• foto-imagem-esmalte-sem-riscose uns tempos para cá, ele deixou de ser um mero cosmético para ganhar status de acessório, tornando-se tão importante quanto uma bolsa ou um sapato na composição do visual. O boom dessa tendência gerou, é claro, uma enxurrada de novos vidrinhos, com cores das mais variadas, além de estilos diferentes de pintura. Como resultado, as mulheres passaram a trocar de esmalte como quem troca de roupa íntima. O hábito, não há dúvidas, faz um bem danado para a autoestima. Mas será que o corpo sai ileso?Ressecamento e alergia

    Segundo a dermatologista Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pincelar o produto todas as semanas e, consequentemente, abusar da acetona ou de outro removedor pode ressecar as unhas, deixando-as esbranquiçadas e causando sua descamação. Mas isso não é regra. “A principal questão não diz respeito ao número de vezes que o cosmético é utilizado, e sim se ele é capaz de desencadear reações alérgicas”, pondera Denise.

    O quadro, diga-se de passagem, não é raro. “Aproximadamente 10% da população tem alergia a esmaltes”, conta a dermatologista Solange Pistori Teixeira, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Na maioria dos casos, ela está associada a um solvente chamado tolueno, responsável por acelerar a secagem. O formaldeído, substância que ajuda a conferir aderência e durabilidade ao produto, é outro que está por trás de reações. As mais importantes são vermelhidão e coceira nos dedos e nas áreas que sofreram contato, como mãos, rosto, pescoço e orelhas – enfim, onde você mais costuma passar as mãos. “A alergia pode aparecer em qualquer idade”, faz questão de lembrar o dermatologista Beni Grinblat, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    As substâncias comumente identificadas como estopins de quadros alérgicos são consideradas tóxicas e, por isso, a inclusão na fórmula é restrita nos Estados Unidos, em países da Europa e também no Brasil. Vale lembrar que uma delas, chamada dibutilftalato, também foi tachada como potencialmente cancerígena. “Esses testes foram realizados com animais e em concentrações elevadas. Aqui, as empresas têm respeitado a legislação”, assegura Josineire Sallum, gerente-geral de cosméticos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. “Quando isso não acontece, impedimos a comercialização do produto.”

    Removedor X acetona

    Já quando o assunto são unhas frágeis, a tática é ficar mais tempo com o mesmo esmalte. Isso porque o uso constante de itens para extrair o cosmético pode provocar esse estado de fraqueza generalizada. “Trata-se de produtos que têm a capacidade de penetrar na unha e dissolver estruturas que lhe conferem maleabilidade. Ela, então, se torna porosa, áspera e menos flexível”, explica o farmacêutico e especialista em cosmetologia Maurício Pupo, da Consulfarma, em Campinas, no interior de São Paulo.

    Como não dá para ficar eternamente com um único esmalte – a unha cresce, a cor desbota, alguns trechos lascam, a gente enjoa… –, uma estratégia para minimizar os estragos é optar pelo removedor. “Ele é menos prejudicial porque tem componentes hidratantes em sua composição, além de apresentar um pH mais compatível com o da pele”, comenta Denise Steiner. Bem mais agressiva, a acetona resseca a pele e as unhas. “Sem contar que o cheiro forte do líquido pode irritar as vias aéreas superiores”, completa.

    Para as adeptas do péssimo costume de retirar o cosmético com os dentes, recorrendo ao removedor só para eliminar os fragmentos mais teimosos, fica o alerta: tal comportamento tende a causar danos como manchas brancas, depressões e até estrias.

    De olho em doenças

    Mas, se nenhum desses cuidados não contribuir para unhas mais firmes e bonitas, o melhor a fazer é investigar outras possíveis causas para tamanha debilidade. “Deve-se considerar quadros como hipotireoidismo e anemia, além de outras carências nutricionais”, informa a dermatologista Adriana Vilarinho, de São Paulo.

    Crianças e gestantes

    Nas crianças, o ideal seria passar um esmalte à base de água, porque não contém solventes. Para as futuras mães, o recomendado é dar um tempo na manicure durante os primeiros três meses de gestação. Mesmo depois desse período, um pouco de cautela é mais do que bem-vindo. Seria interessante usar uma máscara no momento das pinceladas por causa dos solventes. Depois que eles evaporam e o produto seca, não há problemas. Ao menor sinal de complicações, procurar um especialista é imprescindível – um recado válido para todos.

    Na hora de escolher

    Se tiver uma coleção de esmaltes ou visitar o salão de beleza com frequência, preste atenção no prazo de validade informado no vidro. “A segurança do produto é garantida até essa data. Se estiver vencido, jogue fora”, aconselha Josineire Sallum, da Anvisa. Caso a cor não esteja homogênea, não arrisque: muitas vezes é sinal de que alguma substância foi acrescentada ali.

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  • foto-imagem-unhasRegras de conduta do National Health Service (o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha, NHS na sigla em inglês) estabelecem que as unhas dos profissionais de saúde devem ser curtas e livre de esmalte.

    Mas uma pesquisa online com quase 500 estudantes de enfermagem demonstrou que 60% dos entrevistados se referem ao uso de unhas alongadas e esmalte como práticas comuns entre os funcionários da saúde.

    O Royal College of Nursing, entidade que representa a categoria em toda a Grã-Bretanha, disse que o resultado da pesquisa é “preocupante”.

    Resultado
    O estudo com os estudantes de enfermagem foi feito pelas universidades de Cardiff e London City.

    Ao todo, cada um dos 488 estudantes que participaram da pesquisa disseram ter visto pelo menos um lapso nas regras de controle de infecção feito por funcionários da área da saúde.

    Outros problemas reportados foram a falha em lavar as as mãos e cuidados com a saúde das unhas.

    Os pesquisadores, que divulgaram o resultado na publicação científica American Journal of Infection Control, afirmaram que o estudo demonstrou que falhas nos procedimentos de controle de infecção estão por toda a parte.

    “As unhas devem ser curtas e livre de esmalte. Unhas falsas não devem ser utilizadas. Esmalte e unhas postiças acumulam bactéria e não permitem uma boa higiene das mãos”, ressalta Tom Sandford, membro do Royal College of Nursing.

    “Organizações de saúde deveriam estabelecer claramente as regras sobre o uso de uniformes e acessórios para o trabalho e suas implicações no controle da infecção e segurança da saúde”, adiciona Sandford.

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