• O mosquito Aedes aegypti tem assustado as gestantes há alguns anos, quando o surto do zika foi relacionado a casos de microcefalia entre bebês cujas mães foram infectadas na gestação. Porém, esse inseto também ameaça a gravidez de outras formas. Um artigo publicado no periódico Scientific Reports aponta que a dengue catapulta em pelo menos três vezes o risco de falecer durante os nove meses de gravidez e logo após esse período – é a chamada morte materna.

    A pesquisa foi liderada pela brasileira Enny Paixão, epidemiologista do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Cidacs/Fiocruz Bahia). Para o trabalho, ela e seus companheiros chafurdaram várias bases de dados públicas – como o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) –, coletando informações referentes ao período de 2007 a 2012.

    Após uma triagem inicial, os cientistas selecionaram 4 053 óbitos para uma análise minuciosa. Esses casos também foram comparados a 17 391 826 nascidos vivos.

    Daí veio o resultado: quando a dengue foi diagnosticada por análise dos sintomas (febre alta, dores de cabeça, cansaço, por exemplo), as gestantes corriam um risco três vezes maior de morrerem. Já no caso da confirmação da enfermidade por exame de sangue, a probabilidade era oito vezes maior, em comparação com grávidas não infectadas.

    Essa diferença tem motivo de ser. Muitas vezes, os sinais da dengue são confundidos com os de outras infecções, eventualmente mais brandas. Portanto, sem um teste de confirmação, não dá para saber se certos “episódios de dengue” eram, na verdade, outros problemas menos nocivos para as futuras mamães.

    Agora, quando a paciente apresentava um quadro de dengue hemorrágica confirmado em laboratório, aquele número é ainda mais assustador. Frente ao tipo mais grave da moléstia, a possibilidade de a gestante morrer é 450 vezes maior.

    Também se constatou que a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, complicações caracterizadas pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez, eram mais frequentes no grupo infectado. E esses problemas, se não tratados, favorecem complicações para a mãe e o bebê.

    Por que a dengue afeta gestantes com mais intensidade

    No artigo, os pesquisadores afirmam que ainda é complicado definir a razão pela qual essa infecção eleva tanto o risco de morte materna. Uma das possíveis explicações seria a de que as mudanças no organismo típicas da gravidez aceleram o avanço da dengue.

    Além disso, os autores pontuam que essas mesmas mudanças fisiológicas e outras possíveis complicações durante os nove meses esconderiam os sintomas de dengue hemorrágica, o que dificulta sua identificação precoce.

    O que é, afinal, morte materna?

    Segundo a décima versão da Classificação Internacional de Doenças (uma lista da Organização Mundial da Saúde que caracteriza todo tipo de enfermidade), esse termo é definido como “a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais”.

    Os autores concluem o artigo dizendo que, apesar da saúde das gestantes já ser uma prioridade de saúde pública, é importante que os médicos deem uma atenção maior para aquelas que moram em locais com focos de dengue. “Quando a infecção for diagnosticada, a paciente deve ser acompanhada de perto”, conclui Enny Paixão, em comunicado à imprensa.

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  • A bronquiolite é uma infecção nos bronquíolos, ramificações dos brônquios que levam oxigênio aos pulmões. Em geral, sua causa é o vírus sincicial respiratório (VSR), que ataca principalmente crianças até os 2 anos de idade. Essa invasão propicia um excesso de muco nos tubinhos por onde o ar passa, comprometendo a captação de oxigênio. Entre os sintomas, o bebê fica com dificuldade para respirar.

    Os pequenos são as vítimas preferenciais da bronquiolite, porque seu sistema imune ainda não está maduro para combater direito o agente viral. O VSR é altamente contagioso – ele é transmitido pelo ar, por toque e mesmo por objetos contaminados.

    Estima-se que, até os 3 anos, 90% das crianças já terão entrado em contato com o vírus sincicial respiratório. Ainda bem que nem sempre ele provoca estragos. Prematuros e bebês com menos de seis semanas de vida ou com doenças crônicas pulmonares ou cardíacas devem ter cuidado especial. Aqueles com deficiência imunológicas também.

    Essa infecção, aliás, é uma das principais causas de internação entre crianças que ainda mamam. Se a bronquiolite não for tratada, pode provocar desidratação, insuficiência respiratória e evoluir para pneumonias, quando outras áreas dos pulmões são afetadas por micro-organismos.

    Sinais e sintomas
    – Chiado no peito
    – Respiração ofegante
    – Nariz congestionado
    – Tosse, sobretudo na hora de dormir
    – Febre
    – Tórax inflado (com aspecto semelhante a uma sanfona)
    – Vômito

    Fatores de risco
    – Ser criança com idade inferior a 2 anos
    – Entrar em contato com adultos infectados
    – Ter deficiências imunológicas

    Prevenção
    Ainda não existe vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Como se espalha pelo ar com facilidade, o ideal é evitar situações que expõem o bebê a grandes aglomerações, em especial nas primeiras seis semanas de vida.

    Também se deve evitar o contato da criança com adultos com sintomas de gripe ou resfriado — nada de colo ou carinho nessas ocasiões. Esses cuidados merecem ser redobrados no inverno, quando o vírus se dissemina com maior facilidade.

    Não é preciso, obviamente, deixar seu filho confinado durante essa estação, mas vale a pena priorizar a estada em ambientes ventilados. Outra medida indicada para a prevenção é que os pais caprichem na limpeza das mãos, usando sabão ou álcool em gel.

    Há um medicamento chamado palivizumabe que age preventivamente por um mecanismo de imunização passiva. Embora não seja uma vacina – ele não estimula o organismo a produzir anticorpos contra o VSR –, o remédio oferece, digamos, anticorpos artificiais, que protegem o paciente por algum tempo. As doses são mensais e costumam ser dadas no período de maior circulação do vírus.

    Mas atenção: ele é indicado somente para os bebês mais vulneráveis aos danos do vírus sincicial respiratório. E só uma avaliação médica criteriosa é capaz de estabelecer isso.

    Diagnóstico
    Quando mais cedo for detectada a infecção nos bronquíolos, mais rápido e eficaz será o tratamento. Ao surgirem os primeiros sintomas, é importante levar a criança ao pediatra ou hospital. O exame físico, somado a testes complementares como raio x do tórax, confirma o diagnóstico.

    Tratamento
    Normalmente, o tratamento da bronquiolite pode ser feito em casa. Inalações com soro e medicamentos anticongestionantes tendem a fazer o muco se desgrudar das vias aéreas, melhorando a respiração — tudo, claro, tem de ser prescrito pelo médico. Nem pense em adotar antibióticos por conta própria. Essa classe de remédios se presta a enfrentar bactérias, e a infecção aqui é disparada por vírus.

    A hidratação e a amamentação fecham o plano de recuperação do bebê. Nos episódios mais graves, em que ocorre desidratação ou insuficiência respiratória, a criança precisa ser hospitalizada.

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  • A gestação é um período que pede exames específicos, até porque um pré-natal bem assistido ajuda no desenvolvimento do bebê e preserva a saúde e segurança da mãe. E nada melhor do que abordar o tema hoje, 28 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna.

    Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013 ocorreram 289 mil mortes maternas devido a complicações durante a gravidez e o parto – uma queda de 45% se comparado aos 523 mil óbitos em 1990. A entidade também afirma que o Brasil reduziu sua taxa de mortalidade materna em 43% entre 1990 e 2013. Apesar de ser um dos mais baixos da América Latina, o índice ainda é considerado alto.

    Para que esse número continue a cair, existem exames básicos que toda gestante deve fazer e que são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com o auxílio do médico Olímpio Barbosa, presidente da Comissão Nacional Especializada de Assistência Pré-natal da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), SAÚDE traz essa lista para você. Converse com seu médico sobre ela:

    Primeira consulta ou primeiro trimestre:

    – Hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh Coombs indireto (se for Rh negativo)

    – Glicemia em jejum

    – Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL

    – Teste rápido para HIV

    – Toxoplasmose IgM e IgG

    – Sorologia para hepatite B

    – Urocultura + sumário de urina

    – Ultrassonografia (exame morfológico)

    – Exame citopatológico de colo de útero (se houver indicação clínica)

    – Exame da secreção vaginal (se houver indicação clínica)

    – Exame parasitológico de fezes (se houver indicação clínica)

    Segundo trimestre:

    – Teste de tolerância para glicose, se a glicemia estiver acima de 85mg/dl ou se houver fator de risco para diabetes. Ele deve ser realizado preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana.

    – Coombs indireto (se for Rh negativo)

    Terceiro trimestre:

    – Hemograma e fator Rh Coombs indireto (se for Rh negativo)

    – Glicemia em jejum

    – Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL

    – Teste rápido para HIV

    – Sorologia para hepatite B

    – Toxoplasmose IgM e IgG (se IgG negativo na primeira consulta)

    – Urocultura + sumário de urina

    Há, claro, mais testes oferecidos pela rede privada. Porém, Barbosa informa que a Febrasgo não orienta aos obstetras pedirem exames complementares sem uma real necessidade, que deve ser discutida individualmente. Até porque 80% das gestações no nosso país não são de alto risco.

    “Existe no Brasil uma cultura do consumo. As pessoas acreditam que, se o médico pede muitos exames, é um profissional melhor, o que não é o caso”, afirma. Ele cita o exemplo do ultrassom tridimensional, que ofereceria as mesmas informações para o médico de um ultrassom normal. “Sua funcionalidade é maior para a mãe, que pode ver o rosto do bebê, do que para o médico em si”, completou.

    Já a obstetra e ginecologista Silvia Herrera, coordenadora de Medicina Fetal do SalomãoZoppi Diagnósticos, adota uma postura um pouco diferente: “Os exames preconizados pela Febrasgo e disponíveis no SUS são de fato o necessário para uma gravidez bem assistida. Porém, nós já temos tecnologias relacionadas ao diagnóstico de doenças genéticas que acrescentam eficácia e qualidade. Infelizmente, elas não estão disponíveis para todos, mas quem tiver condições deve fazer”, opina.

    Confira os principais exames complementares citados pela médica:

    – Perfil bioquímico (Fração Livre BHCG e PAPP-A): “O exame morfológico diagnostica 90% dos casos de síndrome de Down, mas, com o perfil bioquímico, chegamos a 96%. Embora o SUS não o disponibilize, os convênios passaram a cobri-lo há dois anos. Na Europa, não se faz o exame morfológico sem marcador bioquímico”, afirma. Se recomendado, ele deveria ser realizado entre a décima e a 14ª semanas.

    – NIPT (DNA Fetal no Sangue Materno): “É o que temos de mais novo. É um exame de sangue que detecta 99,9% dos casos de síndrome de Down sem trazer risco para o feto”. Pode ser feito a partir da décima semana.

    – Doppler Colorido das Artérias Uterinas: “Ele é associado ao exame morfológico do primeiro trimestre para rastrear o risco de pré-eclâmpsia. É um exame bom para intervirmos antes de a pressão subir”. Deve ser feito entre a 18ª e a 24ª semanas.

    – Avaliação do Colo Uterino Via Transvaginal: “Se for curto, o colo uterino começa a abrir por dentro à medida que o bebê vai crescendo. Isso eleva o risco de um parto extremamente prematuro. A avaliação detecta essa situação e assim podemos prevenir que evolua. É um exame simples e barato, mas não muito solicitado pelos médicos”. Deve ser feita entre a 18ª e a 24ª semanas.

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  • saúde 23.02.2018 No Comments

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu as vendas da fralda descartável Megafral Baby, por falta de cadastro do produto na agência.

    Em resolução publicada no dia 7 de fevereiro, a agência determina que a venda do produto, fabricado e vendido pela empresa Megafral Indústria e Comércio Ltda, seja interrompida. O documento também estabelece que a empresa recolha o estoque existente no mercado.

    A agência também determinou a proibição das vendas do kit para parar de fumar da marca Fumodex, também por falta de registro, notificação ou cadastro. O Fumodex é um higienizador bucal para fumantes, que teoricamente atua no paladar, fazendo com que o consumidor deixe de sentir o gosto do cigarro. De acordo com a descrição do produto no Mercado Livre, o efeito é de aversão ao gosto do cigarro.

    A Anvisa não localizou a empresa fabricante do kit e determinou “como medida de interesse sanitário a apreensão em todo o território nacional do produto encontrado no mercado”.

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  • Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

    Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

    Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

    O que tirar de lição

    Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

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  • foto-imagem-Amamentacao

    O leite materno é fundamental para o bebê, sobretudo nos primeiros seis meses de vida. É através dele que o filho recebe da mãe uma manancial de nutrientes e substâncias que ajudam a criar sua imunidade e a afastar um monte de doenças. E para que isso ocorra da melhor maneira, é bom seguir algumas dicas:

    Fique sentada

    A recomendação é que a mulher esteja sentada, porque assim ela resiste aos cochilos em momentos em que o cansaço bate mais forte.

    Tenha uma cadeira confortável para isso

    O ideal é usar uma cadeira em que possa recostar a coluna e ter apoio para os braços. Isso evita dores nas costas ou nos ombros. Os pés também devem encostar no chão ou em algum suporte, de modo que as pernas fiquem num ângulo de 90°.

    Fique de frente para o bebê

    O recém-nascido deve ser virado em direção à mãe, barriga com barriga, com a cabeça bem na altura da mama e a coluna alinhada. O uso de almofada ou travesseiro pode auxiliar nesse ajuste.

    Busque o encaixe ideal

    O bebê deve abocanhar boa parte da aréola, aquela área mais escura em volta do bico do peito. Nessa posição, o queixo do pequeno fica encostado no seio e o nariz se mantém livre, facilitando sua respiração. E a mulher não sente dores no mamilo.

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  • foto-imagem-gravidez

    A credite: o futuro mais imediato do bebê depende de que a mãe seja uma adepta do fio dental, da escova e das visitas ao dentista. E sabe o porquê? Estudos já associam uma saúde bucal deficitária a um maior risco de parto prematuro. Para começo de conversa, as alterações hormonais típicas da gravidez já deixam a gengiva mais vulnerável. Se uma gengivite — ou sua evolução, a periodontite — conquista espaço, a repercussão está longe de ficar restrita ao sorriso da gestante. O bebê pode nascer antes da hora e abaixo do peso, o que é capaz de acarretar problemas de saúde no curto e no médio prazo. Segundo um trabalho do Instituto de Ciências Médicas Pravara, na Índia, isso acontece porque moléculas inflamatórias e algumas toxinas liberadas pelas bactérias por trás da gengivite e da periodontite viajam da boca rumo à placenta. Para não prejudicar o bebê, o corpo da grávida entende que é melhor antecipar sua saída. Por isso, as gestantes com esses problemas bucais tendem a apresentar dilatação antes da hora. Esse dado, aliás, só reforça a importância de incluir as idas ao dentista no pré-natal. E usar o fio dental sempre. Afinal, ele é uma arma e tanto para controlar a placa bacteriana por trás das inflamações na gengiva e vizinhança.

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  • foto-imagem-autismo
    Uma pesquisa conduzida por cientistas americanos sugere que o autismo, disfunção que afeta a capacidade de socialização do indivíduo, pode ser identificado em bebês com até dois meses de vida.

    Os estudiosos analisaram o olhar das crianças, do nascimento até os três anos, em direção aos rostos de outras pessoas .

    Eles descobriram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo mantinham, um contato visual reduzido – uma das marcas do transtorno – nos primeiros meses de vida.

    A pesquisa, publicada na Nature, aumentou as esperanças de que o autismo seja tratado mais precocemente, afirmou um cientista britânico.

    No estudo, pesquisadores liderados pela Escola de Medicina da Emory University em Atlanta, nos Estados Unidos, usaram uma tecnologia de rastreamento visual para medir a forma como os bebês olhavam e respondiam a estímulos sociais.

    Eles concluíram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo mostraram um declínio gradativo na capacidade de manter um contato visual constante com os olhos de outras pessoas a partir da idade de dois meses, quando começaram a assistir vídeos de interações humanas.

    O coordenador da pesquisa, Warren Jones, disse à BBC News que foi a primeira vez que “foi possível detectar alguns sinais de autismo nos primeiros meses de vida”.

    “Estes são os primeiros sinais de autismo já observados”.

    Metodologia
    O estudo acompanhou 59 crianças que tinham um alto risco de autismo por terem irmãos com a doença, e 51 crianças de baixo risco.
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    Jones e seu colega Ami Klin examinaram as crianças até completarem três anos, quando as crianças voltaram a ser formalmente avaliadas quanto à doença.

    Treze das crianças (11 meninos e duas meninas) foram diagnosticadas com transtornos do espectro do autismo – uma série de distúrbios que inclui o autismo e síndrome de Asperger.

    Os pesquisadores, então, voltaram a observar os dados de rastreamento ocular dos pacientes e fizeram uma descoberta surpreendente.

    “Em crianças com autismo, o contato visual já está em declínio nos primeiros seis meses de vida”, disse Jones.

    Jones acrescentou, entretanto, que tal quadro só pode ser observado com tecnologia sofisticada e não seria visível para os pais.

    Para Deborah Riby, do departamento de psicologia da Universidade de Durham, o estudo proporcionou uma análise sobre o tempo de atenção social, atípica em crianças que tendem a desenvolver autismo.

    “Esses marcadores precoces são extremamente importantes para identificar brevemente os primeiros traços de autismo. Dessa forma, temos a capacidade de aprimorar o tratamento”, disse Riby.

    Mais pesquisas
    Caroline Hattersley, diretora de informação, aconselhamento e apoio da National Autistic Society, baseada no Reino Unido, disse que a pesquisa foi “baseada em uma amostra muito pequena e precisa ser replicada em uma escala muito maior antes de podermos tirar quaisquer conclusões concretas”.

    “O autismo é um transtorno muito complexo”, disse.

    “Não há duas pessoas com autismo que são iguais, e por isso é necessária uma abordagem holística para o diagnóstico, que leve em conta todos os aspectos do comportamento de um indivíduo. Uma abordagem mais abrangente permite que todas as necessidades do pacientes sejam identificadas”.

    “É vital que todas as pessoas com autismo possam ter acesso a um diagnóstico, pois isso pode ser a chave para uma recuperação mais rápida”, concluiu.

    A pesquisa foi feita em parceria com o Marcus Autism Center e o Children’s Healthcare of Atlanta.

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  • O médico escocês Alexander Fleming (1881-1955) revolucionou a medicina quando encontrou, em 1928, uma maneira de combater as infecções bacterianas, verdadeiras epidemias que, até então, não tinham adversários à altura. Seu grande achado foi a penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, que culminou no desenvolvimento de vários outros ao longo dos anos. Passadas mais de oito décadas, os frutos de sua descoberta inicial foram associados, agora de maneira negativa, a mais um surto: o da obesidade infantil.

    O alerta vem da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, onde um trabalho avaliou mais de 11 mil meninas e meninos nascidos entre 1991 e 1992. Segundo os especialistas, a prescrição de antibióticos antes dos 6 meses de idade patrocinou o surgimento de gordurinhas poucos anos depois. “As crianças que tomaram esses medicamentos apresentaram um risco 22% maior de ficar acima do peso”, revela o pediatra Leonardo Trasande, autor da investigação.

    Outro experimento da mesma instituição reforça a tese. Nele, ratos jovens receberam doses de antibiótico junto com a refeição. Após algumas semanas, as cobaias tiveram um aumento de 15% na gordura corporal. “Ao que tudo indica, os remédios alteraram a flora intestinal, elevando o aproveitamento das calorias dos alimentos”, explica o gastroenterologista Ilseung Cho, líder do estudo. Os antimicrobianos também favoreceram a reprodução de bactérias que incentivam o organismo a diminuir o gasto energético. “Esse processo é mais intenso nos primeiros anos de vida, fase em que o sistema digestivo engatinha”, acrescenta a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

    Esses artigos ganharam destaque dentro da comunidade científica por serem os primeiros a relacionar antibióticos com sobrepeso, principalmente em uma etapa da vida em que o corpo está em plena formação. Alguns levantamentos já tinham até comprovado que as mudanças na flora intestinal levam à obesidade. “Mas as pesquisas americanas foram pioneiras por advertirem que esses medicamentos são desencadeadores do processo”, acrescenta o endocrinologista Walmir Coutinho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

    Os estudos da Universidade de Nova York engrossam um coro cada vez mais forte de entidades que lutam por uma prescrição consciente. “Existem vários fatores que levam ao exagero na indicação dos remédios que matam as bactérias”, atesta o pediatra Fábio de Araujo Motta, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O principal deles é a pressão dos pais. “As pessoas pensam que, se o médico não lançar mão de um fármaco, ele não está fazendo seu trabalho direito”, lamenta.

    É fundamental ressaltar também que o modelo de atendimento rápido, por meio de prontos-socorros, impossibilita o tratamento adequado. “O médico que faz as consultas nesses locais dificilmente conhece o histórico do paciente. Portanto, ele prefere não arriscar, recomendando de cara o uso de uma substância antibactérias”, critica Fabio Ancona Lopez, pediatra do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

    É claro que os pais precisam obedecer às recomendações do especialista. “Os antibióticos são indispensáveis na presença de uma doença bacteriana confirmada por exame e avaliação clínica detalhada”, salienta a neonatologista Betania Bohrer, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Nenhuma mãe deve deixar de dar antibiótico ao filho que está com uma infecção dessas com medo de engordá-lo”, reforça a endocrinologista Maria Edna de Melo. Daí a importância de consultar um pediatra de confiança, que acompanhe a criança desde a mais tenra idade.

    Além do ganho de peso, o excesso de antimicrobianos acarreta um perrengue grave. Quando o indivíduo usa essas drogas de forma errada, contribui para que as bactérias fiquem poderosas e resistam bravamente ao ataque dos seus oponentes. Ora, para combater essas versões mutantes, são necessárias doses cada vez mais fortes e variadas. Nesse processo, certos micro-organismos acabam ficando extremamente vigorosos – hoje, as chamadas superbactérias são uma realidade e começam a preocupar autoridades mundo afora (veja abaixo).

    Para reduzir o consumo equivocado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que regula a comercialização de remédios no Brasil, tornou mais rigorosa a compra de antibióticos. Desde 2010, ela só é autorizada com receita. Na farmácia, uma via fica retida, junto com diversos dados do médico e do paciente. O pedido, diga-se, é válido apenas por dez dias. Nada mais do que isso.

    Em qualquer fase da vida, o uso dos antibióticos depende do aval de um profissional de saúde. Quem utiliza esse tipo de remédio por conta própria assume riscos tanto para si como para o resto do globo. E, de quebra, ajuda a inserir uma nota de rodapé nada positiva na história de Alexander Fleming e na de sua invenção.

    Fonte: Mariana Gonzalez Oliveira, pediatra do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre

    Alerta global

    Em março, a Organização Mundial da Saúde divulgou um aviso sobre o uso de substâncias que combatem as bactérias – o mundo enfrenta uma crise de resistência aos antibióticos. Até certas doenças já relativamente controladas, como a tuberculose, podem se transformar em pandemias se nada for feito. Por isso que, para desenvolver suas defesas e, assim, não necessitar de antibióticos a toda hora, os pequenos precisam entrar em contato com a vitamina “S” , de sujeira. “As crianças devem viver em um ambiente em que criem um sistema imune forte”, arremata o pediatra Fabio Ancona Lopez.

    Nos Estados Unidos, os pediatras prescrevem mais de 10 milhões de frascos de antibióticos desnecessários todos os anos

    Doping animal

    As pesquisas americanas partiram da observação de uma prática bem comum em fazendas: os antibióticos fazem parte do cardápio de diversos animais de abate, como vacas, ovelhas, porcos e galinhas, porque fazem esses bichos ganharem peso mais rápido, alavancando a produção de carne. A fórmula empregada para deixá-los rechonchudos é praticamente a mesma dos remédios disponibilizados para os seres humanos.

    O tamanho do problema

    Um artigo recente escancarou que o uso desse tipo de remédio ainda é exagerado no Brasil, principalmente na infância

    39,7% das crianças com um problema de saúde qualquer saem da consulta com a receita de um antibiótico.

    89,1% dos casos de prescrição de antibiótico foram feitos por análise clínica, sem nenhum exame complementar.

    62,7% das doses receitadas dessa modalidade de remédio estavam acima ou abaixo do que é recomendado atualmente.

    Dados retirados do estudo “Prescrições Pediátricas em uma Unidade Básica de Saúde do Sul de Santa Catarina: Avaliação de Uso de Bacterianos”, da Universidade do Sul de Santa Catarina

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