• O esgotamento físico e mental associado ao trabalho já afeta três em cada dez brasileiros. Seus principais indutores são sobrecarga de funções, falta de autonomia, ausência de reconhecimento aos esforços, perda de valores, competição desmedida e desconfiança exageradas. Quer saber se você está sob risco de desenvolver o burnout? Inicie o teste abaixo!

    Como funciona: atribua a nota 1 se a frase se aplica raramente à sua vida, 2 se acontece às vezes ou 3 se ocorre frequentemente. Ao final das 12 etapas, faça a soma e confira o resultado logo a sequência.

    Frases

    1-Minha rotina tem mais custos do que benefícios
    2-Mesmo quando estou de férias, me sinto cansado e desmotivado
    3-Tenho pouco controle sobre o ritmo e o cronograma do meu trabalho
    4-Sinto-me sobrecarregado mesmo quando não estou trabalhando
    5-Tenho faltado ao trabalho porque me sinto doente
    6-Considero meu desempenho profissional insatisfatório
    7-Tenho me isolado de meus amigos e familiares
    8-Executo tarefas incompatíveis com meus valores
    9-Sou responsável por projetos sem ter recursos para executá-los
    10-Uso medicamentos e/ou bebidas alcoólicas para relaxar
    11-Minha vida sexual se tornou mais uma tarefa a cumprir
    12-Sinto que estou em um beco sem saída

    Resultados

    Até 14 pontos: Parabéns! Você é do tipo que sabe delegar responsabilidades, estabelecer metas realistas e recusar exigências absurdas. Continue assim. Sua saúde mental agradece.

    De 15 a 26 pontos: Atenção! O burnout está virando a esquina. Que tal reavaliar suas expectativas? Se o custo é mais alto que o benefício, o esgotamento é uma questão de tempo.

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  • A constipação atinge até 30% da população, sendo mais comum em mulheres. Embora usualmente fácil de prevenir e de tratar, ela afeta negativamente a qualidade de vida e, em casos específicos, pode refletir um problema mais sério e necessitar de intervenção médicas ou mesmo cirurgia.

    Agora, por que a prisão de ventre é mais incidente no sexo feminino? Entre as causas está a influência dos hormônios. Antes da menstruação, por exemplo, muitas mulheres notam alteração do funcionamento do intestino.

    Outra explicação é o hábito ainda comum de não obedecer ao desejo de fazer cocô, o que pode causar ressecamento das fezes, dificuldade de eliminá-las e ferimento no ânus (fissura anal) pelo esforço repetitivo para evacuar. Após a menopausa o quadro pode se agravar, porque há queda dos níveis de estrogênio.

    Verdade que a função intestinal dita normal é bastante variável. Uma pessoa pode fazer cocô a cada três dias ou até três vezes por dia e estar tudo bem. A crença de que todos devemos evacuar uma vez por dia não é correta e comumente leva ao uso desnecessário ou mesmo abusivo de laxantes.

    Além da frequência, as fezes devem ser expelidas com facilidade e sem esforço excessivo. Ao sair do banheiro, o indivíduo precisa ter a sensação de eliminação completa.

    Os sintomas comuns no dia a dia de um constipado são: queixas de intestino lento, muito esforço para eliminar as fezes (às vezes até necessitando de ajuda manual), dor e distensão abdominal.

    Na maioria das ocasiões, a prisão de ventre é causada por baixa ingestão de fibras e de líquidos ou por falta de atividade física. No entanto, outras condições afetam a função intestinal, como diabetes, hipotireoidismo e depressão. Medicamentos para dor e hipertensão (pressão alta), antidepressivos, drogas psiquiátricas e antiácidos também podem influenciar no surgimento do problema.

    Há condições mais sérias que têm natureza mecânica, como doenças que causam inflamação e culminam com estreitamento do intestino, dificultando a passagem do cocô. A diverticulite, a doença de Crohn e certos tumores são exemplos. Seu médico deverá ser capaz de reconhecer essas situações.

    A falta de coordenação da musculatura do ânus no momento da evacuação também é um possível motivo de dificuldade para expulsar as fezes.

    Inicialmente, caso o paciente não tenha qualquer sinal de alarme (sangramento, emagrecimento, anemia) ou for acima de 45 anos, o tratamento pode ser iniciado com dieta rica em fibras, ingestão de líquidos e exercícios.

    Atenção: o uso de laxativos deve ser avaliado pelo médico. Nada de automedicação!

    Por outro lado, uma prisão de ventre que começa cedo na vida ou que já vem de longa data e só piora – mesmo após a adoção de medidas preventivas simples – merece ser investigada. Fezes finas são outro sinal que deve ser reportado ao médico.

    Em situações nas quais o movimento intestinal é muito raro ou em que há obstrução ou dificuldade extrema para expulsar as fezes, exames bem específicos auxiliam o diagnóstico e direcionam o tratamento. Ou seja, até nas situações mais complicadas, há o que fazer.

    A chave para o sucesso do tratamento é a correta investigação diagnóstica. Informe-se e busque orientação com seu médico.

    *Dra. Luciana Marzan é médica e membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

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  • Apesar de quase não se pensar em comida no Carnaval, é muito importante manter uma alimentação inteligente durante os dias de folia para garantir o pique e a energia. De acordo com a Michelle Mendes, nutricionista funcional e oncológica da Aliança Instituto de Oncologia, o ideal é tomar um café da manhã reforçado e, se possível, levar uma fruta, barrinha de cereal ou castanhas na bolsa para a hora da fome.

    Os alimentos ricos em carboidratos são melhores para este momento de festa, já que são responsáveis por dar energia ao corpo. A nutricionista ensina que o indicado é escolher opções integrais, que demoram mais a ser digeridas. Antes do bloquinho, coma proteínas magras para dar resistência ao corpo e evite comidas gordurosas, que atrapalham a digestão e, consequentemente, a diversão.

    “Se for preciso comer na rua, é bom ter cuidado com a procedência dos alimentos. Observe a higiene do local, evite alimentos com muito molho e maionese, que costumam estragar rapidamente”, orienta. Outro detalhe importante é a hidratação: a nutricionista lembra que se deve intercalar um copo de álcool com um de água, para evitar não só a ressaca mas também a desidratação.

    Depois do Carnaval, quando o corpo precisar se recuperar, Michelle sugere uma dieta rica em comidas que ajudam na desintoxicação. Vegetais escuros, como couve e brócolis, são boas opções.

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  • Acompanhar a evolução do câncer em tempo real é apenas uma das vantagens da biópsia líquida. “O método nos permite atualizar a terapêutica periodicamente, já que sinaliza mutações tumorais relacionadas com a resposta ao tratamento”, diz o oncologista clínico Celso Abdon de Mello, do A.C.Camargo Cancer Center, centro de referência do método no país.

    Para realizar o exame, é preciso uma amostra de sangue do paciente. Entram em cena, então, tecnologia de ponta e o olhar de especialistas que analisam o material desprendido do tumor, presente na corrente sanguínea. “Pode ser a própria célula, o DNA livre ou ainda vesículas do tumor”, explica a farmacêutica bioquímica Ludmilla T. Domingos Chinen, pesquisadora no A.C.Camargo Cancer Center.

    A leitura de tais componentes traz informações sobre o perfil genético do tumor e flagra biomarcadores, proteínas específicas capazes de apontar ao expert qual o melhor tratamento e também apoiar na identificação de recidiva e metástase.

    No Brasil, a biópsia líquida é voltada ao monitoramento da doença, especialmente em tumores de pulmão. Já nos Estados Unidos, foi aprovada para acompanhamento em câncer de mama, colorretal e próstata. Mas a expectativa é que em breve seja uma arma no diagnóstico primário do câncer.

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  • Entre 1990 e 2015, os casos de cegueira no mundo aumentaram de 30,6 milhões para 36 milhões, enquanto o número de portadores de algum tipo de deficiência visual, de moderada a grave, passou pelo significativo crescimento de 36%. Atualmente, 217 milhões de pessoas no mundo inteiro se encontram em situação parecida – e a previsão é de que, até 2050, esse índice chegue a triplicar.

    Mas como podemos cuidar da saúde dos olhos – e, com isso, tentar garantir que não vamos nos tornar parte dessas estatísticas? SAÚDE dá algumas sugestões abaixo.

    1. Não exponha a vista diretamente ao sol – na praia ou na piscina, vá de óculos escuros.

    2. Só use colírios sob prescrição e orientação médica.

    3. Não coce os olhos nem leve as mãos a eles sem uma boa higiene antes.

    4. Pare de fumar – cigarro afeta até a circulação na retina.

    5. Vá ao oftalmo se perceber qualquer alteração no campo visual ou, mesmo sem sintoma algum, faça visitas regulares a partir dos 40.

    6. Pratique atividade física, especialmente ao ar livre.

    7. Navegue no computador e use smartphones com bom senso.

    8. Siga uma alimentação equilibrada e nunca deixe de ingerir fontes de vitamina C (frutas cítricas), luteína (espinafre, milho, gema de ovo…) e ômega-3 (pescados).

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  • Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • A publicidade de suplementos esportivos, as revistas especializadas e o clássico ambiente das academias nos fizeram crer que o atleta, seja o amador ou o profissional, tem que comer diferente do resto da humanidade. Apesar de estar bem difundida essa ideia, a verdade é que, essencialmente, se trata de um enorme erro. Sem ir muito longe, o Colégio Americano de Medicina Esportiva defende num documento de posicionamento, junto com as associações norte-americana e canadense de dietética, que “a alimentação dos esportistas não deve ser substancialmente diferente daquela recomendada para a população em geral”.

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    Mas a realidade é o que é. E sabemos como o chamado efeito Popeye chega a ser tentador em alguns momentos. Efeito que propõe acreditar em mensagens com nenhuma ou pouquíssima evidência, que nos sugerem comer de uma forma especial – com a adição de alimentos concretos (no caso de Popeye era o arquifamoso espinafre) ou com a inclusão de suplementos maravilhosos – para obter um rendimento quase milagroso: mais força, mais volume, mais velocidade, mais resistência, melhor recuperação, menos lesões etc.

    Neste artigo não se pretende dar conselhos personalizados aos praticantes de diversas modalidades esportivas que procuram na alimentação, na nutrição ou na suplementação uma espécie de pedra filosofal que os ajude a superar seus desafios pessoais. Pelo contrário: só se tenta oferecer um pouco de prudência, num terreno especialmente fértil para o equívoco científico com base em alegações milagrosas, promessas complacentes e beberagens secretas. E em especial aquelas nas quais se alude à “ciência” (sic) para lhes dar credibilidade.

    Se você decidiu fazer exercício, parabéns

    Manter-se ativo melhora seu prognóstico de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que as pessoas sedentárias têm entre 20% e 30% mais chances de morrerem de forma prematura do que os indivíduos que fazem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Na mesma linha, um interessante estudo publicado na prestigiosa revista The Lancet estima que o sedentarismo é a causa, em todo o mundo, de 6% das doenças coronárias, 7% dos casos de diabetes tipo 2, 10% dos cânceres de mama e outros 10% dos cânceres de cólon.

    A falta de atividade física estaria por trás de 5,3 milhões de mortes no panorama mundial, o que representa quase 10% dos óbitos do ano de 2008, por exemplo. Com esses resultados, o artigo sustenta que se mexer serviria não só para diminuir a incidência de várias doenças não contagiosas como as já apontadas, mas também para aumentar de forma global a expectativa de vida em 0,68 ano. Assim, de saída, se você deixa a categoria dos sedentários e opta por manter um estilo de vida mais ativo já merece um aplauso.

    É possível que nestas circunstâncias você também tenha se perguntado sobre o papel da alimentação na sua saúde, no seu rendimento e na hora de cumprir metas esportivas. E faz bem. Pelo lado da saúde, é provável que esses parabéns por fazer exercício sejam duplos: está bastante provado que pessoas que fazem exercícios, em geral, costumam comer melhor que a população sedentária. Um virtuoso peixe que morde o próprio rabo, retroalimentando os bons hábitos.

    Passemos ao rendimento, sobre o qual também é consenso que a dieta desempenha um papel crucial. Importante, mas não único: esse rendimento será afetado por múltiplos elementos – pessoais (genéticos), relativos ao treinamento, socioeconômicos e ambientais – tão ou mais importantes que a alimentação isolada. Apesar disso, o universo esportivo acolhe com enorme interesse mensagens que, sem maior suporte científico, mas sim com um importante investimento em marketing, pretendem nos vender terrenos na Lua (ou seria, neste caso, nas academias de ginástica?) e nos fazer acreditar mil maravilhas sobre os benefícios de comer de um jeito mais ou menos extravagante, ou incluir este ou aquele suplemento.

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    Desmascarando o discurso esportivo-nutricional

    O dietista-nutricionista Julio Basulto, um dos profissionais mais reconhecidos da Espanha nesse terreno – e autor, com Juanjo Cáceres, do recomendável livro Comer y Correr – deixa bem claro: “A primeira coisa que chama a atenção no lindo mundo da alimentação e dos complementos dietéticos ligados ao mundo esportivo é que se trata de uma questão atrozmente complexa. Tudo precisa estar embebido de algo bioquímico, imunológico, insulínico, glicogênico, fitoquímico, polifenólico, neurológico, proteínico, aminoacídico, enzimático, hidrolítico, metabólico, catabólico, anabólico… e hiperbólico”. Ou seja, neste terreno é habitual o uso uma série de termos que, bem empregados, são habituais no mundo acadêmico das ciências da saúde, mas que se transformam em moeda de uso corrente no jargão cientificista de monitores de academia e outros arrivistas da venda suplementadora.

    É impossível abordar num artigo destas características todos os conceitos alto astral que rodeiam o mundo da nutrição esportiva; mas esmiuçaremos alguns dos mais recorrentes.

    • A janela anabólica: este conceito propõe a importância de incluir determinados nutrientes – especialmente proteínas e carboidratos – em estreitas “janelas temporais” antes, durante e principalmente depois do exercício, afim de propiciar a reconstrução da malha muscular prejudicada e restaurar as reservas energéticas. Seria uma estratégia que uniria nutrição e treinamento de modo indivisível, tudo isso para ajudar a melhorar tanto a composição corporal como o rendimento esportivo e para reduzir o tempo de recuperação. Seus seguidores são contados aos milhares, especialmente entre aqueles que dedicam boa parte dos seus treinamentos a levantar pesos. Para isso, legiões do homo croassanis costumam se fazer acompanhar em suas rotinas de astronáuticas garrafinhas (shakers, no seu jargão). Isso, ou saem disparados de casa depois do treino para devorar uma calculada combinação de claras de ovo e arroz, antes que a tal “janela” termine, fazendo-os praticamente jogar no lixo a sessão de ginástica.

    Entretanto, apesar da sua extensa popularização nas duas últimas décadas e de haver dezenas de estudos destacando as virtudes da “janela anabólica”, o fato é que seus supostos benefícios não estão totalmente claros. Aliás, nem mesmo a sua existência está clara. “Se destilarmos todos os dados da literatura científica a respeito da suposta ‘janela metabólica’, fica difícil estabelecer recomendações específicas, devido à inconsistência dos resultados e a escassez de pesquisas sistemáticas que busquem otimizar a dose de proteínas antes e depois do exercício”, diz um contundente estudo de revisão sobre o tema. “Assim, os supostos benefícios de confiar numa suposta ‘janela anabólica’, além de se basearem em diversas suposições e dependerem de muitos outros fatores nem sempre controláveis, estão muito longe de serem uma realidade.” Na verdade, um recente ensaio renega, com todas as letras, esse conceito: “Nossas conclusões refutam a existência de uma estreita janela posterior ao exercício anabólico com o objetivo de maximizar a resposta muscular; em seu lugar, apoia-se a teoria de que o intervalo para a ingestão de proteínas pode ser tão amplo como várias horas, ou talvez mais depois do treino com base na refeição anterior ao treinamento.”

    • Aminoácidos de cadeia ramificada: bastante relacionado ao item anterior – eles são uma espécie de denominador comum no uso da famosa janela –, refere-se a uma classe de aminoácidos essenciais com um radical alifático, entre os quais se destacam a leucina, a isoleucina e a valina. Explicado de forma muito breve e gráfica, os aminoácidos em geral seriam as contas que formam os colares de proteínas. Aos ramificados, além disso, se atribui com bastante fundamento a regulação da síntese e degradação das proteínas. Ao mesmo tempo, podem ser utilizados na hora de contribuir com energia por via anaeróbica.

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    Mas a utilidade de suplementos à base de aminoácidos de cadeia ramificada, ou de qualquer outro tipo de aminoácidos ou proteínas, está, para dizer de forma sutil, em dúvida. Pelo menos quando se compara essa suplementação com a inclusão de tais proteínas na forma de alimentos da dieta habitual. E o que diz esse recente estudo de revisão quando conclui que a ingestão total diária de proteínas tem mais peso no efeito em longo prazo que o momento da administração (a tal “janela”) ou a qualidade dessas proteínas. Embora admita uma possível e importante variabilidade interpessoal nessas estratégias, a informação já nos deveria deixar no mínimo desconfiados perante qualquer discurso totalizador e generalista sobre os benefícios desse tipo de suplementos. Por esta razão, o manual Nutrição e Dietética Clínica aconselha, na medida do possível, cobrir nossas necessidades proteicas a partir de uma dieta adequada quando se faz exercício. É algo relativamente simples, levando em conta que em nossas sociedades tendemos a incluir em nossa dieta uma quantidade de proteínas bastante acima das recomendações. Então não se esqueça: carne, ovos, peixe e muitos outros alimentos contêm muitas proteínas – com suficientes aminoácidos de cadeia ramificada, os quais bem distribuídos bastam por si só para otimizar o efeito de seu treinamento. Sem pirar, sem pozinhos, mais barato e com comida de verdade.

    • Bebidas de reposição: chegamos a uma questão sensivelmente diferente das anteriores, já que está mais do que provado que os fatores que mais contribuem para o surgimento da fadiga durante o exercício e para o atraso na recuperação são a diminuição dos carboidratos armazenados em forma de glicogênio no organismo e a aparição de certa desidratação resultante da perda de água e eletrólitos através do suor. Mas tampouco neste campo é necessário cair na complacência cientificista para fazer as coisas direito. Segundo o Documento de Consenso da Federação Espanhola de Medicina do Esporte Sobre Bebidas para o Esportista – Composição e Pautas de Reposição de Líquidos, “em geral uma dieta equilibrada e uma hidratação correta são a base para cobrir as exigências nutricionais na maioria das pessoas que fazem esporte”. O texto faz uma especial ressalva quanto às diversas condições ambientais, pessoais e de cada modalidade esportiva que condicionarão essas necessidades particulares. Assim, toda bebida de reposição deveria cumprir três objetivos elementares: 1º) Fornecer carboidratos que mantenham uma concentração adequada de glicose no sangue e adiem o esgotamento dos depósitos de glicogênio (em competições ou treinos que se prolonguem durante um tempo significativo); 2º) repor os eletrólitos, sobretudo o sódio; e 3º) a reposição hídrica para evitar a desidratação.

    Entretanto, no universo atlético, seja amador ou profissional, abundam as charlatanices repositoras que prometem recuperações pseudomilagrosas, com nomes tão sugestivos como hydrofuel, go-fuel, topfuele vários outros no qual o tema “fuel” (combustível, em inglês) é um suspeito habitual.

    A descontextualização máxima nesse terreno se dá no caso da cerveja, em especial com a recente comercialização de uma suposta variedade isotônica. Mas não, a cerveja não é uma bebida de reposição. Nem mesmo a dita isotônica. Destacamos o tema porque este produto levou a Sociedade Espanhola de Medicina do Esporte (SEMED) e o Conselho Geral de Colégios Oficiais de Médicos (OMC) da Espanha a cerrar fileiras diante desse despropósito. Por isso, ambas as entidades firmaram um documento conjunto detonando a suposta cerveja isotônica e, já que haviam tocado no assunto, refutando a tese de que a cerveja seria uma bebida de reposição e alertando para a situação de vulnerabilidade dos esportistas nessas questões. Disseram o seguinte: “Na Espanha, o coletivo dos esportistas amadores […] em grande medida carece de informação adequada sobre aspectos nutricionais, como a hidratação no esporte. A cerveja que se apresenta como bebida para esportistas não cumpre os critérios e as garantias necessários para ser recomendada nem no esporte nem na atividade física”.

    Destacaram ainda que, “a cerveja [seja qual for] constitui uma forma de entrada ao consumo de álcool dos mais jovens, e inclusive crianças. Por isso, a adaptação precoce da criança ou do adolescente que pratica esporte ao sabor da cerveja, usando como estímulo e referência ídolos esportivos, é, sob qualquer ponto de vista, repreensível para a OMC e a SEMED e constitui um novo exemplo de publicidade com clara intenção subliminar contrária à promoção da saúde”.

    • Colágeno: deixando no tinteiro dezenas de suplementos (equinácea, glutamina, selênio, espirulina, ginseng, picolinato de cromo, hidroximetilbutirato, várias vitaminas e outros compostos de nome ainda mais exótico e impronunciável), não resisto comentar a jogada de um dos compostos com maior apelo comercial nos últimos anos. Estou me referindo aos suplementos de colágeno, em suas várias formas ou combinado com outras substâncias (a mais clássica, o magnésio). O colágeno é uma proteína e, como tal, uma vez ingerida com os alimentos, ou suplementos, é dividida em suas partes constituintes — os aminoácidos — para que estes, e não a proteína, sejam absorvidos um por um na maioria dos casos.

    Supor que esses tijolos tenham memória e se lembrem que já fizeram parte de uma estrutura superior, uma proteína chamada colágeno, é como tentar fornecer veículos a uma tribo indígena jogando todas as partes de um avião e esperar que caiam montados. Os aminoácidos constituintes do colágeno são a glicina e a prolina, nenhum é essencial, e podem ser obtidos tanto a partir da síntese endógena como em outras fontes alimentares proteicas. Assim, se alguém apresenta uma clara deficiência de colágeno (devido ao estado de suas articulações ou pela aparência da pele), terá de considerar por que esse colágeno necessário não é produzido por seus fibroblastos — na maior parte das vezes, ocorre por problemas genéticos, de idade e fatores ambientais, como o tabagismo —, ao invés de ingerir suplementos desnecessários, que sempre são caríssimos independentemente do preço.

    Use o bom senso

    É imprescindível terminar o artigo tal e qual começou, fazendo um chamado à racionalidade. E é algo que se faz para o bem geral, para que ninguém gaste um dinheiro absurdo com tantas bobeiras, para que ninguém seja enganado e, portanto, para lembrar que a alimentação dos atletas não deve ser substancialmente diferente da recomendada para a população em geral. Considere que a prática de certos rituais associados com maior ou menor evidência ao desempenho esportivo (isso é o de menos) poderá levar a uma fidelização com uma certa rotina de treinamento, mas isso não se traduz em resultados reais. Resumindo: vestir um macacão de Fórmula 1 e capacete pode incentivá-lo a se sentir mais poderoso dentro de um carro, mas não fará você dirigir melhor. Isso é certo. Porque, com isso tudo, dá na mesma.

    Finalmente, e no campo estritamente dos suplementos e das ajudas ergogênicas, é conveniente lembrar das duas regras básicas do Professor Ronald Maughan, membro condecorado do American College of Sports Medicine, entre muitos outros méritos, um profissional reconhecido neste campo que dedicou grande parte de sua vida ao tema do desempenho esportivo, do uso de suplementos e à luta contra o doping: “1ª Regra: Se o suplemento funciona, provavelmente está proibido; 2ª Regra: Se o suplemento não é proibido, provavelmente não vai funcionar”.

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  • foto-imagem-sono-apneia

    A apneia do sono é caracterizada por ruídos e interrupções na respiração que se repetem, no mínimo, cinco vezes num período de 60 minutos. Não se trata de um simples ronco. Na apneia, a barulheira noturna é entrecortada por engasgos — e o duro é que muitas vezes o indivíduo nem os percebe enquanto dorme. Essas pequenas pausas na entrada de ar chegam a diminuir a concentração de oxigênio no sangue.

    É daí que derivam as consequências mais sérias do distúrbio. A redução de oxigênio superativa o sistema nervoso, que eleva o ritmo dos batimentos cardíacos e estimula a contração dos vasos sanguíneos. E, com o tempo, isso se perpetua ao longo do dia. Daí o fato de a apneia do sono ser considerado um fator de risco para pressão alta e arritmia cardíaca.

    Além disso, o quadro favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina (hormônio que permite à glicose entrar nas células e gerar energia), condições que contribuem para o surgimento do diabete tipo 2.

    A apneia obstrutiva do sono é a versão mais comum da doença. Nesses casos, o ar para de fluir para as vias aéreas em função de um bloqueio temporário causado pelo relaxamento dos músculos da garganta — questões anatômicas interferem aqui. Em crianças, o problema pode estar relacionado ao aumento das adenoides, glândulas localizadas no nariz, ou das amígdalas, estruturas que ficam na entrada da faringe. A apneia central do sono, por sua vez, é um tipo mais raro, ocasionado por uma alteração na região do cérebro que controla a respiração.

    Sinais e sintomas

    – Ronco
    – Respiração ofegante
    – Sensação de sufocamento ao dormir
    – Sono agitado
    – Sonolência ao longo do dia
    – Dificuldade de concentração
    – Dor de cabeça matinal

    Fatores de risco

    – Excesso de peso
    – Maxilar inferior encurtado, o que empurra a língua muito para trás, tapando a garganta
    – Tabagismo
    – Álcool em excesso
    – Uso exagerado ou equivocado de sedativos
    – Aumento das amígdalas e adenoides
    – Dormir de barriga para cima
    – Tumores

    A prevenção

    Como o excesso de peso é um dos principais desencadeadores da apneia, um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercício físico, é essencial para se ver livre do problema.

    Os fumantes devem fazer um esforço extra e deixar o cigarro de lado, uma vez que o hábito costuma agravar bastante a condição. Recomenda-se também maneirar nas doses de bebida alcóolica, que em excesso interfere no ciclo do sono e no relaxamento da musculature da garganta e se transforma em gatilho para o distúrbio.

    O diagnóstico

    O relato de sono agitado e ruidoso é o ponto de partida para a detecção da apneia — e, nesse sentido, a avaliação do parceiro (ou parceira) é muito bem-vinda. A confirmação e a análise da gravidade do distúrbio são feitas por meio de um exame chamado polissonografia.

    Ele é realizado em um laboratório do sono de um hospital ou clínica especializada. O paciente passa a noite ligado a um aparelho que registra parâmetros como os batimentos cardíacos, a atividade cerebral, o movimento dos olhos, a respiração e o nível de oxigênio no sangue.

    Também é possível fazer esse monitoramento com um dispositivo portátil, do tamanho de um relógio, que fica preso ao pulso e em dois dedos da mão. Colocado na hora de dormir, ele assinala as condições de sono. Depois, o aparelho é levado para o médico, que analisa os resultados na tela do computador.

    O tratamento

    Conhecer a origem do distúrbio é fundamental para o especialista determinar as medidas de controle. Se a pessoa for obesa, a recomendação inicial é a perda de peso, associada a exercícios fonoaudiológicos para tonificar os músculos da garganta.

    Apneias mais leves, em geral provocadas pelo hábito de respirar pela boca, costumam ser tratadas com dilatadores de narinas.
    Para quem tem mandíbula curta, aparelhos ortodônticos feitos sob medida projetam a ossatura ou abaixam a língua, facilitando a passagem de ar.

    Uma das formas mais eficazes para resolver as pausas na respiração durante o sono é o uso de um mecanismo chamado CPAP — sigla para pressão positiva contínua nas vias aéreas, em inglês. Como o nome sugere, trata-se de uma máscara que cobre o nariz e a boca e joga o ar para as vias respiratórias. O CPAP é considerado o padrão-ouro no tratamento da apneia do sono. Quando a razão do problema é uma incorreção anatômica — na arquitetura da face ou nas amígdalas, por exemplo — indicam-se cirurgias.

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    Somando duas décadas de estudos sobre substâncias chamadas AGEs, o nefrologista Jaime Uribarri, da Faculdade de Medicina Icahn, em Monte Sinai, nos Estados Unidos, guarda motivos de sobra para não nutrir simpatia por tais moléculas. “Temos vários experimentos indicando que uma dieta rica em AGEs causa doenças”, justifica.

    Mas onde estão as inimigas? Bem, seu surgimento depende das técnicas culinárias que empregamos. Nesse sentido, fritar é uma furada. Em busca de mais evidências sobre esse tema, Uribarri dividiu 100 indivíduos obesos em dois grupos.

    Apenas um deles recebeu a orientação de fugir das altas temperaturas e, no lugar, cozinhar os alimentos na água ou no vapor, por exemplo. “Foram justamente essas pessoas que apresentaram melhoras em relação a indicadores de inflamação e estresse oxidativo. Também notamos que caiu a resistência à insulina, fator precursor do diabete”, conta o médico. É ou não é para rever o jeito de preparar as refeições?

    Um poço de AGEs

    De acordo com o pesquisador americano, a produção dessas moléculas é intensa em condições que usam o que ele define como “calor seco”. “Desculpe, isso inclui o churrasco brasileiro”, brinca o médico. Fazer a marinada com ervas, usar peças menores de carne e virar os bifes com frequência minimizam o surgimento das substâncias na grelha.

    Sem perigo e com sabor

    Você pode fazer um prato pobre em AGEs e gostoso usando sua imaginação como cozinheiro. “Nós sugerimos que as pessoas usem quantas especiarias desejarem”, diz Uribarri. Ele também recomenda marinar os alimentos no limão ou no vinagre antes de cozinhá-los.

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    Hemorroidas

    As veias anais ficam inflamadas e doloridas. Higiene, remédios e cirurgia resolvem o dilema.

    Fissura

    Ocorre um pequeno corte no revestimento do ânus. Dá pra usar pomadas e evitar alguns alimentos.

    Fístula

    É a abertura de um canal infeccionado entre a pele e o ânus. É preciso recorrer a uma operação.

    Incontinência

    Há descontrole na eliminação de fezes. A encrenca aumenta entre os jovens por erros dietéticos.

    Câncer

    Tumores que crescem ali geralmente são confundidos com hemorroidas. São 348 mortes/ano no Brasil.

    Oxiúros

    Esses vermes chocam seus ovos no ânus do ser humano. Mas tem um medicamento que acaba com todos eles.

    Problemas psicológicos

    Existe uma conexão estreita entre o sistema digestivo e o cérebro. Para ter ideia, nós possuímos 500 milhões de neurônios no intestino, que produzem 90% de toda a serotonina — neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar — do nosso corpo.

    É por isso que a dificuldade de defecar nos irrita. Aliás, o termo “enfezado” quer dizer, literalmente, “cheio de fezes”. “No caminho inverso, é comum notar em indivíduos estressados e nervosos constipação ou diarreia”, observa a coloproctologista Sonia Yusuf, do Hospital Santa Cruz, em São Paulo. Pois é, desarranjos abdominais às vezes exigem aconselhamento psicológico.

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