• As últimas pesquisas e aprovações de remédio reforçaram uma nova tendência na forma de enfrentar o câncer : é a imunoterapia. Antes restrita a poucos tumores, ela vem ganhando espaço, inclusive no Brasil. Confira novidades sobre o assunto para diferentes versões dessa doença:

    Estômago
    O câncer gástrico ganhou mais uma opção terapêutica: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso do pembrolizumabe, do laboratório MSD, nos tumores que atingem esse órgão do sistema digestivo. O mesmo fármaco já estava aprovado contra a doença instalada na bexiga, nos pulmões e na pele (melanoma).

    “É mais uma arma que se soma ao nosso arsenal. Cada vez mais teremos notícias de novas aplicações dos imunoterápicos que já estão disponíveis no país”, prevê o oncologista Antonio Carlos Buzaid, da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Pele
    A família da imunoterapia possui um novo membro: os brasileiros já podem contar com o avelumabe na luta contra o carcinoma de células de Merkel metastático, um tipo raro e agressivo de câncer dermatológico. O novo princípio ativo foi criado a partir de uma aliança entre duas gigantes da indústria farmacêutica: a Merck e a Pfizer.

    “Até agora, não existia nenhum recurso padrão contra essa doença”, observa o oncologista Ricardo Blum, diretor da Merck no Brasil. Nos estudos, a medicação aumentou em mais de um ano a sobrevida de 70 a 90% dos indivíduos — a quimioterapia usada até agora só proporcionava nove meses extras nos melhores cenários.

    Pulmões
    Pesquisas apresentadas no recente congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) provam que juntar pembrolizumabe e químio é o melhor caminho para contra-atacar o câncer de pulmão em estágio avançado. A união das duas linhas terapêuticas foi capaz de reduzir em 51% o risco de morte. Esse esquema duplo já recebeu o aval para prescrição em terras brasileiras.

    Melanoma
    A conferência da Asco ainda trouxe dados animadores sobre esse tumor de pele, que costuma ser duro de tratar. Sujeitos que começaram a tomar o pembrolizumabe ou ipilimumabe (da Bristol Myers-Squibb) há quatro ou cinco anos continuam muito bem.

    “Um terço dos casos mais graves pode até ser curado”, diz Buzaid. E pensar que algumas décadas atrás essa enfermidade matava em questão de meses…

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  • Há quem diga que o fator de proteção solar (FPS) dos filtros só faz diferença na pele até chegar ao número 30. Ou seja, de pouco adiantaria comprar um creme com FPS 50 ou mesmo 100. Mas uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, sugere justamente o contrário.

    O grupo observou que o FPS 100 pode ser mais eficiente do que os outros para barrar queimaduras. Para chegar à conclusão, os cientistas entregaram dois frascos de protetor para cerca de 200 voluntários, um com FPS 100 e outro com 50. Aí, pediram que os voluntários aplicassem um no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo.

    No dia seguinte, os participantes visitaram um consultório médico para analisar o impacto recente provocado pela radiação solar, com uma escala que ia de 0 a 5, do menos ao mais grave. Nessa avaliação, notou-se que o lado besuntado com o protetor mais leve exibia danos duas vezes maiores do que o outro.

    Para ter ideia, os dermatologistas que examinaram os voluntários – e que não sabiam qual filtro havia sido colocado em qual lado do corpo –, notaram que 55% dos participantes tinham se queimado mais na área do FPS 50, enquanto apenas 5% ficaram com a pele bem vermelha na porção coberta pelo protetor mais potente.

    Proteção solar na prática

    O estudo não bota um ponto final na discussão. Aliás, os autores reforçam que o efeito observado em um dia não necessariamente significa que a proteção do FPS 100 seja mais efetiva a longo prazo.

    Hoje, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda usar FPS mínimo de 30. “Costumo indicar esse no inverno e o 50 no verão, mas noto na prática que os fatores de proteção mais alto preservam melhor a derme”, indica Murilo Drummond, dermatologista da SBD.

    O especialista ressalta ainda que o protetor com FPS 100 não será duas vezes mais competente do que o 50 – apesar de aquele primeiro dado do estudo sugerir isso. “A diferença não é tão grande. Mas estamos falando de prevenir um câncer, então, mesmo que o benefício seja pequeno, ainda assim vale a pena considerá-lo”, opina o médico.

    O fato é: não dá para dispensar o protetor e as outras medidas que resguardam contra a radiação solar. Chapéu, guarda-sol e roupas compridas ajudam bastante, assim como valorizar a sombra e não se expor por muito tempo entre 10 e 16 horas.

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  • Parece que é no frio, quando as rachaduras pipocam graças ao clima seco, que os lábios sofrem mais. Mas só parece. No verão, a boca precisa de proteção extra tanto quanto a pele do rosto.

    Pra começo de conversa, os raios ultravioleta também aumentam o risco de tumores por ali. “Os cânceres mais comuns na região são do tipo que não costumam se espalhar pelo resto do corpo. Mas eles tendem a ser diagnosticados em estágio avançado”, explica André Braz, dermatologista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

    “E, quando isso acontece, geralmente precisamos remover uma parte grande do lábio”, completa o médico. Ou seja, embora o risco de morte não seja grande, o de marcas no rosto é considerável.

    Além disso, o sol é um financiador do envelhecimento precoce. Logo, lábios muito expostos a sua radiação têm maior risco de ficarem enrugados antes do tempo. “Como é uma área de transição entre pele seca e a mucosa da parte interna da boca, ela não tem a última camada da derme”, aponta Braz. “Por isso, é mais sensível e possui uma menor capacidade de se defender da radiação”, completa.

    Rotina de cuidados

    Antes de se expor ao sol, passe um protetor específico para os lábios. “Ele deve ser colorido para oferecer proteção física e química contra a radiação”, orienta Braz. Depois que já estiver ao ar livre, reaplique a cada duas horas ou sempre que a barreira física parecer sumir, como no caso de um mergulho na água.

    Vale também investir em um hidratante labial. É que, mais do que provocar rachaduras, a secura abre caminho para micro-organismos nocivos. “Se a pessoa pega um sol muito forte e a boca resseca, a imunidade pode cair, o que favorece o aparecimento do herpes e outras infecções orais”, alerta Braz.

    E não precisa ser nenhum produto muito rebuscado. A boa e velha manteiga de cacau dá conta do recado.

    Alguns itens oferecem ainda antioxidantes e outros nutrientes em sua composição, mas, nesses casos, é preciso atenção. “Produtos com vários princípios ativos geralmente prometem mais do que cumprem”, comenta Braz.

    Na dúvida, opte por um hidratante que ofereça apenas uma substância principal, como a vitamina C, e escolha marcas confiáveis, de preferência recomendadas pelo dermatologista. O segredo é usar o protetor durante o dia e, a partir do fim da tarde, hidratar o local.

    Ah, e não adianta usar um produto por cima do outro. Isso diminui a aderência e, consequentemente, a eficácia dos dois.

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  • Pesquisadores ingleses avaliaram como as pessoas aplicam protetor solar no rosto e descobriram que os arredores dos olhos são até duas vezes mais negligenciados do que o resto da face. O trabalho, realizado pela Universidade de Liverpool, chama a atenção porque as pálpebras e companhia também sofrem com o câncer de pele. E não é pouco.

    “10% dos tumores de pele tipo carcinoma basocelular, que é o mais comum, ocorrem na área dos olhos, onde ele é mais perigoso”, explica o médico Flávio Barbosa Luz, da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ora, remover nódulos malignos dali exige uma operação delicada, que não raro envolve a reconstrução da pálpebra.

    Hora, então, de olhar com carinho para esse pedaço ignorado da face. O momento é oportuno para discutir o assunto, uma vez que estamos no Dezembro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pele. A iniciativa é da SBD e tem em 2017 o lema “Se exponha, mas não se queime”.

    Detalhes do estudo

    O grupo avaliou 57 indivíduos em duas oportunidades. Primeiro, eles foram instruídos a passar protetor solar da maneira que sempre faziam. Depois, voltaram ao laboratório em uma segunda oportunidade e receberam informações sobre a importância de não esquecer dos olhos antes de receberem o produto.

    Os pesquisadores fotografaram o rosto dos voluntários depois da aplicação com câmeras sensíveis à radiação ultravioleta emitida pelo sol. Na primeira ocasião, até 14% da área dos olhos foi ignorada pelos participantes, enquanto no restante do rosto esse índice ficou em 7%. Ao fornecer as instruções antes, a cobertura melhorou, mas alguns cantinhos ainda permaneceram descobertos.

    A encruzilhada dessa história: não é lá muito agradável aplicar nenhum creme em volta dos olhos. “É difícil passar protetor nessa região. O produto escorre, não é apropriado”, aponta Barbosa. Os próprios autores do estudo concluem que, embora a educação tenha seu impacto, é importante pensar em alternativas mais confortáveis ao filtro.

    “Aqui precisamos fazer um mea culpa. Nós sempre associamos a defesa contra a radiação solar ao uso do protetor, mas ele não é a única medida possível”, comenta Barbosa.

    Como blindar a visão

    No caso dos olhos, o melhor é usar óculos escuros – sim, ele também vai blindar suas pálpebras dos raios ultravioleta (UV). Só não adianta ser qualquer modelo do camelô. “Qualquer vidro resguarda contra o UVB, mas para barrar o UVA, que também é perigoso, a lente precisa passar por um tratamento especial”, alerta Barbosa.

    Se a grana está curta, um chapéu de abas largas ou uma viseira também garantem que o sol não atinja diretamente as vistas e o rosto todo. Vale lembrar que 90% dos cânceres de pele mais comuns ocorrem entre cabeça e pescoço.

    Nada disso, entretanto, significa que o protetor deva ser dispensado. Ele continua obrigatório, mas seu uso (assim como o dos óculos) deve ser ajustado às realidades individuais. Por exemplo, de nada adianta passá-lo antes de sair de casa bem cedinho e esquecê-lo na hora de sair do trabalho para almoçar em pleno solão do meio dia.

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  • foto-imagem-cancer

    Concebido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, esse programa usa inteligência artificial para identificar quais lesões cutâneas merecem mais atenção dos médicos. O funcionamento é simples: com uma foto, o software consegue detectar se uma mancha ou pinta deve ou não ser investigada.

    Por trás da aparente simplicidade está um time de cientistas que teve de criar um banco de imagens com mais ou menos 130 mil imagens de doenças de pele. Depois disso, mais um desafio: ensinar um sistema criado para diferenciar cachorros e gatos a detectar câncer de pele.

    Sim, o software foi originalmente criado pelo Google para distinguir os rostos de cachorros e gatos — mas essa nova função parece ser bem mais útil. “Em vez de escrever em códigos de computador exatamente o que procurar, nós deixamos que o algoritmo ache sozinho”, explica Andre Esteva, um dos autores da pesquisa, em comunicado.

    Na fase de testes, 21 dermatologistas analisaram 370 fotografias de lesões cancerosas ou não. Eles teriam que dizer quais alterações deveriam seguir para biópsia. Para surpresa dos cientistas, as performances dos médicos e da máquina foram bastante parecidas.

    “O objetivo não é substituir os médicos e nem o diagnóstico. O que estamos replicando é uma espécie das duas primeiras projeções iniciais que um dermatologista pode realizar”, disse Esteva ao jornal The Guardian.

    A máquina, claro, ainda precisa ser aperfeiçoada e testada em outras investigações. No futuro, a meta da equipe é criar um aplicativo para celular com essa inteligência artificial. “Todos vão ter um super computador no bolso, com vários sensores, incluindo câmeras. E se nós pudermos usar isso para detectar o câncer de pele?”, comentou Esteva.

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  • foto-imagem-saúde
    O caso deixou boquiabertos todos os envolvidos: uma mulher de 74 anos começou a apresentar uma irritação na pele que não melhorava. Quando finalmente procurou um hospital, parte de sua perna direita estava coberta de nódulos. Os testes confirmaram que se tratava de um carcinoma, um tipo de câncer de pele.Por causa da maneira como os tumores estavam espalhados, a radioterapia não seria eficiente. E os médicos não poderiam removê-los. Alan Irvine, oncologista responsável pelo tratamento da paciente no Hospital St. James, em Dublin, na Irlanda, lembra que a amputação parecia ser a única opção viável, mas por causa da idade da paciente, seria difícil que ela se adaptasse bem a uma prótese.”Decidimos simplesmente esperar e pensar em outras possibilidades, mesmo sabendo que haveria muito sofrimento pela frente”, conta.

    Foi aí que o “milagre” começou: apesar de não terem sido tratados, os tumores diminuíram e murcharam até desaparecerem completamente. Depois de 20 semanas, a paciente estava curada. “Não tínhamos dúvida alguma de que o diagnóstico estava correto, mas depois disso nada aparecia nas biópsias ou nos exames de imagem”, diz o médico. “O caso mostra que é possível para o corpo combater o câncer, mesmo que isso seja incrivelmente raro.”

    A questão é: como? A paciente de Irvine acredita ter sido a “mão de Deus”. Mas cientistas estão estudando a biologia por trás da chamada “regressão espontânea” para buscar pistas que possam fazer casos de autocura algo mais comum.

    Recuperada pela gravidez

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    Em tese, nosso sistema imunológico deveria perseguir e destruir células que sofrem mutações antes que elas comecem a evoluir para um câncer. Mas às vezes essas células conseguem passar despercebidas, reproduzindo-se até formarem um tumor.

    Até o câncer ser detectado pelos médicos, é altamente improvável que o paciente consiga se recuperar sozinho: acredita-se que apenas um em cada 100 mil pacientes pode se livrar da doença sem receber tratamento.

    Mas entre esses raríssimos casos há algumas histórias realmente inacreditáveis. Um hospital da Grã-Bretanha, por exemplo, recentemente tornou público o caso de uma paciente que descobriu um tumor entre o reto e o útero pouco antes de saber que estava grávida. A gestação correu bem e o bebê nasceu saudável. Quando ela se encaminhava para o doloroso tratamento para o câncer, seus médicos notaram, com muito espanto, que o tumor desapareceu misteriosamente durante a gravidez. Nove anos depois, a mulher não apresenta nenhum sinal de recaída.

    Casos semelhantes de recuperação extraordinária foram observados em muitos tipos de câncer, inclusive em formas mais agressivas como a leucemia mieloide aguda, que provoca o crescimento anormal dos glóbulos brancos do sangue.

    “Um paciente que não receba tratamento pode morrer em poucas semanas ou até em uma questão de dias”, conta Armin Rashidi, da Universidade Washington, em St. Louis. Ele, no entanto, encontrou 46 casos em que essa doença regrediu sozinha. “É possível que 99% dos oncologistas digam que isso é impossível de acontecer”, afirma Rashidi, que escreveu um artigo sobre o assunto com o colega Stephen Fisher.

    Crianças que se salvam

    Por outro lado, é surpreendentemente comum ver crianças se recuperando do neuroblastoma, um tipo de câncer infantil, oferecendo algumas das melhores pistas sobre o que pode acarretar a regressão espontânea.

    Esse tipo de câncer surge com tumores no sistema nervoso e nas glândulas. Se ele se espalhar, pode levar ao aparecimento de nódulos na pele e pólipos no fígado, e o inchaço do abdômen dificulta a respiração.

    Trata-se de uma doença muito desgastante, mas ela pode desaparecer tão rapidamente como surgiu, mesmo sem intervenção médica. Na realidade, para bebês com menos de 1 ano, a regressão é tão comum que muitos médicos evitam realizar a quimioterapia imediatamente, na esperança de que os tumores diminuam por conta própria.

    “Cuidei de três casos com metástases impressionantes, mas apenas observamos os pacientes e eles se recuperaram”, lembra Garrett Brodeur, do Hospital Infantil da Filadélfia.

    Para evitar o sofrimento dessa espera, Brodeur está buscando entender os mecanismos por trás do desaparecimento de um câncer. “Queremos desenvolver agentes específicos que possam iniciar a regressão para não termos que esperar que a natureza tome seu rumo ou que ‘Deus’ decida”, afirma o médico.

    Até agora, Brodeur conseguiu boas evidências. Uma delas é de que as células em tumores de neuroblastoma parecem ter desenvolvido a capacidade de sobreviver sem o fator de crescimento nervoso (NFG, na sigla em inglês), o que permite que elas se reproduzam bem em locais do corpo onde não há o NFG.

    A remissão espontânea pode ser provocada por uma mudança natural nas células tumorais, talvez envolvendo os receptores que se ligam ao NFG. Isso pode fazer com que as células percam esse nutriente essencial e não consigam sobreviver.

    Se isso for verdade, um medicamento que consiga atuar nesses receptores seria capaz de iniciar a recuperação em outros pacientes, sem os indesejáveis efeitos colaterais provocados por tratamentos mais tradicionais para o câncer.

    O poder da infecção
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    Infelizmente, recuperações inesperadas de outros tipos de câncer foram menos estudadas. Mas algumas evidências conhecidas hoje foram descobertas há mais de 100 anos por um médico americano pouco conhecido.

    No século 19, William Bradley Coley se surpreendeu quando um paciente que tinha um enorme tumor no pescoço se curou completamente quando pegou uma infecção na pele e teve febre alta.

    Coley testou o princípio em alguns outros pacientes e descobriu que, ao infectá-los deliberadamente com bactérias, ou tratando-os com toxinas segregadas por micróbios, tumores impossíveis de serem retirados cirurgicamente foram destruídos.

    Será que uma infecção seria uma maneira de estimular a remissão espontânea? Análises recentes dão apoio à ideia. O estudo de Rashidi e Fisher descobriu que 90% dos pacientes que se recuperaram de leucemia tinham sofrido alguma outra doença, como pneumonia, antes do desaparecimento do câncer.

    Outros artigos mostraram que tumores sumiram depois de casos de difteria, gonorreia, hepatite, gripe, malária, sarampo e sífilis.

    Mas não são os germes sozinhos que provocam a cura: a infecção é quem provoca uma resposta imunológica que torna o ambiente inóspito para o tumor. O aquecimento provocado pela febre, por exemplo, pode tornar as células cancerígenas mais vulneráveis ou até fazer com que elas “se suicidem”.

    Ou talvez seja importante o fato de que quando estamos lutando contra uma bactéria ou um vírus, nosso sangue está saturado de moléculas inflamatórias que agem como uma “convocatória” para os macrófagos do organismo, transformando essas células imunes em guerreiros que matam e engolem micróbios – e potencialmente o câncer.

    Ao mesmo tempo, essas células podem estimular outras do sistema imunológico a reconhecerem as células cancerígenas, e assim atacá-las caso o câncer volte.

    Contraindo a cura

    Outros cientistas estão avaliando uma linha de combate mais radical. Uma das abordagens é deliberadamente contaminar um paciente de câncer com uma doença tropical.

    A técnica, desenvolvida pela start-up americana PrimeVax, tem duas etapas: inicialmente, retira-se uma amostra do tumor e coleta-se células dentríticas do sangue do paciente. Essas células ajudam a coordenar a resposta do sistema imunológico a uma ameaça e, ao serem expostas ao tumor em laboratório, elas podem ser programadas para reconhecer as células cancerígenas.

    Na segunda etapa, o paciente é contaminado com o vírus da dengue, antes de receber as novas células dendríticas programadas.

    Sob supervisão médica, o paciente acaba desenvolvendo uma febre alta e libera moléculas inflamatórias – colocando o resto do sistema imunológico em alerta vermelho.

    O tumor passa a ser o alvo principal de um ataque ostensivo das células imunológicas, lideradas pelas células dendríticas. “A febre da dengue derruba e reagrupa o sistema imunológico, fazendo ele assumir com toda a força seu papel de matar células cancerígenas”, explica Burce Lyday, da PrimeVax.

    A ideia de infectar pacientes vulneráveis com uma doença tropical pode parecer loucura, mas os cientistas argumentam que a dengue, curiosamente, mata menos adultos do que a gripe comum.

    E, uma vez que a febre passe, as células programadas vão se manter alertas para o caso de o tumor reincidir. “O câncer é um alvo em movimento. Muitas terapias atacam de apenas uma frente”, afirma Lyday.

    O cientista espera realizar os primeiros testes com pacientes de melanoma até o fim deste ano.

    É claro que todo cuidado é pouco. Como lembra o irlandês Irvine, “a remissão espontânea é uma pequena peça em um quebra-cabeças muito complicado”. Mas se esse tipo de tratamento der certo, as implicações são extraordinárias.

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  • foto-imagem-protetor-solar

    Segundo pesquisadores da Universidade de Manchester, não se deve confiar apenas no bloqueador como forma de prevenção de melanomas – um tipo maligno de câncer de pele.

    “Os resultados ressaltam a importância de combinar o uso do protetor solar com outras medidas para proteger a cútis, como o ato de usar chapéus e roupas folgadas, além de ficar na sombra nos horários de sol forte”, afirma o professor Richard Marais, principal responsável pelo estudo.

    Publicada na revista Nature, a pesquisa feita em animais revelou detalhes sobre como os raios UV deixam as células epiteliais mais suscetíveis ao câncer.

    É sabido que a exposição ao sol é um dos principais fatores de risco desse tipo de câncer de pele.

    Mas ainda havia poucos detalhes sobre o mecanismo molecular pelo qual os raios UV prejudicam o DNA em células da pele.

    Perigo

    No estudo, os cientistas investigaram os efeitos dos raios UV na pele de camundongos para verificar a ação do protetor contra o câncer.

    “Os raios UV atacam os mesmos genes que nos protegem contra seus efeitos nocivos, mostrando o quanto esse agente causador do câncer é perigoso ”, disse Marais.

    “Acima de tudo, esse estudo traz provas de que os bloqueadores solares não nos oferecem uma proteção completa contra os efeitos prejudiciais dos raios UV.”

    Os pesquisadores descobriram que os raios UV causaram problemas no gene p53, que normalmente ajuda a proteger o corpo contra os efeitos de um DNA com falhas.

    O estudo também mostra que o protetor pode reduzir a quantidade de falhas no DNA causadas pelos raios UV, atrasando o desenvolvimento do melanoma nos camundongos.

    Julie Sharp, chefe de informação do instituto britânico de pesquisa sobre o câncer, disse que as pessoas tendem a achar que são “invencíveis” a partir do momento que passam a usar bloqueador solar e por isso ficam mais tempo sob o sol, ampliando a exposição aos raios UV.

    “É essencial adquirir hábitos seguros para se proteger do sol e não se deixar queimar – queimaduras de sol são, aliás, um claro sinal de que o DNA das suas células epiteliais foi danificado e, a longo prazo, isso pode levar ao câncer de pele”, disse.

    O melanoma é o quinto câncer mais comum no Reino Unido, com mais de 13 mil pessoas diagnosticadas com a doença por ano.

    No Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que houve 6.230 novos casos deste tipo de tumor em 2012, sendo 170 homens e 3.060 mulheres (2012).

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  • foto-imagem-pronzeamento-artificial

    Com uma das maiores taxas de câncer de pele da Grã-Bretanha, inclusive entre jovens, a cidade de Liverpool tenta fechar o cerco contra o bronzeamento artificial.

    O uso da técnica na cidade é muito maior do que na média do país, mas as autoridades locais hoje têm dificuldade de fiscalizar o serviço.

    Como não há obrigação de registro dos estabelecimentos que oferecem as câmaras artificiais de bronzeamento, é difícil checar se os operadores usam equipamentos seguros e se não oferecem sessões a menores de 18 anos.

    As campanhas educativas com adolescentes e adultos não tem sido suficientes para conter o problema, por isso as autoridades locais querem que o governo inglês lhes dê poder para licenciar o serviço.

    Assim, ele só poderá ser oferecido após receber autorização, como já ocorre na Escócia, no País de Gales e, no caso da Inglaterra, em Londres.

    Cultura do bronzeamento

    Liverpool parece ter uma cultura profundamente enraizada de bronzeamento artificial, mas é difícil definir exatamente o porquê.

    Alguns relacionam sua popularidade ao uso por celebridades somado à percepção de que, em uma cidade com níveis significativos de pobreza, a pele bronzeada é sinal de sucesso e riqueza.

    Os jovens adolescentes não são imunes a essa cultura. Apesar de ser ilegal permitir que menores de 18 anos façam o tratamento, existe evidência de que isso é muito comum na cidade.

    Muitas clínicas estão nas ruas principais e seguem perfeitamente as regras de segurança. Mas, como explica o vereador Roy Gladden, há também câmaras de bronzeamento irregulares em locais como salões e cabeleireiros, que são difíceis de ser localizadas para fiscalização.

    “Não sabemos onde estão porque eles não têm que se registrar”, disse.

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    ‘Marcada para a vida’

    A exposição desprotegida ao sol forte também pode causar câncer de pele. Desde 2000, porém, o número de casos entre mulheres em Liverpool aumentou 129%, mais que o dobro da média do Grã-Bretanha.

    Alisha Lawler, 30 anos, sabe o quão devastador um diagnóstico de câncer de pele pode ser. Ainda na sua adolescência, ela fazia bronzeamento artificial várias vezes por semana.

    No ano passado ela descobiu uma mancha em seu braço que foi diganosticada como um melanoma. O tumor foi removido, mas deixou uma cicatriz de vários centímetros.

    “Por que você desejaria expor sua pele para esses perigos, passar pela dor que eu já passei e ficar marcada para a vida toda? Eu tive que esconder meu braço”, conta.

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  • foto-imagem-exame-sangueTim Cook, autor do estudo e oncologista consultor da Universidade de Dundee (Grã-Bretanha), explica que é um grande desafio identificar a propagação do melanoma – o tipo mais sério de câncer de pele.

    Por isso, ele e seus colegas de estudo acreditam que é importante medir os níveis de um gene chamado TFP12 no DNA de pacientes.

    Cook argumenta que o exame de sangue é uma forma simples e precisa para descobrir o quão avançada está a doença, além de indicar se ela começou a se espalhar.

    “Isso daria a médicos e pacientes informações importantes, com muito mais antecedência do que temos no momento”, afirma. “Há crescentes evidências de que os tratamentos são mais eficientes nesses estágios iniciais. Se conseguimos identificar quando o câncer começar a se espalhar, poderemos aumentar significativamente suas chances de vencer a doença.”

    Segundo especialistas do setor, a descoberta pode levar a diagnósticos mais rápidos e novos tratamentos.

    Sob a pele

    Para Charlotte Proby, dermatologista da Universidade de Dundee, “usar exames de sangue para entender nosso DNA é uma forma simples de aprender melhor o que ocorre sob a nossa pele”.

    “O ‘ligar’ e ‘desligar’ de alguns genes parece ter efeito sobre quando, onde e por que o melanoma se espalha”, diz ela.

    O próximo passo do estudo, segundo Proby, é desenvolver um mapa de “biomarcadores”, que ajudem a identificar pacientes que precisam de reforço no tratamento do melanoma.

    Novos tratamentos

    Mais de 8 entre 10 pacientes têm sobrevivido ao melanoma por ao menos dez anos, mas especialistas dizem que há muito a ser feito em prol de pessoas cujo câncer se espalhou para outros órgãos.

    Por isso, o uso de exames de sangue pode ser importante, opina Harpal Kumar, executivo-chefe da ONG Cancer Research UK. “Essa pesquisa pode resultar em diagnósticos mais rápidos e a novos tratamentos em potencial, dando a pacientes e médicos mais chances de derrotar a doença”, diz.

    A mesma equipe de pesquisadores identificou outro biomarcador em potencial, chamado NT5E, que parece estar ligado ao avanço de um tipo agressivo de melanoma.

    Os pesquisadores dizem que essa identificação pode ajudar a desenvolver novos tratamentos para a doença, sobretudo em casos em que ela se espalha a órgãos como cérebro e pulmão.

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  • Quando se afirma que o café é a bebida mais popular em território verde-amarelo, acredite, não é mera força de expressão. Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi constatado que o brasileiro toma de 4 a 5 xícaras todos os dias, o que leva o líquido à base do fruto do cafeeiro a liderar a lista que avalia a média de consumo per capita de vários alimentos. Só para ter uma ideia, o feijão e o arroz, outros itens comuns à nossa mesa, ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. No resto do mundo, o consumo também surpreende. Enquanto aqui cada pessoa ingere cerca de 6 quilos do grão por ano, em países nórdicos, como Finlândia, Noruega e Dinamarca, esse número chega aos 13 quilos anuais.

    Aqueles que cultivam esse hábito mandam para dentro do organismo uma série de substâncias. Entre elas sobressai a cafeína, célebre por sua ação estimulante. Mas o que aparece em maior quantidade no pequeno grão são os ácidos clorogênicos, compostos antioxidantes. A xícara ainda concentra vitamina B3 e minerais como potássio, manganês e ferro. Tal combinação vem à tona constantemente nos laboratórios de cientistas planeta afora. No universo das pipetas e buretas, ela não é uma unanimidade. “Porém, a maioria dos estudos confirma seus benefícios”, diz Adriana Farah, cientista do Núcleo de Pesquisa em Café Professor Luiz Carlos Trugo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fato é que o pretinho básico de todas as manhãs segue gerando contradições — as mais curiosas você conhece abaixo.

    Na mira da ciência

    Veja outros estudos recentes que avaliaram o impacto da bebida na saúde

    Fertilidade

    Segundo cientistas do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, mais de cinco doses diárias de café reduzem em 50% a chance de sucesso no tratamento de fertilização. “Ainda não há estudos clínicos comprovando o efeito”, avalia Adriana Farah. “Mas alguns trabalhos relacionam um alto consumo de cafeína, como acontece nos países nórdicos, à malformação fetal”, completa.

    Câncer de pele

    Depois de acompanhar mais de 110 mil pessoas por 20 anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que o café está inversamente associado ao tipo mais comum de tumor de pele. “Qualquer alimento antioxidante, caso do café, pode auxiliar na prevenção. Mas é cedo para indicá-lo com essa finalidade”, analisa a dermatologista Flávia Addor, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Expectativa de vida

    Uma investigação do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, mostra que beber de 3 a 4 xícaras faz você viver mais — o ganho na expectativa de vida é de 10% para homens e 13% para mulheres. “O resultado não surpreende. Afinal, o café é uma das maiores fontes de antioxidantes na dieta”, ressalta Adriana Farah.

    O café proporciona benefícios ao bebermos de 3 a 4 xícaras diárias

    Problemas no coração

    As pesquisas que se dedicaram a analisar a relação entre o café e a incidência de insuficiência cardíaca — condição em que o coração não consegue bombear quantidade suficiente de sangue para o corpo — sempre geraram dados discrepantes. Intrigada, a pesquisadora Elizabeth Mostofsky, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu conduzir uma revisão sobre o tema. Nela, foram avaliados mais de 140 mil indivíduos, dos quais 6 522 mil tiveram o mal. “Percebemos que quatro doses diárias de café diminuíram em até 11% o risco de ter o problema”, conta a cientista. Os compostos bioativos da bebida — o destaque vai para os antioxidantes — provavelmente estão por trás da benesse. “Ao afastar o diabete tipo 2, eles também protegeriam contra essa doença cardíaca”, raciocina. Já o consumo além da conta deixou o coração na corda bamba. E não é só o excesso que abala o peito. Está comprovado que duas substâncias presentes no grão, o cafestol e o kahweol, são capazes de elevar os níveis de colesterol no sangue, quadro que pode ser o pontapé inicial para várias complicações cardiovasculares. “Mas, quando se usa o filtro de papel ou o coador de pano para preparar o café, consegue-se reter boa parte dessas substâncias”, ensina Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração, na capital paulista. Dilema resolvido.

    Tremores do parkinson

    Quantas vezes você já ouviu alguém alegar que está mais acelerado porque bebeu café? Isso acontece por causa da cafeína. “A exposição à substância gera estímulos cerebrais, especialmente nas áreas que controlam as atividades motoras e o sono”, explica a nutricionista Camila Leonel, da Universidade Federal de São Paulo. Para um paciente com Parkinson, doença caracterizada por tremores no corpo, é de supor que a cafeína piore o quadro, certo? Errado. Em estudo realizado no Instituto de Pesquisa da Universidade McGill, no Canadá, observou-se que ela ameniza o sintoma. Para chegar ao achado, os cientistas acompanharam 61 pacientes. Enquanto uma parte recebeu placebo, uma pílula inócua, a outra ganhou uma cápsula com 100 miligramas de cafeína duas vezes ao dia, por três semanas. Nos 21 dias seguintes, o valor passou para 200 miligramas — dose encontrada em cerca de 2 xícaras de café. “A melhora motora entre aqueles que ingeriram a substância foi semelhante à de remédios indicados na fase inicial da doença”, comenta o neurologista Renato Puppi, coordenador da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, em Curitiba, e um dos autores do trabalho. “O efeito parece contraditório, mas a bebida só causa agitação em pessoas que não estão acostumadas a consumi-la ou que exageram”, pondera. Na dose adequada, a cafeína contribuiria para o funcionamento da dopamina — e é a falta desse neurotransmissor que abre as portas para o Parkinson.

    Alucinações

    Conhecido por incitar a atenção, deixando-nos mais preparados para cumprir as tarefas do dia a dia, o café ganhou a inusitada fama de alucinógeno na Universidade La Trobe, na Austrália. Isso aconteceu depois que os estudiosos recrutaram 92 voluntários e os submeteram a altos ou baixos níveis de estresse e consumo de cafeína. Depois, eles foram orientados a escutar uma mistura de sons e avisar cada vez que ouvissem determinada música. Detalhe: a canção nunca foi tocada. Só que as pessoas mais apreensivas ou com bastante cafeína na circulação — o correspondente a mais de cinco doses de café — se mostraram bem propensas a cair na pegadinha. “Alguns estudos relatam que o estresse contribui para a liberação de cortisol, hormônio que favorece experiências alucinatórias. E isso parece ser potencializado ao ingerir alimentos estimulantes, como o café”, informa a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira das Indústrias de Café, a Abic. “Mas esse efeito só acontece quando se exagera na cafeína”, declara. Para a especialista, é importante evitar o uso desenfreado de qualquer item. “A noz-moscada usada como tempero, por exemplo, não é prejudicial. Mas, se você comer uma inteira, alucinará por dias.” Consumido com moderação, o café só tende a auxiliar na concentração e na capacidade de aprendizagem.

    Dor de cabeça

    Está aí um tópico que rende pano para mangas. Geralmente, a confusão começa com a dificuldade de estabelecer se a bebida é realmente o estopim da dor de cabeça ou se as pessoas que sentem o incômodo a veem como válvula de escape. “Para esclarecer a dúvida, diminua aos poucos a ingestão de cafeína, até tirá-la da dieta”, recomenda a pesquisadora Adriana Farah, da UFrj. Lembre-se de que alguns chás e refrigerantes também carregam a substância. Daí, se a dor não sumir, procure um médico. Em muitos casos, a cafeína é a salvação. Prova disso é que está na fórmula de analgésicos. “Algumas cefaleias são caracterizadas pela vasodilatação cerebral. Por deixar os vasos mais estreitos, a cafeína pode atuar como coadjuvante no tratamento”, justifica a especialista.

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