• Boa parte da população mundial sofre com dores. Sentir dor é um alerta natural, um aviso de que algo não vai bem no nosso corpo. Em algumas situações, porém, essa manifestação se torna persistente, comprometendo a qualidade de vida. De forma resumida, podemos dizer que a dor aguda, consequência de um trauma ou doença, é aquela que dura menos de três meses. Quando o sintoma supera esse tempo transforma-se em dor crônica. Aí, a dor deixa de ser sinal e vira, ela mesma, problema, prejudicando o trabalho, as atividades diárias, a independência e a vida familiar e afetiva.

    Infelizmente, podemos dizer que a dor no Brasil ainda é subtratada. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor traz dados alarmantes sobre a situação em nosso país. Ela indica que 37% da população sofre de dor crônica — a média mundial é 35%. Holanda, Japão, Austrália e Canadá, para citar algumas nações, ficam em torno de 20%. As dores mais recorrentes aqui são nas costas (as lombalgias), de cabeça e aquela relacionada ao câncer.

    O trabalho mostra ainda o índice de brasileiros que enfrentam a dor por região: 36% no Norte, 28% no Nordeste, 24% no Centro-Oeste, 38% no Sudeste e 42% no Sul.

    Em meio a esse cenário, em que muitas pessoas ficam desassistidas, existe a possibilidade de explorarmos ainda mais o potencial das chamadas práticas integrativas e complementares a fim de controlar ou minimizar as dores. Falamos de técnicas que visam reequilibrar corpo e mente do indivíduo, suavizar sintomas e devolver qualidade de vida.

    No contexto da dor, entre diversas abordagens, vou me concentrar aqui nos efeitos e nas aplicações da massagem terapêutica, que pode ser definida como a manipulação manual dos tecidos moles do corpo para aprimorar a saúde e o bem-estar em geral.

    A massagem terapêutica não deve ser confundida com uma massagem relaxante comum. A ideia, nesse caso, é realizar movimentos que afetam positivamente o organismo, promovendo relaxamento muscular, melhorando a circulação local, reduzindo o estresse e criando uma sensação de conforto.

    Existem pesquisas com essa terapia em pelo menos seis tipos de dor. Vamos resumir os achados e os benefícios na prática.

    1. Dor lombar: o desconforto nas costas é a queixa mais comum da população mundial. Já existem evidências de que a massagem terapêutica não só diminui a dor no local, mas também reduz a incapacidade decorrente dela e alivia a ansiedade e a depressão entre quem tem o problema.

    2. Fibromialgia: trabalhos científicos indicam que a terapia com massagem pode integrar o tratamento dessa síndrome, marcada por dores espalhadas pelo corpo. Além de reduzir a dor em si, observa-se a diminuição de fadiga e rigidez, bem como ganhos ao bem-estar mental.

    3. Dor pós-operatória: esse tipo de incômodo após uma cirurgia pode complicar a recuperação, prolongar a permanência no hospital e ainda interferir no retorno do paciente às atividades do cotidiano. Já temos bons indícios de que a massagem terapêutica diminui a intensidade e a frequência da dor nessas circunstâncias.

    4. Dor de cabeça: a massagem se destina particularmente às dores do tipo tensional, consideradas, de acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos, a versão mais prevalente. Estudos revelam que essa abordagem minimiza a percepção, a frequência, a duração e a intensidade da dor.

    5. Artrite e artrose: pesquisas apontam que sessões de uma hora de massagem sueca (uma das variações da massagem terapêutica) uma vez por semana trazem melhoras significativas a pessoas com o desgaste no joelho. Também existem testes bem-sucedidos com pacientes enfrentando artrite reumatoide, distúrbio autoimune que afeta as juntas. A massagem melhora a mobilidade e a dor nos membros.

    6. Dor no câncer: a massagem terapêutica é vista de forma promissora no controle da dor, da fadiga e da ansiedade em pessoas com câncer. A conclusão vem de uma meta-análise — uma extensa revisão de estudos — conduzida pelo Instituto Samueli, nos Estados Unidos, com o suporte da Associação Americana de Massagem Terapêutica. Os dados disponíveis atualmente mostram que a dor no câncer é altamente comum: em alguns tipos da doença, mais da metade dos pacientes avaliados tem esse sintoma. Dessa forma, precisamos pensar em maneiras de tratar a dor e angariar mais qualidade de vida durante o tratamento oncológico.

    Podíamos ficar um bom tempo discutindo os resultados de novos estudos com o uso da massagem para tratar a dor. O ponto em comum, refletido em um experimento com enfermeiras que recebiam massagem em sua jornada de trabalho, é que há uma melhora tanto em parâmetros como estresse, insônia e fadiga, como também em sintomas físicos como tensão e dor na cabeça, nos ombros…

    Dentro do conceito atual de tratar de forma cada vez mais integrada o paciente, devemos prestar atenção nas descobertas da ciência e pensar em alocar melhor recursos tendo em vista o bem-estar do indivíduo. Nesse sentido, a manipulação do corpo, em paralelo a um trabalho com as condições emocionais, soma pontos valiosos à recuperação e à manutenção da qualidade de vida.

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    Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns das pessoas, em todos os tempos de todas as eras da história humana. Tão comum que serve até de “desculpa” quando não se tem vontade de executar uma tarefa ou ir a algum lugar. Mais ou menos assim: a dor de cabeça, quando verdadeira, imobiliza a vida. A cabeça que dói impede que qualquer atividade seja realizada com lucidez, bom humor e tranquilidade. Por isso todos a entendem e respeitam.

    A dor de cabeça é um sintoma ou um sinal de que algo não está bem. Há um desequilíbrio orgânico que a justifica e que precisa ser descoberto. Um analgésico pode tirar temporariamente a sensação dolorosa, mas se a causa persistir e não for combatida, a dor certamente voltará.

    Há vários tipos e intensidades de dores de cabeça. Nenhuma é igual à outra. Há as que são contínuas, as pulsáteis, as que incidem na cabeça inteira, as que acometem só um lado, ou só a testa, e as que são acompanhadas de outros sinais e sintomas. Todas têm a peculiaridade de possuírem tons e gradações que vão desde dores mais leves até as mais intensas, que inabilitam a pessoa por um ou mais dias. Assim é que, para elucidar a causa, o médico deve entender todas as características da dor.

    A sinusite, nestes tempos invernais, pode, sim, ser uma das razões que explicam a quantidade de pessoas que tem se queixado de dor de cabeça.

    O ar mais frio, seco, poluído e a aglomeração de pessoas em locais fechados facilitam a exposição e o contágio por agentes infecciosos que, uma vez inalados, podem desencadear quadros como o da sinusite em pessoas mais predispostas. A sinusite aguda é uma infecção de uma região da cabeça chamada seios da face. Os seios da face compreendem a região da “maçã” do rosto, ao lado do nariz e a testa. As secreções contaminadas penetram nestes seios levando a uma intensa reação inflamatória e infecciosa. Resultado: secreções aumentadas e infectadas, congestão, mal estar, tosse, principalmente noturna, dores pelo corpo e… dor de cabeça.

    A dor de cabeça da sinusite tem características específicas: geralmente é pulsátil, sendo que piora e pulsa mais quando abaixamos ou mexemos a cabeça de um lado para o outro. Os locais mais doloridos são a testa ou a região das “maçãs” da face. Muitas pessoas até acham que estão com dor de ouvido ou dor de dente. Confunde mesmo. Pode acontecer durante o dia e/ou à noite, e piora com a tosse ou com os espirros. Geralmente não há aura ou enjoos associados. O nariz fica tapado, dificultando a respiração, a tosse tem catarro e muitas vezes aparece uma ou duas horas depois que se deita.

    O diagnóstico pode ser feito com base na história clínica e no exame físico do paciente. Se o médico quiser, no entanto, pode solicitar exames de imagem. Saliente-se que o conhecido e popular raio X de seios da face pode não ser o procedimento de escolha para crianças, uma vez que a aeração completa dos seios da face só acontece após os 7 anos de idade. Além disso, qualquer gripe ou resfriado com sinais de congestão podem levar a um resultado positivo, o que nem sempre significa sinusite. Por esta razão, muitas pessoas que supõem ter sinusites de repetição tem, na verdade, outras causas para a dor frequente de cabeça como, por exemplo, uma crise de enxaqueca.

    Fique atento: sinusite pode dar dor de cabeça, mas nem toda dor de cabeça é sinusite!

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  • foto-imagem-dor-de-cabeçaSão vários os cenários que podem disparar um episódio de enxaqueca. Em algumas pessoas, basta uma noite de insônia para o cérebro pulsar dolorosamente e o estômago embrulhar. Outros começam a sentir os incômodos (e a sofrer com qualquer fontes de luz ou de som) ao beber um cálice de vinho. Ainda bem que os profissionais de saúde vêm encontrando formas de tornar as vítimas desse problema mais resistentes a esses e outros gatilhos. E elas não se restringem a fármacos e novas tecnologias, como indica uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).Nela, 30 voluntários com enxaqueca crônica – que enfrentam o tormento pelo menos 15 dias por mês – passaram a caminhar por 40 minutos, três vezes na semana, além de receberem medicamentos. Já outros 30 pacientes ficaram apenas tomando remédios. Após três meses, a turma sedentária, só de aderir ao tratamento, cortou o número de dias com dor pela metade. Entretanto, o pessoal que deixou a preguiça de lado reduziu a quantidade de crises em mais de quatro vezes.

    Analgésico natural

    “O exercício torna o cérebro menos predisposto à dor”, sintetiza Thais Rodrigues Villa, orientadora do estudo e neurologista do Ambulatório de Investigação e Tratamento de Dor de Cabeça da Unifesp. Segundo ela, suar a camisa ajudaria a equilibrar a produção de neurotransmissores como a endorfina na massa cinzenta dos enxaquecosos. E essa substância, além de promover a sensação de relaxamento, atua como um analgésico natural. Tem mais: as práticas esportivas fazem o organismo liberar óxido nítrico, uma molécula que evita variações no calibre das artérias. Mas o que isso tem a ver com enxaqueca? Ora, as chateações típicas do quadro também estão associadas a mudanças súbitas na pressão dos vasos que irrigam a cachola.

    Menos ansiedade

    “Os participantes ativos ainda relataram, ao término da pesquisa, uma melhora nos quadros de ansiedade e depressão”, conta a fisioterapeuta Michelle Dias Santos Santiago, autora do trabalho. Aliás, isso também ajuda a explicar o potencial da caminhada contra a enxaqueca. Vamos de passo em passo. Se por um lado pontadas constantes deixam a vida mais sombria, por outra a tristeza profunda baixa a capacidade de resistirmos a incômodos. “É comum os deprimidos terem, como consequência, enxaqueca”, crava o psiquiatra Marcos Gebara, diretor da Regional Sudeste da Associação Brasileita de Psiquiatria. Acontece que os exercícios diminuem o risco de a melancolia se instalar pra valer – logo, indiretamente nos protegem das cefaleias.

    O elo com a obesidade

    A investigação de Michelle trouxe outro achado que, embora óbvio a princípio, merece ser comentado: os sujeitos que largaram o sedentarismo emagreceram. E, acredite se quiser, há indícios de que a obesidade agrava os casos de enxaqueca. Um deles vem da Universidade de Perúgia, na Itália, onde o neurologista Alberto Verrotti revisou uma série de experimentos ao redor do mundo antes de chegar à conclusão de que a frequência e a intensidade das crises tendem a aumentar conforme o índice de massa corporal (IMC) cresce. Apesar de não se conhecer a razão desse elo – talvez a inflamação decorrente do excesso de banha desregule o cérebro a ponto de fazê-lo reclamar – , Verrotti escreve no artigo que “os médicos deveriam dar atenção à perda de peso […] e estimular mudanças de estilo de vida diante da enxaqueca”.

    Da genética para o cotidiano

    “O fato de o estudo da Unifesp ter sido feito no Brasil valoriza suas descobertas”, avalia a neurologista Norma Fleming, do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. É que, como a enxaqueca tem causas genéticas, a transposição dos resultados para a nossa população se torna mais confiável – ou seja, a atividade física deve mesmo amansar a vida dos brasileiros com o problema. Porém, não dá pra se exercitarem de qualquer jeito. Michelle ressalta que é contraindicado se mexer com sol forte, durante as crises ou sem orientação. E esses pontos valem para outros tipos de cefaleia.

    Mas, ok, também existe dor de cabeça que é estimulada pelo esforço físico. O que fazer nesse caso? Aí, é preciso buscar especialistas para corrigir movimentos e posturas, acertar na intensidade… “Uma ótima recomendação é não desistir de se exercitar”, afirma Abouch Krymchantowski, neurologista e diretor do Centro de Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro. Embora não existam tantos estudos ligando a vida ativa a um menor risco de sofrer com outros tipos de cefaleia que não a enxaqueca, abandonar o sofá com certeza travará o gatilho para inúmeras encrencas – dolorosas ou não.

    O que dispara as dores

    Jejum prolongado

    É um dos gatilhos da enxaqueca. Entre os motivos, ele pode ser resultado da queda na glicemia típica dessa privação

    Falta de sono

    Tempo demais acordado eleva a pressão sanguínea e o ritmo dos batimentos cardíacos, o que acarreta incômodos.

    Barulho e luminosidade

    Apesar de pouco frequentes como gatilho, a luz e os ruídos agravam as dores ao longo de uma crise.

    Alimentos ricos em tiramina

    Queijo, vinho e chocolates são cheios dela. Mas só algumas pessoas sentem a cuca latejar ao consumi-los.

    Beber demais ou fumar

    O álcool pode expandir demais o calibre dos vasos, ocasionando dor. Já o tabaco reduz a oxigenação cerebral.

    Estresse intenso

    Nesse cenário, o pescoço e as costas ficam contraídos. E isso vai refletir lá na cabeça, o que provoca cefaleias.

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  • foto-imagem-saude-dieta-dor-de-cabeca

    Entupir-se de analgésicos não é a melhor saída para a dor de cabeça. A grande sacada é prevenir as crises com ajustes no cardápio. É que as cefaleias tensionais, inclusive a enxaqueca, dão as caras por causa do aumento do diâmetro dos vasos sanguíneos. Resultado: inflamação e dor. E a comida tem muito a ver com isso. Alimentos embutidos – como a salsicha – contêm nitratos e nitritos, substâncias por trás da dilatação. Daí, nos mais suscetíveis, isso é suficiente para desencadear a dor. Já alimentos ricos em substâncias anti-inflamatórias podem ajudar a evitar o incômodo. É o caso dos peixes, como a sardinha e o salmão.

    Ajustes no menu

    Antes de trocar o seu cardápio, faça uma observação cuidadosa. Anote tudo o que você come e repare nas reações no corpo, que se manifestam de forma individual. Descubra quais alimentos são gatilhos da sua dor de cabeça. Evite ficar muito tempo de barriga vazia. Durante o jejum, as taxas de açúcar no sangue caem, levando à falta de oxigenação e à dilatação dos vasos, o que, no final das contas, provoca esse tipo de dor.

    O que deve ser cortado da dieta

    Cafeína
    Altera a circulação sanguínea. Está presente no café, no refrigerante à base de cola, no guaraná e no chá mate.

    Nitritos e nitratos
    Dilatam os vasos. São encontrados nas linguiças, nas salsichas, nas carnes, nos molhos prontos e nos alimentos industrializados em geral.

    Tiranina
    Libera a prostaglandina, hormônio responsável pela sensação de dor. Chocolate, vinho tinto, queijos duros, amendoim, carne defumada e frutas cítricas, entre outros, contêm essa substância.

    Fenois, aldeídos e sulfetos
    Estreitam os vasos, reduzem os níveis de açúcar no sangue e liberam agentes tóxicos. Estão presentes no vinho tinto e bebidas espumantes e destiladas em geral.

    O que deve entrar na alimentação

    Gorduras do bem
    As do azeite de oliva, da sardinha, do salmão e da anchova agem no controle da dor.

    Triptofano
    Ajuda a liberar serotonina, que promove bem-estar. Invista em fontes como banana, erva-cidreira, maracujá, pão, arroz integral, feijão e granola.

    Anti-histamínicos
    Inibem a produção da histamina e da prostaglandina, responsáveis por inflamações e dores. Estão no orégano, no cravo, na canela e no gengibre.

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    A famosa desculpa da “dor de cabeça” tem uma razão válida, segundo estudo que analisou o impacto da dor sobre o desejo sexual das fêmeas e dos machos, publicado nesta quarta-feira (23) pela revista “Journal of Neuroscience”.

    Os pesquisadores da Universidade McGill e da Universidade Concordia, do Canadá, descobriram em testes com camundongos que a dor causada pela inflamação reduziu a motivação sexual das fêmeas, mas não teve o mesmo efeito nos machos.

    “Sabemos por outros estudos que o desejo sexual das mulheres é muito mais dependente do contexto que o dos homens, mas se isto se deve a fatores biológicos ou socioculturais, como a criação e a influência dos meios de comunicação, ainda não se sabe”, explicou Jeffrey Mogil, professor de psicologia na McGill.

    A conclusão que também nas fêmeas de camundongo a dor inibe o desejo sexual “indica que pode haver uma explicação evolutiva para estes efeitos nos humanos e que não se trata somente de um aspecto sociocultural”, acrescentou.

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    Para o estudo, os cientistas colocaram os camundongos numa câmara de acasalamento dividida por uma barreira com orifícios pequenos o suficiente para impedir que os machos pudessem passar de um lado ao outro.

    Isso permitiu que as fêmeas, menores, decidissem se queriam estar acompanhadas, e por quanto tempo, ao passarem para a ala masculina da câmara.

    As fêmeas que sentiam dor passaram menos tempo em companhia dos machos e, como resultado, houve menos comportamento sexual. Os pesquisadores determinaram que era possível reavivar o desejo sexual delas administrando um analgésico ou com um de dois compostos que reforçam a libido.

    Os machos foram testados colocando em uma câmara sem divisão na qual tinham acesso livre a uma fêmea no cio. O comportamento sexual dos ratos não foi afetado em grau algum pelo mesmo nível de dor inflamatória.

    Em um comentário do artigo, o professor de psicologia Yitzchack Binik, que dirige o Serviço de Tratamento Sexual e de Casais no Centro de Saúde da Universidade McGill, disse que “frequentemente a dor crônica está acompanhada de problemas sexuais nos humanos”.

    “Esta pesquisa permite inferir um modelo animal do desejo sexual inibido pela dor que ajuda os cientistas a estudarem este sintoma importante da dor crônica”, acrescentou.

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  • Quando se afirma que o café é a bebida mais popular em território verde-amarelo, acredite, não é mera força de expressão. Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi constatado que o brasileiro toma de 4 a 5 xícaras todos os dias, o que leva o líquido à base do fruto do cafeeiro a liderar a lista que avalia a média de consumo per capita de vários alimentos. Só para ter uma ideia, o feijão e o arroz, outros itens comuns à nossa mesa, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. No resto do mundo, o consumo também surpreende. Enquanto aqui cada pessoa ingere cerca de 6 quilos do grão por ano, em países nórdicos, como Finlândia, Noruega e Dinamarca, esse número chega aos 13 quilos anuais.

    Aqueles que cultivam esse hábito mandam para dentro do organismo uma série de substâncias. Entre elas sobressai a cafeína, célebre por sua ação estimulante. Mas o que aparece em maior quantidade no pequeno grão são os ácidos clorogênicos, compostos antioxidantes. A xícara ainda concentra vitamina B3 e minerais como potássio, manganês e ferro. Tal combinação vem à tona constantemente nos laboratórios de cientistas planeta afora. No universo das pipetas e buretas, ela não é uma unanimidade. “Porém, a maioria dos estudos confirma seus benefícios”, diz Adriana Farah, cientista do Núcleo de Pesquisa em Café Professor Luiz Carlos Trugo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fato é que o pretinho básico de todas as manhãs segue gerando contradições — as mais curiosas você conhece abaixo.

    Na mira da ciência

    Veja outros estudos recentes que avaliaram o impacto da bebida na saúde

    Fertilidade

    Segundo cientistas do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, mais de cinco doses diárias de café reduzem em 50% a chance de sucesso no tratamento de fertilização. “Ainda não há estudos clínicos comprovando o efeito”, avalia Adriana Farah. “Mas alguns trabalhos relacionam um alto consumo de cafeína, como acontece nos países nórdicos, à malformação fetal”, completa.

    Câncer de pele

    Depois de acompanhar mais de 110 mil pessoas por 20 anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que o café está inversamente associado ao tipo mais comum de tumor de pele. “Qualquer alimento antioxidante, caso do café, pode auxiliar na prevenção. Mas é cedo para indicá-lo com essa finalidade”, analisa a dermatologista Flávia Addor, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Expectativa de vida

    Uma investigação do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que beber de 3 a 4 xícaras faz você viver mais — o ganho na expectativa de vida é de 10% para homens e 13% para mulheres. “O resultado não surpreende. Afinal, o café é uma das maiores fontes de antioxidantes na dieta”, ressalta Adriana Farah.

    O café proporciona benefícios ao bebermos de 3 a 4 xícaras diárias

    [adrotate banner=”2″]Problemas no coração

    As pesquisas que se dedicaram a analisar a relação entre o café e a incidência de insuficiência cardíaca — condição em que o coração não consegue bombear quantidade suficiente de sangue para o corpo — sempre geraram dados discrepantes. Intrigada, a pesquisadora Elizabeth Mostofsky, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu conduzir uma revisão sobre o tema. Nela, foram avaliados mais de 140 mil indivíduos, dos quais 6 522 mil tiveram o mal. “Percebemos que quatro doses diárias de café diminuíram em até 11% o risco de ter o problema”, conta a cientista. Os compostos bioativos da bebida — o destaque vai para os antioxidantes — provavelmente estão por trás da benesse. “Ao afastar o diabete tipo 2, eles também protegeriam contra essa doença cardíaca”, raciocina. Já o consumo além da conta deixou o coração na corda bamba. E não é só o excesso que abala o peito. Está comprovado que duas substâncias presentes no grão, o cafestol e o kahweol, são capazes de elevar os níveis de colesterol no sangue, quadro que pode ser o pontapé inicial para várias complicações cardiovasculares. “Mas, quando se usa o filtro de papel ou o coador de pano para preparar o café, consegue-se reter boa parte dessas substâncias”, ensina Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Dilema resolvido.

    Tremores do parkinson

    Quantas vezes você já ouviu alguém alegar que está mais acelerado porque bebeu café? Isso acontece por causa da cafeína. “A exposição à substância gera estímulos cerebrais, especialmente nas áreas que controlam as atividades motoras e o sono”, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo. Para um paciente com Parkinson, doença caracterizada por tremores no corpo, é de supor que a cafeína piore o quadro, certo? Errado. Em estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, observou-se que ela ameniza o sintoma. Para chegar ao achado, os cientistas acompanharam 61 pacientes. Enquanto uma parte recebeu placebo, uma pílula inócua, a outra ganhou uma cápsula com 100 miligramas de cafeína duas vezes ao dia, por três semanas. Nos 21 dias seguintes, o valor passou para 200 miligramas — dose encontrada em cerca de 2 xícaras de café. “A melhora motora entre aqueles que ingeriram a substância foi semelhante à de remédios indicados na fase inicial da doença”, comenta o neurologista Renato Puppi, coordenador da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, em Curitiba, e um dos autores do trabalho. “O efeito parece contraditório, mas a bebida só causa agitação em pessoas que não estão acostumadas a consumi-la ou que exageram”, pondera. Na dose adequada, a cafeína contribuiria para o funcionamento da dopamina — e é a falta desse neurotransmissor que abre as portas para o Parkinson.

    Alucinações

    Conhecido por incitar a atenção, deixando-nos mais preparados para cumprir as tarefas do dia a dia, o café ganhou a inusitada fama de alucinógeno na Universidade La Trobe, na Austrália. Isso aconteceu depois que os estudiosos recrutaram 92 voluntários e os submeteram a altos ou baixos níveis de estresse e consumo de cafeína. Depois, eles foram orientados a escutar uma mistura de sons e avisar cada vez que ouvissem determinada música. Detalhe: a canção nunca foi tocada. Só que as pessoas mais apreensivas ou com bastante cafeína na circulação — o correspondente a mais de cinco doses de café — se mostraram bem propensas a cair na pegadinha. “Alguns estudos relatam que o estresse contribui para a liberação de cortisol, hormônio que favorece experiências alucinatórias. E isso parece ser potencializado ao ingerir alimentos estimulantes, como o café”, informa a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira das Indústrias de Café, a Abic. “Mas esse efeito só acontece quando se exagera na cafeína”, declara. Para a especialista, é importante evitar o uso desenfreado de qualquer item. “A noz-moscada usada como tempero, por exemplo, não é prejudicial. Mas, se você comer uma inteira, alucinará por dias.” Consumido com moderação, o café só tende a auxiliar na concentração e na capacidade de aprendizagem.

    Dor de cabeça

    Está aí um tópico que rende pano para mangas. Geralmente, a confusão começa com a dificuldade de estabelecer se a bebida é realmente o estopim da dor de cabeça ou se as pessoas que sentem o incômodo a veem como válvula de escape. “Para esclarecer a dúvida, diminua aos poucos a ingestão de cafeína, até tirá-la da dieta”, recomenda a pesquisadora Adriana Farah, da UFrj. Lembre-se de que alguns chás e refrigerantes também carregam a substância. Daí, se a dor não sumir, procure um médico. Em muitos casos, a cafeína é a salvação. Prova disso é que está na fórmula de analgésicos. “Algumas cefaleias são caracterizadas pela vasodilatação cerebral. Por deixar os vasos mais estreitos, a cafeína pode atuar como coadjuvante no tratamento”, justifica a especialista.

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  • Uso da toxina é prático, com poucos efeitos colaterais, apesar de ser caro.

    Estudos brasileiros e internacionais comprovaram que a toxina botulínica, mais conhecida como Botox, consegue acabar com as dores de pacientes que sofrem com um dos piores tipos de dor de cabeça que existe: a enxaqueca crônica. O uso excessivo de remédios para conter a dor faz com que seu efeito vá se perdendo ao longo do tempo, tornado-se ineficaz para combatê-las.

    Já as injeções de toxina botulínica do tipo A aplicadas a cada quatro meses nas regiões da testa (frontal), têmporas (temporal), atrás da cabeça (parietal) e no pescoço (occipital) conseguiram diminuir as dores até extinguí-las em poucos dias.

    A enxaqueca tem como sintomas principais dores pulsantes de um lado da cabeça, moderadas ou fortes, associadas à náusea, vômito, intolerância à luz e ao barulho, com duração média de quatro a 72 horas. Isso porque o Botox contém a toxina do botulismo que, ao ser injetada em pequenas doses, paralisa o músculo e evita sua contração, eliminando os focos de dor. Seu uso para fins médicos e estéticos foi aprovada há 20 anos nos Estados Unidos.

    Mesmo oferecendo efeito temporário, de quatro a seis meses, como ocorre nos tratamentos estéticos, as injeções se mostram vantajosas no tratamento da enxaqueca ao oferecerem bem menos efeitos colaterais do que os remédios, segundo o neurologista Ailton Melo, da Universidade Federal da Bahia, autor de três estudos sobre o uso da toxina em tratamentos neurológicos, reconhecidos internacionalmente.

    Em dois deles, realizados entre 2007 e 2009, o médico e sua equipe aplicaram a toxina botulínica do tipo B – a única reconhecida para uso em humanos – em pacientes com enxaqueca crônica, no Hospital das Clínicas da Universidade. Segundo Melo, a toxina se mostrou ligeiramente superior no ponto de vista de eficácia e bem superior diante dos efeitos colaterais.

    – A toxina botulínica atua nos receptores neuromusculares, inibindo a saída de acetilcolina, [neurotransmissor liberado por células nervosas, que chega às células musculares, causando a contração do músculo]. Ao impedir a liberação de acetilcolina, inibe a contração muscular, relaxando o músculo.

    Os pacientes que receberam as injeções no hospital baiano apresentaram apenas problemas relacionados às picadas da agulha, enquanto os que continuavam a tomar remédios ganharam peso e apresentaram sonolência, taquicardia, boca seca, constipação, manchas avermelhadas na pele e edema.

    O tratamento padrão da enxaqueca pode envolver o uso de antidepressivos, anticonvulsivantes, remédios para labirintite, pressão e coração, de acordo com a necessidade do paciente. Ao longo do tempo o “coquetel” pode não surtir mais efeito, por isso o Botox aparece como um grande trunfo, afirma a neurologista Célia Roesler, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia.

    – A toxina age exatamente onde o paciente sente dor, paralisando a musculaturas destes locais.

    De acordo com a neurologista, o Botox tem boa tolerância neste tipo de tratamento e causa apenas pequenas dores e hematomas no local das aplicações. Mas em alguns casos, pode haver paralisias musculares temporárias e uma leve queda da pálpebra.

    Remédios dão conta dos casos mais leves

    Segundo o neurologista Marcelo Ciciarelli, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia, o tratamento deve ser realizado somente em casos crônicos, ou seja, em pessoas que sofrem de dores frequentes na cabeça ao menos em 14 dias, durante três meses. Já que casos isolados e espaçados não demandam muitos medicamentos.

    Ciciarelli ressalta que não se deve fazer aplicações em um período menor do que os quatro meses, pois há perigo de o corpo criar anticorpos que “ataquem” a toxina e desativem o tratamento. A grande desvantagem no uso do Botox é o preço. Cada aplicação pode custar de R$ 800 a R$ 1.200.

    O uso do Botox para essa finalidade não é novo no Brasil, mas o tratamento não segue um padrão, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Com a recente aprovação da toxina para este fim, feita pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que controla os produtos alimentícios e medicamentos que chegam ao mercado, o padrão tende a ser seguido mundialmente. No último dia 15, o órgão aprovou a aplicação das injeções a cada 12 semanas, na cabeça e no pescoço de adultos com enxaqueca crônica.

    Fonte R7

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