• De tempos em tempos, surgem textos duvidosos no WhatsApp que acusam alimentos ou hábitos considerados saudáveis de causarem grandes malefícios. A vítima da vez foi a água. Ou melhor, a água gelada. Uma mensagem que está circulando pelas redes sociais afirma que ela pode provocar infarto, câncer, gordura no fígado e outros males no estômago e no intestino grosso.

    Veja o conteúdo da corrente:

    “Dica da Manhã

    E eu aqui achando que água gelada só afetava a garganta…

    A ÁGUA GELADA FAZ MAL PARA VOCÊ.

    No passado, dizia-se que: se a água gelada não lhe afetar na juventude, vai afetar na velhice

    A água gelada fecha 4 veias do coração e causa ataque cardíaco;

    Bebidas geladas são a principal causa de ataques cardíacos.

    A água gelada cria problemas no fígado; prende a gordura ao fígado. Muitas das pessoas que aguardam por um transplante de fígado, são vítimas da água gelada.

    A água gelada afeta as paredes internas do estômago.

    A água gelada afeta o estômago e o intestino grosso, causando câncer.

    Por favor não guarde isto para você. Repasse para ajudar outras pessoas.

    Dr Dráusio Varella – Medicina ortomolecular.”

    Antes de destrinchar o teor do conteúdo em si, repare na assinatura da suposta fonte. Esse nome lembra alguém famoso?

    Pois é. Acontece que Drauzio Varella é oncologista – não um médico ortomolecular – e seu nome se escreve com Z. Esse ponto, por si só, já levantaria suspeitas.

    Mas a verdade é que o texto está cheio de furos. Sim, é outra notícia falsa – e das grandes, aliás.

    Para destrinchar os enganos dessa mensagem, SAÚDE conversou com Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e com a gastroenterologista Elaine Moreira, do Instituto Endovitta, também na capital paulista.

    Água gelada dá dor de garganta?

    Como um aperitivo, vamos partir para a alegação de que bebidas resfriadas abalam a garganta. Isso é, no máximo, uma meia verdade.

    Se a garganta está inflamada devido à ação de um vírus ou bactéria, a água gelada pode agravar a situação. Porém, ela em si não é o motivo do incômodo.

    Ela faz mal para o coração?

    Segundo a corrente, a água gelada fecha veias do coração. Mais do que isso, ela e outras bebidas frias seriam a principal causa de ataques cardíacos.

    Ocorre que o infarto é deflagrado pelo entupimento das artérias, impedindo que o sangue chegue ao músculo mais importante do corpo. Ou seja, esse problema grave nada tem a ver com veias, e sim artérias.

    E onde o líquido da vida entraria nessa história? Em lugar nenhum, pelo visto. “A água gelada não provoca infarto, nem entope os vasos sanguíneos”, atesta Abrão Cury.

    De acordo com o cardiologista, essa história pode ser uma deturpação de casos graves de hipotermia, uma queda excessiva da temperatura do corpo inteiro. “Ela é gerada por um ambiente de frio intenso e não pela água gelada consumida”, complementa.

    Nessa situação extrema, os órgãos em geral vão parando de funcionar, o que pode levar à morte. Mas não há quaisquer relatos de caso mostrando casos severos de hipotermia entre quem tomou goles de um líquido qualquer que acabou de sair da geladeira. Você teria que estar nadando por um tempo em meio a um mar congelante para sentir esses efeitos – como nas cenas finais do filme Titanic.

    Entretanto, o médico do HCor explica que alguns poucos indivíduos sofrem com uma hipersensibilidade a líquidos gelados. “Quando você toma uma bebida dessas, ela estimula terminações nervosas que diminuem a frequência cardíaca. Isso, em condições normais, não cria problemas”, explica. “Mas, se a pessoa tiver hipersensibilidade, ocorre uma redução importante nos batimentos, o que gera mal-estar”, explica.

    Mas nada de criar pânico: essa é uma condição rara e diagnosticada por meio de avaliações médicas. Além disso, mal-estar não é sinônimo de infarto. Portanto, não faz sentido espalhar por aí que as bebidas frias são a principal causa dessa encrenca.

    Água gelada gera problemas no fígado, estômago e intestino grosso?

    O texto espalhado pelo WhatsApp garante que a água gelada afeta as paredes do estômago e o intestino grosso, chegando até a originar câncer por ali. “Não existem estudos que comprovem essas alegações”, aponta Elaine Moreira.

    A gastroenterologista do Instituto Endovitta, que também é membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), informa que, mesmo se você ingerir um líquido frio, ele vai sendo aquecido até chegar no estômago. No intestino então, a bebida já estará quentinha. Portanto, aquelas afirmações nem têm lógica.

    A corrente diz ainda que a água gelada “prende” a gordura no fígado, sendo uma grande razão das pessoas precisarem de transplante. Isso é um absurdo! Os líquidos que engolimos sequer passam por esse órgão durante a digestão.

    A tal da gordura no fígado – chamada de esteatose hepática pelos médicos – é consequência de consumo excessivo de álcool, sedentarismo, diabetes e obesidade. A água não tem qualquer relação com a história.

    Tags: , , , , , ,

  • foto-imagem-suco-de-uva

    Estão chegando ao mercado dois produtos turbinados com proteína, nutriente conhecido por fortalecer os músculos. A marca Itambé acaba de lançar um leite (nas versões semi e desnatada) que apresenta o dobro da substância em relação aos similares. Já a Maxxi Ovos investe em uma linha com três sucos integrais, todos enriquecidos com albumina, a famosa proteína do ovo.

    A nutricionista Cynthia Antonaccio, da Equilibrium Consultoria, na capital paulista, vê as novidades com bons olhos. “É uma tendência mundial”, diz. Segundo ela, a proteína não deve ser encarada como coisa de marombeiro, não. “Esse nutriente favorece a saciedade, o que é interessante em um mundo ansioso por comida como o nosso”, afirma. Portanto, as bebidas proteicas são indicadas para todos — de crianças a idosos — que quiserem fazer lanches intermediários capazes de deixar a barriga cheia por mais tempo.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-líquido-quente

    Preparos em temperatura acima de 65 °C elevam o risco de tumores de esôfago, alerta a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) com base em novas evidências sobre o tema. Em nosso país, café e chá não são consumidos tão quentes assim. Já o chimarrão… “Pesquisas apontam que no sul ele é tomado a quase 70 °C”, diz Luis Felipe Ribeiro Pinto, vice-diretor do Instituto Nacional de Câncer e representante do Brasil no conselho científico da Iarc.

    E tem um complicador aí: a bomba, como é chamada aquela espécie de canudo, faz o líquido fumegante cair direto no esôfago – como a parte superior do órgão não tem enervação, nem dói. “Só que a queimadura constante pode levar à proliferação celular excessiva”, explica Pinto. Para evitar a doença, ele sugere checar, com ajuda de um termômetro, em quantos minutos a bebida atinge 60 °C. Nas próximas degustações, é só aguardar esse tempo.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-bebida-diet-depressãoUma pesquisa realizada nos Estados Unidos verificou uma possível ligação entre o consumo de bebidas diet e um maior risco de depressão.

    O estudo realizado com 250 mil pessoas verificou que pessoas que consumiam quatro latas ou copos de refrigerantes ou sucos dietéticos por dia aumentavam o risco de depressão em até um terço.

    A pesquisa, apresentada na reunião anual da Academia Americana de Neurologia, não indicou a causa dessa ligação.

    O estudo também analisou o efeito do consumo diário de café e verificou que os consumidores contumazes da bebida tendem a sofrer menos de depressão.

    Segundo os pesquisadores, as pessoas que bebiam quatro copos de café por dia tiveram 10% menos chance de serem diagnosticados com depressão ao longo dos dez anos do estudo do que aqueles que não bebiam café.

    “Nossa pesquisa sugere que cortar ou reduzir o consumo de bebidas com adoçante ou trocá-las por café não adoçado pode reduzir naturalmente seu risco à depressão”, afirma o coordenador do estudo, Honglei Chen, do Instituto Nacional de Saúde da Carolina do Norte.

    Ele disse, porém, que mais estudos são necessários para explorar as causas dessa relação.

    Os pesquisadores advertem ainda que os resultados se aplicam aos objetos do estudo – pessoas acima de 50 anos vivendo nos Estados Unidos -, mas podem não ser repetidos em outras amostras.

    Críticas
    Os resultados da pesquisa americana são contestados pela Associação Dietética Britânica. Para a nutricionista Gaynor Russell, porta-voz da organização, o estudo não significa necessariamente que adoçantes provocam depressão.

    “Para começar, as pessoas que sofrem de depressão podem se ligar mais à ideia de que suas bebidas adoçadas provocam o problema e então adicionar uma inclinação em seus relatos de consumo passado, especialmente porque os refrigerantes nos Estados Unidos são muito demonizados. Além disso, pode ser que o consumo de bebidas dietéticas esteja ligado à obesidade e ao diabetes, o que podem ser em si mesmos causas para a depressão”, afirma.

    Segundo ela, “os adoçantes não caloríficos têm um papel importante em dietas para as pessoas que tentam perder peso ou que têm diabetes, e certamente não é recomendável que elas substituam suas bebidas dietéticas por mais café”.

    Russell afirma que a segurança dos adoçantes, como o aspartame, já foi extensivamente estudada por pesquisadores e é certificada por agências reguladoras.

    Tags: , , ,

  • Apenas 150 gramas muito bem distribuídos em 12 centímetros de altura — parece pouco, principalmente quando comparados a pulmões e fígado. Porém, os rins são responsáveis por funções vitais no organismo. E, quando esses pequenos notáveis convalescem, é encrenca na certa: a doença renal crônica (DRC), mal que não costuma avisar sobre sua existência, destrói as estruturas renais até chegar ao ponto em que o órgão para de funcionar.

    “DRC é o termo que se refere a todas as doenças que afetam os rins por três meses ou mais, o que diminui a filtração e afeta algumas de suas atribuições”, explica a nefrologista Gianna Mastroianni, diretora do Departamento de Epidemiologia e Prevenção da Sociedade Brasileira de Nefrologia. O problema é tão sério que renomadas instituições brasileiras criaram a campanha Previna-se, vencedora do Prêmio SAÚDE 2011 na categoria Saúde e Prevenção. “Nem sempre as doenças renais têm sintomas. Em muitos casos, o indivíduo não percebe e o diagnóstico é feito com atraso”, completa Gianna.

    Apesar de ser caracterizada como uma doença silenciosa, a DRC pode dar alguns sinais. No entanto, quando eles aparecem, costuma ser tarde demais. “O rim é um órgão muito resistente, e esses sintomas só vão se manifestar nos estágios 4 e 5 do problema, quando ele está muito avançado”, conta o nefrologista Leonardo Kroth, da Sociedade Gaúcha de Nefrologia. Além de só surgirem em situações extremas, muitas dessas manifestações tendem a ser confundidas com outras enfermidades. Daí a importância de sempre visitar o médico e pedir os exames que detectam as alterações indesejadas nos filtros do corpo humano.

    Quando a DRC bate à porta

    E se a pessoa descobrir que seus rins não estão trabalhando como deveriam? “Ela precisa se consultar periodicamente com um nefrologista, fazer exames com regularidade, cuidar muito bem da pressão arterial e da glicemia, além de outras modificações que ocorrem na doença renal, como mudanças nos níveis de cálcio e fósforo”, atesta Marcos Vieira, diretor clínico da Fundação Pró-Rim, em Santa Catarina.

    Nos casos em que a DRC progrediu além da conta e os rins perderam grande parte de sua capacidade de eliminar a sujeira do organismo, o indivíduo pode optar por dois caminhos: receber o rim de algum doador compatível ou seguir para a diálise. “Ok, alguns pacientes não têm condições clínicas de realizar um transplante. Mas, nos demais, esse é o tratamento de preferência”, esclarece Vieira.

    No entanto, a ausência de alguém que esteja apto a doar um de seus rins faz com que a maioria dos convalescentes siga para a hemodiálise, quando uma máquina substitui as principais funções que eram realizadas pelo aparelho excretor. Algumas atitudes simples podem eliminar muitos desses transtornos. Confira a seguir como manter essa dupla a todo vapor.

    Diabete e pressão na rédea curta

    Quando esses marcadores estão em níveis exagerados, a probabilidade de desenvolver a DRC é ainda maior. Além da aterosclerose, a formação de placas de gordura, sobretudo na artéria renal, há uma sobrecarga do trabalho de filtração dos rins. “E a incidência dessas duas doenças vem aumentando nos últimos anos, algo agravado pelo envelhecimento da população, além de sedentarismo e obesidade”, diz Gianna Mastroianni. Nos casos em que o estrago já foi feito, a primeira medida é ficar de olho na pressão e no diabete.

    De bem com a balança

    Manter-se no peso ideal também é uma regra de ouro para seguir com os rins a mil. Indivíduos com o índice de massa corporal (IMC) nos parâmetros saudáveis ficam protegidos dos pés à cabeça e, nesse pacote de benesses, os filtros naturais saem ganhando. “Hoje em dia, existe uma epidemia mundial de obesidade. O excesso de peso leva à hipertensão e ao diabete. Quando hábitos saudáveis são adquiridos, o risco de sofrer com um problema no rim é bem menor”, destaca o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo.

    Alimentação equilibrada, rins a salvo

    Tomar cuidado com o excesso de gordura e ingerir alimentos ricos em vitaminas e fibras vai colaborar bastante para a manutenção das funções renais. Quando o indivíduo já sofre com a DRC, é provável que seja obrigado a fazer algumas mudanças em seu cardápio. “Aí é importante adotar uma dieta com menor quantidade de proteína para evitar a sobrecarga renal”, afirma Marcos Vieira. Esse menu deve ser avaliado pelo médico e por um nutricionista.

    Analgésicos só com orientação

    Remédios só deveriam entrar em cena com a indicação de um especialista. Até mesmo quando aparece aquela simples dor de cabeça, fuja da automedicação. Na hora, ela pode até ser solucionada, mas, a longo prazo, quem pode sofrer são seus rins. “Tanto os analgésicos quanto os anti-inflamatórios são capazes de prejudicá-los, se tomados em excesso, porque favorecem a ocorrência de doenças renais”, alerta Nestor Schor. Procure sempre orientação médica para identificar o causador do incômodo e debelá-lo da melhor maneira possível.

    Devagar com a bebida

    Quando ingerido com parcimônia, o álcool pode até beneficiar o trabalho dos rins. Os experts chegam a recomendar uma ou duas doses bem pequenas. Porém, enfiar o pé na jaca não vai agradar aos pequenos filtros, que sofrem indiretamente. “Em excesso, o álcool pode causar hipertensão, que vai evoluir até gerar problemas renais”, adverte o nefrologista André Luis Baracat. A bebida também causa prejuízos ao fígado, o que, em última instância, vai desembocar em um estrago nos rins.

    Apagar o cigarro em definitivo

    No personagem principal desta reportagem, a atuação do fumo é tão nefasta quanto em outras partes do corpo. E a explicação está no surgimento de pequenos bloqueios, as placas de gordura, que diminuem o calibre dos tubos por onde circula o sangue. Isso causa problemas de pressão que, por sua vez, levam à DRC. “Os rins são cheios de vasos sanguíneos. O cigarro desencadeia inflamações que prejudicam o órgão”, destaca o nefrologista André Luis Baracat, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

    Dueto eficiente

    Dois exames muito comuns checam o funcionamento renal. E melhor: médicos de qualquer especialidade podem requisitá-los.

    Exame de sangue

    Ao medir o nível de creatinina, um resíduo originado da atividade muscular corriqueira, é possível calcular a quantas anda o trabalho de filtração dos rins. Quando os níveis da substância estão elevados, é sinal de que algo não vai bem.

    Exame de urina

    Esse teste vai mostrar a presença de uma proteína, a albumina, no líquido amarelo. O composto orgânico não costuma aparecer no xixi, já que ele é retido quando chega aos rins. Porém, se existirem problemas, a albumina será liberada sem empecilhos.

    Doenças preliminares

    Alguns problemas de saúde podem levar ao desenvolvimento da DRC:

    – Diabete;
    – Hipertensão;
    – Glomerulonefrite (infecção no glomérulo);
    – Má-formação nos rins;
    – Lúpus;
    – Cálculo renal;
    – Tumores;
    – Infecções urinárias recorrentes.

    Fique atento para estes sintomas

    – Cansaço;
    – Insônia;
    – Inchaço nos pés e tornozelos;
    – Inchaço nos olhos;
    – Nictúria (vontade de ir ao banheiro durante a noite);
    – Mau hálito;
    – Mal-estar;
    – Urina espumosa ou com sangue.

    Olha a chuva!

    No verão, o Brasil sofre com as enchentes. Junto com esse problema, doenças como a leptospirose podem surgir e atrapalhar o funcionamento dos rins, causando até a insuficiência renal aguda. É de extrema importância ficar o menor tempo possível em contato com a água da inundação, usando botas e luvas de borracha.

    Tags: , , , , , ,

  • Tomar café todos os dias pode fazer bem à saúde e até mesmo aumentar o tempo de vida. Uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, divulgada em maio, estudou por oito anos um grupo de mais de 400 mil homens e mulhres americanos, de 50 a 71 anos. O resultado da pesquisa sugere que as pessoas que tomavam café tinham um tempo maior de vida.

    O cardiologista Luiz Antônio Machado César afirma que o café não é composto apenas por cafeína, mas outros componentes importantes para o organismo, como antioxidantes.

    Segundo a nutricionista da Associação Brasileira da Indústria de Café, Mônica Pinto, a a bebida é importante também na prevenção de doenças, principalmente para quem toma mais de três xícaras por dia.

    Para preparar o café, ela recomenda aquecer a água e não ferver, além de filtrar sempre para não alterar o sabor. As opções para o preparo são o filtro de papel, o filtro de pano, o café expresso ou solúvel.

    Para meio litro de água, é recomendado usar de 3 a 4 colheres rasas de sopa com pó de café.

    De acordo com a nutricionista, para extrair todas as vantagens da bebida, depende muito mais do tempo de contato da água com o pó do que do modo de preparo.

    Ela alerta que se o pó de café estiver muito escuro, é sinal de que torrou demais e perdeu suas substâncias benéficas. Por isso, é melhor sempre optar pelo pó de café que tenha cor parecida ao chocolate.

    Uma xícara de café de 50 ml, filtrado no pano ou papel, pode ter em média 35 mg de cafeína. Já a mesma xícara de café instantâneo tem 33 mg e, de café expresso, em média 70 mg.

    Embora o contato com a água no expresso seja menor, a pressão é grande e, por isso, é extraída uma boa quantidade de cafeína em pouco tempo de contato. A cafeína em excesso pode também atrapalhar a quantidade de cálcio nos ossos, mas a quantidade na xícara de café é tão pequena que não chega a ser um problema.

    Outro problema do excesso da cafeína é o risco de ataque cardíaco, principalmente para quem não está habituado a tomar.

    Segundo o cirurgião do aparelho digestivo, Fábio Atuí, a cafeína pode irritar a mucosa do estômago e provocar sintomas de queimação. Mas o café sozinho não causa problema; o que pode piorar o quadro é a associação com gastrite ou refluxo, por exemplo.

    A cafeína pode também piorar a doença do refluxo gastro-esofágico, quando o ácido do estômago volta para o esôfago, que não é preparado para receber esse ácido refluxo. Isso provoca a queimação.

    Um paciente com esse problema deve evitar café e outros produtos com cafeína, como chocolate, energético, chá preto, refrigerantes de cola, guaraná e até mesmo alguns remédios para dor de cabeça.

    Há também a relação do café com a osteoporose, mas os estudos são contraditórios. Como a doença não está ligada apenas ao metabolismo do cálcio, só há risco quando a ingestão de café for realmente excessiva ou se a alimentação for pobre em outros minerais envolvidos.

    Infarto no inverno
    Proteger-se do frio pode ajudar na prevenção do infarto. Os médicos alertam para proteger principalmente a região do rosto e tomar cuidado com o choque térmico ao sair de uma região quente para uma região fria.

    Um estudo feito por médicos do Instituto do Coração (InCor) analisou a quantidade de mortes por infarto do miocárdio em pacientes de São Paulo durante temperaturas altas e baixas. A conclusão foi que, no inverno (em temperaturas abaixo de 14°C), houve um aumento de 33% no número de mortes em relação aos dias com temperaturas mais quentes.

    Segundo o cardiologista Luiz Antônio Machado César, um dos autores da pesquisa, nas temperaturas frias enfarta-se mais, os infartos são mais extensos e mais pacientes morrem. Isso acontece por causa do aumento da incidência de infecções respiratórias e por causa da diminuição do calibre dos vasos para manter o corpo aquecido.

    Essa diminuição do calibre das veias, também conhecida como vasoconstrição, é um mecanismo que ajuda a aquecer o corpo principalmente em situações de choque térmico, quando a pessoa sai de um ambiente quente para um ambiente frio. Esse espasmo das artérias pode contribuir para o rompimento de placas e provocar um entupimento das veias. Mas isso somente em pessoas que apresentam fatores predisponentes, como diabetes, colesterol alto e pressão alta.

    Já as infecções respiratórias deixam o corpo inflamado e essa inflamação chega às artérias, fazendo com que algumas partículas de gordura se desprendam, provocando o entupimento de alguma veia. Isso pode causar o infarto.

    Por isso, é importante se proteger no frio, principalmente os idosos e pessoas com pré-disposição para infarto (pressão alta, colesterol alto, diabetes etc). Proteger a região do rosto e evitar situações de choque térmico também ajuda a prevenir. Para evitar as infecções respiratórias, é essencial tomar a vacina contra a gripe A (H1N1).

    Tags: , , , , , ,

  • O café é uma das bebidas mais consumidas ao redor do mundo. São poucas as pessoas que não degustam ao menos uma xícara logo pela manhã para acordar, depois do almoço ou durante o expediente. No entanto, pouca gente sabe que doses moderadas da bebida podem trazer muitos benefícios à saúde, além do simples prazer da degustação.

    Os estudiosos já consideram o café como um alimento funcional, que previne doenças, ou até mesmo nutracêutico, ou seja, proporciona benefícios tanto para a manutenção da saúde como também para fins terapêuticos, incluindo o tratamento de doenças.

    E não é só de cafeína que o café é composto. Ele ainda é rico em sais minerais, como potássio, cálcio, zinco, ferro e magnésio, contém vitamina B, umas grande quantidade de ácidos clorogênicos, antioxidantes naturais e nutrientes que ajudam na prevenção da depressão e suas consequências, tais como o tabagismo, alcoolismo e consumo de drogas. Essas substâncias estão presentes em uma proporção de 7% a 10%, isto é, de 3 a 5 vezes mais que a cafeína, com um índice que vai de 1% a 2,5%.

    Os especialistas recomendam o consumo de 3 a 4 xícaras diárias de café, o que representa cerca de 500 mg de cafeína, o que estimula a atenção, concentração, memória e aprendizado. O consumo diário e moderado pelos adultos pode ainda auxiliar no combate à depressão, a quarta maior causa de morte no mundo nos dias atuais, que pode chegar a ser a segunda até 2020, conforme informações da OMS.

    Estudiosos da Universidade de Harvard também concluíram que o consumo de cerca de 6 xícaras de café por dia pode diminuir risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 em 28%, devido aos antioxidantes, que ajudam a controlar o dano causado às células que contribuem para o desenvolvimento da doença. Os antioxidantes, aliás, também são substâncias que combatem a temida celulite. Um estudo feito na Universidade de Vanderbilt provou que homens que bebem café regularmente previnem-se em 80% do desenvolvimento do mal de Parkinson. A bebida ainda reduz o colesterol, auxilia no combate de doenças coronárias, no processo de emagrecimento e na prevenção de alguns tipos de câncer, como o de cólon e o do reto

    .

    Existem ainda estudos recentes que indicam que algumas substâncias presentes no café podem ajudar a prevenir demências e o Alzheimer. A revista médica norte-americana Neurology indica, ainda, que a cafeína retarda a deterioração mental em mulheres idosas. A bebida atua sobre a memória de portadores de doenças degenerativas porque a cafeína age como um estímulo no sistema nervoso central.

    Colocando na balança, os impactos positivos do café parecem superar os negativos, no entanto, deve-se consumir no máximo 6 xícaras da bebida por dia, para não haver saturação de cafeína. O café feito em casa tem de ser ingerido até 15 minutos depois de coado, senão, oxida.

    Tags: , ,

  • O consumo de refrigerantes e outras bebidas com grande quantidade de açúcar traz risco de aumento da pressão arterial, segundo afirma um estudo realizado por especialistas americanos e britânicos.

    A pesquisa, feita com 2.500 pessoas e publicada na revista científica Hypertension, afirma que beber mais de 355 ml diários de bebidas com gás ou sucos de fruta contendo açúcar é o suficiente para desequilibrar a pressão.

    Embora o motivo exato da relação entre pressão e refrigerantes ainda não seja clara, os cientistas acreditam que o excesso de açúcar no sangue prejudica o tônus das veias sanguíneas e desequilibra os níveis de sal no organismo.

    Na pesquisa, os participantes – todos americanos e britânicos, com idades entre 40 e 59 anos – anotaram o que haviam comido nas 24 horas anteriores e fizeram um exame de urina, além de terem medida a sua pressão arterial.

    De acordo com a pesquisa, para cada lata de bebida com açúcar consumida por dia, os participantes tinham em média uma alta de 1,6mmHg (milímetro de mercúrio) em sua pressão sistólica (quando o coração se contrai e bombeia sangue no corpo).

    Já a pressão diastólica – quando o coração relaxa e recebe o sangue do sistema circulatório – teve um acréscimo de 0,8mmHg para cada lata de refrigerante ou suco contendo açúcar consumido diariamente.

    Os cientistas descobriram que o consumo de açúcar era maior entre aqueles que tomavam mais de uma bebida açucarada por dia.
    Além disso, segundo o estudo, os indivíduos que consumiam mais de uma dose diária de refrigerantes e bebidas açucaradas ingeriam em torno de 397 calorias a mais por dia do que as pessoas que bebiam produtos sem açúcar.

    A entidade American Heart Association, sediada nos Estados Unidos, recomenda que não se consuma mais do que três latas de refrigerante de 355 ml por semana.

    Os cientistas também verificaram que, em geral, as pessoas que consumiam muitas bebidas açucaradas tinham dietas menos saudáveis e tinham uma tendência maior para o sobrepeso.

    No entanto, segundo o estudo, a ligação entre refrigerantes e o aumento da pressão foi verificada nas pessoas entrevistadas independentemente desses fatores.

    Sal e açúcar

    No estudo, a relação entre bebidas açucaradas e pressão alta foi muito evidente em pessoas que consomem grandes quantidades tanto de sal quanto de açúcar. Médicos afirmam que o excesso de sal na dieta contribui para o aumento da pressão arterial.

    É o que diz o cientista responsável pelo estudo, Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College, no Reino Unido.

    – É amplamente sabido que, se você tiver muito sal em sua dieta, você terá mais chance de ter pressão alta. Os resultados desse estudo sugerem que as pessoas também devem ter cuidado com quanto açúcar consomem.

    A pressão alta é o maior fator de risco para doenças cardiovasculares. Médicos estimam que uma pessoa com uma pressão de 135mmHg por 85mmHg tem duas vezes mais chance de ter um infarto ou um derrame cerebral do que alguém com 114mmHg por 75mmHg.

    A entidade British Heart Foundation, com sede no Reino Unido, afirma que mais estudos são necessários para entender melhor a relação entre pressão arterial e açúcar.

    A nutricionista-chefe da fundação, Victoria Taylor, diz que evitar o consumo em excesso de bebidas açucaradas é o melhor caminho para impedir a obesidade, outro fator de risco para doenças cardíacas.

    Fonte BBC Brasil

    Tags: , , , , , , , , , ,

  • Distúrbio faz a busca pelo prazer ser incontrolável e destrói vidas.
    Universidade paulista e entidade DASA oferecem ajuda.

    “Eu chegava a sair com seis ou sete mulheres em uma só noite. Enquanto não acabasse o dinheiro, a adrenalina, até eu ficar exaurido, eu não parava. Depois, sentia uma grande culpa e depressão.” O relato é do representante comercial Galego (nome fictício), de 46 anos, que há sete faz tratamento contra a compulsão sexual em São Paulo.

    O drama dele é o de muitos que vivem no anonimato. Caracteriza a chamada dependência do sexo ou disfunção sexual. Pessoas que, à procura da satisfação da libido, com parceiros ou não, perdem o controle. Galego conta que pagou tanto para ter prostitutas, bebidas e drogas que faliu. “Em 26 anos, gastei R$ 1 milhão com a compulsão.”

    Histórias da vida real foram parar na ficção. Na novela da TV Globo Passione, Maitê Proença é Stela, uma mulher casada que tem fissura por homens mais jovens. Faz sexo com eles sem querer saber seus nomes ou marcar o próximo encontro. Em Caminho das Índias, a personagem Norminha, interpretada por Dira Paes, amava o marido, mas não tinha o menor pudor em traí-lo com um monte de desconhecidos.

    “A pessoa não tem controle sobre o desejo sexual. É a necessidade de buscar mais prazer, mais parcerias. Isso pode ser através do sexo ou da masturbação”, explica o psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista em sexualidade humana.
    Prazer virtual

    “Olhava para um cara na rua e saía com ele ou transava com gente que encontrava em baladas GLS”

    Com as redes sociais, o problema se agrava. “Tem gente que passa o dia inteiro programando atividades sexuais e a internet é ótima para isso”, afirma o médico, que faz parte do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e dá aulas na PUC-SP. O estudante Leonardo (nome fictício), de 29 anos, até tentou, mas não gostou da experiência do sexo virtual.

    “Você se decepciona porque as pessoas não são o que dizem. Teclam com você e com outras tantas ao mesmo tempo”, diz o rapaz. Para preencher o vazio de um relacionamento amoroso ruim, Leonardo, que é homossexual, buscou parceiros fora de casa. Isso começou há oito anos. “Olhava para um cara na rua e saía com ele ou transava com gente que encontrava em baladas GLS”, admite.

    Segundo Leonardo, podiam ser cinco pessoas por semana ou duas por dia. “Eu estava totalmente perturbado, sem autoestima. Saía para ouvir dos outros que era bonito, elegante, gentil. Era o que eu não tinha no meu relacionamento”, conta ele, que há dois anos namora, se diz feliz e “equilibrado”.

    Ajuda no DASA

    Mesmo assim Leonardo continua a frequentar a entidade Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA). A filosofia deles é a mesma da dos Alcoólicos Anônimos (AA). Pessoas se reúnem em sessões periódicas para compartilhar os problemas. São as partilhas. Tudo é na base do diálogo e na premissa de que “só por hoje” o dependente será uma pessoa melhor, sem recaídas.

    No caso do DASA, os dramas são relacionados à compulsão pelo sexo, pelo prazer ou insatisfações nos relacionamentos amorosos. “Cheguei lá e vi gente com problemas iguais aos meus. Eu me confortava em saber que não estava sozinho, que não havia preconceito e, sim, muito respeito”, afirma Leonardo sobre o DASA.

    As reuniões são uma parte do “tratamento”, que é gratuito e dispensa remédios. A programação foca nos 12 passos, espécie de mandamentos que podem ajudar no processo de recuperação. Eles sugerem que os dependentes admitam o problema, rezem e até façam um “destemido inventário moral” delas mesmas para tentar reparar o mal que possam ter feito a outros. “Nossa finalidade é fazer com que a pessoa se relacione melhor com ela e com os outros de forma saudável”, explica Galego, um dos porta-vozes da entidade.

    “Tive um paciente que foi à sauna gay e transou com 80 pessoas em um fim de semana”

    De acordo com o site do DASA, as reuniões acontecem em quatro endereços da capital paulista. Em agosto, Galego acumula sete anos de DASA e de histórias. “Tenho um companheiro de sala que se masturba 40 vezes por dia. Até sangrar. É muito difícil. Você quer parar e não consegue.” Galego afirma que, graças ao apoio que encontrou na entidade, recuperou “muitas áreas” de sua vida, como o relacionamento com a filha e dinheiro.

    “Quando a pessoa chega ao DASA está detonada. Depois, começa a progredir e se afasta. Aí podem vir as recaídas”, completa Galego, que acredita ser difícil haver uma cura definitiva. A doutora em psicologia pela PUC-SP Ana Maria Zampieri concorda. “Não existe cura. Existe estar em abstinência da compulsão para o resto da vida”, atesta ela, que publicou livros sobre o tema da sexualidade.

    Para Ana Maria, a busca incontrolável pelo prazer tem explicações “biológicas, psicológicas e socioculturais”. Situações de abandono ou abuso sexual na infância podem desencadear o problema. “As crianças abusadas se tornam adultos carentes, que misturam carinho, atenção com sexo. Buscam exaustivamente preencher um vazio que não vai ser satisfeito com o sexo.” O distúrbio ainda pode afetar pessoas muito tímidas, que não conseguem se relacionar.

    O funcionário público de São Paulo Fabiano (nome fictício), de 41 anos, conta que foi abusado sexualmente por sua babá aos 3 anos de idade. Acredita que isso influenciou no seu comportamento no futuro. Em 1999, ele disse “estar no auge” da compulsão. “Eu não conseguia ficar um dia sem sexo. Saía antes e depois do trabalho para procurar mulheres”, revela ele, que gastava dinheiro com garotas de programa.

    Fabiano chegou a colocar anúncios em jornais para arrumar namorada e diz que sempre foi um menino “muito carente” e, por isso, procurava prostitutas para suprir isso. Quando se casou pela primeira vez, aos 20 anos, pareceu ter encontrado a parceira ideal. “A gente chegava a ter 20 relações por dia.” Hoje, casado novamente, o funcionário público se diz controlado e aliviado em não ter mais a síndrome da abstinência sexual. “Sentia dores no corpo, calor excessivo, irritação e insônia.”

    Proad

    Há outro caminho para tratar a compulsão sexual: a psicoterapia. O Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), oferece essa ajuda. Os médicos criaram o Ambulatório de Tratamento do Sexo Patológico em 1994. “As pessoas têm devaneios, ficam imaginando o sexo de maneira que não conseguem desligar e a perda de controle é que define a dependência”, conta o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, do Proad.

    Segundo ele, o problema atinge tanto homens e mulheres casados como solteiros. Seja de vida pacata seja de vida promíscua. “Tem gente que vai à sauna gay e passa o fim de semana lá. Tive um paciente que fez isso e transou com 80 pessoas”, relata Vieira Júnior. “A pessoa faz quando quer, como quer e com quem quer.”

    Fonte G1

    Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,