• Se a acupuntura como terapia complementar para a asma era controversa entre os pneumologistas, um estudo assinado por universidades da Alemanha e da Suíça tem tudo para fomentar o uso das agulhas contra a doença.

    No trabalho, a resposta de mais de mil asmáticos à combinação desse método milenar com tratamentos convencionais se mostrou extremamente positiva. Foram observados benefícios na saúde física e mental dos participantes, além de um incremento na qualidade de vida.

    “Nenhuma pesquisa anterior chegou a resultados tão consistentes”, reconhece a médica Alenita Oliveira, da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. A expert explica, porém, que nem todo mundo pode se submeter à acupuntura. Por isso, é necessário avaliar cada caso.

    O que fazem as agulhas

    Seu poder anti-inflamatório, que beneficia os asmáticos, é reconhecido há tempos. Segundo Dirceu Salles, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, a técnica também oxigena o sangue e pode diminuir tanto o número quanto a intensidade das crises.

    Outras medidas que aprimoram o controle da asma

    Ioga

    De acordo com Salles, as técnicas respiratórias típicas do método são bem-vindas. A ioga também tende a reduzir o processo inflamatório.

    Atividade física

    Quer algo mais agitado? Tudo bem. Alenita só lembra que é essencial estar com a doença controlada antes de se jogar na malhação.

    Alimentação

    Dieta equilibrada é regra sempre. Mas atenção especial ao selênio, mineral antioxidante. Uma castanha-do-pará já fornece a dose certa.

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  • Estudo chinês aponta que agulhadas na orelha beneficiariam pessoas que sofrem com a constipação.

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    Uma revisão assinada por estudiosos da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa sinaliza que a auriculoacupuntura, método que aplica as agulhas exclusivamente nas orelhas, alivia quadros de prisão de ventre crônica. “Elas possuem complexos neurovasculares. Eles são pontos que, quando estimulados, interferem no trabalho de várias regiões do organismo”, explica Alessandra Scavone, acupunturista auricular de Campinas. “Essa técnica é capaz de tanto acelerar funções corporais lentas demais como controlar as que estão hiperativadas”, completa. Em outras palavras, ela também beneficiaria gente com o intestino solto.

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  • Atletas profissionais do nível de Neymar já lançam mão delas há algum tempo para aliviar processos dolorosos e se recuperar rapidamente de desgastes musculares. Acontece que, aqui no Brasil, a terapia chinesa estava quase totalmente restrita ao tratamento de lombalgias, tendinites e outros chabus decorrentes do excesso de exercício físico. Mas o conceito de que ela pode impedir o surgimento desse tipo de problema começa a ganhar força em território nacional.

    “A filosofia da acupuntura sempre foi focada na prevenção”, informa o médico do esporte e especialista nessa técnica milenar Daniel Gentil, da Universidade Federal de São Paulo. Isso porque as agulhas agem nas causas funcionais, ou seja, nas inflamações, edemas, encurtamentos musculares e pequenos derrames nos músculos que, se não controlados, originam a lesão ou ao menos agravam outra já existente. “Aliás, grande parte dos quadros surge de antigos problemas mal reabilitados”, adverte Liaw Chao, eletroacupunturista com foco em esportes do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

    Vale ressaltar que o método deve ser adaptado para cada prática. É que o acupunturista precisa identificar as áreas mais sujeitas a contusões com base na atividade física escolhida pelo paciente. A par dessas informações, ele aplica as agulhas em pontos específicos. “Cada esporte gera uma sobrecarga única em determinadas regiões”, reforça Joel Steinmen, médico do esporte e acupunturista de Florianópolis, em Santa Catarina. “A acupuntura trabalha na estimulação dessas áreas a fim de encontrar e manter o equilíbrio para que as lesões não apareçam”, completa.

    Pelo corpo dos esportistas
    Confira 11 tormentos que a acupuntura pode evitar

    As agulhadas nos protegem por uma série de motivos. Elas relaxam a musculatura, facilitam a circulação sanguínea, controlam processos inflamatórios e trazem uma sensação prazerosa por promoverem a liberação de endorfinas.

    “Segundo a tradição chinesa, a acupuntura age na harmonização das energias. Já do ponto de vista ocidental, ela ativa grandes nervos periféricos”, ensina Gentil. De qualquer modo, a ideia é que as agulhas não produzem efeitos apenas onde são posicionadas, mas no organismo todo. “A técnica, por exemplo, patrocina a liberação de substâncias que trazem bem-estar. Portanto, incrementa não só a capacidade física como a mental”, avalia Gilberto Rodrigues, médico acupunturista, de São Paulo. E, com bom humor, a chance de você não cair no sedentarismo por pura preguiça, pelo menos em tese, aumenta.

    Mas será que o método também melhoraria o desempenho físico? Para Liaw Chao, a resposta é afirmativa. “Ao longo dos treinos, naturalmente surgem encurtamentos na musculatura, entorses e processos inflamatórios. Como a acupuntura resolve esses empecilhos, a performance do indivíduo melhora”, argumenta. Embora a lógica faça sentido, faltam estudos científicos sérios que comprovem a teoria.

    As contraindicações para a prática milenar são poucas. “Uma relativa é o medo de agulha”, afirma Gentil. Pessoas com infecções graves também precisam tomar cuidado, porque os minúsculos furos causados pelas espetadelas servem de porta de entrada para micro-organismos oportunistas que agravam a situação. Felizmente, procedimentos similares foram criados como alternativa à versão original (veja a tabela abaixo). Mesmo assim, sempre consulte um especialista antes de se submeter às sessões. Com o aval dado, aposte sem medo na acupuntura para que as atividades físicas tragam todos os seus benefícios com um risco reduzido de sentir uma pontada durante o treinamento.

    Uma especialidade médica
    Justiça proíbe outros profissionais de aplicarem acupuntura

    No dia 27 de março deste ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região tomou uma decisão polêmica: a partir de agora, só médicos, dentistas e veterinários têm o direito de empregar a técnica nos seus pacientes. Segundo Hildebrando Sábato, presidente do CMBA, a decisão é positiva, porque esses especialistas são os únicos com habilidade para diagnosticar doenças por trás de sintomas, digamos, comuns. “Uma dor de barriga pode ser uma apendicite”, exemplifica. “Se o indivíduo não for capacitado para avaliar um problema, a acupuntura mascararia a causa original do mal-estar.” José Luiz Maldonado, assessor técnico do Conselho Federal de Farmácia, discorda da proibição. “Os profissionais que realizam o método passam por uma formação de 1 200 horas. Fora que a medicina chinesa se concentra principalmente no equilíbrio, não na doença”, contrapõe. Os conselhos de algumas profissões voltadas à saúde entraram com recurso para suspender a medida.

    As diferentes modalidades

    Eletroacupuntura Descargas leves emitidas por eletrodos são usadas como estímulo.

    Laserterapia Uma radiação de baixa intensidade é liberada na pele.

    Auriculoacupuntura Pequenas sementes são colocadas em partes específicas da orelha.

    Moxabustão Os especialistas aquecem uma erva e, aí, usam o calor dela para ativar os pontos.

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