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O governo distribuiu suplementos de vitamina A para bebês com casos suspeitos de sarampo. Checamos se isso evita complicações neles e em outros grupos

O Ministério da Saúde anunciou o envio de cápsulas de vitamina A aos estados que enfrentam surtos de sarampo. Segundo o boletim oficial, elas são destinadas aos bebês com menos de 6 meses de vida e que têm suspeita da doença.

A medida pegou de surpresa muitos brasileiros que desconheciam o uso de suplementos desse nutriente no tratamento do sarampo. Mas os médicos encaram a recomendação como positiva.

“A deficiência de vitamina A é um fator de risco para internações, problemas nos olhos e morte decorrente do sarampo entre crianças. Há muitos estudos comprovando o benefício da suplementação”, explica Marco Aurélio Safadi Palazzi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Os baixos níveis da substância são mais comuns em regiões pobres, que lidam com a desnutrição infantil. Só que o sarampo em si também diminui a concentração de vitamina A no sangue — ou seja, uma criança infectada de qualquer lugar do país está sujeita a essa deficiência. “Essa é a maior preocupação, porque a vitamina protege a pele e mucosas, dois tecidos agredidos pelo vírus”, destaca Regina Célia de Menezes Succi, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Embora o governo tenha se concentrado nos pequenos com menos de 6 meses por causa dos surtos de 2019, crianças mais velhas com suspeita de sarampo também se beneficiam dos comprimidos de vitamina A. De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, há evidências robustas de redução na mortalidade com esse tratamento em pequenos de até 2 anos.

Em meninos e meninas acima dessa faixa etária, as pesquisas são menos contundentes, mas também sugerem uma queda no risco de complicações com os suplementos.

O que a vitamina A tem a ver com o sarampo

Ela está em diversos alimentos, como folhas verde-escuras, cenoura, ovos e frutas. “Não conhecemos muito bem os motivos para a relação específica com o sarampo, mas se sabe que a vitamina A tem um papel no sistema imune, além de atuar na manutenção da saúde ocular”, aponta Palazzi.

Entre outras coisas, o nutriente é anti-inflamatório e participa da fabricação da mucina, um tipo de proteína que impede a entrada de micro-organismos nocivos na pele e nas mucosas. Por isso que sua carência, quando provocada pelo vírus do sarampo, deixa essas estruturas vulneráveis.

Histórico de uso

Nos anos 1970 e 1980, quando o Brasil enfrentava epidemias constantes de sarampo, a desnutrição infantil era mais comum. Não à toa, o vírus provocava mais estragos.

“Desde essa época começamos a administrar vitamina A para evitar complicações, e verificamos que isso diminuía a mortalidade em crianças”, comenta Regina.

Quando tomar a vitamina A contra o sarampo?

Somente em casos de suspeita da doença, mesmo que ainda não exista a confirmação por meio do exame de sangue. As doses são consideradas seguras e até fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS) onde a desnutrição é uma realidade.

Para o uso específico contra o sarampo, os postos dos estados em surto estão oferecendo cápsulas de 50 mil UI para os bebês com menos de 6 meses. Contudo, a quantidade a ser ingerida varia conforme a idade.

De acordo com o informe do ministério, em crianças de 6 meses a 1 ano, a concentração sobe para 100 mil UI. Acima dessa faixa etária, a orientação é administrar 200 mil UI.

A aplicação envolve duas doses. Uma no momento em que surge a suspeita e a outra no dia seguinte.

Atenção: os especialistas ainda não sabem se adultos infectados se beneficiariam da suplementação. Os médicos ouvidos pela SAÚDE especulam que o efeito positivo até pode ser o mesmo, mas destacam que ainda não há provas concretas disso.

Fora o uso da vitamina A nas crianças, não há tratamento específico para o sarampo. O melhor mesmo é prevenir.

Posso tomar vitamina A para evitar o sarampo?
Não existem evidências de que tomar comprimidos com o nutriente previne contra a doença. Até porque sua deficiência não é comum nas regiões mais afetadas pelo sarampo — e suas fontes alimentares são amplamente consumidas na maioria do país.

“A única coisa que realmente diminui o risco de infecção é a vacina”, enfatiza Regina.

Brinquedo ajuda no entendimento do braille, o sistema de escrita com pontos em relevo que permite a pessoas cegas ler pelo tato

A disponibilidade de audiolivros e aplicativos para deficientes visuais é cada vez maior. Por isso, o aprendizado do braille às vezes tem ficado em segundo plano. Só que isso dificulta o desenvolvimento da autonomia das crianças que não enxergam ou têm baixa visão.

Para virar esse jogo, o Grupo Lego, junto com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a Universidade Estadual Paulista, criou o projeto Lego Braille Bricks. São kits de 250 peças moldadas com o mesmo número de pontos em relevo de letras e números do alfabeto para deficientes visuais.

“Se não entenderem coisas simples como letras maiúsculas, separação de palavras e pontuação, essas crianças poderão ter dificuldades, mais tarde, de se inserir na universidade e no mercado de trabalho”, justifica Ika Fleury, membro do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill. Com o brinquedo, a meninada aprende se divertindo.

Outras formas de aprender Braille

O Lego não é a única forma de os pequenos desbravarem o alfabeto para cegos: jogos interativos que dependem do tato também podem ser usados na escola. Mas, segundo Ika Fleury, eles são apenas complementos.

A máquina de escrever com teclas em braille ou o reglete com punção (instrumento de madeira com ponta metálica que perfura o papel) compõem o sistema tradicional.

A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola foi acusada no passado de provocar autismo. Mas um estudo com 650 mil crianças refuta essa teoria – outra vez

Que nos perdoem os defensores do movimento antivacina, mas, com as evidências científicas disponíveis hoje, afirmar que a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubérola) causa autismo é, no mínimo, negar a realidade. Se não bastassem os estudos anteriores, agora um levantamento dinamarquês com mais de 650 mil crianças deixa claro que não há qualquer associação entre as injeções e esse transtorno – mesmo entre os pequenos mais suscetíveis a ele.

Nesse último experimento, pesquisadores da Universidade de Copenhague cruzaram registros de vacinação de 657 461 crianças com dados de desordens psiquiátricas. Ao longo dos anos, 6 517 delas desenvolveram autismo.

Ao comparar a turma que tomou a tríplice viral com a que não a recebeu, ficou claro que não há qualquer ligação de autismo com a vacina. E isso valeu mesmo para os pequenos mais predispostos à doença (como àqueles cujos irmãos são autistas).

“Não encontramos qualquer apoio para a hipótese de aumento no risco de autismo após a vacinação para sarampo, caxumba e rubéola nessa população”, reforçam os autores, no artigo. E eles estão longe de estarem sozinhos.

Onde surgiu a polêmica e o que veio depois

Essa relação sem pé nem cabeça do autismo com a vacinação ganhou os holofotes por causa de um estudo fraudulento publicado em 1998 – que terminou com a cassação da licença para praticar medicina do seu autor. Nossa colunista contou essa história em detalhes neste artigo.

De lá para cá, uma série de experimentos sérios rejeita a teoria. Os próprios autores desse último estudo já haviam se debruçado sobre o assunto em outro artigo com 537 mil crianças dinamarquesas.

“Uma crítica ao nosso trabalho anterior era o de que ele e outras investigações não abordavam um eventual risco em crianças presumivelmente mais suscetíveis ao autismo”, afirmaram os experts dinamarqueses. “Nesse trabalho, nós avaliamos inclusive isso”, reforçaram.

Ou seja, de uma vez por todas, vamos parar de espalhar essa notícia falsa e estimular a vacinação infantil.

Antes considerada uma doença de adultos, o diabetes tipo 2 invadiu a infância e a adolescência. E uma especialista atribui isso a hábitos e excesso de peso

A incidência de crianças e adolescentes acima do peso ou obesos vem crescendo rapidamente. Na última década, um terço das crianças norte-americanas foram diagnosticadas com sobrepeso e 17%, como obesas. Na América Latina, uma em cada cinco está acima do peso ou é obesa. No Brasil, observa-se uma disseminação da obesidade em todas as faixas etárias – mas com um especial e nada positivo destaque para os menores de 18 anos.

Diversas doenças crônicas são associadas à obesidade, como infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, trombose, enfermidades autoimunes, alterações de crescimento e desenvolvimento e até mesmo o câncer.

Aqui também se destaca o diabetes tipo 2. Ele é um dos problemas crônicos mais fortemente ligados à obesidade. Antigamente conhecido como “diabetes do adulto”, os casos na infância começaram a surgir com maior frequência graças à epidemia de obesidade. E pior: a incidência já no começo da vida têm aumentado em larga escala nos últimos anos.

Por quê? O excesso de peso leva a um estado de resistência à ação da insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela entrada de glicose para dentro das células. Se a obesidade persiste, essa alteração metabólica provoca a falência das células do pâncreas e a consequente diminuição na produção de insulina. Resultado: um aumento duradouro da glicose no sangue – está aí o diabetes tipo 2.

As principais causas relacionadas ao crescente número de crianças e adolescentes obesos e com diabetes envolvem mudanças típicas do mundo moderno, como falta de atividade física, aumento da disponibilidade de alimentos com altos índices calóricos e em porções maiores, redução das horas de sono e o estresse. A predisposição genética tem um papel no surgimento do diabetes nas primeiras décadas de vida, mas não é o único fator, como alguns acreditam.

Para ajudar a combater a obesidade nessa faixa etária, a sociedade médica tem pressionado os governos para criar políticas de saúde. Em 2014, os países integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) assinaram um acordo para desestimular o consumo de produtos alimentícios industrializados com a adição de altas concentrações de açúcares. Entre outras ações, o plano previu a implementação de políticas fiscais, como impostos sobre as bebidas açucaradas e os produtos com alto valor energético, mas pobre em nutrientes. Observou-se que o aumento de 10% no preço resultou na queda de 11,6% na demanda por esses alimentos.

Entretanto, ainda cabe aos educadores, profissionais de saúde e principalmente aos pais observar os hábitos alimentares das crianças e estimular não só a alimentação saudável como também a prática de atividades físicas. O acompanhamento do crescimento pelo médico pediatra deve envolver mensurações frequentes do peso e da altura da criança e qualquer desequilíbrio precisa ser investigado. Juntos, podemos começar a virar essa maré.

*Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica, membro do departamento de endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenadora do Ambulatório de Obesidade do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Conheça a imunodeficiência primária, condição que compromete as defesas e, muitas vezes, é difícil de ser diagnosticada

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Não adianta culpar as mudanças no clima ou a pouca idade. Se uma criança fica de cama com frequência e apresenta infecções graves, que resistem aos tratamentos, pode ser sinal de imunodeficiência primária, distúrbio de origem genética e hereditária que passa uma rasteira no sistema imune.

O problema acomete uma em cada 10 mil pessoas. Na maioria dos casos, atinge a capacidade de o organismo produzir anticorpos que impedem o ataque de micróbios nocivos. Daí a recorrência, entre esses indivíduos, de males como pneumonia, sinusite, otite…

Aproveitando que estamos na Semana Mundial da Imunização e na Semana de Conscientização sobre a doença, conversamos sobre o assunto com a médica Beatriz Souza, professora livre-docente de pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Há uma estimativa de que leva até seis anos para a imunodeficiência primária ser descoberta. O que dificulta o diagnóstico?
Fora as dificuldades que envolvem os testes laboratoriais que avaliam o desempenho do sistema imune, como o hemograma, muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde, ignoram ou não conhecem essa condição. Ou seja, acabam tratando apenas os sintomas até que, depois de muitas idas ao médico pelos mesmos motivos, uma investigação mais aprofundada é solicitada. Eis a importância da informação e da triagem neonatal (o teste do pezinho), que consegue detectar esse e outros problemas logo nos primeiros dias de vida.

Adultos também podem sofrer com a imunodeficiência primária?
Sim. Mesmo que o sujeito tenha nascido com a mutação genética que irá predispor a doença, ela pode se manifestar muitos anos após o parto.

Como é feito o tratamento?
Com imunoglobulina humana, isto é, transfusões periódicas feitas para repor os anticorpos que a pessoa não consegue produzir. Antibióticos específicos também podem ser prescritos.

Vacinas em geral ajudam nesses casos?
Depende de quão baixa é a produção de anticorpos. É que a vacina nos expõe aos vírus ou às bactérias que causam determinadas doenças a fim de estimular o corpo a combatê-las. Se o organismo não consegue fabricar anticorpos suficientes para isso depois, esse recurso tem efeito contrário e acaba contaminando o paciente.

A vida de quem carrega essa mutação genética possui limitações?
Mesmo seguindo o tratamento à risca, recomendamos, como medida preventiva, que o contato com pessoas doentes seja restringido.

Esse nutriente, encontrado em produtos de origem animal, cumpre um papel importante no crescimento dos pequenos

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Falta de vitamina B12 pode estar por trás do baixo rendimento cognitivo de meninos e meninas que vivem em países subdesenvolvidos, onde o consumo de carne, leite, ovos, queijo e outras fontes da substância costuma ser limitado. A conclusão vem do instituto de pesquisa norueguês Uni Research.

Cientistas desse centro acadêmico cruzaram a Europa para coletar o sangue de 500 bebês nascidos no Nepal. Cinco anos depois, reencontraram 320 desses voluntários mirins a fim de obter uma nova amostra e realizar testes que avaliam o desempenho dos neurônios.

Para a surpresa dos estudiosos, as taxas de vitamina B12 dessa turma não eram das piores — mas ainda assim estavam abaixo do recomendado. Acima disso, as crianças com maior carência do nutriente apresentavam dificuldade em realizar tarefas básicas, como montar um quebra-cabeça e reconhecer letras e formas geométricas.

Claro que outras questões entram em jogo no desenvolvimento cognitivo infantil — como a oferta de professores e pediatras bem treinados. Mas é bem plausível que o aporte adequado de vitamina B12, ao estimular o cérebro, contribua para o raciocínio rápido.

E nem pense que, a partir da pré-adolescência, a presença do nutriente em questão é dispensável. Pelo contrário: em doses adequadas, ele aumenta a quantidade de células nervosas e favorece a comunicação entre uma e outra. Portanto, deve-se ficar atento à deficiência da substância — principalmente entre vegetarianos ou veganos, que não contam com muitas boas fontes dela.

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Pesquisa sugere que pouco sono leva crianças a comer por recompensa

foto-imagem-sono-criancaCrianças que não dormem o suficiente podem estar propensas a ter mais vontade de comer, sugere um novo estudo.

A pesquisa revelou que crianças de 5 anos que dormiram menos de 11 horas por noite mostraram-se com mais vontade de comer ao ver ou se lembrar de sua guloseima preferida, em comparação àquelas que dormiram mais. O trabalho foi publicado na revista científica “International Journal of Obesity”.

As crianças que dormiram menos de 11 horas também apresentaram um IMC mais alto do que aquelas que dormiram mais de 11 horas. Os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos recomendam de 11 a 12 horas de sono para crianças em idade pré-escolar.

“Há agora um acúmulo de evidências tanto para crianças quanto para adultos que sugerem que o sono curto ou insuficiente estimula o consumo de alimentos por recompensa (comer hedônico)”, diz Laura McDonald, principal autora do estudo e pesquisadora da University College London em um e-mail para a Reuters.

“Isso, é claro, é uma preocupação”, acrescentou, “dado que vivemos em uma ambiente moderno ‘obesogênico'”, onde alimentos saborosos e altamente calóricos “são amplamente disponíveis e baratos de consumir”.

Estudos anteriores mostraram que pouco sono aumenta significantemnete os riscos de uma criança ter sobrepeso ou obesidade. Mas pouco se sabia sobre o efeito do sono na ingestão diária de calorias.

“Alguns estudos usando imagens cerebrais mostraram que a restrição do sono aumenta a resposta em centros de recompensa do cérebro em resposta a imagens de comidas saborosas… No entanto, nenhum estudo em crianças tinha examinado se o sono muda a receptividade à comida”, observou McDonald.

Receptividade à comida

O estudo envovleu 1.008 crianças de 5 anos nascidas em 2007 na Inglaterra e no País de Gales. Os pesquisadores pediram às mães responderem um questionário sobre a receptividade dos pequenos a alimentos e seu comportamento em relação à comida quando estavam presumivelmente satisfeitos, logo depois de comer.

“Isso, é claro, é uma preocupação”, acrescentou, “dado que vivemos em uma ambiente moderno ‘obesogênico'”, onde alimentos saborosos e altamente calóricos “são amplamente disponíveis e baratos de consumir”.

Estudos anteriores mostraram que pouco sono aumenta significantemnete os riscos de uma criança ter sobrepeso ou obesidade. Mas pouco se sabia sobre o efeito do sono na ingestão diária de calorias.

“Alguns estudos usando imagens cerebrais mostraram que a restrição do sono aumenta a resposta em centros de recompensa do cérebro em resposta a imagens de comidas saborosas… No entanto, nenhum estudo em crianças tinha examinado se o sono muda a receptividade à comida”, observou McDonald.

Receptividade à comida

O estudo envovleu 1.008 crianças de 5 anos nascidas em 2007 na Inglaterra e no País de Gales. Os pesquisadores pediram às mães responderem um questionário sobre a receptividade dos pequenos a alimentos e seu comportamento em relação à comida quando estavam presumivelmente satisfeitos, logo depois de comer.

USP examinou crianças e acha mais sobrepeso infantil em comunidade do RJ que em SP

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Levantamento feito com crianças e adolescentes de comunidades de baixa renda de São Paulo e Rio de Janeiro apontou que o excesso de peso é maior entre os cariocas dessa faixa etária do que entre os paulistanos. A análise foi elaborada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP, dentro do programa Meu Pratinho Saudável.

Em outubro, especialistas examinaram 350 crianças e adolescentes da comunidade Cidade de Deus, no Rio, e outras 350 de Paraisópolis, em São Paulo. Todos passaram por aferição de peso, altura e circunferência abdominal.

A amostragem indicou que na capital paulista 27,8% dos avaliados estavam acima do peso ideal. Já no Rio de Janeiro, o índice chegou a 55,7% (mais da metade).

Em relação aos hábitos alimentares, 71% das crianças pesquisadas no Rio relataram o consumo regular de frituras, 70%, de doces e 76%, de refrigerantes. Em São Paulo, 75% dos pesquisados consomem muita fritura, 76%, doces e 80,5%, refrigerantes.

Elisabete Almeida, médica especialista em obesidade investiga com o programa, desde 2011, a obesidade infantil e o sobrepeso no Brasil. Segundo ela, as altas taxas detectadas nas comunidades pobres são preocupantes e indicam um descontrole nutricional maior na parcela mais carente da população. Para se ter ideia, a taxa média de sobrepeso em grupos de crianças e adolescentes de classe média é de 30%, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Antigamente, essa população sofria de desnutrição. Hoje não tem mais isso. O aumento da renda das classes E e D tem feito as famílias comprar muitas ‘bobagens’ como congelados, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos de caixinha, achocolatados e etc.”, disse ela. “Isso indica que essa população é a que mais precisa de educação em alimentação, porque uma criança ou adolescente com sobrepeso é um indicativo de um possível adulto obeso”, complementou.

Epidemia preocupante

Segundo o médico Paulo Ferrez Collett Solberg, do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pesquisa é uma amostragem muito pequena e seleta e, por isso, não é possível generalizar a comparação entre as crianças e adolescentes do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ele afirma que essa amostra reflete o quanto a obesidade infantil está em alta no Brasil.

“O nosso estilo de vida está mudando. Ao mesmo tempo em que você combate a desnutrição, você aumenta o acesso a alimentos altamente calóricos, mas não saudáveis. Além disso, fazemos menos atividades físicas do que antigamente, ou seja, estamos mais sedentários. [A obesidade] é uma epidemia mundial”, afirma Solberg sobre a obesidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada três meninos e meninas de 5 a 9 anos está acima do peso normal para a idade. O fenômeno é grave também entre pessoas de 10 a 19 anos, faixa de idade em que o excesso de peso gira em torno de 20%.

Os médicos ouvidos pelo G1 concordam que é preciso estimular políticas públicas para combater a obesidade infantil, com a criação de campanhas educativas para controlar o ganho de peso, responsável por provocar problemas sérios como hipertensão, colesterol alto e diabetes.

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A cada 68 crianças americanas tem autismo

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Uma em cada 68 crianças americanas tem autismo, de acordo com as estimativas reveladas nesta quinta-feira (27) pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, o que representa um aumento de 30% em comparação com os números anteriores, divulgados em 2012.

Há dois anos, uma em cada 88 crianças sofria transtornos do espectro autista, segundo o informe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano.

Segundo a agência Reuters, os pesquisadores do CDC afirmaram que as informações foram obtidas por meio da análise de crianças de 11 comunidades e podem não representar toda a população nacional. Eles também não investigaram por que as taxas subiram tanto, mas há algumas pistas. Neste último relatório, quase metade das crianças identificadas como autistas tinham QI médio ou acima da média. Há uma década, somente um terço das crianças identificadas como autistas estavam nessa situação.

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“Pode ser que os médicos estejam ficando melhores em identificar essas crianças; pode ser que exista um número crescente de crianças com autismo com habilidades intelectuais mais altas, ou pode ser uma combinação de melhores diagnósticos com aumento da prevalência”, disse Coleen Boyle, diretora do Centro Nacional de Defeitos Congênitos e Deficiências de Desenvolvimento do CDC.

Alguns especialistas acreditam que as taxas mais altas refletem o fato de que pais, médicos e professores estão prestando mais atenção no autismo, o que resultaria em mais crianças sendo diagnosticadas com o distúrbio.

Para o estudo, foram avaliados histórico médico, escolar e outros registros de crianças de 8 anos de 11 comunidades americanas para determinar se elas tinham autismo.

O relatório aponta que a distribuição geográfica do número de crianças autistas é irregular: enquanto uma a cada 175 crianças no Alabama tem a doença, em Nova Jersey, o distúrbio foi identificado em uma a cada 45 crianças.

De acordo com esses números, o autismo é quase cinco vezes mais comum em meninos do que meninas. Entre os meninos, um a cada 42 são afetados e, entre as meninas, uma a cada 189 são afetadas. A pesquisa também concluiu que há mais crianças brancas do que negras ou hispânicas afetadas pelo autismo.

Segundo a pesquisa, a maioria das crianças com autismo são diagnosticadas depois dos 4 anos de idade, embora a síndrome possa ser detectada a partir dos 2 anos. “Temos que fazer mais para diagnosticar crianças antes”, diz Coleen. “A detecção precoce do autismo é a ferramenta mais eficaz que temos para fazer a diferença na vida dessas crianças”, garante.

Em oito anos, obesidade entre crianças de dois a cinco anos caiu 43%

foto-imagem-crianças-obesasA obesidade entre crianças de dois a cinco anos nos Estados Unidos caiu 43% em oito anos, revela uma pesquisa publicada nesta terça-feira (25). No entanto, o problema ainda afeta 1/3 dos adultos e 17% das crianças com mais de cinco anos e adolescentes.

A taxa de obesidade entre as diferentes faixas etárias do país se manteve estável na última década, mas no caso de crianças com entre dois e cinco anos registrou uma espetacular queda, passando de 14% no período 2003-2004 para cerca de 8% em 2011-2012, segundo pesquisa publicada pela Revista da Associação Médica Americana.

Outros estudos do CDC (Centro para o Controle e Prevenção de Enfermidades) revelam uma redução da obesidade entre crianças de dois a quatro anos de famílias menos favorecidas que participam dos programas federais de nutrição, informou o diretor do CDC, Tom Frieden.

Pesquisa relaciona obesidade infantil a tempo que as crianças permanecem na frente da TVs

As razões precisas desta redução da obesidade ainda não estão claras, mas podem ser relacionadas a melhoria da nutrição e a programas de educação física nas creches.

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As estatísticas do CDC também revelam uma queda no consumo de bebidas com açúcar entre os jovens e um aumento no número de bebês alimentados com leite materno nos Estados Unidos.

As notícias não são tão boas entre os adultos: em 2011-2012 nada menos que 68% sofriam de sobrepeso ou obesidade, um problema que cresceu entre as mulheres com mais de 60 anos, passando de 31,5% em 2003-2004 para 38% oito anos depois.