• Boa parte da população mundial sofre com dores. Sentir dor é um alerta natural, um aviso de que algo não vai bem no nosso corpo. Em algumas situações, porém, essa manifestação se torna persistente, comprometendo a qualidade de vida. De forma resumida, podemos dizer que a dor aguda, consequência de um trauma ou doença, é aquela que dura menos de três meses. Quando o sintoma supera esse tempo transforma-se em dor crônica. Aí, a dor deixa de ser sinal e vira, ela mesma, problema, prejudicando o trabalho, as atividades diárias, a independência e a vida familiar e afetiva.

    Infelizmente, podemos dizer que a dor no Brasil ainda é subtratada. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor traz dados alarmantes sobre a situação em nosso país. Ela indica que 37% da população sofre de dor crônica — a média mundial é 35%. Holanda, Japão, Austrália e Canadá, para citar algumas nações, ficam em torno de 20%. As dores mais recorrentes aqui são nas costas (as lombalgias), de cabeça e aquela relacionada ao câncer.

    O trabalho mostra ainda o índice de brasileiros que enfrentam a dor por região: 36% no Norte, 28% no Nordeste, 24% no Centro-Oeste, 38% no Sudeste e 42% no Sul.

    Em meio a esse cenário, em que muitas pessoas ficam desassistidas, existe a possibilidade de explorarmos ainda mais o potencial das chamadas práticas integrativas e complementares a fim de controlar ou minimizar as dores. Falamos de técnicas que visam reequilibrar corpo e mente do indivíduo, suavizar sintomas e devolver qualidade de vida.

    No contexto da dor, entre diversas abordagens, vou me concentrar aqui nos efeitos e nas aplicações da massagem terapêutica, que pode ser definida como a manipulação manual dos tecidos moles do corpo para aprimorar a saúde e o bem-estar em geral.

    A massagem terapêutica não deve ser confundida com uma massagem relaxante comum. A ideia, nesse caso, é realizar movimentos que afetam positivamente o organismo, promovendo relaxamento muscular, melhorando a circulação local, reduzindo o estresse e criando uma sensação de conforto.

    Existem pesquisas com essa terapia em pelo menos seis tipos de dor. Vamos resumir os achados e os benefícios na prática.

    1. Dor lombar: o desconforto nas costas é a queixa mais comum da população mundial. Já existem evidências de que a massagem terapêutica não só diminui a dor no local, mas também reduz a incapacidade decorrente dela e alivia a ansiedade e a depressão entre quem tem o problema.

    2. Fibromialgia: trabalhos científicos indicam que a terapia com massagem pode integrar o tratamento dessa síndrome, marcada por dores espalhadas pelo corpo. Além de reduzir a dor em si, observa-se a diminuição de fadiga e rigidez, bem como ganhos ao bem-estar mental.

    3. Dor pós-operatória: esse tipo de incômodo após uma cirurgia pode complicar a recuperação, prolongar a permanência no hospital e ainda interferir no retorno do paciente às atividades do cotidiano. Já temos bons indícios de que a massagem terapêutica diminui a intensidade e a frequência da dor nessas circunstâncias.

    4. Dor de cabeça: a massagem se destina particularmente às dores do tipo tensional, consideradas, de acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos, a versão mais prevalente. Estudos revelam que essa abordagem minimiza a percepção, a frequência, a duração e a intensidade da dor.

    5. Artrite e artrose: pesquisas apontam que sessões de uma hora de massagem sueca (uma das variações da massagem terapêutica) uma vez por semana trazem melhoras significativas a pessoas com o desgaste no joelho. Também existem testes bem-sucedidos com pacientes enfrentando artrite reumatoide, distúrbio autoimune que afeta as juntas. A massagem melhora a mobilidade e a dor nos membros.

    6. Dor no câncer: a massagem terapêutica é vista de forma promissora no controle da dor, da fadiga e da ansiedade em pessoas com câncer. A conclusão vem de uma meta-análise — uma extensa revisão de estudos — conduzida pelo Instituto Samueli, nos Estados Unidos, com o suporte da Associação Americana de Massagem Terapêutica. Os dados disponíveis atualmente mostram que a dor no câncer é altamente comum: em alguns tipos da doença, mais da metade dos pacientes avaliados tem esse sintoma. Dessa forma, precisamos pensar em maneiras de tratar a dor e angariar mais qualidade de vida durante o tratamento oncológico.

    Podíamos ficar um bom tempo discutindo os resultados de novos estudos com o uso da massagem para tratar a dor. O ponto em comum, refletido em um experimento com enfermeiras que recebiam massagem em sua jornada de trabalho, é que há uma melhora tanto em parâmetros como estresse, insônia e fadiga, como também em sintomas físicos como tensão e dor na cabeça, nos ombros…

    Dentro do conceito atual de tratar de forma cada vez mais integrada o paciente, devemos prestar atenção nas descobertas da ciência e pensar em alocar melhor recursos tendo em vista o bem-estar do indivíduo. Nesse sentido, a manipulação do corpo, em paralelo a um trabalho com as condições emocionais, soma pontos valiosos à recuperação e à manutenção da qualidade de vida.

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  • Um tiro certeiro — e sustentado — contra duas doenças que comprometem as juntas e a qualidade de vida. Eis o feito de um anticorpo monoclonal que foi destaque no último Congresso Europeu de Reumatologia. No encontro recém-ocorrido em Madri, na Espanha, cientistas apresentaram os resultados de estudos de acompanhamento com o medicamento secuquinumabe em pessoas com espondilite anquilosante e artrite psoriática, problemas que, em comum, são marcados por uma inflamação crônica em algumas articulações.

    Vamos por partes.

    Anticorpos monoclonais como o secuquinumabe, do laboratório Novartis, são medicações injetáveis que funcionam como uma espécie de míssil teleguiado dentro do organismo. Eles miram e inativam uma substância específica, normalmente crucial ao processo inflamatório que fustiga alguma redondeza do corpo. Nesse caso, o secuquinumabe busca neutralizar uma interleucina, a IL-17A, peça-chave na inflamação que acomete as articulações tanto na espondilite anquilosante como na artrite psoriática.

    Um dos estudos apresentados no congresso da Liga Europeia de Reumatismo seguiu 290 pessoas com espondilite anquilosante por três anos e constatou sua capacidade de controlar típicas manifestações da doença, que afeta sobretudo a coluna e leva a dor, rigidez e deformação na região. Os médicos comprovaram que o anticorpo monoclonal melhorou os quadros dolorosos à noite, a flexibilidade (principalmente no período da manhã) e a habilidade de realizar tarefas no dia a dia.

    No braço de pesquisas direcionadas a pacientes com artrite psoriática, condição que afeta ao redor de 7% das pessoas com psoríase — doença inflamatória da pele marcada pela formação de placas avermelhadas —, o mesmo remédio conseguiu aliviar a dor em três semanas de uso. No acompanhamento por três anos com mais de 400 voluntários, os indivíduos tratados também apresentaram melhoras como a redução do inchaço nas articulações. A artrite psoriática pode afligir tanto as juntas nas extremidades do corpo como trechos da coluna.

    A boa notícia para os brasileiros com esses problemas é que o secuquinumabe já está liberado para uso em ambas as condições no país. A mesma medicação também tem aval para ajudar em casos moderados e graves de psoríase.

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  • A dor nas costas é uma das doenças mais frequentes na população mundial. Estima-se que 80% das pessoas sofrerão de algum tipo de dor nas costas durante a vida. Ela normalmente atinge a região inferior das costas, denominando-se lombalgia, mas também pode acometer a região cervical e torácica.

    No Brasil, cerca de 36% da população sofre de dor nas costas. Ela é mais comum após os 40 anos, mas pode atingir qualquer indivíduo em qualquer idade, sendo rara na infância. São inúmeras as causas de dores nas costas podendo ser desde desvios posturais, exercícios mal executados, problemas musculares e em nervos e até mesmo metástase óssea de alguns tumores.

    Alguns grupos de risco para dores nas costas são: mulheres, idosos, obesos, sedentários e fumantes. Os sintomas são claros e caracterizam-se por dores nas regiões das costas, podendo ter redução da flexibilidade e rigidez da coluna. Normalmente o diagnóstico é simples, feito diretamente pelo médico. Entretanto, em alguns casos, o profissional da saúde pode requerer exames mais específicos para investigar a fundo as causas das dores.

    As dores nas costas podem reduzir as atividades diárias do paciente, sendo constantemente uma das causas de reclassificação profissional.

    Os tratamentos podem ser feitos à base de medicamentos (como antiinflamatórios, corticóides, miorrelaxantes e opióides), fisioterapia e exercicios físicos, cirurgia ou tratamentos alternativos. Plantas como o salgueiro-branco e a arnica e também a homeopatia são indicadas.

    É importante que o paciente controle sempre o seu peso, mantenha uma boa postura, evite fumar, tenha hábitos saudáveis de vida e pratique esportes. Essas medidas auxiliam no tratamento e previnem o aparecimento de novas dores.

    Sintomas


    Os sintomas da dor nas costas são em geral:

    Dores musculares na região das costas

    Rigidez da coluna

    Dor persistente após um longo período levantado ou sentado, após execução de exercício físico ou manipulação de cargas pesadas

    Flexibilidade reduzida

    Incapacidade de manter a coluna reta

    Sensação de “estalo” nas costas

    Em alguns casos, dor nas costas pode se irradiar para outras regiões, como coxas e pernas. Nessa situação, a causa mais comum é compressão do nervo que pode estar associada à hérnia de disco.

    Os sintomas da dor nas costas podem ser agudos (presente por menos de 4-6 semanas) ou crônicos (superior a 6 semanas). As dores crônicas são mais raras e, nesses casos, um médico deve ser consultado.

    Causas

    A dor nas costas é uma doença complexa da qual ainda desconhecemos todas as causas. Há inúmeros fatores que podem desencadear essas os sintomas:

    – Problemas musculares (por exemplo, contratura muscular, estiramento de músculos)

    – Má posição ou erros de postura do dia-a-dia

    – Desvios posturais, como lordose cervical, lordose lombar e cifose dorsal

    – Falsos movimentos

    – Problemas psicológicos como o estresse ou um choque psicológico

    – Osteoporose

    – Artose (na região da cartilagem)

    – Artrite

    – Gravidez (por causa do ganho de peso)

    – Lesões de disco intervertebral

    – Metástase (em caso de câncer)

    – Obesidade e sedentarismo

    – Quedas, acidentes e fraturas

    – Problemas congênitos, como escolioses

    – Irregularidades na composição na estrutura da coluna

    – Exercícios físicos mal feitos

    – Hérnia de disco

    Uma condição particularmente rara, mas que merece atenção, é a chamada “Síndrome da Cauda Equina”. Essa é uma condição neurológica que afeta nervos que enviam informações para as regiões inferiores do corpo (região lombar e pernas) e pode estar relacionada com dor nas costas. Além disso, infecções da coluna espinhal, embora raras também, podem gerar dor, normalmente acompanhada de febre.

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