• Acompanhar o Congresso Brasileiro de Infectologia, cuja vigésima primeira edição acaba de ocorrer em Belém do Pará, é ter um painel do que vírus, bactérias, fungos e companhia vêm aprontando por aí e, ao mesmo tempo, um retrato das diversas (e desiguais) realidades do país. Enquanto regiões ainda penam com doenças que parecem (mas só parecem) coisa do passado, como a hanseníase, nas grandes cidades os hospitais mais modernos já quebram a cabeça para contra-atacar micróbios resistentes e letais. O ponto em comum, e que independe de lugar ou classe social, é: as doenças infecciosas continuam sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.

    Queda na vacinação, desmatamento e crescimento urbano, mudança climática, falta de informação… Tudo isso conspira para que micro-organismos ganhem terreno e imponham problemas à humanidade. A medicina corre atrás, buscando não só novos imunizantes e tratamentos, mas estratégias mais eficazes de esclarecer e engajar a população a se defender. Inclusive porque, em matéria de moléstias infecciosas, todo cidadão tem um papel a cumprir: seja lavando as mãos e não usando antibiótico por conta, seja limpando o quintal para não dar abrigo ao mosquito da dengue.

    Mapeamos, a seguir, alguns dos temas mais preocupantes debatidos no congresso, que reuniu mais de 2 mil profissionais em Belém entre os dias 10 e 13 de setembro.

    É ano de dengue

    Entre as doenças disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti, capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya, a dengue já é o principal tormento de 2019. Como o próprio Ministério da Saúde divulgou, já foram registrados mais de 1,4 milhão de casos até agosto deste ano — um aumento de quase 600% em relação a 2018.

    Segundo o infectologista Antonio Carlos Bandeira, da Vigilância Epidemiológica do Estado da Bahia, 65% dos casos e notificações vêm ocorrendo na região Sudeste. Só em São Paulo houve, até março deste ano, um incremento de mais de 2 000% na quantidade de pessoas acometidas. O Centro-Oeste fica em segundo lugar entre as regiões problemáticas.

    O sorotipo 2 do vírus da dengue (existem quatro) é o que mais circula pelo Brasil nesta temporada. Ao suspeitar do quadro — que pode provocar, entre outras coisas, febre, dor de cabeça e no corpo —, o conselho é procurar um serviço de saúde quanto antes. A identificação e o manejo precoce evitam complicações e mortes.

    A tendência de crescimento da dengue felizmente não se repete com dois outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, o zika (2,3 mil casos prováveis até março de 2019) e o chikungunya (15,3 mil), que se mostram mais estáveis no número de episódios em comparação com o ano anterior.

    Ainda assim, não dá para bobear com o mosquito. A prevenção inclui desde eliminar os criadouros a recorrer a repelentes e telas em casa. Bandeira reforçou a necessidade de se investir em novas tecnologias, como larvicidas biológicos e vacinas contra as infecções.

    A epidemia dos micróbios resistentes

    Eis um tema inescapável e que dominou boa parte das conferências e debates no congresso. A resistência antimicrobiana, que é a capacidade de bactérias e fungos repelirem os tratamentos disponíveis, já entrou na lista das dez prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS). Algumas projeções vislumbram que, por volta de 2050, o problema vai causar mais mortes que outra doença em ascensão, o câncer.

    As causas do fenômeno não se resumem ao uso indiscriminado de antibióticos e outros remédios na medicina humana. “A maior parte dos antibióticos produzidos hoje é voltada à agropecuária e empregada como fator de crescimento para o cultivo de animais e em algumas plantações”, observou o médico Marcos Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    A utilização massiva, e que envolve inclusive algumas substâncias similares àquelas que tratam infecções em humanos, tem repercussões, diretas e indiretas, no meio ambiente e até no que acontece dentro dos hospitais. Num mundo em que os micro-organismos são praticamente onipresentes, tudo se encontra conectado. E, quem diria, até o aquecimento global tem um dedo nessa história.

    Cyrillo abordou em uma apresentação o papel da mudança climática no crescimento da resistência antimicrobiana. É que, simplificando uma questão complexa, o aumento da temperatura seria capaz de tornar bactérias e fungos mais perigosos. Acredita-se que esse fenômeno tenha contribuído para o surgimento e a expansão das infecções por Candida auris, um fungo altamente letal e que já causa furor em hospitais (por enquanto, fora do Brasil). Já não dá mais para separar a saúde humana do bem-estar do planeta.

    A explosão das doenças sexualmente transmissíveis

    Esse foi o título de uma das conferências do congresso. E duas doenças causadas por bactérias que voltaram com tudo protagonizaram discussões. Falamos da gonorreia e da sífilis.

    O termo “explosão” das ISTs — sigla para infecções sexualmente transmissíveis, antigamente conhecidas por DSTs — não é exagerado. De acordo com a infectologista Miralba Freire, professora da Universidade Federal da Bahia, a OMS calcula que mais de 1 milhão de infecções do tipo sejam adquiridas por dia pelo mundo.

    A gonorreia é a segunda IST mais prevalente em boa parte do globo. Segundo a médica, hoje ela atinge mais pessoas jovens e homens que fazem sexo com outros homens. E a doença não apronta só com os genitais, não. “Vem crescendo o número de casos com acometimento do reto e da faringe”, relatou Miralba.

    Da mesma maneira que acontece com outras infecções bacterianas, a gonorreia também atormenta os médicos devido à resistência a antibióticos.

    Para deter seu avanço, precisamos investir em relações sexuais seguras, com o preservativo, e realizar o teste que detecta a bactéria — em alguns grupos, o exame deve ser periódico e repetido com maior frequência.

    Raciocínio semelhante se aplica a outra IST da pesada, a sífilis. “Ela cresce em todas as regiões do mundo e tem um importante impacto psicossocial e econômico”, afirmou o infectologista Aluísio Segurado, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São mais de 6 milhões de vítimas com idades entre 15 e 49 anos hoje.

    Para o especialista, a ascensão da doença no país não se deve apenas a mais diagnósticos. “Há um aumento na circulação do agente infeccioso”, apontou. A sífilis pode lesar os genitais e ainda desatar complicações em várias áreas do corpo. Gestantes e seus rebentos inclusive enfrentam o perigo da sífilis congênita, quando a bactéria ataca o bebê ainda no ventre materno (muitos casos são fatais).

    Para quebrar a epidemia da moléstia, Segurado salientou a necessidade de esclarecer mais a população e criar condições para que se faça diagnóstico e tratamento quanto antes.

    O drama da hanseníase continua

    A doença provocada pela bactéria Micobacterium leprae — e durante séculos conhecida como lepra — ainda é um desafio para o Brasil. Se passou pela sua cabeça um pensamento do tipo “isso ainda existe?”, saiba que, não apenas existe, como nosso país tem o segundo maior contingente de pessoas com a doença no planeta (só perdemos para a Índia).

    Em uma apresentação emocionada no congresso, o infectologista Marcio Gaggini, professor da Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), convocou médicos, autoridades e sociedade a olharem mais para o problema e suas vítimas, muitas delas esquecidas pelos quatro cantos do país. Segundo o especialista, mais de 200 mil cidadãos podem ter ficado sem diagnóstico e assistência nos últimos anos.

    O Brasil aloja 91% dos casos de hanseníase da América Latina. Por aqui, a maior parte dos episódios ocorre nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Muitos dos pacientes só descobrem a doença depois que ela provocou deformidades na pele, nas mãos, no rosto…

    A bactéria causadora é transmitida pelo ar — esqueça aquela história de que, ao tocar em alguém com hanseníase, você pegou! — mas pode ser erradicada com tratamento. “As pessoas estão sofrendo hoje com diagnóstico tardio e sequelas”, revelou Gaggini. Campanhas e ações dirigidas a regiões e comunidades mais afetadas pela condição são urgentes.

    Sim, também precisamos conscientizar a população. Na presença de alterações como manchas e lesões na pele, acompanhadas por falta de sensibilidade, procure um médico ou serviço de saúde. Não só existe tratamento para hanseníase como ele pode levar à cura.

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  • A cada dia, novas pesquisas reiteram os papéis da microbiota intestinal — trilhões de micro-organismos que habitam o intestino — dentro do nosso corpo. Uma microbiota saudável contribui, entre outras coisas, para a imunidade e o metabolismo. Isso acontece porque bactérias e companhia produzem nutrientes, vitaminas e outras substâncias com ação local ou a distância. E até o sistema nervoso é influenciado por elas. Por isso falamos no eixo intestino-microbiota-cérebro.

    Acontece que o estresse mental e físico, o descuido com o estilo de vida e uma dieta desbalanceada também impactam nos micro-organismos do aparelho digestivo. Nesse contexto, a microbiota pode se modificar e deixar de oferecer benefícios. Algo que tem reflexo inclusive na saúde mental.

    A novidade é que experimentos recentes sugerem que doenças psiquiátricas podem ser tratadas com a regulação da microbiota intestinal, conforme conclui uma revisão de estudos do Centro de Saúde Mental de Xangai, na China.

    Os investigadores analisaram 21 trabalhos de qualidade, 14 deles testando probióticos (micro-organismos que, ingeridos em quantidade adequada, oferecem vantagens a quem os recebe) e os outros sete avaliando ajustes na dieta. Os cientistas chineses verificaram, então, que mais da metade dessas pesquisas encontrou efeitos positivos sobre os sintomas de ansiedade.

    ipos específicos de bactérias através de um suplemento que pode ter sido usado por tempo insuficiente para produzir mudanças reais no ambiente intestinal. Outro ponto a destacar: a maioria dos estudos não encontrou eventos adversos.

    Com esses dados, os pesquisadores chineses reforçam a ideia de que regular a microbiota por meio de mudanças na dieta e/ou uso de probióticos pode ser uma alternativa, ao lado dos tratamentos psiquiátricos consagrados, para aliviar os sintomas da ansiedade — situação que, segundo estimativas, afeta um terço da população mundial pelo menos em algum momento da vida.

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  • A meningite meningocócica pode ser confundida com infecções menos ameaçadoras – principalmente durante a temporada de gripe e afins. Quem faz o alerta é a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp).

    Em campanha lançada nesta semana, a entidade pede cautela redobrada na avaliação de pessoas que chegarem ao pronto-atendimento. “Serviços de saúde devem estar atentos à ocorrência de doenças como meningite, zika, dengue e chikungunya, e realizar um diagnóstico criterioso para evitar erros”, declarou à imprensa o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Fehoesp.

    O diagnóstico correto é importante, mesmo que às vezes a única opção seja combater os sintomas e acompanhar a evolução do quadro, caso dos resfriados e das infecções transmitidas pelos Aedes aegypti. Se o que estiver por trás dos sintomas for uma gripe forte ou mesmo a meningite bacteriana, o tratamento é mais específico.

    Como diferenciar meningite de gripe e outras infecções

    Muitas infecções têm, como primeiro sintoma, a febre. Por isso nem sempre é evidente qual a origem da subida na temperatura quando a pessoa chega ao pronto-socorro.

    “Num primeiro momento, pode ser difícil suspeitar de meningite ou outra coisa mais séria”, aponta Renato Kfouri, infectopediatra diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

    Vale esclarecer que estamos falando de uma situação relativamente rara no Brasil. Em 2018, foram 1 072 ocorrências da versão meningocócica, a mais comum entre as meningites transmitidas por bactérias, com 218 mortes. Há também uma versão viral da doença, mas seus sintomas são mais brandos.

    As bacterianas, por sua vez, merecem atenção por causa da taxa alta de mortalidade – cerca de 20% dos casos, geralmente crianças e adolescentes. A meningocócica, destaque da categoria, é causada por 12 subtipos do micro-organismo meningococo. No país, os mais comuns são os A, B, C, W e Y, todos evitáveis com a vacinação.

    As semelhanças entre gripe e meningite são febre alta e mal-estar abruptos, além de vômito. Depois, elas evoluem de maneiras diferentes.

    O vírus da gripe ataca as vias respiratórias. Por isso, provoca coriza, tosse e cansaço.

    Já a meningite desencadeia dores de cabeças e vômito intensos, rigidez no pescoço, além de sintomas neurológicos, como surdez, perda de consciência e, em alguns casos, paralisia. “É um quadro que evolui rapidamente, geralmente em 24 horas”, destaca Kfouri.

    Diagnóstico

    O diagnóstico das duas pode ser feito com exames de sangue. No caso da meningite bacteriana, o médico solicita ainda a coleta do líquor da medula espinhal, um líquido que banha as meninges, para identificar qual o agente causador do problema.

    “Esse teste sempre é feito para saber qual antibiótico deve ser administrado. Dependendo do tipo da bactéria, também é preciso fazer um tratamento preventivo em quem teve contato com o doente”, aponta Kfouri.

    O ideal é que a análise seja feita antes de iniciar o tratamento, pois o uso de antibióticos pode interferir no exame. Entretanto, como o resultado às vezes demora até três dias para chegar, em alguns episódios é necessário aplicar a medicação imediatamente.

    Eu devo me preocupar?

    É claro que uma febre alta sempre chama a atenção, mas a meningite não está em alta no Brasil. “Vivemos uma tendência de queda nos casos há anos, e a incidência diminuiu muito depois que a vacinação começou no SUS”, reforça Kfouri.

    Atualmente, só as doses contra a meningite meningocócica C – a versão mais comum – estão na rede pública. Nas clínicas particulares, dá ainda para se imunizar contra os tipos A, B, W e Y.

    “Temos a vacina contra o tipo mais frequente gratuitamente para crianças e adolescentes, mas nossas taxas de cobertura estão aquém do esperado”, alerta o médico.

    Já a gripe preocupa mais as autoridades públicas – não pela gravidade, que é menor do que a da meningite, mas pelo alto número de casos. Essa infecção costuma ser mais incidente nos meses frios do ano. Fique ligado e aproveite as campanhas de vacinação.

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  • A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de cinco cortes de frango da marca Perdigão, que pertence à empresa BRF. A medida foi tomada depois que a própria fabricante detectou, em testes de qualidade, a presença da bactéria Salmonella enteritidis, conhecida por causar surtos de diarreia e gastroenterite.

    Os produtos afetados, que já estão sendo retirados do mercado, foram:

    Filé de peito, embalagem plástica – 2kg (lotes 30/10/18 e 9/11/18)
    Coração, embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Filezinho (Sassami), embalagem plástica – 1kg (lotes 30/10/18, 5/11/18, 6/11/18, 7/11/18, 9/11/18, 10/11/18 e 12/11/18)
    Meio peito sem osso e sem pele, caixa de papelão – 15kg (lotes 30/11/18, 7/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)
    Coxas e sobrecoxas sem osso, caixa de papelão – 15kg (lotes 6/11/18, 9/11/18 e 10/11/18)

    A Salmonella enteritidis é encontrada em diferentes alimentos de origem animal. Ela ficou conhecida por infectar o ovo, mas também pode invadir leite e carnes.

    Além disso, esse micro-organismo eventualmente se esconde em vegetais pela contaminação cruzada. Exemplo: a pessoa coloca o garfo em uma carne crua infectada e, sem higienizá-lo, usa o mesmo talher para separar vegetais.

    Quando invade o corpo, essa bactéria ataca o sistema digestivo. Ela é responsável por surtos de gastroenterite mundo afora – são os casos clássicos de refeitórios que servem pratos contaminados a centenas de pessoas.

    Ah, e apesar da bactéria se chamar Salmonella enteritidis, é comum denominar a doença decorrente dela como salmonela, com um “l” só.

    O que você pode fazer para evitar a salmonela

    Como muitas outras bactérias, essa não resiste a um bom processo de cozimento. Daí porque vale a pena levar o frango e outras carnes ao fogo.
    O mesmo vale para o ovo cru ou para o leite tirado direto da vaca.

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  • Formado por vasos e gânglios, o sistema linfático ostenta uma nobre missão: coletar impurezas da circulação e manter nossas defesas vigilantes contra os micróbios. Em resumo, onde existe circulação sanguínea há também circulação linfática – mas cada um desses sistemas conta com vasos próprios. A função da linfa e dessa rede específica é coletar partículas indesejáveis que trafegam pelo corpo e estimular o sistema imune a conter ameaças. O líquido “purificado” pelo sistema linfático é devolvido ao sangue.

    Os detalhes do sistema linfático

    Cerca de 10% do plasma, a fração transparente do sangue, escapa dos vasos sanguíneos. Ele vai parar em meio às células, mas é captado depois pelos capilares, vasos fininhos que ficam em contato direto com o meio celular. Nesse líquido se encontram pedaços de vírus e bactérias e detritos do nosso metabolismo.

    Aí, os capilares se ligam a vasos linfáticos cada vez maiores e mais complexos, que percorrem o corpo carregando a linfa – nome que o plasma recebe depois de absorvido – juntamente com as partículas coletadas. É difícil identificá-los a olho nu porque, diferentemente do sangue, o líquido ali dentro é transparente.

    No percurso dessa rede, os vasos linfáticos encontram linfonodos, ou gânglios. Eles filtram a linfa, retirando componentes nocivos, e acionam células de defesa para combater vírus e bactérias. Também fazem parte do sistema estruturas maiores, como o baço, o timo e as amígdalas, importantes sobretudo na infância.

    Os vasos linfáticos desembocam no chamado ducto torácico, que vai do abdômen ao pescoço. É no final desse tubo que a linfa, já filtrada, volta ao sangue, precisamente no momento em que o ducto se conecta a duas veias, a subclávia e a jugular. E aí a história recomeça.

    A drenagem linfática

    O fluxo no sistema linfático é garantido por contrações dos próprios vasos e dos músculos. Mas, quando a pessoa fica acamada, passa por cirurgia ou sofre com problemas cardíacos, renais ou hepáticos, a linfa não circula direito.

    Eis que os movimentos que os dedos fazem na drenagem acompanham o sentido dos vasos e empurram o líquido para os gânglios. Mas o ideal é conversar com um especialista antes de se submeter à técnica. Até porque ela não é isenta de reações adversas e pode ser contraindicada em casos de câncer.

    Doenças que afetam o sistema linfático

    Linfedema: é quando a linfa se acumula no espaço entre as células por diferentes fatores, como alterações genéticas e traumas provocados por pancadas e cirurgias, por exemplo.

    Elefantíase: doença causada por um parasita transmitido nas picadas do mosquito Cúlex. Leva a uma inflamação dos vasos linfáticos, fazendo com que a linfa se acumule nos membros inferiores.

    Linfoma e leucemia: são tipos de câncer que se originam de células que circulam pelo sangue e pelo sistema linfático, como os glóbulos brancos. Existem subtipos que afetam crianças e/ou adultos.

    Metástase: o termo quer dizer que o tumor conseguiu se espalhar para outros órgãos. E alguns cânceres, como os de mama, pulmão e intestino, se valem do sistema linfático para isso.

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  • A dor e a queimação, sintomas típicos da gastrite, são consequência de uma inflamação nas paredes internas do estômago. E qual a causa disso?Pesquisas mostraram que a maioria dos episódios desse problema é provocado por uma bactéria, a Helicobacter pylori. Esse micro-organismo se instala abaixo da camada de muco do estômago e vai liberando a urease, uma enzima capaz de mudar o pH das áreas próximas.

    A multiplicação desenfreada desse agente infeccioso gera uma reação inflamatória. Se as células de defesa não conseguem conter o avanço, a mucosa que protege as paredes do estômago é corroída – e o órgão então sofre diretamente a ação do ácido gástrico, dando origem à ardência.

    A H. pylori pode contaminar água e alimentos, mas o principal meio de transmissão é de pessoa para pessoa. Ainda assim o fato é que muita gente carrega esse inimigo, mas não sofre com suas consequências.

    Alguns fatores, ou uma associação deles, também desencadeiam a irritação: alimentação inadequada, abuso de remédios (sobretudo anti-inflamatórios), e consumo exagerado de bebida alcoólica. O estresse é outro componente importante na origem das crises de gastrite: em situações de tensão, nosso organismo aumenta a liberação de cortisol e de adrenalina, hormônios que, por sua vez, elevam a fabricação de ácido pelo estômago.

    Sinais e sintomas

    – Dor de barriga

    – Sensação de queimação no estômago

    – Enjoo

    – Falta de apetite

    – Perda de peso

    Fatores de risco

    – Predisposição genética

    – Consumo excessivo de alimentos gordurosos e ácidos

    – Abuso de anti-inflamatórios

    – Estresse

    – Consumo exagerado de bebida alcoólica

    – Ingestão excessiva de itens com cafeína

    – Tabagismo

    – Doença de Crohn

    A prevenção e a alimentação

    Diminuir o consumo de alimentos que aumentam a acidez do estômago, como comidas picantes, álcool e café, é o caminho indicado para atenuar o ataque às paredes do estômago. Alimentos mais gordurosos, que exigem mais quantidade de ácido para serem digeridos, também entram na lista dos desencadeadores da gastrite. Cuidado também com o leite puro, que estimula a secreção de suco gástrico.

    Só tenha em mente que, dependendo da severidade, do tempo sem crise e de questões individuais, é possível ingerir esses alimentos com moderação. Discuta isso com um profissional de saúde.

    Ficar muito tempo em jejum é outro perigo. Sem alimentos na barriga, o ácido gástrico se acumula e começa a lesionar o estômago. Vale, portanto, fracionar as refeições. E comer devagar. A mastigação, como primeira fase da digestão, poupa os esforços do estômago.

    Além disso, quem fuma tem mais este motivo para tentar abandonar o cigarro. O vício aumenta a produção de ácido no estômago e, dessa forma, favorece a queimação.

    Por fim, fuja da automedicação: o uso de anti-inflamatórios sem receita e sem as devidas orientações do médico também contribui para o aparecimento das crises estomacais.

    O diagnóstico

    Sentir dores no estômago uma vez ou outra não significa que a pessoa tem gastrite. Agora, se os sintomas se arrastam por duas semanas, é melhor consultar um gastroenterologista.

    O médico irá solicitar a realização de uma endoscopia. Nesse exame, feito com o paciente sob efeito de sedativo, uma microcâmera desce pela boca até o estômago, e as imagens registradas mostram se há inflamação na mucosa do órgão.

    Para confirmar se o problema foi causado pela bactéria H. pylori, durante a endoscopia é feita uma biópsia. A análise do material revela se o micro-organismo está alojado por ali.

    O tratamento

    Controlar a alimentação é fundamental para aliviar o mal-estar digestivo, mas nem sempre uma dieta equilibrada basta. Para combater a inflamação já instalada, o médico pode receitar antibióticos, além de antiácidos para atenuar os sintomas.

    Nos casos em que a H. Pylori é a causa da gastrite, às vezes só um revezamento de antibióticos consegue dar fim ao problema. Isso porque essa bactéria é muito resistente.

    Ao término do tratamento, o especialista pode recomendar outro exame para confirmar se o micro-organismo foi eliminado de vez. Esse teste detecta a presença a H. Pylori pelo ar expelido dos pulmões. Se o resultado der negativo, significa que foi exterminada. Caso contrário, é preciso tomar novas medidas contra ela.

    Ao longo do tratamento, é preciso ficar longe de determinados alimentos. Até que a regeneração do estômago seja completa, deve-se evitar refrigerantes, águas gasosas e sucos cítricos. Chocolates, balas e doces também ficam de fora do cardápio – o açúcar fermenta na barriga e, para piorar, estimula a liberação de ácido clorídrico.

    Uma vez que a causa da gastrite sai de cena, seja ela qual for, a pessoa fica curada em no máximo três semanas. Esse é o prazo necessário para o estômago recuperar suas rugosidades naturais, destruídas pela agressão.

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  • Nas últimas semanas, uma mensagem de voz com 5 minutos de duração está pipocando nos celulares dos brasileiros. Nela, uma mulher não identificada diz que a cebola cortada é capaz de atrair bactérias e, assim, provocar uma série de doenças. Quem nos alertou sobre o assunto foi nosso assinante Altair Gomes, que mandou um e-mail e pediu que fizéssemos uma avaliação sobre o assunto e informássemos se a acusação é verdadeira ou falsa. Agradecemos o seu contato e a sugestão, Altair!

    Para averiguar essa história direitinho, procuramos referências nos estudos científicos e entrevistamos dois profissionais envolvidos com a área: a nutróloga Nayara Almeida, do Rede D’Or Hospital São Luiz, em São Paulo, e o engenheiro de alimentos Edison Triboli, do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul. Os dois especialistas foram unânimes em afirmar que a alegação é totalmente falsa.

    Para desmontar a farsa, nós transcrevemos o áudio do Whatsapp e vamos mostrar, ponto a ponto, todos os seus erros:

    “[…] hoje eu descobri por que a cebola cortada e deixada de canto não pode ser reutilizada. Preste atenção. Cuidado com as cebolas. Em 1919, a gripe matou 40 milhões de pessoas…”

    A autora do áudio se refere à gripe espanhola que, na verdade, começou em 1918 e matou de 50 a 100 milhões de indivíduos. Ela é considerada a pior pandemia da história da humanidade. Desinformações assim já levantam a suspeita de um conteúdo falso.

    “…um médico visitou os agricultores que tiveram o ataque e para ver se poderia ajudá-los a combater a gripe. Muitos dos agricultores e suas famílias que contraíram a gripe morreram. No entanto, o médico conheceu um fazendeiro cuja família era saudável e ninguém na casa pegou gripe. O médico perguntou ao agricultor o que ele estava fazendo que era diferente dos outros. A esposa do fazendeiro respondeu que ela cortou uma cebola com casca em um prato e colocou em todos os cômodos de sua casa.…”

    Repare nas mancadas cometidas aqui: não é citado o nome do médico nem sua especialidade, qual país ou cidade em que ele atuava, quem eram esses agricultores… Sempre desconfie quando os dados não são exatos e nem é possível conferir a informação por meio de outras fontes.

    “…ele pediu uma dessas cebolas, achando que era da plantação diferente. Quando colocou sob microscópio, encontrou nela o vírus da gripe. As cebolas obviamente absorveram todas as bactérias e, portanto, mantiveram a família saudável.”

    Dois erros crassos nesse trecho. Primeiro, não dá para visualizar um vírus no microscópio comum. Esse agente infeccioso só pode ser visto num microscópio eletrônico, que foi inventado no ano de 1931, bem depois da gripe espanhola. Em segundo lugar, a voz feminina diz que as cebolas “absorveram todas as bactérias”. Ora, a gripe é causada por um vírus, o influenza! As bactérias nada tem a ver com a doença.

    “…enviei essa história para um amigo no Oregon que sempre me dá material sobre a questão da saúde. Ele me respondeu com essa interessante experiência com as cebolas. Ele disse: obrigado pelo lembrete. Eu não conheço a história do agricultor mas sei que também tive pneumonia e fiquei muito doente. Do meu conhecimento anterior de cebolas, cortei as duas pontas de uma cebola e coloquei em um jarro vazio e coloquei ao meu lado durante a noite. De manhã, comecei a me sentir melhor enquanto a cebola ficava preta…”

    Sim, a cebola pode até ficar preta se exposta no ambiente, pois entra em decomposição. Mas esse processo não acontece de uma noite para a outra e nem pela invasão de bactérias causadoras de pneumonia. Aliás, não tem como todos esses micro-organismos saírem dos pulmões de um indivíduo doente e migrarem, como num passe de mágica, para uma cebola. Veja só, até os antibióticos, remédios potentes fabricados para combater esse tipo de infecção, demoram alguns dias para trazer resultado.

    “…muitas vezes, quando temos problemas de estômago, não sabemos a quem culpar. Talvez as cebolas que comemos antes sejam as culpadas. Cebola absorve bactéria. E essa é a razão pela qual elas são tão boas em nos impedir de pegar gripes e resfriados. Por essa razão, não devemos devemos comer uma cebola que esteja descansando por um tempo depois de cortada. Restos de cebola são venenosos. Quando uma intoxicação alimentar é relatada, a primeira coisa que as autoridades procuram é se a vítima comeu cebolas e de onde vieram …”

    O erro se repete: gripes e resfriados são provocados por vírus, não por bactérias. A nutróloga Mayra Almeida nos ajuda no trecho seguinte: “As infecções gastrointestinais podem ser causadas por vírus e bactérias. O contágio se dá majoritariamente por alimentos e água contaminados, em ambientes onde a higiene é precária ou há falta de saneamento básico. Não é adequado dizer que a cebola seria a causa única desses problemas.”

    “…as cebolas são enormes imãs de bactérias, especialmente as cruas. Nunca guarde uma porção de cebola em fatias por um período de tempo e depois use-a na preparação de alimentos. Não é seguro nem mesmo se você armazenar em um saco com zíper e armazenar na geladeira…”

    Baboseira pura. Se essa acusação fosse verdadeira, muita gente já teria morrido por aí. Não há nenhum relato na ciência sobre algum caso em que isso ocorreu.

    Na verdade, não existe problema em utilizar um pedaço de cebola que restou de uma receita feita anteriormente. É importante, claro, usar sempre o bom senso: fique de olho no aspecto da hortaliça e descarte-a se perceber qualquer sinal de decomposição, como mudança na cor, na textura e no aroma. “Como ela tem um cheiro muito forte depois de aberta, o ideal é guardá-la na geladeira dentro de um pote com tampa de borracha, para impedir que o odor se espalhe para outros alimentos”, sugere o professor Edison.

    “…além disso, não dê cebola para os cães. Seus estômagos não podem metabolizar as cebolas…”

    Finalmente um trecho com uma dica bacana! Tanto o alho quanto a cebola contêm uma substância chamada alicina. Em cães e gatos, ela pode levar a um tipo de anemia conhecido como hemolítica. Em suma, trata-se da destruição dos glóbulos vermelhos no sangue. A intoxicação pode aparecer gradativamente e, para isso, é necessário que o animal consuma uma grande quantidade desses ingredientes.

    Só que isso não tem nada a ver com bactérias. Na dúvida, converse com o veterinário de seu pet.

    “[…] sempre que cortar uma cebola e usar somente metade, coloque a outra metade em algum outro ponto de sua casa, preferencialmente nos quartos, para que absorvam possíveis bactérias…”

    Uma atitude dessas não vai adiantar em nada e só vai deixar sua casa com um cheirinho, digamos, peculiar. Para evitar infecções, o melhor mesmo é adotar outras medidas que têm comprovação científica, como lavar as mãos com frequência (especialmente ao chegar em casa, no trabalho ou na escola) e tomar as vacinas disponíveis para a sua faixa etária.

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  • Você já teve a sensação de estar com areia nos olhos, acordou com as pálpebras grudadas e inchadas e passou dias com os olhos ardendo e avermelhados? Pois são esses os principais sintomas de quem pega conjuntivite, uma inflamação na membrana que reveste a parte branca dos olhos.

    Ela pode ser desencadeada por reação alérgica, exposição à produtos químicos e, principalmente, por vírus e bactérias. Aí, ganha o nome completo de conjuntivite infecciosa, que virou notícia nos primeiros meses deste ano, quando o sul de Minas Gerais, o Centro-Oeste, o Nordeste, o interior de São Paulo e o Sul registraram um número de casos maior do que o esperado para o período.

    Na capital paulista, os casos triplicaram: de 82 entre janeiro e abril de 2017 para 327 no mesmo período de 2018. Entretanto, segundo Lísia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), trata-se de um fenômeno sazonal e, em certa medida, esperado. “Ela já é uma doença muito comum, que aumenta de incidência no verão, mas também em ocasiões que envolvem aglomerações de pessoas”, aponta.

    Sem contar que, no outono, a baixa umidade do ar tende a ressecar as mucosas, o que pode abrir caminho para uma infecção. Via de regra, a conjuntivite não causa estragos muito sérios.

    Fácil de transmitir, mas dá para prevenir

    Além dos sintomas descritos acima, a visão pode ficar embaçada ou sensível à luz e os olhos, lacrimejando constantemente. São as lágrimas, aliás, que transmitem o agente infeccioso: a pessoa passa a mão no olho, encosta-a em algum lugar e lá o bacilo espera até pegar carona em um desavisado.

    Quando os sinais aparecem, o ideal é procurar o médico. “O risco de contágio é alto, por isso recomendamos o afastamento do trabalho e outras atividades externas até que o quadro se resolva”, explica Lísia.

    Esse período dura em média sete dias. Durante ele, a pessoa deve tomar medidas preventivas para que o outro olho não seja infectado. Sim, isso pode acontecer – aí a chatice demora mais para ir embora.

    “Quem está com conjuntivite deve lavar as mãos constantemente com água e sabão, separar toalhas para uso individual e limpar com álcool tudo o que outras pessoas puderem tocar, como computador e telefone”, ensina a oftalmologista.

    Para a população, em períodos de maior incidência, assim como para as outras doenças virais, vale reforçar a higiene e ter um álcool gel por perto. Ou seja, cuidado redobrado nos próximos tempos.

    Como tratar o incômodo

    Compressas de água fria aliviam a queimação, mas o soro fisiológico gelado deve ser evitado. “Em excesso, o sal da mistura pode irritar a pele”, orienta Lísia. Óculos de sol ajudam a reduzir a sensibilidade à luz, enquanto os colírios do tipo lágrima artificial lubrificam os olhos e amenizam os sintomas.

    Para evitar a reincidência da conjuntivite, o ideal é que os lenços utilizados para limpar a secreção que escorre dos olhos sejam descartáveis. Pelo mesmo motivo, o colírio não deve encostar na conjuntiva quando for aplicado. Já coçar os olhos, embora às vezes seja tentador, piora o problema.

    Geralmente, o quadro regride sozinho. Mas, em alguns casos, o médico prescreve colírios específicos com antibióticos ou anti-inflamatórios. Tais remédios, contudo, devem ser indicados pelo especialista. Tanto porque a conjuntivite possui origens diferentes que só ele saberá distinguir, quanto porque, em situações raras, sintomas se intensificam e demoram até um mês para ir embora.

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  • Na boca, a cárie se forma a partir das bactérias Streptococcus mutans, que formam grupinhos chamados de placas (ou biofilme) para abocanhar a sacarose, o açúcar dos restos de comida. Elas produzem um ácido que corrói os minerais do dente até quebrá-lo.

    Mas, tirando esses aspectos biológicos, ainda há muita coisa que as pessoas não sabem sobre esse problema. E que, até por isso, podem contribuir para a piora da saúde bucal. É aí que entra a SAÚDE com um especial sobre fatos importantes (e ainda pouco conhecidos) sobre as cáries. Confira:

    Ter cárie não é normal

    Embora mais da metade dos brasileiros já tenha tido cárie alguma vez na vida, ela não deve ser encarada como um problema trivial. É importante agir para evitar que manchas e pontinhos apareçam e levem à quebra ou à perda do dente.

    O bacana é que, segundo o Ministério da Saúde, a incidência da chateação na população brasileira caiu de 69% em 2003 para 56% em 2010. Parte desse resultado se deve à Política Nacional de Saúde Bucal, chamada Brasil Sorridente.

    Criado em 2003, o programa, entre outras ações, fomentou a incorporação de flúor à água. No entanto, a cárie ainda é o maior problema em consultórios odontológicos. “Se houver mudanças na alimentação e na higiene, é possível paralisar a doença”, diz Fausto Mendes, odontopediatra da Universidade de São Paulo (USP).

    É mais que uma questão estética

    Sim, a cárie é capaz de afetar a autoestima. “Uma criança pode desenvolver problemas de socialização”, nota Mendes. Prevenir-se da encrenca, porém, é muito mais do que garantir um sorriso bonito.

    Se não for tratada, a cárie lesiona a camada da dentina, provocando dor e sensibilidade. Mais: o indivíduo mastiga menos e sabota a digestão.

    Em estágio avançado, ataca a polpa dentária, tecido mole com nervos e vasos sanguíneos, causando infecção. “Se os micro-organismos atingirem a corrente sanguínea, é um perigo”, alerta a dentista Amélia Mamede, diretora da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). “Já atendi um paciente que precisou ir para a UTI por causa de uma infecção em um dente de leite”, lembra. Pois é: as bactérias e a inflamação gerada por elas semeiam a discórdiaem outros cantos do corpo.

    A culpa não é toda da bactéria

    Anos atrás, a ciência atribuía a cárie exclusivamente aos micro-organismos. Mas tem outro vilão nessa história, o açúcar dos alimentos. “As bactérias estão na boca de todo mundo. Mas o açúcar, além de ser transformado em ácido por elas, seleciona aqueles exemplares com maior habilidade para esse processo”, explica o dentista Jaime Cury, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    A saliva ajuda a equilibrar a acidez da região e devolver os minerais ao dente, mas, quando há doce demais, não dá conta do recado. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda reduzir o açúcar a no máximo 10% das calorias ingeridas por dia, algo em torno de dez colheres de chá. E não vá dormir sem escovação – afinal, é quando você ficará mais tempo à mercê das bactérias.

    Bochecho com muita água após escovar os dentes pode ser problema
    As pesquisas, a bem da verdade, ainda divergem sobre esse ponto. Um estudo escocês publicado no periódico Caries Research acompanhou mais de 3 mil crianças por três anos e concluiu que fazer bochecho com água depois da escovação prejudicaria os dentes.

    Outro levantamento, na mesma edição, apontou o contrário. Nele, os pesquisadores avaliaram 276 adolescentes de 12 anos. A turma que recebeu orientação de realizar o enxágue não apresentou mais cárie do que quem apenas cuspia a espuma. E os dois grupos desenvolveram menos a doença em comparação aos jovens que não foram orientados sobre o jeito certo de usar a escova.

    Jaime Cury, da Unicamp, explica que de fato o líquido reduz um pouco a concentração de flúor deixada na boca pela pasta. “Mas só quem tem mais propensão à cárie precisa diminuir a quantidade de água na hora do bochecho”, pondera. A dentista Amélia Mamede dá uma dica para poupar o mineral da diluição: “Não passe a escova embaixo da torneira depois de colocar o creme dental”.

    Cárie não é transmissível

    Há quem acredite que é possível espalhar a doença com um beijo ou ao dividir um copo. A crença é baseada naquela ideia de que as bactérias são as únicas responsáveis pela chateação – e, portanto, passariam de uma boca a outra. Mas, como já vimos, a ciência deu seu veredicto. “Cárie não é infecciosa nem transmissível. Ela depende da dieta e da higiene do indivíduo”, reforça a odontopediatra Helenice Biancalana, vice-presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD). Não custa relembrar: o principal agente da redução de cárie no mundo é o flúor, presente na água e na pasta ou aplicado em consultório.

    Escovar mais vezes não significa maior proteção

    O flúor da pasta ajuda a impedir o desenvolvimento da cárie. Fora que a ação mecânica decorrente da escovação dificulta a instalação da doença. Porém, isso não é motivo para viver escovando os dentes.

    Uma pesquisa até chegou a observar os efeitos da higienização antes das refeições. “As análises não verificaram ganhos entre aqueles que fazem isso. O ritual após as refeições, sim, é essencial porque remove os restos de alimentos”, afirma Fausto Mendes.

    Sem contar que, ao limpar a boca depois de comer, você garante pelo menos três escovações por dia, o número ideal aconselhado por dentistas. Escovar os dentes duas vezes por dia reduz em 70% o risco de ter cárie.

    Dente de leite com cárie também é encrenca

    Ele nasce a partir dos 4 meses de vida e pode permanecer até 12 anos na boca – por isso é tão importante quanto o permanente. Hoje, sabe-se que quem tem pontos pretos e manchas nos dentes ainda criança corre maior risco de reincidência mais tarde.

    Por sua vez, os pequenos acostumados a escovar os dentes tendem a manter o hábito pela vida toda. “Se o indivíduo atravessou a primeira e a segunda infância sem cárie, significa que tem uma dieta saudável”, avalia Cury.

    Vale lembrar que o dente de leite abre caminho para o definitivo. “Se for retirado porque a cárie atingiu a polpa, o permanente pode sair no lugar errado ou torto”, avisa Amélia. Além disso, há o risco de as bactérias caírem na corrente sanguínea, um perigo ainda maior para crianças.

    Fluorose, o outro lado da moeda

    Herói no combate à cárie, o flúor em excesso pode causar manchas brancas ou amareladas e deixar os dentes quebradiços. Apesar disso, dentistas rechaçam a ideia de abdicar do mineral. “A fluorose só se tornaria grave se a pessoa comesse creme dental no pão”, afirma Cury.

    E abrir mão do flúor prejudica a batalha contra a cárie, esta sim uma questão de saúde pública. Para prevenir o problema, a palavra de ordem é conter o ímpeto ao apertar o tubo de pasta. Bebês menores de 3 anos devem usar o equivalente a um grão de arroz cru. Acima dessa idade, incluindo adultos, a medida passa a ser igual a uma ervilha.

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  • Desenvolvida pela marca de lingeries 2rios, essa calcinha é fabricada com um agente químico que atrai e destrói bactérias e outros micro-organismos. “Ela continua eficaz mesmo após 100 lavagens”, diz Karine Liotino, consultora de inovação da 2rios. Disponível nas cores bege e preta, a novidade seria bem-vinda sobretudo para mulheres que fizeram cirurgias na área genital.

    “Antes de usar qualquer produto, só é importante buscar a orientação do profissional de saúde para analisar a situação e até fazer o diagnóstico de alguma doença”, lembra o médico Paulo César Giraldo, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

    Como a peça funciona

    1. As fibras do tecido são fabricadas com a tecnologia Fresh, que tem um produto capaz de eliminar diversos tipos de germes.

    2. Os fungos e afins são atraídos por essa substância. Ao entrarem em contato com ela, acabam mortos.

    3. Segundo o fabricante, o processo evitaria o mau cheiro e a proliferação desses bichinhos, que são causa de problemas.

    4. A calcinha não teria nenhum efeito no equilíbrio da flora vaginal, que fica alojada mais na parte interna do órgão.

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