• Que nos perdoem os defensores do movimento antivacina, mas, com as evidências científicas disponíveis hoje, afirmar que a vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubérola) causa autismo é, no mínimo, negar a realidade. Se não bastassem os estudos anteriores, agora um levantamento dinamarquês com mais de 650 mil crianças deixa claro que não há qualquer associação entre as injeções e esse transtorno – mesmo entre os pequenos mais suscetíveis a ele.

    Nesse último experimento, pesquisadores da Universidade de Copenhague cruzaram registros de vacinação de 657 461 crianças com dados de desordens psiquiátricas. Ao longo dos anos, 6 517 delas desenvolveram autismo.

    Ao comparar a turma que tomou a tríplice viral com a que não a recebeu, ficou claro que não há qualquer ligação de autismo com a vacina. E isso valeu mesmo para os pequenos mais predispostos à doença (como àqueles cujos irmãos são autistas).

    “Não encontramos qualquer apoio para a hipótese de aumento no risco de autismo após a vacinação para sarampo, caxumba e rubéola nessa população”, reforçam os autores, no artigo. E eles estão longe de estarem sozinhos.

    Onde surgiu a polêmica e o que veio depois

    Essa relação sem pé nem cabeça do autismo com a vacinação ganhou os holofotes por causa de um estudo fraudulento publicado em 1998 – que terminou com a cassação da licença para praticar medicina do seu autor. Nossa colunista contou essa história em detalhes neste artigo.

    De lá para cá, uma série de experimentos sérios rejeita a teoria. Os próprios autores desse último estudo já haviam se debruçado sobre o assunto em outro artigo com 537 mil crianças dinamarquesas.

    “Uma crítica ao nosso trabalho anterior era o de que ele e outras investigações não abordavam um eventual risco em crianças presumivelmente mais suscetíveis ao autismo”, afirmaram os experts dinamarqueses. “Nesse trabalho, nós avaliamos inclusive isso”, reforçaram.

    Ou seja, de uma vez por todas, vamos parar de espalhar essa notícia falsa e estimular a vacinação infantil.

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    Uma em cada 68 crianças americanas tem autismo, de acordo com as estimativas reveladas nesta quinta-feira (27) pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, o que representa um aumento de 30% em comparação com os números anteriores, divulgados em 2012.

    Há dois anos, uma em cada 88 crianças sofria transtornos do espectro autista, segundo o informe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano.

    Segundo a agência Reuters, os pesquisadores do CDC afirmaram que as informações foram obtidas por meio da análise de crianças de 11 comunidades e podem não representar toda a população nacional. Eles também não investigaram por que as taxas subiram tanto, mas há algumas pistas. Neste último relatório, quase metade das crianças identificadas como autistas tinham QI médio ou acima da média. Há uma década, somente um terço das crianças identificadas como autistas estavam nessa situação.

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    “Pode ser que os médicos estejam ficando melhores em identificar essas crianças; pode ser que exista um número crescente de crianças com autismo com habilidades intelectuais mais altas, ou pode ser uma combinação de melhores diagnósticos com aumento da prevalência”, disse Coleen Boyle, diretora do Centro Nacional de Defeitos Congênitos e Deficiências de Desenvolvimento do CDC.

    Alguns especialistas acreditam que as taxas mais altas refletem o fato de que pais, médicos e professores estão prestando mais atenção no autismo, o que resultaria em mais crianças sendo diagnosticadas com o distúrbio.

    Para o estudo, foram avaliados histórico médico, escolar e outros registros de crianças de 8 anos de 11 comunidades americanas para determinar se elas tinham autismo.

    O relatório aponta que a distribuição geográfica do número de crianças autistas é irregular: enquanto uma a cada 175 crianças no Alabama tem a doença, em Nova Jersey, o distúrbio foi identificado em uma a cada 45 crianças.

    De acordo com esses números, o autismo é quase cinco vezes mais comum em meninos do que meninas. Entre os meninos, um a cada 42 são afetados e, entre as meninas, uma a cada 189 são afetadas. A pesquisa também concluiu que há mais crianças brancas do que negras ou hispânicas afetadas pelo autismo.

    Segundo a pesquisa, a maioria das crianças com autismo são diagnosticadas depois dos 4 anos de idade, embora a síndrome possa ser detectada a partir dos 2 anos. “Temos que fazer mais para diagnosticar crianças antes”, diz Coleen. “A detecção precoce do autismo é a ferramenta mais eficaz que temos para fazer a diferença na vida dessas crianças”, garante.

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    Uma pesquisa conduzida por cientistas americanos sugere que o autismo, disfunção que afeta a capacidade de socialização do indivíduo, pode ser identificado em bebês com até dois meses de vida.

    Os estudiosos analisaram o olhar das crianças, do nascimento até os três anos, em direção aos rostos de outras pessoas .

    Eles descobriram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo mantinham, um contato visual reduzido – uma das marcas do transtorno – nos primeiros meses de vida.

    A pesquisa, publicada na Nature, aumentou as esperanças de que o autismo seja tratado mais precocemente, afirmou um cientista britânico.

    No estudo, pesquisadores liderados pela Escola de Medicina da Emory University em Atlanta, nos Estados Unidos, usaram uma tecnologia de rastreamento visual para medir a forma como os bebês olhavam e respondiam a estímulos sociais.

    Eles concluíram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo mostraram um declínio gradativo na capacidade de manter um contato visual constante com os olhos de outras pessoas a partir da idade de dois meses, quando começaram a assistir vídeos de interações humanas.

    O coordenador da pesquisa, Warren Jones, disse à BBC News que foi a primeira vez que “foi possível detectar alguns sinais de autismo nos primeiros meses de vida”.

    “Estes são os primeiros sinais de autismo já observados”.

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    Metodologia
    O estudo acompanhou 59 crianças que tinham um alto risco de autismo por terem irmãos com a doença, e 51 crianças de baixo risco.
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    Jones e seu colega Ami Klin examinaram as crianças até completarem três anos, quando as crianças voltaram a ser formalmente avaliadas quanto à doença.

    Treze das crianças (11 meninos e duas meninas) foram diagnosticadas com transtornos do espectro do autismo – uma série de distúrbios que inclui o autismo e síndrome de Asperger.

    Os pesquisadores, então, voltaram a observar os dados de rastreamento ocular dos pacientes e fizeram uma descoberta surpreendente.

    “Em crianças com autismo, o contato visual já está em declínio nos primeiros seis meses de vida”, disse Jones.

    Jones acrescentou, entretanto, que tal quadro só pode ser observado com tecnologia sofisticada e não seria visível para os pais.

    Para Deborah Riby, do departamento de psicologia da Universidade de Durham, o estudo proporcionou uma análise sobre o tempo de atenção social, atípica em crianças que tendem a desenvolver autismo.

    “Esses marcadores precoces são extremamente importantes para identificar brevemente os primeiros traços de autismo. Dessa forma, temos a capacidade de aprimorar o tratamento”, disse Riby.

    Mais pesquisas
    Caroline Hattersley, diretora de informação, aconselhamento e apoio da National Autistic Society, baseada no Reino Unido, disse que a pesquisa foi “baseada em uma amostra muito pequena e precisa ser replicada em uma escala muito maior antes de podermos tirar quaisquer conclusões concretas”.

    “O autismo é um transtorno muito complexo”, disse.

    “Não há duas pessoas com autismo que são iguais, e por isso é necessária uma abordagem holística para o diagnóstico, que leve em conta todos os aspectos do comportamento de um indivíduo. Uma abordagem mais abrangente permite que todas as necessidades do pacientes sejam identificadas”.

    “É vital que todas as pessoas com autismo possam ter acesso a um diagnóstico, pois isso pode ser a chave para uma recuperação mais rápida”, concluiu.

    A pesquisa foi feita em parceria com o Marcus Autism Center e o Children’s Healthcare of Atlanta.

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  • Algumas pistas podem ajudar os pais a antecipar a descoberta do problema em bebês e aumentar o progresso do tratamento

    foto-imagem-autismoReceber o diagnóstico de autismo de um filho é como embarcar rumo a um universo desconhecido. É preciso encontrar a maneira de aterrissar nesse pequeno mundo em que a criança parece estar isolada. A doença, uma espécie de pane do desenvolvimento neurológico, costuma ser identificada pelos médicos entre 1 ano e meio e 3 anos, mas especialistas apostam que os próprios pais são capazes de detectar os primeiros sinais a partir dos 8 meses e, assim, buscar ajuda especializada quanto antes.

    Pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, descobriram que a chave para esse flagra precoce está na comunicação não verbal. A equipe do professor de psicologia Daniel Messinger comparou crianças sem histórico familiar do problema com irmãos caçulas de autistas, que teriam um risco maior de herdá-lo. Foi observado o modo como o bebê olha para objetos, o jeito como ele pede o que deseja e como reage quando lhe apontam para alguma direção. Pequenos com falhas gestuais nos primeiros meses de vida apresentaram sinais mais evidentes de autismo após os 2 anos e meio de idade.

    É possível observar outros indícios nos bebês, como explica o médico Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O olhar é extremamente importante para demonstrar o vínculo materno”, exemplifica. “Mas, enquanto é amamentado, o autista pode não fitar a figura da mãe e ter um olhar perdido.”

    Outro comportamento que pode acender a luz amarela é ele aceitar o colo de qualquer pessoa. “Com 8 meses, a criança costuma estranhar quem não é do seu convívio e até chorar, mostrando que está insatisfeita. Já um autista sente-se igualmente confortável com qualquer um”, lembra o psiquiatra.

    O choro quase ininterrupto, uma inquietação constante ou, ao contrário, uma apatia exacerbada também merecem atenção. “Muitas vezes os médicos não observam a relação entre o bebê e as pessoas, porque focam o aspecto orgânico”, aponta Cristina Keiko Inafuku de Merletti, psicóloga da ONG Lugar de Vida, especializada no acompanhamento de autistas. Ela alerta que, quando o autismo é leve, exames eletroencefalográficos, genéticos e de neuroimagem às vezes não acusam alterações significativas. Daí, mais do que nunca, conta a percepção dos pais no dia a dia.

    Vale notar até mesmo se o pequeno se incomoda com o toque, com alguns sons e com certas texturas de alimentos, o que chega a dificultar demais a transição do leite para as comidas sólidas. Como o autista tem os sentidos afetados, isso também costuma ocorrer.

    Em casa, nota-se a ausência de fala, uma aparente surdez e os movimentos pendulares estereotipados de tronco, mãos e cabeça. Já os especialistas analisam transtornos de linguagem, de socialização, comportamentos restritos e repetitivos. O espectro autista é diferenciado pelos graus de comprometimento dessas características (saiba detalhes abaixo). A doença atinge mais meninos – quatro para cada menina -, e metade dessas crianças tem ainda algum retardo mental.

    Muitas vezes são diagnosticadas enfermidades associadas, como convulsões, e até epilepsia. Encrencas gastrointestinais são igualmente comuns. Como não mostram o que sentem, principalmente a dor, os pais devem ficar de olhos abertos. Crises de ansiedade e até a agressividade também afetam o tratamento. Nesses casos, a medicação para tranquilizar é uma grande aliada. Especialistas brasileiros e americanos já iniciaram os testes com o hormônio oxitocina, ligado à afetividade, como alternativa.

    As avaliações são individuais, mas as terapias costumam ser feitas em grupos para estimular a socialização. Englobam o acompanhamento comportamental, o pedagógico e o aprimoramento da comunicação. “E, quanto mais cedo as intervenções forem iniciadas, maiores são os progressos, principalmente nas relações afetivas, nas atividades diárias e motoras”, ressalta Daniel Messinger, líder do estudo americano.

    Carolina Ramos Ferreira, coordenadora pedagógica da Associação de Amigos do Autista (AMA), reforça que é importante dar continuidade em casa ao trabalho realizado pelos especialistas. “É preciso incentivar, ensinar a se vestir, a escovar os dentes e a comer sozinho. O excesso de proteção pode fazer com que os pais bloqueiem ainda mais a autonomia dessas crianças e jovens”, alerta.

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    Família preparada
    Portanto, o grande desafio é orientar a família. Cristina Keiko, da ONG Lugar de Vida, acha que a mãe e o pai costumam receber a notícia de forma inadequada, quase técnica, e transformam-se em pesquisadores, deixando de perceber as nuances do desenvolvimento infantil. Aliás, muitas entidades oferecem cursos para o aprimoramento dos pais, mas esses espaços especializados são escassos para dar conta da demanda.

    Com um bom acompanhamento, o autista pode ficar com menos limitações e até frequentar a escola regular com alguém servindo de apoio. Tudo vai depender do grau da deficiência. Por isso, a observação é fundamental para captar detalhes valiosos que ajudam a entrar nesse mundo tão especial.

    Fugir de casa é mais um sintoma
    Quase metade dos autistas americanos com menos de 4 anos já deu algumas escapadas. É o que revela um estudo do Instituto Kennedy Krieger com 1,2 mil famílias. Na maioria das vezes, o que motiva essas crianças é chegar a algum lugar específico. Os números são alarmantes, já que elevam o risco de acidentes. Pelo menos 65% dos fujões foram atropelados ou quase atropelados. Outros 24% sobreviveram a afogamentos.

    Diagnóstico unificado em 2013
    O manual americano psiquiátrico, usado como uma das principais referências para doenças mentais, ganhará uma quinta e polêmica revisão no ano que vem. Ele eliminará as diferenças das síndromes do espectro autista – o nome Asperger deixaria de existir, por exemplo. Especialistas temem que isso prejudique a investigação dos casos. “O risco é que os pacientes sejam classificados com uma rotulação patológica muitas vezes equivocada”, alerta a psicóloga Cristina Keiko. Entenda a diferença:

    Autismo clássico É uma pane neurofisiológica, que cria obstáculos para o processamento cerebral. A sociabilidade é sempre comprometida. Nos casos mais graves, a fala chega a ser afetada. Nos moderados, há uma interação com o mundo, porém mais passiva.

    Asperger Menos grave, tem características semelhantes às do autismo, como o interesse restrito por objetos e problemas de socialização. Atinge sete meninos para cada menina. Mas, no caso, inteligência e memória fora do comum roubam a cena.

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