• Pessoas que infartaram e se sentem tristes ou deprimidas por longos períodos têm maior risco de morrer em até quatro anos após o ocorrido. Na contramão, quando o baixo astral ocorre por pouco tempo, o efeito na recuperação pode ser até positivo.

    A descoberta vem de um estudo recente, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, que avaliou mais de 57 mil indivíduos que tiveram uma pane cardíaca. O estresse emocional foi medido dois e 12 meses após o ataque. Além disso, houve um acompanhamento da saúde em geral por uma média de quatros anos.

    Mais de 20% deles caíram na categoria “estresse emocional persistente”, pois se sentiam mal nas duas análises. Comparados aos pacientes que não exibiam problemas de humor, os depressivos apresentaram um risco de mortalidade 46% maior e, nos ansiosos, o perigo de morte aumentou 54%.

    De acordo com outros trabalhos citados nessa pesquisa, o estado de espírito está mais associado a fatores sociais do que clínicos: jovens, mulheres, estrangeiros e desempregados são mais acometidos pela tristeza intensa pós-infarto.

    O lado positivo da tristeza

    Investigações anteriores já haviam mostrado que as emoções influenciam no prognóstico do ataque cardíaco. Mas o novo estudo foi o primeiro a levar em conta a duração do estresse. Cerca de 15% dos participantes se sentiram deprimidos ou ansiosos nos dois primeiros meses pós-infarto, mas se recuperaram com o tempo.

    Nesse caso, a tristeza temporária não impactou negativamente a saúde. “Alterações passageiras de humor, quando não frequentes ou exageradas, são parte comum da vida”, explicou à imprensa Erik Olsson, psicólogo da Universidade Uppsala, na Suécia, autor do trabalho.

    “Estar um pouco deprimido após um infarto pode até ser bom, pois o humor regula nosso comportamento e faz com que você saia um pouco de circulação e descanse”, comentou o pesquisador, que ressaltou mais uma vez o aspecto socioeconômico por trás da retomada do humor. “Provavelmente essas pessoas tinham um status social mais alto e, assim, contavam com recursos melhores para lidar com a situação”, ressaltou.

    A chateação e o desânimo constantes, por outro lado, dificultam a adoção de mudanças de estilo de vida que melhoram a reabilitação da pane cardíaca, como parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer bem e tomar direitinho os medicamentos.

    Como se recuperar do infarto

    Não é fácil superar um evento tão marcante quanto um ataque cardíaco, claro. Mas há estratégias que ajudam a lidar melhor com o baque.

    A primeira dica é buscar fazer as mesmas coisas de antes – ao menos as positivas. “Alguns pacientes evitam sexo e exercícios porque têm medo de que a atividade seja gatilho para um novo evento. Isso não é bom”, exemplificou Olsson.

    Para quem nunca foi de ficar cabisbaixo antes, é preciso um pouco de paciência e aceitação. Ora, é normal se sentir derrubado: trata-se de uma reação em parte biológica a um evento que colocou a vida em risco.

    O ideal é procurar auxílio de um especialista quando sentimentos como tristeza e angústia passam a ocupar a maior parte dos dias, impedindo a manutenção da rotina. Parte das clínicas cardiológicas já oferece suporte psicológico. Basta pedir ajuda – outro aspecto desafiador dessa história.

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  • Não há apenas uma forma de fazer a reposição hormonal nas mulheres. Das doses aos princípios ativos, passando pelas formas de aplicação, os especialistas podem adotar diferentes esquemas, dependendo de cada caso. Mas qual método teria menor risco de causar a trombose venosa (ou tromboembolismo venoso)? Essa foi a pergunta que um estudo da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, buscou responder.

    Os pesquisadores observaram as informações médicas de 80 396 voluntárias de 40 a 79 anos que foram diagnosticadas com esse problema. Os dados de outras 391 494 mulheres livres dele foram utilizados para fins de comparação.

    Antes de apresentar os resultados, um recado: não se desespere e busque ler a matéria até o fim para compreender os verdadeiros pontos fortes e fracos dessa técnica.

    Sem mais delongas, a reposição hormonal oral foi associada a um risco 58% maior de desenvolver a tal trombose venosa. Isso em comparação com mulheres que não receberam doses de hormônio por qualquer via. Além disso, comprimidos que só contém estrogênio foram considerados ligeiramente menos perigosos do que os que combinam mais hormônios.

    Para quem não sabe, o tromboembolismo venoso consiste na formação de um coágulo nas veias, que geralmente atinge as pernas e provoca, entre outras coisas, dor e inchaço. O maior problema, no entanto, é quando esse trombo se solta e vai parar lá no pulmão, obstruindo a circulação de sangue. Essa é a temida – e, às vezes, letal – embolia pulmonar.

    Agora vamos dar uma boa notícia. De acordo com o trabalho britânico, a reposição hormonal transdérmica (feita com adesivo ou gel colocados na pele, por exemplo) não foi atrelada a um risco maior de trombose venosa.

    “No método oral, o estrogênio, ao passar pelo fígado, gera substâncias que favorecem a coagulação do sangue, o que predispõe à trombose. Isso não acontece com a reposição transdérmica”, diferencia a endocrinologista Dolores Pardini, diretora do Departamento de Endocrinologia Feminina Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

    De acordo com a médica, o estudo reforça – com muita qualidade – o que já era sabido entre os profissionais. “As vias não orais de reposição hormonal estão mais em voga hoje em dia”, afirma.

    Dolores ainda faz um apelo: “Não podemos usar esses dados para desencorajar mulheres a fazerem a reposição. O que precisamos é individualizá-la de acordo com cada caso”.

    Risco de trombose não é certeza

    Quando se associa o uso de um remédio qualquer a uma reação adversa, muitas pessoas pensam que esse problema vai acontecer em 100% dos pacientes. Mas não costuma ser assim.

    No caso da reposição hormonal com comprimidos, por exemplo, o estudo inglês indica que há um episódio de tromboembolismo venoso a cada 1 076 usuárias. Dito de outra maneira, a maioria das mulheres que toma as pílulas não sofrerá com essa encrenca por causa das doses de hormônios sintéticos.

    “É curioso como algumas pessoas têm medo da reposição, mas não se amedrontam com a obesidade ou as varizes, que são mais perigosas nesse sentido”, comenta Dolores, que também é chefe do Ambulatório de Menopausa da Universidade Federal de São Paulo.

    Vários fatores aumentam a probabilidade da trombose. Tabagismo, histórico na família e idade estão entre eles. O médico basicamente junta essas e várias outras informações para, então, pesar os benefícios e os riscos de cada forma de reposição hormonal junto com a paciente.

    As vantagens da reposição hormonal

    Só para não deixar passar: essa estratégia costuma ser válida apenas para quem sofre com uma baixa concentração de hormônios femininos, o que é comum após a menopausa.

    Dito isso, as benesses começam pela qualidade de vida. Ora, a reposição ajuda a contornar sintomas como fogachos, secura vaginal, infecções urinárias de repetição. Até as flutuações de humor e a falta de sono – mais frequentes nessa fase da vida – podem ser amenizadas com o tratamento.

    Mas não para por aí. “Do ponto de vista médico, o principal benefício é a proteção cardiovascular”, sentencia Dolores. Quando bem empregado, o método auxilia a controlar a pressão e o colesterol, só para citar duas chateações que afetam o coração.

    Os ossos também saem ganhando, uma vez que a restituição dos hormônios freia a perda de massa óssea. Como consequência, o risco de osteoporose cai consideravelmente.

    Os cuidados básicos com a reposição

    Embora o foco aqui seja a trombose venosa, a reposição hormonal já foi ligada a um risco ligeiramente maior de câncer de mama. Apesar de essa probabilidade ser pequena entre a população em geral, mulheres com histórico desse tumor na família devem ter atenção redobrada.

    Fora isso, o ideal é iniciar a terapia logo após a menopausa. “Há uma janela de oportunidade. A reposição deveria começar, no máximo, seis ou sete anos após a última menstruação”, afirma Dolores. “Ao demorar mais do que isso, os riscos podem superar os benefícios”, arremata.

    São tantas particularidades que uma visita ao médico é fundamental. “Nada de imitar o tratamento da vizinha”, brinca a expert da Sbem.

    O recado final de Dolores Pardini é: ao redor dos 50 anos, a mulher já precisaria realizar uma dosagem hormonal e discutir abertamente com o profissional sobre a reposição hormonal. Você já fez isso?

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  • Ela é uma arritmia cardíaca bastante comum, afetando principalmente os mais idosos. Resulta em pulsação mais rápida e irregular. Eis a fibrilação atrial, que ocorre quando os átrios, que são as câmaras superiores do coração, contraem-se de maneira não sincronizada e involuntária.

    Os sinais de fibrilação atrial são: palpitações, pulso irregular, dificuldade de respirar, sensação de fraqueza, fadiga aos esforços, dor no peito e tontura. Porém, mais da metade dos pacientes com a arritmia não apresenta sintomas – daí a importância da visita periódica ao cardiologista.

    O problema é diagnosticado por meio do exame clínico, do eletrocardiograma ou de um Holter 24 horas, aparelho que monitora os batimentos cardíacos durante um dia todo, enquanto a pessoa faz suas atividades.

    Como ocorre em quase todas as doenças, o diagnóstico precoce contribui muito para evitar o agravamento do mal e para que se possa obter bons resultados no controle da arritmia. A terapia busca reverter a fibrilação, reequilibrar a frequência cardíaca e impedir a formação de coágulos que podem causar AVC (derrame).

    Se por um lado a fibrilação atrial ainda não tem cura, por outro ela pode ser prevenida. Nesse sentido, é fundamental adotar uma alimentação equilibrada, controlar a hipertensão, o diabetes e o colesterol, consumir álcool de modo cometido, não fumar, vencer o sedentarismo e a obesidade, evitar o excesso de cafeína e reduzir o estresse. Todas essas medidas ganham ainda mais relevância quando atingimos idades mais avançadas.

    Outro ponto que vale ressaltar: a fibrilação atrial é benigna. Ou seja, ela não provoca morte súbita.

    Contudo, existem arritmias das câmaras inferiores do coração (ventrículos) que podem causar parada cardíaca e morte. Nesses casos agudos, aplica-se procedimento de emergência, com aparelho elétrico desfibrilador, visando o restabelecimento das funções do coração.

    Como a maioria das mortes súbitas acontece fora do ambiente hospitalar, é fundamental o socorro rápido às pessoas, incluindo a massagem torácica, que pode salvar muitas vidas.

    Não é sem razão, portanto, que mantemos na Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) o projeto social Treinamento em Massa. A iniciativa é permanente e oferece um curso a estudantes, professores e demais interessados para que aprendam a fazer a massagem cardiorrespiratória e se conscientizem de sua importância. A disseminação desse processo na sociedade contribui para evitar muitas mortes por parada cardíaca, porque o socorro rápido aumenta muito as chances de sobrevivência e dá tempo para que os profissionais cheguem ao paciente.

    *Dr. Guilherme Fenelon é cardiologista e integrante da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

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  • De tempos em tempos, surgem textos duvidosos no WhatsApp que acusam alimentos ou hábitos considerados saudáveis de causarem grandes malefícios. A vítima da vez foi a água. Ou melhor, a água gelada. Uma mensagem que está circulando pelas redes sociais afirma que ela pode provocar infarto, câncer, gordura no fígado e outros males no estômago e no intestino grosso.

    Veja o conteúdo da corrente:

    “Dica da Manhã

    E eu aqui achando que água gelada só afetava a garganta…

    A ÁGUA GELADA FAZ MAL PARA VOCÊ.

    No passado, dizia-se que: se a água gelada não lhe afetar na juventude, vai afetar na velhice

    A água gelada fecha 4 veias do coração e causa ataque cardíaco;

    Bebidas geladas são a principal causa de ataques cardíacos.

    A água gelada cria problemas no fígado; prende a gordura ao fígado. Muitas das pessoas que aguardam por um transplante de fígado, são vítimas da água gelada.

    A água gelada afeta as paredes internas do estômago.

    A água gelada afeta o estômago e o intestino grosso, causando câncer.

    Por favor não guarde isto para você. Repasse para ajudar outras pessoas.

    Dr Dráusio Varella – Medicina ortomolecular.”

    Antes de destrinchar o teor do conteúdo em si, repare na assinatura da suposta fonte. Esse nome lembra alguém famoso?

    Pois é. Acontece que Drauzio Varella é oncologista – não um médico ortomolecular – e seu nome se escreve com Z. Esse ponto, por si só, já levantaria suspeitas.

    Mas a verdade é que o texto está cheio de furos. Sim, é outra notícia falsa – e das grandes, aliás.

    Para destrinchar os enganos dessa mensagem, SAÚDE conversou com Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e com a gastroenterologista Elaine Moreira, do Instituto Endovitta, também na capital paulista.

    Água gelada dá dor de garganta?

    Como um aperitivo, vamos partir para a alegação de que bebidas resfriadas abalam a garganta. Isso é, no máximo, uma meia verdade.

    Se a garganta está inflamada devido à ação de um vírus ou bactéria, a água gelada pode agravar a situação. Porém, ela em si não é o motivo do incômodo.

    Ela faz mal para o coração?

    Segundo a corrente, a água gelada fecha veias do coração. Mais do que isso, ela e outras bebidas frias seriam a principal causa de ataques cardíacos.

    Ocorre que o infarto é deflagrado pelo entupimento das artérias, impedindo que o sangue chegue ao músculo mais importante do corpo. Ou seja, esse problema grave nada tem a ver com veias, e sim artérias.

    E onde o líquido da vida entraria nessa história? Em lugar nenhum, pelo visto. “A água gelada não provoca infarto, nem entope os vasos sanguíneos”, atesta Abrão Cury.

    De acordo com o cardiologista, essa história pode ser uma deturpação de casos graves de hipotermia, uma queda excessiva da temperatura do corpo inteiro. “Ela é gerada por um ambiente de frio intenso e não pela água gelada consumida”, complementa.

    Nessa situação extrema, os órgãos em geral vão parando de funcionar, o que pode levar à morte. Mas não há quaisquer relatos de caso mostrando casos severos de hipotermia entre quem tomou goles de um líquido qualquer que acabou de sair da geladeira. Você teria que estar nadando por um tempo em meio a um mar congelante para sentir esses efeitos – como nas cenas finais do filme Titanic.

    Entretanto, o médico do HCor explica que alguns poucos indivíduos sofrem com uma hipersensibilidade a líquidos gelados. “Quando você toma uma bebida dessas, ela estimula terminações nervosas que diminuem a frequência cardíaca. Isso, em condições normais, não cria problemas”, explica. “Mas, se a pessoa tiver hipersensibilidade, ocorre uma redução importante nos batimentos, o que gera mal-estar”, explica.

    Mas nada de criar pânico: essa é uma condição rara e diagnosticada por meio de avaliações médicas. Além disso, mal-estar não é sinônimo de infarto. Portanto, não faz sentido espalhar por aí que as bebidas frias são a principal causa dessa encrenca.

    Água gelada gera problemas no fígado, estômago e intestino grosso?

    O texto espalhado pelo WhatsApp garante que a água gelada afeta as paredes do estômago e o intestino grosso, chegando até a originar câncer por ali. “Não existem estudos que comprovem essas alegações”, aponta Elaine Moreira.

    A gastroenterologista do Instituto Endovitta, que também é membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), informa que, mesmo se você ingerir um líquido frio, ele vai sendo aquecido até chegar no estômago. No intestino então, a bebida já estará quentinha. Portanto, aquelas afirmações nem têm lógica.

    A corrente diz ainda que a água gelada “prende” a gordura no fígado, sendo uma grande razão das pessoas precisarem de transplante. Isso é um absurdo! Os líquidos que engolimos sequer passam por esse órgão durante a digestão.

    A tal da gordura no fígado – chamada de esteatose hepática pelos médicos – é consequência de consumo excessivo de álcool, sedentarismo, diabetes e obesidade. A água não tem qualquer relação com a história.

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  • O ômega-3, um tipo de gordura encontrado em peixes e oleaginosas, ficou famoso por seus préstimos à saúde. Porém, uma revisão de estudos do Instituto Cochrane, uma organização global e independente que avalia pesquisas médicas, indica que a suplementação desse nutriente para a população em geral não evitaria doenças cardiovasculares, como o infarto.

    Foram revisados 79 experimentos que, no total, somaram mais de 112 mil voluntários. O objetivo inicial dos testes era descobrir quais os efeitos no peito da alta ingestão de ômega-3, comparando com um consumo normal ou baixo. Mas detalhe: a maioria dos trabalhos analisados envolvia o uso de comprimidos ou alimentos fortificados com a substância.

    A conclusão é a de que os suplementos não diminuem o risco de sofrer problemas cardíacos ou de morrer por essas enfermidades. Tim Chico, médico da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, foi convidado pelo Instituto Cochrane para dar sua opinião sobre o artigo. E comentou no site da entidade: “Embora uma alimentação balanceada tenha um papel importante na prevenção de doenças cardíacas, é improvável que isso esteja relacionado a um componente específico das refeições”.

    Ele vai além: “Quando tentamos identificar o elemento benéfico da dieta e fornecê-lo como um suplemento, ele geralmente oferece pouco ou nenhum benefício. Esse foi o caso com os comprimidos de vitaminas, por exemplo”. Ou seja: em vez de investir nas pílulas, melhor apostar em um cardápio saudável.

    Só cabe ressaltar que o levantamento em questão não se concentrou em indivíduos que, hoje, têm indicação médica para tomar cápsulas de ômega-3. Esse é o caso de gente com excesso de triglicérides na circulação, por exemplo. Portanto, essa revisão não permite dizer se, em pacientes com certas condições, a suplementação seria ineficaz. Nunca deixe de seguir recomendações no consultório sem uma boa conversa com o profissional de saúde.

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  • “Tem sido bastante difícil convencer as pessoas, incluindo pesquisadores de nutrição, a aceitar que suplementos multivitamínicos e de minerais não previnem doenças cardiovasculares, como AVC e infarto”, sentencia o cardiologista Joonseok Kim, da Universidade do Alabama em Birmingham, nos Estados Unidos. “Esperamos que nosso estudo reduza o entusiasmo sobre esses produtos”, completa o cientista, em comunicado.

    Mas, afinal, que experimento é esse? Trata-se, na verdade, de uma revisão de 18 estudos, que somam mais de 12 milhões de voluntários. Enquanto uma parte dessa gente consumia os multivitamínicos com frequência, a outra dispensava as pílulas – em média, eles foram acompanhados por 12 anos.

    Resultado: não houve qualquer diferença significativa na mortalidade por doenças cardiovasculares entre as duas turmas. A ingestão desse tipo de suplemento também não evitou infartos ou derrames.

    “Embora os multivitamínicos, quando tomados em moderação, dificilmente causem danos, suplicamos para que as pessoas protejam o próprio coração entendendo seus riscos individuais e conversando com um profissional sobre medidas comprovadamente eficazes. Elas incluem alimentação saudável, exercício físico, cessação do tabagismo […] e, se necessário, tratamento”, defende Kim. Além disso, os multivitamínicos não costumam ser baratos.

    O que esse levantamento conclui, em resumo, é que a população em geral deveria parar de recorrer a supostas pílulas mágicas (e isso não inclui apenas suplementos) ao invés de apostar em táticas já consagradas. Só que aqui cabe uma ponderação.

    A revisão foi feita com a população em geral. Ou seja, é possível que indivíduos com carência comprovada de algum nutriente se beneficiem de um aporte extra dele – e isso não seria identificado em trabalho científico desse tipo. No entanto, os especialistas sempre defendem que abastecer o corpo de substâncias benéficas por meio da alimentação. E nunca comprar suplementos por conta própria.

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  • A exemplo de nós, os cachorros também vêm ganhando uma expectativa de vida mais longa. A questão é que a idade traz consigo seus efeitos colaterais. E o coração é um dos órgãos que podem sofrer com isso: o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para a insuficiência cardíaca, quando esse músculo deixa de trabalhar direito.

    Para amparar os animais com o problema, a farmacêutica Boehringer Ingelheim está trazendo ao Brasil um medicamento capaz de postergar o avanço do quadro e os seus efeitos negativos. Ao ajudar o coração a bombear o sangue, o remédio em forma de tabletes mastigáveis prolonga os anos pela frente e melhora a qualidade de vida.

    Ainda assim, o diagnóstico precoce faz diferença. “Quanto mais cedo ele acontecer, melhor o resultado do tratamento”, afirma o veterinário Mário Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo. Por isso, o especialista recomenda um checkup cardíaco aos cães a partir do sexto ano de idade.

    Insuficiência canina

    Da mesma forma que acontece com o coração humano, o dos cães pode se enfraquecer com a idade e em razão de doenças. A insuficiência cardíaca significa que o órgão está perdendo a capacidade de bater e mandar o sangue adequadamente para o organismo, o que acarreta cansaço e falta de ar. Outros sintomas que você pode observar são tosse, membros e barriga inchada e língua arroxeada.

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  • Desenvolvidos para evitar a gravidez, os contraceptivos orais não estão, a exemplo de qualquer outra medicação, isentos de efeitos colaterais. Dentre eles, a trombose, ainda que rara nesse contexto, é o evento mais temido. A trombose é caracterizada pela obstrução parcial ou total de veias ou artérias por coágulos sanguíneos (os trombos) em determinada região do corpo.

    Em 90% dos casos as veias das pernas é que são afetadas, gerando sintomas como dor e inchaço. Entre as reações adversas mais graves da pílula também são relatados quadros de infarto e acidente vascular cerebral. Novamente, falamos de complicações raras. O período de maior vigilância, contudo, engloba os seis primeiros meses de uso do anticoncepcional, quando estatisticamente esses problemas apresentam maior incidência.

    As pílulas são constituídas de hormônios sexuais femininos que possuem não só a capacidade de inibir a ovulação — daí o efeito contraceptivo — mas também a de induzir alterações no sistema de coagulação do sangue. Na prática, o que acontece é o aumento de substâncias e fatores pró-coagulação acompanhado da redução dos nossos anticoagulantes naturais.

    Pesquisas ao longo dos anos vêm esmiuçando a ligação dos hormônios da pílula — especialmente a combinação de etinilestradiol e progestagênio, base da maior parte das formulações — com a probabilidade de sofrer uma trombose. Sabe-se hoje que os contraceptivos com dosagem reduzida oferecem menor risco nesse sentido.

    Estudos revelam que mulheres em uso de pílulas com dosagens acima de 0,05 mg de etinilestradiol ou estradiol (derivados do estrogênio) apresentam um risco trombótico até dez vezes maior quando comparadas às não usuárias. Calcula-se que isso represente o dobro da possibilidade de ocorrência de uma trombose na comparação com as formulações com doses menores do hormônio.

    Em relação aos métodos contraceptivos que contêm apenas progesterona, observou-se no decorrer das análises que o levonorgestrel presente nos anticoncepcionais de segunda geração seria o que apresenta menor risco. Quando usado isoladamente, esse hormônio afeta de forma mínima o sistema de coagulação, de modo que não traria risco considerável para trombose. Ainda assim, vale notar que há uma diminuição do efeito contraceptivo.

    O mais importante na hora de prescrever ou contraindicar essas medicações é avaliar a presença de fatores associados à trombose: obesidade, diabetes, câncer, tabagismo, sedentarismo, idade acima de 40 anos, varizes, alterações genéticas ou adquiridas na coagulação e histórico pessoal e familiar de eventos trombóticos.

    A contracepção hormonal de hoje é segura e apresenta riscos menores para trombose até mesmo quando comparada a situações fisiológicas como a gestação e o período pós-parto. No entanto, seu uso deve ser individualizado e decidido e acompanhado junto a um médico.

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  • Todo ano, a publicação americana U.S. News & World Report divulga o ranking Best Diets (traduzindo: Melhores Dietas). Para realizá-lo, são ouvidos especialistas de instituições americanas de peso, como Johns Hopkins, Tufts Medical Center, Universidade Harvard, Mayo Clinic e por aí vai. Da análise desse júri saem as campeãs em diversas categorias: a dieta ideal para emagrecer, a mais fácil de seguir, a que controla melhor o diabetes…

    E há a grande vencedora na classificação geral. Neste ano, duas estratégias alimentares dividem a medalha de ouro. Uma delas é figurinha carimbada no pódio: trata-se da DASH, sigla em inglês que significa Medidas Dietéticas para Controlar a Hipertensão. Ao seu lado, está a Dieta Mediterrânea, reverenciada em diversos estudos científicos.

    A DASH
    Seu principal objetivo é prevenir e controlar a pressão alta, fazendo cair, assim, o risco de encrencas como infarto e derrame. No cardápio, são priorizados alimentos ricos em substâncias como potássio, cálcio, proteínas e fibras. Na prática, a ideia é investir naqueles grupos reconhecidamente saudáveis – ou seja, frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, carnes magras e lácteos com baixo teor de gordura.

    Por outro lado, é preciso limitar o consumo de fontes de gorduras saturadas, a exemplo de carnes gordas e laticínios integrais, e produtos abastecidos de açúcar, como doces, refrigerantes, néctares…

    Acima de tudo, recomenda-se, claro, prestar bastante atenção na quantidade de sódio, o mineral que faz a pressão decolar. Ele está no sal de cozinha e em um monte de produtos industrializados. A indicação é não exceder os 2 300 miligramas de sódio por dia – o melhor mesmo seria ingerir até 1 500 miligramas.

    A Dieta Mediterrânea
    As vantagens atribuídas a ela são diversas. Dá para citar perda de peso, prevenção de câncer, menor risco e controle de diabetes, além de benefícios para o coração e cérebro.

    Tem esse nome porque é seguida por povos que moram perto do Mar Mediterrâneo, no sul da Europa, e que são conhecidos por terem uma longa expectativa de vida.

    Mas não dá para definir um cardápio fechado. No site da U.S News, é lembrado que os gregos comem diferente dos italianos, que, por sua vez, não fazem o mesmo tipo de refeição dos franceses e espanhóis. O que não dá para negar: existem similaridades cruciais entre os pratos dessas populações.

    Por exemplo: frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, oleaginosas, azeite de oliva e ervas e especiarias aromáticas são comuns nas refeições dessa gente toda. Os peixes e frutos do mar também têm lugar especial no menu. Frango, ovo, queijos e iogurte aparecem com moderação, enquanto os doces e a carne vermelha ficam restritos a ocasiões especiais.

    Um item bastante lembrado ao falar de Dieta Mediterrânea é o vinho tinto, cheio de resveratrol – substância lembrada, entre outras coisas, por blindar o coração. Mas não é para encher a cara: recomenda-se uma taça por dia. Aliás, o suco de uva integral é uma ótima alternativa.

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  • A insônia foi alvo de debate no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o maior do Brasil. Durante uma apresentação de quase duas horas sobre o impacto da saúde mental no coração, o psiquiatra Kalil Duailibi, da Universidade Santo Amaro, fez questão de ressaltar a importância de receitar boas noites de sono para evitar que os pacientes sofram com infarto e mesmo AVC, o popular derrame.

    SAÚDE esteve presente nesta aula. E pinçou para você grandes motivos apontados por Duailibi — corroborados por outros especialistas — que explicam o porquê dessa associação negativa. Confira:

    Hipertensão: dormir menos de cinco horas por noite, acredite, aumenta em cinco vezes o risco de ter pressão alta, um dos principais fatores de risco para o infarto. Por quê? Além do estresse, os vasos sanguíneos de quem não consegue se desligar por tempo suficiente ficam mais rígidos.

    Obesidade: uma série de estudos mostra que a falta de descanso estimula a pessoa a comer mais. Pior: ela estimula que o alimento seja estocado na forma de gordura. Há, por exemplo, pesquisas sugerindo que, mesmo com uma ingestão idêntica de calorias, os sujeitos com poucas horas de sono tendem a engordar mais.

    Diabetes: Duailibi citou um levantamento com 300 pessoas completamente saudáveis que, por algumas semanas, foram impedidas de relaxar adequadamente. Algumas eram acordadas antes da hora, outras tinham de escutar barulhos ao longo da madrugada…

    Após tanto sofrimento, notou-se que essa turma — que antes apresentava exames normais — desenvolveu um princípio de resistência à insulina. E esse cenário, marcado por uma dificuldade de a tal insulina colocar a glicose para dentro das células, com o tempo abre as portas para o diabetes tipo 2.

    Depressão: é uma via de mão dupla, na verdade. Se por um lado esse transtorno psiquiátrico pode dificultar o adormecer, a insônia mexe com a cabeça da pessoa a ponto de aumentar o risco de uma tristeza profunda.

    Acontece que os quadros de melancolia moderada ou grave estão cada vez mais associados a repercussões pelo corpo inteiro. Isso porque substâncias produzidas em maior escala entre os pacientes deprimidos podem lesar os vasos sanguíneos.

    Mais do que isso, a doença em si faz o sujeito se importar menos com a própria saúde. Ele para de se exercitar, começa a comer pior, abandona o tratamento de eventuais doenças… E quem sofre com isso é o coração, literalmente.

    Resumo da ópera

    Segundo Duailibi, essas questões ajudam a entender levantamentos que indicam que, quanto mais sintomas da insônia águem apresenta, maior a probabilidade de infarto. Ou seja, é bom levar a sério sinais como dificuldade de concentração, sonolência diurna e irritação. Dormir não é desperdício de tempo, como muita gente alega.

    E um último dado para chamar atenção: menos de seis horas de sono aumenta o risco de morte por qualquer causa. Que tal valorizar o descanso?

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