• Setembro, também conhecido como o Mês Nacional de Conscientização da Fibrose Cística, trouxe uma ótima notícia para os brasileiros com essa doença: a chegada no Brasil do remédio Kalydeco, da farmacêutica Vertex, que melhora bastante a vida de parte dos pacientes. Meses antes, outro medicamento – o Orkambi, da mesma empresa – também havia sido aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para outros subtipos da enfermidade. Para abordar essas novidades, precisamos antes explicar o que é a doença, quais seus sintomas e como era o tratamento antes.

    O que é fibrose cística?

    Ela é uma doença rara, que atinge cerca de 70 mil pessoas no mundo. Por defeitos no gene CFTR, o paciente praticamente não fabrica uma proteína, também chamada de CFTR, ou a gera com diferentes defeitos. E daí?

    “Essa proteína é fundamental na liberação de água das células para a produção de secreções do corpo”, explica Rodrigo Athanazio, pneumologista e parceiro do Instituto Unidos Pela Vida, uma organização focada na fibrose cística. Isso, por sua vez, faz com que diferentes líquidos originados pelo organismo, do catarro (muco) ao suor, fiquem mais espessos do que o normal.

    A questão é que essas mudanças nas secreções do organismo provocam diferentes repercussões pelo corpo. Uma das mais graves atinge os pulmões: 80% dos indivíduos com fibrose cística morrem por complicações nesse órgão, segundo Athanazio.

    Isso porque o espessamento do muco facilita infecções graves e uma inflamação que danifica os pulmões, o que, com o tempo, afeta demais a respiração. Aliás, o catarro mais viscoso típico da fibrose cística também favorece sinusites de repetição nos seios da face.

    O pâncreas é outra parte do corpo muito atingida. Para quem não sabe, essa estrutura gera diferentes enzimas digestivas, que ajudam a quebrar os alimentos e aproveitar os nutrientes. Ocorre que as alterações dessa doença culminam em danos a esse órgão e comprometem o seu trabalho.

    Resultado: logo na infância, a criança não consegue digerir alimentos, causando desnutrição e atraso no desenvolvimento. Daí porque, mesmo se não diagnosticada antes com exames, essa doença tende a ser flagrada ainda nos primeiros anos de vida. Entretanto, é possível que quadros, digamos, mais leves só sejam detectados na fase adulta.

    Tem mais. Embora seja uma consequência menos comum, a fibrosa cística pode injuriar o fígado em cerca de 5% dos casos, eventualmente levando a uma cirrose.

    Não há prevenção para esse transtorno, até porque ele é puramente genético. “A pessoa só vai desenvolver a fibrose cística se herdar genes CFTR defeituosos tanto do pai quanto da mãe”, esclarece Athanazio. É o que os especialistas chamam de uma doença autossômica recessiva.

    Sintomas e sinais

    • Infecções de repetição nas vias respiratórias
    • Falta de ar
    • Tosse crônica
    • Desnutrição
    • Perda de peso
    • Dor abdominal
    • Diarreia amarelada, gordurosa e com odor forte
    • Sinusite
    • Fadiga
    • Desenvolvimento atrasado na infância

    Diagnóstico

    Uma das particularidades da fibrose cística é afetar as glândulas sudoríparas, que geram suor. Com isso, esse líquido fica especialmente salgado. Tanto que muitas mães sentem esse gosto ao beijarem seus pequenos – ao ponto de essa chateação ganhar o apelido de “doença do beijo salgado”.

    Mas o que isso tem a ver com o diagnóstico? “Nós temos um teste que dosa a presença de cloro no suor. Se sua concentração é muito elevada em duas avaliações, confirmamos a presença da fibrose cística”, informa Athanazio.

    Há também exames genéticos que identificam aquelas mutações no gene CFTR. Contudo, a verdade é que o teste do suor é bastante confiável (e menos custoso).

    “Porém, é importante dizer que, desde 2014, o teste de pezinho deveria incluir a triagem para a fibrose cística”, complementa Athanazio. Em outras palavras, aquela gotinha de sangue tirada do calcanhar do seu bebê na maternidade já levantaria suspeitas para esse problema – converse com os profissionais do hospital para checar essa questão. E a detecção precoce é fundamental para um tratamento efetivo.

    Tratamento

    Chegamos, enfim, às maneiras de contra-atacar essa doença. Antes da criação do Kalydeco e do Orkambi, a estratégia era basicamente controlar as consequências da fibrose cística.

    Se o pâncreas não produz enzimas digestivos direito, o sujeito engole cápsulas com essas moléculas durante a refeição. Para evitar o acúmulo de muco nos pulmões, ele se submete a inalações com substâncias específicas, que ajudam a tornar essa secreção mais fluida. Sessões de fisioterapia respiratória e uso de antibióticos para conter as infecções também são bem comuns.

    “O que esses novos medicamentos fazem é agir na doença em si. É como se eles reparassem aquela proteína defeituosa”, contextualiza o pneumologista Rodrigo Athanazio. Aí, as secreções corporais se tornam menos espessas, o que alivia os sintomas e, em tese, diminuiria o ritmo de progressão da doença.

    No Brasil, ambas as drogas estão indicadas a partir dos 6 anos de idade. Já nos Estados Unidos, são aprovadas inclusive para maiores de 2 anos. “E há estudos com pacientes ainda menores. Existe a perspectiva de, com a evolução dos estudos, talvez oferecer esse tipo de remédio pouco tempo depois do nascimento”, afirma Athanazio.

    O tratamento precoce evita danos irreversíveis da fibrose cística. Por serem novos, ainda não dá pra saber se esses medicamentos aumentarão a expectativa de vida dos enfermos, hoje estimada em 44 anos. “Mas temos evidências iniciais que apontam nesse sentido”, adianta Athanazio.

    Ainda assim, é crucial ressaltar que essa nova classe de medicações não vai dispensar o manejo das consequências da fibrose cística. Mais do que isso, ela ainda não é aplicável a todos os acometidos por ela.

    Veja: o Kalydeco é eficaz para um conjunto de mutações do gene CFTR comuns a não mais do que 5% das pessoas com fibrose cística. O Orkambi, por sua vez, mira outro subgrupo de alterações no DNA, que correspondem a mais ou menos 20% do total de brasileiros com a doença. A boa notícia é que vários outros fármacos modernos estão sendo experimentados e podem, no futuro, ampliar o acesso.

    Na linha de complicações, ambas as drogas não devem ter um preço barato por aqui. O processo de definição do custo ainda está sendo finalizado na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, porém, nos Estados Unidos, o tratamento anual fica em torno de 150 mil dólares. E, sim, os comprimidos precisam ser ingeridos pelo resto da vida.

    “A expectativa é, com o tempo, pressionar o SUS para incorporar esses remédios”, diz Athanazio.

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  • Testes genéticos são exames que permitem identificar, por meio da análise do nosso DNA, um maior risco ou propensão a determinadas doenças. Em oncologia, os testes genéticos podem ser usados para diagnóstico de câncer hereditário ou do risco de desenvolver tumores. É importante esclarecer que todo câncer é resultado de alteração genética, isto é, o câncer é uma doença genética, porém, um percentual pequeno é hereditário.

    O câncer hereditário é causado por uma mutação genética que o paciente carrega no DNA de suas células. Essa mutação está presente em parte das células germinativas do pacientes, isso é nos gametas, e pode passar para seus descendentes. Isso quer dizer que os descentes que herdam a mutação estão em risco de desenvolver tumores. Há varias síndromes genéticas de câncer hereditário já descritas, incluindo as que afetam as mamas, os ovários, os intestinos, a pele, entre outros órgãos.

    Os aspectos clínicos mais comuns para se suspeitar de uma síndrome de câncer hereditário são: o diagnóstico em idade mais jovem do que a idade de aparecimento daquele tipo de tumor, vários tumores no mesmo indivíduo ou câncer em várias gerações da família. Para se confirmar a suspeita de um câncer hereditário, há necessidade do individuo ser submetido a um teste genético.

    Para algumas síndromes genéticas o resultado positivo de uma mutação patogênica em genes já conhecidos pode ajudar o médico a traçar medidas de prevenção para evitar o surgimento do câncer e também medidas de rastreamento diferenciadas da população em geral para diagnosticar o tumor nos estágios mais iniciais quando são mais passíveis de cura.

    Quem se beneficia na prática

    Dos anos 1990 para cá, tivemos avanços expressivos no conhecimento sobre genética desencadeados pelos avanços nas tecnologias de sequenciamento, o que hoje nos permite realizar exames genéticos com maior precisão e rapidez e menor custo. No entanto, a facilidade no acesso não significa que os testes genéticos devem ser solicitados para todas as pessoas. As indicações são baseadas em diretrizes nacionais e internacionais que são revisadas periodicamente.

    Assim, o médico, suspeitando de câncer hereditário, deve encaminhar o paciente para os médicos oncogeneticistas, que estão capacitados a estimar o risco de síndrome genética e solicitar os testes genéticos mais adequados.

    É importante destacar que esse tipo de teste envolve questões emocionais importantes, sendo crucial que o indivíduo tenha acesso ao aconselhamento genético pelo oncogeneticista. Esse profissional vai explicar o que é o teste, como ele é feito e quais suas limitações. Também vai abordar a grande possibilidade de não se detectar a causa genética, as consequências de um resultado positivo para uma mutação patogênica, o risco dos descendentes herdarem a mutação, as medidas preventivas e medidas de vigilância diferenciadas para diagnóstico precoce, entre outros aspectos. Em resumo, o oncogeneticista fornece um suporte geral para que as informações colhidas do quadro clínico e do exame genético a ser realizado sejam devidamente contextualizadas e dúvidas e expectativas sejam esclarecidas.

    Outro aspecto importante é que o teste genético pode ser feito em pessoas com câncer ou em pessoas sem câncer. O mais comum e de maior benefício para a família é realizar o teste no paciente com câncer e, no caso de ser positivo, recomendar avaliação da mutação identificada para os outros membros da família.

    Em geral, os testes genéticos conseguem identificar a causa genética (uma mutação patogênica) somente em uma pequena porcentagem dos casos. Portanto, a ausência de mutação patogênica nos genes investigados não significa que a pessoa não tenha um câncer hereditário e/ou risco aumentado para desenvolver tumores. É possível que existam mutações em outros genes não investigados no teste realizado ou em outros genes ainda não associados com a síndrome genética suspeita.

    Os ganhos para o paciente

    A realização bem indicada de um teste genético é capaz de trazer ganhos importantes em termos de prevenção, detecção e tratamento para algumas síndromes. A detecção de uma mutação patogênica nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, que são os genes mais importantes associados com a síndrome de câncer de mama e ovário hereditários, permite tomar condutas que reduzem significativamente o risco da doença, como rastreamento diferenciado e mais frequente por meio de exames de rotina, bem como intervenções preventivas (como a cirurgia de retirada das mamas e dos ovários). Todas as decisões, é claro, têm de ser discutidas entre médico e paciente.

    Ficou famoso, o caso da atriz americana Angelina Jolie, portadora de uma mutação no gene BRCA1. A atriz, com episódios de câncer na família característicos da síndrome, realizou um teste genético e obteve resultado positivo para a mutação em BRCA1, tomando a decisão de adotar medidas preventivas como cirurgias para extrair as mamas e os ovários, uma vez que a probabilidade de ter a doença nesses órgãos era alta. Com o procedimento, a atriz diminuiu o risco de câncer nesses órgãos a níveis menores que a população de mulheres sem mutações nos dois genes citados.

    Existem medicações aprovadas para pacientes com um tipo específico de câncer de ovário e que são portadores de mutação em BRCA1 ou BRCA2. A terapia é denominada anti-PARP e bloqueia um sistema de reparo de DNA existente nas células. Células do tumor de ovário de mulheres com mutação patogênica em um dos dois genes BRCA1 e BRCA2 apresentam maior sensibilidade ao tratamento com essa terapia, mostrando maior benefício para essas mulheres.

    É importante também comentar que, para várias outras síndromes de câncer hereditário, medidas de prevenção de diagnóstico precoce não estão bem estabelecidas e muitos esforços tem sido direcionados para ajudar nesse aspecto.

    Outros testes genéticos para escolher o tratamento do câncer

    O mapeamento das alterações genéticas em alguns tumores já são de grande utilidade clínica para ajudar na definição das melhores terapias. O sequenciamento massivo de tumores tem ajudado nas descobertas das suas alterações genéticas mais frequentes, auxiliando o mapeamento das vias gênicas que estão alteradas no tumor. Esses achados subsidiam o desenho de terapias para bloquear as vias alteradas e também a definição daquelas mutações que conferem sensibilidade ou resistência a essas terapias.

    Assim, testes genéticos em DNA tumoral já são realizados para vários tipos de tumor, por exemplo, casos específicos de câncer de pulmão, de ovário, de intestino, entre outros. Algumas terapias só devem ser prescritas para tumores que apresentam certas alterações genéticas.

    Estudos científicos

    Em nosso laboratório, estamos envolvidos em novas descobertas na área de genética e genômica e também na transferência para a clínica de testes genéticos e genômicos que apoiam o diagnóstico de síndromes genéticas e identificam alterações gênicas que guiam uma conduta terapêutica personalizada. Temos linhas de pesquisa dedicadas a síndromes hereditárias de tumores, visando caracterizar variantes genéticas na população brasileira nos genes já conhecidos, e também, linhas de pesquisa para desvendar outros genes, ainda não conhecidos, associados a elas. Dados da nossa população vindos das duas abordagens são particularmente importantes para contribuirmos com o conhecimento de variantes genéticas de risco ou benignas da população brasileira, que difere das populações mais conhecidas geneticamente, como a americana e europeia.

    Além disso, desenvolvemos pesquisas genômicas em tumores para descobrir as vias genicas que estão ativadas ou inativadas, contribuindo, assim, com a compreensão dos aspectos genéticos que subsidiam o aparecimento e a progressão do câncer.

    *Dra. Dirce Maria Carraro é chefe do Laboratório de Genômica e Biologia Molecular do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE) e responsável pelo Laboratório de Diagnóstico Genômico do A.C.Camargo Cancer Center.

    Pioneirismo

    O A.C.Camargo Cancer Center é pioneiro no estabelecimento de testes genéticos no diagnóstico de síndromes genéticas e para guiar tratamento. A transferência dos testes genético para a rotina clinica iniciou em 2010 e vem se aprimorando constantemente.

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  • A gestação é um período que pede exames específicos, até porque um pré-natal bem assistido ajuda no desenvolvimento do bebê e preserva a saúde e segurança da mãe. E nada melhor do que abordar o tema hoje, 28 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna.

    Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013 ocorreram 289 mil mortes maternas devido a complicações durante a gravidez e o parto – uma queda de 45% se comparado aos 523 mil óbitos em 1990. A entidade também afirma que o Brasil reduziu sua taxa de mortalidade materna em 43% entre 1990 e 2013. Apesar de ser um dos mais baixos da América Latina, o índice ainda é considerado alto.

    Para que esse número continue a cair, existem exames básicos que toda gestante deve fazer e que são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com o auxílio do médico Olímpio Barbosa, presidente da Comissão Nacional Especializada de Assistência Pré-natal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), SAÚDE traz essa lista para você. Converse com seu médico sobre ela:

    Primeira consulta ou primeiro trimestre:

    – Hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh Coombs indireto (se for Rh negativo)

    – Glicemia em jejum

    – Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL

    – Teste rápido para HIV

    – Toxoplasmose IgM e IgG

    – Sorologia para hepatite B

    – Urocultura + sumário de urina

    – Ultrassonografia (exame morfológico)

    – Exame citopatológico de colo de útero (se houver indicação clínica)

    – Exame da secreção vaginal (se houver indicação clínica)

    – Exame parasitológico de fezes (se houver indicação clínica)

    Segundo trimestre:

    – Teste de tolerância para glicose, se a glicemia estiver acima de 85mg/dl ou se houver fator de risco para diabetes. Ele deve ser realizado preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana.

    – Coombs indireto (se for Rh negativo)

    Terceiro trimestre:

    – Hemograma e fator Rh Coombs indireto (se for Rh negativo)

    – Glicemia em jejum

    – Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL

    – Teste rápido para HIV

    – Sorologia para hepatite B

    – Toxoplasmose IgM e IgG (se IgG negativo na primeira consulta)

    – Urocultura + sumário de urina

    Há, claro, mais testes oferecidos pela rede privada. Porém, Barbosa informa que a Febrasgo não orienta aos obstetras pedirem exames complementares sem uma real necessidade, que deve ser discutida individualmente. Até porque 80% das gestações no nosso país não são de alto risco.

    “Existe no Brasil uma cultura do consumo. As pessoas acreditam que, se o médico pede muitos exames, é um profissional melhor, o que não é o caso”, afirma. Ele cita o exemplo do ultrassom tridimensional, que ofereceria as mesmas informações para o médico de um ultrassom normal. “Sua funcionalidade é maior para a mãe, que pode ver o rosto do bebê, do que para o médico em si”, completou.

    Já a obstetra e ginecologista Silvia Herrera, coordenadora de Medicina Fetal do SalomãoZoppi Diagnósticos, adota uma postura um pouco diferente: “Os exames preconizados pela Febrasgo e disponíveis no SUS são de fato o necessário para uma gravidez bem assistida. Porém, nós já temos tecnologias relacionadas ao diagnóstico de doenças genéticas que acrescentam eficácia e qualidade. Infelizmente, elas não estão disponíveis para todos, mas quem tiver condições deve fazer”, opina.

    Confira os principais exames complementares citados pela médica:

    – Perfil bioquímico (Fração Livre BHCG e PAPP-A): “O exame morfológico diagnostica 90% dos casos de síndrome de Down, mas, com o perfil bioquímico, chegamos a 96%. Embora o SUS não o disponibilize, os convênios passaram a cobri-lo há dois anos. Na Europa, não se faz o exame morfológico sem marcador bioquímico”, afirma. Se recomendado, ele deveria ser realizado entre a décima e a 14ª semanas.

    – NIPT (DNA Fetal no Sangue Materno): “É o que temos de mais novo. É um exame de sangue que detecta 99,9% dos casos de síndrome de Down sem trazer risco para o feto”. Pode ser feito a partir da décima semana.

    – Doppler Colorido das Artérias Uterinas: “Ele é associado ao exame morfológico do primeiro trimestre para rastrear o risco de pré-eclâmpsia. É um exame bom para intervirmos antes de a pressão subir”. Deve ser feito entre a 18ª e a 24ª semanas.

    – Avaliação do Colo Uterino Via Transvaginal: “Se for curto, o colo uterino começa a abrir por dentro à medida que o bebê vai crescendo. Isso eleva o risco de um parto extremamente prematuro. A avaliação detecta essa situação e assim podemos prevenir que evolua. É um exame simples e barato, mas não muito solicitado pelos médicos”. Deve ser feita entre a 18ª e a 24ª semanas.

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  • Em novembro de 2003, surgia na Austrália o movimento Movember — união das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (novembro) —, quando homens deixaram crescer o bigode para chamar atenção à saúde masculina e fazer um alerta sobre o câncer de próstata. A campanha expandiu-se pelo mundo e inspirou o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida para promover ações de esclarecimento sobre a doença no Brasil.

    Quando excluímos os tumores de pele, o câncer de próstata figura como aquele mais comum em homens acima dos 50 anos. É também a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos. No Brasil, está por trás de 62 mil novos casos e 13 mil óbitos por ano.

    A doença, em geral, evolui lentamente, mas existem casos agressivos. Sabe-se que um em cada seis homens terá o problema, mais frequente em negros e naqueles que possuem parentes de primeiro grau que tiveram o câncer. Quando acomete homens com menos de 50 anos, pode estar associado a mutações genéticas hereditárias do gene BRCA 1 e/ou 2, o mesmo relacionado aos cânceres de mama e ovário hereditários nas mulheres.

    Devemos ficar atentos à condição porque, na fase inicial, não costuma apresentar sintomas. Eles aparecem mais nos estágios avançados — dores nas costas, nas pernas e nos quadris podem surgir em função da disseminação da doença para os ossos, por exemplo. É comum, no entanto, a presença de sinais de hiperplasia (aumento) da próstata, situação benigna que pode coexistir com o câncer e provocar diminuição na força do jato miccional, aumento na frequência das idas ao banheiro e esvaziamento incompleto da bexiga.

    Estudos já tentaram demonstrar se alguns alimentos, vitaminas, suplementos antioxidantes ou mesmo fármacos seriam capazes de prevenir o câncer de próstata, mas, até o momento, não há evidências contundentes de que seja possível evitá-lo. As pesquisas indicam o envelhecimento como principal fator de risco. Dieta com alto teor de gordura animal, obesidade e sedentarismo também podem estar associados à maior probabilidade de desenvolvê-lo.

    O impacto do diagnóstico precoce

    As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 45 no caso de negros e homens com histórico familiar da doença.

    Dois exames são essenciais para o diagnóstico: a dosagem no sangue do PSA e o toque retal.

    O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína que pode ser encontrada no tecido prostático, no sêmen e na corrente sanguínea. Pode estar alterado em diferentes contextos, caso de prostatites (infecções da próstata), hiperplasia e do próprio câncer. Um resultado normal no PSA, isoladamente, não exclui a possibilidade de haver um tumor maligno. Daí a necessidade do toque retal.

    Embora ainda visto com certo preconceito, não há atualmente outro exame com a mesma eficiência. Quando realizado por um médico bem treinado, o toque dura segundos, é indolor e permite avaliar características fundamentais para o diagnóstico de doenças prostáticas. Se, após esses exames houver suspeita da doença, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

    O câncer de próstata tem comportamento variável. Pode ser de baixa, intermediária ou alta agressividade, estar localizado apenas na próstata, avançado localmente ou já espalhado em outros órgãos.

    O tratamento é baseado nesses fatores e em características individuais do paciente. Cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia e vigilância ativa (quando o urologista segue acompanhando, mas não é feita uma intervenção direta no problema) são as estratégias que podem ser tomadas isoladamente ou em associação. O tratamento ideal é personalizado e busca a melhor forma de combater o câncer com menor grau de agressão ao paciente.

    Felizmente, quando a doença é detectada em fase inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%. Por isso, ajude a propagar essa mensagem em mais um Novembro Azul. Além de salvar vidas, a detecção precoce permite recuperar a alegria e a autoestima dos homens, assim como o bem-estar da família.

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  • Para descobrir como anda a tireoide, não há muito segredo. Dois exames de sangue dosam os hormônios associados a essa glândula, importante para o funcionamento de todo o organismo – em excesso, eles provocam o hipertireoidismo e, quando andam em baixa, estão associados ao hipotireoidismo.

    Enquanto o TSH é produzido no cérebro para estimular o funcionamento da tireoide, o T4 é secretado por ela mesma. Hoje em dia, a análise do T4 total está caindo em desuso. É que os médicos preferem analisar o T4 livre, que é uma espécie de sobra do hormônio em circulação.

    Para que servem os exames

    O TSH é mais específico e, por isso, considerado padrão-ouro na avaliação da glândula. Os exames são usados no diagnóstico de disfunções como o hiper e o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona rápido ou devagar demais, respectivamente.

    Como são feitos

    A pessoa fica em jejum por cerca de quatro horas no caso da medição do TSH e, no mínimo, por três horas para o T4. Depois, o técnico colhe uma amostra de sangue e envia para análise no laboratório.

    Os resultados

    O laboratório quantifica os hormônios presentes na amostra e, no laudo, o resultado vem junto com valores referência de normalidade para comparação. Os números variam de laboratório para laboratório. Esses são os do Fleury Medicina e Saúde:

    TSH – 0,45 a 4,5 mUI/L
    T4 Livre – 0,6 a 1,3 ng/dL

    Valores abaixo ou acima desses podem indicar problemas.

    Periodicidade

    A dosagem do TSH é usualmente incorporada no checkup anual das mulheres a partir dos 35 anos e, depois dessa idade, repetido de cinco em cinco anos. Mas há controvérsias sobre a necessidade de pedir esses exames quando não há sintomas que indiquem panes na tireoide. Já o T4 livre só costuma ser indicado caso haja uma alteração nos valores de TSH.

    Cuidados e contraindicações

    Algumas situações podem interferir nos resultados, como a ingesta de hormônios tireoidianos sintéticos. Nesse caso, a coleta tem que ser feita antes de tomar o medicamento ou quatro horas depois.

    Indivíduos que consomem suplementos com biotina devem suspender o uso três dias antes da coleta de sangue. Fatores como gravidez, idade fértil, presença de anemia e insuficiência cardíaca também precisam ser ponderados pelo médico na hora de interpretar os resultados.

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  • Projeto tem custo estimado de 57 milhões de euros; prazo é de 5 anos.
    Método ainda pode ajudar na detecção precoce de doenças degenerativas.

    foto-imagem-exameO Centro Nacional de Câncer do Japão espera concluir, no prazo de cinco anos, o desenvolvimento de um método que permita o diagnóstico precoce de 13 tipos de câncer mediante um simples exame de sangue.

    O projeto, com custo estimado em 57 milhões de euros, visa contribuir especialmente com a detecção precoce do câncer de mama, estômago, esôfago, pulmão, fígado, vesícula, pâncreas, colo, ovário, próstata e bexiga.

    O método também pode ajudar na detecção precoce de doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer.

    Trata-se de verificar a presença no sangue de micro-ácidos ribonucleicos (microARN), cujo aumento indicaria o desenvolvimento de um câncer. Mais de 2.500 variedades destas moléculas foram descobertas no corpo humano e podem servir de “marcadores” para detectar diferentes tipos de câncer, em um método muito mais rápido que a atual bateria de exames.

    Várias equipes de pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos já analisam o papel dos microARN nos casos de diversos tipos de câncer, mas os japoneses esperam chegar mais longe nas investigações, que ainda não permitiram elaborar um teste comercial.

    O programa é dirigido pela Organização Japonesa de Novas Energias e Tecnologias Industriais (Nedo), que apoia pesquisas em diversos âmbitos, com o apoio de várias empresas, entre elas Toray Industries e Toshiba, que têm grandes ambições na área médica.

    O projeto é baseado em dados obtidos com 65 mil pacientes através do Centro Nacional do Câncer. “Se conseguirmos desenvolver o primeiro teste mundial de alta precisão no Japão, isto poderá aumentar em vários anos a esperança de vida das pessoas e contribuir para o desenvolvimento das indústrias japonesas”, disse Tomomitsu Hotta, presidente do centro, citado pela agência Kyodo.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer matou 8,2 milhões de pessoas em 2012. Os mais letais são de pulmão, estômago, fígado, colo e mama.

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  • foto-imagem-dispositivoCientistas na Suíça desenvolveram um dispositivo minúsculo e subcutâneo que faz exames de sangue e envia os resultados imediatamente via celular.

    A equipe, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, afirma que o protótipo de apenas 14 milímetros pode ser usado para detectar cinco substâncias diferentes no sangue.

    Os resultados podem, então, ser enviados para o médico por meio da tecnologia bluetooth.

    O dispositivo minúsculo poderá ser inserido no paciente com uma seringa, logo abaixo da pele de locais do corpo como abdome, pernas ou braços. Os cientistas dizem que é possível manter o mecanismo no local por meses e só depois é necessário removê-lo ou substitui-lo.

    Segundo os inventores do protótipo, o dispositivo estará disponível para o público dentro de quatro anos.

    Colesterol e diabetes

    Outros pesquisadores já vinham trabalhando em implantes subcutâneos parecidos, mas o professor Giovanni de Micheli e o cientista que liderou a pesquisa, Sandro Carrara, afirmam que o exame de sangue criado na Suíça é pioneiro porque pode analisar muitos problemas diferentes ao mesmo tempo.
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    Carrara e De Micheli afirmam que o dispositivo será muito útil para monitorar problemas como colesterol alto e diabetes, além de analisar o impacto de tratamentos como quimioterapia.

    “Vai permitir o monitoramento direto e contínuo baseado na intolerância individual de cada paciente, e não em tabelas de idade e peso, ou exames de sangue semanais”, afirma De Micheli.

    Até o momento, os pesquisadores testaram o dispositivo em laboratório e em animais. Eles afirmam que o mecanismo pode detectar de forma confiável os níveis de colesterol e glicose no sangue, assim como outras substâncias mais comuns que médicos tentam encontrar em exames.

    Os cientistas agora esperam começar os testes do dispositivo em pacientes internados em unidades de terapia intensiva, que precisam de muito monitoramento, incluindo exames de sangue frequentes.

    Os resultados da pesquisa serão apresentados na conferência sobre eletrônicos Design, Automação e Teste na Europa (Date).

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  • foto-imagem-checkupUm levantamento americano revela que muita gente anda fazendo exames desnecessários. Será que presenciamos o mesmo fenômeno por aqui? Afinal, quais testes merecem mesmo ser realizados em algum momento da vida?

    Quem não aprecia comparações que nos perdoe, mas o checkup nada mais é do que a bola de cristal do médico. É por meio de exames que ele vislumbra o provável futuro do paciente e, se preciso, intervém no presente para lhe proporcionar um destino melhor. Tudo perfeito se não houvesse uma tendência em abusar desse expediente, o que transforma a bola de cristal em um caro truque de ilusionismo.

    O alerta mais recente vem de uma pesquisa do instituto Consumer Reports, nos Estados Unidos, que avaliou cerca de 8 mil americanos acima dos 40 anos submetidos a checkups cardíacos. A entidade concluiu que 44% dos participantes passaram, em algum momento, por exames desnecessários. Eles não portavam história ou condições que justificassem a realização de uma ressonância cardíaca ou de um ultrassom de carótidas, por exemplo.

    No Brasil, a demanda por exames também parece se intensificar, tanto da parte do clínico quanto do paciente. “As pessoas acreditam que, quanto mais testes elas fazem, mais protegidas ficam”, observa a gastroenterologista Patrícia Oliveira, do serviço de checkup do Laboratório Fleury, em São Paulo. Essa crença, além de ilusória, não está isenta de perigos. Segundo Patrícia, quando um exame mal indicado tem um resultado falso positivo, a investigação prossegue à toa com métodos mais invasivos e dotados de riscos — basta pensar, insistindo na área da cardiologia, no cateterismo ou na tomografia do coração, a qual requer uma dose, ainda que mínima, de radiação.

    “Há uma pressão do paciente por exames. Se o médico não os prescreve, ele até procura outro especialista pensando que foi mal atendido”, lamenta o endocrinologista Frederico Marchisotti, da rede Diagnósticos da América, em São Paulo. Também temos o outro lado da história. “Existem profissionais que não ganham muito por consulta, o que os obriga a reduzir o tempo da avaliação clínica e a solicitar mais testes para ganhar segurança”, diz Marchisotti.

    ME VÊ UM EXAME AÍ?
    Uma palavra resume bem a busca pelo checkup inteligente: individualidade. “O ideal é que haja uma lista básica de exames e outros sejam acrescentados de acordo com a idade, as condições e o histórico familiar”, diz o cardiologista César Jardim, responsável pela equipe de checkup do Hospital do Coração, na capital paulista. Não é o mundo inteiro que precisará repetir o hemograma a cada mês, se submeter a um ultrassom de abdômen anualmente… Tudo depende de bom senso — do médico e do próprio paciente. Dado o recado, SAÚDE! convoca uma seleção de testes indispensáveis em algum momento da vida.

    PRESSÃO ARTERIAL
    O QUE É? O médico usa um aparelho para conferir a pressão do paciente.
    QUANDO FAZER? O exame costuma ser feito a partir dos 18 anos — mas deveria ser requisitado ainda na infância. Precisa ser repetido, no mínimo, uma vez por ano.
    POR QUÊ? Detecta alterações na pressão arterial e diagnostica a hipertensão, fator de risco para infartos e derrames.

    HEMOGRAMA
    O QUE É? É o exame de sangue clássico, que registra o estoque de células vermelhas e brancas.
    QUANDO FAZER? É solicitado desde a infância. A menos que haja algum motivo, pode ser refeito anualmente.
    POR QUÊ? Sinaliza o estado do sangue e do sistema imunológico, acusando problemas como infecções.

    COLESTEROL E GLICEMIA
    O QUE SÃO? Testes sanguíneos que avaliam a concentração de gorduras e de açúcar na circulação.
    QUANDO FAZER? Podem ser receitados desde a infância, mas depois dos 18 anos a indicação ganha ainda mais consistência. O prazo para repeti-los varia. Depois dos 40, vale uma picada anual.
    POR QUÊ? Flagram altos níveis de colesterol e triglicérides, que favorecem as placas capazes de obstruir os vasos. Já a medida da glicose acusa a propensão ao diabete.

    ELETROCARDIOGRAMA E TESTE ERGOMÉTRICO
    O QUE SÃO? Ambos se valem de eletrodos sobre o peito para apurar o risco cardiovascular. O primeiro é feito com o paciente deitado e o segundo, em movimento.
    QUANDO FAZER? Podem ser solicitados ainda na casa dos 20 anos e se tornam obrigatórios após os 40 — a partir dessa idade, o repeteco deve ser anual.
    POR QUÊ? Ambos inferem a presença de entupimentos nas artérias, fenômeno que precede ataques cardíacos.

    ECOCARDIOGRAMA
    O QUE É? É o ultrassom do coração.
    QUANDO FAZER? Pode ser receitado na casa dos 20 anos, mas também se torna crucial a partir dos 40. A partir de então, costuma ser refeito anualmente.
    POR QUÊ? O método permite avaliar a capacidade de contração do músculo cardíaco, bem como as válvulas desse órgão, alertando para possíveis disfunções.

    PAPANICOLAU
    O QUE É? O médico raspa células do tecido que reveste o colo do útero. Esse material é analisado no microscópio.
    QUANDO FAZER? No começo da vida sexual da mulher. Deve ser feito anualmente.
    POR QUÊ? Identifica alterações no colo do útero, bem como lesões pelo vírus HPV, que podem abrir caminho para o câncer.

    MAMOGRAFIA
    O QUE É? A mulher é submetida a uma máquina que fornece imagens das glândulas mamárias, o que permite averiguar alterações na região.
    QUANDO FAZER? O exame deve ser feito anualmente a partir dos 40 anos. Se houver casos de câncer na família, a investigação começa mais cedo, por volta dos 30.
    POR QUÊ? O exame é essencial para a detecção precoce do câncer de mama, um dos mais comuns no sexo feminino.

    PSA E TOQUE RETAL
    O QUE SÃO? O primeiro é um marcador sanguíneo de doenças na próstata. O segundo consiste na avaliação da glândula por meio da introdução do dedo do médico no reto do paciente.
    QUANDO FAZER? A partir dos 40 anos, com repetições que podem ser anuais. Se houver casos de câncer na família, os primeiros exames devem ser feitos por volta dos 35.
    POR QUÊ? A combinação dos exames ajuda a diagnosticar em fase curável o câncer de próstata. Também acusa o crescimento anormal da glândula.

    COLONOSCOPIA
    O QUE É? Com um tubo dotado de uma câmera na ponta, o especialista investiga o intestino grosso (cólon e reto).
    QUANDO FAZER? A partir dos 50 anos. A avaliação deve começar mais cedo se houver casos de câncer na família. Dependendo do resultado do primeiro exame, a repetição é feita a cada dez anos.
    POR QUÊ? O método detecta pólipos, alterações que podem se transformar em tumores. É fundamental, portanto, para a prevenção do câncer de cólon.

    DENSITOMETRIA ÓSSEA
    O QUE É? Um exame de imagem que verifica a densidade e a integridade de ossos como a bacia e o fêmur.
    QUANDO FAZER? É recomendado às mulheres a partir dos 65 anos. Se houver menopausa precoce ou osteoporose na família, o rastreamento deve começar mais cedo.
    POR QUÊ? Diagnostica a perda de massa óssea e a osteoporose.

    EXAMES DE FUNDO E PRESSÃO DO OLHO
    O QUE SÃO? O oftalmologista avalia, por meio de aparelhos, a porção mais profunda do globo ocular e a pressão intraocular.
    QUANDO FAZER? Costumam ser realizados em consultas de rotina, mas a investigação se torna de extrema importância a partir dos 50 anos.
    POR QUÊ? Pesquisam males que danificam a visão, como o glaucoma, caracterizado pelo aumento da pressão dentro do olho.

    DOSAGEM DOS HORMÔNIOS DA TIREOIDE
    O QUE É? Exame de sangue que calcula hormônios como o TSH e o T4.
    QUANDO FAZER? É solicitado sobretudo às mulheres, que sofrem mais de distúrbios na glândula. Pode ser prescrito desde a juventude, com periodicidade variável.
    POR QUÊ? Denuncia disfunções como o hipo e o hipertireoidismo, que repercutem no corpo inteiro.

    CHECKUP X INVESTIGAÇÃO
    Os médicos empregam o termo checkup para se referir a exames que avaliam uma condição específica — o estado das mamas ou o perfil de colesterol — antes da presença de sintomas. Mas, quando as queixas já aparecem, estamos falando de investigação diagnóstica — testes são solicitados para descobrir o que anda errado. Um bom exemplo é a endoscopia, prescrita diante de reclamações como queimação e dores de estômago e que rastreia gastrites e refluxos.

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  • 1. Você deveria comer mais ovoNão há melhor símbolo para ilustrar e começar a reportagem do que esse alimento. Por décadas, ele permaneceu à margem daquilo que é considerado um cardápio saudável. A má reputação parecia ter motivo. Afinal, o ovo era encarado como um poço de colesterol. A absolvição veio quando cientistas descobriram um composto especial em sua fórmula: a lecitina. “Trata-se de um emulsificante natural de gordura, que inibe a absorção do colesterol no intestino”, explica Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Com seu retorno triunfal ao menu, uma porção de nutrientes do bem ficou disponível. “Ele é fonte de minerais e proteínas, das quais a albumina é o destaque. Também reúne vitaminas A, D e as do complexo B”, descreve a nutricionista Ana Clara Martins, professora da Universidade Federal de Goiás. Mas atenção: como a gema é rica em colesterol, recomenda-se não exagerar todo dia, especialmente se a dieta já for composta de carne, leite e queijos gordurosos. Três unidades semanais já são um prato cheio para a saúde.

    2. Quem tem doença séria precisa malhar
    “Sob a alegação de que o corpo deveria guardar suas energias, já foi padrão prescrever repouso absoluto em casos como câncer ou infarto”, relata Moisés da Cunha Lima, fisiatra do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. Mas trabalhos científicos ao redor do globo derrubaram essa tese. “Obviamente há restrições e cuidados especiais logo após o diagnóstico, mas manter-se em movimento, hoje, é parte integrante do tratamento de vários males considerados graves”, reforça Jomar Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, em Salvador. Uma das razões para essa quebra de paradigma é que as atividades físicas aplacam as dores, a fadiga, o estresse e a perda de massa muscular, sintomas pra lá de comuns quando um problema sério dá as caras. Aliás, elas são cada vez mais vistas como um remédio eficaz para atuar diretamente nas enfermidades, já que fortificam o sistema imunológico, regulam os batimentos cardíacos, promovem emagrecimento…

    3. Cuidado com o excesso de exames
    Um trabalho americano assinado por nove sociedades médicas avaliou 1 200 indivíduos submetidos a uma bateria de testes e concluiu que, na maioria dos casos, as informações obtidas eram irrelevantes. O problema é que, além de expor as pessoas à radiação nos exames de imagem, pecar pelo excesso atrapalha a busca pelo diagnóstico porque pode desviar o foco inicial da investigação ou gerar resultados falsos positivos – quando acusam uma doença inexistente. “Assim como remédios, os exames têm indicações específicas e contraindicações”, afirma o clínico-geral Nelson Carvalhaes, do laboratório Fleury, na capital paulista. “Conhecer bem o paciente e seu histórico corresponde a 90% do diagnóstico”, diz Paulo Olzon, clínico-geral da Universidade Federal de São Paulo. O excesso não é bom.

    4. Tratar problemas antes de aparecerem
    Pré-diabete, pré-hipertensão… Houve uma época em que, na ausência desses nomes criados para designar um estágio que antecede o problema propriamente dito, o médico esperava o diagnóstico e, só aí, traçava o plano terapêutico. Hoje, as mudanças no estilo de vida e, se necessário, a prescrição de medicamentos são cobradas antes de os exames cravarem os valores da doença em si. “Os pré-diabéticos têm só metade do seu pâncreas produzindo insulina, e os estudos mostram que, entre eles, as taxas de mortalidade são mais altas”, exemplifica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. “Não por menos já receitamos a esses pacientes remédios para melhorar a ação da insulina”, diz.

    5. Veneno dá origem a novos remédios
    Um escorpião que guarda em sua peçonha uma promessa e tanto contra a pressão alta, uma aranha cuja toxina estimula a ereção e outro aracnídeo que tem, em seu veneno, compostos bactericidas. Os bichos citados acima e suas aplicações terapêuticas são objetos de estudo do laboratório da professora Maria Elena de Lima, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais. E dão ideia de como pode ser aproveitada uma exímia fonte de novas drogas: os venenos animais. Tanto no Brasil como lá fora são realizadas pesquisas com esse material oferecido por cobras, insetos e companhia. “Ao analisar os venenos e seu efeito sobre o organismo, conseguimos descobrir outros mecanismos de ação para remédios ou criar fármacos com as substâncias encontradas”, explica Maria Elena. Ainda na década de 1960, um médico brasileiro desvendou, pelo veneno da jararaca, a base para um medicamento que se tornou um dos principais recursos contra a hipertensão. Mas há casos em que a doença resiste a ele. Em breve, porém, um escorpião poderá oferecer o antídoto para driblar o problema.

    6. Limpeza demais prejudica
    Criar o pequeno em ambientes muito limpos propicia uma situação indesejada: o sistema imune da criança fica destreinado para enfrentar germes e, pior, tende a disparar reações alérgicas diante de substâncias inócuas. É o que propõe a “teoria da higiene”, que ganha força com um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Ao deixar ratos – cujas células de defesa são parecidas com as nossas – em um local estéril, observou-se que esses animais apresentavam mais doenças inflamatórias no intestino e nos pulmões do que os largados em habitat normal. Lógico que ninguém defende conviver com a sujeira 24 horas por dia. “Cuidados como lavar as mãos após as brincadeiras devem ser mantidos”, orienta a alergologista Renata Cocco, da Universidade Federal de São Paulo.

    Amizade animal Crescer com um pet em casa é um modo divertido de entrar em contato com micro-organismos e substâncias que ajudam o sistema imune a se desenvolver. Com a vantagem de que essa relação desperta afeto e senso de responsabilidade.

    7. Evite carne grelhada demais
    Não vá pensando que você pode se esbaldar de fritura. A melhor forma de degustar carne ainda é na versão grelhada. Mas no ponto certo. Torrar demais leva à produção de substâncias nocivas – caso das aminas heterocíclicas, apontadas como patrocinadoras de males neurodegenerativos. “O ideal é que não fique nem cru nem muito passado. Ou seja, o cozimento deve ser suficiente para fazer o interior da carne mudar de cor, mas sem apresentar sinais de tempo excessivo no fogo, como aparência queimada, ressecamento e rigidez”, ensina Gilberto Simeone, professor do curso de nutrição da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais.

    8. Vício por comida deve ser tratado
    Embora a compulsão alimentar tenha sido descrita há algumas décadas, só agora passará a integrar o manual que serve de referência internacional para o manejo das desordens psiquiátricas. A condição é marcada por ataques periódicos e recorrentes de gula, com direito a iguarias estranhas. “Entre os obesos que procuram tratamento para o excesso de peso, a prevalência da compulsão é de 30%”, conta o psiquiatra Adriano Segal, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse quadro requer orientação especializada. “Podemos indicar sessões de terapia cognitivo-comportamental e receitar remédios como inibidores de apetite e antidepressivos”, esclarece Segal.

    9. Todo mundo tem que consumir gordura
    O nutriente tão censurado em regimes da moda deve, sim, fazer parte da dieta. Com bom senso, é claro. O primeiro passo para um consumo inteligente é entender que há mais de uma versão de gordura dando sopa por aí e cada uma merece seu espaço no dia a dia (confira no slideshow abaixo). A mono e a poli-insaturada, por exemplo, têm prioridade. “A primeira evita a formação de placas nos vasos e, por isso, auxilia a prevenir complicações cardiovasculares”, informa a nutricionista Samantha Rhein, professora do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo. “Já a segunda combate inflamações, melhora o controle da pressão e contribui para a integridade do sistema nervoso.” A saturada demanda mais controle. “Em excesso, ela coloca o coração em risco”, avisa Ana Paula Chacra, cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo. O perigo maior mora na trans – aquela dos alimentos industrializados. É que, além de elevar os níveis do colesterol ruim (LDL), ela derruba os do bom (HDL). Esta é melhor esquecer.

    Ômegas em desequilíbrio Das poli-insaturadas, duas versões sobressaem: o ômega-3, dos peixes de água fria, e o ômega-6, dos óleos vegetais. O problema é que consumimos muito mais o tipo 6. “Essa desproporção pode potencializar os riscos cardiovasculares”, avisa a nutricionista Samantha Rhein.

    10. Videogame pode ser saudável
    Os novos consoles exigem do jogador muito movimento e preparo físico. Se antes era necessário deslocar somente os dedos, sentado confortavelmente no sofá, agora o desafio é superar os obstáculos do jogo remexendo o esqueleto. E isso, para começar, resulta num belo gasto de calorias. “Ao se exercitar com o videogame em intensidade moderada por um tempo prolongado, já é possível melhorar o condicionamento”, atesta o cardiologista Daniel Kopiler, chefe do Serviço de Reabilitação Cardíaca do Instituto Nacional de Cardiologia. Se os golpes, corridas e danças virtuais ainda não substituem em 100% os esportes tradicionais, no mínimo afastam o sedentarismo e promovem bem-estar, sobretudo para os idosos. “Os games aperfeiçoam o caminhar e o equilíbrio em pessoas com idade avançada”, confirma o geriatra Virgílio Garcia Moreira, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, eles já são usados inclusive como ferramenta na recuperação de pacientes que sofreram baques como um derrame.

    11. Exercício em excesso faz mal
    A resistência dos triatletas passa a ideia de que eles são extremamente saudáveis. Mas na Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, pesquisadores avaliaram o sistema imunológico desses atletas e, depois, compararam-no com o de idosas que faziam atividades físicas leves. “Acredite se quiser: as defesas das senhoras estavam mais preparadas para combater infecções do que as dos esportistas”, revela a educadora física Tânia Pithon-Curi, que coordenou o trabalho. E isso é apenas um exemplo. Se suar a camisa moderadamente traz benesses dos pés à cabeça, o exagero é um tiro pela culatra, como você verá na tabela à direita. “Daí a importância de buscar profissionais que tracem os limites segundo as características do indivíduo”, salienta Jomar Souza.

    12. Parto normal depois da cesárea
    As mães de segunda viagem podem escolher o parto natural mesmo que o primogênito tenha nascido de cesariana. O grande temor, há alguns anos, era o rompimento da cicatriz uterina do primeiro procedimento. “Mas agora sabemos que é possível fazer um parto normal, com anestesia, dois anos depois da cesárea”, esclarece o obstetra Luiz Fernando Leite, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. É por meio de uma conversa com o médico que fica definido se o bebê pode vir ao mundo sem cirurgia. “Tudo deve ser acompanhado de perto no hospital, que está munido dos equipamentos necessários para possíveis emergências”, ressalta a obstetra Márcia Maria da Costa, do Hospital e Maternidade São Luiz, na capital paulista.

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  • Entram em vigor nesta segunda-feira (7) as novas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar que ampliam o número de exames e procedimentos que os planos de saúde são obrigados a cobrir.

    As mudanças devem beneficiar cerca de 44 milhões de brasileiros que contrataram planos de saúde a partir de primeiro de janeiro de 1999.

    Entre os 70 novos procedimentos que os planos serão obrigados a cobrir, 16 são da área odontológica, como a colocação de coroas e blocos. Outros 54 são avanços da medicina, como as cirurgias menos traumáticas feitas com auxílio do vídeo, o transplante de medula e exames genéticos e de imagem. O pet scan, que ajuda a visualizar tumores e outras doenças, é um deles. O exame custa cerca de R$ 3,5 mil, valor que muitos planos não cobrem.

    Novos procedimentos incluídos na cobertura mínima dos planos de saúde

    Medidas terão validade a partir de 7 de junho

    VIDEOCIRURGIAS

    26 novas cirurgias por vídeo no tórax (procedimento menos invasivo porque não exige a abertura da caixa torácica)

    EXAMES LABORATORIAS

    17 novos exames laboratorias, como o anti-GAD (para diabetes) e exames para avaliação de imunodeficiências primárias

    EXAMES GENÉTICOS

    Novos exames para tratamento de alterações cromossômicas em leucemias

    AMPLIAÇÃO DE CONSULTAS

    Aumento da cobertura de consultas anuais com profissionais de saúde (conforme diretrizes de utilização):
    -Fonoaudiólogo: de 6 para até 14
    -Nutricionista: de 6 para até 12
    -Terapeuta ocupacional: de 6 para até 12
    -Psicólogo: de 12 para até 40

    EXAMES PREVENTIVOS

    Teste do olhinho (para recém-nascidos) e teste rápido de HIV em gestantes

    TRANSPLANTE

    Transplante de medula óssea, em tratamentos de leucemias e outras doenças hematológicas.

    SAÚDE MENTAL

    Atendimento ilimitado em hospital-dia, como alternativa à internação hospitalar

    ODONTOLOGIA

    Entre os 16 novos procedimentos em tratamentos odontológicos, passam a ser incluídas as coberturas de colocação de coroa e bloco

    DOENÇA CARDIACA

    Implante do marcapasso multissítio, usado no tratamento de insuficiência cardíaca refratária

    CÂNCER

    Exame PET-Scan oncológico, indicado em alguns casos de câncer pulmonar e linfomas

    OXIGENAÇÃO HIPERBÁRICA

    Tratamento de doenças como gangrenas, algumas intoxicações e lesões traumáticas, nas quais um maior aporte de oxigênio é benéfico

    “É uma espécie de ressonância mais sofisticada, que pega o câncer e a metástase do pulmão mais no início. Atualmente, é preciso ir para cirurgia exploratória”, explica Henrique Oti Shinomata, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Seguro.

    O transplante de medula feito por doação de outra pessoa viva também passará a ser coberto pelos pacotes de referência dos planos. A principal indicação deste transplante é para o tratamento de leucemia.

    “Também terão as vídeolaparoscopias no tórax. Antes tinha que abrir o paciente, e a recuperação é muito custosa e dolorida”, diz o especialista.

    As novas regras também aumentam o número de consultas de especialistas como psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas que os planos de saúde terão que cobrir. O número de sessões varia de 12 a 24 dependendo da doença e da especialidade. No caso dos psicólogos, elas podem chegar a 40, desde que indicadas por um psiquiatra.

    “Antes havia um limite de 180 dias em hospital dia. Não terá mais essa limitação, então não interrompe o tratamento e evita uma crise”, diz Shinomata.

    Custo
    A Agência Nacional de Saúde Suplementar deve divulgar semana que vem o reajuste anual dos planos de saúde, previsto por lei. Mas o impacto dos novos procedimentos no valor das mensalidades só será avaliado pela ANS no ano que vem.

    A expectativa da agência é que as novas coberturas encareçam os planos em cerca de 1%. Já as seguradoras esperam altas maiores.

    “Pode acontecer de ser bem mais [o aumento], e aí [os consumidores] vão ter que arcar com esses custos maiores. Mas quem utilizou vai agradecer muito, vai evitar uma cirurgia, ter que passar por uma quimioterapia que não esteja fazendo efeito” diz Shinomata.

    Fonte G1

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