• Um tiro certeiro — e sustentado — contra duas doenças que comprometem as juntas e a qualidade de vida. Eis o feito de um anticorpo monoclonal que foi destaque no último Congresso Europeu de Reumatologia. No encontro recém-ocorrido em Madri, na Espanha, cientistas apresentaram os resultados de estudos de acompanhamento com o medicamento secuquinumabe em pessoas com espondilite anquilosante e artrite psoriática, problemas que, em comum, são marcados por uma inflamação crônica em algumas articulações.

    Vamos por partes.

    Anticorpos monoclonais como o secuquinumabe, do laboratório Novartis, são medicações injetáveis que funcionam como uma espécie de míssil teleguiado dentro do organismo. Eles miram e inativam uma substância específica, normalmente crucial ao processo inflamatório que fustiga alguma redondeza do corpo. Nesse caso, o secuquinumabe busca neutralizar uma interleucina, a IL-17A, peça-chave na inflamação que acomete as articulações tanto na espondilite anquilosante como na artrite psoriática.

    Um dos estudos apresentados no congresso da Liga Europeia de Reumatismo seguiu 290 pessoas com espondilite anquilosante por três anos e constatou sua capacidade de controlar típicas manifestações da doença, que afeta sobretudo a coluna e leva a dor, rigidez e deformação na região. Os médicos comprovaram que o anticorpo monoclonal melhorou os quadros dolorosos à noite, a flexibilidade (principalmente no período da manhã) e a habilidade de realizar tarefas no dia a dia.

    No braço de pesquisas direcionadas a pacientes com artrite psoriática, condição que afeta ao redor de 7% das pessoas com psoríase — doença inflamatória da pele marcada pela formação de placas avermelhadas —, o mesmo remédio conseguiu aliviar a dor em três semanas de uso. No acompanhamento por três anos com mais de 400 voluntários, os indivíduos tratados também apresentaram melhoras como a redução do inchaço nas articulações. A artrite psoriática pode afligir tanto as juntas nas extremidades do corpo como trechos da coluna.

    A boa notícia para os brasileiros com esses problemas é que o secuquinumabe já está liberado para uso em ambas as condições no país. A mesma medicação também tem aval para ajudar em casos moderados e graves de psoríase.

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  • De uma hora para outra, o sujeito, em geral jovem, começa a perder peso, sentir dores abdominais e ter diarreias constantes. Embora esses não sejam sintomas específicos, muitas vezes é assim que se manifestam as doenças inflamatórias intestinais (DII), conjunto de distúrbios cuja incidência vem crescendo mundo afora. “Não há estudos epidemiológicos no Brasil, mas notamos na prática um aumento nos casos, em parte pela melhora no diagnóstico, em parte por razões ainda não totalmente esclarecidas”, contextualiza a gastroenterologista Didia Cury, da clínica Scope, em Campo Grande (MS).

    A médica, que realiza pesquisas em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, organizou um simpósio internacional na capital sul-matogrossense para discutir, com outros especialistas, novidades e aspectos pouco conhecidos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, os tipos mais comuns do transtorno. “A retocolite ataca mais o intestino grosso, enquanto o Crohn pode afetar o sistema digestivo da boca ao ânus e também outros locais, como pele, olhos e articulações”, explica as diferenças o gastroenterologista Jaime Gil, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

    A teoria mais aceita é que a inflamação crônica é resultado de uma reação exagerada do sistema imune à flora intestinal. Como nem sempre os sintomas são claros, não é raro ver gente levando dez anos para receber o diagnóstico, atraso que compromete a qualidade de vida. Com a meta de educar mais a população sobre o tema, elencamos agora os pontos quentes recém-debatidos no evento.

    Novas armas com mais foco

    Até pouco tempo atrás, havia poucos fármacos disponíveis para tratar os casos mais complicados de DII. Chegaram, então, medicamentos inovadores, os anticorpos monoclonais, com a missão de inibir moléculas específicas por trás da inflamação crônica – um dos principais é o anti-TNF. Nem sempre, porém, eles atingiam o resultado esperado e ainda impunham efeitos colaterais. É aí que entra a nova geração dessas medicações (caso do vedolizumabe e do ustequinumabe), concebidas para agir apenas no local afetado pela doença, o que reduz riscos e melhora a eficiência da terapia.

    Hoje, os anticorpos são indicados em quadros moderados e severos, mas se discute uma mudança de abordagem. “Estamos prescrevendo essas substâncias mais cedo porque elas parecem ser mais eficazes nos primeiros anos do que depois de uma década com o problema”, conta Alan Moss, gastroenterologista e pesquisador de Harvard.

    De olho na tuberculose

    Quem toma medicamentos imunossupressores, caso do próprio anti-TNF, está mais sujeito a desenvolver essa infecção. “Já é uma praxe procurar o micro-organismo nos portadores de doença inflamatória intestinal, mas nem sempre esse rastreamento é efetivo e refeito ao longo da vida”, diz o patologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz, um dos palestrantes do evento.

    A demora no diagnóstico nesses casos traz complicações potencialmente fatais. “Sem contar que contribui para a transmissão da tuberculose, que hoje mata mais que a aids por aqui”, aponta Croda. O pesquisador estudou pacientes em tratamento de DII na clínica Scope e descobriu que 3,8% deles tinham o bacilo no sangue, incidência proporcionalmente maior que a da população em geral.

    Por que o divã é bem-vindo

    Estresse e ansiedade fora de controle favorecem as crises nas doenças inflamatórias intestinais. Na via oposta, essas condições por si podem gerar angústia, irritação e medo, dificultando o convívio social e alimentando quadros depressivos. Para se blindar dessa situação, que atrapalha o próprio contra-ataque à DII, especialistas indicam um acompanhamento psicológico.

    “A doença impõe solidão, e o estresse emocional precisa ser administrado antes que impacte na manifestação dos sintomas”, explica a psicóloga Daisy Maldaun, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora de um livro recém-lançado que traça o perfil psicológico das pessoas com DII. Além da terapia, meditação e ioga são técnicas recomendadas para ajudar na manutenção do equilíbrio mental, tão importante para o sucesso do tratamento.

    Homeopatia ajuda?

    A busca pela medicina alternativa costuma ganhar força quando os remédios tradicionais falham no socorro ao intestino, o que não é tão raro de acontecer. Daí a proposta da homeopatia de aliviar certas manifestações na DII. “O método foca no indivíduo como um todo e traz um olhar cuidadoso que faz diferença na percepção e no trabalho com os sintomas da doença”, diz Gilson Roberto, psicólogo e homeopata de Porto Alegre e um dos participantes do simpósio.

    O tema, no entanto, ainda gera controvérsia. “Não há evidência científica de que a homeopatia funcione na DII e práticas não comprovadas podem gerar frustração e prejudicar a adesão ao tratamento convencional”, contrapõe Jaime Gil. Na dúvida, o melhor a fazer é conversar com o especialista e jamais abandonar as medicações anteriormente prescritas.

    E a fertilidade, como é que fica?

    Esse assunto nem sempre é discutido no consultório ao longo do tratamento, mas deveria. Isso porque a inflamação crônica – e até os fármacos que a combatem – pode comprometer a capacidade reprodutiva de homens e mulheres com DII. Quando o problema atinge o cólon (no intestino grosso), por exemplo, chega a repercutir em regiões como o útero, onde o óvulo fecundado se aninha para dar origem ao embrião.

    Já na ala masculina, o uso de alguns medicamentos está relacionado a uma baixa na velocidade dos espermatozoides. “A DII afeta especialmente pessoas em idade reprodutiva que, com medo e sem informação, adiam os planos de ter filhos. Só que, quanto mais o tempo passa, maior é a queda na taxa de fertilização”, analisa Didia. Felizmente, com acompanhamento médico, é possível, sim, garantir a continuidade da família.

    Para flagrar mais cedo

    Uma das ameaças que a turma com DII enfrenta é o maior risco de câncer colorretal. “Isso porque, com o tempo, a inflamação constante favorece alterações nas células que ficam nas paredes do intestino. E essas pequenas lesões podem evoluir para um tumor”, resume o coloproctologista Guilherme Cutait, da Universidade de São Paulo (USP).

    A boa notícia é que, com a nova safra de aparelhos endoscópicos e outros métodos de imagem, dá para detectar mais precocemente essas feridinhas com potencial de virarem malignas no futuro. E mais: na endoscopia, dá até para remover os pontos suspeitos durante o próprio exame. “Só que estamos falando de tecnologias de ponta que ainda não estão disponíveis em todos os lugares do país”, pondera o gastroenterologista Alexandre Carlos, também da USP.

    O que o futuro reserva

    Existem três promessas à vista. Uma delas vem de estudos com comprimidos de uso diário para controlar a doença – baita vantagem se pensarmos que os anticorpos monoclonais atuais dependem de injeções periódicas. Já a terapia com células-tronco tenta fazer uma correção no sistema imune para ele parar de agredir o aparelho digestivo. “Só que esse método parece beneficiar um grupo pequeno de pacientes, além de o efeito ser temporário”, conta Alan Moss, que testou a técnica em Harvard.

    Por fim, há o transplante fecal, a transposição de bactérias de uma flora saudável para o intestino doente. Moss está avaliando essa opção e adianta que ela esbarra, por ora, no mesmo problema de uma resposta de curta duração. A chave, diz o pesquisador, é investigar mais para entender melhor esses males. “Eles têm mecanismos diferentes e pedem uma abordagem individualizada.”

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  • A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, mais conhecida como Proteste, verificou em laboratório amostras de dez marcas de queijo minas frescal, com foco na quantidade de sódio e gordura desses alimentos. Conclusão: informações exibidas nas embalagens não condizem com a realidade em vários casos. Por exemplo: 90% das provas tinham bem mais gordura do que o descrito no rótulo.

    As seguintes empresas foram avaliadas:

    Tirolez;
    Ipanema
    Quatá
    Fazenda
    Puríssimo (uma das amostras com 40% menos sódio)
    Sol Brilhante (com 35%menos sódio)
    Balkis (sem sal)
    Keijobon (uma das amostras sem sal)

    As maiores variações entre o total de gordura apresentado na embalagem e o que de fato está no produto foram observadas em Keijobon sem sal (145%), Puríssimo (56%) e Sol Brilhante (53%). Apenas a versão com sal da Keijobon se manteve dentro dos limites. Vale ressaltar que, de acordo com a legislação brasileira, a diferença entre os dados do pacote e o que de fato é ofertado ao consumidor não pode ser maior que 20%.

    Além disso, a Proteste descobriu que, com exceção do queijo Puríssimo reduzido em sal, todos apresentaram teores de matéria gorda no extrato seco acima do estipulado para os queijos semigordos — segundo o Ministério da Agricultura, o queijo minas é um tipo semigordo de alta umidade. Em contrapartida, a tal umidade foi respeitada nas provas colhidas. Também não foram detectados micro-organismos que fazem mal ao corpo.

    E o sódio?

    Os produtos da Quatá e Keijobon possuíam menos desse mineral do que especificavam. Apesar do erro, cabe ressaltar que, do ponto de vista de saúde, a falha é, digamos, inofensiva. Ora, o excesso desse nutriente favorece a hipertensão. Já a Puríssimo light, que prometia redução de 40% do mineral, na verdade foi flagrada com 47% a mais do que o sinalizado.

    Com os resultados em mãos, o Ministério da Agricultura e a Anvisa devem estudar medidas para que esses problemas sejam controlados. Enquanto isso, cabe a você fazer eventuais reclamações e tomar os devidos cuidados no supermercado.

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  • A insônia foi alvo de debate no congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o maior do Brasil. Durante uma apresentação de quase duas horas sobre o impacto da saúde mental no coração, o psiquiatra Kalil Duailibi, da Universidade Santo Amaro, fez questão de ressaltar a importância de receitar boas noites de sono para evitar que os pacientes sofram com infarto e mesmo AVC, o popular derrame.

    SAÚDE esteve presente nesta aula. E pinçou para você grandes motivos apontados por Duailibi — corroborados por outros especialistas — que explicam o porquê dessa associação negativa. Confira:

    Hipertensão: dormir menos de cinco horas por noite, acredite, aumenta em cinco vezes o risco de ter pressão alta, um dos principais fatores de risco para o infarto. Por quê? Além do estresse, os vasos sanguíneos de quem não consegue se desligar por tempo suficiente ficam mais rígidos.

    Obesidade: uma série de estudos mostra que a falta de descanso estimula a pessoa a comer mais. Pior: ela estimula que o alimento seja estocado na forma de gordura. Há, por exemplo, pesquisas sugerindo que, mesmo com uma ingestão idêntica de calorias, os sujeitos com poucas horas de sono tendem a engordar mais.

    Diabetes: Duailibi citou um levantamento com 300 pessoas completamente saudáveis que, por algumas semanas, foram impedidas de relaxar adequadamente. Algumas eram acordadas antes da hora, outras tinham de escutar barulhos ao longo da madrugada…

    Após tanto sofrimento, notou-se que essa turma — que antes apresentava exames normais — desenvolveu um princípio de resistência à insulina. E esse cenário, marcado por uma dificuldade de a tal insulina colocar a glicose para dentro das células, com o tempo abre as portas para o diabetes tipo 2.

    Depressão: é uma via de mão dupla, na verdade. Se por um lado esse transtorno psiquiátrico pode dificultar o adormecer, a insônia mexe com a cabeça da pessoa a ponto de aumentar o risco de uma tristeza profunda.

    Acontece que os quadros de melancolia moderada ou grave estão cada vez mais associados a repercussões pelo corpo inteiro. Isso porque substâncias produzidas em maior escala entre os pacientes deprimidos podem lesar os vasos sanguíneos.

    Mais do que isso, a doença em si faz o sujeito se importar menos com a própria saúde. Ele para de se exercitar, começa a comer pior, abandona o tratamento de eventuais doenças… E quem sofre com isso é o coração, literalmente.

    Resumo da ópera

    Segundo Duailibi, essas questões ajudam a entender levantamentos que indicam que, quanto mais sintomas da insônia águem apresenta, maior a probabilidade de infarto. Ou seja, é bom levar a sério sinais como dificuldade de concentração, sonolência diurna e irritação. Dormir não é desperdício de tempo, como muita gente alega.

    E um último dado para chamar atenção: menos de seis horas de sono aumenta o risco de morte por qualquer causa. Que tal valorizar o descanso?

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  • Após dez anos de esforços, pesquisadores americanos descobriram uma substância capaz de penetrar na pele e bronzeá-la sem a necessidade de exposição aos raios ultravioleta do Sol reduzindo, assim, o risco de desenvolver um câncer de pele.

    Enquanto os autobronzeadores tradicionais colorem a camada superficial da pele, a nova molécula age estimulando as células que produzem pigmentos, cujo papel é absorver radiações ultravioleta, segundo o estudo publicado nesta terça-feira na revista científica americana Cell Reports. A droga ainda precisa ser submetida a testes pré-clínicos para que seja garantido o uso seguro em humanos.

    “A pele é o maior órgão do nosso corpo e pode ser afetada pelo câncer, na maioria dos casos por uma exposição aos raios ultravioleta. A importância potencial deste estudo residirá no futuro em uma nova estratégia de proteção da pele e de prevenção do câncer de pele”, explica o autor principal do estudo, David Fisher, chefe do serviço de dermatologia do hospital americano Massachusetts General e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard.

    Bronzeador sem Sol

    A nova pesquisa deriva de um estudo publicado em 2006 na revista Nature que mostrou que uma substância chamada forscolina, produzida por uma planta da Índia, pode induzir o bronzeado na pele de ratos sem exposição aos raios ultravioleta. Contudo, essa molécula não conseguia penetrar na pele humana. Como não estamos protegidos por uma camada de pelo espessa, nossa epiderme evoluiu ao longo do tempo para desenvolver proteções contra o frio, o calor, radiações ultravioleta – e também contra substâncias estranhas, como a forscolina.

    Para tentar “driblar” essa barreira, a equipe de cientistas americana desenvolveu um novo composto e a o aplicou, como um creme, em ratos de pelo vermelho que, como os humanos ruivos, são suscetíveis a desenvolver um câncer de pele como consequência da exposição aos raios ultravioleta. O produto permitiu bronzear a epiderme dos animais, sem a exposição ao Sol.

    Os cientistas também testaram as moléculas em amostras de pele humana e constataram que elas bronzeiam mais ou menos em função das doses da substância e da frequência das aplicações. O bronzeado artificial é capaz de durar vários dias.

    “A pele humana é uma barreira formidável, difícil de penetrar”, explica Fisher. “Foram dez anos de estudo para encontrarmos uma solução. É uma classe diferente de compostos, que funcionam agindo sobre uma enzima diferente que converge no mesmo caminho que leva à pigmentação”, disse Fisher.

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  • Aproximadamente 30% da população mundial está acima do peso — desses, 600 milhões de adultos e 150 milhões de crianças têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30, o que acusa obesidade. Mas mesmo quem está abaixo desse valor deve se preocupar: das 4 milhões de mortes atribuídas ao excesso de gordura em 2015, quase 40% ocorreram entre sujeitos com IMC entre 25 e 30, considerado apenas como sobrepeso.

    Os dados, que fazem parte de um novo levantamento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revelam “uma crescente e perturbadora crise de saúde pública global”, como definem os autores da investigação. A avaliação é significativa porque incluiu 195 países e territórios – e os resultados foram obtidos ao longo de 35 anos de observação.

    Os cientistas analisaram inúmeros relatórios sobre a relação da obesidade com variadas disfunções. Além disso, basearam-se em outro grande estudo que verificou o impacto de mais de 300 doenças ao redor do globo.

    “As pessoas que ignoram o aumento de peso fazem isso por conta e risco: risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições que ameaçam a vida”, diz Christopher Murray, um dos autores da pesquisa. E, mais do que a longevidade, cabe ressaltar a qualidade de vida. Segundo o levantamento, em 2015 a soma de anos vividos com alguma consequência considerável do excesso de peso — de câncer a hipertensão — entre a população mundial chegou a incríveis 120 milhões.

    A maior taxa de obesidade entre crianças e jovens é a dos Estados Unidos, com quase 13%. Em adultos, o país campeão nesse quesito é o Egito, com alarmantes 35%. Ao total, 2,2 bilhões de indivíduos no planeta enfrentam problemas com a balança, e o novo documento só reforça que o excesso de peso é uma das questões de saúde pública mais desafiadoras da atualidade.

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  • O poder medicinal da cannabis, a popular maconha, acaba de ganhar mais um respaldo dos especialistas, dessa vez da Universidade de Londres, na Inglaterra. Eles descobriram que os canabinoides, substâncias derivadas da planta, são capazes de combater um tipo de câncer que atinge células do sangue, a leucemia. Além disso, os experts apontaram que o recurso é mais eficaz quando usado depois da quimioterapia.

    Em células isoladas em laboratório, a equipe britânica testou a eficácia de medicamentos convencionais sozinhos e também associados aos canabinoides. Os resultados não deixaram dúvidas de que a segunda etapa foi mais bem sucedida. São dados animadores: ora, se os desfechos forem replicados em humanos, significa que serão necessárias menos doses de químio. Esta terapia, cabe lembrar, é conhecida por causar efeitos colaterais bem desagradáveis.

    É preciso frisar que falamos aqui de um extrato altamente concentrado e purificado, que já vem sendo explorado pela medicina há bastante tempo. “(…) Não é o mesmo que fumar maconha”, explicou o oncologista Wai Liu, líder da investigação, em um comunicado. “Os canabinoides configuram uma perspectiva empolgante na oncologia, e estudos como o nosso servem para estabelecer as melhores maneiras de serem usados para maximizar o efeito terapêutico “, completou.

    Diversos grupos de pesquisadores ao redor do mundo estão examinando a aplicabilidade dessas substâncias para o câncer e também para outros problemas, como depressão e dor crônica. Para o time de Liu, o próximo passo é verificar se as repercussões desse estudo serão as mesmas quando testadas em pacientes oncológicos.

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  • Marque no relógio: no tempo que você levará para ler esta reportagem, pelo menos dois brasileiros sucumbirão ao infarto, a causa de morte número 1 em nosso país e em boa parte do mundo. Esse cenário catastrófico é motivado pelo descontrole de fatores que patrocinam o entupimento das coronárias, as artérias que irrigam o coração, como o excesso de peso, o tabagismo, a pressão alta e altas taxas de colesterol e glicemia. Porém, chama a atenção a persistente lentidão com que as pessoas em geral (e, em certa medida, até profissionais de saúde) suspeitam dos sintomas de algo crítico no peito.

    Essa grave falha foi escancarada por uma pesquisa do Imperial College London, na Inglaterra, recém-publicada no jornal científico The Lancet. Os autores reuniram dados sobre todos os 135 mil óbitos por ataque cardíaco que ocorreram na Inglaterra entre 2006 e 2010. Eles descobriram que, em 16% dos casos, os indivíduos haviam visitado o hospital durante o mês anterior com dores, desmaios ou falta de ar.

    Mesmo assim, esses pontos de alerta não foram suficientes para levantar a possibilidade de um evento sério no coração. “O estudo destaca a importância de ficar atento aos sinais sugestivos do problema, uma vez que uma em cada seis pessoas passaram por consulta e não tiveram um diagnóstico correto”, analisa o médico Marcus Bolívar Malachias, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

    É óbvio que as pontadas agudas no peito são a face mais conhecida e comum do infarto. Mas nem sempre essa sensação dá as caras. Aliás, um músculo cardíaco em parafuso se entrega por outras vias também. “Entre elas, podemos citar dificuldades para respirar, palidez, suor frio, náuseas, vômitos, tontura, confusão mental, perda de consciência e dores difusas nas costas, nos braços e na mandíbula”, lista o médico Agnaldo Píspico, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

    O estabelecimento deles está relacionado à conexão entre diferentes estruturas do sistema nervoso que transmitem o estímulo doloroso e a região atingida. Se a obstrução aconteceu na porção inferior do coração, por exemplo, é natural experimentar desconfortos como regurgitação e azia.

    E olha que os sintomas menos famosos são corriqueiros em alguns grupos específicos, a começar pelas mulheres. Um levantamento do Centro Médico Regional de Lakeland, nos Estados Unidos, concluiu que 42% das infartadas não sentiram uma dorzinha sequer no tórax. “Elas também demoram em média uma hora a mais para ir ao pronto-socorro em comparação com os homens”, observa o cardiologista Otavio Gebara, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. Para piorar, o aumento do estresse e das incumbências com trabalho, casa e família elevou as estatísticas das doenças cardiovasculares entre o público feminino nas últimas décadas.

    Diabéticos e idosos são outros perfis de gente que tem o colapso cardíaco sem manifestar sintomas clássicos. “O diabete danifica os nervos e altera a sensibilidade à dor”, explica o cardiologista José Armando Mangione, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. A doença ainda modifica a configuração interna dos vasos sanguíneos e possibilita o surgimento de coágulos que bloqueiam a passagem do líquido vermelho.

    Nos mais velhos, o avançar das décadas deixa o coração franzino. “Muitas vezes, só vemos que um paciente de 70 ou 80 anos infartou após alguns meses, no resultado de exames de rotina”, conta o cardiologista Leopoldo Piegas, do Hospital do Coração, na capital paulista.

    Quando, então, suspeitar que sinais tão simples significam um infarto sem virar hipocondríaco? A regra essencial é ficar com a pulga atrás da orelha caso os incômodos sejam intensos e surjam do nada. Quem possui histórico familiar de enfermidades cardíacas, fuma, está acima do peso, hipertenso ou com o colesterol alto também deve ficar ligado. “É necessário socorrer na primeira hora, pois esse é o momento em que ocorre a maioria das mortes”, frisa o cardiologista Francisco Lourenço Junior, do Hospital Quinta D¿Or, no Rio de Janeiro. Não tem jeito: para o relógio trabalhar a nosso favor, rapidez é primordial. Só assim evitamos que o coração afunde em águas nada tranquilas.

    Desconfiar sempre

    Grupos em que as manifestações das emergências cardíacas não são tão clássicas

    Mulheres

    A dor pode não ser tão forte nelas e vem acompanhada de palpitações. Episódios com impacto emocional são o gatilho de muitos piripaques cardíacos nesse público.

    Idosos

    Com um coração pouco vigoroso, saem de cena as pontadas do infarto. No lugar delas, pintam sintomas como confusão mental, tontura e falta de ar.

    Diabéticos

    Açúcar demais lesa os nervos responsáveis pelas sensações dolorosas, o que mascara o aperto nos vasos do coração. Náuseas e suor frio acendem o sinal de alerta nessa turma.

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  • Na Europa do século 18, uma epidemia parecia emergir das plantações de arroz. Ninguém sabia ao certo a origem da condição, que provocava febre, calafrios, dores e até morte. A única pista era o alto número de acometidos nos arredores dos arrozais, que, por causa disso, acabaram ilegais em terras italianas e portuguesas durante quase 50 anos. Só muito tempo depois o mistério foi desfeito: o responsável pelo pânico todo era um mosquito, e a doença em questão era a malária.

    Eis que, nove décadas após a identificação do vilão, os terrenos alagados usados no cultivo do grão voltaram a gerar receio e discussão. A polêmica da vez, difundida pela internet, envolve a presença de uma substância tóxica no cereal. “Apesar de contribuir para o crescimento do arroz, a inundação potencializa sua contaminação por arsênio, metal pesado existente no solo”, explica Bruno Batista, professor de química analítica da Universidade Federal do ABC, na Grande São Paulo.

    Ocorre que a exposição crônica a esse composto aumenta o risco de câncer e doenças do coração. E olha que ele está na água, no ar e até em alguns pesticidas. Ou seja, mesmo o cultivo em áreas secas não estaria isento do problema. Mas muita calma antes de jogar fora a panela de arroz. “Nos últimos 15 anos, o limite imposto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) caiu de mil para 300 nanogramas de arsênio por grama do grão”, destaca Batista. E estudos realizados pelo químico apontam que a média que chega ao nosso prato é de 222 nanogramas por grama. Portanto, o arroz que o brasileiro consome é seguro.

    Mas tem gente lá fora que não bota muita fé no grão a despeito de ele ser branco ou integral. Andy Meharg, professor de ciências biológicas da Queen’s University of Belfast, na Irlanda do Norte, acredita que, em função do metal pesado, o arroz exige moderação, especialmente entre as crianças. “Em longo prazo, o arsênio pode comprometer o desenvolvimento físico, neurológico e imunológico”, alerta.

    Desde 1999, ao retornar de uma viagem a Bangladesh, ele tenta encontrar alternativas para deixar o grão mais saudável. O solo e a água dos países asiáticos estão entre os que apresentam maior índice da substância – daí o bafafá que ganhou a rede.

    Meharg descobriu que a maneira como se prepara o arroz ajuda a liquidar o arsênio ali escondido. De acordo com seus experimentos, utilizar duas partes de água para uma do alimento e deixá-lo ferver até evaporar é um erro. “Aumente a quantidade de líquido para cinco medidas, retire o excesso quando atingir o ponto, e o nível de arsênio cairá quase pela metade”, ensina.

    Polêmicas internacionais à parte, não dá pra discutir a popularidade que o arroz mantém entre os brasileiros. “Anualmente, 12 milhões de toneladas são produzidas no país. É a maior quantidade registrada fora da Ásia”, afirma Andressa Silva, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), no Rio Grande do Sul, que hoje lidera com folga o ranking dos estados que mais contribuem para alcançarmos essa marca tão expressiva. Santa Catarina aparece em seguida.

    O consumo de arroz por aqui também continua inabalável. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estima que cada cidadão coma 46 quilos por ano. “O grão foi trazido pelos colonizadores portugueses e logo caiu no gosto dos nativos, tornando-se a base das nossas refeições até os dias de hoje”, conta José Almeida Pereira, pesquisador da área de Fitotecnia do Arroz da Embrapa Meio-Norte, no Piauí. Se não é de agora que o arroz possui lugar cativo à mesa e faz parte da história e do desenvolvimento do Brasil, nada mais justo do que dedicar mais tempo e atenção à compra e ao preparo, certo?

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  • foto-imagem-cancer

    Os médicos sempre falam de um futuro onde o câncer será tratado de acordo com características moleculares, e não por causa do local em que surgiu. Eis que, na semana passada, uma notícia tornou esse futuro uma realidade, o que abre as portas para uma Oncologia ainda mais personalizada e efetiva.

    A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora americana, aprovou pela primeira vez na história um medicamento com base em alterações biológicas do tumor. Isso significa que, desde que a doença apresente essa particularidade — já falaremos dela —, pode receber a droga, independentemente se está na mama, no intestino, no pâncreas, na pele…

    “Todas as indicações anteriores se baseavam no órgão afetado. A revolução está no fato de que um aspecto molecular do câncer, descoberto com exames relativamente simples, foi priorizado”, contextualiza o médico Jacques Tabacof, coordenador geral da Oncologia Clínica e da Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

    Na prática, a medicação — chamada de pembrolizumabe, da farmacêutica MSD — poderá ser empregada em quaisquer tipos de tumor avançado que não respondam aos tratamentos convencionais. Isso, claro, desde que a doença possua a tal alteração, presente em 5% de todos pacientes. Ainda é pouca gente, mas a perspectiva de termos mais armas que atuam em várias frentes é certamente positiva aos pacientes, principalmente entre os que, hoje, têm um arsenal exíguo à disposição.

    Outra coisa: o Brasil ainda não aprovou o pembrolizumabe para esse fim. Por aqui, ele só é empregado contra o melanoma, uma versão especialmente agressiva de câncer de pele. Nos Estados Unidos, mesmo antes dessa novidade, o princípio ativo já vinha sendo usado contra linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

    Por dentro do câncer… e da aprovação

    A tal característica molecular que define o uso ou não do remédio se chama instabilidade de microssatélite. Não fique com medo do nome complicado: “Trata-se de uma alteração na célula que dificulta reparos no nosso DNA”, explica Tabacof, que também atua no Centro Paulista de Oncologia (CPO). Com isso, uma mutação perigosa que normalmente seria consertada segue incólume e pode originar um câncer.

    Acontece que essa particularidade torna a moléstia, digamos, mais vulnerável à ação do pembrolizumabe, um medicamento pertencente ao grupo da imunoterapia. O remédio, na verdade, estimula as células de defesa do próprio organismo a identificarem o câncer e o atacarem.

    “Embora tenha chamado a atenção ultimamente, a droga não é a única a seguir esse princípio. É possível que, no futuro próximo, outras farmacêuticas busquem aprovações similares com seus imunoterápicos”, raciocina Tabacof. Seguindo essa lógica, talvez nos próximos anos mais fármacos sejam liberados para atuar em diversos tipos de câncer. Entendeu quão relevante é a decisão da FDA?!

    Segundo estudos que garantiram a aprovação, quase 40% dos voluntários envolvidos observaram uma melhora objetiva ao tomar pembrolizumabe — isso mesmo após outros tratamentos terem fracassado. Do pessoal que apresentou uma evolução no quadro, 78% mantiveram os benefícios por seis meses ou mais.

    Ainda assim, é importante dizer que a liberação da agência americana foi tomada com base em pesquisas preliminares. Em outras palavras, os resultados foram considerados promissores ao ponto de sustentarem a comercialização do pembrolizumabe para esse fim — mesmo sem levantamentos maiores e mais abrangentes. Novos trabalhos irão delinear com maior clareza o potencial real do princípio ativo da MSD.

    De qualquer maneira, a aprovação de uma medicação que prioriza mutações no câncer em vez do órgão afetado já balançou os alicerces da Oncologia. Resta quantificar qual a real magnitude dessa quebra de paradigma para os pacientes.

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