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O governo distribuiu suplementos de vitamina A para bebês com casos suspeitos de sarampo. Checamos se isso evita complicações neles e em outros grupos

O Ministério da Saúde anunciou o envio de cápsulas de vitamina A aos estados que enfrentam surtos de sarampo. Segundo o boletim oficial, elas são destinadas aos bebês com menos de 6 meses de vida e que têm suspeita da doença.

A medida pegou de surpresa muitos brasileiros que desconheciam o uso de suplementos desse nutriente no tratamento do sarampo. Mas os médicos encaram a recomendação como positiva.

“A deficiência de vitamina A é um fator de risco para internações, problemas nos olhos e morte decorrente do sarampo entre crianças. Há muitos estudos comprovando o benefício da suplementação”, explica Marco Aurélio Safadi Palazzi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Os baixos níveis da substância são mais comuns em regiões pobres, que lidam com a desnutrição infantil. Só que o sarampo em si também diminui a concentração de vitamina A no sangue — ou seja, uma criança infectada de qualquer lugar do país está sujeita a essa deficiência. “Essa é a maior preocupação, porque a vitamina protege a pele e mucosas, dois tecidos agredidos pelo vírus”, destaca Regina Célia de Menezes Succi, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Embora o governo tenha se concentrado nos pequenos com menos de 6 meses por causa dos surtos de 2019, crianças mais velhas com suspeita de sarampo também se beneficiam dos comprimidos de vitamina A. De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, há evidências robustas de redução na mortalidade com esse tratamento em pequenos de até 2 anos.

Em meninos e meninas acima dessa faixa etária, as pesquisas são menos contundentes, mas também sugerem uma queda no risco de complicações com os suplementos.

O que a vitamina A tem a ver com o sarampo

Ela está em diversos alimentos, como folhas verde-escuras, cenoura, ovos e frutas. “Não conhecemos muito bem os motivos para a relação específica com o sarampo, mas se sabe que a vitamina A tem um papel no sistema imune, além de atuar na manutenção da saúde ocular”, aponta Palazzi.

Entre outras coisas, o nutriente é anti-inflamatório e participa da fabricação da mucina, um tipo de proteína que impede a entrada de micro-organismos nocivos na pele e nas mucosas. Por isso que sua carência, quando provocada pelo vírus do sarampo, deixa essas estruturas vulneráveis.

Histórico de uso

Nos anos 1970 e 1980, quando o Brasil enfrentava epidemias constantes de sarampo, a desnutrição infantil era mais comum. Não à toa, o vírus provocava mais estragos.

“Desde essa época começamos a administrar vitamina A para evitar complicações, e verificamos que isso diminuía a mortalidade em crianças”, comenta Regina.

Quando tomar a vitamina A contra o sarampo?

Somente em casos de suspeita da doença, mesmo que ainda não exista a confirmação por meio do exame de sangue. As doses são consideradas seguras e até fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS) onde a desnutrição é uma realidade.

Para o uso específico contra o sarampo, os postos dos estados em surto estão oferecendo cápsulas de 50 mil UI para os bebês com menos de 6 meses. Contudo, a quantidade a ser ingerida varia conforme a idade.

De acordo com o informe do ministério, em crianças de 6 meses a 1 ano, a concentração sobe para 100 mil UI. Acima dessa faixa etária, a orientação é administrar 200 mil UI.

A aplicação envolve duas doses. Uma no momento em que surge a suspeita e a outra no dia seguinte.

Atenção: os especialistas ainda não sabem se adultos infectados se beneficiariam da suplementação. Os médicos ouvidos pela SAÚDE especulam que o efeito positivo até pode ser o mesmo, mas destacam que ainda não há provas concretas disso.

Fora o uso da vitamina A nas crianças, não há tratamento específico para o sarampo. O melhor mesmo é prevenir.

Posso tomar vitamina A para evitar o sarampo?
Não existem evidências de que tomar comprimidos com o nutriente previne contra a doença. Até porque sua deficiência não é comum nas regiões mais afetadas pelo sarampo — e suas fontes alimentares são amplamente consumidas na maioria do país.

“A única coisa que realmente diminui o risco de infecção é a vacina”, enfatiza Regina.

Brinquedo ajuda no entendimento do braille, o sistema de escrita com pontos em relevo que permite a pessoas cegas ler pelo tato

A disponibilidade de audiolivros e aplicativos para deficientes visuais é cada vez maior. Por isso, o aprendizado do braille às vezes tem ficado em segundo plano. Só que isso dificulta o desenvolvimento da autonomia das crianças que não enxergam ou têm baixa visão.

Para virar esse jogo, o Grupo Lego, junto com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a Universidade Estadual Paulista, criou o projeto Lego Braille Bricks. São kits de 250 peças moldadas com o mesmo número de pontos em relevo de letras e números do alfabeto para deficientes visuais.

“Se não entenderem coisas simples como letras maiúsculas, separação de palavras e pontuação, essas crianças poderão ter dificuldades, mais tarde, de se inserir na universidade e no mercado de trabalho”, justifica Ika Fleury, membro do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill. Com o brinquedo, a meninada aprende se divertindo.

Outras formas de aprender Braille

O Lego não é a única forma de os pequenos desbravarem o alfabeto para cegos: jogos interativos que dependem do tato também podem ser usados na escola. Mas, segundo Ika Fleury, eles são apenas complementos.

A máquina de escrever com teclas em braille ou o reglete com punção (instrumento de madeira com ponta metálica que perfura o papel) compõem o sistema tradicional.

A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola foi acusada no passado de provocar autismo. Mas um estudo com 650 mil crianças refuta essa teoria – outra vez

Que nos perdoem os defensores do movimento antivacina, mas, com as evidências científicas disponíveis hoje, afirmar que a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubérola) causa autismo é, no mínimo, negar a realidade. Se não bastassem os estudos anteriores, agora um levantamento dinamarquês com mais de 650 mil crianças deixa claro que não há qualquer associação entre as injeções e esse transtorno – mesmo entre os pequenos mais suscetíveis a ele.

Nesse último experimento, pesquisadores da Universidade de Copenhague cruzaram registros de vacinação de 657 461 crianças com dados de desordens psiquiátricas. Ao longo dos anos, 6 517 delas desenvolveram autismo.

Ao comparar a turma que tomou a tríplice viral com a que não a recebeu, ficou claro que não há qualquer ligação de autismo com a vacina. E isso valeu mesmo para os pequenos mais predispostos à doença (como àqueles cujos irmãos são autistas).

“Não encontramos qualquer apoio para a hipótese de aumento no risco de autismo após a vacinação para sarampo, caxumba e rubéola nessa população”, reforçam os autores, no artigo. E eles estão longe de estarem sozinhos.

Onde surgiu a polêmica e o que veio depois

Essa relação sem pé nem cabeça do autismo com a vacinação ganhou os holofotes por causa de um estudo fraudulento publicado em 1998 – que terminou com a cassação da licença para praticar medicina do seu autor. Nossa colunista contou essa história em detalhes neste artigo.

De lá para cá, uma série de experimentos sérios rejeita a teoria. Os próprios autores desse último estudo já haviam se debruçado sobre o assunto em outro artigo com 537 mil crianças dinamarquesas.

“Uma crítica ao nosso trabalho anterior era o de que ele e outras investigações não abordavam um eventual risco em crianças presumivelmente mais suscetíveis ao autismo”, afirmaram os experts dinamarqueses. “Nesse trabalho, nós avaliamos inclusive isso”, reforçaram.

Ou seja, de uma vez por todas, vamos parar de espalhar essa notícia falsa e estimular a vacinação infantil.

Aproveitamos o desembarque de duas medicações modernas contra essa doença para revelar suas causas, sintomas, métodos diagnósticos e tratamentos

Setembro, também conhecido como o Mês Nacional de Conscientização da Fibrose Cística, trouxe uma ótima notícia para os brasileiros com essa doença: a chegada no Brasil do remédio Kalydeco, da farmacêutica Vertex, que melhora bastante a vida de parte dos pacientes. Meses antes, outro medicamento – o Orkambi, da mesma empresa – também havia sido aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para outros subtipos da enfermidade. Para abordar essas novidades, precisamos antes explicar o que é a doença, quais seus sintomas e como era o tratamento antes.

O que é fibrose cística?

Ela é uma doença rara, que atinge cerca de 70 mil pessoas no mundo. Por defeitos no gene CFTR, o paciente praticamente não fabrica uma proteína, também chamada de CFTR, ou a gera com diferentes defeitos. E daí?

“Essa proteína é fundamental na liberação de água das células para a produção de secreções do corpo”, explica Rodrigo Athanazio, pneumologista e parceiro do Instituto Unidos Pela Vida, uma organização focada na fibrose cística. Isso, por sua vez, faz com que diferentes líquidos originados pelo organismo, do catarro (muco) ao suor, fiquem mais espessos do que o normal.

A questão é que essas mudanças nas secreções do organismo provocam diferentes repercussões pelo corpo. Uma das mais graves atinge os pulmões: 80% dos indivíduos com fibrose cística morrem por complicações nesse órgão, segundo Athanazio.

Isso porque o espessamento do muco facilita infecções graves e uma inflamação que danifica os pulmões, o que, com o tempo, afeta demais a respiração. Aliás, o catarro mais viscoso típico da fibrose cística também favorece sinusites de repetição nos seios da face.

O pâncreas é outra parte do corpo muito atingida. Para quem não sabe, essa estrutura gera diferentes enzimas digestivas, que ajudam a quebrar os alimentos e aproveitar os nutrientes. Ocorre que as alterações dessa doença culminam em danos a esse órgão e comprometem o seu trabalho.

Resultado: logo na infância, a criança não consegue digerir alimentos, causando desnutrição e atraso no desenvolvimento. Daí porque, mesmo se não diagnosticada antes com exames, essa doença tende a ser flagrada ainda nos primeiros anos de vida. Entretanto, é possível que quadros, digamos, mais leves só sejam detectados na fase adulta.

Tem mais. Embora seja uma consequência menos comum, a fibrosa cística pode injuriar o fígado em cerca de 5% dos casos, eventualmente levando a uma cirrose.

Não há prevenção para esse transtorno, até porque ele é puramente genético. “A pessoa só vai desenvolver a fibrose cística se herdar genes CFTR defeituosos tanto do pai quanto da mãe”, esclarece Athanazio. É o que os especialistas chamam de uma doença autossômica recessiva.

Sintomas e sinais

• Infecções de repetição nas vias respiratórias
• Falta de ar
• Tosse crônica
• Desnutrição
• Perda de peso
• Dor abdominal
• Diarreia amarelada, gordurosa e com odor forte
• Sinusite
• Fadiga
• Desenvolvimento atrasado na infância

Diagnóstico

Uma das particularidades da fibrose cística é afetar as glândulas sudoríparas, que geram suor. Com isso, esse líquido fica especialmente salgado. Tanto que muitas mães sentem esse gosto ao beijarem seus pequenos – ao ponto de essa chateação ganhar o apelido de “doença do beijo salgado”.

Mas o que isso tem a ver com o diagnóstico? “Nós temos um teste que dosa a presença de cloro no suor. Se sua concentração é muito elevada em duas avaliações, confirmamos a presença da fibrose cística”, informa Athanazio.

Há também exames genéticos que identificam aquelas mutações no gene CFTR. Contudo, a verdade é que o teste do suor é bastante confiável (e menos custoso).

“Porém, é importante dizer que, desde 2014, o teste de pezinho deveria incluir a triagem para a fibrose cística”, complementa Athanazio. Em outras palavras, aquela gotinha de sangue tirada do calcanhar do seu bebê na maternidade já levantaria suspeitas para esse problema – converse com os profissionais do hospital para checar essa questão. E a detecção precoce é fundamental para um tratamento efetivo.

Tratamento

Chegamos, enfim, às maneiras de contra-atacar essa doença. Antes da criação do Kalydeco e do Orkambi, a estratégia era basicamente controlar as consequências da fibrose cística.

Se o pâncreas não produz enzimas digestivos direito, o sujeito engole cápsulas com essas moléculas durante a refeição. Para evitar o acúmulo de muco nos pulmões, ele se submete a inalações com substâncias específicas, que ajudam a tornar essa secreção mais fluida. Sessões de fisioterapia respiratória e uso de antibióticos para conter as infecções também são bem comuns.

“O que esses novos medicamentos fazem é agir na doença em si. É como se eles reparassem aquela proteína defeituosa”, contextualiza o pneumologista Rodrigo Athanazio. Aí, as secreções corporais se tornam menos espessas, o que alivia os sintomas e, em tese, diminuiria o ritmo de progressão da doença.

No Brasil, ambas as drogas estão indicadas a partir dos 6 anos de idade. Já nos Estados Unidos, são aprovadas inclusive para maiores de 2 anos. “E há estudos com pacientes ainda menores. Existe a perspectiva de, com a evolução dos estudos, talvez oferecer esse tipo de remédio pouco tempo depois do nascimento”, afirma Athanazio.

O tratamento precoce evita danos irreversíveis da fibrose cística. Por serem novos, ainda não dá pra saber se esses medicamentos aumentarão a expectativa de vida dos enfermos, hoje estimada em 44 anos. “Mas temos evidências iniciais que apontam nesse sentido”, adianta Athanazio.

Ainda assim, é crucial ressaltar que essa nova classe de medicações não vai dispensar o manejo das consequências da fibrose cística. Mais do que isso, ela ainda não é aplicável a todos os acometidos por ela.

Veja: o Kalydeco é eficaz para um conjunto de mutações do gene CFTR comuns a não mais do que 5% das pessoas com fibrose cística. O Orkambi, por sua vez, mira outro subgrupo de alterações no DNA, que correspondem a mais ou menos 20% do total de brasileiros com a doença. A boa notícia é que vários outros fármacos modernos estão sendo experimentados e podem, no futuro, ampliar o acesso.

Na linha de complicações, ambas as drogas não devem ter um preço barato por aqui. O processo de definição do custo ainda está sendo finalizado na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, porém, nos Estados Unidos, o tratamento anual fica em torno de 150 mil dólares. E, sim, os comprimidos precisam ser ingeridos pelo resto da vida.

“A expectativa é, com o tempo, pressionar o SUS para incorporar esses remédios”, diz Athanazio.

Essa infecção contagiosa geralmente causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) abala a saúde principalmente dos menores de 2 anos. Saiba o que fazer

A bronquiolite é uma infecção nos bronquíolos, ramificações dos brônquios que levam oxigênio aos pulmões. Em geral, sua causa é o vírus sincicial respiratório (VSR), que ataca principalmente crianças até os 2 anos de idade. Essa invasão propicia um excesso de muco nos tubinhos por onde o ar passa, comprometendo a captação de oxigênio. Entre os sintomas, o bebê fica com dificuldade para respirar.

Os pequenos são as vítimas preferenciais da bronquiolite, porque seu sistema imune ainda não está maduro para combater direito o agente viral. O VSR é altamente contagioso – ele é transmitido pelo ar, por toque e mesmo por objetos contaminados.

Estima-se que, até os 3 anos, 90% das crianças já terão entrado em contato com o vírus sincicial respiratório. Ainda bem que nem sempre ele provoca estragos. Prematuros e bebês com menos de seis semanas de vida ou com doenças crônicas pulmonares ou cardíacas devem ter cuidado especial. Aqueles com deficiência imunológicas também.

Essa infecção, aliás, é uma das principais causas de internação entre crianças que ainda mamam. Se a bronquiolite não for tratada, pode provocar desidratação, insuficiência respiratória e evoluir para pneumonias, quando outras áreas dos pulmões são afetadas por micro-organismos.

Sinais e sintomas
– Chiado no peito
– Respiração ofegante
– Nariz congestionado
– Tosse, sobretudo na hora de dormir
– Febre
– Tórax inflado (com aspecto semelhante a uma sanfona)
– Vômito

Fatores de risco
– Ser criança com idade inferior a 2 anos
– Entrar em contato com adultos infectados
– Ter deficiências imunológicas

Prevenção
Ainda não existe vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Como se espalha pelo ar com facilidade, o ideal é evitar situações que expõem o bebê a grandes aglomerações, em especial nas primeiras seis semanas de vida.

Também se deve evitar o contato da criança com adultos com sintomas de gripe ou resfriado — nada de colo ou carinho nessas ocasiões. Esses cuidados merecem ser redobrados no inverno, quando o vírus se dissemina com maior facilidade.

Não é preciso, obviamente, deixar seu filho confinado durante essa estação, mas vale a pena priorizar a estada em ambientes ventilados. Outra medida indicada para a prevenção é que os pais caprichem na limpeza das mãos, usando sabão ou álcool em gel.

Há um medicamento chamado palivizumabe que age preventivamente por um mecanismo de imunização passiva. Embora não seja uma vacina – ele não estimula o organismo a produzir anticorpos contra o VSR –, o remédio oferece, digamos, anticorpos artificiais, que protegem o paciente por algum tempo. As doses são mensais e costumam ser dadas no período de maior circulação do vírus.

Mas atenção: ele é indicado somente para os bebês mais vulneráveis aos danos do vírus sincicial respiratório. E só uma avaliação médica criteriosa é capaz de estabelecer isso.

Diagnóstico
Quando mais cedo for detectada a infecção nos bronquíolos, mais rápido e eficaz será o tratamento. Ao surgirem os primeiros sintomas, é importante levar a criança ao pediatra ou hospital. O exame físico, somado a testes complementares como raio x do tórax, confirma o diagnóstico.

Tratamento
Normalmente, o tratamento da bronquiolite pode ser feito em casa. Inalações com soro e medicamentos anticongestionantes tendem a fazer o muco se desgrudar das vias aéreas, melhorando a respiração — tudo, claro, tem de ser prescrito pelo médico. Nem pense em adotar antibióticos por conta própria. Essa classe de remédios se presta a enfrentar bactérias, e a infecção aqui é disparada por vírus.

A hidratação e a amamentação fecham o plano de recuperação do bebê. Nos episódios mais graves, em que ocorre desidratação ou insuficiência respiratória, a criança precisa ser hospitalizada.

Saiba como evitar que o vírus influenza cause estragos na infância, quando a doença é especialmente perigosa

As crianças devem ser especialmente protegidas contra a gripe – não à toa, a campanha nacional de vacinação oferece doses gratuitas para os brasileirinhos entre 6 meses e 5 anos de idade. Por quê?

“Os chamados grupos de risco, que envolvem essa faixa etária, estão mais sujeitos a complicações após a infecção do vírus influenza”, resume a pediatra Renata Scatena, diretora da Casa Crescer, um centro de vacinas de São Paulo. Ou seja, os pequenos têm uma maior probabilidade de sofrer com pneumonias e outros casos graves, que podem inclusive matar.

Ainda assim, Renata ressalta que até os meninos e meninas mais velhos não podem se descuidar – há casos de quadros severos nessa faixa etária também. Para eles, a opção seria tomar a injeção em clínicas particulares, por exemplo.

Aliás, o ideal é que todas as pessoas que vivem ao redor de crianças – ou de outros grupos de risco – se protejam da gripe. Isso porque a vacina não é 100% eficaz, ou seja, alguns garotos podem pegar a doença mesmo após terem ido ao posto de saúde. Agora, se os pais, os avós e os irmãos estão imunizados, é muito mais difícil de o vírus sequer entrar em contato com o novo membro da família.

E os bebês com menos de 6 meses de idade? Eles não devem aplicar a vacina, porque faltam estudos nessa subpopulação. Mas calma: se a mãe recebeu o imunizante na gestação ou logo após o nascimento, vai repassar os anticorpos contra a gripe pelo leite.

Hoje, praticamente não há contraindicações. “Só se pede para evita-la quando o indivíduo está resfriado, por exemplo, para não confundir os sintomas com eventuais reações leves da vacina”, ensina Renata. No mais, talvez o jovem tenha um pouco de dor local, cefaleia ou febre baixa.
Só não ache que a vacinação causa gripe. É balela, como você pode ver clicando aqui. Mais um lembrete: as doses devem ser anuais, assim como em toda a população.

A escola e a gripe

Está aí um local que junta componentes para a disseminação de uma infecção. Veja: as crianças ficam aglomeradas em locais fechados, estão sempre brincando umas com as outras – e, cá entre nós, às vezes até “pegam emprestado” itens como uma chupeta ou garrafinha.

“Mas não é para o seu filho ficar em casa”, tranquiliza Renata. Segundo ela, é importante estimular nos ambientes escolares a vacinação. E, dentro do possível, estipular regrinhas de higiene protetoras.

Por exemplo: lavar as mãos com frequência, não compartilhar chupetas e brinquedos mastigáveis e deixar o pequeno de molho caso os sintomas da gripe deem as caras (febre, nariz escorrendo, tosse…).

As mulheres grávidas não só podem como devem participar da campanha de vacinação de 2018 contra o vírus influenza – saiba o que fazer

A grávida deve tomar a vacina da gripe – ela inclusive tem direito à versão gratuita, que será oferecida na campanha de 2018 do Ministério da Saúde a partir do dia 23 de abril. Ao se imunizar contra essa doença, a mãe protege tanto a si própria como ao bebê.

Benefícios da vacinação na mulher grávida

Os diversos subtipos do vírus influenza podem causar mais estragos na gestação. “Durante a pandemia de gripe em 2009, vi muitas grávidas com quadros sérios da doença”, reitera a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Nelas, é mais comum que, além dos sintomas clássicos (febre, coriza, dor, indisposição), surjam complicações como pneumonia e outras infecções respiratórias. Em situações extremas, isso chega a levar à morte.

“Há uma hipótese de que isso ocorra porque a flutuação hormonal piora a resposta imunológica da paciente a vírus e bactérias”, explica Rosana. A distribuição de líquidos pelo corpo, que se altera nos nove meses, também teria a ver com a maior severidade.

Ao se vacinar, portanto, a futura mamãe evita a gripe e suas complicações. Não à toa, as últimas campanhas incluem as gestantes no grupo de risco, que tem direito à imunização gratuita.

Aliás, há um subtipo do vírus influenza – o H1N1 – que seria especialmente danoso às grávidas. A boa notícia é que a vacina de 2018 foi produzida para também nos proteger contra ele.

E as vantagens para o bebê

Quando recebe sua dose do imunizante, a mãe diminui inclusive a probabilidade de parto prematuro, uma situação que coloca ela e o filho em risco. “A principal causa de prematuridade são as infecções em geral”, relata Rosana.

Claro que, aí, não estamos falando apenas da gripe. Mas o fato é que o processo inflamatório decorrente da invasão do vírus pode, sim, antecipar o parto.

Além disso, os anticorpos produzidos pelo organismo da mãe a partir da vacinação passam para o feto através da placenta. Em outras palavras, a proteção contra a gripe vai se estender para o filho.

E por que isso é tão importante? Ora, antes dos 6 meses de vida, a criança não pode receber essa injeção. Logo, se a mãe não foi atrás de sua dose, o bebê fica suscetível às agressões do vírus influenza. Cabe ressaltar que o sistema imune do pequenino ainda é frágil nessa fase – se ele é infectado, corre maior risco de sofrer problemas graves.

“Até por isso, pedimos para que, dentro do possível, as pessoas que convivem com a criança também se vacinem”, reforça Rosana.

Veja: o imunizante não garante 100% de proteção, inclusive porque os diversos subtipos do vírus influenza estão sempre sofrendo mutações e circulando por lugares diferentes do planeta. Estima-se que 70% das pessoas que aplicam a dose de fato se resguardam contra esses inimigos da saúde.

Assim, pedir para todo mundo que está ao redor da gestante ou da criança aplicar a vacina é uma ótima maneira de afastar qualquer chance de a gripe atingi-las. Quanto menos gente capaz de transmitir a doença na casa, melhor.

A vacinação é segura durante a gestação?

Certamente: Ao contrário da vacina da febre amarela, por exemplo, o vírus colocado na composição do imunizante para a gripe é inativado. Ou seja, não há qualquer risco de ele se espalhar pelo corpo e causar estragos.

Mas por que então algumas pessoas tomam a picada e, depois, relatam sintomas da infecção? Em primeiro lugar, o sistema imune demora dias para produzir os anticorpos – e pode ser que o sujeito tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio termo. É por isso que os experts pedem para a população se proteger antes do inverno, a estação oficial da gripe.

Segundo: como já dissemos, a eficácia da vacina é de 70%. Pode ser, portanto, que a dose não tenha surtido o efeito desejado.

De reações à vacina, é possível que o indivíduo apresente uma alergia local na pele. Entretanto, isso é raro. Ela só está proibida para quem tem alergia severa ao ovo, o que está longe de ser algo frequente.

Quando tomar

A rede pública vai começar a disponibilizar a vacina trivalente – contra as cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata – a partir do dia 23 de abril de 2018. Já as clínicas particulares oferecem a versão quadrivalente, que também afasta o risco de infecção pelo tipo B Victoria. Seu custo varia entre 100 e 200 reais, mais ou menos.

A injeção pode ser administrada em qualquer período da gestação. “Aliás, quem está amamentando e não se imunizou também deveria se vacinar”, completa Rosana.

E que fique claro: a vacinação é anual. Não adianta a mulher achar que, como se protegeu no ano passado, não deve se preocupar agora que está grávida. Como o vírus da gripe está sempre se modificando, as vacinas devem ser adaptadas anualmente.

Um recado final: o bebê pode se vacinar a partir dos 6 meses de vida, se o médico achar conveniente. Só cabe ressaltar que, na primeira vez que uma criança menor de 9 anos receber a picada contra a gripe, será necessária uma dose de reforço.

Especialista explica a importância dos exercícios que trabalham a musculatura, desde que sejam feitos com cuidados e supervisão profissional

Crianças de todas as idades precisam ser incentivadas a praticar atividades físicas. E elas devem ser agradáveis e apropriadas ao seu crescimento e desenvolvimento, além de respeitar suas limitações. Podemos incluir aqui caminhadas, jogos, brincadeiras, danças, esportes e outros exercícios que fortalecem os músculos e os ossos.

A aptidão física da criança ou do adolescente tem de ser estimulada com o objetivo de encorajar a adoção de um estilo de vida saudável, que contemple a prática de exercícios ao longo da fase adulta e na maturidade. Trata-se de um fator importante inclusive para a prevenção ou controle da obesidade infantil, tão frequente atualmente.

Há consenso nos estudos de que atividades que visam o ganho de força e a resistência muscular (caso da própria musculação) são benéficas para crianças e adolescentes por auxiliar em uma série de questões ligadas à saúde:

Desenvolvimento corporal
Equilíbrio
Concentração
Ganho de massa óssea
Controle do peso
Flexibilidade
Redução do risco de lesões
Aumento da força muscular
Controle do colesterol

A recomendação para a população infantil é praticar ao menos 60 minutos de atividades físicas (moderadas a vigorosas) ao dia. Vale pedalar, nadar, correr, saltar… A partir dos 6 anos de idade, a musculação pode ser considerada. O ponto é que a musculação se mostra segura e eficiente para crianças e adolescentes, desde que sistematizada e orientada de perto por um profissional especializado.

De acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva e outros guias, crianças e adolescentes devem fazer atividades de força e resistência para os principais grupos musculares de duas a três vezes por semana, respeitando um dia de intervalo entre os treinamentos para o descanso da musculatura.

As sessões devem durar até 50 minutos e contar com duas a quatro séries de exercícios. A orientação é realizar de oito a 15 repetições por série, com carga moderada e foco no aperfeiçoamento do movimento. Nos outros períodos deve-se incentivar a prática das modalidades que estimulam o convívio social (como os jogos coletivos) e a coordenação motora.

Agora, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que meninos antes do estirão do crescimento (normalmente, entre 14 e 15 anos) e meninas antes da primeira menstruação não pratiquem musculação sem a devida supervisão e orientação. Isso porque atividades de intensidade moderada e vigorosa podem interferir na liberação e circulação do hormônio do crescimento. Se forem realizados de forma extenuante, exercícios podem, portanto, levar a um comprometimento do ganho de altura, sem contar as lesões osteomusculares.

Assim, consultar sempre o pediatra antes de dar início à atividade física regular e contar com supervisão adequada durante os exercícios de força ou musculação são medidas importantes para que crianças e adolescentes se desenvolvam sem riscos.

Estudo traça a partir de qual peso o recém-nascido merece cuidado redobrado para não ficar obeso no futuro

Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

O que tirar de lição

Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

Ainda sem comprovação científica, óleo derivado da planta da maconha vem sendo usado com sucesso para tratar crianças com epilepsia.

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Pais americanos estão se mudando para o Estado do Colorado, onde a maconha foi legalizada, para conseguir tratamento para crianças que têm um tipo raro de epilepsia.

O óleo conhecido como CBD é produzido a partir da planta e não possui efeitos psicoativos.

Ele têm sido usado com sucesso para atenuar as convulsões nestes casos.

Seus efeitos não foram comprovados cientificamente, mas as histórias de sucesso têm atraído cada vez mais famílias ao Estado.

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Pais americanos estão se mudando para o Estado do Colorado, onde a maconha foi legalizada, para conseguir tratamento para crianças que têm um tipo raro de epilepsia