• A ciência do envelhecimento tem avançado rapidamente e feito importantes descobertas sobretudo na área das doenças neurodegenerativas. Hoje já entendemos melhor os mecanismos por trás de problemas como Parkinson e Alzheimer, o que facilita a busca por compostos farmacológicos úteis à prevenção e ao tratamento. Nesse contexto, o gengibre, uma raiz utilizada há séculos pela medicina tradicional oriental, vem atraindo a atenção de pesquisadores e especialistas por apresentar potencial terapêutico frente a doenças neurológicas associadas ao avançar da idade.

    Em uma revisão de estudos publicada em 2018 no periódico Pharmacology and Therapeutics, os cientistas destacam propriedades do gengibre capazes de combater males como o Parkinson e Alzheimer, bem como a perspectiva de o alimento melhorar a memória e reduzir a severidade dos danos causados por um acidente vascular cerebral (AVC).

    De onde vem o efeito?
    Antes de visualizar de que modo o gengibre pode repercutir no cérebro, precisamos entender os fenômenos que dão origem às doenças neurodegenerativas. O Alzheimer é caracterizado pela formação de placas beta-amiloide, que destroem progressivamente os neurônios, e pela redução do neurotransmissor acetilcolina. O nome é complicado, mas basta dizer que neurotransmissores são substâncias responsáveis pelo transporte de informação em nosso cérebro. A acetilcolina está particularmente relacionada ao aprendizado e à memória.

    Pois experimentos de laboratório, em células e animais, demonstram que o extrato de gengibre diminui o acúmulo das tais placas beta-amiloide e minimizam a atividade de uma enzima que degrada a acetilcolina. O resultado: melhora nas funções cognitivas e redução da perda de células nervosas.

    Na doença de Parkinson, por sua vez, há uma degradação dos neurônios que liberam outro neurotransmissor, a dopamina. Ela está diretamente envolvida com as funções motoras: sua insuficiência pode levar, portanto, a tremores, dificuldades ao caminhar etc. Estudos em modelo animal apontam que o gengibre também atua na redução da destruição desses neurônios, preservando e otimizando a capacidade motora das cobaias com Parkinson.

    No caso do AVC isquêmico, o problema ocorre com a obstrução de uma artéria no cérebro que interrompe o fornecimento de sangue para um grupo de neurônios. Isso desencadeia danos oxidativos nesse órgão e a morte de células. Nos experimentos, o tratamento com extrato de gengibre combate o estresse oxidativo e diminui os danos aos neurônios. Na prática, isso atenua déficits físicos e comportamentais originários do AVC.

    À parte os efeitos positivos diante de doenças neurológicas, existem indícios de que o gengibre pode melhorar a memória de pessoas saudáveis. Em pesquisa feita com mulheres, o consumo do extrato da raiz trouxe ganhos cognitivos: as voluntárias que consumiram gengibre apresentaram desempenho superior em testes de memória espacial e numérica, tempo de reação e reconhecimento de palavras.

    Pensando em obter esses benefícios, o conselho por ora é usar a raiz como tempero ou na forma de chá — lembrando que o gengibre não substitui nenhum tratamento prescrito pelo médico. Nos dias mais frios, a infusão feita com a raiz dá aquela sensação de aconchego e ainda turbina a memória. Na temporada de calor, um smoothie com lascas de gengibre é refrescante e revigorante.

    Uma recomendação importante é conversar com o profissional de saúde antes de usá-lo no dia a dia. Alguns compostos encontrados na raiz podem potencializar a ação de medicamentos que atuam na coagulação sanguínea, por exemplo. É com orientação e sem exageros que tiramos o melhor proveito desse alimento reverenciado há tanto tempo.

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    Pensando em um problema que afeta o cotidiano das pessoas com a doença de Parkinson – a perda da habilidade de escrever de forma legível – um grupo de pesquisadores desenvolveu uma caneta especial que promete neutralizar os efeitos da mão trêmula durante a escrita.

    A caneta, chamada ARC, foi criada pelo grupo britânico Dopa Solution’s especialmente para pessoas que sofrem de micrografia: condição em que a letra fica cada vez menor até tornar-se ilegível.

    Ela funciona por meio de vibrações que estimulam e relaxam os músculos da mão, eliminando temporariamente a rigidez, o que faz com que a ponta da caneta deslize mais facilmente sobre o papel. “Pensamos que a vibração pode agir como um ponto de partida para começar a escrever e para reduzir o esforço redundante em controlar a escrita” afirmou o grupo, por e-mail.

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    O produto já foi testado por um grupo de pacientes, que apresentaram uma melhora geral de 86% na qualidade da escrita. A principal motivação dos pesquisadores da Dopa Solution, empresa formada por jovens designers e engenheiros, é fazer com que as pessoas com Parkinson não deixem de escrever ou desenhar por causa da dificuldade.

    Para que a caneta chegue ao mercado, ainda são necessários mais testes e investimentos. “Achamos que um grande teste de usuários em parceria com médicos será nosso próximo passo para a efetividade e confiança do produto.

    Então, estamos procurando por investidores para pesquisas futuras e para a fabricação”, afirmou o grupo.

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  • Cientistas chineses afirmam ter conseguido reprogramar células de urina humana em células cerebrais (progenitoras neurais), em uma pesquisa que pode contribuir para futuros avanços no tratamento de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson.

    A pesquisa, publicada na mais recente edição do periódico Nature Methods, afirma que células de urina foram isoladas de três doadores, de 37, 10 e 22 anos, e reprogramadas para gerar células progenitoras neurais (NPCs), que são precursoras das células cerebrais. Estas NPCs, por sua vez, foram capazes de se subdividir e “gerar com eficiência neurônios funcionais” distintos in vitro.

    Os mesmos cientistas haviam identificado no ano passado que a urina humana contém células do rim “que podem ser reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)”. Agora, dizem ter avançado neste método.

    “Ainda faltam análises, mas reportamos que as células sobrevivem e se dividem quando transplantadas ao cérebro de um rato recém-nascido”, diz o estudo, liderado por Duanquing Pei, da Academia Chinesa de Ciências.

    Células progenitoras neurais são potenciais fontes de neurônios para pesquisa, com a vantagem de se dividirem e, por conta disso, poderem ser “expandidas” em laboratório antes que sejam divididas em neurônios.

    Pesquisa e teste de medicamentos

    “Há um grande interesse em gerar progenitoras neurais de indivíduos com doenças degenerativas”, diz comunicado da Nature Methods.

    “E como as células a serem reprogramadas são derivadas de (processos) não-invasivos, da urina de doadores, os autores da pesquisa propõem que o procedimento deve ser praticável para gerar progenitoras neurais específicas para determinadas doenças”, acrescenta a publicação.

    [adrotate banner=”2″]“Neurônios derivados dessas células podem ser úteis para pesquisas em males neurodegenerativos e para o teste de novos medicamentos”, conclui o comunicado.

    A pesquisa de Duanquing Pei lembra que ainda não há medicamentos eficientes para combater diversas doenças neurológicas.

    Há importantes avanços no campo de células-tronco, mas o método é alvo de questionamentos por alas mais conservadoras porque as células são obtidas de embriões humanos. Além disso, existe o risco de rejeição do sistema imunológico. A vantagem da pesquisa chinesa é evitar esses dilemas.

    Além disso, reportagem da revista Nature aponta que o estudo pode ajudar pesquisadores a produzir mais rapidamente células específicas para cada paciente, em número maior.

    “Progenitoras neurais proliferam em cultura, então os pesquisadores podem produzir diversas células para seus experimentos”, diz a reportagem.

    Um geneticista consultado pela revista afirma que outra vantagem de obter células dessa forma é que a urina pode ser coletada de quase qualquer paciente.

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  • Quando se afirma que o café é a bebida mais popular em território verde-amarelo, acredite, não é mera força de expressão. Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi constatado que o brasileiro toma de 4 a 5 xícaras todos os dias, o que leva o líquido à base do fruto do cafeeiro a liderar a lista que avalia a média de consumo per capita de vários alimentos. Só para ter uma ideia, o feijão e o arroz, outros itens comuns à nossa mesa, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. No resto do mundo, o consumo também surpreende. Enquanto aqui cada pessoa ingere cerca de 6 quilos do grão por ano, em países nórdicos, como Finlândia, Noruega e Dinamarca, esse número chega aos 13 quilos anuais.

    Aqueles que cultivam esse hábito mandam para dentro do organismo uma série de substâncias. Entre elas sobressai a cafeína, célebre por sua ação estimulante. Mas o que aparece em maior quantidade no pequeno grão são os ácidos clorogênicos, compostos antioxidantes. A xícara ainda concentra vitamina B3 e minerais como potássio, manganês e ferro. Tal combinação vem à tona constantemente nos laboratórios de cientistas planeta afora. No universo das pipetas e buretas, ela não é uma unanimidade. “Porém, a maioria dos estudos confirma seus benefícios”, diz Adriana Farah, cientista do Núcleo de Pesquisa em Café Professor Luiz Carlos Trugo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fato é que o pretinho básico de todas as manhãs segue gerando contradições — as mais curiosas você conhece abaixo.

    Na mira da ciência

    Veja outros estudos recentes que avaliaram o impacto da bebida na saúde

    Fertilidade

    Segundo cientistas do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, mais de cinco doses diárias de café reduzem em 50% a chance de sucesso no tratamento de fertilização. “Ainda não há estudos clínicos comprovando o efeito”, avalia Adriana Farah. “Mas alguns trabalhos relacionam um alto consumo de cafeína, como acontece nos países nórdicos, à malformação fetal”, completa.

    Câncer de pele

    Depois de acompanhar mais de 110 mil pessoas por 20 anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que o café está inversamente associado ao tipo mais comum de tumor de pele. “Qualquer alimento antioxidante, caso do café, pode auxiliar na prevenção. Mas é cedo para indicá-lo com essa finalidade”, analisa a dermatologista Flávia Addor, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Expectativa de vida

    Uma investigação do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que beber de 3 a 4 xícaras faz você viver mais — o ganho na expectativa de vida é de 10% para homens e 13% para mulheres. “O resultado não surpreende. Afinal, o café é uma das maiores fontes de antioxidantes na dieta”, ressalta Adriana Farah.

    O café proporciona benefícios ao bebermos de 3 a 4 xícaras diárias

    [adrotate banner=”2″]Problemas no coração

    As pesquisas que se dedicaram a analisar a relação entre o café e a incidência de insuficiência cardíaca — condição em que o coração não consegue bombear quantidade suficiente de sangue para o corpo — sempre geraram dados discrepantes. Intrigada, a pesquisadora Elizabeth Mostofsky, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu conduzir uma revisão sobre o tema. Nela, foram avaliados mais de 140 mil indivíduos, dos quais 6 522 mil tiveram o mal. “Percebemos que quatro doses diárias de café diminuíram em até 11% o risco de ter o problema”, conta a cientista. Os compostos bioativos da bebida — o destaque vai para os antioxidantes — provavelmente estão por trás da benesse. “Ao afastar o diabete tipo 2, eles também protegeriam contra essa doença cardíaca”, raciocina. Já o consumo além da conta deixou o coração na corda bamba. E não é só o excesso que abala o peito. Está comprovado que duas substâncias presentes no grão, o cafestol e o kahweol, são capazes de elevar os níveis de colesterol no sangue, quadro que pode ser o pontapé inicial para várias complicações cardiovasculares. “Mas, quando se usa o filtro de papel ou o coador de pano para preparar o café, consegue-se reter boa parte dessas substâncias”, ensina Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Dilema resolvido.

    Tremores do parkinson

    Quantas vezes você já ouviu alguém alegar que está mais acelerado porque bebeu café? Isso acontece por causa da cafeína. “A exposição à substância gera estímulos cerebrais, especialmente nas áreas que controlam as atividades motoras e o sono”, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo. Para um paciente com Parkinson, doença caracterizada por tremores no corpo, é de supor que a cafeína piore o quadro, certo? Errado. Em estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, observou-se que ela ameniza o sintoma. Para chegar ao achado, os cientistas acompanharam 61 pacientes. Enquanto uma parte recebeu placebo, uma pílula inócua, a outra ganhou uma cápsula com 100 miligramas de cafeína duas vezes ao dia, por três semanas. Nos 21 dias seguintes, o valor passou para 200 miligramas — dose encontrada em cerca de 2 xícaras de café. “A melhora motora entre aqueles que ingeriram a substância foi semelhante à de remédios indicados na fase inicial da doença”, comenta o neurologista Renato Puppi, coordenador da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, em Curitiba, e um dos autores do trabalho. “O efeito parece contraditório, mas a bebida só causa agitação em pessoas que não estão acostumadas a consumi-la ou que exageram”, pondera. Na dose adequada, a cafeína contribuiria para o funcionamento da dopamina — e é a falta desse neurotransmissor que abre as portas para o Parkinson.

    Alucinações

    Conhecido por incitar a atenção, deixando-nos mais preparados para cumprir as tarefas do dia a dia, o café ganhou a inusitada fama de alucinógeno na Universidade La Trobe, na Austrália. Isso aconteceu depois que os estudiosos recrutaram 92 voluntários e os submeteram a altos ou baixos níveis de estresse e consumo de cafeína. Depois, eles foram orientados a escutar uma mistura de sons e avisar cada vez que ouvissem determinada música. Detalhe: a canção nunca foi tocada. Só que as pessoas mais apreensivas ou com bastante cafeína na circulação — o correspondente a mais de cinco doses de café — se mostraram bem propensas a cair na pegadinha. “Alguns estudos relatam que o estresse contribui para a liberação de cortisol, hormônio que favorece experiências alucinatórias. E isso parece ser potencializado ao ingerir alimentos estimulantes, como o café”, informa a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira das Indústrias de Café, a Abic. “Mas esse efeito só acontece quando se exagera na cafeína”, declara. Para a especialista, é importante evitar o uso desenfreado de qualquer item. “A noz-moscada usada como tempero, por exemplo, não é prejudicial. Mas, se você comer uma inteira, alucinará por dias.” Consumido com moderação, o café só tende a auxiliar na concentração e na capacidade de aprendizagem.

    Dor de cabeça

    Está aí um tópico que rende pano para mangas. Geralmente, a confusão começa com a dificuldade de estabelecer se a bebida é realmente o estopim da dor de cabeça ou se as pessoas que sentem o incômodo a veem como válvula de escape. “Para esclarecer a dúvida, diminua aos poucos a ingestão de cafeína, até tirá-la da dieta”, recomenda a pesquisadora Adriana Farah, da UFrj. Lembre-se de que alguns chás e refrigerantes também carregam a substância. Daí, se a dor não sumir, procure um médico. Em muitos casos, a cafeína é a salvação. Prova disso é que está na fórmula de analgésicos. “Algumas cefaleias são caracterizadas pela vasodilatação cerebral. Por deixar os vasos mais estreitos, a cafeína pode atuar como coadjuvante no tratamento”, justifica a especialista.

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  • Quando a noite chega, surge um desconforto nas pernas que parece inexplicável. Não dá pra dizer se é dor, aflição, arrepio, sensação de peso, mas que algo está errado, está. Na hora de dormir, quem se encontra na outra metade da cama sofre com a movimentação constante da pessoa ao seu lado e pode até tomar um chute na canela sem querer. Aparentemente trivial, o transtorno descrito aqui tem nome: síndrome das pernas inquietas, ou SPI. E não afeta pouca gente. “A prevalência na população chega a 15%. Mas é um distúrbio ainda desconhecido e cujo diagnóstico não é tão simples”, expõe o neurologista Fernando Morgadinho, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Agora, além do desconforto e da privação de sono, a SPI vem sendo associada a um maior risco de problemas cardiovasculares, como infartos e derrames.

    Esse elo inusitado foi sugerido no ano passado, quando pesquisadores ao redor do mundo publicaram dados mostrando a prevalência de hipertensos entre portadores da síndrome. Um deles veio da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Ao avaliar questionários e medir a pressão arterial de 65 mil mulheres com a mesma faixa etária e sem outros problemas de saúde, os especialistas verificaram que 33% das voluntárias com pernas inquietas tinham pressão alta. Já entre o grupo sem a chateação, essa incidência caía para 21%.

    Outra pesquisa que ajuda a comprovar a ligação vem da também americana Clínica Mayo. Dessa vez, 584 pessoas diagnosticadas com a SPI submeteram-se a um exame de imagem que avaliava o estado cardíaco. Os resultados mostraram o seguinte: quem chutava mais vezes durante o sono possuía um risco maior de ser acometido pela chamada hipertrofia ventricular esquerda, quando uma parte do coração aumenta de espessura, dificultando o bombeamento do sangue. Aliás, disfunção típica de quem sofre com a pressão nas alturas.

    [adrotate banner=”2″]Ainda não se sabe muito bem por que tudo isso ocorre, mas as principais suspeitas recaem sobre um descompasso que a SPI promove no sistema nervoso simpático, responsável por regular a pressão e os batimentos cardíacos. “A síndrome se manifesta quando o indivíduo está propenso a relaxar, naquele estado de transição da vigília para o sono”, explica o neurologista Raimundo Nonato, professor da Universidade de Brasília, na capital federal. “Com os movimentos, há uma descarga de adrenalina que altera o sistema simpático, elevando a pressão durante o período noturno.” Esses picos contribuem para que a hipertensão arterial se instale de vez — de noite, de dia, toda hora. “No entanto, precisamos de mais pesquisas para confirmar essa relação. Não sabemos se os dois problemas estão associados ou se essas pessoas já apresentavam risco cardiovascular”, pondera Nonato, com cautela.

    Se já sabemos como a SPI pode influenciar o sistema nervoso e até o coração, falta indagar: que fator estaria por trás dela? “A SPI é fruto de um problema na ação da dopamina, neurotransmissor envolvido nos movimentos do corpo”, esclarece o neurologista Gustavo Guimarães Protti, do Hospital Santa Isabel, em São Paulo. “Por algum motivo, a capacidade de inibir a movimentação fica diminuída. Com isso, o indivíduo precisa se mexer constantemente”, completa Protti.

    Os deflagradores desse defeito variam. Quando a síndrome aparece em crianças e jovens, a causa é genética, mas, se a doença surge na fase adulta, na maioria dos casos a culpa incide sobre o ferro — sim, o mesmo mineral que, em falta, prejudica o transporte de oxigênio no sangue. “O nutriente é necessário para a produção da dopamina e sua carência colabora para que os níveis desse neurotransmissor caiam, fazendo a pessoa perder o controle motor e sobre algumas sensações”, explica Nonato. Daí vêm à tona dores, incômodos e os chutes na calada da noite. “A principal razão para tratarmos o indivíduo não é o desconforto nas pernas em si, mas a má qualidade do sono, que provoca cansaço intenso durante o dia”, diz Protti.

    Identificar a síndrome não é tarefa das mais fáceis. “Muitas vezes, ela é confundida com outros distúrbios que também podem ser percebidos durante a polissonografia, exame que avalia o descanso noturno”, diz Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Labor tório do Sono do Instituto do Coração, em São Paulo. Para complicar, além da polissonografia, não existem testes que apontem a SPI e o diagnóstico é feito inteiramente pelo médico, baseado num conceito adotado por todos que une quatro sintomaschave. O primeiro deles é a já descrita sensação incômoda na perna. O segundo diz respeito ao fato de a pessoa melhorar somente quando se movimenta. Por acontecer nos momentos de repouso, sentado ou deitado, configura o terceiro sinal. Por fim, a síndrome só se manifesta entre o começo da noite e o meio da madrugada.

    Há alguns grupos específicos que devem ficar bem mais atentos a essa encrenca. Anêmicos, por exemplo, já que a deficiência de ferro está presente nos dois chabus, além de doentes renais crônicos. Nesse caso, os colapsos nos rins prejudicam a absorção do mineral no organismo. Sobra até para as gestantes e mulheres com transtornos que afetem o ciclo menstrual — aliás, a ala feminina sofre mais de SPI.

    Após a detecção, o médico avalia a necessidade de remédios como a levodopa, que auxilia a dopamina a cumprir seu papel. Mas o tratamento depende muito da origem do mexe-remexe. Eis o porquê de uma análise completa. “Às vezes, só a suplementação de ferro é eficaz”, conta Protti. Outras atitudes também ajudam a boicotar os chutes noturnos (veja o slideshow abaixo). Uma vez controlada, a síndrome deixa de atormentar as noites — e, como agora se sabe, o coração do sujeito.

    Parkinson e SPI
    Ambos aparecem quando a dopamina — neurotransmissor responsável pelos movimentos dos membros — não consegue cumprir bem seu papel. A diferença entre os dois é que, no Parkinson, os neurônios que produzem a molécula vão se destruindo, enquanto na síndrome das pernas inquietas são os receptores dela que não funcionam lá muito bem.

    Medicar ou não?
    Os especialistas são quase unânimes ao dizer que o indivíduo que sofre com as pernas inquietas deve tomar medicamentos controlados. Mas a decisão deve levar em conta uma série de fatores, que vão da idade ao grau do incômodo.

    Vale a pena esclarecer: balançar as pernas sem parar enquanto se está sentado não tem relação nenhuma com o distúrbio do sono.

    Sono menos agitado
    Confira no slideshow abaixo as táticas que amenizam o remelexo nas pernas

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  • Um estudo realizado por cientistas da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, apontou que vítimas do mal de Parkinson podem ter melhora em problemas de movimentos ao consumir pílulas de cafeína.

    A pesquisa monitorou 61 pessoas que sofrem da doença, com idade de 60 anos, em média. Elas foram divididas em dois grupos, um que consumiu pílulas de cafeína por seis semanas e outro que recebeu pastilhas sem a substância ou outras drogas.

    O grupo da cafeína tomou pílulas de 100 miligramas ao acordar e logo após o almoço nas primeiras três semanas, quantidade que foi elevada a 200 miligramas no período restante.

    Na comparação, uma xícara de café possui 100 miligramas de cafeína em média. O grupo que tomou café, portanto, ingeriu o equivalente a duas xícaras no início do estudo, para após três semanas passar a quatro xícaras.

    [adrotate banner=”2″]Após o fim do estudo, pessoas que consumiram cafeína tiveram uma melhora geral nos sintomas do Parkinson, incluindo nas medições da rigidez muscular e outros problemas de movimento.

    O benefício médio foi um decréscimo de cinco pontos na escala de avaliação da doença. Segundo o cientista Ronald Postuma, da Universidade McGill, um dos responsáveis pela pesquisa, um paciente com Parkinson tem de 30 a 40 pontos da doença.

    Não é uma grande diferença, na opinião do pesquisador, mas uma pequena mudança “pode ter um efeito real na vida das pessoas”, afirmou ele à Reuters.

    Postuma enfatizou, no entanto, que “ainda é muito cedo” para afirmar que as pessoas com mal de Parkinson devem tomar café ou cafeína. Ainda não há dados suficientes sobre a tolerância dos pacientes à substância, entre outras questões.

    “Será que isso [a cafeína] faz diferença ao longo dos anos para quem sofre de Parkinson? Eu não acho que nós saibamos”, disse o pesquisador à Reuters.

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  • Diversos usos da substância química foram proibidos ao redor do mundo, devido a preocupações sobre sua toxicidade, mas o TRI ainda é utilizado como agente desengordurante.
    Os pesquisadores de institutos dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Argentina analisaram dados de 99 pares de gêmeos selecionados a partir de registros americanos, em que um dos irmãos tinha mal de Parkinson e o outro não.

    Estudos anteriores indicam que a doença é causada por uma mistura de fatores genéticos e ambientais. Alguns dos sintomas são tremores e dificuldades de movimento e de fala.

    Gêmeos

    [adrotate banner=”2″]A pesquisa queria analisar os efeitos de da exposição a seis tipos de solvente, incluindo o TRI.

    A decisão de estudar gêmeos foi tomada porque eles são semelhantes geneticamente e muitas vezes tem estilos de vida parecidos, o que reduz a ocorrência de resultados artificiais.

    Os gêmeos foram entrevistados para que se chegasse a um histórico de sua vida profissional e para que sua exposição a solventes fosse estimada. Eles também responderam perguntas sobre hobbies e passatempos.

    Os resultados estão sendo apresentados como o primeiro estudo a fazer “uma associação significativa” entre a exposição ao TRI e o mal de Parkinson.

    Os solventes percloroetileno e tetracloreto de carbono também “indicaram risco significativo de desenvolver a doença”.

    Os outros três solventes analisados, tolueno, xilol e n-hexano, não apresentaram relação estatística com a presença de mal de Parkinson.

    Tratamento
    “Nosso estudo confirma que agentes contaminantes comuns podem aumentar o risco de desenvolvimento de mal de Parkinson, o que tem implicações consideráveis em termos de saúde pública”, disse Samuel Goldman, do Instituto de Parkinson em Sunnyvale, Califórnia, que co-liderou a pesquisa publicada pelo Annals of Neurology.

    “Nossas descobertas, assim como relatos de casos anteriores, sugerem que pode haver uma diferença de até 40 anos entre a exposição ao TRI e o aparecimento do mal de Parkinson, o que cria uma janela de oportunidade fundamental para que se controle o desenvolvimento da doença antes de os sintomas clínicos surgirem.”

    Michelle Gardner, gerente de desenvolvimento de pesquisa da instituição Parkinson’s UK disse esse é o primeiro estudo que relaciona o TRI à doença, mas frisou que “muitos dos usos anteriores do solvente foram descontinuados por razões de segurança mais de 30 anos atrás e que os sistemas de proteção em locais de trabalho em que substâncias químicas fortes como este solvente são usadas melhoraram muito nos últimos anos”.

    Gardner também acredita que estudos maiores são necessários para confirmar a ligação.

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