• Formado por vasos e gânglios, o sistema linfático ostenta uma nobre missão: coletar impurezas da circulação e manter nossas defesas vigilantes contra os micróbios. Em resumo, onde existe circulação sanguínea há também circulação linfática – mas cada um desses sistemas conta com vasos próprios. A função da linfa e dessa rede específica é coletar partículas indesejáveis que trafegam pelo corpo e estimular o sistema imune a conter ameaças. O líquido “purificado” pelo sistema linfático é devolvido ao sangue.

    Os detalhes do sistema linfático

    Cerca de 10% do plasma, a fração transparente do sangue, escapa dos vasos sanguíneos. Ele vai parar em meio às células, mas é captado depois pelos capilares, vasos fininhos que ficam em contato direto com o meio celular. Nesse líquido se encontram pedaços de vírus e bactérias e detritos do nosso metabolismo.

    Aí, os capilares se ligam a vasos linfáticos cada vez maiores e mais complexos, que percorrem o corpo carregando a linfa – nome que o plasma recebe depois de absorvido – juntamente com as partículas coletadas. É difícil identificá-los a olho nu porque, diferentemente do sangue, o líquido ali dentro é transparente.

    No percurso dessa rede, os vasos linfáticos encontram linfonodos, ou gânglios. Eles filtram a linfa, retirando componentes nocivos, e acionam células de defesa para combater vírus e bactérias. Também fazem parte do sistema estruturas maiores, como o baço, o timo e as amígdalas, importantes sobretudo na infância.

    Os vasos linfáticos desembocam no chamado ducto torácico, que vai do abdômen ao pescoço. É no final desse tubo que a linfa, já filtrada, volta ao sangue, precisamente no momento em que o ducto se conecta a duas veias, a subclávia e a jugular. E aí a história recomeça.

    A drenagem linfática

    O fluxo no sistema linfático é garantido por contrações dos próprios vasos e dos músculos. Mas, quando a pessoa fica acamada, passa por cirurgia ou sofre com problemas cardíacos, renais ou hepáticos, a linfa não circula direito.

    Eis que os movimentos que os dedos fazem na drenagem acompanham o sentido dos vasos e empurram o líquido para os gânglios. Mas o ideal é conversar com um especialista antes de se submeter à técnica. Até porque ela não é isenta de reações adversas e pode ser contraindicada em casos de câncer.

    Doenças que afetam o sistema linfático

    Linfedema: é quando a linfa se acumula no espaço entre as células por diferentes fatores, como alterações genéticas e traumas provocados por pancadas e cirurgias, por exemplo.

    Elefantíase: doença causada por um parasita transmitido nas picadas do mosquito Cúlex. Leva a uma inflamação dos vasos linfáticos, fazendo com que a linfa se acumule nos membros inferiores.

    Linfoma e leucemia: são tipos de câncer que se originam de células que circulam pelo sangue e pelo sistema linfático, como os glóbulos brancos. Existem subtipos que afetam crianças e/ou adultos.

    Metástase: o termo quer dizer que o tumor conseguiu se espalhar para outros órgãos. E alguns cânceres, como os de mama, pulmão e intestino, se valem do sistema linfático para isso.

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  • A dor e a queimação, sintomas típicos da gastrite, são consequência de uma inflamação nas paredes internas do estômago. E qual a causa disso?Pesquisas mostraram que a maioria dos episódios desse problema é provocado por uma bactéria, a Helicobacter pylori. Esse micro-organismo se instala abaixo da camada de muco do estômago e vai liberando a urease, uma enzima capaz de mudar o pH das áreas próximas.

    A multiplicação desenfreada desse agente infeccioso gera uma reação inflamatória. Se as células de defesa não conseguem conter o avanço, a mucosa que protege as paredes do estômago é corroída – e o órgão então sofre diretamente a ação do ácido gástrico, dando origem à ardência.

    A H. pylori pode contaminar água e alimentos, mas o principal meio de transmissão é de pessoa para pessoa. Ainda assim o fato é que muita gente carrega esse inimigo, mas não sofre com suas consequências.

    Alguns fatores, ou uma associação deles, também desencadeiam a irritação: alimentação inadequada, abuso de remédios (sobretudo anti-inflamatórios), e consumo exagerado de bebida alcoólica. O estresse é outro componente importante na origem das crises de gastrite: em situações de tensão, nosso organismo aumenta a liberação de cortisol e de adrenalina, hormônios que, por sua vez, elevam a fabricação de ácido pelo estômago.

    Sinais e sintomas

    – Dor de barriga

    – Sensação de queimação no estômago

    – Enjoo

    – Falta de apetite

    – Perda de peso

    Fatores de risco

    – Predisposição genética

    – Consumo excessivo de alimentos gordurosos e ácidos

    – Abuso de anti-inflamatórios

    – Estresse

    – Consumo exagerado de bebida alcoólica

    – Ingestão excessiva de itens com cafeína

    – Tabagismo

    – Doença de Crohn

    A prevenção e a alimentação

    Diminuir o consumo de alimentos que aumentam a acidez do estômago, como comidas picantes, álcool e café, é o caminho indicado para atenuar o ataque às paredes do estômago. Alimentos mais gordurosos, que exigem mais quantidade de ácido para serem digeridos, também entram na lista dos desencadeadores da gastrite. Cuidado também com o leite puro, que estimula a secreção de suco gástrico.

    Só tenha em mente que, dependendo da severidade, do tempo sem crise e de questões individuais, é possível ingerir esses alimentos com moderação. Discuta isso com um profissional de saúde.

    Ficar muito tempo em jejum é outro perigo. Sem alimentos na barriga, o ácido gástrico se acumula e começa a lesionar o estômago. Vale, portanto, fracionar as refeições. E comer devagar. A mastigação, como primeira fase da digestão, poupa os esforços do estômago.

    Além disso, quem fuma tem mais este motivo para tentar abandonar o cigarro. O vício aumenta a produção de ácido no estômago e, dessa forma, favorece a queimação.

    Por fim, fuja da automedicação: o uso de anti-inflamatórios sem receita e sem as devidas orientações do médico também contribui para o aparecimento das crises estomacais.

    O diagnóstico

    Sentir dores no estômago uma vez ou outra não significa que a pessoa tem gastrite. Agora, se os sintomas se arrastam por duas semanas, é melhor consultar um gastroenterologista.

    O médico irá solicitar a realização de uma endoscopia. Nesse exame, feito com o paciente sob efeito de sedativo, uma microcâmera desce pela boca até o estômago, e as imagens registradas mostram se há inflamação na mucosa do órgão.

    Para confirmar se o problema foi causado pela bactéria H. pylori, durante a endoscopia é feita uma biópsia. A análise do material revela se o micro-organismo está alojado por ali.

    O tratamento

    Controlar a alimentação é fundamental para aliviar o mal-estar digestivo, mas nem sempre uma dieta equilibrada basta. Para combater a inflamação já instalada, o médico pode receitar antibióticos, além de antiácidos para atenuar os sintomas.

    Nos casos em que a H. Pylori é a causa da gastrite, às vezes só um revezamento de antibióticos consegue dar fim ao problema. Isso porque essa bactéria é muito resistente.

    Ao término do tratamento, o especialista pode recomendar outro exame para confirmar se o micro-organismo foi eliminado de vez. Esse teste detecta a presença a H. Pylori pelo ar expelido dos pulmões. Se o resultado der negativo, significa que foi exterminada. Caso contrário, é preciso tomar novas medidas contra ela.

    Ao longo do tratamento, é preciso ficar longe de determinados alimentos. Até que a regeneração do estômago seja completa, deve-se evitar refrigerantes, águas gasosas e sucos cítricos. Chocolates, balas e doces também ficam de fora do cardápio – o açúcar fermenta na barriga e, para piorar, estimula a liberação de ácido clorídrico.

    Uma vez que a causa da gastrite sai de cena, seja ela qual for, a pessoa fica curada em no máximo três semanas. Esse é o prazo necessário para o estômago recuperar suas rugosidades naturais, destruídas pela agressão.

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  • Nas últimas semanas, uma mensagem de voz com 5 minutos de duração está pipocando nos celulares dos brasileiros. Nela, uma mulher não identificada diz que a cebola cortada é capaz de atrair bactérias e, assim, provocar uma série de doenças. Quem nos alertou sobre o assunto foi nosso assinante Altair Gomes, que mandou um e-mail e pediu que fizéssemos uma avaliação sobre o assunto e informássemos se a acusação é verdadeira ou falsa. Agradecemos o seu contato e a sugestão, Altair!

    Para averiguar essa história direitinho, procuramos referências nos estudos científicos e entrevistamos dois profissionais envolvidos com a área: a nutróloga Nayara Almeida, do Rede D’Or Hospital São Luiz, em São Paulo, e o engenheiro de alimentos Edison Triboli, do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul. Os dois especialistas foram unânimes em afirmar que a alegação é totalmente falsa.

    Para desmontar a farsa, nós transcrevemos o áudio do Whatsapp e vamos mostrar, ponto a ponto, todos os seus erros:

    “[…] hoje eu descobri por que a cebola cortada e deixada de canto não pode ser reutilizada. Preste atenção. Cuidado com as cebolas. Em 1919, a gripe matou 40 milhões de pessoas…”

    A autora do áudio se refere à gripe espanhola que, na verdade, começou em 1918 e matou de 50 a 100 milhões de indivíduos. Ela é considerada a pior pandemia da história da humanidade. Desinformações assim já levantam a suspeita de um conteúdo falso.

    “…um médico visitou os agricultores que tiveram o ataque e para ver se poderia ajudá-los a combater a gripe. Muitos dos agricultores e suas famílias que contraíram a gripe morreram. No entanto, o médico conheceu um fazendeiro cuja família era saudável e ninguém na casa pegou gripe. O médico perguntou ao agricultor o que ele estava fazendo que era diferente dos outros. A esposa do fazendeiro respondeu que ela cortou uma cebola com casca em um prato e colocou em todos os cômodos de sua casa.…”

    Repare nas mancadas cometidas aqui: não é citado o nome do médico nem sua especialidade, qual país ou cidade em que ele atuava, quem eram esses agricultores… Sempre desconfie quando os dados não são exatos e nem é possível conferir a informação por meio de outras fontes.

    “…ele pediu uma dessas cebolas, achando que era da plantação diferente. Quando colocou sob microscópio, encontrou nela o vírus da gripe. As cebolas obviamente absorveram todas as bactérias e, portanto, mantiveram a família saudável.”

    Dois erros crassos nesse trecho. Primeiro, não dá para visualizar um vírus no microscópio comum. Esse agente infeccioso só pode ser visto num microscópio eletrônico, que foi inventado no ano de 1931, bem depois da gripe espanhola. Em segundo lugar, a voz feminina diz que as cebolas “absorveram todas as bactérias”. Ora, a gripe é causada por um vírus, o influenza! As bactérias nada tem a ver com a doença.

    “…enviei essa história para um amigo no Oregon que sempre me dá material sobre a questão da saúde. Ele me respondeu com essa interessante experiência com as cebolas. Ele disse: obrigado pelo lembrete. Eu não conheço a história do agricultor mas sei que também tive pneumonia e fiquei muito doente. Do meu conhecimento anterior de cebolas, cortei as duas pontas de uma cebola e coloquei em um jarro vazio e coloquei ao meu lado durante a noite. De manhã, comecei a me sentir melhor enquanto a cebola ficava preta…”

    Sim, a cebola pode até ficar preta se exposta no ambiente, pois entra em decomposição. Mas esse processo não acontece de uma noite para a outra e nem pela invasão de bactérias causadoras de pneumonia. Aliás, não tem como todos esses micro-organismos saírem dos pulmões de um indivíduo doente e migrarem, como num passe de mágica, para uma cebola. Veja só, até os antibióticos, remédios potentes fabricados para combater esse tipo de infecção, demoram alguns dias para trazer resultado.

    “…muitas vezes, quando temos problemas de estômago, não sabemos a quem culpar. Talvez as cebolas que comemos antes sejam as culpadas. Cebola absorve bactéria. E essa é a razão pela qual elas são tão boas em nos impedir de pegar gripes e resfriados. Por essa razão, não devemos devemos comer uma cebola que esteja descansando por um tempo depois de cortada. Restos de cebola são venenosos. Quando uma intoxicação alimentar é relatada, a primeira coisa que as autoridades procuram é se a vítima comeu cebolas e de onde vieram …”

    O erro se repete: gripes e resfriados são provocados por vírus, não por bactérias. A nutróloga Mayra Almeida nos ajuda no trecho seguinte: “As infecções gastrointestinais podem ser causadas por vírus e bactérias. O contágio se dá majoritariamente por alimentos e água contaminados, em ambientes onde a higiene é precária ou há falta de saneamento básico. Não é adequado dizer que a cebola seria a causa única desses problemas.”

    “…as cebolas são enormes imãs de bactérias, especialmente as cruas. Nunca guarde uma porção de cebola em fatias por um período de tempo e depois use-a na preparação de alimentos. Não é seguro nem mesmo se você armazenar em um saco com zíper e armazenar na geladeira…”

    Baboseira pura. Se essa acusação fosse verdadeira, muita gente já teria morrido por aí. Não há nenhum relato na ciência sobre algum caso em que isso ocorreu.

    Na verdade, não existe problema em utilizar um pedaço de cebola que restou de uma receita feita anteriormente. É importante, claro, usar sempre o bom senso: fique de olho no aspecto da hortaliça e descarte-a se perceber qualquer sinal de decomposição, como mudança na cor, na textura e no aroma. “Como ela tem um cheiro muito forte depois de aberta, o ideal é guardá-la na geladeira dentro de um pote com tampa de borracha, para impedir que o odor se espalhe para outros alimentos”, sugere o professor Edison.

    “…além disso, não dê cebola para os cães. Seus estômagos não podem metabolizar as cebolas…”

    Finalmente um trecho com uma dica bacana! Tanto o alho quanto a cebola contêm uma substância chamada alicina. Em cães e gatos, ela pode levar a um tipo de anemia conhecido como hemolítica. Em suma, trata-se da destruição dos glóbulos vermelhos no sangue. A intoxicação pode aparecer gradativamente e, para isso, é necessário que o animal consuma uma grande quantidade desses ingredientes.

    Só que isso não tem nada a ver com bactérias. Na dúvida, converse com o veterinário de seu pet.

    “[…] sempre que cortar uma cebola e usar somente metade, coloque a outra metade em algum outro ponto de sua casa, preferencialmente nos quartos, para que absorvam possíveis bactérias…”

    Uma atitude dessas não vai adiantar em nada e só vai deixar sua casa com um cheirinho, digamos, peculiar. Para evitar infecções, o melhor mesmo é adotar outras medidas que têm comprovação científica, como lavar as mãos com frequência (especialmente ao chegar em casa, no trabalho ou na escola) e tomar as vacinas disponíveis para a sua faixa etária.

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  • Você já teve a sensação de estar com areia nos olhos, acordou com as pálpebras grudadas e inchadas e passou dias com os olhos ardendo e avermelhados? Pois são esses os principais sintomas de quem pega conjuntivite, uma inflamação na membrana que reveste a parte branca dos olhos.

    Ela pode ser desencadeada por reação alérgica, exposição à produtos químicos e, principalmente, por vírus e bactérias. Aí, ganha o nome completo de conjuntivite infecciosa, que virou notícia nos primeiros meses deste ano, quando o sul de Minas Gerais, o Centro-Oeste, o Nordeste, o interior de São Paulo e o Sul registraram um número de casos maior do que o esperado para o período.

    Na capital paulista, os casos triplicaram: de 82 entre janeiro e abril de 2017 para 327 no mesmo período de 2018. Entretanto, segundo Lísia Aoki, oftalmologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), trata-se de um fenômeno sazonal e, em certa medida, esperado. “Ela já é uma doença muito comum, que aumenta de incidência no verão, mas também em ocasiões que envolvem aglomerações de pessoas”, aponta.

    Sem contar que, no outono, a baixa umidade do ar tende a ressecar as mucosas, o que pode abrir caminho para uma infecção. Via de regra, a conjuntivite não causa estragos muito sérios.

    Fácil de transmitir, mas dá para prevenir

    Além dos sintomas descritos acima, a visão pode ficar embaçada ou sensível à luz e os olhos, lacrimejando constantemente. São as lágrimas, aliás, que transmitem o agente infeccioso: a pessoa passa a mão no olho, encosta-a em algum lugar e lá o bacilo espera até pegar carona em um desavisado.

    Quando os sinais aparecem, o ideal é procurar o médico. “O risco de contágio é alto, por isso recomendamos o afastamento do trabalho e outras atividades externas até que o quadro se resolva”, explica Lísia.

    Esse período dura em média sete dias. Durante ele, a pessoa deve tomar medidas preventivas para que o outro olho não seja infectado. Sim, isso pode acontecer – aí a chatice demora mais para ir embora.

    “Quem está com conjuntivite deve lavar as mãos constantemente com água e sabão, separar toalhas para uso individual e limpar com álcool tudo o que outras pessoas puderem tocar, como computador e telefone”, ensina a oftalmologista.

    Para a população, em períodos de maior incidência, assim como para as outras doenças virais, vale reforçar a higiene e ter um álcool gel por perto. Ou seja, cuidado redobrado nos próximos tempos.

    Como tratar o incômodo

    Compressas de água fria aliviam a queimação, mas o soro fisiológico gelado deve ser evitado. “Em excesso, o sal da mistura pode irritar a pele”, orienta Lísia. Óculos de sol ajudam a reduzir a sensibilidade à luz, enquanto os colírios do tipo lágrima artificial lubrificam os olhos e amenizam os sintomas.

    Para evitar a reincidência da conjuntivite, o ideal é que os lenços utilizados para limpar a secreção que escorre dos olhos sejam descartáveis. Pelo mesmo motivo, o colírio não deve encostar na conjuntiva quando for aplicado. Já coçar os olhos, embora às vezes seja tentador, piora o problema.

    Geralmente, o quadro regride sozinho. Mas, em alguns casos, o médico prescreve colírios específicos com antibióticos ou anti-inflamatórios. Tais remédios, contudo, devem ser indicados pelo especialista. Tanto porque a conjuntivite possui origens diferentes que só ele saberá distinguir, quanto porque, em situações raras, sintomas se intensificam e demoram até um mês para ir embora.

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  • Na boca, a cárie se forma a partir das bactérias Streptococcus mutans, que formam grupinhos chamados de placas (ou biofilme) para abocanhar a sacarose, o açúcar dos restos de comida. Elas produzem um ácido que corrói os minerais do dente até quebrá-lo.

    Mas, tirando esses aspectos biológicos, ainda há muita coisa que as pessoas não sabem sobre esse problema. E que, até por isso, podem contribuir para a piora da saúde bucal. É aí que entra a SAÚDE com um especial sobre fatos importantes (e ainda pouco conhecidos) sobre as cáries. Confira:

    Ter cárie não é normal

    Embora mais da metade dos brasileiros já tenha tido cárie alguma vez na vida, ela não deve ser encarada como um problema trivial. É importante agir para evitar que manchas e pontinhos apareçam e levem à quebra ou à perda do dente.

    O bacana é que, segundo o Ministério da Saúde, a incidência da chateação na população brasileira caiu de 69% em 2003 para 56% em 2010. Parte desse resultado se deve à Política Nacional de Saúde Bucal, chamada Brasil Sorridente.

    Criado em 2003, o programa, entre outras ações, fomentou a incorporação de flúor à água. No entanto, a cárie ainda é o maior problema em consultórios odontológicos. “Se houver mudanças na alimentação e na higiene, é possível paralisar a doença”, diz Fausto Mendes, odontopediatra da Universidade de São Paulo (USP).

    É mais que uma questão estética

    Sim, a cárie é capaz de afetar a autoestima. “Uma criança pode desenvolver problemas de socialização”, nota Mendes. Prevenir-se da encrenca, porém, é muito mais do que garantir um sorriso bonito.

    Se não for tratada, a cárie lesiona a camada da dentina, provocando dor e sensibilidade. Mais: o indivíduo mastiga menos e sabota a digestão.

    Em estágio avançado, ataca a polpa dentária, tecido mole com nervos e vasos sanguíneos, causando infecção. “Se os micro-organismos atingirem a corrente sanguínea, é um perigo”, alerta a dentista Amélia Mamede, diretora da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). “Já atendi um paciente que precisou ir para a UTI por causa de uma infecção em um dente de leite”, lembra. Pois é: as bactérias e a inflamação gerada por elas semeiam a discórdiaem outros cantos do corpo.

    A culpa não é toda da bactéria

    Anos atrás, a ciência atribuía a cárie exclusivamente aos micro-organismos. Mas tem outro vilão nessa história, o açúcar dos alimentos. “As bactérias estão na boca de todo mundo. Mas o açúcar, além de ser transformado em ácido por elas, seleciona aqueles exemplares com maior habilidade para esse processo”, explica o dentista Jaime Cury, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

    A saliva ajuda a equilibrar a acidez da região e devolver os minerais ao dente, mas, quando há doce demais, não dá conta do recado. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda reduzir o açúcar a no máximo 10% das calorias ingeridas por dia, algo em torno de dez colheres de chá. E não vá dormir sem escovação – afinal, é quando você ficará mais tempo à mercê das bactérias.

    Bochecho com muita água após escovar os dentes pode ser problema
    As pesquisas, a bem da verdade, ainda divergem sobre esse ponto. Um estudo escocês publicado no periódico Caries Research acompanhou mais de 3 mil crianças por três anos e concluiu que fazer bochecho com água depois da escovação prejudicaria os dentes.

    Outro levantamento, na mesma edição, apontou o contrário. Nele, os pesquisadores avaliaram 276 adolescentes de 12 anos. A turma que recebeu orientação de realizar o enxágue não apresentou mais cárie do que quem apenas cuspia a espuma. E os dois grupos desenvolveram menos a doença em comparação aos jovens que não foram orientados sobre o jeito certo de usar a escova.

    Jaime Cury, da Unicamp, explica que de fato o líquido reduz um pouco a concentração de flúor deixada na boca pela pasta. “Mas só quem tem mais propensão à cárie precisa diminuir a quantidade de água na hora do bochecho”, pondera. A dentista Amélia Mamede dá uma dica para poupar o mineral da diluição: “Não passe a escova embaixo da torneira depois de colocar o creme dental”.

    Cárie não é transmissível

    Há quem acredite que é possível espalhar a doença com um beijo ou ao dividir um copo. A crença é baseada naquela ideia de que as bactérias são as únicas responsáveis pela chateação – e, portanto, passariam de uma boca a outra. Mas, como já vimos, a ciência deu seu veredicto. “Cárie não é infecciosa nem transmissível. Ela depende da dieta e da higiene do indivíduo”, reforça a odontopediatra Helenice Biancalana, vice-presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD). Não custa relembrar: o principal agente da redução de cárie no mundo é o flúor, presente na água e na pasta ou aplicado em consultório.

    Escovar mais vezes não significa maior proteção

    O flúor da pasta ajuda a impedir o desenvolvimento da cárie. Fora que a ação mecânica decorrente da escovação dificulta a instalação da doença. Porém, isso não é motivo para viver escovando os dentes.

    Uma pesquisa até chegou a observar os efeitos da higienização antes das refeições. “As análises não verificaram ganhos entre aqueles que fazem isso. O ritual após as refeições, sim, é essencial porque remove os restos de alimentos”, afirma Fausto Mendes.

    Sem contar que, ao limpar a boca depois de comer, você garante pelo menos três escovações por dia, o número ideal aconselhado por dentistas. Escovar os dentes duas vezes por dia reduz em 70% o risco de ter cárie.

    Dente de leite com cárie também é encrenca

    Ele nasce a partir dos 4 meses de vida e pode permanecer até 12 anos na boca – por isso é tão importante quanto o permanente. Hoje, sabe-se que quem tem pontos pretos e manchas nos dentes ainda criança corre maior risco de reincidência mais tarde.

    Por sua vez, os pequenos acostumados a escovar os dentes tendem a manter o hábito pela vida toda. “Se o indivíduo atravessou a primeira e a segunda infância sem cárie, significa que tem uma dieta saudável”, avalia Cury.

    Vale lembrar que o dente de leite abre caminho para o definitivo. “Se for retirado porque a cárie atingiu a polpa, o permanente pode sair no lugar errado ou torto”, avisa Amélia. Além disso, há o risco de as bactérias caírem na corrente sanguínea, um perigo ainda maior para crianças.

    Fluorose, o outro lado da moeda

    Herói no combate à cárie, o flúor em excesso pode causar manchas brancas ou amareladas e deixar os dentes quebradiços. Apesar disso, dentistas rechaçam a ideia de abdicar do mineral. “A fluorose só se tornaria grave se a pessoa comesse creme dental no pão”, afirma Cury.

    E abrir mão do flúor prejudica a batalha contra a cárie, esta sim uma questão de saúde pública. Para prevenir o problema, a palavra de ordem é conter o ímpeto ao apertar o tubo de pasta. Bebês menores de 3 anos devem usar o equivalente a um grão de arroz cru. Acima dessa idade, incluindo adultos, a medida passa a ser igual a uma ervilha.

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  • Desenvolvida pela marca de lingeries 2rios, essa calcinha é fabricada com um agente químico que atrai e destrói bactérias e outros micro-organismos. “Ela continua eficaz mesmo após 100 lavagens”, diz Karine Liotino, consultora de inovação da 2rios. Disponível nas cores bege e preta, a novidade seria bem-vinda sobretudo para mulheres que fizeram cirurgias na área genital.

    “Antes de usar qualquer produto, só é importante buscar a orientação do profissional de saúde para analisar a situação e até fazer o diagnóstico de alguma doença”, lembra o médico Paulo César Giraldo, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

    Como a peça funciona

    1. As fibras do tecido são fabricadas com a tecnologia Fresh, que tem um produto capaz de eliminar diversos tipos de germes.

    2. Os fungos e afins são atraídos por essa substância. Ao entrarem em contato com ela, acabam mortos.

    3. Segundo o fabricante, o processo evitaria o mau cheiro e a proliferação desses bichinhos, que são causa de problemas.

    4. A calcinha não teria nenhum efeito no equilíbrio da flora vaginal, que fica alojada mais na parte interna do órgão.

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  • foto-imagem-cotonete

    A Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço atualizou suas diretrizes acerca da limpeza da cera de ouvido. O documento conscientiza sobre a importância do material viscoso para a saúde auditiva. “Ele lubrifica a região, controla a temperatura e evita a invasão de bactérias“, lista o otorrino Alfredo Lara, do Hospital Cema, em São Paulo. Mais: enfiar hastes flexíveis, chaves ou grampos no buraquinho da orelha está relacionado a irritações, infecções e até lesões mais sérias, como o rompimento do tímpano.

    Você não deve

    Limpar o ouvido demais. Isso abre alas para uma série de problemas.
    Inserir qualquer objeto pequeno no local.
    Usar velas terapêuticas. Seu efeito não está comprovado.

    Você deve

    Procurar o médico se tiver sinais de perda auditiva.
    Perguntar sobre as maneiras de remover a cera excedente.
    Visitar o especialista quando há sangramento ou dor.
    Cerca de 10% das crianças, 5% dos adultos e 30% dos idosos sofrem com excesso de cera.

    A cera tem seu papel

    1. Fábrica

    O cerume é produzido pelas glândulas do canal auditivo. Ele é essencial para nos proteger de agentes infecciosos e manter as estruturas ali em bom estado.

    2. Renovação

    A substância é secretada continuamente e escorre de dentro pra fora. Aos poucos, fica velha e dura. Daí, cai na orelha e vai embora durante o banho.

    3. Acúmulo

    Acontece que alguns indivíduos soltam cera em demasia. Ela acumula e chega a bloquear o tímpano, o que prejudica a captação de sons do ambiente.

    4. Agravamento

    O uso das hastes flexíveis ou de outros objetos, porém, só piora o quadro. Isso porque eles empurram mais meleca para o fundo, o que apenas vai postergar o chabu.

    Útil até para os robôs?!

    Não bastassem os serviços prestados aos humanos, a cera deve conquistar o mundo das máquinas: a engenheira Alexis Noel notou o poder de vedação da secreção quando o namorado ficou com o ouvido cheio d’água numa viagem. Agora ela pesquisa o cerume no Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. O objetivo é criar versões sintéticas para os sistemas de ventilação de robôs.

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  • foto-imagem-cravo

    Origem: uma árvore encontrada na Indonésia, na Índia e no Madagascar é a fonte dos botões de flor de cravo, que são ressecados na culinária. Esse tempero é conhecido desde a Antiguidade por propriedades antissépticas e de conservação de alimentos.

    Já na época das Grandes Navegações, foi tido como uma especiaria valiosíssima. Para ter ideia, um quilo de cravo seco chegou a custar um quilo de ouro!

    Forma de uso: você pode recorrer ao cravo seco inteiro ou triturado em pó. Adicione junto com os outros ingredientes para que libere os aromas durante o cozimento.

    Com o que combina: no Brasil, o cravo é mais utilizado em sobremesas, como doce de abóbora, canjica, arroz doce. Mas seu gosto adocicado também harmoniza com batata doce, beterraba, cenoura e abóbora. Aliás, pode ser um contraponto interessante para conservas e picles, presuntos e carne de caça.

    Com o que não combina: seu sabor é dominante. Por isso, apaga o gosto de alimentos frescos, a exemplo de saladas e legumes.

    Benefícios nutricionais: os antigos tinham razão — o cravo é um ótimo antisséptico. Um estudo da Universidade Miguel Hernández (Espanha) confirma que o tempero é rico em substâncias antioxidantes e bactericidas.

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  • foto-imagem-comida

    Afinal, o chão da minha cozinha é bem limpo e o chocolate havia ficado ali por menos de cinco segundos.

    A “regra dos cinco segundos” estava a meu favor. Todos conhecemos a regra, certo? Se a comida ficou no chão por menos de cinco segundos, não tem problema comê-la.

    Mas será que eu fiz bem em comer ou enchi minha boca de pequenos e perigosos micróbios?

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    Para responder a pergunta, primeiro é preciso esclarecer que não há um bando de bactérias no chão esperando para avançar em qualquer coisa que caia.

    Pelo contrário, as bactérias já estão em todo lugar, mesmo que você tenha acabado de varrer o chão.

    Assim que qualquer comida encosta no chão, claro que “pega sujeira” e consequentemente entra em contato com os micróbios dessa sujeira, diz Jack Gilbert, ecologista especializado em micróbios na Universidade de Illinois, nos EUA.

    Há cerca de 9 mil diferentes espécies de criaturas microscópicas na poeira de nossas casas, incluindo 7 mil tipos diferentes de bactérias, de acordo com um estudo feito por pesquisadores das universidades do Colorado e da Carolina do Norte, no EUA, em 2015. A maioria é inofensiva.

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    Elas estão em toda parte, todo o tempo: em seu rosto, sua mão, e na sua casa. Frequentemente liberamos bactérias pela pele e pelo ar que respiramos.

    “É impossível se esconder de micro-organismos. Vivemos e respiramos em um mar de bactérias”, diz Gilbert.

    Segundo um estudo da Universidade de Yale, cada pessoa libera cerca de 38 milhões de células bacterianas no ambiente a cada hora.

    E mesmo assim, diz Gilbert, há mais de cem anos nos dizem que micro-organismos são perigosos e que precisamos matá-los.

    Gilbert diz que certamente comeria algo que caiu no chão – desde que o ambiente fosse minimamente seguro. “Se eu derrubasse comida num lugar em que foram enterradas vítimas da peste, não pegaria”, diz.

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    Ele vai além e diz que, na maioria das vezes, até mesmo lamber o chão ou o assento do vaso sanitário não vai te deixar doente.

    Mas não seria inteligente fazer isso se alguém na sua casa está doente ou se você está em um país com condições de higiene precárias.

    Certamente existem alguns agentes causadores de doenças no ambiente. Mas se um deles está no chão da sua casa, também podem estar em qualquer outra parte, como na mesa ou na maçaneta. Você pode ficar doente independentemente de ter comido algo que caiu no chão.

    Mas há cuidados necessários. Se você tiver azar suficiente de ter a bactéria salmonella no chão, comer algo que caiu no chão pode fazer você ficar doente, mesmo se a comida tiver ficado no chão por menos de cinco segundos.

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    Um estudo publicado no Journal of Applied Microbiology em 2006 descobriu que havia menos risco de exposição a salmonella em cinco segundo do que em um minuto, mas mesmo assim o risco existia.

    Não há uma barreira mágica entre seu corpo e o mundo das bactérias, então mesmo a limpeza mais profunda não será capaz de eliminá-las.

    Na verdade, o contato com micróbios pode ser benéfico.

    “Ao menos que você esteja derrubando comida no consultório médico ou em um banheiro químico, a exposição a micróbios é boa”, diz Katherine Amato, da Universidade Nothwestern, nos EUA.

    Isso ocorre porque nós evoluímos com micróbios ao nosso redor. Pesquisadores como Amato acreditam cada vez mais que eles tiveram papel importante na evolução da nossa espécie.

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    Pegamos micróbios do ambiente quando somos muitos novos, inclusive pelo contato com a sujeira. A “comunidade de micróbios” de uma criança começa a se parecer com a de um adulto por volta dos dois anos.

    “Se há micróbios naquela comida isso pode contribuir para o desenvolvimento de um sistema imunológico saudável”, diz Amato. “Eu iria em frente e comeria algo que caiu no chão.”

    Em outras palavras: a regra dos cinco segundos não faz nenhum sentido. Se realmente houver um micróbio perigoso ali, seguir a regra não vai impedir que você fique doente. E nas outras situações, não tem problema comer comida do chão.

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    Os pesquisadores, da Organização Holandesa para Pesquisa Científica Aplicada, monitoraram beijos de 21 casais e descobriram que os que se beijavam nove vezes por dia tinham probabilidades maiores de compartilhar bactérias presentes na saliva.

    Outras pesquisas sugerem que podem existir mais de 700 tipos diferentes de bactérias na boca. Agora, este novo estudo revela que algumas destas bactérias são compartilhadas mais facilmente que outras.

    A pesquisa foi publicada na revista especializada Microbiome.

    Questionário

    A equipe de pesquisadores holandeses mapeou – através de entrevistas – os hábitos dos 21 casais relativos à troca de beijos.

    Os cientistas então colheram amostras de bactérias das línguas e saliva dos voluntários antes e depois de um beijo de dez segundos.

    Um membro do casal então bebeu um probiótico, que continha uma mistura de bactérias que poderiam ser facilmente identificadas.

    Leia também: Volta ao mundo em 100 beijos

    No segundo beijo do casal de voluntários, após o consumo da bebida probiótica, os cientistas conseguiram detectar o volume de bactérias transferidas para o parceiro – cerca de 80 milhões de bactérias.

    Os cientistas observaram ainda que a população de bactérias na saliva parecia mudar rapidamente em resposta a um beijo, enquanto que a da língua permanecia mais estável.

    “O beijo de língua é um ótimo exemplo de exposição a um número gigantesco de bactérias em um tempo curto”, disse Remco Kort, professor que liderou a pesquisa.

    “Mas apenas algumas bactérias transferidas de um beijo parecem se estabelecer na língua. Mais pesquisas devem analisar as propriedades da bactérias e da língua que contribuem para este poder de fixação.”

    “Este tipo de investigação pode nos ajudar a criar, no futuro, terapias (para enfrentar as) bactérias e ajudar as pessoas que têm problemas com bactérias”, acrescentou o cientista.

    Museu do micróbio

    Os cientistas holandeses trabalharam em parceria com o museu Micropia, considerado o primeiro museu sobre micróbios do mundo e com sede em Amsterdã.

    Em uma exposição recém-inaugurada, casais são convidados a se beijar e recebem uma análise instantânea das bactérias que compartilharam.

    E um número cada vez maior de pesquisadores está analisando o chamado microbioma, um ecossistema de cerca de 100 trilhões de micro-organismos que vivem em nossos corpos.

    Os cientistas afirmam que estas populações podem ser essenciais para a saúde e prevenção de doenças.

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