• Segundo um texto que circula nas redes sociais, o professor Chen Huiren, do Hospital Geral da China, descobriu a cura para todos os tipos de câncer. É bem simples: basta tomar água de coco quente – não aquela tradicional, mas uma feita com flocos finos do fruto. Isso seria o suco de coco quente.

    Só que a história não tem quase nada de verdade. Desde 2017, ela é desmentida por autoridades e veículos da imprensa, inclusive de outros países. Ainda assim, vira e mexe ela ressurge, com um outro detalhe diferente.

    “Não há nenhum estudo sobre o assunto, mas infelizmente essa notícia falsa se espalhou pelo mundo”, comenta Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center.

    O único elemento real do texto é que existe um cientista chamado Chen Hui-Ren (o nome está um pouco diferente mesmo), que atua no Hospital Geral da China. Seu nome está no Research Gate, site que compila pesquisadores do mundo todo.

    Segundo o portal, ele desenvolve estudos sobre alguns tipos de câncer. Porém, nenhum aborda o coco.

    Daqui em diante, é inconsistência atrás de inconsistência. Comecemos pela ideia de que uma única estratégia é capaz de eliminar qualquer tumor.

    “O câncer não é uma doença só. Por isso, é impossível existir um remédio que mate todas as suas versões”, aponta Clarissa Baldotto, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

    Mais uma fake news envolvendo a água alcalina

    Uma versão semelhante da história faz sucesso há anos na internet, com a limonada quente como protagonista. Segundo a mensagem, a mistura de limão (ou coco, se você preferir) e água aquecida tornaria o líquido alcalino, o que liberaria uma substância “que é o mais recente avanço no tratamento de câncer, cistos e tumores”.

    A água alcalina é a protagonista, aliás, de vários boatos sobre saúde. Não existe, contudo, nenhuma evidência a seu favor na ciência. Pelo contrário – saiba mais clicando aqui.

    O risco de cair em furadas

    Tratamento e prevenção do câncer são algumas das áreas mais atingidas pelas fake news. E isso é ruim mesmo que o tratamento alternativo em questão inclua uma fruta tão saudável como o coco.

    “O mais cruel dessas notícias é, que além de espalharem mentiras, mexem com as emoções de pessoas que estão precisando de ajuda contra uma doença séria”, salienta Clarissa.

    Além da ineficácia, essas abordagens terapêuticas não raro fazem as pessoas abandonarem os tratamentos convencionais. E já há estudos mostrando que essa atitude aumenta o risco de morte.

    Quando o assunto é câncer (e a saúde no geral), vale o ditado: se o milagre é grande, desconfie do santo. Ao receber um material suspeito, não compartilhe antes de checar a veracidade com seu médico e em sites confiáveis. Se não encontrar nada sobre o tema, envie-nos sua sugestão pelo Facebook ou Instagram que verificaremos para você.

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  • A avaliação de que o açaí, fruta típica da Amazônia, é uma preciosidade do ponto de vista cardiovascular vem com novos dados colhidos pelo nutricionista Heitor Oliveira Santos, da Universidade Federal de Uberlândia (MG). Segundo eles, o alimento pode ajudar a evitar a hipertensão.

    “Já temos evidências de que, após o consumo de açaí, há uma dilatação das artérias”, conta Santos. Com a passagem do sangue facilitada, por sua vez, diminui a tensão nas paredes dos vasos e a pressão tende a baixar.

    Para fazer jus ao efeito protetor, porém, é preciso ingerir ao menos 150 gramas de polpa, e quase todo dia. Quem aderir a esse plano ganha de quebra as fibras e as vitaminas da fruta, além de beta-sitosterol, substância que atua na redução dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue. Sorte do coração.

    O melhor é comer a polpa do açaí pura

    “Com açúcar, mel e leite condensado, o açaí vira uma bomba calórica”, alerta o pesquisador Heitor Santos. O ideal, aconselha, é consumir a polpa o mais pura possível.

    “Quando muito, dá para adicionar leite em pó desnatado, que agrega cálcio e proteína, ou oleaginosas como castanhas e amêndoas, que dão crocância e potencializam os bons efeitos da fruta”, sugere.

    Confira, a seguir, os nutrientes da polpa congelada e da versão com xarope de guaraná e glucose.

    Polpa congelada (100 g)

    Calorias: 58

    Carboidratos: 6,2 g

    Fibras: 2,6 g

    Polpa com xarope de guaraná e glucose (100 g)

    Calorias: 110

    Carboidratos: 21,5 g

    Fibras: 1,7 g

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  • De acordo com um experimento da Universidade Estadual Appalachian, nos Estados Unidos, os carboidratos vindos da banana têm efeitos comparáveis aos dos isotônicos quando se trata de amenizar o estresse comum ao esforço físico. É sério!

    O teste foi feito com 20 ciclistas que pedalaram, em diferentes ocasiões, 75 quilômetros. Num dos percursos, beberam apenas água; em outros, tomaram a bebida esportiva ou comeram meia banana a cada 30 minutos.

    Os resultados dos exames de sangue mostraram uma ligeira vantagem da banana: ela reduz a produção da enzima COX-2, cuja presença indica um processo inflamatório e justifica a dor após a prática.

    “Vale lembrar, no entanto, que a inflamação é uma resposta fisiológica normal e até necessária para a regeneração muscular”, esclarece o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky, coordenador do Departamento de Atividade Física e Exercício da Associação Brasileira de Nutrologia. “Em geral, o organismo se recupera sozinho, sobretudo entre pessoas que consomem diariamente os antioxidantes originários de frutas e hortaliças”, completa o médico.

    Fruta versus bebida esportiva

    A banana: além da frutose, combustível para o treino, ela traz outros nutrientes, como vitamina C, vitamina B6 e fibras, sem contar o potássio, que previne cãibra.

    “A fruta é mais aconselhável nos treinos intermitentes, aqueles em que se pode descansar entre uma série e outra”, sugere Carlos Werutsky. Em práticas de mais de uma hora, pode provocar incômodos digestivos como refluxo.

    O isotônico: a bebida tem a vantagem de apresentar sódio, potássio e carboidrato em quantidades testadas em laboratório. Por isso, é indicada para reidrata depois de treinos mais longos e intensos.

    Como não é permitida a adição de fitoquímicos como flavonoides, o isotônico não apresenta a mesma capacidade antioxidante de frutas como a banana. O ideal é consumir esses produtos só após uma conversa com um especialista.

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  • Que tal se refrescar, nesse calorão, com uma taça de frozen à base de farinha de beterraba? Pois saiba que 30 pessoas receberam o convite para degustar a nova receita, bolada por cientistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp).

    O sucesso foi absoluto – e não só pelo sabor. A turma se deleitou com doses extras de fibras, potássio, magnésio e cálcio. Mas o destaque ficou por conta de antioxidantes poderosos. Desse grupo, o nome que sobressai é a betalaína, que inclusive confere o tom peculiar do vegetal. “Nós também criamos um cookie, e as crianças que participaram da degustação adoraram”, conta a química Bianca Schveitzer, da Epagri, e uma das autoras do trabalho que avaliou os teores de nutrientes desses preparos diferenciados.

    Os estudiosos catarinenses não dispensaram nem mesmo folhas e talos em novas experiências. Segundo o engenheiro agrônomo Gentil Gabardo, professor da Uniarp, essas partes são ótimas fontes de vitaminas e sais minerais. Aliás, às vezes até levam a melhor em quantidade quando comparadas à própria beterraba. Panquecas e pães enriquecidos com a nutritiva farinha são os próximos itens a sair do forno dos pesquisadores.

    Beterraba para o coração… e muito mais
    Em outros pontos do país, o alimento também protagoniza novos estudos. A nutricionista Anna Paula Oliveira Gomes, juntamente com as professoras Patrícia Borges Botelho, da Universidade de Brasília (UnB), e Caroline Dario Capitani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apurou a atuação de folhagens e hastes da planta em prol dos vasos sanguíneos.

    Para isso, elas ofereceram uma bebida preparada com essas partes a um grupo de indivíduos com colesterol e triglicérides alterados após uma refeição repleta de gordura saturada – aquela que, em excesso, ameaça o coração. Os resultados indicam que a receita é capaz de minimizar a redução de HDL, o chamado bom colesterol. Em outras palavras, há indícios de que ela contribua para o equilíbrio nas taxas da molécula gordurosa, mecanismo que zela pela saúde cardíaca.

    Por trás desse feito estão compostos flavonoides de nomes bem peculiares. “As folhas e os talos de beterraba são ricos em vitexina-ramnoside”, exemplifica Anna Paula. Eles conseguem a façanha de modular proteínas envolvidas no transporte de colesterol, promovendo uma espécie de faxina nas artérias. Assim, elas tendem a ficar livres de processos inflamatórios e entupimentos.

    Não há dúvidas de que o coração bate feliz quando tem beterraba no prato. Um estudo publicado no periódico Hypertension comprovou que seu suco ajuda a reduzir a pressão. O alimento melhora a função e a elasticidade dos vasos – aí o sangue circula sem aperto. Embora o efeito resulte do combo de substâncias presentes no vegetal, um ingrediente especial desperta a atenção da ciência nesse quesito: o nitrato.

    O tal nitrato presente nos talos, nas folhas e na própria beterraba tem o mérito de apresentar alto poder vasodilatador. Em outras palavras, ele é precursor de óxido nítrico, substância que é velha conhecida por relaxar as artérias.

    Portanto, favorece a oxigenação de todo o organismo. De olho nisso, já dá para imaginar que o consumo da hortaliça também agrade ao cérebro, né? Um trabalho publicado na revista científica Journals of Gerontology comprova a benesse.

    Pesquisadores deram uma bebida à base da hortaliça a um grupo de 25 voluntários com mais de 55 anos de idade antes da prática de exercícios. Ao final da experiência, observou-se um impacto positivo na região cerebral relacionada ao controle motor.

    Outra evidência que cada vez ganha mais força é de que o nitrato contribui com a demanda de oxigênio para a musculatura. Daí o posto de parceiro dos esportistas. Há, inclusive, comprovação de que aumente a capacidade física.

    O nutricionista Murilo Dáttilo, da RG Nutri, na capital paulista, comenta que, em situações específicas, caso de competições, há indicação de suplemento de suco de beterraba com concentração de nitrato padronizada.

    Não significa, veja bem, que qualquer pessoa possa sair por aí consumindo esses produtos, tá? Vale ressaltar que a cautela é restrita ao uso de suplementação. Não há contraindicação quando se trata do alimento in natura.

    Cada parte, um benefício
    Folhas: são as responsáveis por dar gás ao desenvolvimento do vegetal, transformando energia luminosa em carboidratos. Guardam boas doses de minerais e de vitamina C, baita aliada da nossa imunidade.

    O macete é prestar atenção na hora da compra. A folhagem deve ser brilhante. As chamadas folhas de beterraba baby são ótimas cruas em saladas e sucos. Mas, para total absorção dos nutrientes, vale refogá-las rapidamente.

    Talos: além de sustentar as folhas, conduzem nutrientes para a raiz. Não à toa concentram fibras, vitaminas e substâncias como os carotenoides, festejados principalmente pela proteção aos nossos olhos.

    Observe se o tom das hastes está bem vivo e capriche na higienização antes de botar na panela. Dá para incluir em receitas de omeletes, vinagretes, sopas, quiches, farofas, patês e até bolos.

    Raiz: é o órgão de reserva da planta. Acumula açúcares, que são a fonte de energia utilizada nos processos celulares. Seu diferencial, porém, é a coloração resultante de potentes antioxidantes, as betalaínas.

    Cozinhar com casca, em panela de pressão, é uma boa pedida para evitar grandes perdas, especialmente das badaladas betalaínas. Outra opção que preserva seus nutrientes é consumir a beterraba crua em saladas, sanduíches e sucos.

    O açúcar da beterraba é um perigo?
    Sem paranoia: até diabéticos podem colocar a beterraba no cardápio. “Ela não é proibida”, afirma a nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes. O teor de carboidrato é baixo e até parecido com o de alimentos insuspeitos, caso do chuchu.

    Isso sem falar na presença das fibras, substâncias que asseguram uma resposta glicêmica gradual – assim, não há picos de açúcar no sangue. Maristela explica que há muita confusão em torno da hortaliça. “É a versão branca que serve de matéria-prima para a produção de açúcar”, lembra. Aí a colorida acaba banida do prato injustamente.

    O engenheiro agrônomo Luis Felipe Villani Purquerio, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), explica que existem diferentes tipos de beterraba, mas que é somente da branca que se extrai a sacarose. “Ela tende a acumular mais açúcar”, ensina.

    No Brasil, graças à abundância de cana-de-açúcar, não usamos a hortaliça para esse fim, mas em países como a França ela atende à boa parte do mercado açucareiro. E quem deu impulso a essa indústria foi ninguém menos que Napoleão Bonaparte (1769-1821). O imperador entregou pessoalmente uma medalha ao cientista que criou a primeira fábrica.

    Apesar do parentesco forte, a beterraba esbranquiçada perde feio para a vibrante no quesito antioxidantes. “Essa capacidade é menos expressiva devido à ausência das betalaínas”, explica a bióloga Ana Paula Preczenhak, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Muito mais que colorir o vegetal e combater radicais livres, as betalaínas têm propriedades anti-inflamatórias e já figuram em estudos pela sua capacidade de proteger contra o câncer.

    Não se assuste se esse grupo de pigmentos deixar sua marca no vaso sanitário. “Eles podem passar quase intactos pelo trato digestivo, interferindo com a cor das fezes“, explica a nutricionista Norka Beatriz Barrueto, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A professora avisa que o efeito tende a cessar após 48 horas e acredita que essa situação não sinaliza anemia, como já foi sugerido.

    Por falar em deficiência de ferro, embora a raiz ofereça o mineral, ele não é bem aproveitado. “Para melhorar a absorção, consuma a hortaliça junto de um alimento fonte de vitamina C”, sugere a nutricionista Renata Guirau, do Oba Hortifruti. Então, que tal um suco de laranja com beterraba no próximo café da manhã? Abuse da criatividade e deixe o resto por conta da super-hortaliça.

    O que a beterraba é, afinal?
    Originária das regiões de clima temperado da Europa e do norte da África, a beterraba (de nome oficial Beta vulgaris) é chamada popularmente de raiz tuberosa, uma designação comum a vegetais que acumulam nutrientes na raiz principal e embaixo da terra. Como servem de estoque energético para a planta, essas hortaliças são muito ricas. A má notícia é que, mesmo abaixo do solo, não estão livres de apresentar resíduos de defensivos agrícolas, os indesejáveis agrotóxicos. Portanto, sempre que der, priorize as versões orgânicas.

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  • Ele é conhecido como açaí da palmeira juçara, planta nativa da Mata Atlântica. Sim, é a mesma que dá origem ao palmito

    Se confiar na aparência, dá para confundir o açaí amazônico (aquele tradicional) com o fruto da palmeira juçara. “Eles são do mesmo gênero, mas de espécies diferentes”, ensina a nutricionista Cynthia Howlett, do Rio de Janeiro. Isso explica certas particularidades. De acordo com a especialista, o produto da juçara tem três vezes mais antocianinas, substâncias protetoras do coração e do cérebro.

    Se quiser provar, a Ciano Indústria de Alimentos Sustentáveis lançou a marca Juçaí, que oferece a polpa desse fruto somada a ingredientes como inhame (fonte de fibras) e frutas, cheias de vitaminas e minerais. Por ser adoçado, é bom pegar leve. “Logo mais teremos a versão zero açúcar”, avisa Cynthia, consultora da marca. Abaixo, você confere o que encontramos em 100 gramas da polpa dos dois tipos:

    Açaí do Pará

    Energia: 51,4 cal

    Antocianinas: 17,5 mg

    Carboidratos: 4,3 g

    Gorduras totais: 1,3 g

    Açaí da juçara

    Energia: 63,8 cal

    Antocianinas: 61,8 mg

    Carboidratos: 5,7 g

    Gorduras totais: 3,5 g

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    Originário do sudeste da Ásia, o fruto conhecido como noni não tem gosto lá muito agradável. Mas seu extrato e suco ganharam destaque na internet como promotores de diversos benefícios, desde o controle do diabete até a cura para problemas ginecológicos. Só que a história não é tão animadora assim. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização de produtos contendo o fruto no Brasil. Segundo o órgão, “a quantidade de publicações que avaliaram sua segurança é limitada”. E, por causa da falta de estudos, itens com noni estão vetados em território nacional – o problema é que, mesmo assim, certos sites continuam comercializando-os.

    Segundo João Ernesto Carvalho, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, algumas pesquisas indicam que o uso do alimento está ligado à toxicidade hepática – ou seja, poderia causar complicações no fígado. Além disso, cientistas apontam prejuízos ósseos e malefícios para grávidas. “Outros trabalhos dizem o contrário e alegam segurança. Mas há mais estudos que confirmam sua toxicidade do que os que negam. E quando existe um impasse como esse, a Anvisa não pode liberar”, observa Carvalho.

    A nutricionista Carla Cotta, do Rio de Janeiro, também pede cautela quando se fala em noni. “Extratos só devem ser consumidos se forem registrados pela Anvisa”, comenta. Segundo a especialista, os alimentos funcionais, ou seja, aqueles que prometem benefícios à saúde, devem ter controle como qualquer medicamento. Então, não caia nas promessas milagrosas sobre esse (ou qualquer outro) ingrediente. Até porque isso pode, no final das contas, ter efeito contrário ao desejado, colocando você em risco.

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