• Dicas, saúde, Tratamentos 29.09.2011

    Uma pesquisa comparou a sibutramina – um remédio para emagrecer – à Pholia Negra – uma substância feita a partir de plantas – e sugeriu que os dois podem ter o mesmo potencial para reduzir o peso das pessoas. O estudo pré-clínico foi feito com ratos nos laboratórios da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação da professora Maria Martha Bernardi.

    A sibutramina está na mira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em fevereiro, o órgão manifestou interesse em proibir remédio e outros três inibidores de apetite – femproporex, dietilpropiona e mazindol – porque acreditar que os efeitos colaterais poderiam ser superiores aos benefícios adquiridos. Esses emagrecedores podem ser banidos no país ainda em 2011.

    A Pholia Negra é um extrato natural de várias ervas brasileiras. Seus produtores afirmam que ela aumenta a sensação de saciedade porque retarda a digestão. Hoje, a substância é registrada junto à Anvisa como um insumo e, na teoria, pode ser consumida como complemento alimentar, mas não como remédio.

    O estudo
    Os pesquisadores engordaram os ratos e os dividiram em dois grupos; um tomaria a Pholia Negra e o outro receberia a sibutramina. Ao fim de um mês, os dois grupos tinham emagrecido na mesma medida.

    “O que a gente fez foi um estudo pré-clínico”, ressaltou Bernardi. “É um estudo com animais para prever efeitos no ser humano”.

    Questionamento
    Para médicos consultados pelo G1, o estudo pré-clínico é insuficiente para que os pacientes recorram ao fitoterápico. “Enquanto não comprovar no ser humano, não vale nada esse estudo dizendo que a Pholia Negra emagrece”, afirmou Márcio Mancini, endocrinologista e ex-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
    O toxicologista Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo (Ceatox), também disse que esse estudo ainda não pode ser aceito pela comunidade médica, pois os testes com ratos devem ser apenas uma etapa do processo.

    Depois, é preciso desenvolver a pesquisa com animais maiores – não-roedores – e, por fim, com humanos, antes que um produto possa ser considerado eficaz e seguro como remédio.

    Wong falou ainda que o fato de o fitoterápico ser derivado de uma planta não é garantia de segurança. “Das dez substâncias mais tóxicas do mundo, nove são naturais”, afirmou o toxicologista.

    Para Mancini, da Abeso, há interesses comerciais nessa área, que atrapalham a divulgação de informações confiáveis. “Existe um mercado que explora a esperança do obeso”, apontou o endocrinologista.

    Para Wong, o uso de substâncias para ajudar na perda de peso sempre traz efeitos colaterais. O toxicologista faz parte do grupo de especialistas da Anvisa que propôs a proibição dos inibidores de apetite e não acredita em fórmula mágica na luta contra a balança.

    Você tem realmente que controlar a ingestão de alimentos e ter hábitos saudáveis de vida”, concluiu.

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