• Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

    Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

    Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

    O que tirar de lição

    Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

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  • A insônia foi alvo de debate no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o maior do Brasil. Durante uma apresentação de quase duas horas sobre o impacto da saúde mental no coração, o psiquiatra Kalil Duailibi, da Universidade Santo Amaro, fez questão de ressaltar a importância de receitar boas noites de sono para evitar que os pacientes sofram com infarto e mesmo AVC, o popular derrame.

    SAÚDE esteve presente nesta aula. E pinçou para você grandes motivos apontados por Duailibi — corroborados por outros especialistas — que explicam o porquê dessa associação negativa. Confira:

    Hipertensão: dormir menos de cinco horas por noite, acredite, aumenta em cinco vezes o risco de ter pressão alta, um dos principais fatores de risco para o infarto. Por quê? Além do estresse, os vasos sanguíneos de quem não consegue se desligar por tempo suficiente ficam mais rígidos.

    Obesidade: uma série de estudos mostra que a falta de descanso estimula a pessoa a comer mais. Pior: ela estimula que o alimento seja estocado na forma de gordura. Há, por exemplo, pesquisas sugerindo que, mesmo com uma ingestão idêntica de calorias, os sujeitos com poucas horas de sono tendem a engordar mais.

    Diabetes: Duailibi citou um levantamento com 300 pessoas completamente saudáveis que, por algumas semanas, foram impedidas de relaxar adequadamente. Algumas eram acordadas antes da hora, outras tinham de escutar barulhos ao longo da madrugada…

    Após tanto sofrimento, notou-se que essa turma — que antes apresentava exames normais — desenvolveu um princípio de resistência à insulina. E esse cenário, marcado por uma dificuldade de a tal insulina colocar a glicose para dentro das células, com o tempo abre as portas para o diabetes tipo 2.

    Depressão: é uma via de mão dupla, na verdade. Se por um lado esse transtorno psiquiátrico pode dificultar o adormecer, a insônia mexe com a cabeça da pessoa a ponto de aumentar o risco de uma tristeza profunda.

    Acontece que os quadros de melancolia moderada ou grave estão cada vez mais associados a repercussões pelo corpo inteiro. Isso porque substâncias produzidas em maior escala entre os pacientes deprimidos podem lesar os vasos sanguíneos.

    Mais do que isso, a doença em si faz o sujeito se importar menos com a própria saúde. Ele para de se exercitar, começa a comer pior, abandona o tratamento de eventuais doenças… E quem sofre com isso é o coração, literalmente.

    Resumo da ópera

    Segundo Duailibi, essas questões ajudam a entender levantamentos que indicam que, quanto mais sintomas da insônia águem apresenta, maior a probabilidade de infarto. Ou seja, é bom levar a sério sinais como dificuldade de concentração, sonolência diurna e irritação. Dormir não é desperdício de tempo, como muita gente alega.

    E um último dado para chamar atenção: menos de seis horas de sono aumenta o risco de morte por qualquer causa. Que tal valorizar o descanso?

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  • Aproximadamente 30% da população mundial está acima do peso — desses, 600 milhões de adultos e 150 milhões de crianças têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30, o que acusa obesidade. Mas mesmo quem está abaixo desse valor deve se preocupar: das 4 milhões de mortes atribuídas ao excesso de gordura em 2015, quase 40% ocorreram entre sujeitos com IMC entre 25 e 30, considerado apenas como sobrepeso.

    Os dados, que fazem parte de um novo levantamento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revelam “uma crescente e perturbadora crise de saúde pública global”, como definem os autores da investigação. A avaliação é significativa porque incluiu 195 países e territórios – e os resultados foram obtidos ao longo de 35 anos de observação.

    Os cientistas analisaram inúmeros relatórios sobre a relação da obesidade com variadas disfunções. Além disso, basearam-se em outro grande estudo que verificou o impacto de mais de 300 doenças ao redor do globo.

    “As pessoas que ignoram o aumento de peso fazem isso por conta e risco: risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições que ameaçam a vida”, diz Christopher Murray, um dos autores da pesquisa. E, mais do que a longevidade, cabe ressaltar a qualidade de vida. Segundo o levantamento, em 2015 a soma de anos vividos com alguma consequência considerável do excesso de peso — de câncer a hipertensão — entre a população mundial chegou a incríveis 120 milhões.

    A maior taxa de obesidade entre crianças e jovens é a dos Estados Unidos, com quase 13%. Em adultos, o país campeão nesse quesito é o Egito, com alarmantes 35%. Ao total, 2,2 bilhões de indivíduos no planeta enfrentam problemas com a balança, e o novo documento só reforça que o excesso de peso é uma das questões de saúde pública mais desafiadoras da atualidade.

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  • Marque no relógio: no tempo que você levará para ler esta reportagem, pelo menos dois brasileiros sucumbirão ao infarto, a causa de morte número 1 em nosso país e em boa parte do mundo. Esse cenário catastrófico é motivado pelo descontrole de fatores que patrocinam o entupimento das coronárias, as artérias que irrigam o coração, como o excesso de peso, o tabagismo, a pressão alta e altas taxas de colesterol e glicemia. Porém, chama a atenção a persistente lentidão com que as pessoas em geral (e, em certa medida, até profissionais de saúde) suspeitam dos sintomas de algo crítico no peito.

    Essa grave falha foi escancarada por uma pesquisa do Imperial College London, na Inglaterra, recém-publicada no jornal científico The Lancet. Os autores reuniram dados sobre todos os 135 mil óbitos por ataque cardíaco que ocorreram na Inglaterra entre 2006 e 2010. Eles descobriram que, em 16% dos casos, os indivíduos haviam visitado o hospital durante o mês anterior com dores, desmaios ou falta de ar.

    Mesmo assim, esses pontos de alerta não foram suficientes para levantar a possibilidade de um evento sério no coração. “O estudo destaca a importância de ficar atento aos sinais sugestivos do problema, uma vez que uma em cada seis pessoas passaram por consulta e não tiveram um diagnóstico correto”, analisa o médico Marcus Bolívar Malachias, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

    É óbvio que as pontadas agudas no peito são a face mais conhecida e comum do infarto. Mas nem sempre essa sensação dá as caras. Aliás, um músculo cardíaco em parafuso se entrega por outras vias também. “Entre elas, podemos citar dificuldades para respirar, palidez, suor frio, náuseas, vômitos, tontura, confusão mental, perda de consciência e dores difusas nas costas, nos braços e na mandíbula”, lista o médico Agnaldo Píspico, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

    O estabelecimento deles está relacionado à conexão entre diferentes estruturas do sistema nervoso que transmitem o estímulo doloroso e a região atingida. Se a obstrução aconteceu na porção inferior do coração, por exemplo, é natural experimentar desconfortos como regurgitação e azia.

    E olha que os sintomas menos famosos são corriqueiros em alguns grupos específicos, a começar pelas mulheres. Um levantamento do Centro Médico Regional de Lakeland, nos Estados Unidos, concluiu que 42% das infartadas não sentiram uma dorzinha sequer no tórax. “Elas também demoram em média uma hora a mais para ir ao pronto-socorro em comparação com os homens”, observa o cardiologista Otavio Gebara, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. Para piorar, o aumento do estresse e das incumbências com trabalho, casa e família elevou as estatísticas das doenças cardiovasculares entre o público feminino nas últimas décadas.

    Diabéticos e idosos são outros perfis de gente que tem o colapso cardíaco sem manifestar sintomas clássicos. “O diabete danifica os nervos e altera a sensibilidade à dor”, explica o cardiologista José Armando Mangione, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. A doença ainda modifica a configuração interna dos vasos sanguíneos e possibilita o surgimento de coágulos que bloqueiam a passagem do líquido vermelho.

    Nos mais velhos, o avançar das décadas deixa o coração franzino. “Muitas vezes, só vemos que um paciente de 70 ou 80 anos infartou após alguns meses, no resultado de exames de rotina”, conta o cardiologista Leopoldo Piegas, do Hospital do Coração, na capital paulista.

    Quando, então, suspeitar que sinais tão simples significam um infarto sem virar hipocondríaco? A regra essencial é ficar com a pulga atrás da orelha caso os incômodos sejam intensos e surjam do nada. Quem possui histórico familiar de enfermidades cardíacas, fuma, está acima do peso, hipertenso ou com o colesterol alto também deve ficar ligado. “É necessário socorrer na primeira hora, pois esse é o momento em que ocorre a maioria das mortes”, frisa o cardiologista Francisco Lourenço Junior, do Hospital Quinta D¿Or, no Rio de Janeiro. Não tem jeito: para o relógio trabalhar a nosso favor, rapidez é primordial. Só assim evitamos que o coração afunde em águas nada tranquilas.

    Desconfiar sempre

    Grupos em que as manifestações das emergências cardíacas não são tão clássicas

    Mulheres

    A dor pode não ser tão forte nelas e vem acompanhada de palpitações. Episódios com impacto emocional são o gatilho de muitos piripaques cardíacos nesse público.

    Idosos

    Com um coração pouco vigoroso, saem de cena as pontadas do infarto. No lugar delas, pintam sintomas como confusão mental, tontura e falta de ar.

    Diabéticos

    Açúcar demais lesa os nervos responsáveis pelas sensações dolorosas, o que mascara o aperto nos vasos do coração. Náuseas e suor frio acendem o sinal de alerta nessa turma.

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  • foto-imagem-mulher-corpo

    Pera, maçã ou banana? Pode até parecer que estamos reinventando aquela famosa brincadeira juvenil ou selecionando ingredientes para uma salada de frutas. Mas, na verdade, os três termos são utilizados por médicos para definir tipos físicos.

    A endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, explica: “Um corpo maçã é aquele com maior concentração de gordura na região abdominal, com pernas e braços finos. O pera, por sua vez, é curvilíneo, tem uma melhor distribuição de tecido adiposo. Banana seriam os totalmente magros”. Agora que você já sabe qual é o seu biótipo, descubra mais detalhes clicando nas imagens abaixo:

    Maçã

    foto-imagem-maça

    Seu metabolismo é: lento. A barriga mais inchada, típica do perfil maçã, é resultado do excesso de gordura visceral, que se aloja dentro e ao redor dos órgãos. O problema: ela é especialmente danosa e pode, por exemplo, levar a problemas cardiovasculares e diabete, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Pera

    foto-imagem-pera

    Seu metabolismo é: rápido. O maior volume das coxas e do quadril — que dá o formato de pera —, denota uma tendência a estocar gordura no chamado tecido adiposo subcutâneo. Ele é bem menos nocivo do que o visceral, porém é mais difícil de ser queimado.

    Banana

    foto-imagem-banana

    Seu metabolismo é: superrápido. Mas atenção: não caia na história de que magreza é sinônimo de saúde e dispensa exercícios físicos e alimentação equilibrada. Mesmo que a silhueta permaneça intacta, ficar parado e exagerar nas refeições favorece o diabete e diversas doenças entre os “magros de ruim”.

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  • foto-imagem-peso-depois-emagrecer

    Depois de muita luta, suor e dedicação, você consegue reduzir a circunferência da cintura. Mas tenha em mente que a vida continua. A manutenção do peso ideal é um desafio ainda maior do que eliminar o excesso de quilos em si.

    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, nos Estados Unidos, analisou o desempenho de participantes do reality show americano “O Grande Perdedor”, no qual o competidor que mais emagrecer sai vitorioso. Segundo dados do estudo, de uma média de 58,3 quilos enxugados, houve reganho de 41 em seis anos. “O metabolismo dos participantes ficou mais lento depois que eles emagreceram”, esclarece o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre outras coisas, não é mais necessário fazer tanto esforço como antes para diversas atividades diárias – inclusive os exercícios -, reduzindo o gasto calórico.

    Além de diminuir de ritmo, o organismo de quem desinfla as próprias medidas luta de diversas maneiras para voltar ao peso original. “Nosso corpo de homem primitivo acha que estamos passando por um momento de falta de comida”, completa Mancini. Algumas das repercussões envolvem o aumento da concentração de grelina, o hormônio da fome, e a diminuição de GLP-1, substância que promove saciedade.

    Isso significa que é preciso manter as mudanças comportamentais que fomentaram o emagrecimento e fazer ajustes nos treinos que potencializam a queima de gordura – apertar o ritmo conforme vai se adaptando é importante. Persistir é primordial para evitar o efeito sanfona.

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  • foto-imagem-diabeticos-preparem-seu-coracao

    Digamos que, por ironia do organismo, o coração de quem tem muito açúcar correndo pelas veias não leva uma vida tão doce. É que o diabete, e o panteão de alterações que faz companhia à alta da glicose, semeia a discórdia nas artérias, elevando o risco de infarto e outras mazelas cardíacas. Não é por menos que a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) dá início à sua nova campanha nacional “Diabetes sem Complicações” focando o combate à doença cardiovascular. “Queremos conscientizar essa população de que, além de ajustar a glicemia, ela precisa aderir a um pacote de medidas visando ao controle do peso, da pressão, do colesterol…”, justifica o endocrinologista Luiz Turatti, presidente da SBD.

    É um alerta que deveria ser ouvido por muita gente. Estima-se que 10% dos brasileiros (mais de 20 milhões) tenham diabete e 90% dessa fatia conviva com o tipo 2 do problema — como ele pega carona na obesidade, as projeções indicam um crescimento nos números. “O diabete é marcado por um processo inflamatório, que favorece a formação e a instabilidade das placas que entopem os vasos”, ensina o cardiologista Ricardo Pavanello, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Na verdade, dá pra encher um tratado com tantos fenômenos indesejáveis que ligam o tipo 2 da encrenca ao sofrimento do coração.

    “A resistência à insulina, que impede o uso adequado da glicose pelas células, atrapalha a dilatação das artérias, elevando a pressão”, cita uma das peças do quebra-cabeça o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Pavanello elenca outra: “O corpo do diabético tem uma maior tendência à formação de trombos”. Em conjunto, essas pecinhas levam a um mesmo desenho — uma artéria que irriga o músculo cardíaco é bloqueada e, sem suprimento de sangue, o coração sofre um infarto. “Devemos lembrar ainda que, muitas vezes, o diabético também tem gordura no fígado e na barriga, apneia do sono, alterações de colesterol… É uma rede de fatores intrincada”, ressalta Couri. E que pode culminar em um golpe ao peito.

    O diabete é inimigo notável do sistema de encanamento que distribui o sangue pelo organismo. Maltrata tanto artérias maiores, como as coronárias que abastecem o coração, como vasinhos no fundo do olho. “Dá pra supor que o paciente é diabético só de ver exames como o cateterismo dele”, conta Pavanello. Isso porque suas artérias se encontram mais tortuosas e apresentam lesões em vários pontos. “Por essa razão, cirurgias de ponte de safena são mais efetivas do que stents [minibalões instalados para desobstruir os vasos] nessa população”, revela Couri.

    Ocorre que o drama cardíaco não termina apenas em infartos. Anos de diabete fora de controle sobrecarregam o órgão, que não consegue mais relaxar a contento. Aí ele endurece literalmente e entra em estado de insuficiência. O quadro, conhecido como cardiopatia diabética, tem alta letalidade e cobra acompanhamento de perto. Mas saiba que o coração não precisa bater na corda bamba ou sob o temor de um ataque. Há um plano de ação para poupá-lo do perigo — e a ciência vem se aperfeiçoando nessa missão.

    Pela salvação do peito

    Não é fácil rever e mudar o estilo de vida. Tenha em mente, porém, que, em se tratando de diabete, os ajustes na rotina — alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, respeito ao sono, entre outros — não se revertem apenas em um melhor domínio sobre os níveis de glicose. Eles ajudam a remediar outros fatores de risco cardiovascular que andam de mãos dadas com o mal do sangue doce, caso do excesso de peso. A sintonia com as orientações médicas e o esforço para aderir a comportamentos saudáveis compensam. O coração sabe disso.

    Nessas horas, também é comum (e necessário) que os profissionais peçam socorro a medicamentos. “O desafio da prevenção da doença cardiovascular entre os diabéticos é que não basta domar a glicemia. Temos de controlar a pressão, o colesterol e a formação de coágulos, o que pode exigir remédios diários para atuar nessas condições”, explica o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Não é uma delícia engolir uma porção de comprimidos por dia, mas a tática amplia a expectativa e a qualidade de vida do cidadão. Tanto é que, segundo Couri, a Associação Americana de Diabetes já recomenda o uso de estatina (droga que baixa o colesterol) a todo diabético acima dos 40 anos, mesmo (acredite!) que ele não tenha taxas elevadas de colesterol ruim no sangue. Tudo, argumenta-se, em nome da prevenção.

    O conceito de agregar fármacos, aliás, passa pelo tratamento do diabete em si. “Como estamos falando de um problema de origem multifatorial, precisamos agir em diversas frentes. Hoje é corriqueiro pacientes saírem do consultório com dois ou três tipos de medicamentos prescritos”, relata Couri. Nessa linha, despontou há pouco o primeiro remédio criado para frear a glicemia a demonstrar efeito direto na redução do risco cardiovascular. Trata-se da empagliflozina, desenvolvida pela Aliança Boehringer Ingelheim-Eli Lilly, princípio ativo que aumenta a eliminação de açúcar pela urina.

    Em estudo com mais de 7 mil diabéticos do tipo 2 e alta probabilidade de infartar — brasileiros no meio —, a adição do comprimido ao programa terapêutico (que envolvia outras medicações) chegou a resultados expressivos. “Observou-se uma redução de 38% nas mortes por doença cardiovascular e uma diminuição de 35% no índice de hospitalização por falhas cardíacas”, conta o endocrinologista Andres Palacios, da Universidad Pontificia Bolivariana, em Medellín, na Colômbia. Foi registrado um único efeito adverso: leve aumento nos casos de infecção urinária ou genital. “Não se propõe substituir um remédio por outro, mas adicionar para melhorar a resposta e minimizar o risco do paciente”, argumenta Palacios. Somar, e não se esqueça de botar bons hábitos nessa conta, é o verbo que está ditando a proteção ao coração do diabético.

    415 milhões de pessoas têm diabete no mundo hoje — número que deve saltar pra 642 milhões em 2040
    50% das mortes entre os diabéticos do tipo 2 vêm de problemas cardiovasculares
    12 anos é quanto encurta a expectativa de vida de alguém com diabete e alto risco cardiovascular
    1/3 dos diabéticos desconhece que os problemas do coração são a principal causa de morte entre eles
    10% dos brasileiros têm diabete. E atenção: nesse grupo, o infarto costuma ser mais silencioso
    50% dos diabéticos do tipo 2 não alcançam a meta de controle da glicemia

    Sobrou para o coração
    Por que o diabete complica tanto a vida do sistema cardiovascular

    Inflamou geral
    A glicose dando sopa no sangue e a resistência à insulina propiciam um estado de inflamação, que favorece o surgimento de placas nas artérias.

    Gorduras mil
    Boa parte dos diabéticos tem muita gordura na barriga e no fígado, fator associado a triglicérides e moléculas inflamatórias à solta pelos vasos.

    Sob pressão
    Entre outras funções, a insulina relaxa as artérias. Quando ela não atua direito, há um déficit nessa dilatação, o que eleva a pressão dentro dos vasos.

    Sangue viscoso
    Trombos capazes de entupir artérias se formam mais facilmente na circulação dos diabéticos. Isso porque há uma maior agregação de plaquetas.

    Saída lá por baixo

    Como atua o primeiro remédio para diabéticos capaz de baixar o risco cardíaco

    1.Todo mundo tem uma proteína nos rins, a SGLT2, que capta parte da glicose e do sódio que estava no sangue e a devolve à circulação, impedindo sua eliminação do corpo.

    2.O medicamento empagliflozina inibe a tal da SGLT2, estimulando a saída de açúcar e sódio pela urina. Ele ajuda a domar a glicemia e traria ganhos ao controle do peso e da pressão.

    A medicação, de uso oral, faz eliminar quase 80 gramas de glicose do sangue por dia, o que equivale a 300 calorias — ou quase duas latas de refri normal.

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  • foto-imagem-fatores-que-geram-cancer-de-figado

    Ontem foi aberto o 19º Simpósio Hepatologia do Milênio, um encontro entre profissionais da área que ocorre em Salvador (BA) para discutir as maiores novidades da ciência sobre problemas no fígado. E o destaque ficou por conta do câncer. Coordenador do evento, o hepatologista Raymundo Paraná comenta: “Existem atualmente no mundo 500 milhões de pessoas com hepatite B e 170 milhões com hepatite C. Além disso, boa parte da população está acima do peso ideal, enquanto 15% se tornou diabética. Esses são fatores que contribuem para o surgimento de tumores de fígado”.

    Vamos, então, focar em como se prevenir dessas encrencas:

    Hepatite B

    O vírus que a provoca é transmitido via sexual — outro motivo para usar camisinha. E há uma vacina contra a enfermidade. Se não sabe se a tomou, converse com um médico sobre a necessidade disso.

    Hepatite C

    Diferentemente de sua prima, não tem vacina e raramente invade o organismo durante o sexo. Sua maior via de transmissão é por sangue contaminado — materiais cortantes não esterilizados e compartilhamento de seringas são o maior foco de preocupação dos especialistas. Mas já há medicamentos mais eficazes contra essa doença do que antes.

    Diabete

    Você já deve estar cansado de saber que, para evitar a subida da glicemia, o jeito é manter um bom peso, não exagerar no açúcar ou em alimentos lotados dessa substância e fazer exercício físico. Ou seja, a regra é ter um estilo de vida equilibrado.

    Obesidade

    Não muda muito em relação ao item anterior. Vale a pena se pesar ou medir a circunferência da cintura de tempos em tempos para manter um melhor controle da forma física

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  • foto-imagem-causas-inusitadas-da-surdezA audição é um dos fenômenos mais delicados do corpo humano. Conversar ou ouvir os Beatles depende dos nossos menores ossos e de 30 mil microssensores com formato de pelinhos, movidos por um líquido armazenado em uma estrutura que lembra um caracol. Eles é que guiam as ondas sonoras até virarem mensagens lidas pelo cérebro. O avançar dos anos enferruja essa orquestra, mas o fato é que várias condições podem sabotá-la. O curioso é que muitas delas não têm (aparentemente) nada a ver com as orelhas.

    1. Obesidade

    O prejuízo auditivo engordou a coleção de problemas relacionados à obesidade. Pesquisadores da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, observaram, em um levantamento com 1500 adolescentes, que 15% dos jovens acima do peso sofriam com algum grau de perda de audição, o dobro do que foi visto na garotada em forma. Embora ainda não haja uma explicação definitiva sobre esse elo, o otorrino e líder do estudo, Anil Lalwani, destaca uma hipótese: o baixo nível de adiponectina entre os obesos. Essa substância tem efeito anti-inflamatório e ajudaria a resguardar os vasinhos nas redondezas do ouvido. O impacto dos quilos extras na audição também foi apontado em outra megapesquisa americana. Ao cruzar os dados de 68 mil enfermeiras acompanhadas por ano, verificou-se que a probabilidade de ter um déficit auditivo era 22% maior entre as gordinhas. E há uma coincidência: os sons começaram a sumir justamente quando o peso saiu de controle. “O primeiro sinal do sofrimento das células ciliadas do ouvido é o zumbido. Se a agressão continuar, vem a perda auditiva pra valer”, avisa Castilho. Ao que parece, uma das formas de minimizar essa agressão é eliminar os quilos a mais.

    2. Micróbios

    Vírus, bactérias e fungos, ávidos visitantes do corpo humano, não poupam os ouvidos. Eles têm até um atalho para chegar lá. Entre a orelha e a garganta, há um pequeno tubo, a trompa de Eustáquio, que drena líquidos e mantém a pressão no ouvido numa boa. Ela abre e fecha sozinha, mas às vezes fica bloqueada – é isso que gera aquela sensação incômoda dentro do avião, por exemplo. Só que esse caminho pode ser interditado pelo acúmulo de muco e pus nas vias respiratórias, quadro comum em infecções como a gripe. Se isso ocorre, os fluidos se acumulam no ouvido. Sem aquela drenagem, os micróbios, sobretudo as bactérias, se multiplicam e dominam o pedaço – é a otite. Com o ouvido parcialmente bloqueado, você deixa de ouvir cerca de 24 decibéis, o que equivale a viver com fones na orelha. Se a infecção piorar, a perda pode chegar a 48 decibéis e já há dificuldade pra pegar uma conversa. O drama é que os invasores podem viajar até a cóclea e danificar cílios e nervos. “E aí é uma via de mão dupla”, diz o médico Sady Selaimen da Costa, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Por isso, déficits auditivos em meio a perrengues nas vias aéreas cobram o olhar do otorrino. E situações como meningite e HIV despertam alerta máximo pelo seu potencial de retaliações no ouvido.

    3. Diabete

    Excesso de açúcar na corrente sanguínea é sinônimo de encrenca para os pequenos vasos que têm de abastecer as estruturas do ouvido. “As células ciliadas [os pelinhos que ficam na cóclea] são muito sensíveis. Por causa disso, alterações como o aumento ou a carência de glicose na circulação podem atrapalhar seu funcionamento”, ensina Castilho. Ora, é por meio do sangue que as células de cada canto do organismo são alimentadas e protegidas. Se o plasma fica viscoso demais, como costuma ocorrer na diabete fora de controle, o fornecimento a áreas mais delicadas fica comprometido e os vasinhos podem sofrer lesões. Isso explica por que 90% dos diabéticos do tipo 1 e 60% dos portadores do tipo 2 desenvolvem problemas de visão, como a retinopatia. No ouvido, a situação é bem parecida, e, não é à toa, a Associação Americana de Diabete estima que pessoas com a doença tenham uma propensão duas vezes maior de desenvolver deficiência auditiva. Mesmo quem tem pré-diabete não escapa desse risco: dificuldades para ouvir são 30% mais comuns em quem vive com a glicemia entre 100 e 125 mg/dl. Diante das evidências, o recado é ficar de olho nos níveis de glicose e, com tratamento adequado e mudanças de hábito, frear o diabete para ouvir bem a vida inteira.

    4. Pressão alta

    Apesar de ficar dentro da cabeça, ao lado do cérebro, o ouvido interno é um órgão relativamente isolado. E sua irrigação até que depende de poucas artérias. Não precisa de muito estrago, portanto, pra haver algum enrosco na captação dos sons. Além do diabete e do excesso de peso, os vasos sofrem quando a hipertensão aparece. Em médio e longo prazo, ela corrompe o fluxo sanguíneo para o ouvido. “E, tendo menos circulação nessa área, o indivíduo vai perder a audição aos poucos”, alerta Ricardo Bento. Para prevenir a fuga da audição, a pressão tem de ser domada – o ideal é que ela fique abaixo de 140 por 90 mmHG. Cuidar da dieta, maneirando no sódio e na gordura, praticar atividade física e dormir direito são alguns dos pilares do controle, que ainda exige, se o médico julgar necessário, o uso de remédios. Não dá pra se descuidar por outra razão. “Em geral, um hipertenso não é só hipertenso”, afirma o otorrino Selaimen da Costa, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em outras palavras, é comum que a pressão alta venha acompanhada de barriga, diabete… Aí já viu: temos um combo de fatores afetando a saúde auditiva. Quer goste, quer não, verdade é que o estilo de vida saudável é crucial para debelar esse trio. Convém dar ouvidos a isso.

    5. Osteoporose

    Um estudo de Taiwan que acaba de ser publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism cruzou prontuários médicos de mais de 10 mil cidadãos diagnosticados com osteoporose e constatou que, em comparação com pessoas livres do problema, a presença do distúrbio está associada a um risco 76% maior de surdez. O ouvido dispõe de três ossinhos: o martelo, a bigorna e o estribo. E é natural que a gente pense que o seu enfraquecimento tenha algo a ver com o achado. No entanto, nada é tão simples quanto parece. Os cientistas creem que, mesmo fragilizados, tais ossos continuam cumprindo seu papel. Eles apostam, na verdade, que são problemas vasculares comuns às duas condições que ligariam uma coisa à outra. Além disso, não dá pra descartar o duplo impacto da idade nessa história.

    A lista não acabou

    Outras causas ou fatores que colaboram para a perda de audição.

    Exposição constante a ruídos ou música alta no fone de ouvido

    Problemas de tireoide

    Tumores

    Traumas e acidentes

    Tabagismo

    Uso indiscriminado ou excessivo de medicamentos (como ácido acetilsalicílico, antibióticos e diuréticos)

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  • foto-imagem-cirurgia-bariatricaNão dá para ignorar os resultados expressivos das cirurgias bariátricas. Numa revisão da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a economista especializada em saúde Su-Hsin Chang investigou 164 estudos, que reuniram 161 756 voluntários pesos pesados. Tudo para concluir que, mesmo cinco anos após terem deixado o hospital, os participantes apresentavam, em média, uma redução de 12 a 17 pontos no índice de massa corporal (IMC).Constatações como essa alavancaram o número de pessoas que enxugaram grandes excessos gordurosos com o bisturi. No nosso pais, saímos de 16 mil casos em 2003 para 88 mil em 2014 – um crescimento de 5,5 vezes, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).O que avaliar antes de apelar para o bisturi

    IMC

    De uma forma muito simplista, daria para dizer que são candidatos à cirurgia os sujeitos entre 16 e 65 anos com IMC de 40 ou mais – ou mesmo “só” acima dos 35, desde que já estejam com uma doença decorrente do excesso de peso.

    Tempo

    “Hoje, um dos principais fatores a serem analisados é o tempo que o indivíduo convive com a obesidade”, aponta o cirurgião Cláudio Mottin, diretor do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas, em Porto Alegre. Se for inferior a cinco anos, melhor apostar em táticas menos radicais.

    Fracasso de outras medidas

    Outro critério fundamental é ter tentado, sem sucesso, medidas mais brandas por ao menos dois anos.

    Estado mental

    Transtornos psiquiátricos descompensados ou fases turbulentas da vida no mínimo adiam a operação. “Há quem precise de preparo psicológico por mais de um ano antes de fazer o procedimento”, conta Luiza Heberle, psiquiatra que trabalha com Motin no Hospital São Lucas.

    Para não operar e engordar de novo

    Antes de tudo

    Uma bateria de exames é feita para checar se o candidato pode ser operado – e, se sim, em quais condições. Ele ainda passa por acompanhamento psicológico e já dá o pontapé inicial para modificações no estilo de vida.

    Logo após a cirurgia

    Nos primeiros 15 dias, a dieta é composta de líquidos. Nas duas semanas seguintes, entram alimentos pastosos. Só depois de 30 dias estão liberadas comidas mais durinhas. O contato com os profissionais de saúde deve ser constante.

    Daí em diante

    O tratamento não para aí. Fora os ajustes no cardápio e a inclusão de exercícios na rotina, a pessoa provavelmente recorrerá a suplementos de vitaminas e minerais. As consultas com o médico seguem por anos e mais anos.

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