• foto-imagem-diverticuliteA diverticulite é uma inflamação que acontece, na maioria das vezes, no final do intestino grosso, numa de suas porções conhecidas como cólon sigmóide, que se situa pouco antes do reto. O problema dá as caras em formações chamadas divertículos, alterações na forma de pequenos tubos ou bolsas que se desenvolvem de dentro pra fora do intestino, especialmente nos indivíduos mais maduros. Estima-se que os divertículos surjam em até um terço das pessoas com mais de 50 e em dois terços das que já passaram dos 80. Isso explica porque a doença tem predileção por quem está nessa faixa etária, mais especificamente até os 70 anos. Mas, em grande parte dos casos, os divertículos não causam transtornos.

    Não se sabe ao certo porque eles aparecem, mas acredita-se que sua origem pode estar relacionada ao aumento da pressão interior do intestino, por conta de uma dieta com poucas fibras, por exemplo, combinada ao enfraquecimento de regiões da parede intestinal. “Curiosamente, nos orientais, os divertículos e a diverticulite são mais comuns no início do intestino grosso, próximo da área onde fica o apêndice”, conta Celso Bernini, diretor técnico do Serviço de Cirurgia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Assim, não é de estranhar que nesse grupo específico o problema seja bastante confundido com uma apendicite.

    A diverticulite ocorre quando alguma coisa provoca uma inflamação no divertículo. Um acúmulo excessivo de muco ou fezes pode estar por trás da chateação. Outras vezes, um fecalito, pequena porção endurecida de fezes, entra ali e não consegue sair, entupindo tudo. Na maioria das vezes, as crises de diverticulite se resolvem sozinhas ou com auxílio de remédios para combater a inflamação e a dor além de alterações na alimentação. Os sintomas mais comuns são uma sensação dolorosa na parte inferior esquerda do abdômen, prisão de ventre ou diarréia e, embora mais raros, sangramentos – que, felizmente, se curam sozinhos em 90% dos casos. Vale lembrar que o tratamento dá um basta na diverticulite, mas os divertículos permanecem no intestino.

    Os quadros mais complicados podem vir acompanhados de uma infecção. Daí, o divertículo começa a acumular pus até se romper, contaminando a cavidade abdominal. O sangramento, comum nos mais idosos, chega a demandar transfusões de sangue se não cessa. “Esses casos demandam maior atenção, porque os pacientes costumam apresentar outros problemas de saúde, como hipertensão, doenças cardíacas ou diabete que, associados a uma hemorragia, são potencialmente perigosos”, diz Celso Bernini. Aí, não há escapatória: a solução é a cirurgia para remover a porção do intestino onde estão os divertículos. “Mas apenas 10% das diverticulites exigem um procedimento cirúrgico”, afirma o médico. Quando as crises, mesmo com tratamento, seguem frequentes, ocorrendo duas ou três vezes ao ano, a mesa de operação também é a saída recomendada.

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    A gênese de uma inflamação
    Entenda como a evolução dos divertículos pode culminar em uma diverticulite

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    Bolhas intestinais
    Quando o intestino não trabalha direito, há um aumento da pressão dentro do órgão. Esse fenômeno propicia a formação de divertículos, que podem ser comparados a bolhas na parede do intestino grosso. Normalmente se situam numa região chamada cólon sigmoide, que fica no lado esquerdo e inferior do abdômen.

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    cúmulo de fezes
    Pedaços de fezes, um verdadeiro reduto de bactérias, se intrometem e passam a se acumular dentro do divertículo. Até aí a diverticulite ainda não se manifesta.

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