• Imagine que, em algumas horas, você fará a entrevista de emprego para a vaga dos seus sonhos. Enquanto se arruma na frente do espelho, o coração fica acelerado, o estômago se remexe todo, a pele se enche de suor e as pernas bambeiam. Ao mesmo tempo, a cabeça é inundada por um turbilhão de pensamentos e incertezas. “E se a moça do RH não gostar de mim? E se eu falar uma bobagem? E se a conversa for em inglês?” Estamos diante de um clássico episódio de ansiedade, sentimento natural e comum às mais variadas espécies de animais, entre elas os seres humanos. Veja: na dose certa, ela é proveitosa e garante até hoje a nossa sobrevivência.

    “Quando nos preocupamos com algo que pode vir a acontecer, tomamos uma série de medidas para resolver previamente aquela situação”, diz o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Do mesmo modo que nossos antepassados estocavam comida para não sofrer com a fome nos períodos de estiagem e um macaco evita certos lugares da floresta por saber que lá ficam os predadores que adorariam devorá-lo, hoje elaboramos eventuais respostas às perguntas da entrevista de emprego ou estudamos com afinco antes de uma prova difícil. Ao contrário do medo, que é uma reação a ameaças concretas, a ansiedade está mais para um mecanismo de antecipação dos aborrecimentos futuros.

    O transtorno começa quando essa emoção passa do ponto. Em vez de mover para frente, o nervosismo exagerado deixa o indivíduo travado, impede que ele faça suas tarefas e atrapalha os seus compromissos. “Isso lesa a autonomia e prejudica a realização de atividades simples e corriqueiras”, caracteriza o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria.

    Aí, sair de casa torna-se um martírio. Entregar o trabalho no prazo é praticamente missão impossível. Convites para festas e encontros viram alvo de desculpas. A concentração some, os lápis são mordidos, as unhas, roídas… e a qualidade de vida cai ladeira abaixo.

    Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento com estatísticas dos distúrbios psiquiátricos ao redor do globo. Os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos – desses, 18 milhões são brasileiros. Nosso país, aliás, é campeão nos números dessa desordem, com 9,3% da população afetada. A porcentagem fica bem à frente de outras nações: nas Américas, quem chega mais perto da gente é o Paraguai, com uma taxa de 7,6%. Na Europa, a dianteira fica com Noruega (7,4%) e Holanda (6,4%).

    Afinal, o que explicaria dados tão inflados em terras brasileiras? “Fatores como índice elevado de desemprego, economia em baixa e falta de segurança pública representam uma ameaça constante”, responde o psiquiatra Pedro Eugênio Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Preocupações com a saúde, notícias políticas e relações sociais também parecem influenciar por aqui.

    Apesar de os achados da OMS assustarem, é um erro considerar que estamos na era mais ansiosa da história – muitos estudos sugerem justamente o contrário. Em primeiro lugar, a ansiedade só passou a ser encarada com mais coerência a partir dos escritos de Sigmund Freud (1856-1939) e foi aceita nos manuais médicos como um problema de saúde digno de nota a partir da década de 1980. Portanto, é impossível comparar presente e passado sem uma base de dados confiável.

    Além disso, com raras exceções, vivemos um dos momentos mais tranquilos de toda humanidade. Há quantas décadas não temos batalhas ou epidemias de grandes proporções? O que acontece hoje é uma mudança nos gatilhos: se atualmente nos preocupamos com a iminência de um assalto ou de uma demissão, nossos pais se afligiam pela proximidade de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética e nossos avós perdiam noites de sono com o avanço nazista sobre França e Polônia durante a Segunda Guerra Mundial.

    Existem, porém, alguns fatores que são patrocinadores em potencial de ansiedade independentemente do intervalo histórico. A infância, por exemplo, é fundamental. “Crianças que passaram por abuso ou negligência têm um risco duas a três vezes maior de sofrer com transtornos mentais na adolescência ou na fase adulta”, descreve o psiquiatra Giovanni Abrahão Salum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A genética e a própria convivência próxima a um familiar com os nervos à flor da pele já elevam a probabilidade de desenvolver a condição posteriormente.

    Como saber se eu tenho ansiedade?

    A despeito de existirem tantos ansiosos por aí, ainda penamos com a demora no diagnóstico. De acordo com um estudo da americana Universidade Harvard, sujeitos com os quadros graves e agudos levam em média sete anos para buscar o auxílio de um profissional de saúde.

    Nos casos em que os sintomas são mais leves e perenes, essa delonga se arrasta por 16 anos. Esse desperdício de tempo valioso faz o quadro evoluir para enfermidades ainda mais sérias, como o alcoolismo e a depressão. Para ter ideia, estima-se que, de cada cinco pacientes depressivos, quatro deles tiveram ansiedade lá no início.

    “Infelizmente, persiste um preconceito com os transtornos mentais na nossa sociedade. Para muitos, o psiquiatra segue como o ‘médico de loucos’”, lamenta Nardi. Já passou da hora de virar a chavinha, né?

    As doenças que abalam a mente devem ser abordadas com o mesmo respeito e seriedade de diabetes, câncer ou qualquer outra moléstia do corpo. Se você sentir alterações de humor ou se estiver de alguma maneira incomodado com pensamentos que não saem da sua cabeça, procure um profissional. A avaliação com base em um questionário respondido no consultório já ajuda a flagrar a ansiedade e nortear a abordagem terapêutica.

    Como a ansiedade surge e de que forma afeta o organismo

    1. A todo momento, nosso cérebro analisa o ambiente e identifica possíveis ameaças. Áreas como o hipocampo e a amígdala são responsáveis por fazer essa varredura.

    2. Diante de um provável risco, o sistema nervoso dispara uma série de reações. As glândulas suprarrenais, que ficam acima dos rins, liberam doses extras dos hormônios adrenalina e cortisol.

    3. Essa dupla de substâncias dilata os vasos sanguíneos, faz o coração bater mais rápido e prepara os músculos para a ação. É daí que vêm taquicardia, suor, tremedeira, falta de ar…

    4. Adrenalina e cortisol alcançam o cérebro, onde estimulam a produção de neurotransmissores que deixam certas regiões da massa cinzenta em estado de alerta.

    5. No transtorno de ansiedade, uma ou mais etapas desse processo funcionam de modo exagerado. Qualquer estímulo é considerado um perigo e gera respostas de forma desnecessária.

    Os seis principais tipos de ansiedade

    Fobia social: Medo exacerbado e irracional de participar de festas, aulas, reuniões e eventos com pessoas desconhecidas. O grande receio é ser avaliado, julgado, ridicularizado ou criticado por esses estranhos. Falar em público é motivo para travar, suar em bicas, ter taquicardia e até sentir a memória falhar.

    Fobia: Temor crônico e paralisante de objetos, animais ou situações específicas, como medo de buracos, de aranhas ou de lugares altos. Esse sentimento pode surgir a partir de uma experiência real ou se principiar por meio de um pensamento particular e até uma notícia marcante. Já foram descritas mais de 500 versões.

    Ataque de pânico: Sem nenhuma razão, o indivíduo sente que vai morrer: o coração dispara, o corpo estremece, surgem náuseas e vômitos. Muitas vezes, ele corre para o pronto-socorro por acreditar que está sofrendo um infarto e sai do hospital sem diagnóstico. Depois de alguns minutos aflitivos, tudo volta ao normal.

    TAG: Sigla para transtorno de ansiedade generalizada. Há uma sensação incômoda e persistente de que algo vai dar errado a qualquer minuto e a vida vai fugir de sua direção quando menos se espera. Nesse ciclo de preocupações sucessivas, os problemas são muito valorizados, enquanto a própria capacidade de resolvê-los é subestimada.

    TOC: O transtorno obsessivo-compulsivo é marcado por pensamentos invasivos que somente são aliviados quando se repete um comportamento padronizado sem sentido lógico. É o exemplo do sujeito que precisa acender e apagar o interruptor três vezes senão um parente vai morrer ou aquele que lava as mãos várias vezes seguidas.

    Estresse pós-traumático: Muito corriqueiro em soldados que retornam da guerra e em vítimas de atentados ou desastres naturais, o transtorno de estresse pós-traumático faz com que a experiência ruim não saia da mente e volte a atormentar por meio de flashbacks. Junto com as lembranças, manifestam-se insônia, irritabilidade e pânico.

    Como é feito o tratamento

    A primeira coisa que você deve saber é que as opções disponíveis são seguras e ajudam a melhorar e controlar a situação. Existem dois grandes pilares nessa área: a psicoterapia e os medicamentos. “Nós avaliamos cada caso e lançamos mão de um método ou outro, ou até mesmo eles em conjunto, a depender do tipo de ansiedade e do seu grau”, explica a psicóloga Michelle Levitan, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

    O ataque de pânico grave, por exemplo, exige a prescrição de alguns fármacos logo de cara. Já uma TAG moderada responde bem a sessões de terapia. Quem vai bater o martelo sobre o caminho ideal é o médico.

    Entre as abordagens psicológicas, aquela que mais se destaca em eficácia pelo número de evidências científicas é a terapia cognitivo-comportamental. “Nosso objetivo é identificar a crença que está atrapalhando o indivíduo e, a partir daí, transformá-la em um pensamento novo, que mude suas atitudes e a forma como ele enxerga a vida”, descreve o terapeuta Juan Carlos Picasso, diretor da Rituaali, clínica e spa no Rio de Janeiro.

    É um processo de dentro para fora: por meio da conversa, o profissional de saúde faz o paciente refletir sobre alguns de seus temores para, assim, conseguir modificá-los com o passar do tempo.

    Entre os medicamentos, os mais prescritos são os inibidores seletivos de recaptação de serotonina/noradrenalina. Receitados também contra a depressão, esses comprimidos reequilibram a química cerebral e afastam o risco de crises ou recaídas. Seu ponto fraco é a demora para aparecerem os resultados. Isso pode levar semanas, até meses.

    É aí que entra outro grupo medicamentoso: os benzodiazepínicos, calmantes por natureza que já mostram serviço após um ou dois dias. Mas eles são utilizados com bastante critério e somente em algumas situações, pois estão relacionados a efeitos colaterais e dependência se tomados em longo prazo. Não custa reforçar: é vital obedecer direitinho as recomendações de tempo e dosagem definidas pelo especialista.

    Por fim, há medicações de apoio que atuam sobre sintomas específicos. Os betabloqueadores diminuem os episódios de taquicardia. Fármacos para a tireoide corrigem desvios do metabolismo – se essa glândula está bagunçada, pintam cansaço, prostração e até queixas de ansiedade. Mulheres que entram na menopausa precisam fazer um checkup dos hormônios para ver se eles não estão impactando o bem-estar…

    Reforma do estilo de vida

    De nada adianta sentar no divã ou tomar comprimidos se alguns hábitos e pensamentos não forem modificados. Aposte numa alimentação equilibrada e variada. Invista em noites de sono tranquilas e reparadoras. E, principalmente, comece já uma rotina de exercícios.

    “Além de elevar o ânimo, a atividade física atua na capacidade cerebral, aprimorando a comunicação entre os neurônios”, justifica Nardi. Meditação, relaxamento e atenção plena – o popular mindfulness – também são uma mão na roda: pesquisas demonstram o seu papel de peso contra a ansiedade.

    No final das contas, às vezes vale se perguntar sobre a necessidade de entrar num tratamento. Ora, se eu tenho medo de bichos e moro em São Paulo, qual o real dano que essa fobia me traz? “O segredo está em fazer um bom exame da pessoa, de seu contexto e do prejuízo envolvido”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

    Desse modo, dá pra evitar que sentimentos absolutamente normais sejam encarados como doenças e tratados com remédios. Contudo, a medicalização da vida, tema que suscita debates na Europa e na América do Norte, está longe de ser realidade no Brasil, onde se estima que só 30% dos pacientes com transtornos mentais recebam uma terapia adequada.

    Em uma palestra inspiradora para o TEDx, conjunto de seminários que ocorre em várias cidades do mundo, a psiquiatra Olivia Remes, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, expôs sua experiência na área da ansiedade. Segundo seu relato, mulheres que moram em áreas pobres apresentam maior risco de desenvolver o transtorno do que aquelas que vivem nos bairros ricos. Até aí, nenhuma novidade. Mas em seu trabalho de observação, a cientista descobriu que existem três atitudes certeiras para lidar melhor com a agonia excessiva.

    A primeira delas envolve colocar a mão na massa. “Você se pega adiando o início de algo simplesmente por não sentir que está preparado o suficiente para aquela tarefa? Você tende a gastar muito tempo decidindo o que fazer e, na prática, não acontece nada?”, pergunta Olivia, no vídeo de sua palestra, disponível no YouTube. Para quebrar esse ciclo, a recomendação é criar coragem e fazer aquilo que você precisa, mesmo que da primeira vez o resultado não seja lá um primor. O aprendizado com os erros e com os acertos nas diversas tentativas é que faz a gente ser bom em algo. “Essa estratégia apressa nossa tomada de decisões e nos empurra para a ação, o que nos coloca de volta no controle de nossas vidas”, declara.

    O segundo passo é se perdoar por qualquer erro que tenha cometido no passado. Pessoas ansiosas ficam remoendo suas próprias gafes e mancadas, de modo que não conseguem focar em outras coisas realmente relevantes que estão à sua frente.

    Não coloque tanta ênfase nos seus defeitos e incapacidades. No lugar disso, pense naquilo em que você é craque – e, assim, reverta esse seu ponto forte em algo de bom para a comunidade. “Você faz pelo menos uma coisa pensando no próximo? Pode ser um trabalho voluntário, ou compartilhar um conhecimento adquirido. Dividir com os outros vai melhorar pra valer a sua saúde mental”, finaliza a psiquiatra britânica.

    Outro passo fundamental é nunca fugir daquilo que o aflige. “A ansiedade faz com que vejamos um mundo extremamente ameaçador e isso leva a uma inibição comportamental”, destaca a psicobióloga Milena de Barros Viana, da Universidade Federal de São Paulo.

    Se medos e temores são evitados, alimentamos esse fantasma até o ponto em que ele se torna um obstáculo intransponível, que impede a promoção no trabalho ou o primeiro encontro com o amor das nossas vidas. “Para sair desse estado de hesitação, enfrente esses incômodos”, orienta Milena.

    O copo meio cheio

    Domar a ansiedade pode até aumentar nossa produtividade no serviço ou garantir uma rotina mais organizada – que tal adotar uma agenda para anotar todos os compromissos, projetos, aflições e questões existenciais? Lembra que no começo da reportagem dissemos que essa sensação é natural e nos livra de enrascadas?

    “Ao prever as possibilidades, podemos usar e abusar de nosso lado criativo na busca por soluções inovadoras e eficazes para os problemas que se apresentam”, sugere a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes Ansiosas (Editora Principium/Globo). Quem sabe a próxima ideia que vai revolucionar o mundo não saia de uma inquietação de sua cabeça?

    Por fim, acabe de vez com a noção de que um dia você vai se livrar desse sentimento. Encare-o mais como uma ferramenta essencial para sua sobrevivência. “Temos que aceitá-lo como um preço que pagamos para conseguirmos passar no vestibular, paquerar, enfim, vivermos de acordo com nossos valores”, raciocina o médico Márcio Bernik, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Chega de arrancar cabelos, roer unhas ou comer o lápis: os traumas passados e as preocupações futuras fazem parte da biografia de qualquer um. Aceitá-los é o primeiro passo para ter uma vida completa, feliz… E com a ansiedade sob controle.

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  • Tarefas do dia-a-dia podem se tornar muito complicadas para pessoas com o transtorno de ansiedade – mas, segundo um estudo publicado no jornal científico Brain Sciences, um nível moderado desse sentimento até bombaria a nossa memória.

    Pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, recrutaram 80 alunos com ansiedade. Todos observaram palavras escritas sobre diferentes imagens. Os resultados mostraram que participantes com níveis controláveis de ansiedade memorizaram mais detalhes e expressões.

    Segundo Myra Fernandes, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Waterloo e coautora do estudo, há uma explicação para isso. “Há algum grau positivo de ansiedade que beneficia a memória”, falou, à Business Insider. “Mas nós sabemos, por outras pesquisas, que altos níveis podem impactar negativamente a memória e a performance”, alertou.

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  • Estresse 18.12.2010 No Comments

    Complexo e repleto de ligações, o cérebro reage de maneiras diferentes a cada situação enfrentada no dia a dia do trabalho.

    A cobrança por um resultado rápido desencadeia uma poderosa onda de estresse. E aquele projeto complicado faz com que a ansiedade mande constantes mensagens de alerta.

    Na entrevista a seguir, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, de 37 anos, diretora do Laboratório de Neuroanatomia Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de cinco livros, entre os quais Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor (Editora Sextante), explica como essas emoções podem ser benéficas ou perigosíssimas para o desempenho e para a motivação profissional.

    O que ocorre com o corpo, do ponto de vista da neurociência, quando um profissional passa por situações estressantes no trabalho?

    O estresse nada mais é do que uma força que provoca transformações mentais e físicas no corpo. O coração dispara, a pressão arterial aumenta e o cérebro reage para que possa enfrentar novos problemas.

    A princípio, o estresse é bom, porque faz com que os níveis de atenção cresçam. Isso só acontece quando o profissional sente que tem controle sobre a situação e que é capaz de encontrar soluções para o problema.

    O estresse se torna perigoso no momento em que a pessoa acha que não consegue dar conta do trabalho e entra num estado de paralisia. A situação fica drástica quando alguém precisa fazer grandes esforços para tentar driblar um desafio e não chega a lugar nenhum.

    O que fazer para ter mais qualidade de vida?

    Três fatores são importantes: lazer, sono e exercício. O primeiro passo é parar de pensar nos problemas assim que o expediente terminar.

    Um profissional não consegue relaxar se for para casa e ficar remoendo as obrigações do dia seguinte. Desligar- se é vital.

    O lazer ajuda nessa tarefa, pois faz com que o cérebro se ocupe com atividades prazerosas e se sinta satisfeito e recompensado.

    Como o sono e a atividade física ajudam?

    O sono faz com que o cérebro registre as atividades desenvolvidas durante o dia e crie estratégias para resolver novos problemas. Uma boa noite de sono ajuda a regenerar os neurônios do hipocampo, parte do cérebro que cuida da memória recente. Essas novas células ampliam a capacidade de aprendizagem e auxiliam na administração do estresse.

    Os exercícios também mantêm o hipotálamo em bom funcionamento. Mas tem que ser alguma atividade física que dê prazer. Caso contrário, o cérebro vai encontrar mais um motivo para se estressar.

    Uma das queixas mais comuns entre os profissionais é a dificuldade de planejar tarefas. É possível treinar o cérebro para ter uma organização mental?

    Sim. Nós temos uma agenda interna no hipocampo que funciona como uma lista de tarefas, armazenando as informações mais novas do dia. Para funcionar bem, o cérebro precisa priorizar essas atividades e diminuir a complexidade dos problemas. Esse é o segredo do bom planejamento mental.

    A satisfação aparece quando nós resolvemos aquilo que nos deixa angustiados. Por isso é importante dividir

    os grandes problemas em pequenos desafios, que podem ser resolvidos com mais facilidade, e traçar uma estratégia simples para solucioná-los.

    A motivação é um dos pontos-chave para que uma pessoa se sinta realizada com o trabalho. Como controlamos esse sentimento?

    Quando tem uma decisão a tomar, o cérebro ativa o sistema de recompensa, localizado no córtex cingulado, responsável por avaliar as chances de sucesso e fracasso de uma empreitada.

    Se o cérebro determina que o fracasso é o resultado mais provável, o corpo não sai do lugar.

    A motivação só acontece quando a mente manda o sinal de que há pelo menos 50% de chance de uma atividade ser bem-sucedida. É a antecipação do sucesso e a sensação de uma recompensa futura que estimulam uma pessoa a se dedicar a uma tarefa, por mais desgastante que seja.

    Com a redução das equipes, os profissionais têm mais objetivos para cumprir e menos tempo para entregar bons resultados. Qual é a reação do cérebro nesses casos?

    A manifestação mais comum é a ansiedade, quando o cérebro manda sinais de preocupação com problemas que ainda não existem, mas que aparecerão logo mais. A inquietação com o futuro é maravilhosa, porque é uma maneira de se preparar antecipadamente para o que está por vir.

    Por mais que os chefes insistam que é preciso estar atento e bem informado para as metas do próximo mês, a pressão interna causada pela ansiedade é completamente pessoal e inevitável.

    Em que medida a ansiedade, uma doença comum hoje em dia, pode ser prejudicial ao trabalho de uma pessoa?

    A ansiedade fica perigosa quando a inquietação é tanta que o cérebro se convence de que não tem nenhum domínio sobre as situações futuras e começa a fazer avaliações exageradas sobre o tamanho do problema a ser resolvido. Isso faz com que a mente fique incapacitada para agir.

    Se essa sensação persiste por um longo período, surge o estado ansioso crônico, uma doença que precisa ser tratada com remédios e terapia.

    É comum que subordinados imitem as atitudes de seus chefes, tanto as boas quanto as ruins. Por que isso ocorre?

    Há um sistema no cérebro que nos faz ser capaz de repetir mentalmente as ações das pessoas com as quais convivemos, são os neurônios espelho (é por causa deles que bocejamos logo depois de alguém, por exemplo).

    Esse mecanismo nos faz imitar o outro e intuir quais são suas intenções. Mas, para isso, é preciso ter identificação. Se o funcionário não se identificar com o líder, vai refutar suas ações.

    Por que é importante estar disposto a enfrentar novos desafios?

    Se um profissional se mantém o tempo todo na zona de conforto, sem pensar em nada de diferente, a mente fica entediada e não cria novas maneiras de resolver problemas. E do que o cérebro mais gosta é ser desafiado, desde que se sinta apto para encontrar soluções.

    Esse é o ponto mais importante: a sensação de autonomia. As empresas têm que dar certa liberdade para seus funcionários poderem tocar novos projetos. Quem não tem um mínimo poder dentro das corporações fica estressado, se sente incapaz e se torna uma bomba ambulante de estresse.

    O jornalista Malcolm Gladwell, autor do livro Fora de Série, diz que para se destacar em determinada área é necessário repetir uma atividade por 10 000 horas. Qual a importância da prática para o desenvolvimento cerebral?

    Só o talento não transforma alguém num gênio. A prática e a motivação são fundamentais para que o cérebro se acostume a uma tarefa e encontre as melhores maneiras de realizá-la. Para conseguir dedicar tempo a uma atividade, é necessário que uma pessoa encontre algo que adore fazer.

    Só conseguimos repetir tantas vezes a mesma tarefa se o nosso cérebro se sentir recompensado e feliz com isso. Quem ainda não encontrou sua vocação precisa experimentar novas atividades. Sair da zona de conforto é o melhor remédio.

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  • Alba Prizão, 27, desenvolveu distúrbios de ansiedade por causa do excesso de informação equivocada na rede.

    Dor de cabeça ou tumor? Um sintoma cabe em muitas doenças e a confusão é comum, em tempos de doutor Google. Muita gente prefere “ele” à consulta médica, na busca da causa do mal-estar.

    A hipocondria digital é um mal contemporâneo batizado de cybercondria. O fenômeno preocupa os médicos, porque além de causar autodiagnóstico e automedicação, pode evoluir para ansiedade e síndrome do pânico.

    De acordo com pesquisas internas do Google, 61% dos americanos adultos buscam informações de saúde. A grande oferta de sites especializados colabora para a autossugestão.

    Um exemplo é o site americano de informações de saúde WebMD, que disponibiliza uma animação do corpo humano para o autodiagnóstico. O usuário clica na região onde tem dor e ele abre uma tabela com sintomas que corresponderiam à determinada área e à doença relacionada.

    A cybercondria, em diferentes graus, já aparece no cotidiano dos profissionais.”Os pacientes já chegam ao consultório com informações da internet e ainda fazem buscas após a consulta”, afirma Paulo Olzon, clínico-geral da Unifesp.

    O médico alerta os desavisados que determinado sintoma pode ser comum a dezenas de doenças e destaca a importância da relação de confiança entre médicos e pacientes. “Na hora que a pessoa fica sem referência, vai buscar por conta própria e acaba se atrapalhando.”

    FALSOS SINTOMAS

    Aconteceu com a administradora de empresas Alba Prizão, 27. Ela desenvolveu distúrbios de ansiedade por causa, em grande parte, do excesso de informação equivocada na rede.

    Alba começou as loucas buscas por sintomas e doenças depois que teve uma reação alérgica provocada por uma taça de vinho tinto. Ela conta: “Fui à farmácia, o farmacêutico disse para eu ir ao hospital tratar a reação. Falou que alergia pode evoluir para choque anafilático, mas que não era meu caso”.

    No pronto-socorro, a administradora foi diagnosticada com alergia e medicada, mas não chegou a ir a um médico. Começou a pesquisar sobre choque anafilático no computador e descobriu que era um problema sério.

    Depois disso, foi parar no hospital diversas vezes com sintomas da reação alérgica. “Tinha sempre os mesmos: taquicardia, garganta fechando e tremedeira.”

    O psicoterapeuta e professor da PUC-SP Antonio Carlos Pereira explica que o corpo reage a situações criadas pelo cérebro: toda a fisiologia pode ser afetada por ideias, daí o risco de conclusões sobre doenças baseadas no dr. Google. Isso posto, ele defende o direito do paciente buscar na rede o significado do jargão usado pelo médico.

    Alba deixou de usar xampu, desodorante e sabonete na época, por medo. “Tirei todas as conclusões pela internet, fuçava tudo.”

    Na última ida da moça ao pronto-socorro, uma médica disse que ele deveria consultar um psiquiatra, pois seu problema era psicológico. Alba foi diagnosticada com ataques de ansiedade.

    O supervisor do programa de ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP Luiz Vicente de Mello explica que o medo desencadeia as histaminas, substâncias que nos defendem dos corpos estranhos que nos atacam. “Há relação entre o sistema de alergia e o de emoção. Quem é muito tenso desenvolve sintomas físicos, somáticos.”

    Hoje, os ataques de Alba cessaram e ela frequenta o especialista uma vez por semana. As buscas na rede diminuíram, mas o fácil acesso ainda lhe parece tentador. “Meus pais e meu médico me proibiram de entrar na internet para procurar doença. Tento não fuçar muito, mas ainda olho”, entrega.

    Mello afirma que as pesquisas on-line devem ser criteriosas. “Sites confiáveis, ligados a faculdades, ajudam a esclarecer. Já os alternativos podem fornecer informações errôneas e quem não conhece os termos técnicos pode confundir uma doença com outra e transformá-la em preocupação excessiva.”

    No Brasil, 10% a 15% da população sofre de ansiedade, segundo dados do Instituto de Psiquiatria da USP, enquanto apenas 2% a 4% são hipocondríacos.

    Mas o interesse dos pacientes que sofrem desses dois distúrbios é o mesmo: descobrir se têm determinada doença. A ansiedade é tratada com antidepressivos e psicoterapia, enquanto a hipocondria, com terapia cognitiva comportamental.

    A consulta médica deve ser soberana, de acordo com o supervisor do instituto. “O paciente não pode procurar nada sem avaliação clínica médica, senão é induzido a comprar remédios que podem fazer mal e ocultar uma doença mais grave.”

    Fonte Folha

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  • Dicas, Doenças 12.11.2009 No Comments

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    Desânimo sem explicação aparente, dores no corpo, falta de motivação para continuar aquela atividade de que tanto gosta e uma vontade enorme de ir embora logo após chegar ao trabalho. Se você está com algum desses sintomas, fique de olho, pode ser estafa.

    De origem emocional ou física, ela pode atingir crianças e adultos e compromete o desempenho na escola, no trabalho e na relação com as demais pessoas no dia a dia, tornando todas as atividades, antes prazerosas, em obrigações desgastantes e chatas. Por alterar todo o funcionamento do organismo, pode desencadear outras doenças como hipertensão, fobias e ansiedade, problemas cardíacos e gastrite. “Se você ficar acumulando tensões e cansaço, vai virar uma panela de pressão e uma hora ela explode e faz um estrago maior”, alerta o fisiologista da Unifesp, Claudio Pavanelli.

    “A estafa pode ser física (periférica) ou mental (central) e está muito ligada a rotina que o paciente leva, por isso, antes de prescrever qualquer medicamento, pergunto se ele tem dado conta de todos os afazeres que estão sob sua responsabilidade ou se ele está passando por algum problema afetivo, só assim é possível tratar o problema”, explica Claudio.

    Ai que cansaço!

    Treino, caminhada, corre-corre com as crianças e muito cansaço. Mais popularmente conhecida como fadiga, a estafa periférica se caracteriza por dores musculares e cansaço físico ocasionados principalmente pela combinação entre desgaste excessivo (sem respeitar o tempo de recuperação) e pela má alimentação. “Não tem quem suporte esse ritmo frenético, é fadiga na certa”, explica o fisiologista. “Nestes casos, o tratamento é uma mudança radical na rotina e na alimentação. Geralmente estas duas ações resolvem o problema”, continua. “Se não for tratada, pode desencadear outras doenças como: anemia, prisão de ventre, diarreia e até queda de cabelo“, diz Claudio.

    Mente e corpo em equilíbrio

    A forma mais comum da estafa é a fadiga mental. Caracterizada pela alteração do sistema nervoso central, ocorre em função do excesso de responsabilidades e tensões acumuladas que provocam um desgaste metabólico e mental muito grande. “O cansaço mental é tamanho que o paciente chega a sentir dor física. As pressões psicológicas se refletem no corpo”, explica o fisiologista. “Neste caso, a melhor indicação é o relaxamento. É preciso rever a maneira como lidamos com os nossos problemas e frustrações. Às vezes, uma mudança simples de postura pode te livrar de um dano maior a saúde”, continua.

    “A estafa mental é muito mais grave do que a física porque tende a causar danos psicológicos e físicos. Caso não seja tratada adequadamente pode provocar doenças como: falha de memória, insônia, irritabilidade, desânimo, tristeza profunda e angústia“, explica Claudio.

    Estresse x estafa

    Muita gente confunde, mas estafa e estresse são problemas diferentes. Algumas diferenças ajudam a diferenciar os dois quadros. A fadiga ou estafa é um sintoma do estresse, mas não a a sua causa. No estresse, a intensidade da fadiga é maior e a maneira como nosso organismo reage a estes sintomas é bem diferente. Enquanto a estafa pode ser tratada com mudanças de hábitos ou tratamento médico, o mesmo não ocorre com o estresse, uma espécie de estágio crônico das duas formas de fadiga. “O grau de irritabilidade e da dor sentida no estresse é maior, além disso, o estresse é muito mais mental do que físico, por isso, não adianta usar os mesmos procedimentos. É uma questão de intensidade e durabilidade da fadiga”, explica Claudio.

    Estafa central ou mental

    Sintoma

    – Falha de memória;
    – Insônia;
    – Irritabilidade e choro com facilidade;
    – Desânimo;
    – Tristeza e angústia;
    – Azia, má-digestão;
    – Palpitação;
    – Diminuição do desejo sexual

    Tratamento

    Relaxar é o lema para curar a estafa. “Muitas vezes o tempo que se “perde” indo ao cinema ou em um parque, por exemplo, é um ganho de saúde e bem-estar.

    É melhor parar agora do que perder o controle depois”, alerta o fisiologista.

    – Saiba aproveitar os momentos de lazer;

    – Converse sobre os problemas com os amigos ou com um profissional;

    – Cultive o bom humor;

    – Aprenda a relaxar;

    – Não faça várias tarefas ao mesmo tempo;

    – Procure resolver um problema de cada vez;

    – Organize suas prioridades;

    – Não leve preocupações do trabalho para casa;

    Estafa periférica ou física

    Sintomas

    – Dores no corpo
    – Apatia
    -Baixa resistência imunológica
    -Distensão muscular Tratamento
    -Pratique atividade física com moderação
    -Respeite o ritmo de seu corpo
    – Procure ter uma alimentação balanceada e saudável

    Algumas doenças causadas tanto pela estafa mental quanto pela física
    – Hipertensão arterial (pressão alta)
    – Doenças emocionais (ansiedade, pânico, fobias)
    – Doenças gastrointestinais (colite, gastrite e úlcera)
    – Doenças do coração (arritmia, angina e infarto)

    Fonte Canal 13

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