• Há duas novidades para enfrentar o câncer de rim no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso combinado dos remédios ipilimumabe e nivolumabe, da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, e a medicação cabozantinibe, da Ipsen, para o tratamento de tumores renais metastáticos – quando já se espalharam para outros órgãos.

    “São boas opções para essa doença. Cabe lembrar que, no Brasil, cerca de 30% dos cânceres de rim são diagnosticados em fase avançada”, contextualiza o oncologista Andrey Soares, do Centro Paulista de Oncologia. Vamos conhecer mais essas armas modernas?

    Imunoterapia em dose dupla

    Comecemos pelo combo ipilimumabe e nivolumabe. Ambas as drogas já são usadas em outros tipos de tumor, separadamente ou mesmo em conjunto. Elas estimulam as nossas próprias células de defesa a atacarem o câncer. Esse tipo de estratégia é conhecido como imunoterapia e faz parte de uma verdadeira revolução recente na oncologia.

    No estudo que justificou a sua liberação, a união desses fármacos diminuiu a probabilidade de morte em 37% entre pacientes com tumor renal avançado que não haviam sido tratados anteriormente. Isso em comparação com pessoas que tomaram a droga sunitinibe, da Pfizer, considerada uma terapia padrão e que elevou o tratamento contra esse problema para outro patamar em 2005.

    “Além disso, os imunoterápicos oferecem uma melhora na qualidade de vida”, completa Soares. “O paradigma de tratamento que tínhamos há mais de uma década para a doença foi quebrado”, arremata.

    Cabe destacar que esses resultados foram observados em tumores renais avançados e mais agressivos. “Por meio de exames, nós separamos esse câncer basicamente em três categorias: risco baixo, intermediário ou alto. Essa combinação está indicada para as últimas duas”, esclarece Andrey.

    O ipilimumabe e o nivolumabe são administrados por meio de infusões intravenosas dentro do hospital. A ideia de empregá-los em conjunto é a de incitar nosso sistema imune contra a enfermidade por diferentes vias.

    Entre os efeitos colaterais, há a possibilidade de erupções na pele, coceira, cansaço, diarreia e dor de cabeça. Via de regra, sintomas bem mais tranquilos do que os experimentados com a químio.

    Uma terapia-alvo mais potente

    Já o cabozantinibe integra uma linha de tratamento batizada de terapia-alvo, que ataca pontos específicos do câncer responsáveis por seu desenvolvimento. Por mirar essas vias celulares, a estratégia agride menos o nosso corpo, em comparação com a quimioterapia tradicional. Se a terapia-alvo é um míssil teleguiado, a químio funciona como uma bomba.

    Acontece que o tal cabozantinibe parece ser mais potente do que outras armas similares frente ao câncer de rim metastático. Na pesquisa que garantiu sua aprovação, ele garantiu uma queda de 52% no risco de progressão da doença em pacientes avançados que não haviam sido tratados antes – de novo, quando comparado ao sunitinibe, que também é uma terapia-alvo.

    Só tenha em mente que frear o câncer não é sinônimo de menor probabilidade de morte. “Isso ainda está em investigação. Mas o maior controle da doença garante, no mínimo, uma melhor qualidade de vida”, avalia Soares.

    Ao contrário do combo ipilimumabe e nivolumabe, o cabozantinibe também foi aprovado para o que os médicos chamam de segunda linha de tratamento. Ou seja: para a pessoa com um tumor renal avançado que já experimentou outro remédio, sem sucesso.

    Outra diferença envolve a forma de uso. Como dissemos, a dupla de imunoterápicos é administrada diretamente nas veias. Já a nova terapia-alvo é um comprimido oral.

    Suas reações adversas incluem diarreia, fadiga, aumento da pressão, sangramentos… “Em geral, é uma toxicidade um pouco maior do que a observada na imunoterapia”, compara Andrey.

    Como o médico escolhe entre uma e outra?

    Vários critérios entram em cena na hora de escolher entre esses tratamentos – e tantos outros. Daí porque o principal recado é ouvir o médico e, acima de tudo, tirar todas as suas dúvidas antes de tomar uma decisão.

    De acordo com Andrey, de maneira muito geral os especialistas devem, ao menos por enquanto, preferir a combinação entre ipilimumabe e nivolumabe na luta contra o câncer de rim avançado. “Os estudos com ela são maiores e, portanto, mais confiáveis. Mas, de novo, todos os casos precisam ser avaliados individualmente”, reitera.

    Para puxar um exemplo genérico: pacientes com o tumor e uma doença autoimune grave (como o lúpus) talvez se beneficiem mais do cabozantinibe. Isso porque a imunoterapia pode agravar essa outra enfermidade.

    Já sujeitos com câncer renal metastático de baixo risco eventualmente podem recorrer ao sunitinibe, mais conhecido entre os profissionais de saúde.
    Outra questão importantíssima é o acesso. Medicamentos novos geralmente são mais caros e não estão disponíveis para uma parte considerável da população.

    Atraso no sistema público

    Você deve ter reparado que, nos estudos, as duas novas opções foram comparadas ao sunitinibe, um medicamento disponível no Brasil há mais de uma década nos hospitais privados. Acontece que nem esse fármaco está disponível na rede pública.

    No Sistema Único de Saúde (SUS), o brasileiro só tem à disposição o interferon, um agente significativamente menos eficaz, segundo Soares. Ainda de acordo com o médico, o sunitinibe – que já não é novo – dobrou o tempo de sobrevida em comparação com esses remédios.

    No momento, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) tem uma consulta pública aberta para incluir o sunitinibe e outra droga similar na rede pública. A orientação preliminar do órgão é, acredite, pela não incorporação. O relatório que justifica a decisão provisória alega falta de evidências sobre benefícios significativos e um custo considerável para o governo.

    Mas calma. Médicos, pacientes, familiares e quaisquer outras pessoas podem dar sua opinião acessando o site da Conitec e procurando pela consulta pública número 54, até o dia 29 de outubro. Lá, você também encontra outras informações sobre esse caso.

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  • Testes genéticos são exames que permitem identificar, por meio da análise do nosso DNA, um maior risco ou propensão a determinadas doenças. Em oncologia, os testes genéticos podem ser usados para diagnóstico de câncer hereditário ou do risco de desenvolver tumores. É importante esclarecer que todo câncer é resultado de alteração genética, isto é, o câncer é uma doença genética, porém, um percentual pequeno é hereditário.

    O câncer hereditário é causado por uma mutação genética que o paciente carrega no DNA de suas células. Essa mutação está presente em parte das células germinativas do pacientes, isso é nos gametas, e pode passar para seus descendentes. Isso quer dizer que os descentes que herdam a mutação estão em risco de desenvolver tumores. Há varias síndromes genéticas de câncer hereditário já descritas, incluindo as que afetam as mamas, os ovários, os intestinos, a pele, entre outros órgãos.

    Os aspectos clínicos mais comuns para se suspeitar de uma síndrome de câncer hereditário são: o diagnóstico em idade mais jovem do que a idade de aparecimento daquele tipo de tumor, vários tumores no mesmo indivíduo ou câncer em várias gerações da família. Para se confirmar a suspeita de um câncer hereditário, há necessidade do individuo ser submetido a um teste genético.

    Para algumas síndromes genéticas o resultado positivo de uma mutação patogênica em genes já conhecidos pode ajudar o médico a traçar medidas de prevenção para evitar o surgimento do câncer e também medidas de rastreamento diferenciadas da população em geral para diagnosticar o tumor nos estágios mais iniciais quando são mais passíveis de cura.

    Quem se beneficia na prática

    Dos anos 1990 para cá, tivemos avanços expressivos no conhecimento sobre genética desencadeados pelos avanços nas tecnologias de sequenciamento, o que hoje nos permite realizar exames genéticos com maior precisão e rapidez e menor custo. No entanto, a facilidade no acesso não significa que os testes genéticos devem ser solicitados para todas as pessoas. As indicações são baseadas em diretrizes nacionais e internacionais que são revisadas periodicamente.

    Assim, o médico, suspeitando de câncer hereditário, deve encaminhar o paciente para os médicos oncogeneticistas, que estão capacitados a estimar o risco de síndrome genética e solicitar os testes genéticos mais adequados.

    É importante destacar que esse tipo de teste envolve questões emocionais importantes, sendo crucial que o indivíduo tenha acesso ao aconselhamento genético pelo oncogeneticista. Esse profissional vai explicar o que é o teste, como ele é feito e quais suas limitações. Também vai abordar a grande possibilidade de não se detectar a causa genética, as consequências de um resultado positivo para uma mutação patogênica, o risco dos descendentes herdarem a mutação, as medidas preventivas e medidas de vigilância diferenciadas para diagnóstico precoce, entre outros aspectos. Em resumo, o oncogeneticista fornece um suporte geral para que as informações colhidas do quadro clínico e do exame genético a ser realizado sejam devidamente contextualizadas e dúvidas e expectativas sejam esclarecidas.

    Outro aspecto importante é que o teste genético pode ser feito em pessoas com câncer ou em pessoas sem câncer. O mais comum e de maior benefício para a família é realizar o teste no paciente com câncer e, no caso de ser positivo, recomendar avaliação da mutação identificada para os outros membros da família.

    Em geral, os testes genéticos conseguem identificar a causa genética (uma mutação patogênica) somente em uma pequena porcentagem dos casos. Portanto, a ausência de mutação patogênica nos genes investigados não significa que a pessoa não tenha um câncer hereditário e/ou risco aumentado para desenvolver tumores. É possível que existam mutações em outros genes não investigados no teste realizado ou em outros genes ainda não associados com a síndrome genética suspeita.

    Os ganhos para o paciente

    A realização bem indicada de um teste genético é capaz de trazer ganhos importantes em termos de prevenção, detecção e tratamento para algumas síndromes. A detecção de uma mutação patogênica nos genes BRCA1 e BRCA2, por exemplo, que são os genes mais importantes associados com a síndrome de câncer de mama e ovário hereditários, permite tomar condutas que reduzem significativamente o risco da doença, como rastreamento diferenciado e mais frequente por meio de exames de rotina, bem como intervenções preventivas (como a cirurgia de retirada das mamas e dos ovários). Todas as decisões, é claro, têm de ser discutidas entre médico e paciente.

    Ficou famoso, o caso da atriz americana Angelina Jolie, portadora de uma mutação no gene BRCA1. A atriz, com episódios de câncer na família característicos da síndrome, realizou um teste genético e obteve resultado positivo para a mutação em BRCA1, tomando a decisão de adotar medidas preventivas como cirurgias para extrair as mamas e os ovários, uma vez que a probabilidade de ter a doença nesses órgãos era alta. Com o procedimento, a atriz diminuiu o risco de câncer nesses órgãos a níveis menores que a população de mulheres sem mutações nos dois genes citados.

    Existem medicações aprovadas para pacientes com um tipo específico de câncer de ovário e que são portadores de mutação em BRCA1 ou BRCA2. A terapia é denominada anti-PARP e bloqueia um sistema de reparo de DNA existente nas células. Células do tumor de ovário de mulheres com mutação patogênica em um dos dois genes BRCA1 e BRCA2 apresentam maior sensibilidade ao tratamento com essa terapia, mostrando maior benefício para essas mulheres.

    É importante também comentar que, para várias outras síndromes de câncer hereditário, medidas de prevenção de diagnóstico precoce não estão bem estabelecidas e muitos esforços tem sido direcionados para ajudar nesse aspecto.

    Outros testes genéticos para escolher o tratamento do câncer

    O mapeamento das alterações genéticas em alguns tumores já são de grande utilidade clínica para ajudar na definição das melhores terapias. O sequenciamento massivo de tumores tem ajudado nas descobertas das suas alterações genéticas mais frequentes, auxiliando o mapeamento das vias gênicas que estão alteradas no tumor. Esses achados subsidiam o desenho de terapias para bloquear as vias alteradas e também a definição daquelas mutações que conferem sensibilidade ou resistência a essas terapias.

    Assim, testes genéticos em DNA tumoral já são realizados para vários tipos de tumor, por exemplo, casos específicos de câncer de pulmão, de ovário, de intestino, entre outros. Algumas terapias só devem ser prescritas para tumores que apresentam certas alterações genéticas.

    Estudos científicos

    Em nosso laboratório, estamos envolvidos em novas descobertas na área de genética e genômica e também na transferência para a clínica de testes genéticos e genômicos que apoiam o diagnóstico de síndromes genéticas e identificam alterações gênicas que guiam uma conduta terapêutica personalizada. Temos linhas de pesquisa dedicadas a síndromes hereditárias de tumores, visando caracterizar variantes genéticas na população brasileira nos genes já conhecidos, e também, linhas de pesquisa para desvendar outros genes, ainda não conhecidos, associados a elas. Dados da nossa população vindos das duas abordagens são particularmente importantes para contribuirmos com o conhecimento de variantes genéticas de risco ou benignas da população brasileira, que difere das populações mais conhecidas geneticamente, como a americana e europeia.

    Além disso, desenvolvemos pesquisas genômicas em tumores para descobrir as vias genicas que estão ativadas ou inativadas, contribuindo, assim, com a compreensão dos aspectos genéticos que subsidiam o aparecimento e a progressão do câncer.

    *Dra. Dirce Maria Carraro é chefe do Laboratório de Genômica e Biologia Molecular do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE) e responsável pelo Laboratório de Diagnóstico Genômico do A.C.Camargo Cancer Center.

    Pioneirismo

    O A.C.Camargo Cancer Center é pioneiro no estabelecimento de testes genéticos no diagnóstico de síndromes genéticas e para guiar tratamento. A transferência dos testes genético para a rotina clinica iniciou em 2010 e vem se aprimorando constantemente.

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  • As últimas pesquisas e aprovações de remédio reforçaram uma nova tendência na forma de enfrentar o câncer : é a imunoterapia. Antes restrita a poucos tumores, ela vem ganhando espaço, inclusive no Brasil. Confira novidades sobre o assunto para diferentes versões dessa doença:

    Estômago
    O câncer gástrico ganhou mais uma opção terapêutica: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso do pembrolizumabe, do laboratório MSD, nos tumores que atingem esse órgão do sistema digestivo. O mesmo fármaco já estava aprovado contra a doença instalada na bexiga, nos pulmões e na pele (melanoma).

    “É mais uma arma que se soma ao nosso arsenal. Cada vez mais teremos notícias de novas aplicações dos imunoterápicos que já estão disponíveis no país”, prevê o oncologista Antonio Carlos Buzaid, da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista.

    Pele
    A família da imunoterapia possui um novo membro: os brasileiros já podem contar com o avelumabe na luta contra o carcinoma de células de Merkel metastático, um tipo raro e agressivo de câncer dermatológico. O novo princípio ativo foi criado a partir de uma aliança entre duas gigantes da indústria farmacêutica: a Merck e a Pfizer.

    “Até agora, não existia nenhum recurso padrão contra essa doença”, observa o oncologista Ricardo Blum, diretor da Merck no Brasil. Nos estudos, a medicação aumentou em mais de um ano a sobrevida de 70 a 90% dos indivíduos — a quimioterapia usada até agora só proporcionava nove meses extras nos melhores cenários.

    Pulmões
    Pesquisas apresentadas no recente congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) provam que juntar pembrolizumabe e químio é o melhor caminho para contra-atacar o câncer de pulmão em estágio avançado. A união das duas linhas terapêuticas foi capaz de reduzir em 51% o risco de morte. Esse esquema duplo já recebeu o aval para prescrição em terras brasileiras.

    Melanoma
    A conferência da Asco ainda trouxe dados animadores sobre esse tumor de pele, que costuma ser duro de tratar. Sujeitos que começaram a tomar o pembrolizumabe ou ipilimumabe (da Bristol Myers-Squibb) há quatro ou cinco anos continuam muito bem.

    “Um terço dos casos mais graves pode até ser curado”, diz Buzaid. E pensar que algumas décadas atrás essa enfermidade matava em questão de meses…

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  • Acompanhar a evolução do câncer em tempo real é apenas uma das vantagens da biópsia líquida. “O método nos permite atualizar a terapêutica periodicamente, já que sinaliza mutações tumorais relacionadas com a resposta ao tratamento”, diz o oncologista clínico Celso Abdon de Mello, do A.C.Camargo Cancer Center, centro de referência do método no país.

    Para realizar o exame, é preciso uma amostra de sangue do paciente. Entram em cena, então, tecnologia de ponta e o olhar de especialistas que analisam o material desprendido do tumor, presente na corrente sanguínea. “Pode ser a própria célula, o DNA livre ou ainda vesículas do tumor”, explica a farmacêutica bioquímica Ludmilla T. Domingos Chinen, pesquisadora no A.C.Camargo Cancer Center.

    A leitura de tais componentes traz informações sobre o perfil genético do tumor e flagra biomarcadores, proteínas específicas capazes de apontar ao expert qual o melhor tratamento e também apoiar na identificação de recidiva e metástase.

    No Brasil, a biópsia líquida é voltada ao monitoramento da doença, especialmente em tumores de pulmão. Já nos Estados Unidos, foi aprovada para acompanhamento em câncer de mama, colorretal e próstata. Mas a expectativa é que em breve seja uma arma no diagnóstico primário do câncer.

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  • Há quem diga que o fator de proteção solar (FPS) dos filtros só faz diferença na pele até chegar ao número 30. Ou seja, de pouco adiantaria comprar um creme com FPS 50 ou mesmo 100. Mas uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, sugere justamente o contrário.

    O grupo observou que o FPS 100 pode ser mais eficiente do que os outros para barrar queimaduras. Para chegar à conclusão, os cientistas entregaram dois frascos de protetor para cerca de 200 voluntários, um com FPS 100 e outro com 50. Aí, pediram que os voluntários aplicassem um no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo.

    No dia seguinte, os participantes visitaram um consultório médico para analisar o impacto recente provocado pela radiação solar, com uma escala que ia de 0 a 5, do menos ao mais grave. Nessa avaliação, notou-se que o lado besuntado com o protetor mais leve exibia danos duas vezes maiores do que o outro.

    Para ter ideia, os dermatologistas que examinaram os voluntários – e que não sabiam qual filtro havia sido colocado em qual lado do corpo –, notaram que 55% dos participantes tinham se queimado mais na área do FPS 50, enquanto apenas 5% ficaram com a pele bem vermelha na porção coberta pelo protetor mais potente.

    Proteção solar na prática

    O estudo não bota um ponto final na discussão. Aliás, os autores reforçam que o efeito observado em um dia não necessariamente significa que a proteção do FPS 100 seja mais efetiva a longo prazo.

    Hoje, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda usar FPS mínimo de 30. “Costumo indicar esse no inverno e o 50 no verão, mas noto na prática que os fatores de proteção mais alto preservam melhor a derme”, indica Murilo Drummond, dermatologista da SBD.

    O especialista ressalta ainda que o protetor com FPS 100 não será duas vezes mais competente do que o 50 – apesar de aquele primeiro dado do estudo sugerir isso. “A diferença não é tão grande. Mas estamos falando de prevenir um câncer, então, mesmo que o benefício seja pequeno, ainda assim vale a pena considerá-lo”, opina o médico.

    O fato é: não dá para dispensar o protetor e as outras medidas que resguardam contra a radiação solar. Chapéu, guarda-sol e roupas compridas ajudam bastante, assim como valorizar a sombra e não se expor por muito tempo entre 10 e 16 horas.

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  • A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de quatro alisantes de cabelo. E o motivo é sério: segundo análises laboratoriais, eles continham formol, uma substância que reconhecidamente causa câncer e outros problemas de saúde.

    Todos os lotes de Maxxdonna Profissional Matutinha e Ingel Maxx Premium Forever Liss Professional não podem mais ser vendidos ou divulgados. Lotes específicos de Forever Liss Btox e Bio Amazônia também foram vetados.

    Cada caso teve suas particularidades, mas todos foram reprovados na análise para formol, conduzida pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco.

    Danos que o formol causa

    São muitos os efeitos. Na pele, ele provoca irritações, dores e até queimaduras. Isso, claro, também vale para o couro cabeludo.

    Em contato direto com os olhos – ou quando vira vapor por causa da chapinha –, pode gerar conjuntivite ou incômodos severos.

    Mas a maior preocupação envolve as vias respiratórias. Quando inalado, ele irrita toda a mucosa de nariz, boca, faringe e até pulmão… Isso acaba alterando células da região, o que abre as portas para o câncer nessas regiões.

    Para evitar tudo isso, vá atrás de alisantes confiáveis e converse com seu cabeleireiro sobre o assunto. E nunca – nunca mesmo – aceite utilizar formol nos cabelos.

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  • Não há dúvidas sobre a importância da vacinação contra a febre amarela. Mas, segundo informações da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), graças à repercussão dos novos casos dessa doença, muitos pacientes com câncer se preocuparam e foram aos consultórios médicos pedir orientação.

    Ainda bem! Ora, uma vez que o sistema imunológico fica fragilizado em decorrência de certos tratamentos antitumorais, cresce a possibilidade de reações graves à matéria-prima da vacina. Para quem não sabe, ela é composta de uma versão atenuada do vírus em questão, utilizada justamente a fim de estimular o organismo a desenvolver os anticorpos necessários para combatê-lo.

    “A principal orientação é que os prós e contras sejam discutidos de maneira individualizada com um oncologista”, destacou, em comunicado à imprensa, Rodrigo Munhoz, diretor da Sboc. Abaixo, três fatores que inviabilizam a injeção entre os pacientes com câncer:

    1. Uso de quimioterapia venosa ou oral, terapia-alvo ou imunoterapia. O ideal é esperar de três a seis meses após o término do tratamento antes de se vacinar, variando de acordo com o medicamento.

    2. Para o uso de corticoides, recomenda-se esperar pelo menos um mês.

    3. Transplante de medula óssea realizado há menos de dois anos ou situações em que o paciente apresenta sinais de complicação ou toma medicamentos imunossupressores.

    Redobre os cuidados se você tem…
    – 60 anos ou mais
    – Outro problema de saúde
    – Algum tipo de alergia (principalmente a ovos e gelatina)
    – Histórico de reações negativas a vacinas

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  • Procurar e ter acesso ao tratamento de câncer no Brasil pode se tornar uma missão desgastante. Às vezes, pacientes e familiares só conseguem obter medicamentos ao importá-los com seus próprios recursos. Em outras situações, imperam os processos judiciais, meios legais encontrados para garantir o acesso aos próprios direitos. A exemplo do mieloma múltiplo (MM), a luta do indivíduo para receber os mais modernos tratamentos é árdua e antiga.

    A doença não é só subestimada como subtratada no país. Para começar, não existem números oficiais de casos desse tipo de câncer. Estima-se, por enquanto, de 5 a 7 casos a cada 100 mil habitantes. Mas há outro agravante na história: apesar da maioria dos casos de MM ocorrerem a partir da terceira idade, a patologia vem sendo diagnosticada em pacientes cada vez mais jovens, antes mesmo dos 40 anos.

    Enquanto nos Estados Unidos 35% dos pacientes são diagnosticados por meio de exames de rotina – antes mesmo de a doença apresentar sintomas -, no Brasil 85% dos casos de mieloma múltiplo costumam ser identificados em estágio três, quando as manifestações são bem explícitas, como as fortes dores lombares e torácicas. Ou seja, é um momento em que a qualidade de vida já foi bem comprometida. Entre os sintomas da enfermidade que acomete a medula óssea estão: dores ósseas, aumento da possibilidade de fraturas, danos aos nervos, infecções e danos renais.

    Eu defendo e acredito que a difusão de informações da patologia deve ser intensificada e constante. Além de alertar os pacientes, esse conteúdo precisa estar acessível aos médicos e demais profissionais da saúde.

    Contribuímos ativamente para isso com o nosso trabalho na International Myeloma Foundation Latin América, que não só propaga dados sobre a doença, como oferece apoio aos pacientes e seus familiares.

    Em 2004, quando entrei nessa luta após a morte da minha mãe, diagnosticada com o mieloma múltiplo, esse cenário era ainda mais complicado. Gradativamente a situação foi mudando.

    Para identificar o MM, um dos principais testes é a eletroforese de proteínas, exame de sangue que mede a quantidade total de imunoglobulina, alterada em pessoas com o tumor. E a boa notícia: é possível fazê-lo no SUS.

    Um dos impasses nessa história, porém, consiste nas dificuldades de acesso ao tratamento. A não disponibilidade de algumas medicações sempre restringiu as opções terapêuticas no Brasil – um atraso de quase uma década em relação a outros países.

    Felizmente, começamos o ano com uma boa novidade. A droga lenalidomida, já presente em 70 países, finalmente foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com isso, esperamos que o remédio passe a ser comercializado ainda neste primeiro semestre, após mais de oito anos de muita batalha (e espera).

    Usada recorrentemente nos Estados Unidos e na Europa, a substância representa um avanço na classe de medicamentos imunomoduladores, justamente por ser mais potente e apresentar menos efeitos colaterais. A lenalidomida é um recurso importante em casos de recidiva (retorno) da doença.

    Sua disponibilidade no Brasil representará um marco na história. Agora, mais do que nunca, o paciente terá uma nova opção de tratamento e mais chances de decidir por melhor qualidade de vida após o diagnóstico. Sem contar que o medicamento aumenta as taxas de resposta ao tratamento e desacelera a progressão do mieloma múltiplo.

    Tenho certeza de que vivemos um momento mais do que propício para o paciente decidir o seu tratamento juntamente com o médico. Com mais recursos, fica mais fácil analisar e decidir qual a forma de administração mais indicada do medicamento, quais as melhores combinações e por aí vai. Além de levar em conta, de forma mais particular, os efeitos colaterais dessas drogas. Devemos comemorar – mas continuar batalhando.

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  • Estima-se que, até 2029, o câncer vai superar as doenças cardíacas e se tornar a principal causa de morte no país. Em Porto Alegre, é provável que isso ocorra já em 2018, tornando a capital gaúcha a primeira grande cidade do Brasil a observar esse fenômeno.

    Apesar dos diversos avanços no tratamento do câncer alcançados nas últimas décadas, como no caso dos tumores de mama, a mortalidade por outros tipos, como o de pulmão, continua elevada. Entre outros motivos, isso se relaciona com o diagnóstico tardio e a falta de acesso às terapias inovadoras, que podem beneficiar pacientes aumentando a sobrevida e melhorando o convívio com a doença.

    Um novo remédio passa, em média, dez anos em estudo antes de chegar ao mercado. Mas o acesso do paciente a uma terapia inovadora depende, na maioria das vezes, da capacidade do governo e dos planos de saúde em oferecê-la.

    Daí a importância da ampliação do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgado em novembro de 2017. A lista, revisada a cada dois anos para atualizar a relação mínima de tratamentos que devem ser oferecidos pelas operadoras de planos de saúde, incluiu 18 novos procedimentos, entre exames, terapias e cirurgias.

    Um ótimo exemplo das inserções no rol da ANS em 2018 é uma terapia-alvo indicada para um subtipo do câncer de pulmão: o de não pequenas células com mutação do EGFR. O tumor de pulmão é o que mais mata no Brasil e no mundo, sendo responsável por 18,2% de todas as mortes por câncer. Só no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que, em 2016/2017, foram cerca de 28 220 novos casos (17 330 em homens e 10 890 em mulheres).

    A disponibilização pelas seguradoras desse medicamento, batizado de afatinibe, é uma vitória a partir de um intenso trabalho de entidades representativas de pacientes, da classe médica e da indústria farmacêutica junto aos órgãos responsáveis. Ela representa um marco no tratamento da doença em nosso país, porque aumenta o leque de opções para muitas pessoas.

    É relevante frisar também que ações simples tomadas por parte da própria população podem melhorar o cenário da doença. Primeiro, precisamos ter atenção especial aos sintomas iniciais do câncer de pulmão, que às vezes se assemelham aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, sem que eles possuam uma origem clara, a pessoa procure orientação médica.

    Soma-se a isso a importância do diagnóstico correto do subtipo da doença. O câncer de pulmão possui muitas versões – cada qual com diferentes estratégias de combate. Por isso, ao constatar o problema, o paciente deve sempre passar por testes para identificação exata do subtipo de sua enfermidade, e dessa forma iniciar o tratamento mais adequado.

    Novidades como a inclusão do afatinibe no Rol da ANS devem ser celebradas. É dessa forma que poderemos proporcionar aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas, além de uma expectativa maior no sucesso do tratamento.

    É relevante frisar também que ações simples tomadas por parte da própria população podem melhorar o cenário da doença. Primeiro, precisamos ter atenção especial aos sintomas iniciais do câncer de pulmão, que às vezes se assemelham aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, sem que eles possuam uma origem clara, a pessoa procure orientação médica.

    Soma-se a isso a importância do diagnóstico correto do subtipo da doença. O câncer de pulmão possui muitas versões – cada qual com diferentes estratégias de combate. Por isso, ao constatar o problema, o paciente deve sempre passar por testes para identificação exata do subtipo de sua enfermidade, e dessa forma iniciar o tratamento mais adequado.

    Novidades como a inclusão do afatinibe no Rol da ANS devem ser celebradas. É dessa forma que poderemos proporcionar aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas, além de uma expectativa maior no sucesso do tratamento.

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  • Parece que é no frio, quando as rachaduras pipocam graças ao clima seco, que os lábios sofrem mais. Mas só parece. No verão, a boca precisa de proteção extra tanto quanto a pele do rosto.

    Pra começo de conversa, os raios ultravioleta também aumentam o risco de tumores por ali. “Os cânceres mais comuns na região são do tipo que não costumam se espalhar pelo resto do corpo. Mas eles tendem a ser diagnosticados em estágio avançado”, explica André Braz, dermatologista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

    “E, quando isso acontece, geralmente precisamos remover uma parte grande do lábio”, completa o médico. Ou seja, embora o risco de morte não seja grande, o de marcas no rosto é considerável.

    Além disso, o sol é um financiador do envelhecimento precoce. Logo, lábios muito expostos a sua radiação têm maior risco de ficarem enrugados antes do tempo. “Como é uma área de transição entre pele seca e a mucosa da parte interna da boca, ela não tem a última camada da derme”, aponta Braz. “Por isso, é mais sensível e possui uma menor capacidade de se defender da radiação”, completa.

    Rotina de cuidados

    Antes de se expor ao sol, passe um protetor específico para os lábios. “Ele deve ser colorido para oferecer proteção física e química contra a radiação”, orienta Braz. Depois que já estiver ao ar livre, reaplique a cada duas horas ou sempre que a barreira física parecer sumir, como no caso de um mergulho na água.

    Vale também investir em um hidratante labial. É que, mais do que provocar rachaduras, a secura abre caminho para micro-organismos nocivos. “Se a pessoa pega um sol muito forte e a boca resseca, a imunidade pode cair, o que favorece o aparecimento do herpes e outras infecções orais”, alerta Braz.

    E não precisa ser nenhum produto muito rebuscado. A boa e velha manteiga de cacau dá conta do recado.

    Alguns itens oferecem ainda antioxidantes e outros nutrientes em sua composição, mas, nesses casos, é preciso atenção. “Produtos com vários princípios ativos geralmente prometem mais do que cumprem”, comenta Braz.

    Na dúvida, opte por um hidratante que ofereça apenas uma substância principal, como a vitamina C, e escolha marcas confiáveis, de preferência recomendadas pelo dermatologista. O segredo é usar o protetor durante o dia e, a partir do fim da tarde, hidratar o local.

    Ah, e não adianta usar um produto por cima do outro. Isso diminui a aderência e, consequentemente, a eficácia dos dois.

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