• Parece que é no frio, quando as rachaduras pipocam graças ao clima seco, que os lábios sofrem mais. Mas só parece. No verão, a boca precisa de proteção extra tanto quanto a pele do rosto.

    Pra começo de conversa, os raios ultravioleta também aumentam o risco de tumores por ali. “Os cânceres mais comuns na região são do tipo que não costumam se espalhar pelo resto do corpo. Mas eles tendem a ser diagnosticados em estágio avançado”, explica André Braz, dermatologista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

    “E, quando isso acontece, geralmente precisamos remover uma parte grande do lábio”, completa o médico. Ou seja, embora o risco de morte não seja grande, o de marcas no rosto é considerável.

    Além disso, o sol é um financiador do envelhecimento precoce. Logo, lábios muito expostos a sua radiação têm maior risco de ficarem enrugados antes do tempo. “Como é uma área de transição entre pele seca e a mucosa da parte interna da boca, ela não tem a última camada da derme”, aponta Braz. “Por isso, é mais sensível e possui uma menor capacidade de se defender da radiação”, completa.

    Rotina de cuidados

    Antes de se expor ao sol, passe um protetor específico para os lábios. “Ele deve ser colorido para oferecer proteção física e química contra a radiação”, orienta Braz. Depois que já estiver ao ar livre, reaplique a cada duas horas ou sempre que a barreira física parecer sumir, como no caso de um mergulho na água.

    Vale também investir em um hidratante labial. É que, mais do que provocar rachaduras, a secura abre caminho para micro-organismos nocivos. “Se a pessoa pega um sol muito forte e a boca resseca, a imunidade pode cair, o que favorece o aparecimento do herpes e outras infecções orais”, alerta Braz.

    E não precisa ser nenhum produto muito rebuscado. A boa e velha manteiga de cacau dá conta do recado.

    Alguns itens oferecem ainda antioxidantes e outros nutrientes em sua composição, mas, nesses casos, é preciso atenção. “Produtos com vários princípios ativos geralmente prometem mais do que cumprem”, comenta Braz.

    Na dúvida, opte por um hidratante que ofereça apenas uma substância principal, como a vitamina C, e escolha marcas confiáveis, de preferência recomendadas pelo dermatologista. O segredo é usar o protetor durante o dia e, a partir do fim da tarde, hidratar o local.

    Ah, e não adianta usar um produto por cima do outro. Isso diminui a aderência e, consequentemente, a eficácia dos dois.

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  • Na boca, a cárie se forma a partir das bactérias Streptococcus mutans, que formam grupinhos chamados de placas (ou biofilme) para abocanhar a sacarose, o açúcar dos restos de comida. Elas produzem um ácido que corrói os minerais do dente até quebrá-lo.

    Mas, tirando esses aspectos biológicos, ainda há muita coisa que as pessoas não sabem sobre esse problema. E que, até por isso, podem contribuir para a piora da saúde bucal. É aí que entra a SAÚDE com um especial sobre fatos importantes (e ainda pouco conhecidos) sobre as cáries. Confira:

    Ter cárie não é normal

    Embora mais da metade dos brasileiros já tenha tido cárie alguma vez na vida, ela não deve ser encarada como um problema trivial. É importante agir para evitar que manchas e pontinhos apareçam e levem à quebra ou à perda do dente.

    O bacana é que, segundo o Ministério da Saúde, a incidência da chateação na população brasileira caiu de 69% em 2003 para 56% em 2010. Parte desse resultado se deve à Política Nacional de Saúde Bucal, chamada Brasil Sorridente.

    Criado em 2003, o programa, entre outras ações, fomentou a incorporação de flúor à água. No entanto, a cárie ainda é o maior problema em consultórios odontológicos. “Se houver mudanças na alimentação e na higiene, é possível paralisar a doença”, diz Fausto Mendes, odontopediatra da Universidade de São Paulo (USP).

    É mais que uma questão estética

    Sim, a cárie é capaz de afetar a autoestima. “Uma criança pode desenvolver problemas de socialização”, nota Mendes. Prevenir-se da encrenca, porém, é muito mais do que garantir um sorriso bonito.

    Se não for tratada, a cárie lesiona a camada da dentina, provocando dor e sensibilidade. Mais: o indivíduo mastiga menos e sabota a digestão.

    Em estágio avançado, ataca a polpa dentária, tecido mole com nervos e vasos sanguíneos, causando infecção. “Se os micro-organismos atingirem a corrente sanguínea, é um perigo”, alerta a dentista Amélia Mamede, diretora da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). “Já atendi um paciente que precisou ir para a UTI por causa de uma infecção em um dente de leite”, lembra. Pois é: as bactérias e a inflamação gerada por elas semeiam a discórdiaem outros cantos do corpo.

    A culpa não é toda da bactéria

    Anos atrás, a ciência atribuía a cárie exclusivamente aos micro-organismos. Mas tem outro vilão nessa história, o açúcar dos alimentos. “As bactérias estão na boca de todo mundo. Mas o açúcar, além de ser transformado em ácido por elas, seleciona aqueles exemplares com maior habilidade para esse processo”, explica o dentista Jaime Cury, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    A saliva ajuda a equilibrar a acidez da região e devolver os minerais ao dente, mas, quando há doce demais, não dá conta do recado. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda reduzir o açúcar a no máximo 10% das calorias ingeridas por dia, algo em torno de dez colheres de chá. E não vá dormir sem escovação – afinal, é quando você ficará mais tempo à mercê das bactérias.

    Bochecho com muita água após escovar os dentes pode ser problema
    As pesquisas, a bem da verdade, ainda divergem sobre esse ponto. Um estudo escocês publicado no periódico Caries Research acompanhou mais de 3 mil crianças por três anos e concluiu que fazer bochecho com água depois da escovação prejudicaria os dentes.

    Outro levantamento, na mesma edição, apontou o contrário. Nele, os pesquisadores avaliaram 276 adolescentes de 12 anos. A turma que recebeu orientação de realizar o enxágue não apresentou mais cárie do que quem apenas cuspia a espuma. E os dois grupos desenvolveram menos a doença em comparação aos jovens que não foram orientados sobre o jeito certo de usar a escova.

    Jaime Cury, da Unicamp, explica que de fato o líquido reduz um pouco a concentração de flúor deixada na boca pela pasta. “Mas só quem tem mais propensão à cárie precisa diminuir a quantidade de água na hora do bochecho”, pondera. A dentista Amélia Mamede dá uma dica para poupar o mineral da diluição: “Não passe a escova embaixo da torneira depois de colocar o creme dental”.

    Cárie não é transmissível

    Há quem acredite que é possível espalhar a doença com um beijo ou ao dividir um copo. A crença é baseada naquela ideia de que as bactérias são as únicas responsáveis pela chateação – e, portanto, passariam de uma boca a outra. Mas, como já vimos, a ciência deu seu veredicto. “Cárie não é infecciosa nem transmissível. Ela depende da dieta e da higiene do indivíduo”, reforça a odontopediatra Helenice Biancalana, vice-presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD). Não custa relembrar: o principal agente da redução de cárie no mundo é o flúor, presente na água e na pasta ou aplicado em consultório.

    Escovar mais vezes não significa maior proteção

    O flúor da pasta ajuda a impedir o desenvolvimento da cárie. Fora que a ação mecânica decorrente da escovação dificulta a instalação da doença. Porém, isso não é motivo para viver escovando os dentes.

    Uma pesquisa até chegou a observar os efeitos da higienização antes das refeições. “As análises não verificaram ganhos entre aqueles que fazem isso. O ritual após as refeições, sim, é essencial porque remove os restos de alimentos”, afirma Fausto Mendes.

    Sem contar que, ao limpar a boca depois de comer, você garante pelo menos três escovações por dia, o número ideal aconselhado por dentistas. Escovar os dentes duas vezes por dia reduz em 70% o risco de ter cárie.

    Dente de leite com cárie também é encrenca

    Ele nasce a partir dos 4 meses de vida e pode permanecer até 12 anos na boca – por isso é tão importante quanto o permanente. Hoje, sabe-se que quem tem pontos pretos e manchas nos dentes ainda criança corre maior risco de reincidência mais tarde.

    Por sua vez, os pequenos acostumados a escovar os dentes tendem a manter o hábito pela vida toda. “Se o indivíduo atravessou a primeira e a segunda infância sem cárie, significa que tem uma dieta saudável”, avalia Cury.

    Vale lembrar que o dente de leite abre caminho para o definitivo. “Se for retirado porque a cárie atingiu a polpa, o permanente pode sair no lugar errado ou torto”, avisa Amélia. Além disso, há o risco de as bactérias caírem na corrente sanguínea, um perigo ainda maior para crianças.

    Fluorose, o outro lado da moeda

    Herói no combate à cárie, o flúor em excesso pode causar manchas brancas ou amareladas e deixar os dentes quebradiços. Apesar disso, dentistas rechaçam a ideia de abdicar do mineral. “A fluorose só se tornaria grave se a pessoa comesse creme dental no pão”, afirma Cury.

    E abrir mão do flúor prejudica a batalha contra a cárie, esta sim uma questão de saúde pública. Para prevenir o problema, a palavra de ordem é conter o ímpeto ao apertar o tubo de pasta. Bebês menores de 3 anos devem usar o equivalente a um grão de arroz cru. Acima dessa idade, incluindo adultos, a medida passa a ser igual a uma ervilha.

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  • Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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    Os últimos dias não foram fáceis para o fio dental. Ele ganhou status de item supérfluo no “Dietary Guideline for Americans”, uma publicação que serve como uma espécie de manual de políticas públicas da saúde americana. E desde agosto, quando o documento foi divulgado, essa informação deixou muita gente com a pulga atrás da orelha.

    Mas, para o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), não há motivos para questionamentos: aposentar o fio dental está fora de questão. Inclusive, seu uso deve ser encorajado. Segundo a entidade, ele garante a limpeza correta em locais da boca que a escova não consegue atingir, remove restos de alimentos entre dentes e também auxilia na eliminação da placa bacteriana.

    Por isso, o Crosp reforça que o fio dental não deve ser visto como um mero coadjuvante. Mais: derrapar na higienização bucal (que ainda inclui a escova, é claro) pode resultar em diversas encrencas, de cáries até a perda dos dentes.

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