• Pesquisadores capitaneados pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, constataram que a musculação e outras atividades de força beneficiam diretamente o cérebro de quem tem esclerose múltipla. Essa doença autoimune afeta o sistema nervoso, culminando em sintomas como fraqueza e dificuldades de locomoção.

    “O efeito positivo dos exercícios no cérebro é conhecido, mas ainda não sabemos como ocorre”, conta a educadora física brasileira Jéssica Garcia, que trabalha com doenças neurodegenerativas na Universidade de Coimbra, em Portugal.

    O que não se discute é a importância de aderir às sessões de ginástica. “Quem é ativo consegue manter a autonomia”, diz Jéssica. O educador físico Otávio Furtado, cujo mestrado foi focado na doença, concorda: “Há melhora no cansaço, no equilíbrio e na força muscular”.

    Orientações para quem tem esclerose múltipla malhar em segurança

    Comece devagar

    Não era superativo antes? Então nada de virar atleta de repente.

    Fuja do sol forte

    O calor aumenta o risco de surtos. Lembre-se de manter a hidratação.

    Faça natação em água morna

    A temperatura adequada gira em torno de 26 a 30 °C. Nem fria nem quente.

    Evite pancadas na cabeça

    Modalidades como boxe e muay thai podem trazer mais prejuízos ao cérebro.

    Avalie o melhor horário

    Contorne a fadiga. Em geral, de manhã temos mais energia.

    Como identificar um bom professor

    É essencial buscar um profissional que se dedique a conhecer a doença e as limitações que ela impõe a cada pessoa. Um indivíduo com equilíbrio abalado terá necessidades diferentes das de alguém com enrijecimento muscular, por exemplo.

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  • Ele é conhecido como açaí da palmeira juçara, planta nativa da Mata Atlântica. Sim, é a mesma que dá origem ao palmito

    Se confiar na aparência, dá para confundir o açaí amazônico (aquele tradicional) com o fruto da palmeira juçara. “Eles são do mesmo gênero, mas de espécies diferentes”, ensina a nutricionista Cynthia Howlett, do Rio de Janeiro. Isso explica certas particularidades. De acordo com a especialista, o produto da juçara tem três vezes mais antocianinas, substâncias protetoras do coração e do cérebro.

    Se quiser provar, a Ciano Indústria de Alimentos Sustentáveis lançou a marca Juçaí, que oferece a polpa desse fruto somada a ingredientes como inhame (fonte de fibras) e frutas, cheias de vitaminas e minerais. Por ser adoçado, é bom pegar leve. “Logo mais teremos a versão zero açúcar”, avisa Cynthia, consultora da marca. Abaixo, você confere o que encontramos em 100 gramas da polpa dos dois tipos:

    Açaí do Pará

    Energia: 51,4 cal

    Antocianinas: 17,5 mg

    Carboidratos: 4,3 g

    Gorduras totais: 1,3 g

    Açaí da juçara

    Energia: 63,8 cal

    Antocianinas: 61,8 mg

    Carboidratos: 5,7 g

    Gorduras totais: 3,5 g

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  • foto-imagem-chocolate

    A pesquisadora especializada em nutrição Georgina Crichton, da Universidade do Sul da Austrália, analisou uma pesquisa que teve início na década de 1970 nos Estados Unidos e observou mais de mil pessoas durante 30 anos.

    O objetivo da pesquisa, chamada Maine-Syracuse Longitudinal Study (MSLS) – pois envolvia a Universidade do Maine e o Instituto Luxemburgo de Saúde -, era observar a relação entre a pressão sanguínea das pessoas e o desempenho do cérebro.

    Isto foi feito durante décadas até que os pesquisadores resolveram ampliar o estudo e observar outros fatores de risco cardiovascular, incluindo diabetes, obesidade e fumo. A pesquisa teve ao todo sete coletas de dados entre os participantes, feitas com cinco anos de intervalo.

    O pesquisador que liderou o estudo, Merrill Elias, decidiu perguntar aos participantes o que eles comiam e incorporou um novo questionário já na sexta onda de coleta de dados, entre os anos de 2001 e 2006.

    As respostas a esse questionário deram pistas sobre a dieta dos participantes que interessaram os pesquisadores.

    “Descobrimos que as pessoas que comiam chocolate pelo menos uma vez por semana tendiam a ter um melhor desempenho cognitivo. É significativo, toca vários domínios cognitivos”, afirmou Elias.

    A pesquisadora australiana entrou em contato com Merrill Elias, que liderou o MSLS, para fazer uma nova análise da pesquisa.

    “Examinamos se o consumo habitual de chocolate estava associado à função cognitiva (funcionamento do cérebro – memória, concentração, raciocínio, processamento da informação) em cerca de mil indivíduos no MSLS. Descobrimos que aqueles que comeram o chocolate pelo menos uma vez por semana tiveram um melhor desempenho em múltiplas tarefas cognitivas, se comparados àqueles que comiam chocolate menos de uma vez por semana”, disse Georgina Crichton.

    O que foi analisado

    Entre os aspectos analisados estavam memória verbal, memória visual e espacial, organização e raciocínio abstrato, além da habilidade de recordar uma lista de palavras ou onde um objeto foi colocado.

    “Com exceção da memória funcional, essas relações não foram atenuadas com o controle estatístico para fatores cardiovasculares, de dieta e estilo de vida. Isto significa que independentemente de fatores como idade, sexo, nível de educação, colesterol, glicose, pressão sanguínea, energia total e consumo de álcool, a relação entre consumo de chocolate e cognição continuava sendo importante”, afirmou Crichton.

    A pesquisadora afirma que existe uma crença histórica nos benefícios do chocolate, mas baseada apenas na experiência e observação. Agora a ciência está começando a identificar bases para estas crenças.

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    “O chocolate e os flavonoides do cacau eram associados à melhoria em uma série de problemas de saúde que vinham desde tempos antigos e os benefícios cardiovasculares já tinham sido estabelecidos, mas sabíamos muito menos a respeito dos efeitos do chocolate na neurocognição e comportamento”, disse Crichton.

    Ao leite

    Outra boa notícia é que se antes os pesquisadores davam mais ênfase ao chocolate amargo, desta vez não importa se o chocolate consumido é o mais escuro ou ao leite.

    “A maioria das pesquisas se concentrou nos efeitos intensos do chocolate amargo ou das bebidas ricas em cacau. Isso acontecia porque o chocolate amargo tem mais flavonoides do que o chocolate ao leite. Os participantes recebiam chocolate ou cacau para consumir e seu desempenho cognitivo era testado horas depois”, disse Crichton.

    “Nossa pesquisa é inovadora porque pediu para as próprias pessoas registrarem seu consumo normal/habitual. Em segundo lugar, essas pessoas teriam consumido todos os tipos de chocolate, e os dados nacionais sobre a dieta americana mostram que chocolate ao leite era o tipo mais frequente consumido no momento da pesquisa. Em resumo: descobrimos essa associação positiva sem isolar apenas o chocolate amargo.”

    Apesar do entusiasmo da pesquisadora, Crichton e Merrill Elias ainda não sabem a causa exata da melhora no desempenho do cérebro. E Elias vai mais longe.

    “Não é possível falar sobre causalidade, porque isso é quase impossível de se provar com nosso projeto. Mas podemos falar sobre direção. Nosso estudo definitivamente indica que a direção não é que a habilidade cognitiva afeta o consumo de chocolate, mas que o consumo de chocolate afeta a habilidade cognitiva”, afirmou o pesquisador americano.

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  • foto-imagem-cérebro

    Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College de Londres afirmam que os exercícios mentais mantiveram as mentes dos participantes do experimento “afiadas”, ajudando-os na realização de tarefas diárias – como fazer compras e cozinhar.

    Quase 7 mil pessoas de 50 anos ou mais participaram do estudo, que durou seis meses e foi feito em parceria pelo King’s College e o programa de TV da BBC Bang Goes the Theory.

    Um novo estudo, mais longo, está se iniciando agora.

    Treinamento cerebral

    Os voluntários foram recrutados pela BBC, pela Alzheimer’s Society e pelo Medical Research Council (Conselho de Pesquisas Médicas) da Grã-Bretanha. No momento da seleção, nenhum dos participantes apresentava indícios de problemas de memória ou cognição.

    Experimente fazer um dos exercícios de treinamento cerebral do BBC Lab UK: Qual é a flor diferente? (A resposta está no final do texto)

    foto-imagem-flor

    Alguns dos voluntários foram incentivados a entreter-se com jogos de treinamento cerebral tantas vezes quantas quisessem. Cada sessão tinha de durar dez minutos.

    Os outros voluntários (o chamado grupo de controle) fizeram buscas simples na internet.

    O experimento avaliou os participantes por meio de testes padrão de cognição. Os exames foram aplicados três vezes: no início do estudo, após três meses e ao final da pesquisa (após seis meses).

    O objetivo dos testes era verificar se havia diferenças entre os desempenhos cognitivos dos dois grupos.

    Concluído o experimento, os pesquisadores constataram que o grupo que jogou os games de treinamento cerebral para raciocínio e resolução de problemas manteve sua capacidade cognitiva em melhor estado do que o grupo que não jogou.

    Os benefícios foram aparentes nos casos de participantes que jogavam os games pelo menos cinco vezes por semana.

    Artigo sobre a pesquisa publicado na revista científica Journal of Post-acute and Long Term Care Medicine aponta ainda que pessoas com mais de 60 anos que praticavam os jogos relataram melhor desempenho em atividades essenciais do dia a dia.

    No entanto, um estudo anterior feito pelos mesmos pesquisadores constatou que esse tipo de exercício não traz benefícios para pessoas com menos de 50 anos.

    Agora, a equipe do King’s College de Londres está começando um novo experimento para tentar verificar se práticas desse tipo podem ajudar a prevenir o desenvolvimento da demência.

    “(Jogos para) treinamento do cérebro na internet estão se tornando uma indústria milionária e estudos como esse são vitais para que possamos compreender o que games desse tipo podem – e não podem fazer”, afirmou Doug Brown, porta-voz da Alzheimer’s Society.

    “Esse estudo não foi longo o suficiente para avaliar se o pacote de treinamento cerebral pode prevenir o declínio cognitivo ou a demência, mas estamos entusiasmados ao ver que (o treinamento) tem impacto positivo sobre a maneira como pessoas mais velhas desempenham tarefas essenciais do dia a dia.”

    (Resposta: A flor diferente é a circular verde.)

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  • foto-imagem-sonhar

    Durante muitos anos, neurocientistas realizaram pesquisas com base no pressuposto de que o cérebro trabalha mais quando tem uma tarefa específica pela frente e “desliga” se não está sendo estimulado ativamente.

    É por isso que sempre ouvimos falar de testes com voluntários em que eles cumprem alguma tarefa enquanto seu cérebro é monitorado por tomografia ou ressonância magnética. O exame revela quais partes da mente estão mais ativas durante determinada ação, o que possibilita compreender como ela controla nosso comportamento.

    Entre um teste e outro, os pesquisadores costumam pedir para o voluntário olhar para um ponto específico ou não se concentrar em nada, como uma maneira de trazer o cérebro para um estado “neutro”.

    Mas há um problema: o cérebro simplesmente não desliga.

    Rede em default

    foto-imagem-sonhar

    O primeiro sinal de que o cérebro em repouso está, na realidade, ativo veio há duas décadas. Um estudante chamado Bharat Biswal, da Faculdade de Medicina do Wisconsin (EUA), investigava maneiras de encontrar um sinal mais puro vindo de um tomógrafo ligado a um voluntário. Mesmo quando pedia para o indivíduo não pensar em nada, percebeu que não só o cérebro continuava em atividade como também a coordenava.

    Em 1997, uma análise feita pela Universidade Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, e que incorporou resultados de nove estudos de tomografia cerebral revelou mais uma surpresa: uma rede de conexões cerebrais que é ativada quando não estamos concentrados em nada.

    Gordon Shulman, principal autor da pesquisa, notou que algumas áreas do cérebro se tornavam menos ativas quando o voluntário terminava seu período de descanso e começava a realizar alguma atividade. Isso sugere que enquanto uma pessoa está no tomógrafo, supostamente sem fazer nada, partes de seu cérebro estão mais ativas do que quando tem que cumprir uma tarefa.

    Até hoje, quase 3 mil estudos científicos já foram publicados a respeito do “estado de repouso” do cérebro e sua surpreendente atividade. Alguns cientistas até rejeitam o termo, alegando que o cérebro nunca descansa e preferindo falar em Default Mode Network (DMN) (“rede em modo default”, em tradução literal), ao se referirem às áreas cerebrais que permanecem ativas quando o órgão parece não estar se concentrando em uma tarefa.

    Consolidar memórias

    foto-imagem-sonhar

    A grande dúvida é: por que o cérebro em repouso é tão ativo?

    Existem várias teorias, mas por enquanto os cientistas ainda não chegaram a um acordo. Alguns acreditam que as diferentes áreas do cérebro estejam apenas treinando como trabalhar juntas. Outros acham que o cérebro é como um carro em ponto morto, que precisa estar pronto a arrancar caso necessário.

    Há ainda os pesquisadores que defendem que essas “viagens” da mente tenham um papel fundamental para consolidar memórias. Sabemos que, à noite, nossos sonhos ajudam o cérebro a organizar o que aprendemos e vivemos durante o dia. Agora há evidências de que isso também acontece quando estamos acordados, conforme apontou um estudo do Centro de Neurociência Integrativa da Universidade da Califórnia em San Francisco, publicado em 2009.

    Também sabemos que quando deixamos a mente viajar, ela normalmente se concentra no futuro. E as três principais áreas do cérebro envolvidas na imaginação do futuro são parte da DMN.

    É como se o cérebro fosse programado para contemplar o futuro toda vez que se encontra desocupado.

    Segundo o neurocientista Moshe Bar, da Faculdade de Medicina de Harvard, sonhar acordado essencialmente cria memórias de eventos que não aconteceram. “Isso nos dá um estranho conjunto de ‘experiências prévias’ que podemos usar para decidir como agir caso essas imaginações se tornem realidade”, afirma.

    “Muitas pessoas que viajam de avião costumam pensar em como seria sofrer um acidente. Se um dia houver mesmo um acidente, as memórias dessas visualizações podem ajudar o passageiro a decidir o que fazer na situação”, diz o pesquisador.

    Conexões peculiares

    O estado de repouso não é fácil de ser estudado. Mas os cientistas estão avançando. Um estudo realizado nos Estados Unidos e na Alemanha, publicado em outubro, indicou que nós experimentamos o estado de repouso de maneiras diferentes.

    Os pesquisadores conduziram um estudo de tomografia de cinco pessoas que foram treinadas para recontar suas fantasias cada vez que ouvissem um bip do computador. Os pesquisadores encontraram diferenças consideráveis entre as experiências e pensamentos de cada pessoa.

    Em setembro, pesquisadores da Universidade de Oxford usaram tomógrafos em 460 pessoas em estado de repouso para explorar quais partes do cérebro se comunicam entre si nesse momento. Novamente, os resultados apontam para diferenças pessoais, ligadas a habilidades e experiências de vida.

    O estudo mostrou que a força entre as conexões das diferentes partes do cérebro varia de acordo com a memória da pessoa, seu nível de escolaridade e sua resistência física. É como se partes do cérebro permanecessem conectadas quando nossa mente viaja, para o caso de precisarem ser reativadas.

    Cientificamente, a descoberta de que o cérebro nunca se desliga pode ajudar a resolver um antigo mistério: por que o órgão usa 20% da energia do corpo quando suas atividades deveriam precisar de apenas 5%?

    Para Marcus Raichle, neurologista da Universidade Washington em St. Louis, a atividade durante o estado de repouso poderia explicar essa discrepância.

    A descoberta do estado de repouso também tem o potencial de mudar a maneira como compreendemos o cérebro.

    Sabemos que é difícil esvaziar a mente e sabemos que ela tem a tendência de divagar mesmo quando não queremos.

    Mas, ao que parece, essas “viagens” podem ser realmente benéficas – mesmo se elas não permitem que terminemos uma tarefa antes do prazo.

    Ou seja, talvez esteja na hora de comemorarmos as virtudes de uma mente ociosa.

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  • foto-imagem-dietas

    Segundo cientistas americanos no Campus de Pesquisa Janelia Farm, do Instituto Médico Howard Hughes, células do cérebro sensíveis à fome, conhecidas como neurônios AGRP, são as responsáveis pelo horror à dieta.

    Os pesquisadores fizeram experiências que mostraram que estes neurônios são responsáveis pelas sensações desagradáveis associadas à fome, que tornam os petiscos irresistíveis.

    Segundo o líder do grupo de pesquisa, Scott Sternson, as emoções negativas associadas com a fome podem transformar a dieta e a perda de peso em uma tarefa muito difícil, e a explicação pode estar nestes neurônios.

    Em um ambiente no qual a comida está sempre disponível, os sinais difíceis de ignorar enviados por estes alimentos podem parecer irritantes para quem está de dieta, mas, do ponto de vista da evolução dos humanos, estes sinais podem fazer sentido.

    Para os primeiros humanos – e para animais selvagens – a busca por alimentos e água podia significar a entrada em um ambiente arriscado, algo que só poderia acontecer se o humano ou animal recebesse um estímulo.

    “Suspeitamos que estes neurônios estão impondo um custo por você não lidar com suas necessidades fisiológicas (como a fome)”, afirmou Sternson.

    Os neurônios AGRP não levam um animal diretamente a comer, mas ensinam o animal a responder a pistas sensoriais que sinalizam a presença de comida no ambiente.

    “Acreditamos que estes neurônios são um sistema motivacional muito antigo que obrigam o animal a satisfazer suas necessidades fisiológicas”, afirmou Sternson.

    A equipe do cientista americano também demonstrou que existe um grupo diferente de neurônios especializado em gerar sensações desagradáveis de sede.

    As descobertas foram publicadas na revista especializada Nature.

    Desagradável

    A fome afeta quase toda célula do corpo e vários tipos de neurônios são dedicados a fazer com que um animal se alimente quando seus níveis de energia estiverem baixos.

    Mas, segundo Sternson, até agora, o que os cientistas sabiam sobre estes neurônios não combinava totalmente com que todo mundo já sabia: fome é desagradável.

    “Havia uma previsão anterior de que haveria neurônios que fazem você se sentir mal quando está com fome ou sede. Isto faz sentido de um ponto de vista intuitivo, mas todos os neurônios analisados pareciam ter o efeito oposto”, afirmou o cientista.

    Em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram que os neurônios que promovem a alimentação o faziam aumentando os sentimentos positivos associados à comida. Em outras palavras: fome faz a comida ter um gosto melhor.

    Alguns cientistas começaram a suspeitar de que a ideia sobre um sinal negativo no cérebro motivando a fome poderia estar errada.

    Mas o conhecimento deles sobre o sistema era incompleto. Os neurônios AGRP, localizados em uma área do cérebro conhecida como hipotálamo, estavam claramente envolvidos nos comportamentos de alimentação.

    Sabores e sinais

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    Quando falta energia no corpo, os neurônios AGRP ficam ativos e, quando estes neurônios estão ativos, os animais se alimentam. Mas ninguém tinha investigado a estratégia destes neurônios para gerar esta motivação.

    Os pesquisadores então tentaram descobrir como isto funciona a partir de uma série de experimentos comportamentais. No primeiro experimento, os cientistas ofereceram a camundongos bem alimentados dois tipos de gel com sabor, um de morango e outro de laranja.

    Nenhum gel continha nutrientes, mas os camundongos experimentaram os dois.

    Então os cientistas manipularam os sinais de fome nos cérebros dos animais ao ligar os neurônios AGRP enquanto eles comiam um dos dois sabores. Em testes seguintes, os animais evitaram o sabor associado com o sinal falso de fome.

    Em outra experiência, os cientistas desligaram os neurônios AGRP enquanto os animais famintos consumiam um sabor em particular. Os animais desenvolveram a preferência pelo sabor que levou à desativação dos neurônios AGRP, sugerindo que eles foram motivados pelo desligamento do sinal desagradável enviado pelas células.

    Os cientistas também observaram em outras experiências que os camundongos também aprenderam a procurar lugares onde os neurônios AGRP tinham sido silenciados e evitar os lugares onde estavam quando estes neurônios estavam ativos.

    Visão da comida

    Os cientistas também usaram um microscópio minúsculo para examinar dentro dos cérebros dos camundongos famintos e monitorar a atividade dos neurônios AGRP.

    Como esperado, as células ficaram ativas até que os camundongos encontrassem comida.

    O surpreendente, segundo Sternson, é que os camundongos não tinham necessariamente que comer para aquietar os neurônios. Assim que o animal via o alimento, ou mesmo recebesse um sinal de que iria se alimentar, a atividade destes neurônios parava. E a atividade permanecia baixa enquanto o animal estava comendo.

    Os cientistas também fizeram experiências relacionadas à sede, manipulando neurônios ligados a esta sensação, encontrados em uma região do cérebro conhecida como órgão subfornical.

    E o comportamento dos camundongos foi parecido: eles evitavam lugares onde estes neurônios estavam ativos indicando que as células geravam uma sensação negativa.

    E, novamente, as descobertas correspondiam às experiências comuns.

    “Há uma qualidade motivacional parecida entre a fome e a sede. Você quer que as duas acabem”, disse Sternson.

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  • foto-imgem-relogio-dejavuO caso extraordinário de um britânico de 23 anos que há oito anos tem experimentado episódios de déjà vu com grande frequência tem intrigado médicos e cientistas.

    E a suspeita de um grupo de pesquisadores do Reino Unido, França e Canadá é que o problema tenha sido desencadeado por um excesso de ansiedade.

    Déjà vu (que significa “já visto” em francês) é a expressão usada para descrever aquela sensação de que você já esteve em determinado lugar ou já fez a mesma coisa antes, ainda que o senso comum lhe garanta que isso não é possível.

    Pesquisas indicam que cerca de dois terços das pessoas experimentam essa sensação pelo menos uma vez na vida, mas se sabe muito pouco sobre suas causas.

    O jovem britânico com déjà vu crônico chegou a ter de evitar assistir televisão, ouvir rádio ou ler jornais, porque ele sempre sentia que já tinha se deparado com aquelas histórias antes.

    Segundo Chris Moulin, neuropsicólogo cognitivo da Universidade de Bourgogne que está envolvido no estudo do caso, o jovem tinha um histórico de depressão e ansiedade e uma vez usou a droga LSD na universidade, mas era completamente saudável.

    “Ele ficou completamente traumatizado com essa sensação constante de que sua mente está brincando com ele”, diz Moulin.

    Túnel do tempo

    Segundo o neuropsicólogo, a sensação de que o paciente está revivendo experiências pode durar alguns minutos – às vezes até mais.

    “Certa vez ele foi cortar o cabelo e, quando entrou na barbearia, teve um déjà vu. Em seguida, teve um déjà vu do déjà vu. E já não conseguia mais pensar em outra coisa.”

    O britânico diz ter a sensação de que vive preso em um túnel do tempo. E quanto mais angustiado fica, maior parece ser a frequência de suas crises.

    Segundo os pesquisadores, nas tomografias e exames de seu cérebro, tudo sempre pareceu normal, sugerindo que a causa do déjà vu constante provavelmente é mais psicológica que neurológica.

    “Esse caso não é suficiente para provar que existe uma ligação entre ansiedade e a sensação de déjà vu, mas ele indica que seria interessante estudar mais a fundo essa relação”, diz Moulin.

    Ao contrário dos problemas de memória, o déjà vu parece ter maior incidência entre pessoas jovens.

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    De acordo com uma pesquisa coordenada por Alan Brown, da South Methodist University, em Dallas, as pessoas costumam experimentar a primeira sensação de déjà vu aos seis ou sete anos.

    A frequência dessa sensação costuma ser mais alta entre os 15 e 25 anos – e diminui depois dessa idade.

    Teorias

    Há várias teorias que tentam explicar as causas do déjà vu.

    Akira O’Connor, psicólogo da Universidade de St Andrews, por exemplo, acredita que, na maioria dos casos, a sensação está ligada a uma espécie de “falha de ignição” momentânea nos neurônios no cérebro, que criaria conexões falsas.

    “O déjà vu pode ser uma espécie de tique do cérebro. Da mesma forma que temos espasmos musculares ou contrações das pálpebras de vez em quando, pode ser que, às vezes, a parte do cérebro responsável pela memória e sensação de familiaridade tenha uma pequena convulsão”, diz O’Connor.

    Isso ajudaria a explicar por que o que déjà vu é mais frequentemente entre pessoas que têm epilepsia ou algum tipo de demência.

    Outra teoria, desenvolvida pela professora Anne Cleary, da Colorado State University, é que a sensação seria causada pela existência de algo genuinamente familiar no entorno de quem a experimenta – como o formato de uma estrutura ou a disposição dos móveis de uma sala.

    Para testar sua hipótese, Cleary desenvolveu um jogo de realidade virtual computadorizado chamado “Deja-ville”, em que as pessoas navegam por cenários semelhantes.

    A natureza fugaz e espontânea do déjà vu faz com que seja muito difícil estudar o fenômeno em laboratório, segundo os pesquisadores.

    “Os métodos para se tentar induzir um déjà vu ainda são bastante incipientes”, diz O’Connor.

    “Nós usamos a hipnose e testes que envolvem listas de palavras. Outro método é chamado de ‘estimulação calórica’. Consiste em esguichar água morna nos ouvidos das pessoas.”

    O´Connor explica que, inicialmente, esse método foi criado para o tratamento de outros problemas, como vertigem, mas os cientistas perceberam que um efeito colateral comum era justamente o déjà vu.

    “Acredita-se que isso ocorra porque o canal do ouvido é próximo ao lobo temporal, que pode ser responsável por essa sensação”, diz ele.

    Incidência

    Não se sabe quantas pessoas sofrem de déjà vu crônico, mas Moulin diz já ter encontrado casos semelhantes ao do jovem britânico – inclusive alguns pacientes que insistiam que já o conheciam em função do problema.

    “Eles me cumprimentavam como um velho amigo, apesar de nunca terem me visto antes. Alguns falaram comigo por Skype, estavam do outro lado do mundo, mas ainda assim tinham essa sensação”, conta ele.

    Segundo Christine Wells, da Sheffield Hallam University, desde que a história do jovem foi publicada nos jornais britânicos mais pessoas estão procurando ajuda de especialistas dizendo ter o problema.

    “Recebi mensagens de pessoas que vivem na Austrália e nos Estados Unidos. Trata-se de uma condição rara, mas há de fato pessoas que dizem que têm ou tiveram a mesma coisa – ou conhecem alguém com o problema.”

    Para Wells é necessário estudar mais a fundo esse fenômeno. Mas também há quem defenda que ele não é assunto para a ciência.

    “Já recebi cartas de pessoas que acham que o déjà vu é algo espiritual e citam a Bíblia e o Alcorão”, diz O’Connor.

    “Alguns acreditam que eu não deveria estudar isso. Dizem que ‘explicar o arco-íris estraga a sua beleza’. Pessoalmente, sempre gostei de ter um déjà vu – e tentar descobrir o que causa essa sensação apenas torna essa experiência mais bonita.”

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  • foto-imagem-cérebro
    Cientistas suecos apresentaram nesta terça-feira (31) um estudo que esclarece um pouco melhor os danos cerebrais de uma noite sem dormir, o que poderia incentivar as pessoas mais festeiras a ir para cama mais cedo.

    Esses pesquisadores em neurologia da Universidade de Uppsala analisaram amostras de sangue colhidas de 15 homens jovens e de boa saúde divididos em dois grupos: entre aqueles que dormiram oito horas e os que não dormiram.

    Entre os que não dormiram, os cientistas constataram um aumento de cerca de 20% de duas moléculas, a enolase específica dos neurônios e a proteína S-100B.

    “O número de moléculas do cérebro normalmente aumenta no sangue quando ocorrem lesões cerebrais”, indicou em um comunicado o coordenador do estudo, Christian Benedict.

    “A falta de sono pode promover processos de neurodegeneração”, enquanto que, pelo contrário, “uma boa noite de sono poderia ter uma grande importância para a manutenção da saúde do cérebro”, acrescentou.

    O estudo, que será publicado na revista “Sleep”, segue a linha de outro estudo publicado em outubro na revista “Science”, que concluiu que o sono acelera a limpeza de toxinas do cérebro.

    Entre essas toxinas estão a beta-amilóide que, cumulativamente, promove a doença de Alzheimer, de acordo com pesquisadores da Universidade de Rochester (EUA), que trabalharam com ratos.

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  • Conclusão é parte de estudo que compara cognição de idosos nascidos com uma década de diferença

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    Hoje, as pessoas não só têm uma longevidade maior do que no passado, mas também chegam a idades avançadas com a mente mais ‘em forma’ em comparação com as gerações anteriores. É o que diz um novo estudo dinamarquês que comparou as habilidades cognitivas entre nonagenários nascidos em décadas diferentes. As conclusões do trabalho mostraram que os idosos que nasceram mais recentemente alcançam os 95 anos de idade com uma cognição mais saudável do que aqueles que nasceram dez anos antes quando tinham a mesma faixa-etária. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta quinta-feira na conceituada revista médica The Lancet.

    O novo estudo, feito no Centro de Pesquisa Dinamarquês sobre Envelhecimento, que faz parte do Instituto Nacional de Saúde do país, estudou dois grupos de pessoas. O primeiro era formado por 2.262 indivíduos nascidos em 1905, que foram avaliados em 1998, quando completaram 93 anos de idade. O segundo grupo era formado por 1.598 pessoas que nasceram em 1915 e que foram avaliadas em 2010, ao completarem 95 anos. A avaliação dos participantes foi feita por meio de testes de habilidades cognitivas – ou seja, de memória, raciocínio, percepção, imaginação e linguagem – e de desempenho em atividades cotidianas, como caminhar, sair da cama e subir escadas.

    Saúde física e mental — Embora o estudo tenha avaliado as pessoas do segundo grupo quando elas eram dois anos mais velhas do que as outras, a pontuação delas nos testes cognitivos foi maior do que a do outro grupo. Segundo o estudo, os participantes nascidos em 1915 foram duas vezes mais propensos a atingir a pontuação máxima nessas avaliações do que aqueles que nasceram uma década antes. Eles também apresentaram um melhor desempenho nas atividades cotidianas. A pesquisa ainda mostrou que os participantes nascidos dez anos depois tiveram uma chance 32% maior de chegar aos 95 anos de idade.

    Os autores do estudo explicam que a longevidade pode seguir por dois caminhos diferentes: as pessoas podem viver por mais tempo porque são mais saudáveis, ou então alcançar uma idade avançada acumulando mais doenças ou deficiências, mas sobrevivendo com a ajuda de intervenções médicas. Para os pesquisadores, a diferença da saúde mental entre as gerações pode ser explicada pela combinação das melhorias nas condições de vida, o que inclui um maior estímulo intelectual ao longo da vida.

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  • melhorar-o-sono-pode-deter-declinio-da-memoria-diz-estudo

    Melhorar o sono pode deter declínio da memória, diz estudo

    Um estudo divulgado na publicação científica Nature Neuroscience sugere que ter um bom sono pode reduzir a deterioração da nossa memória à medida que envelhecemos.

    Até antes da pesquisa, os cientistas já sabiam que tanto o cérebro quanto o corpo sofrem desgaste com o tempo, mas não se sabia ao certo se as mudanças no cérebro, sono e memória eram sinais distintos do envelhecimento ou se haveria uma conexão profunda entre eles.

    Mas a pesquisa, feita por cientistas da University of California, Berkeley, indicam que mudanças que ocorrem no cérebro com a idade prejudicam a qualidade do sono profundo, o que, por sua vez, diminui a capacidade do cérebro de aprender e armazenar memória.

    Com base nessas conclusões, a equipe pretende agora testar formas de melhorar o sono para interromper o declínio da memória.

    Experimentos

    Trabalhando com um grupo de 36 voluntários – metade dos quais com idade em torno de 20 anos e outra metade com cerca de 70 anos – os especialistas fizeram uma série de experimentos.

    Primeiro, a equipe constatou que era capaz de prever a quantidade de sono profundo (o chamado sono de ondas lentas) que o participante teria com base nas condições de preservação de uma região do seu cérebro chamada córtex pré-frontal médio.

    Essa parte do cérebro é essencial para que a pessoa consiga entrar no estágio de sono profundo, mas com a idade ela tende a se deteriorar.

    Em seguida, os especialistas demonstraram que a quantidade de sono profundo podia ser usada para prever quão bem as pessoas se sairiam em testes de memória.

    Os pacientes jovens, que conseguiam obter sono de boa qualidade em abundância, tiveram melhor desempenho nos testes do que os participantes mais velhos, cujo sono tinha qualidade inferior.

    Matthew Walk, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse à BBC que, “vista em conjunto, a deterioração do cérebro leva à deterioração do sono que produz a deterioração da memória (geralmente solidificada na fase de sono REM, ou de movimentos rápidos dos olhos)”.

    “O sono de ondas lentas é muito importante para solidificar novas memórias que você aprendeu recentemente. É como clicar o botão ‘salvar’ (no computador)”, ele explicou.

    A equipe disse não ser capaz de restaurar a região do cérebro desgastada pela idade, mas espera que algo possa ser feito em relação ao sono.

    Por exemplo, é possível melhorar a qualidade do sono estimulando a região certa do cérebro com eletricidade durante a noite, os especialistas explicaram.

    Estudos demonstraram que essa técnica pode melhorar o desempenho da memória em jovens. Agora, os pesquisadores querem iniciar testes também com pacientes mais velhos.

    “Você não precisa restaurar as células do cérebro para restaurar o sono”, disse Walker. Ele disse que a técnica é uma forma de fazer o sistema “pegar no tranco”.

    Demência

    Em pacientes com demência, os sintomas associados à morte das células do cérebro – como sono ruim e perda de memória – são muito piores do que no envelhecimento normal.

    Alguns estudos sugerem que exista um vínculo entre sono e demência. Um relatório divulgado na publicação científica Science Translational Medicine apontou para a possibilidade de que problemas de sono sejam um dos primeiros sinais do Mal de Alzheimer.

    O médico Simon Ridley, da entidade beneficente Alzheimer’s Research UK, disse que são necessários mais estudos para confirmar ou não essa conexão.

    “Cada vez mais evidências vinculam alterações no sono a problemas de memória e demência, mas não está claro se essas mudanças seriam uma causa ou consequência”.

    “As pessoas estudadas aqui foram monitoradas por um período muito curto e o próximo passo poderia ser investigar se a falta de sono de ondas lentas também pode ser relacionada ao declínio de memória a longo prazo”.

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