• Boa notícia para os cerca de 5 milhões de brasileiros com psoríase. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente mais dois remédios contra essa doença de pele crônica que promove descamações e lesões cutâneas.

    Comecemos pelo guselcumabe, da farmacêutica Janssen. Indicado para casos moderados a graves, ele é um medicamento biológico que bloqueia a interleucina 23, uma proteína inflamatória associada à doença e aos seus sintomas.

    Nos estudos que garantiram sua liberação, a droga garantiu uma redução de 90% dos sinais da psoríase após seis meses de aplicação. Isso de sete a cada dez pacientes tratados. E, em uma pesquisa mais recente, notou-se que 86% das pessoas mantiveram a melhora mesmo após um ano e meio.

    “Os resultados com esse tipo de remédio são muito positivos. E o melhor é que ganhamos mais uma opção para quando outros tratamentos falham”, opina o médico Caio Castro, coordenador da Campanha Nacional de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Tratamento à prova de falhas
    Além do guselcumabe, existem outros fármacos biológicos disponíveis por aqui – todos são injetáveis. O secuquinumabe (Novartis) e o ixequizumabe (da Eli Lilly, aprovado no finalzinho de 2017), por exemplo, focam em outra substância inflamatória atrelada à psoríase, a interleucina 17.

    Portanto, se uma medicação não traz o resultado esperado, o médico ainda pode recorrer a outras, com mecanismos de ação diferentes, mesmo nas situações mais graves. “Também podemos trocar de opção em virtude de efeitos colaterais indesejados”, completa Castro.

    Por exemplo: os remédios biológicos que focam na inibição da interleucina 17 causam um ligeiro aumento no risco de candidíase. Logo, pessoas com maior propensão a esse problema podem apostar em alternativas.

    “Até o momento, não há muitas pesquisas comparando a eficácia entre as drogas dessa nova geração, então a decisão será tomada por certos detalhes mesmo”, explica Castro. Entre eles, claro, também está o preço.

    Hoje, dificilmente uma dose do secuquinumabe, por exemplo, sairá por menos de 5 mil reais – após um período mais intenso de aplicações, a administração pode se tornar mensal. E os seguros de saúde ainda não são obrigados a cobrir esses custos, embora alguns arquem com eles. Atualmente, vários pacientes recorrem à Justiça para obter acesso a tais medicações.

    No caso do guselcumabe, os preços ainda serão definidos junto com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

    De qualquer forma, o valor desses remédios modernos ajuda a explicar o fato de os médicos apostarem, para a psoríase mais leve, em cremes e fármacos tradicionais, como a ciclosporina. “Eles também funcionam bem nessas situações”, tranquiliza Castro.

    E o outro remédio?
    O segundo medicamento aprovado contra a psoríase se chama apremilaste, da farmacêutica Celgene. Ao contrário do guselcumabe, esse é um fármaco sintético, que poderá entrar em cena para pacientes que não responderam ou têm alguma contraindicação contra terapias como as mencionadas acima.

    O que é psoríase
    Trata-se de uma doença crônica inflamatória da pele, que afeta cerca de 1,5% da população brasileira. Lesões, descamações e coceira são bem comuns – a severidade do quadro é definida, por exemplo, pela extensão das feridas e pelo impacto na qualidade de vida.

    Alguns indivíduos desenvolvem artrite psoriática, uma inflamação nas juntas que pode levar à perda de movimentos e deformações. Os tratamentos biológicos, aliás, também podem ajudar a tratar e até mesmo prevenir essa encrenca.

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  • Muita gente viaja no final de ano e acaba sem saber direito que remédios levar ou pensa que, por via das dúvidas, melhor colocar tudo na mala. Antes de fazer a festa na farmácia, confira a opinião de um médico sobre o assunto e as indicações para o kit ideal – e, mais importante, seguro.

    “Nenhum medicamento deve ser ingerido sem o conhecimento do seu médico, mesmo os que não precisam de receita”, adianta Paulo Camiz, clínico geral e professor do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. “Converse com ele antes de viajar”, recomenda.

    Analgésicos e antitérmicos
    Os clássicos dipirona e paracetamol aliviam dor e febre. São itens básicos que ajudam na hora do aperto sem grandes riscos na maioria dos casos – desde que tomados pontualmente (e não quase todo dia).

    Anti-inflamatórios
    Até funcionam para dores musculares, mas é preciso cuidado especial ao tomá-los, pois podem ser nocivos para estômago e rins. Idosos e portadores de problemas cardíacos devem ter cuidado extra.

    Para picadas de inseto
    Não precisa levar um comprimido antialérgico se você não for do tipo que tem crises após picadas. Mas vale uma pomada para aliviar a reação local, além do repelente, é claro!

    Para o estômago
    Férias muitas vezes terminam em excessos, sejam de comida ou bebida. E o ideal seria moderar, claro. Mas, se passou do ponto, é bom ter na mala um antiácido simples, como os à base de hidróxido de alumínio ou magnésio, especialistas em apagar incêndios.

    Kit de primeiros socorros
    Varia conforme o local e o tipo da viagem, mas o básico contém gaze, antisséptico, esparadrapo e curativos prontos para uso. Nunca se sabe!

    Em viagens internacionais
    Se você é portador de uma doença crônica ou é acometido com frequência por infecções, converse com seu médico antes de viajar. É que, em alguns países, o acesso aos medicamentos e ao sistema de saúde pode ser difícil e caro.

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  • Já parou para se perguntar por que os remédios têm várias formas de apresentação? Entenda, logo abaixo, quais as principais diferenças entre comprimidos, drágeas e cápsulas.

    Comprimidos
    Mistura do princípio ativo em pó com substâncias que dão liga, como o amido ou a goma arábica. Eles são compactados até ficarem uniformes.

    Drágeas
    Bem similares aos comprimidos. A diferença está numa película externa, que impede a degradação dos seus compostos.

    Cápsulas
    Revestidas de um material gelatinoso para proteger o conteúdo interno e facilitar a deglutição. Podem ser sólidas ou líquidas.

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  • Um tiro certeiro — e sustentado — contra duas doenças que comprometem as juntas e a qualidade de vida. Eis o feito de um anticorpo monoclonal que foi destaque no último Congresso Europeu de Reumatologia. No encontro recém-ocorrido em Madri, na Espanha, cientistas apresentaram os resultados de estudos de acompanhamento com o medicamento secuquinumabe em pessoas com espondilite anquilosante e artrite psoriática, problemas que, em comum, são marcados por uma inflamação crônica em algumas articulações.

    Vamos por partes.

    Anticorpos monoclonais como o secuquinumabe, do laboratório Novartis, são medicações injetáveis que funcionam como uma espécie de míssil teleguiado dentro do organismo. Eles miram e inativam uma substância específica, normalmente crucial ao processo inflamatório que fustiga alguma redondeza do corpo. Nesse caso, o secuquinumabe busca neutralizar uma interleucina, a IL-17A, peça-chave na inflamação que acomete as articulações tanto na espondilite anquilosante como na artrite psoriática.

    Um dos estudos apresentados no congresso da Liga Europeia de Reumatismo seguiu 290 pessoas com espondilite anquilosante por três anos e constatou sua capacidade de controlar típicas manifestações da doença, que afeta sobretudo a coluna e leva a dor, rigidez e deformação na região. Os médicos comprovaram que o anticorpo monoclonal melhorou os quadros dolorosos à noite, a flexibilidade (principalmente no período da manhã) e a habilidade de realizar tarefas no dia a dia.

    No braço de pesquisas direcionadas a pacientes com artrite psoriática, condição que afeta ao redor de 7% das pessoas com psoríase — doença inflamatória da pele marcada pela formação de placas avermelhadas —, o mesmo remédio conseguiu aliviar a dor em três semanas de uso. No acompanhamento por três anos com mais de 400 voluntários, os indivíduos tratados também apresentaram melhoras como a redução do inchaço nas articulações. A artrite psoriática pode afligir tanto as juntas nas extremidades do corpo como trechos da coluna.

    A boa notícia para os brasileiros com esses problemas é que o secuquinumabe já está liberado para uso em ambas as condições no país. A mesma medicação também tem aval para ajudar em casos moderados e graves de psoríase.

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    Quem sofre de artrite reumatoide logo vai poder encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) um medicamento que torna a terapia mais prática e eficaz em alguns casos. O prazo para que isso ocorra é de 180 dias, contados a partir do dia 2 de fevereiro.

    Disponível no nosso país desde 2015, ele apresenta o mesmo perfil de eficácia e segurança dos medicamentos biológicos. Isso com a comodidade de ser um comprimido, o que pode contribuir para a adesão ao tratamento, segundo um comunicado da Pfizer Brasil, empresa que fabrica o fármaco. Os outros medicamentos biológicos são aplicados por injeções, mensais ou semanais.

    Para entender o mecanismo de ação do citrato de tofacitinibe, é necessário saber como começa a artrite reumatoide. Primeiro, uma molécula inflamatória, a citocina, conecta-se a uma célula de defesa do corpo, o linfócito.

    Depois, uma partícula proteica, a janus quinase, começa a trabalhar, estimulando a produção de mais e mais citocina – o que causa dores e inflamações nas articulações. É como se elas fossem corroídas aos poucos. O remédio, por sua vez, bloqueia a tal janus quinase, cortando o ciclo.

    A droga liberada pelo SUS é indicada para adultos com essa doença autoimune em intensidade moderada a grave e que não tenham respondido adequadamente aos tratamentos convencionais. A estimativa é que 30% dos pacientes se enquadrem nesses quesitos. No Brasil, a porcentagem corresponderia a 600 mil casos que, agora, podem ter acesso à medicação gratuitamente.

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    Segundo o Nice, medicamentos anticoagulantes como a varfarina são mais indicados para aqueles com fibrilação atrial, que pode aumentar o risco de um ataque.

    Especialistas dizem que muitos médicos já estão fazendo isso. A indicação deverá afetar centenas de milhares de pacientes.

    A fibrilação atrial, que causa um batimento cardíaco irregular, é o problema de coração mais comum e afeta até 800 mil pessoas no Reino Unido – cerca de uma pessoa a cada 100.

    Com a fibrilação atrial, o coração não trabalha de maneira apropriada e podem se formar coágulos de sangue, o que aumenta o risco de um ataque.

    A aspirina tem sido usada há anos para ajudar a proteger os pacientes de ataques, mas evidências sugerem que os benefícios do medicamento são muito pequenos em comparação com outros tratamentos.

    As diretrizes do Nice reconhecem isso – é a primeira vez que elas são atualizadas desde que foram originalmente lançadas, em 2006.

    O conselho de substituir a aspirina por um medicamento anticoagulante como a varfarina deve evitar milhares de ataques.

    Outros anticoagulantes mais recentes podem ser mais adequados pois não exigem acompanhamento regular, diz o Nice.

    Especialistas dizem que se a ingestão de aspirina for interrompida, o processo deve ser feito gradualmente e somente sob orientação de um médico.

    O professor Peter Weissberg, diretor-médico da Fundação Britânica do Coração, disse: “Ataques causados pela fibrilação atrial são comuns e evitáveis, mas apenas se o ritmo cardíaco anormal for identificado em primeiro lugar e se medicamentos eficazes são dados para prevenir o desenvolvimento de coágulos de sangue”.

    “A orientação revisada do Nice reflete o acúmulo de evidências que a varfarina e os anticoagulantes mais novos são muito mais eficazes que a aspirina na prevenção de AVCs”.

    “Isso não significa que a aspirina não seja importante e eficaz na prevenção de ataques cardíacos e derrames em outras circunstâncias”.

    O professor Peter Elwood, especialista da Universidade de Cardiff, alertou que pode não ser seguro parar de tomar aspirina repentinamente.

    “Se o consumo de aspirina tiver de ser interrompido, ele deve ser interrompido gradualmente”, disse ele.

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  • foto-imagem-medicamento-victoza-fabricado-pela-novoEvidências sugerem que classe de medicamentos incretinomiméticos podem causar pancreatite e lesões pré-cancerosas

    A Food and Drug Administration dos EUA (FDA admitiu estar investigando novas evidências de um grupo de pesquisadores acadêmicos que sugerem um risco maior de pancreatite e lesões pré-cancerosas em pacientes com diabetes tipo 2 tratados com uma classe de medicamentos chamados incretinomiméticos.

    Os resultados foram baseados na análise de um pequeno número de amostras de tecido de pâncreas retiradas de doentes após eles morreram de causas não especificadas.

    A FDA solicitou aos pesquisadores o fornecimento da metodologia utilizada para recolher e estudar estas amostras e das amostras de tecido para que a agência possa investigar a toxicidade pancreática potencial associada aos medicamentos da classe dos análogos de incretina, que inclui o Victoza, fabricado pela Novo Nordisk, e o Byetta, da Eli Lilly.

    Estes medicamentos funcionam imitando os hormônios incretinas que o corpo produz naturalmente para estimular a liberação de insulina em resposta a uma refeição. Eles são usados juntamente com dieta e exercício para reduzir o açúcar no sangue em adultos com diabetes tipo 2.

    A FDA não atingiu quaisquer novas conclusões sobre os riscos de segurança com drogas miméticas das incretinas. Segundo a agência, este comunicado se destina apenas a informar os profissionais de saúde pública e de saúde que ela pretende obter e avaliar esta nova informação.

    A agência irá comunicar suas conclusões e recomendações finais quando sua avaliação estiver completa ou quando a tiver informações adicionais para relatar.

    As autoridades recomendam que, neste momento, os pacientes devem continuar a tomar o medicamento conforme indicado até que falem com o seu médico e os profissionais de saúde devem continuar a seguir as recomendações de prescrição nos rótulos dos medicamentos.

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  • foto-imagem-antiretroviralPesquisadores da França afirmaram que o tratamento rápido logo depois da infecção pelo HIV pode ser suficiente para causar, em até 15% dos pacientes, uma “cura funcional” – quando o vírus, apesar de não desaparecer do organismo, entra em remissão e o paciente não precisa mais de remédios.

    Os cientistas do Instituto Pasteur, em Paris, analisaram os casos de 14 pessoas que receberam o tratamento precoce e depois pararam com a terapia. O vírus da Aids, nestas pessoas, não deu sinais de voltar a se proliferar.

    O grupo de pacientes começou o tratamento em um período de cerca de dez semanas após a infecção pelo HIV. Eles obtiveram o diagnóstico precoce pois foram ao hospital tratar de outros problemas, e o HIV foi detectado no sangue.

    Em média, o grupo recebeu o tratamento com antiretrovirais durante três anos e então a medicação foi interrompida.

    Normalmente, quando o tratamento é suspenso, o vírus retorna. Mas isto não ocorreu com este grupo de pacientes. Alguns deles, por exemplo, conseguiram controlar os níveis de HIV durante uma década.

    “A maioria dos indivíduos que seguem o mesmo tratamento não vai controlar a infecção, mas existem poucos que vão”, afirmou Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur.

    A pesquisa foi divulgada na publicação especializada PLoS Pathogens, e a divulgação do progresso deste grupo de pacientes da França ocorre depois da notícia da cura de uma bebê depois de um tratamento precoce nos Estados Unidos.

    ‘Remissão’
    Segundo Saez-Cirion, ao atacar o vírus logo depois da infecção, entre 5% e 15% dos pacientes podem ter a cura funcional. “Eles ainda têm o HIV, não é uma erradicação do HIV, é um tipo de remissão da infecção”, disse.

    O estudo realizado pelo Instituto Pasteur analisou o que aconteceu com o sistema imunológico dos pacientes.

    O tratamento precoce pode limitar o número de esconderijos inacessíveis do HIV no organismo. Mas os pesquisadores afirmam que ainda não foi esclarecido porque apenas alguns pacientes conseguiram a cura funcional e outros não.

    Andrew Freedman, médico e professor da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, que ministra aulas sobre doenças infecciosas, afirmou que as descobertas são “interessantes”, mas ainda há muita incerteza.

    “Se eles vão controlar (o vírus) para sempre ou se vai ser por alguns anos e, subsequentemente, (…) o vírus vai reaparecer, não sabemos”, disse.

    Deborah Jack, da ONG britânica AIDS Trust, que se dedica a campanhas relacionadas ao HIV, afirmou que a descoberta do Instituto Pasteur dá ainda mais importância do tratamento precoce.

    “Isto apenas destaca a importância das pessoas fazerem exames e serem diagnosticadas cedo.

    Atualmente, metade das pessoas que vivem com o HIV na Grã-Bretanha foram diagnosticadas tarde, indicando que eles podem ter sido infectados há cinco anos”, afirmou.

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  • Cientistas americanos apresentaram nesta quinta-feira(28) placas eletrônicas ultrafinas que se dissolvem naturalmente e que podem ter importantes implicações tecnológicas e médicas – justamente porque se dissolvem na água ou mesmo dentro do corpo humano.

    Segundo seus criadores, em pesquisa publicada no periódico Science, o aparelho – chamado de “eletrônico transitório” – se autoextingue assim que perde sua utilidade.

    Ele é feito com uma mistura microscópica de seda, magnésio e silício, que se dissolve sem causar danos ao entrar em contato com a água.

    A novidade já foi usada para proteger uma ferida e mantê-la livre de infecções. Os pesquisadores dizem que a tecnologia pode servir para implantes médicos, monitoramento de órgãos vitais e para a aplicação de medicamentos.

    No campo dos aparelhos eletrônicos, pode servir, futuramente, para criar, por exemplo, celulares que se dissolvam após o uso, de forma a evitar que esses aparelhos passem anos contaminando aterros sanitários e lixões.

    ‘Transitórios’

    O segmento de “eletrônicos transitórios” se baseia na ideia de dissolução controlada e já desenvolveu o que é chamado de “tatuagens eletrônicas”: sensores que dobram e se esticam com a pele. A ideia por trás desse segmento é exatamente oposta à do setor eletrônico tradicional, focado em criar produtos duráveis.

    O silício, tão usado nesses produtos, é solúvel. A dificuldade é que o tamanho dos componentes eletrônicos tradicionais faz com que a dissolução demore muito. Assim, as novas tecnologias usam uma finíssima placa de silício, chamada nanomembrana, que se desintegra em questão de dias ou semanas.

    A velocidade da dissolução é controlada pela seda: o material é coletado de bichos-da-seda, dissolvido e depois reconstituído. Ao alterar a forma como a seda dissolvida se cristaliza, mudam-se suas propriedades finais, bem como sua durabilidade.

    “Eletrônicos transitórios oferecem um bom desempenho e são totalmente reabsorvidos pelo meio ambiente em um determinado período de tempo, que varia de minutos a semanas”, explica Fiorenzo Omenetto, professor da Escola de Engenharia da Universidade Tufts (EUA).
    Uso médico

    Diversos aparelhos já foram testados em laboratórios, incluindo uma câmera digital de 64 pixels, sensores de temperatura e células solares.

    “É um novo conceito, que abre várias oportunidades”, diz à BBC John Rogers, cientista mecânico e professor da Universidade de Illinois, responsável pelo estudo na Science. “Provavelmente sequer identificamos muitas delas.”

    Um campo promissor, diz ele, é o de curativos pós-cirurgias: um aparelho cujo objetivo é evitar infecções pode ser colocado no corpo ainda no centro cirúrgico. Esse aparelho só seria útil durante o período mais crítico – por exemplo, duas semanas após a cirurgia – e depois disso poderia ser dissolvido.

    Além disso, pesquisadores já testaram em ratos um aparelho que “esquenta” uma ferida, para impedir a proliferação de germes.

    Também planeja-se o uso dessa tecnologia para injetar doses de medicamentos no corpo ou para construir sensores cerebrais e cardíacos.

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  • Um painel de especialistas diz que o exame OraQuick In-Home é seguro e eficiente e que seu potencial de prevenir o contágio é maior do que o risco de resultados falsos.

    O FDA, agência americana responsável pela regulação de alimentos e medicamentos, deve decidir ainda neste ano se aprova ou não o teste, que deve custar cerca de US$ 60.

    O exame, que leva 20 minutos, tem exatidão de 93% para resultados positivos e 99,8% para negativos, indica o fabricante.

    Atualmente os EUA têm cerca de 1,2 milhão de pessoas infectadas pelo vírus HIV e aproximadamente 50 mil novos casos são registrados todos os anos.

    Mudança

    Os especialistas do Comitê de Recomendações de Produtos Sanguíneos votaram pela comercialização do teste por unanimidade, com 17 votos a favor e zero contra.

    Na visão do painel, o teste ajudaria as pessoas que descobrirem ter o vírus a conseguir acesso a tratamentos médicos e serviços sociais.

    Eles recomendaram à OraSure, fabricante do exame, que a embalagem do produto contenha alertas visíveis sobre a possibilidade de resultados negativos falsos.

    Também foi feita a recomendação de que a embalagem contenha um telefone gratuito de atendimento às pessoas cujo resultado for positivo.

    Carl Schmidt, vice-diretor do Instituto de Aids, disse que a aprovação pode representar um marco importante na luta contra a doença.

    “Estamos sempre procurando por grandes mudanças positivas, e acreditamos que esta é uma delas. Não só (o teste) vai ajudar a reduzir o número de infecções mas também levará mais pessoas a buscar tratamento e cuidados”, avaliou.

    Truvada

    Recentemente outro comitê que aconselha a FDA apoiou um medicamento para evitar a contaminação pelo HIV.

    Os especialistas aprovaram o uso do Truvada, um comprimido de uso diário que deve ser usado por pessoas não infectadas que estariam correndo risco maior de contrair o vírus da Aids.

    O uso do medicamento foi aprovado pelo comitê, com 19 votos a favor e três contra, para que seja receitado para o grupo considerado de maior risco, homens não infectados que têm relações sexuais com múltiplos parceiros também homens.

    Também foi aprovada, por maioria dos votos, a prescrição do Truvada para pessoas não infectadas que têm parceiros portadores do HIV e para outros grupos considerados em risco de contrair o vírus através de atividade sexual.

    O uso do Truvada já foi aprovado pela FDA para pessoas que já têm o vírus HIV, e é tomado junto com outros medicamentos.

    Estudos realizados em 2010 mostraram que a droga reduziu o risco de infecção pelo HIV entre 44% e 73% em homossexuais masculinos saudáveis e entre heterossexuais saudáveis que são parceiros de portadores do vírus HIV.

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