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Estudo revela que cuidar da microbiota beneficiaria não apenas o funcionamento do intestino, mas também a saúde mental

A cada dia, novas pesquisas reiteram os papéis da microbiota intestinal — trilhões de micro-organismos que habitam o intestino — dentro do nosso corpo. Uma microbiota saudável contribui, entre outras coisas, para a imunidade e o metabolismo. Isso acontece porque bactérias e companhia produzem nutrientes, vitaminas e outras substâncias com ação local ou a distância. E até o sistema nervoso é influenciado por elas. Por isso falamos no eixo intestino-microbiota-cérebro.

Acontece que o estresse mental e físico, o descuido com o estilo de vida e uma dieta desbalanceada também impactam nos micro-organismos do aparelho digestivo. Nesse contexto, a microbiota pode se modificar e deixar de oferecer benefícios. Algo que tem reflexo inclusive na saúde mental.

A novidade é que experimentos recentes sugerem que doenças psiquiátricas podem ser tratadas com a regulação da microbiota intestinal, conforme conclui uma revisão de estudos do Centro de Saúde Mental de Xangai, na China.

Os investigadores analisaram 21 trabalhos de qualidade, 14 deles testando probióticos (micro-organismos que, ingeridos em quantidade adequada, oferecem vantagens a quem os recebe) e os outros sete avaliando ajustes na dieta. Os cientistas chineses verificaram, então, que mais da metade dessas pesquisas encontrou efeitos positivos sobre os sintomas de ansiedade.

ipos específicos de bactérias através de um suplemento que pode ter sido usado por tempo insuficiente para produzir mudanças reais no ambiente intestinal. Outro ponto a destacar: a maioria dos estudos não encontrou eventos adversos.

Com esses dados, os pesquisadores chineses reforçam a ideia de que regular a microbiota por meio de mudanças na dieta e/ou uso de probióticos pode ser uma alternativa, ao lado dos tratamentos psiquiátricos consagrados, para aliviar os sintomas da ansiedade — situação que, segundo estimativas, afeta um terço da população mundial pelo menos em algum momento da vida.

Enquanto vemos avanços no diagnóstico e nas opções terapêuticas, o aspecto social que envolve essa doença psiquiátrica tem muito a evoluir

O tratamento da esquizofrenia, transtorno mental crônico que atinge cerca de 1 milhão de brasileiros, tem alcançado avanços importantes, com o surgimento de novas opções terapêuticas. A doença, no entanto, possui um aspecto social que também exige muita atenção: o estigma que acompanha os portadores. Preconceito e desconhecimento, quando não combatidos, prejudicam a todos os envolvidos.

Tanto esquizofrenia como estigma são palavras que têm origem grega. A primeira quer dizer “mente dividida”, em referência à mistura de realidade e ilusão em que vivem os portadores da doença, acometidos por alucinações e delírios. A segunda, antes um sinal corporal que identificava de alguma forma o indivíduo, deixou de ser característica física para rotular de forma muito mais ampla o representante de determinado grupo, provocando discriminação, sofrimento emocional e enormes dificuldades de inserção social.

Estereótipos de vários tipos (raciais e religiosos, entre outros) estão enraizados em nosso dia a dia, e os problemas mentais têm sido historicamente terreno fértil para generalizações e distorções, muitas vezes propagadas em obras de ficção, programas humorísticos e até nos noticiários.

Exemplo disso é o uso metafórico da palavra esquizofrenia em contextos que vão da política ao futebol. Torná-la sinônimo de desordem, imprevisibilidade e falta de bom senso é banalizar uma grave condição médica e alimentar estigmas. Machuca os pacientes e seus familiares.

A desinformação, por falta de acesso ou interesse, gera uma série de equívocos sobre a esquizofrenia. Envolvem, entre outras coisas, as causas da doença e o perfil dos pacientes, considerados por muitos como perigosos, violentos e inaptos para o convívio e para atividades como estudo e trabalho.

A boa notícia é que no Brasil e no mundo há várias iniciativas empenhadas em disseminar conhecimento e conscientizar a população.

O primeiro grande passo foi dado pela Associação Mundial de Psiquiatria, que, em 1996, lançou um programa de combate à estigmatização da esquizofrenia chamado Open the Doors – ele foi adotado em 20 países.

No Brasil, onde começou em 2001 com apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo (Proesq), ele deu origem à Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre).

Essa organização sem fins lucrativos tem como missão “melhorar a qualidade de vida das pessoas com esquizofrenia e de seus familiares, defender seus direitos, eliminar o estigma, disseminar informações e promover o diálogo sobre natureza e tratamento da esquizofrenia”.

O tratamento, aliás, tem avançado de maneira bastante significativa, possibilitando um melhor convívio familiar e social. As inovações que surgiram recentemente favorecem a adesão ao uso contínuo dos medicamentos, controlam de forma eficiente os sintomas e previnem ou retardam os episódios de recaída, tão frequentes durante o curso da esquizofrenia.

A saúde mental é um dos temas mais relevantes do nosso tempo, com implicações que vão muito além da esfera médica. Mas é o drama humano que, acima de tudo, deve mobilizar autoridades, empresas e cidadãos comuns. As pessoas são muito mais complexas e importantes do que a doença que elas têm.

É função de todos contribuir para minimizar o estigma que cerca a esquizofrenia, a depressão e outras enfermidades psíquicas. Ele é gatilho para consequências como desemprego, isolamento, abuso de drogas e suicídio. A receita é simples: informação, informação e mais informação.

*Ary Gadelha é coordenador do Programa de Esquizofrenia e professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), além de vice-presidente da Associação Brasileira da Neurociências Clínicas (Abranec).

Estudo aponta que momentos de tensão durante a vida dos homens repercutem até no esperma, o que afetaria a mente da futura geração

Não é novidade que alguns traços de personalidade podem ser herdados. De um jeito simplista, seus pais recebem genes dos antepassados que, quando difundidos para você, reforçam a tradição mais irritadiça ou pacata da família.

Só que cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, testaram se mesmo fases difíceis da vida já impactariam no esperma a ponto de tornarem os descendentes mais estressados.

Para isso, submeteram camundongos machos a vários martírios. Aí coletaram o sêmen dos bichos e fecundaram uma fêmea. Pois bem: quando cresceram, os filhotes desenvolveram uma resposta exagerada a momentos de apreensão.

“Eu realmente acredito que certas influências do ambiente podem ser transmitidas para a prole”, diz o geneticista Ciro Martinhago, da Chromosome Medicina Genômica, em São Paulo. “Mas estudos com animais, ainda mais envolvendo questões psicológicas, devem ser vistos com muita cautela”, ressalva.

Outras influências ambientais nos bebês que estão por vir

Tabagismo: uma pesquisa da americana Universidade Harvard indica que netos de mulheres fumantes tinham uma probabilidade 18% maior de serem obesos na adolescência.

Alimentação: muitas gestantes europeias passaram fome durante a Segunda Guerra Mundial. Eis que seus filhos e netos herdaram uma maior propensão à obesidade.

Psicóloga destrincha o impacto da depressão e da ansiedade no risco cardiovascular. Melhor dar mais atenção à saúde mental

A depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico, desordens mentais muitas vezes negligenciadas entre a família e os amigos devido ao desconhecimento que ainda existe sobre essas doenças, são um problema sério e cada vez mais comum. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje existem mais de 350 milhões de deprimidos em todo o planeta.

Além dos sintomas intrínsecos ao quadro — tristeza profunda, isolamento social, falta de entusiasmo com a vida… —, a depressão (e mesmo o transtorno de ansiedade e a síndrome do pânico) agrava ou se soma a fatores de risco tradicionalmente reconhecidos como causadores das doenças cardiovasculares, caso de obesidade, tabagismo, pressão elevada, colesterol alto, diabetes, sedentarismo…

Um estudo interessante sobre o tema, conduzido pelo médico Kalil Duaillib, professor titular de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa), foi apresentado no último Congresso da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) em 2017.

O trabalho deixa claro que o manejo do estresse e o tratamento da depressão — bem como da ansiedade e do pânico — contribuem para a redução da ocorrência de eventos cardiovasculares. Os riscos são concretos, uma vez que os problemas de origem mental estão associados a situações comprovadamente ameaçadoras para o coração.

Uma delas é a insônia, caracterizada pela demora excessiva para dormir, acordar com frequência durante o sono ou despertar antes do tempo adequado. Quem tem insônia e dorme por volta de seis horas por noite corre um risco 30% maior de desenvolver hipertensão no comparativo com pessoas com sono normal. Já quem tem insônia e dorme menos de cinco horas por noite enfrenta um risco 520% maior!

As pessoas com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) apresentam, por sua vez, um risco 30% maior de ter uma doença cardiovascular.

Ao redor das dificuldades psicológicas rondam outros fatores nocivos ao sistema circulatório. No Brasil, assim como ocorre no México, vem aumentando de maneira expressiva o consumo de álcool pela população. Além disso, 1,5 milhão de brasileiros com mais de 18 anos fuma maconha todos os dias e 8,4 milhões o fazem quatro vezes por semana. Muitos desses comportamentos estão relacionados a depressão, estresse, ansiedade e síndrome do pânico.

É preciso considerar também que o indivíduo deprimido não raro abandona o tratamento de uma enfermidade e tende a ingerir álcool e outras substâncias.

Repito: depressão, ansiedade e síndrome de pânico são problemas graves. Esses inimigos aparentemente invisíveis da saúde e do coração não são simples crises de tristeza, abatimento ante um fato pontual da vida ou melindre, temperamento e capricho, como às vezes são interpretados pela sociedade. Falamos de doenças que merecem máxima atenção, apoio e tratamento médico especializado. Inclusive pelo bem do coração!

Levantamento com dados de quase 4 milhões de pessoas aponta que viver (ou se sentir) sozinho é bem mais prejudicial do que parece

Muito se fala sobre a prevalência e os prejuízos da obesidade. Mas uma análise apresentada na 125ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia alerta para outro mal pra lá de nocivo: a solidão. De acordo com os condutores do trabalho — cientistas da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos —, uma das principais ameaças nesse sentido seria o aumento do risco de morte prematura.

A pesquisa ocorreu em duas partes. Na primeira, 148 estudos foram avaliados, totalizando 300 mil pessoas. Cruzando as informações dessa turma, os experts americanos concluíram que quem cultiva bons relacionamentos interpessoais tem 50% mais chances de não falecer antes da hora em comparação aos solitários.

Já a segunda etapa considerou os dados de aproximadamente 3,4 milhões de voluntários, divididos em 70 pesquisas. Como era de se esperar, também houve uma clara relação entre a solidão ou o isolamento social e o risco de morrer antes do tempo. Mas o que intrigou os experts é o fato de esses problemas, segundo o estudo, serem tão deletérios quanto a obesidade ou outras condições sérias de saúde.

O isolamento social é definido como pouco ou nenhum contato com outros indivíduos. A solidão, por sua vez, é marcada pela falta de conexão emocional com os demais. Ou seja, é possível se sentir sozinho mesmo em meio a um mar de gente.

Durante a convenção em que essa revisão foi apresentada, a professora de psicologia Julianne Holt-Lunstad, uma de suas autoras, destacou a relevância do achado para os que estão na terceira idade, quando a falta de contato social é mais comum. Para ela, tal associação reforça a importância de investirmos em iniciativas que promovem o engajamento e a interação desse público, como centros de recreação e jardins comunitários.

Essa síndrome caracterizada por dores generalizadas e crônicas também anuvia nossas habilidades cognitivas

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O último Congresso Brasileiro de Reumatologia trouxe à tona um efeito pouco discutido desse distúrbio. O chamado fibrofog (uma aglutinação das palavras fibromialgia e neblina, em inglês) consiste na perda da capacidade de manter a atenção e guardar fatos na memória. “Hoje esses sintomas até fazem parte do diagnóstico do problema”, diz o médico Eduardo Santos Paiva, da Sociedade Brasileira de Reumatologia. “As dores ocupariam o cérebro de tal forma que ele deixa de fazer suas funções adequadamente”, argumenta. Mas, ao domar os incômodos, a massa cinzenta volta a trabalhar direito.

Regras de ouro para deixar a mente tinindo

Trate o mal em si

Em vez de medicar o esquecimento, busque, com um expert, alternativas contra a própria fibromialgia.

Faça exercício

Ele aumenta a tolerância à dor e turbina a memória.

Afaste a depressão

A melancolia grave é tão comum entre fibromiálgicos quanto danosa aos neurônios.

Sobrou para a massa cinzenta

Não é só a fibromialgia que bagunça o raciocínio

De acordo com o reumatologista Eduardo Santos Paiva, qualquer doença que provoca desconfortos com frequência pode ocasionar distração – além de mau humor e tristeza. Ao flagrar uma dessas encrencas, não demore para buscar atendimento especializado.

Você já deve ter tentado passar alguns momentos sem pensar em nada, apenas para descobrir que se trata de algo muito difícil de fazer. Afinal, nosso cérebro nunca descansa de verdade. Mas, ao contrário do que se pensa, “sonhar acordado” pode fazer bem para a saúde mental.

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Durante muitos anos, neurocientistas realizaram pesquisas com base no pressuposto de que o cérebro trabalha mais quando tem uma tarefa específica pela frente e “desliga” se não está sendo estimulado ativamente.

É por isso que sempre ouvimos falar de testes com voluntários em que eles cumprem alguma tarefa enquanto seu cérebro é monitorado por tomografia ou ressonância magnética. O exame revela quais partes da mente estão mais ativas durante determinada ação, o que possibilita compreender como ela controla nosso comportamento.

Entre um teste e outro, os pesquisadores costumam pedir para o voluntário olhar para um ponto específico ou não se concentrar em nada, como uma maneira de trazer o cérebro para um estado “neutro”.

Mas há um problema: o cérebro simplesmente não desliga.

Rede em default

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O primeiro sinal de que o cérebro em repouso está, na realidade, ativo veio há duas décadas. Um estudante chamado Bharat Biswal, da Faculdade de Medicina do Wisconsin (EUA), investigava maneiras de encontrar um sinal mais puro vindo de um tomógrafo ligado a um voluntário. Mesmo quando pedia para o indivíduo não pensar em nada, percebeu que não só o cérebro continuava em atividade como também a coordenava.

Em 1997, uma análise feita pela Universidade Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, e que incorporou resultados de nove estudos de tomografia cerebral revelou mais uma surpresa: uma rede de conexões cerebrais que é ativada quando não estamos concentrados em nada.

Gordon Shulman, principal autor da pesquisa, notou que algumas áreas do cérebro se tornavam menos ativas quando o voluntário terminava seu período de descanso e começava a realizar alguma atividade. Isso sugere que enquanto uma pessoa está no tomógrafo, supostamente sem fazer nada, partes de seu cérebro estão mais ativas do que quando tem que cumprir uma tarefa.

Até hoje, quase 3 mil estudos científicos já foram publicados a respeito do “estado de repouso” do cérebro e sua surpreendente atividade. Alguns cientistas até rejeitam o termo, alegando que o cérebro nunca descansa e preferindo falar em Default Mode Network (DMN) (“rede em modo default”, em tradução literal), ao se referirem às áreas cerebrais que permanecem ativas quando o órgão parece não estar se concentrando em uma tarefa.

Consolidar memórias

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A grande dúvida é: por que o cérebro em repouso é tão ativo?

Existem várias teorias, mas por enquanto os cientistas ainda não chegaram a um acordo. Alguns acreditam que as diferentes áreas do cérebro estejam apenas treinando como trabalhar juntas. Outros acham que o cérebro é como um carro em ponto morto, que precisa estar pronto a arrancar caso necessário.

Há ainda os pesquisadores que defendem que essas “viagens” da mente tenham um papel fundamental para consolidar memórias. Sabemos que, à noite, nossos sonhos ajudam o cérebro a organizar o que aprendemos e vivemos durante o dia. Agora há evidências de que isso também acontece quando estamos acordados, conforme apontou um estudo do Centro de Neurociência Integrativa da Universidade da Califórnia em San Francisco, publicado em 2009.

Também sabemos que quando deixamos a mente viajar, ela normalmente se concentra no futuro. E as três principais áreas do cérebro envolvidas na imaginação do futuro são parte da DMN.

É como se o cérebro fosse programado para contemplar o futuro toda vez que se encontra desocupado.

Segundo o neurocientista Moshe Bar, da Faculdade de Medicina de Harvard, sonhar acordado essencialmente cria memórias de eventos que não aconteceram. “Isso nos dá um estranho conjunto de ‘experiências prévias’ que podemos usar para decidir como agir caso essas imaginações se tornem realidade”, afirma.

“Muitas pessoas que viajam de avião costumam pensar em como seria sofrer um acidente. Se um dia houver mesmo um acidente, as memórias dessas visualizações podem ajudar o passageiro a decidir o que fazer na situação”, diz o pesquisador.

Conexões peculiares

O estado de repouso não é fácil de ser estudado. Mas os cientistas estão avançando. Um estudo realizado nos Estados Unidos e na Alemanha, publicado em outubro, indicou que nós experimentamos o estado de repouso de maneiras diferentes.

Os pesquisadores conduziram um estudo de tomografia de cinco pessoas que foram treinadas para recontar suas fantasias cada vez que ouvissem um bip do computador. Os pesquisadores encontraram diferenças consideráveis entre as experiências e pensamentos de cada pessoa.

Em setembro, pesquisadores da Universidade de Oxford usaram tomógrafos em 460 pessoas em estado de repouso para explorar quais partes do cérebro se comunicam entre si nesse momento. Novamente, os resultados apontam para diferenças pessoais, ligadas a habilidades e experiências de vida.

O estudo mostrou que a força entre as conexões das diferentes partes do cérebro varia de acordo com a memória da pessoa, seu nível de escolaridade e sua resistência física. É como se partes do cérebro permanecessem conectadas quando nossa mente viaja, para o caso de precisarem ser reativadas.

Cientificamente, a descoberta de que o cérebro nunca se desliga pode ajudar a resolver um antigo mistério: por que o órgão usa 20% da energia do corpo quando suas atividades deveriam precisar de apenas 5%?

Para Marcus Raichle, neurologista da Universidade Washington em St. Louis, a atividade durante o estado de repouso poderia explicar essa discrepância.

A descoberta do estado de repouso também tem o potencial de mudar a maneira como compreendemos o cérebro.

Sabemos que é difícil esvaziar a mente e sabemos que ela tem a tendência de divagar mesmo quando não queremos.

Mas, ao que parece, essas “viagens” podem ser realmente benéficas – mesmo se elas não permitem que terminemos uma tarefa antes do prazo.

Ou seja, talvez esteja na hora de comemorarmos as virtudes de uma mente ociosa.