• foto-imagem-vacina

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa do nosso país vai corresponder a 66,5 milhões de pessoas em 2050 — isso é mais do que o triplo dos 19,6 milhões atuais. O IBGE estima ainda que o grupo vai ultrapassar o de menores de 14 anos. Pensando nesse crescimento, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) criou a campanha Quem é Sênior Vacina, focada no pessoal com mais de 60 anos.

    O site traz recomendações, explicações, depoimentos, dados e até um mapa para localizar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Apesar das orientações, é importante conversar com um médico, já que só ele é capaz de avaliar as necessidades e riscos para cada paciente. Confira abaixo informações sobre algumas das principais vacinas indicadas pela SBIm para os idosos:

    Doenças pneumocócicas

    Uma a cada quatro ou cinco pessoas acima de 65 anos infectadas pela Streptococcus pneumoniae morre. Essa bactéria, mais conhecida como pneumococos, causa, entre outras doenças, pneumonia e meningite. No caso da última, a letalidade nos idosos chega a 80%. Mesmo entre os que não morrem, sequelas neurológica são comuns.

    Ambas essas doenças podem ser prevenidas com uma simples picada. Mas atenção: para os mais velhos, a vacina só está à disposição em clínicas privadas.

    Gripe

    O envelhecimento é acompanhado de uma queda natural de imunidade, o que torna essa doença mais prevalente em quem já possui idade avançada. Só para ter uma ideia, até 71,2% das mortes causadas pelo vírus influenza nos Estados Unidos aconteceram em maiores de 65 anos.

    Segundo um estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, também nos Estados Unidos, a vacina preveniu 40 mil óbitos por lá entre 2005 e 2014. Ela está disponível no Brasil gratuitamente nos postos de saúde.

    Herpes-zóster

    Essa doença, resultado de uma reativação tardia do vírus da catapora, gera dores excruciantes que podem se tornar crônicas. O incômodo é tanto que está associado à depressão.

    Segundo uma pesquisa publicada no periódico BMC Geriatrics, a perspectiva é que as ocorrências aumentem em 3,74% por ano até 2030. Então é melhor se prevenir: a vacina tem eficácia de cerca de 60% contra o surgimento da enfermidade e de 70% contra a da dor crônica. Contudo, está disponível apenas na rede privada.

    Hepatite B

    Ela pode deflagrar cirrose e câncer de fígado — enfermidades responsáveis por 686 mil mortes todos os anos. E essa infecção está se alastrando entre os mais velhos, principalmente os do sexo masculino. Em 2002, eram 2,8 homens acometidos a cada 100 mil pessoas. Já em 2015, o número saltou para 11,4.

    A vacina existe e está disponível gratuitamente. Mas só para quem possui menos de 49 anos de idade.

    Difteria, Tétano e Coqueluche

    A vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, ou dTpa, protege contra as três encrencas citadas acima. Apesar de as estatísticas atuais não apontarem uma alta taxa de infecção entre adultos, especula-se que, em parte, isso seja resultado da ausência de sintomas aparentes. Em outras palavras, muitas pessoas podem ter sido invadidas por esses micro-organismos e não saber disso. A principal questão, nesse caso, é proteger os mais novos — mais especificamente os menores de seis meses.

    Tags: , , , ,

  • foto-imagem-vacina

    Após o início repentino e o crescimento no número de casos de gripe em 2016, o Ministério da Saúde resolveu antecipar a campanha nacional de vacinação contra a doença neste ano. A imunização começou ontem (10) para profissionais de saúde e estará disponível ao restante da população a partir da semana que vem, no dia 17 (segunda-feira). Para saber mais sobre o assunto e as principais mudanças que ocorrem em 2017, entrevistamos a médica Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Confira:

    Por que a campanha deste ano foi antecipada?

    Isso se deve a uma lição que aprendemos em 2016, quando o vírus começou a circular muito antes do que se esperava. O problema é que não conseguimos prever isso. O ideal é antecipar a campanha o quanto antes. Até porque o período entre tomar a vacina e estar protegido contra a infecção é de duas semanas. Então, se eu tomar a vacina quando o influenza já estiver circulando, vou estar exposto a ele. Quanto antes iniciarmos, mais a população estará protegida.

    A vacina de 2017 é diferente daquela que foi aplicada nos anos anteriores?

    Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde define qual deve ser a composição da vacina no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul. Eles fazem essa recomendação com base nas cepas de influenza que circularam nos anos anteriores. Em 2017, tivemos uma pequena modificação no H1N1 que está dentro da vacina desde 2010.

    E quem deve tomar a vacina?

    As gestantes, as mulheres que tiveram um filho nos últimos 45 dias, crianças de 6 meses a 5 anos, indivíduos com mais de 60 anos e aqueles que possuem alguma doença crônica, ou seja, todas as pessoas que tomam algum remédio todo dia para tratar diabete, asma, obesidade, colesterol alto…

    Além deles, foram incluídos novos públicos-alvo na campanha de 2017?

    Sim. A grande novidade deste ano é que professores da rede pública e privada, trabalhadores do sistema prisional, prisioneiros e adolescentes que estão sob medidas socioeducativas também devem tomar a vacina para se proteger da gripe.

    E quem não pode tomar?

    A vacina é extremamente segura. A única contraindicação formal é para quem tem alergia ao ovo. Mas essa é uma condição bastante rara.

    Quem tomou a vacina no ano passado precisa repetir a dose agora?

    Sim, pois a ação da vacina contra a gripe não é prolongada, diferentemente do que acontece com outros imunizantes. A proteção leva duas semanas para funcionar e dura cerca de 9 meses. Quem tomou ano passado precisa tomar novamente, uma vez que não tem mais anticorpos suficientes para combater o influenza. O segundo motivo é que a vacina é diferente e resguarda contra outras cepas do vírus.

    A vacina dá alguma reação?

    É importante deixar claro que o imunizante não causa gripe. É um vírus morto que está lá dentro, então é impossível ele provocar a doença. As reações que podem ocorrer são desconforto no local da aplicação, dor de cabeça e mal-estar nos primeiros dias. Mas essas chateações são raras.

    Quem tem sintomas de gripe pode tomar a vacina?

    A pessoa que está com febre, dor no corpo e não consegue nem levantar da cama para trabalhar deve aguardar alguns dias. Mas caso esteja apenas espirrando e com coriza, como ocorre durante um resfriado simples, não há nenhuma contraindicação.

    Qual a importância de se imunizar?

    Novos estudos mostram que o vírus influenza está relacionado a uma série de complicações, como pneumonia e doenças cardíacas. Portanto, ao tomar a vacina, você não apenas se protege da gripe, mas evita quadros mais graves relacionados com hospitalização e morte. Um segundo ponto é a importância social. Uma vez que me protejo, diminuo a circulação do agente infeccioso e evito que ele seja transmitido para as pessoas ao meu redor.

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-pulmao

    Em duas décadas de poder, o imperador mongol Gengis Khan (1162-1227) conquistou um território de 33 milhões de quilômetros quadrados – quatro vezes o tamanho do Brasil – e sua campanha de expansão teria matado pelo menos 4 milhões de pessoas. Passados oito séculos de tamanha barbárie, por ora a humanidade se vê livre de líderes megalomaníacos com forças suficientes para subjugar povos inteiros. No entanto, uma doença respiratória bastante comum e que já impôs seu domínio aos seis continentes continua causando os mesmos 4 milhões de mortes. Com um detalhe sórdido: essa taxa se repete ano após ano. Falamos da pneumonia, uma infecção nos pulmões provocada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários.

    No Brasil, são 70 mil óbitos anuais, o que faz da enfermidade a campeã de internações em hospitais e a terceira que mais mata (só fica atrás de infarto e AVC). O principal vilão por trás dela é a bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, responsável por três em cada dez casos. “Por alguma falha no sistema de defesa, o micro-organismo consegue invadir e se instalar nas vias respiratórias inferiores, onde encontra uma região favorável para se reproduzir e deflagrar uma inflamação”, descreve Carlos Carvalho, professor titular de pneumologia da Universidade de São Paulo. O quadro, que é detectado por meio de uma radiografia do tórax, costuma gerar tosse, febre, catarro e dor no peito.

    Para saber como a pneumonia prejudica a qualidade de vida dos pacientes, o laboratório Pfizer encomendou um levantamento ao Instituto Global Market Research. Eles entrevistaram 600 brasileiros que já sofreram com o ataque nos pulmões. De acordo com os resultados, 59% dos participantes alegam um forte impacto emocional e social ao longo do tratamento. “Muitos relatam que ela atrapalhou relacionamentos e os impediu de marcar presença em reuniões familiares”, revela Eurico Correia, diretor médico da companhia farmacêutica no país. Cerca de 65% precisaram se ausentar do trabalho e 80% tiveram gastos extras na farmácia.

    A pesquisa ainda mostrou que o nível de conhecimento sobre a doença é baixo. Quando questionados sobre medidas de prevenção, vários disseram que poderiam ter evitado a friagem ou parado de fumar, mas nenhum citou a vacina como uma forma de se proteger. Aliás, só um quinto sabia da existência de um imunizante para os quadros pulmonares causados pelo pneumococo. A falta de informação motivou a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) a lançar a campanha “Pneumonia Pneumocócica Tem Vacina”, que conta com um site focado na divulgação do tema. “Também vamos percorrer parques e shoppings de diversas cidades para disseminar o assunto”, diz o pneumologista Fernando Luiz Lundgren, presidente eleito da SBPT.

    A vacina para pneumonia não só existe como está disponível no Brasil em três versões: a 10, a 13 e a 23-valente (os numerais se referem à quantidade de subtipos de bactérias aos quais elas oferecem resguardo). A primeira delas faz parte do Calendário Básico de Vacinação do Ministério da Saúde desde 2010 e é obrigatória a todas as crianças menores de 5 anos. As outras duas integram as recomendações da SBIm para adultos. “Elas estão indicadas para quem tem mais de 50 anos e possui doenças crônicas, além de todos que já ultrapassaram os 60”, diz o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da entidade. O esquema envolve tomar uma dose da 13-valente e, seis meses depois, outra da 23-valente. Daí, é preciso realizar um reforço da 23 após cinco anos. Infelizmente, ainda elas só são obtidas na rede privada.

    A implementação do imunizante no programa infantil modificou completamente o perfil da pneumonia no nosso país. Em 2009, 39% dos casos de internação pela infecção pulmonar eram de crianças menores de 4 anos, enquanto os adultos com cinco décadas de vida representavam 30,7% do total. Já em 2015, esse número se inverteu: 45,7% das hospitalizações ocorrem nos mais velhos, ante 32,5% nos pequenos. “Isso só demonstra que, mesmo num período curto, a vacina se mostrou efetiva e alterou a proporção de pacientes por faixa etária”, analisa Correia.

    Com essa mudança nas estatísticas, os idosos passaram a ser o grupo que gera maior preocupação quando o assunto é pneumonia. A condição é mais custosa e difícil de tratar neles. Para piorar, os próprios números atestam que a vacina permanece uma ilustre desconhecida por aqui. “Após os 60, dificuldades para se alimentar e deglutir os alimentos são habituais, o que eleva o risco de ter a enfermidade”, observa a médica Claudia Figueiredo Mello, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    Outros que merecem atenção especial são os portadores de males crônicos, como aqueles com aids, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), problemas cardíacos ou reumatológicos. Essa turma costuma apresentar um sistema de defesa mais frágil, que não combate a contento as tentativas de invasão do pneumococo e companhia. “Tabagistas também são propensos a desenvolver a condição, uma vez que o cigarro lesa a barreira inicial de proteção dos pulmões contra as bactérias”, lembra Claudia.

    Não se esqueça de levar a blusa, hein!?
    Embora a pneumonia seja mais frequente em idosos, não dá pra se descuidar em outras fases da vida. Como precaução, é preciso adotar uma dieta saudável, praticar exercícios, lavar as mãos, evitar ambientes secos no inverno… A friagem, aliás, é um tópico controverso. “No frio, o organismo gasta muita energia para aquecer o ar que chega aos pulmões, o que pode comprometer a imunidade e facilitar o aparecimento de problemas respiratórios”, explica Carvalho. Mas isso não significa que a temperatura gelada é a principal autora do atentado à saúde pulmonar: ela apenas nos deixa vulneráveis. “Se isso fosse verdade, os esquimós já teriam morrido há tempos”, brinca o especialista.
    É preciso se cuidar também diante da gripe, que atua como um abre-alas para a pneumonia. “O vírus influenza faz as células de defesa ficarem ocupadas e torna as cavidades dos pulmões mais propícias à acomodação das bactérias”, conta o pneumologista Marcelo Basso, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Nesse sentido, tomar a vacina contra a gripe ajuda – apesar de a proteção total só vir mesmo com os imunizantes antipneumococo. De fato, todo reforço é desejável para barrar a ameaça. Afinal, nem grandes imperadores estão livres dela: por ironia do destino, o próprio Gengis Khan teria morrido de pneumonia, aos 65 anos.

    Ela está por trás
    Conheça em detalhes a principal bactéria causadora da pneumonia

    Nome: Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo.
    Onde vive: geralmente na região da nossa boca e garganta.
    Como leva à pneumonia: costuma aproveitar baixas no sistema imunológico (como diante de uma gripe, por exemplo) para descer e se instalar nos pulmões.
    Provoca outras doenças: sim. A mesma bactéria pode originar diferentes problemas, como otite, meningite, sinusite e endocardite.

    ABC das encrencas
    Apesar de serem parecidas, há diferenças entre três doenças respiratórias comuns

    PNEUMONIA PNEUMOCÓCICA
    Causador – Streptococcus pneumoniae, entre outros
    Sintomas – Febre superior a 38 oC, tosse com catarro purulento, falta de ar e dores no peito.
    Prevenção – Tomar as vacinas 13 e 23-valente, trocar o filtro do ar-condicionado e ter uma vida saudável.
    Tratamento – Antibióticos dão conta do recado. Sujeitos com risco de complicações são hospitalizados.

    GRIPE
    Causador – Vírus influenza A, B ou C
    Sintomas – Febre, cansaço, desconforto muscular, dor de garganta e na cabeça.
    Prevenção – Realizar a vacinação anual, lavar as mãos com frequência e evitar aglomerações.
    Tratamento – Medicamentos atuam no sentido de aliviar as manifestações típicas da doença.

    RESFRIADO
    Causador – Mais de 200 tipos de vírus, como o rinovírus
    Sintomas – Nariz entupido, coriza, febre baixa (ou ausente), tosse e dor de garganta leve.
    Prevenção – Não levar as mãos aos olhos ou à boca e higienizá-las sempre que possível.
    Tratamento – Remédios analgésicos e antitérmicos combatem os principais sintomas.

    Tags: ,

  • foto-imagem-vacina-contra-gripeO vírus da gripe muda a cada ano e a vacina deve, portanto, se adaptar, mas dois estudos importantes publicados nesta segunda-feira (24) podem acelerar o desenvolvimento de uma vacina antigripal universal.

    Verdadeiro “Graal” da pesquisa sobre o vírus Influenza, o desenvolvimento de uma única vacina que proteja contra todas as cepas do vírus da gripe, está sendo estudado há muitos anos, mas nenhuma vacina foi até agora testada em humanos.

    Dois estudos distintos, publicados na revista científica britânica “Nature” e na americana “Science”, relatam ter demonstrado “a prova de conceito” de vacina universal em ratos, furões e macacos, um resultado muito bem recebido por vários especialistas que enfatizam, no entanto, que uma chegada nas farmácias da nova vacina não é para amanhã.

    As duas equipes de pesquisadores concentraram sua pesquisa sobre a parte do vírus que é o principal alvo dos anticorpos: a hemaglutinina. Esta proteína, presente na superfície do vírus da gripe, permite a sua fixação às células do corpo.

    No estudo publicado na revista “Nature”, os pesquisadores do Instituto Americano de Alergia e Doenças Infecciosas indicam que testaram com sucesso as suas vacinas em ratos e furões, animais que apresentam os mesmos sintomas que os seres humanos.

    As vacinas tradicionais contra a gripe utilizam vírus inativos (injetáveis) ou atenuados (spray nasal) e, portanto, devem ser atualizadas a cada ano com base nas cepas circulantes no outro hemisfério.

    Vírus que evoluem

    Os vírus da gripe evoluem constantemente, graças a fenômenos de deriva antigênica (mutações genéticas que levam a pequenas modificações) e quebras (que causam alterações maiores).

    Mas em vez de atacar a cabeça da hemaglutinina, em constante mutação, os estudiosos se concentraram no tronco desta proteína, muito mais estável.

    Ao ligar esta base proveniente de um vírus A (H1N1) a nanopartículas e combinando-a com um adjuvante, eles conseguiram imunizar camundongos e furões antes de injetar neles doses letais do vírus A (H5N1).

    Embora a vacinação não tenha conseguido neutralizar completamente o vírus H5N1, ela protegeu totalmente os ratos e parcialmente os furões.

    “Esta descoberta é um passo importante para o desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe”, indicou à AFP Gary Nabel, responsável pelo estudo, que acredita que os componentes da vacina não devem inicialmente substituir as vacinas tradicionais, mas apenas “completá-las”.

    Resposta imunológica ampla e protetora

    Em outro estudo publicado na revista “Science”, um grupo de pesquisadores liderados por Antoinette Impagliazzo do Instituto de Vacinas Crucell, um Instituto de Pesquisas do laboratório Janssen, relatou ter testado uma vacina que confere proteção completa para ratos e uma resposta imunológica considerável em macacos.

    Eles também trabalham com base na hemaglutinina, esforçando-se para encontrar configurações capazes de se ligar aos anticorpos monoclonais de amplo espectro, atingindo várias cepas virais.

    “O candidato final, chamado mini-HA, tem demonstrado uma capacidade única de induzir uma resposta imunológica ampla e protetora em camundongos e primatas não humanos”, ressaltam os pesquisadores, que estimam ter avançado em direção a uma vacina universal contra a gripe.

    “Este é um avanço excitante”, considerou Sarah Gilbert, professora de imunologia da Universidade de Oxford. “Mas as novas vacinas ainda deverão passar por testes clínicos para ver como funcionam em seres humanos (…), o que poderá levar vários anos”, acrescentou.

    “Para uma verdadeira proteção universal, será necessário garantir a proteção conferida por outras cepas virais”, afirmou, por sua vez, Garry Lynch, um especialista australiano.

    Para o professor Bruno Lina, professor de virologia em Lyon e diretor do centro de referência francês para a gripe, “esta é uma interessante linha de trabalho”.

    Mas ele também observou que os ratos têm resposta imune muito diferentes do humanos e que “não se pode dizer que seremos capazes de fazer rapidamente uma vacina para proteger os seres humanos.”

    Tags: , , , ,

  • foto-imagem-cancerA cura do câncer é o sonho de muitos pesquisadores e nos últimos anos uma técnica que pode revolucionar o tratamento da doença vem se aperfeiçoando: a virusterapia, o uso de vírus geneticamente modificados para atacar as células tumorais.

    A Fundação Instituto Leloir, da Argentina, anunciou recentemente dois importantes avanços. Junto a colegas de Chile, Grã-Bretanha e Estados Unidos, os cientistas da instituição conseguiram adaptar um vírus que causa gripe e conjuntivite, o adenovírus, para atacar com sucesso o câncer de pele e de pâncreas em camundongos.

    O diretor da equipe do Leloir, Osvaldo Podhajcer, chefe do Laboratório de Terapia Celular e Molecular e pesquisador sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), disse à BBC Mundo que foi possível reduzir ou eliminar tumores sem danificar outros tecidos.

    Isso ocorreu porque os cientistas modificaram o DNA de modo que o vírus só possa se reproduzir em células cancerosas.

    A técnica representa um grande avanço em relação aos tratamentos convencionais para o câncer, como a quimioterapia ou radioterapia, que deixam sequelas graves.

    Além disso, o trabalho pode ter um enorme impacto sobre a cura do melanoma e do câncer de pâncreas, duas das doenças mais mortais.

    “Esses dois tipos de câncer são os menos propensos a receber tratamento não-cirúrgico”, disse à BBC o oncologista Eduardo Cazap, presidente da União Internacional de Controle do Câncer (UICC, na sigla em Inglês).

    Riscos
    Quando se fala de um vírus geneticamente modificado, há sempre o temor de que esses avanços científicos representem um grande risco no futuro, a possibilidade de causarem uma pandemia.

    Essa é a premissa do filme de 2007 Eu Sou a Lenda, com Will Smith, em que um cientista consegue curar o câncer, modificando o vírus da varíola, mas a mutação do vírus acaba convertendo todos os seres humanos — menos o personagem de Smith — em zumbis.

    foto-imagem-cancerNeste sentido, os especialistas do Instituto Leloir disseram à BBC que optaram por trabalhar com o adenovírus porque é um vírus pouco perigoso, muito estável, o que exclui qualquer risco de mutação.

    Na verdade, Podhajcer explicou que trabalhou com essas duas formas de câncer pela falta de tratamentos conhecidos e pela alta incidência na população.

    O trabalho sobre o câncer de pâncreas foi feito em parceria com duas universidades do Chile, Concepción e Andrés Bello, o que é raro na América Latina.

    Os cientistas estabeleceram um marco ao compactarem o ADN para fazer com que o vírus se multiplique mais rápido.

    O estudo foi publicado na revista Molecular Therapy, da Associação Americana de Terapias Celulares e Genéticas.

    Enquanto isso, a pesquisa sobre o câncer de pele foi feita em conjunto com as universidades de Londres, Birmingham e St. Louis, onde também houve progresso.

    Mais eficácia
    “Pela primeira vez que conseguimos mudar geneticamente um vírus para tirar vantagem das características das células cancerosas e as atacar”, disse Podhajcer.

    Segundo o especialista, isto deu ao vírus 40% mais de eficácia.

    foto-imagem-cancer

    O trabalho foi publicado no Journal of Investigative Dermatology.

    Apesar da importância destes estudos, os autores ressaltaram que ainda é muito cedo para estabelecer se o impacto real será a cura para o câncer.

    Primeiro, é preciso percorrer todas as etapas de testes pré-clínicos e clínicos, um longo processo que leva anos e exige grande financiamento.

    Se tudo der certo, o Instituto Leloir estima que o tratamento estaria disponível em cerca de cinco anos.

    No entanto, Cazap adverte que muitos casos de sucesso em roedores não funcionam em testes em humanos.

    “O potencial dessas descobertas é muito interessante, mas você tem que ver se funcionam”, disse ele.

    Tags: , , , , , , ,

  • foto-imagem-gripe Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos indica que gripes durante a gravidez podem aumentar o risco de a criança desenvolver transtornos bipolares ao longo da vida.

    O estudo realizado com 814 mulheres grávidas e publicado na revista especializada JAMA Psychiatry afirma que infecções contraídas durante a gestação podem fazer com que a criança tenha quatro vezes mais chances de ser bipolar.

    Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia identificaram uma ligação entre a condição, frequentemente diagnosticada até a faixa etária dos 20 anos, e experiências vividas ainda no útero.

    Os cientistas envolvidos com a pesquisa alertam que os riscos permanecem baixos, mas o estudo, no entanto, se assemelha a descobertas semelhantes que ligam a gripe à uma maior incidência de esquizofrenia.

    Bipolaridade
    A bipolaridade leva a intensas mudanças no humor de uma pessoa, que podem durar meses, fazendo com que se vá da depressão e desespero a sensações de euforia, hiperatividade e perda de inibições.

    A pesquisa realizada entre pessoas nascidas no início dos anos 1960 mostrou que transtornos bipolares são quatro vezes mais comuns entre pessoas cujas mães ficaram gripadas durante a gravidez.

    A bipolaridade afeta uma em cada cem pessoas. O pesquisador-sênior envolvido com o experimento, Alan Brown, estima que as mães que ficam gripadas durante a gravidez têm uma chance de 3 a 4% de ter filhos que apresentarão transtornos bipolares.

    No entanto, na maioria dos casos de pessoas com bipolaridade não houve um histórico de mães gripadas durante a gravidez.

    Preocupação
    Sendo assim, na lista de coisas com as quais mulheres grávidas devem se preocupar, quão alto figuraria a gripe?

    “Eu diria que não muito alta”, afirma o professor Alan Brown. “As chances ainda são pequenas. Não creio que isso deva ser um motivo de alarme para as mães.

    Segundo o especialista, a vacina recomendada a mulheres grávidas em muitos países pode reduzir as chances de se contrair gripe.

    Ainda não se sabe, no entanto, como a gripe afetaria o cérebro do feto, já que o vírus não incide diretamente sobre o bebê, mas sim sobre o sistema imunológico da mãe.

    Tags: , , , , , , ,

  • Gripe 10.05.2013 No Comments

    foto-mulher-gravida-gripe-bipolaridadeUma pesquisa realizada nos Estados Unidos indica que gripes durante a gravidez podem aumentar o risco de a criança desenvolver transtornos bipolares ao longo da vida.

    O estudo realizado com 814 mulheres grávidas e publicado na revista especializada JAMA Psychiatry afirma que infecções contraídas durante a gestação podem fazer com que a criança tenha quatro vezes mais chances de ser bipolar.

    Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia identificaram uma ligação entre a condição, frequentemente diagnosticada até a faixa etária dos 20 anos, e experiências vividas ainda no útero.

    Os cientistas envolvidos com a pesquisa alertam que os riscos permanecem baixos, mas o estudo, no entanto, se assemelha a descobertas semelhantes que ligam a gripe à uma maior incidência de esquizofrenia.

    Bipolaridade

    A bipolaridade leva a intensas mudanças no humor de uma pessoa, que podem durar meses, fazendo com que se vá da depressão e desespero a sensações de euforia, hiperatividade e perda de inibições.

    A pesquisa realizada entre pessoas nascidas no início dos anos 1960 mostrou que transtornos bipolares são quatro vezes mais comuns entre pessoas cujas mães ficaram gripadas durante a gravidez.

    A bipolaridade afeta uma em cada cem pessoas. O pesquisador-sênior envolvido com o experimento, Alan Brown, estima que as mães que ficam gripadas durante a gravidez têm uma chance de 3 a 4% de ter filhos que apresentarão transtornos bipolares.

    No entanto, na maioria dos casos de pessoas com bipolaridade não houve um histórico de mães gripadas durante a gravidez.

    Preocupação

    Sendo assim, na lista de coisas com as quais mulheres grávidas devem se preocupar, quão alto figuraria a gripe?

    “Eu diria que não muito alta”, afirma o professor Alan Brown. “As chances ainda são pequenas. Não creio que isso deva ser um motivo de alarme para as mães.

    Segundo o especialista, a vacina recomendada a mulheres grávidas em muitos países pode reduzir as chances de se contrair gripe.

    Ainda não se sabe, no entanto, como a gripe afetaria o cérebro do feto, já que o vírus não incide diretamente sobre o bebê, mas sim sobre o sistema imunológico da mãe.

    Tags: , , , ,

  • foto-imagem-corona-virusAs autoridades sanitárias do Reino Unido disseram nesta quarta-feira ter evidências de que uma doença respiratória aguda parecida com a Sars – que foi objeto de um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2003 – seja capaz de se alastrar por contato humano.

    A doença é transmitida através do contato com animais, mas, se houver possibilidade de transmissão através do contato humano, o risco para a população é maior, explicaram as autoridades.

    No mais recente caso, o terceiro no país, uma pessoa que está internada na UTI de um hospital de Birmingham pode ter contraído a doença de um parente próximo, acreditam os médicos.

    Entretanto, o risco para a população britânica continua sendo considerado baixo.

    A mais recente pneumonia atípica é causada por um vírus da família coronavírus. No mundo, foram diagnosticados onze casos da doença desde os primeiros diagnósticos, no fim do ano passado. Cinco pacientes morreram.

    Na Grã-Bretanha, onde três casos foram registrados, duas pessoas que contraíram o vírus haviam viajado do Oriente Médio para a Europa.

    “A confirmação de uma nova infecção pelo coronavírus em uma pessoa sem histórico de viagem para o Oriente Médio sugere que ocorreram transmissões pelo contato pessoal”, disse o chefe do departamento de doenças respiratórios da agência sanitária britânica, John Watson. Ele acrescentou que este tipo de transmissão também se deu na Grã-Bretanha.

    Os médicos possuem evidências de que já houve contaminação pelo contato humano no Oriente Médio, mas esta informação não havia sido confirmada.

    “Embora este caso nos dê forte evidências de transmissão por contato pessoal, o risco de infecção na maior parte das circunstâncias ainda é considerado muito baixo”, disse a autoridade britânica.

    Segundo os médicos, o terceiro paciente a contrair a doença no país possui problemas de saúde que podem ter aumentado a sua vulnerabilidade.

    Logo após os primeiros diagnósticos da nova gripe, a OMS ressaltou, através de seu Twitter e sua página na internet, que o vírus é semelhante mas não igual ao da Sars, e considerou “prematura” a sugestão de que a doença seja “a próxima crise de saúde global”.

    O que é o novo vírus?
    A nova doença é consequência de um tipo de coronavírus – uma família ampla de vírus que inclui desde um resfriado comum à SARS (sigla em inglês para síndrome respiratória grave e aguda).

    Até agora, apenas dois casos foram diagnosticados deste novo vírus, e ambas as infecções foram originadas no Oriente Médio.

    Um dos casos foi confirmado por um exame de laboratório feito pela Agência de Proteção à Saúde da Grã-Bretanha, em Londres. O paciente está sendo tratado pelas autoridades britânicas de saúde.

    O outro foi detectado por um exame de laboratório na Arábia Saudita. Os dados foram enviados a outro laboratório na Holanda, que confirmou se tratar do novo tipo de vírus.

    Ainda há poucas informações sobre o novo vírus e o quão letal ele pode ser entre seres humanos.

    O que o vírus faz?

    Os coronavírus provocam infecções respiratórias em humanos e animais. Os dois contaminados tiveram febre, tosse e dificuldades de respiração. O paciente na Arábia Saudita acabou falecendo, e o britânico está na UTI.

    Por ora, ainda não está claro se esse forte efeito é típico deste novo vírus, ou se há muitas pessoas contaminadas e apenas poucas estão tendo uma reação tão drástica.

    Como ele se espalha?

    Acredita-se que ele se espalhe por fluidos expelidos na tosse ou pelo espirro. Os especialistas acreditam não se tratar de uma doença altamente contagiosa, já que, nos dois casos diagnosticados até agora, as pessoas que trataram os pacientes não adoeceram.

    Os coronavírus são bastante frágeis. Fora do corpo humano, eles só sobrevivem por um dia e são facilmente mortos por detergentes e por outros produtos de limpeza.

    Como é o tratamento?

    Os médicos ainda não sabem qual é o melhor tipo de tratamento, mas as pessoas com sintomas graves precisam de cuidados intensivos que ajudem sobretudo na respiração. Não existe nenhuma vacina.

    Em Londres, o paciente está isolado, e todos que o estão atendendo usam máscaras e equipamentos de proteção.

    Como se originou o vírus?

    Os especialistas ainda não sabem a sua origem. Eles especulam que possa se tratar de uma nova mutação de um vírus já existente. Ou talvez seja uma infecção que já circula entre animais e que agora passou para os seres humanos.

    Existe algum tipo de recomendação às pessoas que viajam?

    Por enquanto, a Organização Mundial da Saúde descartou qualquer tipo de restrição a viagens ao Oriente Médio, onde ambos os casos surgiram. Mas esta decisão está sendo constantemente reavaliada.

    Tags: , , , , , ,

  • Uma técnica usada na previsão do tempo poderia ser adaptada por especialistas em saúde pública para antever e rastrear, em tempo real, o momento exato e a gravidade de surtos de gripe, aponta um novo estudo feito pela Universidade Columbia e pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA.

    O trabalho, coordenado pelos cientistas Jeffrey Shaman e Alicia Karspeck, foi publicado na edição desta segunda-feira (26) da revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). Segundo os autores, esse é o primeiro passo para desenvolver um sistema de estatísticas rigoroso para prever a gripe, principalmente nas regiões temperadas do globo.

    Nesse estudo, os cientistas criaram uma ferramenta capaz de transformar dados da internet sobre estimativas de infecções pelo vírus influenza em previsões locais de gripes sazonais – ou seja, ligadas a épocas específicas do ano.

    Para fazer essa simulação, a equipe usou dados de temporadas de gripe em Nova York entre 2003 e 2008 para gerar previsões semanais. Os pesquisadores descobriram que a técnica também pode prever o momento de pico de uma epidemia mais de sete semanas antes de isso ocorrer.

    Apesar de epidemias históricas revelarem detalhes importantes sobre a propagação de doenças infecto-contagiosas, os atuais modelos matemáticos ainda não conseguem prever como os surtos regionais de gripe podem evoluir.

    Os modelos modernos sobre transmissão de doenças infecciosas têm sido usados há mais de um século, e foram desenvolvidos para estudar as propriedades dinâmicas de contágio, determinar as características biológicas dos patógenos e analisar o comportamento de transmissão durante os surtos.

    Por ano, o vírus influenza provoca de 3 milhões a 5 milhões de doenças graves e mata entre 250 mil e 500 mil pessoas em todo o mundo, sobretudo grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e portadores de problemas crônicos, como o HIV.

    Tags: , , , , ,

  • Ministério da Saúde pretende facilitar, a partir de 2013, o acesso à vacina contra a gripe para pacientes crônicos, como obesos mórbidos, diabéticos, pessoas que fizeram transplantes de órgãos ou medula e aquelas que estão com baixa resistência do sistema imunológico, por causa de doenças como o HIV ou medicamentos.

    Além desses grupos, serão alvo outros indivíduos considerados mais vulneráveis, como os que têm problemas respiratórios, cardíacos, renais, hepáticos e neurológicos crônicos. Também terão prioridade mulheres que deram à luz há menos de um mês e quem tem síndrome de Down.

    A ação deve começar na próxima campanha contra o vírus influenza, no primeiro semestre do ano que vem, e pretende atender seis milhões de pessoas. O ministério informa que 35 mil postos de saúde da rede pública devem reforçar as doses.

    A medida serve para evitar que essas pessoas fiquem ainda mais doentes e agravem as condições que já apresentam. Nesses casos, a gripe tende a ser mais forte e ter complicações.

    Tags: , , , , , , , , , , , , ,