• Entram em vigor nesta segunda-feira (7) as novas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar que ampliam o número de exames e procedimentos que os planos de saúde são obrigados a cobrir.

    As mudanças devem beneficiar cerca de 44 milhões de brasileiros que contrataram planos de saúde a partir de primeiro de janeiro de 1999.

    Entre os 70 novos procedimentos que os planos serão obrigados a cobrir, 16 são da área odontológica, como a colocação de coroas e blocos. Outros 54 são avanços da medicina, como as cirurgias menos traumáticas feitas com auxílio do vídeo, o transplante de medula e exames genéticos e de imagem. O pet scan, que ajuda a visualizar tumores e outras doenças, é um deles. O exame custa cerca de R$ 3,5 mil, valor que muitos planos não cobrem.

    Novos procedimentos incluídos na cobertura mínima dos planos de saúde

    Medidas terão validade a partir de 7 de junho

    VIDEOCIRURGIAS

    26 novas cirurgias por vídeo no tórax (procedimento menos invasivo porque não exige a abertura da caixa torácica)

    EXAMES LABORATORIAS

    17 novos exames laboratorias, como o anti-GAD (para diabetes) e exames para avaliação de imunodeficiências primárias

    EXAMES GENÉTICOS

    Novos exames para tratamento de alterações cromossômicas em leucemias

    AMPLIAÇÃO DE CONSULTAS

    Aumento da cobertura de consultas anuais com profissionais de saúde (conforme diretrizes de utilização):
    -Fonoaudiólogo: de 6 para até 14
    -Nutricionista: de 6 para até 12
    -Terapeuta ocupacional: de 6 para até 12
    -Psicólogo: de 12 para até 40

    EXAMES PREVENTIVOS

    Teste do olhinho (para recém-nascidos) e teste rápido de HIV em gestantes

    TRANSPLANTE

    Transplante de medula óssea, em tratamentos de leucemias e outras doenças hematológicas.

    SAÚDE MENTAL

    Atendimento ilimitado em hospital-dia, como alternativa à internação hospitalar

    ODONTOLOGIA

    Entre os 16 novos procedimentos em tratamentos odontológicos, passam a ser incluídas as coberturas de colocação de coroa e bloco

    DOENÇA CARDIACA

    Implante do marcapasso multissítio, usado no tratamento de insuficiência cardíaca refratária

    CÂNCER

    Exame PET-Scan oncológico, indicado em alguns casos de câncer pulmonar e linfomas

    OXIGENAÇÃO HIPERBÁRICA

    Tratamento de doenças como gangrenas, algumas intoxicações e lesões traumáticas, nas quais um maior aporte de oxigênio é benéfico

    “É uma espécie de ressonância mais sofisticada, que pega o câncer e a metástase do pulmão mais no início. Atualmente, é preciso ir para cirurgia exploratória”, explica Henrique Oti Shinomata, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Seguro.

    O transplante de medula feito por doação de outra pessoa viva também passará a ser coberto pelos pacotes de referência dos planos. A principal indicação deste transplante é para o tratamento de leucemia.

    “Também terão as vídeolaparoscopias no tórax. Antes tinha que abrir o paciente, e a recuperação é muito custosa e dolorida”, diz o especialista.

    As novas regras também aumentam o número de consultas de especialistas como psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas que os planos de saúde terão que cobrir. O número de sessões varia de 12 a 24 dependendo da doença e da especialidade. No caso dos psicólogos, elas podem chegar a 40, desde que indicadas por um psiquiatra.

    “Antes havia um limite de 180 dias em hospital dia. Não terá mais essa limitação, então não interrompe o tratamento e evita uma crise”, diz Shinomata.

    Custo
    A Agência Nacional de Saúde Suplementar deve divulgar semana que vem o reajuste anual dos planos de saúde, previsto por lei. Mas o impacto dos novos procedimentos no valor das mensalidades só será avaliado pela ANS no ano que vem.

    A expectativa da agência é que as novas coberturas encareçam os planos em cerca de 1%. Já as seguradoras esperam altas maiores.

    “Pode acontecer de ser bem mais [o aumento], e aí [os consumidores] vão ter que arcar com esses custos maiores. Mas quem utilizou vai agradecer muito, vai evitar uma cirurgia, ter que passar por uma quimioterapia que não esteja fazendo efeito” diz Shinomata.

    Fonte G1

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