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Pesquisadora explica os potenciais benefícios do alimento para a memória e diante de problemas como Alzheimer, Parkinson e AVC

A ciência do envelhecimento tem avançado rapidamente e feito importantes descobertas sobretudo na área das doenças neurodegenerativas. Hoje já entendemos melhor os mecanismos por trás de problemas como Parkinson e Alzheimer, o que facilita a busca por compostos farmacológicos úteis à prevenção e ao tratamento. Nesse contexto, o gengibre, uma raiz utilizada há séculos pela medicina tradicional oriental, vem atraindo a atenção de pesquisadores e especialistas por apresentar potencial terapêutico frente a doenças neurológicas associadas ao avançar da idade.

Em uma revisão de estudos publicada em 2018 no periódico Pharmacology and Therapeutics, os cientistas destacam propriedades do gengibre capazes de combater males como o Parkinson e Alzheimer, bem como a perspectiva de o alimento melhorar a memória e reduzir a severidade dos danos causados por um acidente vascular cerebral (AVC).

De onde vem o efeito?
Antes de visualizar de que modo o gengibre pode repercutir no cérebro, precisamos entender os fenômenos que dão origem às doenças neurodegenerativas. O Alzheimer é caracterizado pela formação de placas beta-amiloide, que destroem progressivamente os neurônios, e pela redução do neurotransmissor acetilcolina. O nome é complicado, mas basta dizer que neurotransmissores são substâncias responsáveis pelo transporte de informação em nosso cérebro. A acetilcolina está particularmente relacionada ao aprendizado e à memória.

Pois experimentos de laboratório, em células e animais, demonstram que o extrato de gengibre diminui o acúmulo das tais placas beta-amiloide e minimizam a atividade de uma enzima que degrada a acetilcolina. O resultado: melhora nas funções cognitivas e redução da perda de células nervosas.

Na doença de Parkinson, por sua vez, há uma degradação dos neurônios que liberam outro neurotransmissor, a dopamina. Ela está diretamente envolvida com as funções motoras: sua insuficiência pode levar, portanto, a tremores, dificuldades ao caminhar etc. Estudos em modelo animal apontam que o gengibre também atua na redução da destruição desses neurônios, preservando e otimizando a capacidade motora das cobaias com Parkinson.

No caso do AVC isquêmico, o problema ocorre com a obstrução de uma artéria no cérebro que interrompe o fornecimento de sangue para um grupo de neurônios. Isso desencadeia danos oxidativos nesse órgão e a morte de células. Nos experimentos, o tratamento com extrato de gengibre combate o estresse oxidativo e diminui os danos aos neurônios. Na prática, isso atenua déficits físicos e comportamentais originários do AVC.

À parte os efeitos positivos diante de doenças neurológicas, existem indícios de que o gengibre pode melhorar a memória de pessoas saudáveis. Em pesquisa feita com mulheres, o consumo do extrato da raiz trouxe ganhos cognitivos: as voluntárias que consumiram gengibre apresentaram desempenho superior em testes de memória espacial e numérica, tempo de reação e reconhecimento de palavras.

Pensando em obter esses benefícios, o conselho por ora é usar a raiz como tempero ou na forma de chá — lembrando que o gengibre não substitui nenhum tratamento prescrito pelo médico. Nos dias mais frios, a infusão feita com a raiz dá aquela sensação de aconchego e ainda turbina a memória. Na temporada de calor, um smoothie com lascas de gengibre é refrescante e revigorante.

Uma recomendação importante é conversar com o profissional de saúde antes de usá-lo no dia a dia. Alguns compostos encontrados na raiz podem potencializar a ação de medicamentos que atuam na coagulação sanguínea, por exemplo. É com orientação e sem exageros que tiramos o melhor proveito desse alimento reverenciado há tanto tempo.

Pesquisadores dizem ter encontrado evidências de uma possível transmissão da Doença de Alzheimer durante procedimentos médicos, em um padrão semelhante ao observado com outro mal degenerativo cerebral, a Doença de Creutzfeldt-Jakob.

foto-imagem-alzheimer-cerebroEm um estudo publicado na revista científica Nature, cientistas da University College London argumentam que instrumentos cirúrgicos e agulhas poderiam apresentar um raro mas potencial risco de contágio.

É importante ressaltar que se trata de uma estimativa ainda teórica, feita com base em autópsias de cérebros de oito pacientes. Outros especialistas já refutaram os resultados do estudo, dizendo que eles são inconclusivos e que não significam que o Alzheimer possa ser contagioso.

Também não existem evidências de transmissão do Alzheimer entre pessoas, ou seja, não é possível pegar Alzheimer pelo contato com pessoas que tenham a doença.

Doença

O Alzheimer é um tipo de demência que é mais comum em pessoas de idade avançada. Trata-se de uma “morte” de células cerebrais e de um encolhimento do órgão, o que afeta muitas de suas funções. Cerca de 35 milhões de pessoas no mundo sofrem de Alzheimer.

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No Brasil, estima-se que a doença degenerativa afete cerca de 1,2 milhão de pessoas, muitas delas ainda não diagnosticadas.

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) pode afetar pessoas mais jovens.
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Análise: ‘Estudo deve ser visto com cautela’

Estudos como este talvez precisassem vir com um aviso: “pode causar alarme desnecessário”.

Dizer isso não significa desacreditar seu valor científico – os resultados são interessantes e importantes para aprofundar o conhecimento.

Mas eles devem ser interpretados com cautela: há muitos “se” para que seja possível chegar a qualquer conclusão firme.

Os cérebros observados são de um pequeno grupo de pacientes submetidos, anteriormente, a um tipo de tratamento que já foi abandonado há muitos anos.

Embora ainda não esteja claro o motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvam o Alzheimer e outras não, especialistas concordam que não é possível “pegar” a doença, como se fosse uma gripe.

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Há dois grandes sinais do Alzheimer que podem ser detectados por cientistas. O primeiro é um aglomerado de fragmentos proteicos da proteína beta-amiloide, chamados de placas amiloides. O outro é a presença de emaranhados de uma proteína conhecida como tau.

Quando a equipe de cientistas comandada John Collinge estudou os cérebros de pacientes recém-falecidos em função da Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD, na sigla inglesa), topou justamente com essas pistas.

Baixo

Todos os pacientes tinham contraído a doença através de injeções de hormônio de crescimento que receberam quando crianças. Entre os oito corpos estudados, sete tinham depósitos amiloides, algo surpreendente por causa da idade relativamente jovem (entre 31 e 51 anos) porque eles não tinham histórico familiar de Alzheimer.

Para Collinge, a descoberta sugere que os hormônios podem ter passado pequenas quantidades – ou “sementes” – de beta-amiloides, além das proteínas que causaram o CJD.

Isso significa que, em teoria, amiloides podem ser espalhados acidentalmente em procedimentos médicos e cirúrgicos e “semear” o Alzheimer.

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Estudos feitos em animais corroboram a tese, mas é preciso cautela.

Nenhum dos pacientes analisados teve diagnóstico de Alzheimer e não está claro se desenvolveriam demência. Também não há provas de que o acúmulo de amiloides estava diretamente ligado às injeções de hormônios.

Collinge, por sinal, afirma que mais estudos precisam ser feitos. Ele diz já ter contactado o Ministério da Saúde do Reino Unido para checar se existem antigos estoques de hormônio de crescimento que podem ser examinados para detectar a presença de amiloides.

“Não acho que seja causa para alarme. Ninguém precisa adiar ou cancelar cirurgias”, disse o cientista.

Tratamentos com injeções de hormônio de crescimento – extraídos de cadáveres humanos – foram interrompidos em 1985 depois de descoberto o risco de contágio com CJD. Testes especiais passaram a ser feito em hospitais para minimizar os riscos.

Para o médico Eric Karran, diretor da Alzheimer Research UK, entidade que promove pesquisas sobre a doença, as atuais medidas de profilaxia hospitalar já tornam o risco de contágio com CJD extremamente baixo, e mesmo que se confirme o risco de transmissão do Alzheimer, há fatores mais determinantes.

“Os principais fatores de risco do Alzheimer ainda são idade, genética e hábitos”, afirma Karran.

Um exame de sangue pode prever com precisão o aparecimento da doença de Alzheimer

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Eles mostraram que testes de nível de 10 gorduras no sangue permitiria detectar – com 90% de precisão – o risco de uma pessoa desenvolver a doença nos próximos três anos.

Os resultados, publicados na revista Nature Medicine, agora passarão por testes clínicos maiores.

Especialistas dizem que os resultados ainda precisam ser confirmados, mas que tal exame seria “um verdadeiro passo em frente.”

Há 44 milhões de pessoas vivendo com demência em todo o mundo, número que deve triplicar até 2050.

A doença ataca o cérebro “silenciosamente” por mais de uma década antes que os sintomas surjam. Os médicos acreditam que tratamentos com remédios estão falhando porque os pacientes estão sendo submetidos a eles tarde demais.

É por isso que a descoberta de um teste que prevê o risco de demência é uma das principais prioridades para o campo.

Pistas no sangue

Cientistas da Universidade de Georgetown, em Washington D.C., analisaram amostras de sangue de 525 pessoas com idade superior a 70 anos, como parte de um estudo de cinco anos.

Eles compararam os exames de 53 deles que desenvolveram Alzheimer, ou algum comprometimento cognitivo leve, com os de 53 que permaneceram mentalmente ágeis. Os pesquisadores encontraram diferenças nos níveis de lipídos, ou 10 gorduras, entre os dois grupos.

E quando a equipe olhou as outras amostras de sangue, esses 10 marcadores de Alzheimer permitiam prever em quem era provável que o declínio mental surgisse nos anos seguintes.

Howard Federoff, professor de neurologia na Universidade de Georgetown, disse à BBC: “Há enorme necessidade de um exame como este. Mas temos de testar com um maior número de pessoas antes que possa ser utilizado na prática clínica.”

Agora os pesquisadores estão investigando se o exame funciona para prever a doença com ainda mais antecedência do que três anos. Não está claro exatamente o que está causando as mudanças de gorduras no sangue, mas poderia ser um resíduo das primeiras mudanças no cérebro.

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Desafios éticos

Um teste bem sucedido para a doença de Alzheimer pode transformar a pesquisa médica e permitir testar tratamentos com medicamentos em um estágio muito anterior da doença.
Segundo Federoff, abrandar o ritmo da doença pode ter um enorme impacto: “Mesmo um pequeno atraso de sintomas já terá um benefício econômico tremendo só em termos do custo do atendimento.”

Simon Ridley, médico de uma ONG que pesquisa a doença no Reino Unido, disse que os resultados foram encorajadores.

“Para testar a eficácia de potenciais novos medicamentos, é importante ser capaz de recrutar pessoas para ensaios clínicos nas fases iniciais da doença, quando esses tratamentos são potencialmente mais eficazes”.

Doug Brown, médico da Alzheimer’s Society’s, outra instituição britânica especializada no tema, disse que o teste poderia representar desafios éticos.

“Se isso se desenvolver no futuro, deve ser dada às pessoas a possibilidade de escolha sobre se gostariam de saber, compreendendo plenamente as implicações”.

Cidade natal de Shakespeare, poesia vira terapia para Alzheimer

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Uma adolescente começa a ler um poema de Rudyard Kipling, rompendo o silêncio em uma sala cheia de idosos: “se puder manter a calma/quando todos à tua volta já a perderam”, quando um deles, doente de Alzheimer, completa com um murmúrio: “você será um homem, meu filho!”.

Para combater a perda de memória que afeta 800 mil pessoas no Reino Unido, instituições especializadas e hospitais estão recorrendo à poesia.

A melodia e o ritmo de versos conhecidos consegue bater na porta da memória, servem de “detonador que ativa” a palavra e as lembranças, explicou Jill Fraser. A associação “Kissing it Better”, que ela dirige, organiza leituras em asilos para idosos.

Quando os pacientes “escutam uma palavra que conseguem lembrar de um poema, eles ganham o dia”, contou Elaine Gibbs, diretora do lar para idosos Hylands, que abriga 19 velhinhos em Stratford upon Avon, terra natal de William Shakespeare, região central da Inglaterra.

Mais de 40% dos brasileiros acreditam que diabetes é doença exclusivamente de idosos, revela pesquisa Com os cabelos grisalhos presos e vestido florido, Miriam Cowley ouve com atenção uma jovem que lê o poema À Margarida, de William Wordsworth, um clássico nas escolas britânicas.
Esta antiga professora, que sofre com a perda de memória recente disse que “sabia o poema, mas tinha esquecido. Aprendi quando era menina”.

— Terei belos sonhos, sonhos tranquilizadores, de margaridas e árvores.

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Quando se chega a este centro, “todo mundo está sentado em seu canto e, de repente, você começa a ler um poema em voz alta e vê como o olhar deles se ilumina”, explicou Hannah Ciotkowski, uma voluntária de 15 anos.

Segundo Anita Wright, de 81 anos, ex-atriz da respeitada companhia Royal Shakespeare (RSC), que também lê neste lar e integra o projeto “Kissing it Better”, que conta com voluntários de 6 a 81 anos, “é maravilhoso quando se juntam a você para terminar um verso”.

O ritmo da poesia “cola no nosso eu mais profundo”, assegurou Lyn Darnley, que chefia o departamento de voz e texto da RSC.

— A poesia pode afetar, recuperar lembranças, não só emoções, mas também da profundidade da linguagem.

Anita Wright lembrou de uma experiência emocionante. Ela estava lendo um poema sobre um homem que se despedia da amada, quando uma idosa começou a chorar e lembrou da morte do namorado.

— Não tinha dito uma só palavra desde que entrou na instituição e este poema abriu as comportas porque remeteu a um episódio de sua vida.

Dave Bell, enfermeiro da organização Dementia UK, que luta contra o Alzheimer, disse que “a poesia não cura a senilidade”.

— Mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que lembram de algo. [Além disso], permite criar um laço entre gerações.

Hannah, de 15 anos, garantiu que “quando for velha, vou querer que as pessoas venham me ver para ler poemas e cantar músicas para mim”.

Mães que amamentam seus filhos têm um risco menor de desenvolver Alzheimer

foto-imagem-lactanciaA pesquisa também indicou a possibilidade de haver uma ligação mais ampla entre os dois fatores, já que amamentar pode pode atrasar o declínio da condição cognitiva da mulher.

Estudos anteriores já mostravam que a amamentação reduzia o risco de a mãe desenvolver outras doenças, mas esse é o mais indicativo no que diz respeito a transtornos cognitivos.

O estudo mostra que alguns efeitos biológicos da amamentação podem ser os responsáveis pela redução do risco de se desenvolver a doença.

Os pesquisadores estabeleceram três comparações hipotéticas, entre mulheres que amamentaram e outras que não amamentaram ou amamentaram menos, e verificaram reduções potenciais de até 64% no risco de as primeiras desenvolverem Alzheimer em relação às segundas.

Eles advertem, porém, que não é possível quantificar com exatidão a redução potencial do risco de Alzheimer, por conta do grande número de variáveis envolvidas – como tempo de amamentação, histórico de saúde da mulher, número de gravidezes e casos de Alzheimer na família, entre outras.

Progesterona e insulina
Segundo uma das teorias levantadas pelos pesquisadores de Cambridge, amamentar priva o corpo do hormônio progesterona, para compensar os altos níveis de protesgerona produzido durante a gravidez.

A progesterona é conhecida por dessensibilizar os receptores de estrogênios no cérebro – e o estrogênio tem um papel importante na proteção do cérebro contra o Alzheimer.

Outra teoria se baseia no fato de que amamentar amplia a tolerância da mulher à glicose, restaurando sua tolerância à insulina após a gravidez, um período em que há uma redução natural da resistência à insulina.

E o Mal de Alzheimer é caracterizado justamente pela resistência à insulina no cerébro (e consequentemente à intolerância à glicose), tanto que o mal de Alzheimer algumas vezes é chamado de diabetes tipo 3.

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Histórico de demência
Publicada no Journal of Alzheimer’s Disease, a pesquisa analisou 81 mulheres britânicas entre 70 e 100 anos, incluindo mulheres que sofriam ou não desse tipo de demência.

Apesar de os cientistas terem estudado o caso de um grupo pequeno de mulheres, eles garantiram que isso não interfere no resultado da pesquisa, dados os fortes indícios da correlação entre amamentar e os riscos de se desenvolver Alzheimer.

Eles disseram, no entanto, que a conexão entre os dois fatores foi bem menos presente em mulheres que já tinham um histórico de demência na família.

Com base nos dados coletados com as mulheres estudadas, os pesquisadores formularam três casos hipotéticos para indicar o potencial de redução do risco de Alzheimer pela amamentação:

No primeiro caso, na comparação de duas mulheres idênticas, uma que tivesse amamentado por 12 meses teria um risco 22% menor da doença em relação à outra que amamentou por 4,4 meses.

No segundo, uma mulher que tenha amamentado por oito meses após uma gravidez teria um risco 23% menor do que uma mulher em condições idênticas, mas que tenha amamentado por seis meses após três gestações.

No terceiro caso, a redução verificada foi de 64% para uma mulher que tenha amamentado em relação a outra idêntica que não tenha amamentado.

‘Doença devastadora’
A pesquisadora Molly Fox, que conduziu o estudo juntamente com os os professores Carlo Berzuini e Leslie Knapp, disse esperar que a pesquisa sirva para estimular outras sobre a relação entre o risco de doenças e o histórico reprodutivo de mulheres.

Fox espera ainda que as conclusões da pesquisa indiquem novos caminhos para lutar contra epidemia global de Alzheimer, especialmente em países em desenvolvimento.

“Alzheimer é o transtorno cognitivo mais comum do mundo e já afeta 35,6 milhões de pessoas. No futuro, a doença deve atingir ainda mais países onde a renda é mais baixa”, disse. “Então é vital que sejam criadas estratégais de baixo custo e em grande escala para proteger as pessoas contra essa doença tão devastadora.”

Além disso, o estudo abre novos possibilidades de se entender o que faz alguém suscetível a esse tipo de demência. Também pode servir como incentivo para mais mulheres amamentarem – algo que muitas pesquisas já comprovam que traz benefícios tanto para mãe quando para o bebê.

Cientistas reprogramam células de urina para gerar neurônios

Cientistas chineses afirmam ter conseguido reprogramar células de urina humana em células cerebrais (progenitoras neurais), em uma pesquisa que pode contribuir para futuros avanços no tratamento de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson.

A pesquisa, publicada na mais recente edição do periódico Nature Methods, afirma que células de urina foram isoladas de três doadores, de 37, 10 e 22 anos, e reprogramadas para gerar células progenitoras neurais (NPCs), que são precursoras das células cerebrais. Estas NPCs, por sua vez, foram capazes de se subdividir e “gerar com eficiência neurônios funcionais” distintos in vitro.

Os mesmos cientistas haviam identificado no ano passado que a urina humana contém células do rim “que podem ser reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs)”. Agora, dizem ter avançado neste método.

“Ainda faltam análises, mas reportamos que as células sobrevivem e se dividem quando transplantadas ao cérebro de um rato recém-nascido”, diz o estudo, liderado por Duanquing Pei, da Academia Chinesa de Ciências.

Células progenitoras neurais são potenciais fontes de neurônios para pesquisa, com a vantagem de se dividirem e, por conta disso, poderem ser “expandidas” em laboratório antes que sejam divididas em neurônios.

Pesquisa e teste de medicamentos

“Há um grande interesse em gerar progenitoras neurais de indivíduos com doenças degenerativas”, diz comunicado da Nature Methods.

“E como as células a serem reprogramadas são derivadas de (processos) não-invasivos, da urina de doadores, os autores da pesquisa propõem que o procedimento deve ser praticável para gerar progenitoras neurais específicas para determinadas doenças”, acrescenta a publicação.

[adrotate banner=”2″]“Neurônios derivados dessas células podem ser úteis para pesquisas em males neurodegenerativos e para o teste de novos medicamentos”, conclui o comunicado.

A pesquisa de Duanquing Pei lembra que ainda não há medicamentos eficientes para combater diversas doenças neurológicas.

Há importantes avanços no campo de células-tronco, mas o método é alvo de questionamentos por alas mais conservadoras porque as células são obtidas de embriões humanos. Além disso, existe o risco de rejeição do sistema imunológico. A vantagem da pesquisa chinesa é evitar esses dilemas.

Além disso, reportagem da revista Nature aponta que o estudo pode ajudar pesquisadores a produzir mais rapidamente células específicas para cada paciente, em número maior.

“Progenitoras neurais proliferam em cultura, então os pesquisadores podem produzir diversas células para seus experimentos”, diz a reportagem.

Um geneticista consultado pela revista afirma que outra vantagem de obter células dessa forma é que a urina pode ser coletada de quase qualquer paciente.

Dormir mal pode ser uma indicação inicial de Alzheimer

Acredita-se que um componente chave da doença seja a formação de placas de proteína no cérebro.

No estudo divulgado na publicação científica Science Translational Medicine, os pesquisadores mostraram que os camundongos têm o sono interrompido quando essas placas começam a ser formadas.

Especialistas dizem que se a relação entre esses dois fatores for comprovada, a informação pode ser uma importante ferramenta para o tratamento da doença.

É consenso na literatura médica de que quanto mais cedo se descobrem os sinais de Alzheimer, mais efetivo tende a ser o tratamento contra a doença.

[adrotate banner=”2″]Portadores da enfermidade não apresentam problemas de memória ou clareza de pensamento até estágios mais avançados e, quando isso ocorre, partes do cérebro já foram destruídas, dificultando ou mesmo impossibilitando o tratamento.

Os níveis de proteína amilóide oscilam naturalmente, tanto em camundongos quanto pessoas, ao longo de um período de 24 horas. Mas, com o Alzheimer, tais placas são formadas permanentemente.

Na pesquisa conduzida em Washington, os pesquisadores afirmaram que camundongos de hábitos noturnos costumam dormir 40 minutos a cada hora, mas tão logo as placas começam a ser formadas, o período de sono é reduzido para 30 minutos.

“Se estas anormalidades começam cedo assim no desenvolvimento do Alzheimer humano, elas podem nos fornecer um sintoma facilmente perceptível (da doença)”, disse um dos pesquisadores, David Holtzman.

Mas descobertas em camundongos nem sempre são aplicáveis a humanos e podem existir outros motivos para a interrupção do sono.
Especialistas dizem que são necessários mais estudos para que se tenha uma visão mais clara do problema.

Ginkgo biloba eleva risco de convulsão em epilépticos, dizem estudos

O ginkgo biloba, um dos fitoterápicos mais vendidos no mundo, aumenta o risco de convulsões em pessoas com epilepsia e reduz a eficácia de medicamentos anticonvulsionantes. Há algum tempo, pesquisas isoladas apontam nesse sentido. Agora, uma revisão de dez estudos realizada na Universidade de Bonn (Alemanha) soma evidências sobre esses riscos do produto.

Os autores do estudo afirmam que, pelas evidências atuais, deveria haver maior restrição à venda de medicamentos à base de ginkgo biloba.

O fitoterápico costuma ser indicado para vários problemas, como Alzheimer, perda de memória e perda auditiva. “Mas não temos evidências que comprovem a sua ação”, diz Elza Márcia Yacubian, professora de neurologia da Unifesp.

Quanto aos riscos relacionados à epilepsia, Yacubian diz que testes mostram que o ginkgo biloba induz o fígado a produzir uma enzima que é a mesma que faz a metabolização de dois dos medicamentos anti-epilépticos mais usados. “Além disso, a semente do ginkgo biloba tem uma neurotoxina que aumenta a atividade cerebral, desencadeando crises epilépticas e que pode levar à convulsão mesmo pessoas que não têm o distúrbio”, diz Yacubian.

[adrotate banner=”2″]Segundo a farmacêutica Ivana Suffredini, do laboratório de extratos da Unip (Universidade Paulista), os estudos com extratos vegetais são recentes, e ainda faltam informações sobre os efeitos –benéficos ou adversos– dos fitoterápicos. “As pessoas precisam saber que eles podem ter efeitos indesejados. O maior problema é que muita gente acredita que os produtos que vêm das plantas não têm risco, e passam a consumi-los sem orientação médica”, diz Suffredini.

Colesterol: de gota a Alzheimer

Embora esteja na boca do povo há décadas, com frequência duas grandes confusões são feitas a seu respeito. A primeira é chamá-lo de gordura, quando, na verdade, trata-se de um álcool complexo – detalhe químico mais complexo ainda. A segunda é que seu potencial nocivo se restringe ao sistema cardiovascular. “O colesterol circula por boa parte do organismo para formar membranas celulares, ácido biliar e hormônios”, relata Eder Quintão, endocrinologista do Laboratório de Lípides da Universidade de São Paulo. Esse acesso quase irrestrito, apesar de essencial para inúmeras atividades, traz seus inconvenientes. Isso porque dá a possibilidade de ele, quando nas alturas, acarretar estragos em diversas regiões.

Infográfico explica como o colesterol age pelo corpo. Confira!

Após analisarem dados epidemiológicos que relacionam altos índices da partícula a demências, por exemplo, cientistas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, decidiram averiguar o que estaria por trás desse fenômeno. Valendo-se de equipamentos modernos, eles descobriram que o protagonista da reportagem está intimamente ligado ao surgimento das famigeradas proteínas beta-amiloides. “Essas moléculas danificam células nervosas, promovendo a doença de Alzheimer”, ensina o bioquímico Charles Sanders, coordenador da pesquisa.

“O trabalho americano nos ajuda a compreender o motivo pelo qual observamos um acúmulo de placas beta-amiloides ao colocarmos neurônios em um meio de cultura repleto de colesterol”, enfatiza o neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais. “Mas ele não explica por que existe uma associação, principalmente em pacientes acima dos 75 anos, entre a doença de Alzheimer e problemas vasculares”, contrapõe.

Há, claro, quem acredite que esse vínculo seja resultado da idade avançada. Em outras palavras, indivíduos nessa faixa etária tenderiam a sofrer mais com ambos os transtornos simplesmente pelo fato de o corpo estar envelhecendo. Essa, entretanto, não é a única hipótese levantada pelos especialistas. “Taxas elevadas de colesterol provocam inflamações nos vasos, que, ao longo dos anos, também dificultam a passagem de sangue”, ressalta Angelina Zanesco, fisiologista do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista, em Rio Claro. Se a artéria comprometida é uma que chega à massa cinzenta, as células nervosas deixam de ser abastecidas adequadamente com o líquido vermelho. Resultado: elas param de funcionar direito por falta de nutrientes, o que contribuiria para o extermínio das memórias.

[adrotate banner=”2″]Outro mal que às vezes implica queima de arquivos mentais atende pelo nome de derrame isquêmico – o bloqueio por completo do fluxo sanguíneo acaba matando os neurônios, digamos, de fome. Em várias situações, a obstrução decorre do excesso de colesterol circulante.

Quando o assunto é diabete, invariavelmente se fala em glicose. Mas adivinhe que outra molécula está envolvida com a enfermidade. “O excesso de colesterol no pâncreas atrapalha a fabricação de insulina, responsável por colocar o açúcar para dentro das células”, revela Francisco Helfenstein Fonseca, cardiologista e coordenador do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo. E, com doses a menos desse hormônio na circulação, a glicemia sobe que nem foguete. Por outro lado, quando você tem bastante HDL, aquela espécie de faxineiro da circulação, a probabilidade de desenvolver ou agravar o quadro diminui.

Nem as articulações estão a salvo da avalanche de colesterol. “Ele facilita o aparecimento de crises de gota”, exemplifica Ricardo Fuller, chefe do Ambulatório de Reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esse distúrbio, caracterizado por inchaço e dores intensas nas juntas – principalmente no dedão do pé -, depende de processos inflamatórios para dar as caras. Ao que tudo indica, taxas expressivas da substância em questão auxiliam a alastrar esse incêndio.

A artrite reumatoide, outro mal que ataca as juntas, propiciando incômodos, perda de movimento e deformações, também pode ser agravada por você já sabe quem. “Aliás, uma pesquisa deste ano verificou falhas na função do HDL de quem possui a doença”, reforça Fuller. Mesmo assim, ainda faltam evidências sólidas de que o tratamento para controlar o colesterol beneficie pessoas com desordens reumatológicas.

No futuro, a ciência deve oferecer uma resposta definitiva para essa dúvida. Outra pergunta é se a partícula abordada aqui seria o estopim para cânceres. “Segundo alguns estudos, o uso de estatinas, medicamentos que reduzem a concentração dessa molécula no sangue, previne tumores como o de próstata, mama e intestino”, afirma Samuel Aguiar Júnior, cirurgião oncologista e diretor do Núcleo de Tumores Colorretais do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. “Só que esses trabalhos são poucos e ainda controversos”, ressalva.

Um vestígio extra desse possível elo é o de que levantamentos populacionais definem sujeitos com pouco LDL e muito HDL como mais protegidos contra o câncer. “Resta saber se o dado encontrado é consequência do colesterol ou se hábitos saudáveis, que regulam seus níveis ao mesmo tempo que trazem outras melhorias para o organismo, são os verdadeiros responsáveis pelos números encontrados”, pondera Aguiar Júnior.

O que doma o colesterol

Quando descobrimos que grande parte dessa substância é manufaturada no fígado independentemente da alimentação, muita gente supõe que quase não adianta tomar cuidado com o que ingerimos. “Essa impressão não poderia estar mais equivocada”, garante Raul von der Heyde, nutricionista da Universidade Federal do Paraná. “Por exemplo: o consumo de gorduras saturadas, presentes no óleo de dendê, em carnes e no leite, aumenta significativamente os índices de colesterol, sobretudo de LDL, na corrente sanguínea”, argumenta o especialista.

Se as gorduras saturadas culminam em mais LDL, as poli-insaturadas das nozes e do salmão fazem exatamente o contrário. “Mas elas, se ingeridas além da conta, infelizmente reduzem os níveis de HDL”, lamenta Raul von der Heyde. Por isso, nada de abusar – o ideal é que elas componham não mais do que 10% do total de calorias do dia.

Também aposte nas fibras solúveis. Junto com a água, elas formam um gel no intestino que impede o colesterol de ser absorvido. Para abastecer seus estoques do nutriente, invista em frutas como maçã, laranja e pera ou lance mão da aveia. Só não se esqueça de beber H2O. Caso contrário, os benefícios se esvaecem.

Por mais que certos estudos vinculem o azeite de oliva e o abacate, fontes de gordura monoinsaturada, com mais HDL no sangue, não existe uma verdadeira comprovação de que isso ocorre. Se o objetivo é incrementar a concentração dessa aliada da saúde, a melhor estratégia atende pela alcunha de atividade física. “Os exercícios não apenas aumentam o número das moléculas como melhoram a qualidade delas”, acrescenta Maria Teresa Zanella, presidente do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Para obter a benesse, são necessários esforço e um pouco de paciência. “A intensidade precisa ser de moderada a alta. Após três meses de prática esportiva constante, as mudanças começam a surgir”, informa a fisiologista Angelina Zanesco. Com o colesterol sob rédeas curtas, as memórias de uma vida livre de diabete, câncer e dores nas articulações têm tudo para ficar na sua cabeça.

Um grupo de cientistas americanos desenvolveu uma técnica para detectar sinais do mal de Alzheimer 25 anos antes da doença apresentar seus primeiros sintomas.

A pesquisa é a porta de entrada para novos tipos de tratamentos precoces que podem se tornar a melhor chance
da medicina para combater a enfermidade.

Os cientistas, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, selecionaram para o estudo pacientes britânicos, americanos e australianos que possuem risco genético de desenvolver a doença.

Dos 128 pacientes examinados, 50% têm chances de herdar uma das três mutações genéticas conhecidas pela ciência que provocam o mal de Alzheimer.

[adrotate banner=”2″]O grupo também tem chance aumentada de começar a sofrer da doença a partir dos 30 ou 40 anos – muito mais cedo que a maioria dos pacientes de Alzheimer, que em geral desenvolvem o mal na casa dos 60 anos.

Os pesquisadores analisaram os pais dos pacientes para descobrir com que idades eles haviam desenvolvido a doença. A partir disso começaram a tentar avaliar quanto tempo antes disso era possível detectar os primeiros sinais da enfermidade.

Foram realizados exames de sangue, de líquor (fluído cerebrospinal), de imagens do cérebro e também avaliações de habilidades mentais nos pacientes.

Os pesquisadores descobriram, então, que era possível detectar pequenas mudanças no cérebro de quem possuía alguma das mutações que no futuro levarão ao surgimento do Alzheimer.

Eles sugerem que a primeira mudança, uma queda nos níveis da proteína conhecida como amiloide – componente-chave dos neurônios – no fluido cerebrospinal, pode ser detectada 25 anos antes do aparecimento dos sintomas da doença.

Por volta de 15 anos antes do aparecimento da doença, pacientes já apresentavam níveis anormais de placas b-amiloides. Além disso, imagens do cérebro revelaram encolhimento em algumas regiões do cérebro desses pacientes.

Dez anos antes dos primeiros sintomas foram detectados problemas de memória e um processamento anormal da glicose no cérebro dos estudados.

Em pacientes que não possuíam as mutações, não foram detectadas alterações nesses marcadores.

Os resultados da pesquisa foram publicados no New England Journal of Medicine.

“Essa importante pesquisa mostra que mudanças-chaves no cérebro, relacionadas à transmissão genética da doença, acontecem décadas antes do aparecimento dos sintomas. Isso pode gerar grandes implicações para o diagnóstico e o tratamento no futuro”, afirmou Clive Ballard, diretor de pesquisa da Sociedade de Alzheimer.

“Os resultados de pacientes com Alzheimer herdado por fatores genéticos parecem similares às mudanças provocadas em casos não-genéticos, na forma comum da doença”, disse Eric Karran, diretor de pesquisa da Sociedade Britânica do Alzheimer.

“É provável que qualquer novo tratamento para Alzheimer deverá ser iniciado mais cedo para ter a melhor chance de sucesso”.

“A habilidade para detectar os primeiros estágios da doença de Alzheimer não só permite que as pessoas planejem e tenham acesso aos cuidados e tratamentos existentes mais cedo, mas também permitirá que novas drogas sejam testadas nas pessoas certas, na hora certa”.