• Causada por um vírus, a hepatite C passa anos sem dar sinal. E o drama é que seu primeiro sintoma pode vir de uma cirrose ou de um câncer no fígado. Mas dá pra evitar essas situações extremas com uma simples picada no dedo: o teste para diagnosticar a condição demora poucos minutos e está disponível no sistema público de saúde. Caso ela seja detectada, o tratamento também é gratuito e hoje traz perspectivas de cura.

    Mesmo com tanta facilidade, há ainda muita gente que não sabe da infecção. Isso motivou entidades como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e a farmacêutica Abbvie a criarem uma campanha de conscientização sobre o tema.

    “Queremos incentivar que todos façam o teste, principalmente indivíduos com mais de 40 anos, aqueles que têm tatuagem ou piercing e portadores de diabetes ou doença renal crônica”, lista o médico Edmundo Lopes, presidente da SBH.

    Como prevenir e tratar a hepatite C

    Transmissão
    As principais formas são compartilhamento de agulhas, tesouras e alicates, transfusão de sangue e sexo sem camisinha.

    Doença
    O vírus invade o organismo na surdina e fica um tempão lá no fígado. Em longo prazo, pode provocar até tumores.

    Teste
    Realizado em qualquer posto de saúde, precisa de apenas uma picada na ponta do dedo para a análise de uma gota de sangue.

    Público-alvo
    A campanha foca principalmente quem tem mais de 40 anos, porque no passado as agulhas não eram descartáveis.

    Tratamento
    Três ou quatro comprimidos são prescritos durante três a seis meses e impedem que o vírus continue se replicando.

    Eficácia
    As drogas conseguem eliminar o vírus em mais de 95% das vezes. Em outras palavras, elas têm poder de cura.

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  • A infecção urinária não escolhe suas vítimas segundo a idade. O mal pode afetar desde crianças até idosos – passando, no meio desse percurso, por adolescentes, adultos e grávidas, por exemplo.

    Também chamada de cistite, ela é a doença bacteriana mais comum em todo o país – e pode trazer algumas complicações à vida dos mais velhos. Felizmente, porém, há maneiras de se prevenir e de tratar esse distúrbio.

    Na maturidade

    O maior risco de infecção urinária é um revés que podemos botar na conta da idade. A partir dos 65 anos, 10% dos homens e 20% das mulheres apresentam o problema, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia. E os números duplicam depois dos 80. A questão aqui é que muitos casos são assintomáticos. Não dá pra esperar os sinais de aviso, portanto, para acompanhar com o médico. “Como a imunidade nos idosos tende a ser mais baixa, deve-se ter cuidado no diagnóstico e no manejo dessas infecções”, pontua o urologista Carlos da Ros, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A presença de males como demência e diabetes agrava as coisas lá embaixo também. E senhores e senhoras que usam fralda geriátrica requerem cuidados extras com a higiene, uma vez que são duplamente mais sujeitos à cistite.

    Problema domado

    O que os médicos prescrevem para tratar e controlar infecções urinárias

    Antibióticos

    São o único tratamento quando a cistite já se instalou. O exame de urina acusa a bactéria causadora e norteia a escolha do remédio.

    Hidratação

    Caprichar nos goles de água eleva o volume e a saída de urina, o que ajuda a evitar a multiplicação e instalação dos micróbios.

    Suco de cranberry

    Embora ainda não haja estudos definitivos, médicos recomendam o suco ou cápsulas da frutinha contra infecções de repetição.

    Probióticos

    Alguns produtos e suplementos do gênero equilibram a flora intestinal e auxiliam a combater os micro-organismos por trás da cistite.

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  • Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • Embora diversas pesquisas confirmem a relação entre diabetes e disfunção erétil, tal prevalência ainda gerava discussão. Pensando nisso, um time de cientistas da França, da Inglaterra, da Itália e de Moçambique se debruçaram sobre 145 estudos, analisando, ao todo, dados de 88 557 diabéticos do sexo masculino.

    Resultados: relataram dificuldade para manter a ereção 37,5% dos voluntários com diabetes tipo 1 e 66,3% dos com o tipo 2. Ao todo, o problema atingia 52,5% dos pacientes. O achado foi publicado no periódico científico Diabetic Medicine.

    A discrepância dos índices entre as duas versões da doença não tem explicação exata no momento. No entanto, sabe-se que o excesso de açúcar circulante no organismo — independentemente do tipo de diabetes — lesa os vasos sanguíneos que abastecem o pênis. E é aí que surge a impotência sexual.

    Agora é torcer para que esse estudo incentive os marmanjos a fazerem exames e se submeterem a eventuais tratamentos, como esperam os pesquisadores que conduziram a revisão. Além disso, que ele promova um estilo de vida saudável, capaz de evitar o surgimento do diabetes… e suas repercussões no corpo inteiro.

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  • De uma hora para outra, o sujeito, em geral jovem, começa a perder peso, sentir dores abdominais e ter diarreias constantes. Embora esses não sejam sintomas específicos, muitas vezes é assim que se manifestam as doenças inflamatórias intestinais (DII), conjunto de distúrbios cuja incidência vem crescendo mundo afora. “Não há estudos epidemiológicos no Brasil, mas notamos na prática um aumento nos casos, em parte pela melhora no diagnóstico, em parte por razões ainda não totalmente esclarecidas”, contextualiza a gastroenterologista Didia Cury, da clínica Scope, em Campo Grande (MS).

    A médica, que realiza pesquisas em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, organizou um simpósio internacional na capital sul-matogrossense para discutir, com outros especialistas, novidades e aspectos pouco conhecidos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, os tipos mais comuns do transtorno. “A retocolite ataca mais o intestino grosso, enquanto o Crohn pode afetar o sistema digestivo da boca ao ânus e também outros locais, como pele, olhos e articulações”, explica as diferenças o gastroenterologista Jaime Gil, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

    A teoria mais aceita é que a inflamação crônica é resultado de uma reação exagerada do sistema imune à flora intestinal. Como nem sempre os sintomas são claros, não é raro ver gente levando dez anos para receber o diagnóstico, atraso que compromete a qualidade de vida. Com a meta de educar mais a população sobre o tema, elencamos agora os pontos quentes recém-debatidos no evento.

    Novas armas com mais foco

    Até pouco tempo atrás, havia poucos fármacos disponíveis para tratar os casos mais complicados de DII. Chegaram, então, medicamentos inovadores, os anticorpos monoclonais, com a missão de inibir moléculas específicas por trás da inflamação crônica – um dos principais é o anti-TNF. Nem sempre, porém, eles atingiam o resultado esperado e ainda impunham efeitos colaterais. É aí que entra a nova geração dessas medicações (caso do vedolizumabe e do ustequinumabe), concebidas para agir apenas no local afetado pela doença, o que reduz riscos e melhora a eficiência da terapia.

    Hoje, os anticorpos são indicados em quadros moderados e severos, mas se discute uma mudança de abordagem. “Estamos prescrevendo essas substâncias mais cedo porque elas parecem ser mais eficazes nos primeiros anos do que depois de uma década com o problema”, conta Alan Moss, gastroenterologista e pesquisador de Harvard.

    De olho na tuberculose

    Quem toma medicamentos imunossupressores, caso do próprio anti-TNF, está mais sujeito a desenvolver essa infecção. “Já é uma praxe procurar o micro-organismo nos portadores de doença inflamatória intestinal, mas nem sempre esse rastreamento é efetivo e refeito ao longo da vida”, diz o patologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz, um dos palestrantes do evento.

    A demora no diagnóstico nesses casos traz complicações potencialmente fatais. “Sem contar que contribui para a transmissão da tuberculose, que hoje mata mais que a aids por aqui”, aponta Croda. O pesquisador estudou pacientes em tratamento de DII na clínica Scope e descobriu que 3,8% deles tinham o bacilo no sangue, incidência proporcionalmente maior que a da população em geral.

    Por que o divã é bem-vindo

    Estresse e ansiedade fora de controle favorecem as crises nas doenças inflamatórias intestinais. Na via oposta, essas condições por si podem gerar angústia, irritação e medo, dificultando o convívio social e alimentando quadros depressivos. Para se blindar dessa situação, que atrapalha o próprio contra-ataque à DII, especialistas indicam um acompanhamento psicológico.

    “A doença impõe solidão, e o estresse emocional precisa ser administrado antes que impacte na manifestação dos sintomas”, explica a psicóloga Daisy Maldaun, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora de um livro recém-lançado que traça o perfil psicológico das pessoas com DII. Além da terapia, meditação e ioga são técnicas recomendadas para ajudar na manutenção do equilíbrio mental, tão importante para o sucesso do tratamento.

    Homeopatia ajuda?

    A busca pela medicina alternativa costuma ganhar força quando os remédios tradicionais falham no socorro ao intestino, o que não é tão raro de acontecer. Daí a proposta da homeopatia de aliviar certas manifestações na DII. “O método foca no indivíduo como um todo e traz um olhar cuidadoso que faz diferença na percepção e no trabalho com os sintomas da doença”, diz Gilson Roberto, psicólogo e homeopata de Porto Alegre e um dos participantes do simpósio.

    O tema, no entanto, ainda gera controvérsia. “Não há evidência científica de que a homeopatia funcione na DII e práticas não comprovadas podem gerar frustração e prejudicar a adesão ao tratamento convencional”, contrapõe Jaime Gil. Na dúvida, o melhor a fazer é conversar com o especialista e jamais abandonar as medicações anteriormente prescritas.

    E a fertilidade, como é que fica?

    Esse assunto nem sempre é discutido no consultório ao longo do tratamento, mas deveria. Isso porque a inflamação crônica – e até os fármacos que a combatem – pode comprometer a capacidade reprodutiva de homens e mulheres com DII. Quando o problema atinge o cólon (no intestino grosso), por exemplo, chega a repercutir em regiões como o útero, onde o óvulo fecundado se aninha para dar origem ao embrião.

    Já na ala masculina, o uso de alguns medicamentos está relacionado a uma baixa na velocidade dos espermatozoides. “A DII afeta especialmente pessoas em idade reprodutiva que, com medo e sem informação, adiam os planos de ter filhos. Só que, quanto mais o tempo passa, maior é a queda na taxa de fertilização”, analisa Didia. Felizmente, com acompanhamento médico, é possível, sim, garantir a continuidade da família.

    Para flagrar mais cedo

    Uma das ameaças que a turma com DII enfrenta é o maior risco de câncer colorretal. “Isso porque, com o tempo, a inflamação constante favorece alterações nas células que ficam nas paredes do intestino. E essas pequenas lesões podem evoluir para um tumor”, resume o coloproctologista Guilherme Cutait, da Universidade de São Paulo (USP).

    A boa notícia é que, com a nova safra de aparelhos endoscópicos e outros métodos de imagem, dá para detectar mais precocemente essas feridinhas com potencial de virarem malignas no futuro. E mais: na endoscopia, dá até para remover os pontos suspeitos durante o próprio exame. “Só que estamos falando de tecnologias de ponta que ainda não estão disponíveis em todos os lugares do país”, pondera o gastroenterologista Alexandre Carlos, também da USP.

    O que o futuro reserva

    Existem três promessas à vista. Uma delas vem de estudos com comprimidos de uso diário para controlar a doença – baita vantagem se pensarmos que os anticorpos monoclonais atuais dependem de injeções periódicas. Já a terapia com células-tronco tenta fazer uma correção no sistema imune para ele parar de agredir o aparelho digestivo. “Só que esse método parece beneficiar um grupo pequeno de pacientes, além de o efeito ser temporário”, conta Alan Moss, que testou a técnica em Harvard.

    Por fim, há o transplante fecal, a transposição de bactérias de uma flora saudável para o intestino doente. Moss está avaliando essa opção e adianta que ela esbarra, por ora, no mesmo problema de uma resposta de curta duração. A chave, diz o pesquisador, é investigar mais para entender melhor esses males. “Eles têm mecanismos diferentes e pedem uma abordagem individualizada.”

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    Nativo do cerrado brasileiro, o barbatimão já era conhecido pelo seu alto poder cicatrizante. “Por ser adstringente, ele causa uma tensão e aproxima as bordas das feridas na pele. Como a estria é um machucado interno, o uso da planta é benéfico nesse contexto”, explica o farmacêutico Guilherme Monteiro, que desenvolveu uma pomada com essa indicação pelo Ateliê Saúde Fitoterapia.

    O produto, que já está à venda, foi avaliado em pesquisa com 31 mulheres de 18 a 65 anos. Com um mês de uso, mais de 60% delas relataram melhora na quantidade e na textura das estrias e apontaram resultados positivos no aspecto geral das marcas.

    Aliás, um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina avaliou o efeito do barbatimão (por meio de outra pomada) na cicatrização. Todas as lesões tiveram redução de pelo menos 30% da área inicial já na primeira semana de uso, o que foi considerado bastante vantajoso.
    Como tratar e como evitar estrias

    Hidratantes

    Não existe uma loção milagrosa capaz de apagar as estrias, mas se sabe que manter a pele hidratada ajuda a impedir sua formação.

    Óleos

    Eles complementam o efeito dos hidratantes. Aposte em opções como o de semente de uva e o de amêndoas, e use depois do banho.

    Colágeno

    Essa proteína, que confere elasticidade e firmeza à pele, é uma boa pedida contra as estrias. Pode ser encontrada em pó, cápsulas e bebidas.

    Peso

    Procure evitar o ganho de peso ou o efeito sanfona. Isso faz a pele esticar muito rápido, o que favorece o aparecimento de estrias.

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    Não adianta culpar as mudanças no clima ou a pouca idade. Se uma criança fica de cama com frequência e apresenta infecções graves, que resistem aos tratamentos, pode ser sinal de imunodeficiência primária, distúrbio de origem genética e hereditária que passa uma rasteira no sistema imune.

    O problema acomete uma em cada 10 mil pessoas. Na maioria dos casos, atinge a capacidade de o organismo produzir anticorpos que impedem o ataque de micróbios nocivos. Daí a recorrência, entre esses indivíduos, de males como pneumonia, sinusite, otite…

    Aproveitando que estamos na Semana Mundial da Imunização e na Semana de Conscientização sobre a doença, conversamos sobre o assunto com a médica Beatriz Souza, professora livre-docente de pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Há uma estimativa de que leva até seis anos para a imunodeficiência primária ser descoberta. O que dificulta o diagnóstico?
    Fora as dificuldades que envolvem os testes laboratoriais que avaliam o desempenho do sistema imune, como o hemograma, muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde, ignoram ou não conhecem essa condição. Ou seja, acabam tratando apenas os sintomas até que, depois de muitas idas ao médico pelos mesmos motivos, uma investigação mais aprofundada é solicitada. Eis a importância da informação e da triagem neonatal (o teste do pezinho), que consegue detectar esse e outros problemas logo nos primeiros dias de vida.

    Adultos também podem sofrer com a imunodeficiência primária?
    Sim. Mesmo que o sujeito tenha nascido com a mutação genética que irá predispor a doença, ela pode se manifestar muitos anos após o parto.

    Como é feito o tratamento?
    Com imunoglobulina humana, isto é, transfusões periódicas feitas para repor os anticorpos que a pessoa não consegue produzir. Antibióticos específicos também podem ser prescritos.

    Vacinas em geral ajudam nesses casos?
    Depende de quão baixa é a produção de anticorpos. É que a vacina nos expõe aos vírus ou às bactérias que causam determinadas doenças a fim de estimular o corpo a combatê-las. Se o organismo não consegue fabricar anticorpos suficientes para isso depois, esse recurso tem efeito contrário e acaba contaminando o paciente.

    A vida de quem carrega essa mutação genética possui limitações?
    Mesmo seguindo o tratamento à risca, recomendamos, como medida preventiva, que o contato com pessoas doentes seja restringido.

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  • foto-imagem-sono-apneia

    A apneia do sono é caracterizada por ruídos e interrupções na respiração que se repetem, no mínimo, cinco vezes num período de 60 minutos. Não se trata de um simples ronco. Na apneia, a barulheira noturna é entrecortada por engasgos — e o duro é que muitas vezes o indivíduo nem os percebe enquanto dorme. Essas pequenas pausas na entrada de ar chegam a diminuir a concentração de oxigênio no sangue.

    É daí que derivam as consequências mais sérias do distúrbio. A redução de oxigênio superativa o sistema nervoso, que eleva o ritmo dos batimentos cardíacos e estimula a contração dos vasos sanguíneos. E, com o tempo, isso se perpetua ao longo do dia. Daí o fato de a apneia do sono ser considerado um fator de risco para pressão alta e arritmia cardíaca.

    Além disso, o quadro favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina (hormônio que permite à glicose entrar nas células e gerar energia), condições que contribuem para o surgimento do diabete tipo 2.

    A apneia obstrutiva do sono é a versão mais comum da doença. Nesses casos, o ar para de fluir para as vias aéreas em função de um bloqueio temporário causado pelo relaxamento dos músculos da garganta — questões anatômicas interferem aqui. Em crianças, o problema pode estar relacionado ao aumento das adenoides, glândulas localizadas no nariz, ou das amígdalas, estruturas que ficam na entrada da faringe. A apneia central do sono, por sua vez, é um tipo mais raro, ocasionado por uma alteração na região do cérebro que controla a respiração.

    Sinais e sintomas

    – Ronco
    – Respiração ofegante
    – Sensação de sufocamento ao dormir
    – Sono agitado
    – Sonolência ao longo do dia
    – Dificuldade de concentração
    – Dor de cabeça matinal

    Fatores de risco

    – Excesso de peso
    – Maxilar inferior encurtado, o que empurra a língua muito para trás, tapando a garganta
    – Tabagismo
    – Álcool em excesso
    – Uso exagerado ou equivocado de sedativos
    – Aumento das amígdalas e adenoides
    – Dormir de barriga para cima
    – Tumores

    A prevenção

    Como o excesso de peso é um dos principais desencadeadores da apneia, um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercício físico, é essencial para se ver livre do problema.

    Os fumantes devem fazer um esforço extra e deixar o cigarro de lado, uma vez que o hábito costuma agravar bastante a condição. Recomenda-se também maneirar nas doses de bebida alcóolica, que em excesso interfere no ciclo do sono e no relaxamento da musculature da garganta e se transforma em gatilho para o distúrbio.

    O diagnóstico

    O relato de sono agitado e ruidoso é o ponto de partida para a detecção da apneia — e, nesse sentido, a avaliação do parceiro (ou parceira) é muito bem-vinda. A confirmação e a análise da gravidade do distúrbio são feitas por meio de um exame chamado polissonografia.

    Ele é realizado em um laboratório do sono de um hospital ou clínica especializada. O paciente passa a noite ligado a um aparelho que registra parâmetros como os batimentos cardíacos, a atividade cerebral, o movimento dos olhos, a respiração e o nível de oxigênio no sangue.

    Também é possível fazer esse monitoramento com um dispositivo portátil, do tamanho de um relógio, que fica preso ao pulso e em dois dedos da mão. Colocado na hora de dormir, ele assinala as condições de sono. Depois, o aparelho é levado para o médico, que analisa os resultados na tela do computador.

    O tratamento

    Conhecer a origem do distúrbio é fundamental para o especialista determinar as medidas de controle. Se a pessoa for obesa, a recomendação inicial é a perda de peso, associada a exercícios fonoaudiológicos para tonificar os músculos da garganta.

    Apneias mais leves, em geral provocadas pelo hábito de respirar pela boca, costumam ser tratadas com dilatadores de narinas.
    Para quem tem mandíbula curta, aparelhos ortodônticos feitos sob medida projetam a ossatura ou abaixam a língua, facilitando a passagem de ar.

    Uma das formas mais eficazes para resolver as pausas na respiração durante o sono é o uso de um mecanismo chamado CPAP — sigla para pressão positiva contínua nas vias aéreas, em inglês. Como o nome sugere, trata-se de uma máscara que cobre o nariz e a boca e joga o ar para as vias respiratórias. O CPAP é considerado o padrão-ouro no tratamento da apneia do sono. Quando a razão do problema é uma incorreção anatômica — na arquitetura da face ou nas amígdalas, por exemplo — indicam-se cirurgias.

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    A escova é um dos alvos preferidos de micróbios nocivos à nossa saúde. Isso porque ela fica no banheiro, um ambiente com as condições perfeitas para a proliferação das bactérias — umidade, luz, temperatura e nutrientes são ideais para elas nesse cômodo. Mas dá pra evitar a contaminação. Basta seguir algumas regras básicas, como dar descarga com a tampa fechada e não usar a toalha de rosto para secar as cerdas.

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