, salgadinhos em geral, picles, carne seca, defumados e embutidos (salame, presunto, bacon), queijos salgados e muito temperados (gorgonzola, parmesão, roquefort), catchup e molhos prontos para saladas.

    7. BEBA ÁGUA, MUITA ÁGUA

    Pelo menos dois litros ao longo do dia, mas não durante as refeições, o que dificulta a digestão e favorece a fermentação – e o aumento do volume abdominal. Os líquidos, como água, chás e sucos, além de ajudarem a regular o intestino, permitem também a eliminação do sal. Quanto mais se bebe, mais diluído fica o sódio e mais facilmente ele vai embora com a urina. Mas bebidas gasosas ficam fora dessa, pois dilatam a barriga. “Alimentos ricos em potássio (caso das frutas e dos legumes) são outros que contribuem nessa tarefa de expulsar o sal que ficou sobrando”, completa Tamara

    8. DÊ UMA CHANCE PARA A GORDURA DO BEM

    Já está provado que alguns tipos, como a mono e a poliinsaturada — em doses moderadas, bem entendido –, agem contra os pneuzinhos, principalmente no abdômen. Além disso, elas são capazes de baixar o índice glicêmico da refeição, o que reduz a produção de insulina — ela de novo! Por isso, abra espaço no seu cardápio para o azeite de oliva, o abacate e as frutas oleaginosas, como a castanha-do-pará e a amêndoa.

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  • Frutas, Legumes 03.09.2010 No Comments

    A cada dez adolescentes, sete comem apenas 17% do que deveriam

    As mães sempre reclamam quando seus filhos adolescentes não comem frutas, legumes ou verduras. Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que essa rejeição aos vegetais é mais grave do que se imaginava.

    Após avaliar 812 adolescentes com idades entre 12 e 19 anos e residentes na capital paulista, pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP descobriram que somente 6,4% consomem pelo menos 400 g por dia de frutas, legumes e verduras. Essa é a quantidade mínima diária recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

    Além disso, 22% dos entrevistados não comeram um vegetal sequer no dia da avaliação. A pesquisa se baseou em dados levantados em 2003 pela Secretaria Municipal de Saúde.

    Em entrevista à Agência USP, a nutricionista Roberta Bigio, responsável pela pesquisa, disse que os resultados mostram um cenário preocupante.

    – Há sempre a ideia de que o adolescente come muito mal, porém, não tínhamos dados para confirmar este fato, pensávamos que havia um exagero nas afirmações. Mas os dados levantados são piores do que o esperado.

    A pesquisa revela que a maioria dos adolescentes, 71,6%, consomem em média 70 g de vegetais por dia. Essa quantidade é 17,5% do mínimo necessário.

    De acordo com Roberta, quando se fala em consumir 400 g por dia, isso quer dizer que o adolescente deveria, no mínimo, comer um prato raso de salada de folha, uma porção de cerca de 80 g de hortaliça cozida, como uma cenoura, e três frutas de porte médio durante o dia, como uma banana ou uma maça.

    O baixo consumo desses alimentos, segundo a pesquisadora, afeta o valor nutricional da dieta dos jovens, o que pode resultar em complicações a curto e longo prazo. Ela explica que algumas vitaminas encontradas nesses alimentos são antioxidantes, como a C, a A e a E, e que a falta delas pode levar a inúmeros problemas, como os de doenças cardiovasculares e câncer.

    – Além disso, frutas, legumes e verduras são produtos de baixa caloria e os adolescentes os substituem por produtos altamente calóricos, podendo levar ao excesso de peso e outras doenças decorrentes.

    Fonte R7

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  • Uma pesquisa exclusiva feita com 1.695 leitores da CRESCER mostrou os hábitos da família brasileira à mesa. Descubra aqui por que o exemplo que você dá é tão importante quanto o que serve para seu filho comer

    Muita bolacha e refrigerante, poucas frutas, legumes e verduras e nada de peixe no prato. Uma pesquisa inédita (e exclusiva) feita com 1.695 leitores pelo site da CRESCER mostrou que junk food, comida semipronta e guloseimas variadas invadiram a casa das famílias brasileiras – até para quem tem bebês com menos de 12 meses! –, e a sua pode ser uma delas. Quantas vezes você já disse para o seu filho comer melhor? Quantas vezes quase enlouqueceu tentando fazê-lo engolir algumas colheradas? Milhares de pais têm problemas na hora das refeições. Nossa pesquisa mostrou isso. E mostrou ainda mais. Revelou que o estímulo e principalmente o exemplo que você dá não têm sido dos melhores… Quer ver? Só 3,5% dos pais contaram que comem verduras, legumes e frutas na medida recomendada pelos médicos (cinco porções por dia). Quando a pergunta passa para os filhos, o resultado não é muito diferente, claro: apenas 4% seguem a recomendação.

    49,5% das famílias não arrumam a mesa para o café da manhã

    Fato é que se você não tiver uma alimentação saudável, as chances da criança ter serão pequenas. “O que a gente percebe são as crianças se adaptando aos maus hábitos dos pais, não uma melhora na alimentação depois que elas nasceram. E isso acontece por vários fatores, como falta de tempo e de planejamento. Sabemos de bebês menores de seis meses que já comeram lasanha congelada”, diz Fabíola Suano, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A situação começa mal logo pela manhã. Segundo nossa pesquisa, 49,5% dos pais não arrumam a mesa para o café da manhã e, em 13% dos lares, a criança come em menos de dez minutos e sozinha. Na casa da família de Lucia Helena Barone, 39 anos, mãe de Maurizio, 8 anos, e Eduardo, 3, ninguém se reúne para tomar o café. Aliás, as manhãs são um sufoco, como ela mesma diz. “Eu não tenho disposição para levantar mais cedo e deixar tudo pronto. Como estamos sempre atrasados, meu marido come de pé, na cozinha. O pequeno sempre quer tomar ‘tetê’ vendo televisão, e eu fico por conta dele”, assume.

    4% das crianças comem 5 porções (a quantidade recomendada) de frutas, verduras e legumes por dia

    É curioso pensar que essa refeição é considerada, por todos os especialistas, a mais importante do dia. Inúmeros estudos já comprovaram que o rendimento escolar fica prejudicado quando a criança pula o café. Se na sua casa é assim, você pode, por exemplo, deixar tudo pronto na noite anterior (veja mais dicas) e determinar – sim, para alguns assuntos deixe de lado a democracia – que a televisão só vai ser ligada depois que todos comerem sentados à mesa, juntos. Para isso dar certo, você precisa do apoio de toda a família.

    34% dos pais não almoçam nem jantam com os filhos

    O que falta no prato
    Os problemas com a alimentação se repetem ao longo do dia. As escolhas dos pais, de novo, refletem as dos filhos. Apenas 8% das crianças comem a quantia recomendada de peixes por semana (de duas a três vezes). Uma parcela dos pais, 17%, contou que não prepara nunca o alimento e 52% afirmaram fazer peixe raramente. De fato, o consumo dessa carne no Brasil é baixo, mesmo em áreas onde você poderia comprá-la com mais facilidade, como nas cidades litorâneas. Um dos motivos é que, até pouco tempo, a recomendação para dar peixe para bebês era a partir de 2 anos. Mas a idade baixou. A SBP indica a partir dos 6 meses, na papinha. Os pescados são fonte de ômega 3, que ajuda no desenvolvimento do sistema nervoso cerebral e da retina.

    Seguindo a linha do “exemplo dos pais”, não surpreende saber que o consumo das frutas, verduras e legumes é ínfimo. “O alimento saudável ganhou o estigma de que precisa de mais tempo para ser preparado, e não é verdade. O que faz a diferença é o planejamento. Passe a comprar hortaliças que vêm processadas e higienizadas, além de polpas congeladas para fazer sucos esporadicamente. Em casa, deixe a salada limpa à noite para consumir no outro dia”, afirma Raphaella Machado, nutricionista da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Enquanto o consumo de alimentos saudáveis mostrou-se baixo na pesquisa feita por CRESCER, o de bolachas, refrigerantes e sucos de caixinha não seguiu o mesmo caminho. As respostas mostraram que 38,5% das crianças e 17% dos pais consomem bolachas pelo menos quatro vezes por semana. Quando o assunto é refrigerante, esses números ficam em 34,5% e 52%, respectivamente. Já no caso do suco industrializado, 40% dos pais afirmaram dar a bebida pronta de duas a cinco vezes por semana, em comparação aos 26% que fazem suco natural no mesmo período. A antropóloga Carmen Rial, da Universidade Federal de Santa Catarina, afirma que o consumo desses alimentos também aumentou a quantidade de vezes que comemos por dia. Antigamente, esse número não passava de cinco. Hoje, são mais de 20, por conta dos chamado “beliscar”. “Na prática, a comida se dissociou das refeições principais”, diz.

    Não é para você abolir as guloseimas da sua vida. Se sentir vontade de refrigerante, por exemplo, é melhor tomar fora de casa. O mesmo vale para os alimentos mais calóricos. Se seu filho ver você provando, vai pedir. Não porque as crianças nascem com um desejo inato por junk food. Na verdade é uma tentativa do bebê de se aproximar da família. Mas, sim, as crianças aceitam mais facilmente alimentos macios, uma característica da maioria das comidas processadas, como nuggets, salsicha e hambúrguer. “Quando o pai fala que o filho não come, a gente pergunta: ele não come nada mesmo? Geralmente, ele aprendeu a gostar do que é altamente processado”, diz Fabíola, da SBP. Em casos assim, e quando o que a família come não é legal, os especialistas recomendam que os pais comprem comida em restaurantes que vendem por quilo pelo menos três vezes por semana. Assim você tem uma variedade no cardápio e mais chances de comer verduras e legumes, por exemplo. “Quanto mais velha a criança, mais difícil vai ser a reeducação alimentar”, afirma. Por isso, o exemplo é tão importante – para o que é bom e para o que não é.

    João, 3 anos, experimentou refrigerante pela primeira vez em casa, aos 8 meses. E não foi ele quem pediu para provar. A mãe, Kelly Pedroso, 28 anos, sempre tomava e um dia ofereceu ao filho. “Ele fez uma careta na hora, mas depois gostou.” Hoje o garoto adora salgadinho, batata palha, pizza e bolacha recheada. “Comida feita em casa a gente quase não dava, porque nós também comíamos muita coisa pronta. Eu ‘entupia’ o João com essa comida, mas a fome dele parecia não passar. Então eu dava mais. A babá fazia o mesmo”, afirma. Só pouco mais de um mês, Kelly começou a ter medo que o menino ficasse obeso, que pudesse ter uma doença grave provocada pela má alimentação. De fato, os maus hábitos podem aumentar as chances de problemas de saúde na infância, como obesidade e diabetes, e na vida adulta, como doenças cardiovasculares. Agora, a reeducação alimentar de João é acompanhada por uma equipe multidisciplinar que inclui pediatra e nutricionista. Saíram de cena as comidas ruins. Mas a mudança espantou também a fome do garoto, que neste momento só quer tomar leite.

    COM OS AVÓS PODE TUDO
    Mais de 65% dos pais discutem com os avós sobre a alimentação da criança. Se seu filho fica pouco tempo com eles, releve uma ou outra guloseima que derem. Se eles ajudam na criação, você tem que definir algumas regras. Uma sugestão é levá-los a uma consulta com o pediatra, para saberem o que a criança tem que comer e como.

    Na pesquisa, perguntamos aos pais o que fazem quando o filho se recusa a comer. A solução de 31% é dar mamadeira que, em 49% das casas é preparada com uma ou mais colheres de achocolatado em pó e açúcar. Claro que a criança prefere a mamadeira, mais fácil de ser ingerida do que um prato de comida e ainda docinha. E claro também que é mais fácil para você: seu filho aceita, toma sozinho e, pelo menos, não fica de barriga vazia. Mas o leite não substitui a refeição porque não oferece a quantidade de nutrientes que a criança precisa. A curto prazo, você não vai notar os problemas. Mas eles vão chegar. Um dos mais comuns é a anemia, carência de ferro. Uma pesquisa realizada em Minas Gerais com bebês de 6 a 12 meses mostrou que 60% tinha algum grau da doença, que causa desde dores de cabeça até desmaios.

    Kyara Rebecchi, 26 anos, mãe de Laura, 1 ano e 10 meses, apela para o leite e outros truques quando “bate um desespero”, ou seja, quando a filha se recusa a comer. “Tem que ser tudo na marra. Um dia falei que se ela não comesse ia vir o monstro que come os dedinhos do pé. O pai fez até barulho atrás da porta para assustá-la. Como o monstro nunca veio, ela não aceitou mais a desculpa. Foi uma grande bobeira. Não resolveu o problema da comida e ainda criei um medo desnecessário”, diz, em tom de arrependimento.

    Se você está disposto a solucionar os problemas alimentares da sua casa, comece a repensar os seus hábitos. Se você não gosta de legumes, por exemplo, faça uma torta caseira em que a cenoura seja um dos ingredientes. Mostre o alimento in natura ao seu filho e depois sente-se para comer com ele. Tente colocar no seu prato pelo menos uma folha de salada. Se for preciso, conte até três e coma de uma vez. Quando você oferece para a criança mas não prova junto, um dia ela vai parar de comer. Isso acontece por volta do primeiro ano, quando o bebê percebe que os pais não comem o mesmo que ela.

    Quando a família não tem restrição alimentar, é mais fácil colocar as mudanças em prática. Comece pelas compras no supermercado – o que você coloca no carrinho e o que seu filho pede para você pôr. Faça algumas substituições. O saldo final precisa ter mais alimentos saudáveis que processados. Tente também estabelecer uma relação mais amigável com o tempo. A gente sabe que ter jornada dupla (ou tripla) não é fácil, mas se esforce para fazer pelo menos uma refeição por dia com seu filho. Na pesquisa feita por CRESCER, 34% dos pais nem almoçam nem jantam com a criança. Veja se é possível combinar com seu chefe um horário maior para o almoço, assim você consegue comer em casa, ou então entrar e sair mais cedo para jantar com seu filho, sem correria.

    Outro problema é que, muitas vezes, a falta de paciência dos pais é levada para a mesa. Bebês a partir de seis meses reconhecem a irritação no semblante dos pais. E mais: eles já conseguem estabelecer relações sobre isso. “Eles pensam que comer não é legal porque ‘meu pai/minha mãe fica bravo’”, afirma Fabíola. Tenha em mente sempre que fazer uma refeição em família é tão importante quanto cuidar de uma alimentação saudável. Você cria um vínculo emocional, que começou no aleitamento materno. “Neste momento também está sendo formada a personalidade da criança”, diz Fabíola. Você pode pensar que é um exagero relacionar caráter à hora das refeições. Se a gente imaginar que as pessoas estão ali só para comer, pode até ser. Mas é preciso ir além. Na mesa você instiga a curiosidade sobre novos sabores, troca experiências do dia a dia, ensina seu filho a dividir, esperar, ser generoso, ter comprometimento com horários, a saber ouvir – sem falar no aprofundamento (delicioso) da relação de vocês.

    COMO FOI FEITA A PESQUISA

    A participação nessa última pesquisa realizada por CRESCER foi recorde: 1.695 leitores responderam nossas perguntas. Mais de 60% deles têm entre 25 e 39 anos, 88% são casados e 52% são pais de crianças entre 1 e 3 anos. Trabalham em período integral 58,5%.

    Agradecimentos: Dzarm
    Agradecimentos: Hering
    Fonte: Maria Emilia Suplicy, nutricionista do Hospital Pequeno Príncipe; Vivian Braga, antropóloga, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas; Wilson Salgado Júnior, pediatra do Prontobaby – Hospital da Criança (RJ).

    Fonte Revista Crescer

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