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    O caso deixou boquiabertos todos os envolvidos: uma mulher de 74 anos começou a apresentar uma irritação na pele que não melhorava. Quando finalmente procurou um hospital, parte de sua perna direita estava coberta de nódulos. Os testes confirmaram que se tratava de um carcinoma, um tipo de câncer de pele.Por causa da maneira como os tumores estavam espalhados, a radioterapia não seria eficiente. E os médicos não poderiam removê-los. Alan Irvine, oncologista responsável pelo tratamento da paciente no Hospital St. James, em Dublin, na Irlanda, lembra que a amputação parecia ser a única opção viável, mas por causa da idade da paciente, seria difícil que ela se adaptasse bem a uma prótese.”Decidimos simplesmente esperar e pensar em outras possibilidades, mesmo sabendo que haveria muito sofrimento pela frente”, conta.

    Foi aí que o “milagre” começou: apesar de não terem sido tratados, os tumores diminuíram e murcharam até desaparecerem completamente. Depois de 20 semanas, a paciente estava curada. “Não tínhamos dúvida alguma de que o diagnóstico estava correto, mas depois disso nada aparecia nas biópsias ou nos exames de imagem”, diz o médico. “O caso mostra que é possível para o corpo combater o câncer, mesmo que isso seja incrivelmente raro.”

    A questão é: como? A paciente de Irvine acredita ter sido a “mão de Deus”. Mas cientistas estão estudando a biologia por trás da chamada “regressão espontânea” para buscar pistas que possam fazer casos de autocura algo mais comum.

    Recuperada pela gravidez

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    Em tese, nosso sistema imunológico deveria perseguir e destruir células que sofrem mutações antes que elas comecem a evoluir para um câncer. Mas às vezes essas células conseguem passar despercebidas, reproduzindo-se até formarem um tumor.

    Até o câncer ser detectado pelos médicos, é altamente improvável que o paciente consiga se recuperar sozinho: acredita-se que apenas um em cada 100 mil pacientes pode se livrar da doença sem receber tratamento.

    Mas entre esses raríssimos casos há algumas histórias realmente inacreditáveis. Um hospital da Grã-Bretanha, por exemplo, recentemente tornou público o caso de uma paciente que descobriu um tumor entre o reto e o útero pouco antes de saber que estava grávida. A gestação correu bem e o bebê nasceu saudável. Quando ela se encaminhava para o doloroso tratamento para o câncer, seus médicos notaram, com muito espanto, que o tumor desapareceu misteriosamente durante a gravidez. Nove anos depois, a mulher não apresenta nenhum sinal de recaída.

    Casos semelhantes de recuperação extraordinária foram observados em muitos tipos de câncer, inclusive em formas mais agressivas como a leucemia mieloide aguda, que provoca o crescimento anormal dos glóbulos brancos do sangue.

    “Um paciente que não receba tratamento pode morrer em poucas semanas ou até em uma questão de dias”, conta Armin Rashidi, da Universidade Washington, em St. Louis. Ele, no entanto, encontrou 46 casos em que essa doença regrediu sozinha. “É possível que 99% dos oncologistas digam que isso é impossível de acontecer”, afirma Rashidi, que escreveu um artigo sobre o assunto com o colega Stephen Fisher.

    Crianças que se salvam

    Por outro lado, é surpreendentemente comum ver crianças se recuperando do neuroblastoma, um tipo de câncer infantil, oferecendo algumas das melhores pistas sobre o que pode acarretar a regressão espontânea.

    Esse tipo de câncer surge com tumores no sistema nervoso e nas glândulas. Se ele se espalhar, pode levar ao aparecimento de nódulos na pele e pólipos no fígado, e o inchaço do abdômen dificulta a respiração.

    Trata-se de uma doença muito desgastante, mas ela pode desaparecer tão rapidamente como surgiu, mesmo sem intervenção médica. Na realidade, para bebês com menos de 1 ano, a regressão é tão comum que muitos médicos evitam realizar a quimioterapia imediatamente, na esperança de que os tumores diminuam por conta própria.

    “Cuidei de três casos com metástases impressionantes, mas apenas observamos os pacientes e eles se recuperaram”, lembra Garrett Brodeur, do Hospital Infantil da Filadélfia.

    Para evitar o sofrimento dessa espera, Brodeur está buscando entender os mecanismos por trás do desaparecimento de um câncer. “Queremos desenvolver agentes específicos que possam iniciar a regressão para não termos que esperar que a natureza tome seu rumo ou que ‘Deus’ decida”, afirma o médico.

    Até agora, Brodeur conseguiu boas evidências. Uma delas é de que as células em tumores de neuroblastoma parecem ter desenvolvido a capacidade de sobreviver sem o fator de crescimento nervoso (NFG, na sigla em inglês), o que permite que elas se reproduzam bem em locais do corpo onde não há o NFG.

    A remissão espontânea pode ser provocada por uma mudança natural nas células tumorais, talvez envolvendo os receptores que se ligam ao NFG. Isso pode fazer com que as células percam esse nutriente essencial e não consigam sobreviver.

    Se isso for verdade, um medicamento que consiga atuar nesses receptores seria capaz de iniciar a recuperação em outros pacientes, sem os indesejáveis efeitos colaterais provocados por tratamentos mais tradicionais para o câncer.

    O poder da infecção
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    Infelizmente, recuperações inesperadas de outros tipos de câncer foram menos estudadas. Mas algumas evidências conhecidas hoje foram descobertas há mais de 100 anos por um médico americano pouco conhecido.

    No século 19, William Bradley Coley se surpreendeu quando um paciente que tinha um enorme tumor no pescoço se curou completamente quando pegou uma infecção na pele e teve febre alta.

    Coley testou o princípio em alguns outros pacientes e descobriu que, ao infectá-los deliberadamente com bactérias, ou tratando-os com toxinas segregadas por micróbios, tumores impossíveis de serem retirados cirurgicamente foram destruídos.

    Será que uma infecção seria uma maneira de estimular a remissão espontânea? Análises recentes dão apoio à ideia. O estudo de Rashidi e Fisher descobriu que 90% dos pacientes que se recuperaram de leucemia tinham sofrido alguma outra doença, como pneumonia, antes do desaparecimento do câncer.

    Outros artigos mostraram que tumores sumiram depois de casos de difteria, gonorreia, hepatite, gripe, malária, sarampo e sífilis.

    Mas não são os germes sozinhos que provocam a cura: a infecção é quem provoca uma resposta imunológica que torna o ambiente inóspito para o tumor. O aquecimento provocado pela febre, por exemplo, pode tornar as células cancerígenas mais vulneráveis ou até fazer com que elas “se suicidem”.

    Ou talvez seja importante o fato de que quando estamos lutando contra uma bactéria ou um vírus, nosso sangue está saturado de moléculas inflamatórias que agem como uma “convocatória” para os macrófagos do organismo, transformando essas células imunes em guerreiros que matam e engolem micróbios – e potencialmente o câncer.

    Ao mesmo tempo, essas células podem estimular outras do sistema imunológico a reconhecerem as células cancerígenas, e assim atacá-las caso o câncer volte.

    Contraindo a cura

    Outros cientistas estão avaliando uma linha de combate mais radical. Uma das abordagens é deliberadamente contaminar um paciente de câncer com uma doença tropical.

    A técnica, desenvolvida pela start-up americana PrimeVax, tem duas etapas: inicialmente, retira-se uma amostra do tumor e coleta-se células dentríticas do sangue do paciente. Essas células ajudam a coordenar a resposta do sistema imunológico a uma ameaça e, ao serem expostas ao tumor em laboratório, elas podem ser programadas para reconhecer as células cancerígenas.

    Na segunda etapa, o paciente é contaminado com o vírus da dengue, antes de receber as novas células dendríticas programadas.

    Sob supervisão médica, o paciente acaba desenvolvendo uma febre alta e libera moléculas inflamatórias – colocando o resto do sistema imunológico em alerta vermelho.

    O tumor passa a ser o alvo principal de um ataque ostensivo das células imunológicas, lideradas pelas células dendríticas. “A febre da dengue derruba e reagrupa o sistema imunológico, fazendo ele assumir com toda a força seu papel de matar células cancerígenas”, explica Burce Lyday, da PrimeVax.

    A ideia de infectar pacientes vulneráveis com uma doença tropical pode parecer loucura, mas os cientistas argumentam que a dengue, curiosamente, mata menos adultos do que a gripe comum.

    E, uma vez que a febre passe, as células programadas vão se manter alertas para o caso de o tumor reincidir. “O câncer é um alvo em movimento. Muitas terapias atacam de apenas uma frente”, afirma Lyday.

    O cientista espera realizar os primeiros testes com pacientes de melanoma até o fim deste ano.

    É claro que todo cuidado é pouco. Como lembra o irlandês Irvine, “a remissão espontânea é uma pequena peça em um quebra-cabeças muito complicado”. Mas se esse tipo de tratamento der certo, as implicações são extraordinárias.

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  • foto-imagem-unhasRegras de conduta do National Health Service (o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha, NHS na sigla em inglês) estabelecem que as unhas dos profissionais de saúde devem ser curtas e livre de esmalte.

    Mas uma pesquisa online com quase 500 estudantes de enfermagem demonstrou que 60% dos entrevistados se referem ao uso de unhas alongadas e esmalte como práticas comuns entre os funcionários da saúde.

    O Royal College of Nursing, entidade que representa a categoria em toda a Grã-Bretanha, disse que o resultado da pesquisa é “preocupante”.

    Resultado
    O estudo com os estudantes de enfermagem foi feito pelas universidades de Cardiff e London City.

    Ao todo, cada um dos 488 estudantes que participaram da pesquisa disseram ter visto pelo menos um lapso nas regras de controle de infecção feito por funcionários da área da saúde.

    Outros problemas reportados foram a falha em lavar as as mãos e cuidados com a saúde das unhas.

    Os pesquisadores, que divulgaram o resultado na publicação científica American Journal of Infection Control, afirmaram que o estudo demonstrou que falhas nos procedimentos de controle de infecção estão por toda a parte.

    “As unhas devem ser curtas e livre de esmalte. Unhas falsas não devem ser utilizadas. Esmalte e unhas postiças acumulam bactéria e não permitem uma boa higiene das mãos”, ressalta Tom Sandford, membro do Royal College of Nursing.

    “Organizações de saúde deveriam estabelecer claramente as regras sobre o uso de uniformes e acessórios para o trabalho e suas implicações no controle da infecção e segurança da saúde”, adiciona Sandford.

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  • Doenças 01.06.2012 No Comments

    O estudo diz que a doença ameaça até os Estados Unidos, onde imigrantes latino-americanos seriam um dos potenciais focos de infecção.

    Escrito por dez cientistas baseados nos EUA e no México, o artigo foi publicado no Journal of Neglected Tropical Diseases (focado em doenças tropicais negligenciadas por políticas de saúde pública) na última terça-feira.

    Para os cientistas a situação da doença tropical no continente hoje em dia tem semelhanças com a epidemia de HIV registrada no início dos anos 1980. Falta de medicamentos, alto custo de tratamento e a transmissão por transfusão sanguínea seriam parecidos.

    Também seria parecido o estigma em torno de grupos atingidos: pobres, agricultores e imigrantes, no caso da Doença de Chagas atualmente, e homossexuais, no caso da Aids há 30 anos.

    O estudo destaca o fato de que em alguns países como Paraguai e Bolívia o estágio de controle e tratamento da doença continua sendo muito deficiente.

    Leia: Clique No Brasil, 95% dos casos se concentram no Pará e Amapá

    ‘Comparação forçada’

    Especialistas consultados pela BBC Brasil dizem que vários pontos da comparação não se aplicam a grande parte da região e que o cenário alarmante estaria restrito a países como México e Bolívia, onde a doença ainda não foi controlada.

    Já a ONG internacional Médicos sem Fronteiras, também ouvida pela BBC Brasil, indica que o estudo lança os holofotes sobre uma doença muito negligenciada e que é preciso avaliar os números e o controle em alguns países com cautela.

    João Carlos Pinto Dias, que já chefiou o Programa Nacional de Combate à Doença de Chagas brasileiro e é membro do Comitê de Doenças Tropicais Neglicenciadas da Organização Mundial da Saúde (OMS), diz que o “trabalho é válido e provocador”, embora haja comparações “forçadas”.

    “São formas de chamar a atenção para algo geralmente muito negligenciado”, diz o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, que tem mais de 220 artigos científicos e sete livros publicados sobre o assunto.

    Pinto Dias diz que a comparação é “forçada” sobretudo por se referir aos anos iniciais da epidemia do HIV, quando a contaminação aumentava de forma exponencial. “No caso da doença de Chagas estamos longe disso. Não se trata de um momento de expansão”.

    Ele acrescenta que o Brasil está numa situação “bastante confortável”, com uma diminuição drástica do contágio. “Nos anos 1970 tínhamos mais de 100 mil novos casos por ano. Hoje temos entre 150 e 200 novas contaminações anuais”.

    Alerta

    Para Lucia Brum, consultora de doenças emergentes e re-emergentes dos Médicos sem Fronteiras, é necessário fazer um alerta para o fato de que o país se preocupa muito com o controle vetorial (por diferentes espécies do inseto barbeiro) da doença, mas o tratamento aos infectados continua deficiente.

    “Nossa grande bandeira é defender que as pessoas devem ter acesso ao diagnóstico e tratamento da doença. De cada dez pessoas infectadas apenas uma sabe que é portadora do parasita”, diz.

    Em toda a América Latina são atualmente 8 a 9 milhões de infectados e no Brasil cerca de 2 milhões. Nos Estados Unidos vivem cerca de 300 mil pessoas com o mal de Chagas, em sua maioria imigrantes latino-americanos vindos de regiões mais pobres.

    A especialista acrescenta que em mais de 13 anos de atuação da ONG nas Américas, 90 mil pessoas passaram por exames e cerca de 6.500 testaram positivo.

    “Se fala muito sobre o controle da transmissão e chega-se a considerar o mal de Chagas como ‘doença rara’, mas o fato é que nos nove Estados da região amazônica o mal de Chagas ainda é uma doença emergente, em expansão, e o Ministério da Saúde sabe disso”, indica.

    Bolívia e México

    O especialista explica que países como Brasil, Chile, Uruguai e partes da Argentina encontram-se em situação avançada de controle da doença. Outros como Colômbia, Equador, Honduras e Peru estão em estágio intermediário.

    A situação descrita pelo estudo americano, de descontrole sobre as transfusões sanguíneas, falta de medicamentos e de políticas públicas e aumento dos casos, no entanto, se aplica à Bolívia e ao México.

    “No caso boliviano, no final dos anos 1990 o governo obteve recursos do Banco Mundial e montou uma equipe ótima, mas com o passar dos anos as administrações subsequentes abandonaram o programa nacional”, diz Pinto Dias.

    “No México, desde 1949 cientistas e pesquisadores de renome vêm alertando o governo sobre a necessidade de se montar um programa consistente para conter a doença. Uma histórica falta de vontade política, no entanto, fez com que o país jamais montasse ações públicas para conter o problema”, acrescenta.

    O artigo americano aponta ainda o Paraguai como um dos países onde o combate à doença é deficiente, sobretudo pela falta do medicamento que pode levar à cura nos três primeiros meses após o contágio.

    ‘Doença rara’

    Para Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o mal de Chagas já é considerado “doença rara” no Brasil.

    “O que falta a alguns países é alcançar o que o Brasil já fez. Precisam acelerar o processo de eliminação da transmissão vetorial e depois pela transmissão de sangue”, disse em entrevista à BBC Brasil.

    Barbosa diz que o contágio vetorial foi considerado oficialmente eliminado no Brasil pela OMS em 2006.

    Lucia Brum, dos Médicos sem Fronteiras, no entanto, diz que há cerca de 140 espécies de barbeiro potencialmente transmissoras no Brasil, e o contágio foi interrompido somente para o Triatoma infestans.

    “É fato que o Triatoma infestans era responsável por 80% dos casos de transmissão vetorial, mas ainda há mais de cem espécies que não foram controladas. Ainda se tem muito a fazer”, diz, acrescentando que a negligência com relação à doença continua sendo um grande empecilho.

    Quanto às contaminações por transfusão sanguínea e congênita, de mãe para filho, os especialistas apontam para a idade média de 35 a 40 anos entre as mulheres, fora de idade fértil, e para um controle em bancos de sangue há mais de 20 anos, o que coloca o Brasil em posição confortável.

    No país a principal forma de contágio atualmente é pela via oral, quando o barbeiro ou suas fezes contendo o parasita são moídas junto a sucos e alimentos.

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  • A primeira reação do sistema de defesa do corpo humano infectado pelo HIV é tentar isolar o vírus causador da Aids. Essa resposta acontece por meio de um mecanismo complexo, explicado pela primeira vez por uma pesquisa publicada neste domingo pela revista científica “Nature Immunology”.

    A responsável por essa defesa é uma proteína chamada SAMHD1. Pesquisas recentes já mostravam que as células dendríticas – que identificam os corpos estranhos em nosso sistema de defesa – com essa proteína são imunes à infecção pelo HIV.

    Quando um vírus como o HIV infecta uma célula, ele precisa sequestrar o DNA dela para se replicar. A partir daí, a célula incorpora genes do HIV e passa a produzir novos vírus dentro do corpo.

    Nas células que contêm a SAMHD1, essa proteína destrói a estrutura do DNA que o vírus normalmente captura. Dessa forma, ele não se replica. “O vírus entra na célula e nada acontece”, resumiu Nathaniel Landau, um dos autores do estudo, em material de divulgação da Universidade de Nova York, nos EUA.

    Apesar dessa defesa, o vírus evoluiu e passou a infectar outras células do nosso sistema imunológico, que não têm essa proteína.

    Para os autores, compreender a função dessa proteína tem o potencial de desenvolver tratamentos não só contra o HIV, mas também contra outros tipos de vírus que infectam as células com mecanismos semelhantes.

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  • O que é?

    É uma infecção simples do trato respiratório superior – acomete o nariz e a garganta, durando de poucos dias a poucas semanas (usualmente, menos de duas semanas). Neste tipo de infecção ocorre uma grande destruição do revestimento interno das vias respiratórias pelo vírus. As defesas do organismo do indivíduo afetado reagem, causando mais inflamação. Isso pode fazer com que bactérias que estejam nas vias respiratórias se aproveitem da situação, produzindo muco (catarro) purulento que pode ser expelido pelo nariz ou pela boca. Isto explica porque, em alguns casos, um simples resfriado por vírus pode levar uma pessoa a desenvolver uma pneumonia por bactérias.
    O resfriado termina quando o revestimento interno lesado se regenera e, então, a infecção está resolvida.
    Cinco famílias diferentes de vírus podem causar os resfriados. O vírus mais frequentemente envolvido é o rinovírus. Devido a grande variedade de vírus, não existem ainda vacinas para proteger as pessoas destas viroses.
    Os resfriados são frequentes e estão entre as principais causas de falta ao trabalho. Os adultos, em média, têm de dois a quatro resfriados ao ano, e as crianças (especialmente os pré-escolares) de cinco a nove. Estas infecções são ainda mais frequentes nas creches. Apesar dos resfriados não terem tratamento específico, eles são auto-limitados. Independentemente de usar medicações ou não, dentro de poucos dias as pessoas melhoram. Após três a quatro dias, o resfriado deve melhorar, embora alguns sintomas possam persistir até duas semanas. Caso dure mais que isso, é importante a realização de uma consulta médica para investigar a possibilidade de que uma infecção bacteriana possa ter surgido após o resfriado – pneumonia, laringite (inflamação das cordas vocais), sinusite ou otite.

    Como se adquire?

    Para uma pessoa pegar um resfriado, é necessário que o vírus entre em contato com o revestimento interno do nariz. As viroses que chegam até os olhos ou boca também podem se estender até o nariz. Em alguns casos, a pessoa pode infectar-se pelo vírus através de outra. Uma pessoa resfriada, ao espirrar, espalha gotículas no ar com muco e vírus. Uma segunda pessoa, ao respirar este ar contaminado, faz com que o vírus entre em contato com o nariz e acaba desenvolvendo a doença. Contudo, a via mais comum de transmissão destas viroses é pelo contato direto. Por exemplo: uma criança resfriada toca no seu rosto, espalhando um pouco de muco (catarro) e partículas de vírus pelos seus dedos. Ao dar a mão à sua mãe, transfere vírus para sua pele. A mãe, ao tocar no seu próprio rosto, com a mão contaminada, pega o resfriado. Esta mesma transferência de vírus pode ocorrer através de objetos. Uma pessoa resfriada que coloca a mão no nariz e depois num copo, transfere os vírus para o copo. Outra pessoa, ao utilizar o copo, leva os vírus para a sua mão e, levando até seu rosto, adquire o resfriado.
    Não existem evidências de que o resfriamento do corpo possa levar uma pessoa a desenvolver um resfriado. Contudo, o estresse emocional, a fadiga e outros fatores que diminuem os mecanismos de defesa (imunidade) do organismo podem facilitar o surgimento da doença.

    O que se sente?

    Normalmente, os sintomas surgem de 1 a 3 dias após a pessoa entrar em contato com o vírus, e podem durar até uma semana, na maioria dos casos. Dentre os sintomas, destacamos:

    Nariz com secreção (coriza) intensa – como água nos primeiros dias. Mais adiante, pode tornar-se espessa e amarelada;

    Obstrução do nariz dificultando a respiração, espirros, tosse e garganta inflamada (dolorosa);

    Diminuição do olfato e da gustação;

    Voz “anasalada” (voz da pessoa que está com o nariz entupido);

    Rouquidão;

    Adultos podem ter febre baixa, enquanto as crianças podem ter febre alta;

    Dores pelo corpo;

    Dor de cabeça;

    Febre (pode ocorrer em crianças). Incomum em adultos.

    Como o médico faz o diagnóstico?

    O diagnóstico médico é feito através da conversa deste com seu paciente, associado ao exame do paciente. Não são necessários exames complementares – exceto naqueles casos em que paira alguma dúvida em relação ao diagnóstico. Neste caso, exames de sangue, exames de imagem, como a radiografia, e exames para pesquisa de germes na secreção nasal, por exemplo, poderão ser utilizados. Exames para detecção dos vírus causadores do resfriado também podem ser feitos.

    Devemos lembrar que resfriado não é gripe. A gripe é uma infecção respiratória mais séria causada pelo vírus influenza.

    Como se trata?

    Não há tratamento para o combate do vírus causador da doença.

    A orientação dada pelo médico visa atenuar os sintomas da doença e dar condições adequadas para que o organismo da pessoa afetada logo se recupere.
    Para isso, é importante que a pessoa tome bastante líquido, como água e sucos, uma vez que a boa hidratação previne o ressecamento do nariz e da garganta, facilitando a eliminação das secreções contaminadas. Gargarejos com água morna e salgada várias vezes por dia ou tomar água morna com limão e mel pode ajudar a diminuir a irritação da garganta e aliviar a tosse.

    Para ajudar no alívio dos sintomas do nariz, pode-se usar gotas salinas nasais. O fumo pode piorar a irritação da garganta e a tosse.
    Para ajudar no alívio dos sintomas do nariz, pode-se usar spray nasal de oximetazolina (ou similar) em adultos ou gotas salinas nasais para adultos ou crianças. O fumo pode piorar a irritação da garganta e a tosse. Dentre os medicamentos para aliviar os sintomas, utiliza-se o acetaminofen ou algum antiinflamatório, como o ibuprofeno, que podem aliviar a dor. Devemos lembrar que o uso de antiinflamatórios para pacientes asmáticos ou com doenças como gastrite ou úlcera péptica deve ser desencorajado. Já para a congestão ou corrimento do nariz e para a tosse, existem medicamentos combinados que funcionam muito bem. Bebidas quentes (como sopas) e alimentos temperados podem ajudar a aliviar a irritação na garganta ou a tosse. Dentro da medicina alternativa, o mentol também é utilizado para dar uma sensação de alívio da congestão do nariz. Também o zinco pode ser utilizado com o intuito de encurtar o tempo de doença. Os homeopatas também podem fazer uso de outras substâncias para ajudar no controle dos sintomas da doença.

    Como se previne?

    Como muitos vírus diferentes podem causar resfriados, ainda não se desenvolveram vacinas eficazes.
    É quase impossível não pegar um resfriado. Mas existem algumas atitudes que podem diminuir este risco. Dentre estes cuidados, estão:

    Lavar freqüentemente as mãos e ensinar para as crianças a sua importância;

    Se possível, evitar contatos íntimos com pessoas resfriadas;

    Sempre lavar as mãos após contato com a pele de pessoas resfriadas ou com objetos tocados por estes;

    Manter seus dedos longe dos seus olhos e nariz;

    Não compartilhar mesmo copo com outras pessoas;

    Manter limpos a cozinha e o banheiro, especialmente quando alguma pessoa da casa está resfriada.
    Para que a doença não se dissemine é importante que a pessoa resfriada:

    Cubra o nariz e a boca com um lenço ao tossir ou espirrar;

    Lave suas mãos após tossir ou espirrar;

    Se possível, ficar longe de outras pessoas nos primeiros três dias da doença, quando o contágio é maior.
    Verdades e mentiras em relação ao resfriado:

    Grandes doses de vitamina C não previnem nem curam resfriados. Contudo, podem ajudar
    O uso de casacões no frio ajuda a prevenir o aparecimento de pneumonias, mas não gripes ou resfriados;
    Trabalhar ou ir à escola resfriado provavelmente não prolonga a doença, mas certamente coloca outras pessoas em risco;
    Uma canja quente é uma boa fonte de líquidos no tratamento, mas não tem efeitos curativos.
    O alho pode ajudar na prevenção desta doença.

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  • Dicas 25.08.2011 No Comments

    O que fazer em caso de machucado exposto ?

    O ideal é passar gelo no lugar, para que os vasos sanguíneos dilatados se fechem e a lesão sare mais rapidamente. A baixa temperatura diminui o inchaço, a dor e o sangramento, se houver.

    Ao lado dos médicos, o maquiador e cenografista Adriano Gianolla, que faz treinamentos de socorro com o Corpo de Bombeiros, mostrou machucados de mentira.

    Segundo os especialistas, usar anti-inflamatório demais pode causar lesões no estômago, fígado e outros problemas. Se a criança ou o adulto vomitar ou ficar sonolento após uma queda, é preciso procurar imediatamente um pronto-socorro.

    Os médicos também disseram que pessoas de pele muito clara têm mais tendência a ter hematomas visíveis. Além delas, idosos e crianças costumam ser mais frágeis.

    Composição sanguínea
    O sangue é formado por glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Os primeiros transportam oxigênio pelo organismo, os segundos defendem o corpo de invasores e as plaquetas fazem a cicatrização.

    Quando uma pessoa se machuca, a dor e o inchaço quase imediatos são os “cartões de visita” da inflamação, um mecanismo de defesa do corpo.

    A região lesada libera substâncias químicas que chamam a atenção do sistema imunológico. Os vasos sanguíneos, então, se dilatam para a passagem de mais plasma, que é a parte líquida do sangue e leva os glóbulos brancos até o local.

    Essa concentração de plasma provoca inchaço, e o aumento do calibre dos vasos deixa a área mais quente e as terminaçóes nervosas mais sensíveis, o que eleva a sensação de dor.

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  • Alergia, Dicas 04.04.2011 No Comments

    Em dias de chuva, junto com a umidade, vem o mofo, um fungo que pode provocar crises de alergia ou até uma infecção mais grave, como a pneumonite.

    Para falar sobre o assunto e explicar as maneiras de evitar problemas como rinite, bronquite e sinusite, o  imunologista e alergista Fábio Castro, do Hospital das Clínicas, e o infectologista Caio Rosenthal, que também é consultor.

    Em pessoas alérgicas, segundo os médicos, o fungo e a poeira agem como um gatilho, desencadeando essas reações. Os agentes entram pelas vias aéreas respiratórias (nariz e boca) quando o ar é inalado. Os pelos e o muco dessas regiões servem de proteção, filtro, aquecedor e umidificador do ar. Porém, quando os fungos encontram uma situação favorável – como a baixa umidade – no rosto ou nos pulmões, acabam desenvolvendo doenças.

    A primeira atitude do organismo é expulsar os invasores. Se a barreira da pele e das mucosas não funcionar, os anticorpos e as células entram em ação. É por isso que a pessoa com alergia costuma tossir, espirrar ou ter coriza. Mas, se o corpo não conseguir eliminar esses agentes, o pulmão pode ser atacado e iniciar uma pneumonia, por exemplo.

    A rinite atinge cerca de 30% a 40% da população mundial, de acordo com Castro. E também é comum confundi-la com gripe ou resfriado.

    Quanto ao mofo, de acordo com os médicos, há maneiras eficientes e baratas de acabar com ele, como impermeabilizar as paredes.

    Para uma casa de dois quartos, com 40 metros quadrados, o custo é de R$ 200. Se o serviço for feito durante a construção, sai mais ou menos 2% do gasto total da obra. Se ocorrer depois, sobe para 12%.

    Em Nazaré Paulista (SP), a 100 quilômetros da capital, a repórter Marina Araújo foi conferir como os moradores convivem com o mofo e o que fazem para se livrar dele. Para roupas brancas, é recomendado lavá-las com água sanitária – que também pode ser usada nas paredes.

    As coloridas podem ser limpas com suco de limão, e as sintéticas, com leite.

    Fonte: G1

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  • Um estudo com 20 mil mulheres revelou uma associação entre a iniciação sexual precoce e índices mais elevados de câncer do colo do útero. O objetivo da pesquisa era entender por que mulheres mais pobres correm maior risco de desenvolver esse tipo de câncer. Os especialistas constataram que essas mulheres tendem a iniciar sua vida sexual em média quatro anos antes do que mulheres de classes sociais mais elevadas.

    Por conta disso, elas entrariam em contato mais cedo com o vírus que leva ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, dando ao vírus mais tempo para produzir a longa cadeia de eventos que, anos mais tarde, levaria ao câncer.

    Acreditava-se anteriormente que a disparidade era resultado de baixos índices de controle preventivo em regiões mais pobres. O estudo, feito pela International Agency for Research on Cancer, parte da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi publicado na revista científica British Journal of Cancer.

    Embora a diferença na incidência do câncer do colo do útero entre ricos e pobres – verificada em todo o mundo – tenha sido constatada há muitos anos, os cientistas não sabiam explicá-la.

    Especialmente porque os índices de infecção pelo vírus HPV (sigla inglesa para papiloma vírus humano) – uma infecção transmitida sexualmente que é responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero – pareciam ser semelhantes em todos os grupos.

    O estudo confirmou que os índices mais altos de câncer do colo do útero não estavam associados à maior incidência de infecção pelo HPV. O que a pesquisa revelou foi que o risco, duas vezes mais alto, é explicado pelo fato de que mulheres mais pobres iniciam sua vida sexual mais cedo. A idade em que uma mulher tem seu primeiro filho também pareceu ser um fator importante.

    O estudo revelou que exames preventivos, como o Papa Nicolau, exercem um certo efeito sobre o nível de risco. Mas o número de parceiros sexuais que uma mulher tem, e o hábito de fumar, não pareceram interferir nos resultados.
    Risco maior aos 20 anos do que aos 25 anos

    A responsável pelo estudo, Silvia Franceschi, disse que os resultados não se aplicam apenas a jovens adolescentes. Por exemplo, o risco de desenvolver câncer do colo do útero também é maior em mulheres que tiveram sua primeira relação sexual aos 20 ao invés dos 25 anos.

    – No nosso estudo, mulheres mais pobres se tornaram sexualmente ativas em média quatro anos antes. Então, elas também podem ter sido infectadas pelo HPV mais cedo, dando ao vírus mais tempo para realizar a longa sequência de eventos que são necessários para o desenvolvimento do câncer – explica Silvia.

    A representante da entidade britânica de pesquisas sobre o câncer Cancer Research UK, Lesley Walker, disse que o estudo levanta questões importantes:

    – Embora mulheres possam ser infectadas pelo HPV a qualquer idade, a infecção em idade menor pode ser especialmente perigosa, já que (o vírus) tem mais tempo para causar os danos que levam ao câncer. Os resultados parecem reforçar a necessidade de vacinação contra o HPV em escolas, antes que (as meninas) comecem a ter relações sexuais, especialmente entre meninas de áreas mais pobres.

    Fonte BBC Brasil

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