• Ludwig van Beethoven (1770-1827) já estava praticamente surdo quando começou a criar, aos 48 anos, sua obra mais famosa, a Nona Sinfonia. Se existissem aparelhos auditivos na Viena do século 19, o compositor, que sofria de otosclerose, doença genética que compromete a estrutura interna do ouvido, teria conseguido trabalhar até o fim da vida.

    Quase dois séculos depois, esses dispositivos eletrônicos prestam serviço a pessoas nas mais diversas faixas etárias e ocupações – de músicos a quem curte “apenas” ouvir um som. E, agora, dão um concerto de modernidade: estão cada vez menores e mais conectados, são à prova d’água e ostentam baterias de longa duração.

    Não pense que é pouca gente que deve comemorar a tendência. No Brasil do século 21, algo em torno de 10 milhões de cidadãos apresentam algum grau de perda auditiva. Desse total, 2 milhões não ouvem quase nada e só se comunicam quando o interlocutor aumenta bastante o tom de voz.

    “A causa mais prevalente de perda auditiva é o envelhecimento”, aponta a fonoaudióloga Luciana Macedo de Resende, da Universidade Federal de Minas Gerais. “No entanto, a surdez decorrente de poluição sonora tem ocorrido em uma idade cada vez mais precoce”, alerta. É isso que amplia o escopo de atuação dos aparelhos auditivos. “Sempre que a perda de audição interferir na comunicação e no aprendizado, o médico deve indicá-los”, diz o otorrinolaringologista José Ricardo Testa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia.

    O déficit auditivo tem, em geral, dois grupos de causas: as congênitas, como a otosclerose de Beethoven, e as ambientais, caso da idade e da exposição a barulho. Diante de suspeitas, o conselho é fazer os exames audiológicos. “O ideal é detectar o problema quanto antes. Isso não quer dizer que a deficiência vai estacionar ou regredir, mas, com o uso de uma prótese, conseguimos maximizar a audição do usuário”, explica Thelma Costa, presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia.

    Os dispositivos modernos

    É aí que entra a nova geração de aparelhos auditivos. Falamos de apetrechos que, de tão pequenos, praticamente somem na mão do usuário. De versões com baterias duradouras. De modelos que se conectam à internet e a outras plataformas.

    O futuro já começou nesse mercado que, só nos Estados Unidos, tende a crescer 5% ao ano até 2020 – algo que deve ecoar no Brasil. “O tamanho do aparelho ainda é o maior atrativo para quem sofre de perda auditiva. Quanto menor, melhor para o paciente”, observa a fonoaudióloga Thelma Costa.

    Por aqui, um dos principais destaques na seara de lançamentos é o aparelho Opn, da Telex Soluções Auditivas, o primeiro conectado à internet. Com tecnologia de última geração, ele dá ao usuário a possibilidade de se ligar, via internet ou bluetooth, a celulares, tablets e computadores. Não bastasse, ainda permite ao dono decidir o som que mais lhe interessa captar no ambiente e ajustar o volume do ruído ao seu redor. “O resultado é uma audição muito próxima ao normal”, garante a fonoaudióloga Isabela Carvalho, especialista em audiologia da Telex.

    Na trilha das inovações, a companhia Phonak acaba de lançar o Audéo B-R, que inaugura a classe de aparelhos recarregáveis no planeta. Com apenas três horas de carga, proporciona uma autonomia de 24 horas de audição.

    O segredo está nas baterias de íons de lítio, semelhantes às usadas em celulares. “O fato de o indivíduo não precisar manusear baterias microscópicas encoraja muitos deles, principalmente os mais idosos, a aderir ao uso”, avalia a fonoaudióloga Talita Donini, gerente de produtos da Phonak.

    Há ainda modelos que permitem fazer mergulhos de até 1 metro de profundidade durante 30 minutos. E detalhe: ouvindo música durante o nado.

    De fato, por mais arrojados que sejam os novos modelos, a relutância em usá-los ainda é grande. Para muitos, aparelho auditivo é sinônimo de velhice ou, pior, surdez. E nem adianta argumentar que pessoas usam óculos de grau e, nem por isso, são chamadas de cegas. Puro preconceito ou falta de informação, né?

    “Essa rejeição costuma ser natural no início”, diz a fonoaudióloga Kátia de Freitas Alvarenga, da Universidade de São Paulo (USP). “Depois que você explica que o aparelho vai ajudá-los a recuperar a habilidade de ouvir e interagir, tendem a perder o preconceito”, explica.

    Em nome da discrição, porém, empresas já vêm bolando aparelhinhos totalmente internos – ao contrário das versões tradicionais, esses dependem de um procedimento para a instalação. No Brasil, 35 pacientes, com graus de deficiência de leve a severa, já se submeteram à técnica que consiste em implantar um dispositivo de 3,5 milímetros de espessura dentro do ouvido.

    “A exemplo dos modelos convencionais, ele amplifica o som que chega ao ouvido. Só que fica debaixo da pele e ninguém vê”, descreve o otorrino Iulo Baraúna, que realizou a primeira cirurgia com o sistema da Cochlear no país.

    O fim do silêncio

    Apesar da eficácia nos casos de déficit leve ou moderado, há situações que os aparatos de última geração não resolvem. Quando a perda auditiva é profunda, por exemplo, não raro a solução recai no implante coclear. Nessa intervenção, já batizada de “ouvido biônico”, eletrodos fazem as vezes da cóclea, lá dentro da orelha. “A técnica é indicada nos graus severo e profundo ou quando os aparelhos já não oferecem benefício”, esclarece Luciana de Resende.

    Foi assim com a gaúcha Paula Pfeifer Moreira, de 36 anos. Quando ela tinha 16, foi diagnosticada com surdez severa. Ao completar 31 anos, já sem ouvir absolutamente nada, decidiu fazer a cirurgia de implante coclear – em 2013, no ouvido direito e, em 2016, no esquerdo. “A adaptação foi mágica e cansativa ao mesmo tempo. Mas não me arrependo. Faria tudo outra vez”, conta Paula, que já conversa normalmente ao telefone, algo que não fez durante 15 anos. De casos brandos a graves, é a tecnologia progredindo em busca dos decibéis perdidos.

    Perda auditiva não escolhe idade

    Na infância, ela pode ser causada por infecções, lesões na cabeça ou remédios tóxicos ao ouvido. “O tratamento deve ocorrer logo após o diagnóstico. Caso contrário, ocorrem prejuízos ao córtex auditivo”, explica a fonoaudióloga Kátia de Freitas Alvarenga, da USP. A

    inda que isso aconteça, felizmente existe um número expressivo de aparelhos para os pequenos. Uns com luzes que indicam falta de bateria, outros com presilhas que evitam a perda da prótese… “Só que as crianças precisam de uma equipe bem treinada para ajudá-las a se adaptar ao dispositivo”, salienta a otorrino Tânia Sih, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

    Os graus da perda de audição

    Leve: a pessoa até interage em um bate-papo entre amigos, mas tem dificuldade para decifrar cochichos, por exemplo.

    Moderada: não se consegue falar ao telefone ou assistir à televisão sem aumentar o volume do aparelho.

    Severa: é impossível manter uma conversa em tom normal (60 dB). O indivíduo só consegue escutar ou se faz entender em volume bem alto.

    Profunda: a pessoa escuta apenas ruídos estridentes como os de buzina, de britadeira ou aparelho de MP3 no volume máximo (entre 110 e 130 dB).

    Tags: ,

  • foto-imagem-artrite

    Quem sofre de artrite reumatoide logo vai poder encontrar no Sistema Único de Saúde (SUS) um medicamento que torna a terapia mais prática e eficaz em alguns casos. O prazo para que isso ocorra é de 180 dias, contados a partir do dia 2 de fevereiro.

    Disponível no nosso país desde 2015, ele apresenta o mesmo perfil de eficácia e segurança dos medicamentos biológicos. Isso com a comodidade de ser um comprimido, o que pode contribuir para a adesão ao tratamento, segundo um comunicado da Pfizer Brasil, empresa que fabrica o fármaco. Os outros medicamentos biológicos são aplicados por injeções, mensais ou semanais.

    Para entender o mecanismo de ação do citrato de tofacitinibe, é necessário saber como começa a artrite reumatoide. Primeiro, uma molécula inflamatória, a citocina, conecta-se a uma célula de defesa do corpo, o linfócito.

    Depois, uma partícula proteica, a janus quinase, começa a trabalhar, estimulando a produção de mais e mais citocina – o que causa dores e inflamações nas articulações. É como se elas fossem corroídas aos poucos. O remédio, por sua vez, bloqueia a tal janus quinase, cortando o ciclo.

    A droga liberada pelo SUS é indicada para adultos com essa doença autoimune em intensidade moderada a grave e que não tenham respondido adequadamente aos tratamentos convencionais. A estimativa é que 30% dos pacientes se enquadrem nesses quesitos. No Brasil, a porcentagem corresponderia a 600 mil casos que, agora, podem ter acesso à medicação gratuitamente.

    Tags: , ,

  • foto-imagem-mosquito-transmissor-da-malaria

    Pesquisadores acreditam que, se os testes fora do laboratório forem bem-sucedidos, o inseto transgênico pode se tornar alternativa para impedir a transmissão da doença para os humanos.

    Usando um método conhecido como Crispr, os cientistas inseriram um gene no DNA de mosquitos que impediu a infecção pelo protozoário causador da malária.

    Quando os insetos procriaram, a prole herdou a mesma resistência dos pais, informou o estudo, publicado na revista científica PNAS.

    Em teoria, se esses mosquitos picarem as pessoas, a doença não seria transmitida, acrescentaram os cientistas.

    Cerca de 3,2 bilhões de pessoas ? ou metade da população mundial ? correm risco de contrair malária.

    Telas de proteção, inseticidas e repelentes podem ajudar a conter os insetos e medicamentos são administrados a quem contrai a doença. Ainda assim, a malária mata cerca de 580 mil pessoas por ano.

    ‘Papel primordial’

    Cientistas vêm buscando novos meios para combater a malária.

    A equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia diz acreditar que o mosquito transgênico poderia desempenhar um papel primordial em interromper a transmissão do vírus.

    Para criar o inseto transgênico, os cientistas usaram um tipo de mosquito encontrado na Índia, o Anopheles stephensi.

    De acordo com Anthony James, responsável pelo estudo, um novo código de DNA foi inserido no genoma do mosquito para torná-lo menos propenso a hospedar o parasita da malária.

    O DNA, que inclui os anticorpos que combatem o parasita, foi herdado por quase 100% de todo a prole dos mosquitos e por várias gerações.

    Os pesquisadores acreditam que as descobertas geram esperanças de que o mesmo método possa ser usado em outras espécies de mosquitos.

    Embora não seja a única solução para erradicar a malária, o inseto seria uma arma adicional, dizem eles.

    David Conway, especialista britânico da London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse: “Não se trata de um produto acabado mas certamente parece promissor. Parece ser uma alternativa para este problemas por vias genéticas”.

    Outros cientistas pretendem usar mosquitos geneticamente modificados para deixá-los inférteis e, assim, erradicar a doença. Mas alguns especialistas temem que eliminar inteiramente os mosquitos pode gerar consequências inesperadas e não desejadas.

    Nesse sentido, substituir os mosquitos transmissores da doença por espécies inofensivas é uma alternativa potencial.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-dor-costas

    Dor no ciático, hérnia e rigidez no pescoço são alguns dos problemas que podem se tornar crônicos e trazem limitações na hora de fazer exercícios.

    “Ficar sentado durante tanto tempo nos obriga a adotar uma postura que não é adequada para o corpo humano”, afirmou à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, Sebástian Pineda, diretor da Escola de Capacitação de Personal Trainers, que atua em países como México e Colômbia.

    Há práticas que podem ser adotadas tanto para melhorar como para aliviar o quadro de dor nas costas, segundo o especialista. Atividades como pilates, natação e caminhada, além de exercitar o corpo, ajudam a criar o hábito de se manter em boa postura.

    “Muitos de nós não mantêm uma rotina adequada de atividades físicas. Como os músculos sustentam o corpo e são acionados todo o tempo, eles vão começar a doer de alguma maneira se não forem exercitados”, explica.

    Confira a seguir alguns dos exercícios indicados para quem sofre do problema.

    Pilates

    foto-imagem-pilates

    Antes de tudo, é preciso que pessoas que sofrem de dor nas costas obtenham autorização médica antes de começar a se exercitar.

    Isso porque há o risco de determinadas atividades piorarem sua condição. “A primeira coisa a se fazer é obter uma indicação médica ou a permissão de quem está tratando o problema”, diz Pineda.

    O pilates, série de exercícios geralmente feitos em espaços fechados e realizados de maneira controlada, é uma das melhores formas de colocar o corpo em atividade sem pôr em risco os músculos das costas.

    “O cinturão abdominal é a parte mais exercitada no pilates, e a maioria das pessoas que trabalha essa área do corpo não sofre de nenhuma doença nas costas”, explica Pineda.

    Além disso, segundo o especialista, o pilates ajuda a pessoa a respirar melhor e obriga o corpo a adotar a postura adequada.

    “O pilates é uma excelente maneira de melhorar e fortalecer as costas com alguns poucos exercícios selecionados. Uma pequena sessão, pouco a pouco, pode fazer uma grande diferença”, afirmou à revista Healthy Magazine a personal trainer norte-americana Lorraine Furmedge.

    Natação

    foto-imagem-natação

    É um dos exercícios mais recomendados pelos médicos a pessoas com problemas crônicos nas costas.

    Uma das premissas para essa indicação é que as costas não sofrem com a posição exigida pelo exercício nem com o impacto dele, diferentemente de quando se corre, por exemplo.

    “A natação é um esporte integral, que trabalha especialmente a parte superior do corpo. É um grande tonificador das costas”, diz Pineda.

    Uma boa rotina de natação também pode ajudar a melhorar a respiração, o que é fundamental para se adotar uma boa postura.

    “A maioria das dores sentidas nas costas tem a ver com a falta de disciplina do corpo. E a natação, com o movimento constante de braços e pernas, ajuda nisso.”

    Pedalar

    foto-imagem-bike

    Primeira advertência: pedalar na rua não é um bom exercício para as costas por causa da postura que obriga a pessoa a adotar.

    O que se recomenda para pessoas com esse problema é ir à academia e ajustar a bicicleta ergométrica de forma que as costas fiquem em sua posição natural, não curvada, enquanto se pedala.

    “A bicicleta é uma excelente alternativa por causa do movimento das pernas e do fortalecimento de alguns músculos do quadril. E ter um apoio obriga a pessoa a ficar nessa posição (benéfica) durante um grande período de tempo”, explica o treinador.

    Há ainda outros exercícios de academia que podem ajudar a melhorar os problemas nas costas.

    “Mas é preciso ter uma orientação adequada, pois muitas das dores no corpo são provocadas por práticas erradas na hora de se exercitar”, diz.

    Em casa

    foto-imagem-exercício-em-casa

    Segundo Pineda, há várias maneiras de tonificar as costas sem ter de ir a uma academia ou a uma piscina.

    “Para mim, os exercícios de alongamento são chave. Por isso, mais que o pilates ou a natação, recomendo a ioga, que ajuda a mover o corpo de acordo com a respiração”, afirma.

    Também são indicadas atividades que podem ser feitas usando barras ou estruturas semelhantes.

    “É possível realizá-los com uma barra em casa, ou mesmo com uma mesa. A ideia é fazer que o corpo se exercite de maneira suave e sem forçá-lo demais, para evitar que as costas se machuquem”, completa o especialista.

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-alzheimer-cerebroEm um estudo publicado na revista científica Nature, cientistas da University College London argumentam que instrumentos cirúrgicos e agulhas poderiam apresentar um raro mas potencial risco de contágio.

    É importante ressaltar que se trata de uma estimativa ainda teórica, feita com base em autópsias de cérebros de oito pacientes. Outros especialistas já refutaram os resultados do estudo, dizendo que eles são inconclusivos e que não significam que o Alzheimer possa ser contagioso.

    Também não existem evidências de transmissão do Alzheimer entre pessoas, ou seja, não é possível pegar Alzheimer pelo contato com pessoas que tenham a doença.

    Doença

    O Alzheimer é um tipo de demência que é mais comum em pessoas de idade avançada. Trata-se de uma “morte” de células cerebrais e de um encolhimento do órgão, o que afeta muitas de suas funções. Cerca de 35 milhões de pessoas no mundo sofrem de Alzheimer.

    foto-imagem-alzheimer

    No Brasil, estima-se que a doença degenerativa afete cerca de 1,2 milhão de pessoas, muitas delas ainda não diagnosticadas.

    A Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) pode afetar pessoas mais jovens.
    ____________________________________________________________________

    Análise: ‘Estudo deve ser visto com cautela’

    Estudos como este talvez precisassem vir com um aviso: “pode causar alarme desnecessário”.

    Dizer isso não significa desacreditar seu valor científico – os resultados são interessantes e importantes para aprofundar o conhecimento.

    Mas eles devem ser interpretados com cautela: há muitos “se” para que seja possível chegar a qualquer conclusão firme.

    Os cérebros observados são de um pequeno grupo de pacientes submetidos, anteriormente, a um tipo de tratamento que já foi abandonado há muitos anos.

    Embora ainda não esteja claro o motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvam o Alzheimer e outras não, especialistas concordam que não é possível “pegar” a doença, como se fosse uma gripe.

    ____________________________________________________________________

    Há dois grandes sinais do Alzheimer que podem ser detectados por cientistas. O primeiro é um aglomerado de fragmentos proteicos da proteína beta-amiloide, chamados de placas amiloides. O outro é a presença de emaranhados de uma proteína conhecida como tau.

    Quando a equipe de cientistas comandada John Collinge estudou os cérebros de pacientes recém-falecidos em função da Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD, na sigla inglesa), topou justamente com essas pistas.

    Baixo

    Todos os pacientes tinham contraído a doença através de injeções de hormônio de crescimento que receberam quando crianças. Entre os oito corpos estudados, sete tinham depósitos amiloides, algo surpreendente por causa da idade relativamente jovem (entre 31 e 51 anos) porque eles não tinham histórico familiar de Alzheimer.

    Para Collinge, a descoberta sugere que os hormônios podem ter passado pequenas quantidades – ou “sementes” – de beta-amiloides, além das proteínas que causaram o CJD.

    Isso significa que, em teoria, amiloides podem ser espalhados acidentalmente em procedimentos médicos e cirúrgicos e “semear” o Alzheimer.

    foto-imagem-alzheimer-idoso

    Estudos feitos em animais corroboram a tese, mas é preciso cautela.

    Nenhum dos pacientes analisados teve diagnóstico de Alzheimer e não está claro se desenvolveriam demência. Também não há provas de que o acúmulo de amiloides estava diretamente ligado às injeções de hormônios.

    Collinge, por sinal, afirma que mais estudos precisam ser feitos. Ele diz já ter contactado o Ministério da Saúde do Reino Unido para checar se existem antigos estoques de hormônio de crescimento que podem ser examinados para detectar a presença de amiloides.

    “Não acho que seja causa para alarme. Ninguém precisa adiar ou cancelar cirurgias”, disse o cientista.

    Tratamentos com injeções de hormônio de crescimento – extraídos de cadáveres humanos – foram interrompidos em 1985 depois de descoberto o risco de contágio com CJD. Testes especiais passaram a ser feito em hospitais para minimizar os riscos.

    Para o médico Eric Karran, diretor da Alzheimer Research UK, entidade que promove pesquisas sobre a doença, as atuais medidas de profilaxia hospitalar já tornam o risco de contágio com CJD extremamente baixo, e mesmo que se confirme o risco de transmissão do Alzheimer, há fatores mais determinantes.

    “Os principais fatores de risco do Alzheimer ainda são idade, genética e hábitos”, afirma Karran.

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-EUAMais de 80 pessoas tiveram contato direto ou indireto com o primeiro paciente diagnosticado com Ebola nos Estados Unidos, disseram autoridades de saúde nesta quinta-feira, e quatro familiares do paciente foram colocados em quarentena como precaução.

    Representantes do condado de Dallas, no Estado norte-americano do Texas, disseram que entre 12 e 18 pessoas tiveram contato direto com o paciente antes de, por sua vez, travarem contato com dezenas de outros. Todos estão sendo monitorados e nenhum manifestou sintomas.

    Uma autoridade médica de alto escalão pediu aos hospitais dos EUA para extraírem lições do episódio em Dallas, onde um hospital mandou o paciente retornar para casa inicialmente, apesar da informação de que ele havia visitado a África Ocidental recentemente, o que potencialmente expôs mais pessoas ao vírus.

    EUA prometem protocolo de isolamento rigorosos para limitar riscos do ebola

    Autoridades médicas do Texas ordenaram quatro familiares “próximos” ao paciente a não receberem visitantes e disseram que eles poderiam ser presos, caso saiam de casa sem permissão até o dia 19 de outubro. Os quatro, no entanto, não exibem sintomas.

    “Temos protocolos testados e verdadeiros para proteger a população e conter a propagação da doença”, disse o médico David Lakey, comissário de Saúde do Texas. “Esta ordem nos dá a capacidade de monitorar a situação da forma mais meticulosa.”

    Autoridades médicas têm pedido aos funcionários de saúde dos EUA que examinem pacientes para identificar possíveis traços da doença, e que perguntem aos pacientes sobre seu histórico de viagens.

    “Infelizmente, isso não aconteceu nesse caso”, disse o médico Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas. “Precisamos apenas colocar isso para trás, olhar para frente e ter certeza de que isso não se repita no futuro.”

    Mais de dez pessoas são isoladas após contato com paciente de ebola nos EUA

    O paciente de Dallas, proveniente da Libéria, buscou por tratamento inicialmente em um hospital presbiteriano do Texas na quinta-feira da semana passada, mas foi medicado com antibióticos e enviado de volta para casa, apesar de ter contado à enfermeira que esteve recentemente no oeste da África. No domingo, ele precisou de um ambulância para retornar ao mesmo hospital.

    Na quarta-feira, representantes do hospital admitiram que a informação sobre a viagem do homem não foi compartilhada com os outros funcionários que o trataram.

    Ligação de aviso

    O paciente não teve o nome revelado pelo hospital por questões de privacidade. No entanto, Gee Melish, que alega ser amigo da família, identificou o homem como Thomas Eric Duncan.

    Após diagnóstico de ebola nos EUA, médicos investigam propagação do vírus

    Josephus Weeks, sobrinho de Duncan, disse em entrevista ao canal NBC, na quarta-feira à noite, que seu tio não recebeu tratamento para o Ebola até Weeks ter ligado pessoalmente aos Centros de Controle de Doenças federais (CDC, na sigla em inglês) em Atlanta para relatar a suspeita de infecção com o vírus. Ele disse ter feito a ligação no dia em que Duncan retornou do hospital em Dallas.

    Um porta-voz do CDC afirmou nesta quinta-feira que a agência buscava confirmar se e quando tal ligação teria sido feita.

    Tags: , , , , ,

  • explosao-de-raiva-infarto-derrame

    Segundo os autores do estudo, rompantes de fúria podem funcionar como um “gatilho” para tais episódios.

    Eles identificaram as duas horas subsequentes a uma explosão de cólera como as de maior risco para a saúde de um indivíduo.

    Mas os cientistas responsáveis pelo estudo alegam que mais pesquisas são necessárias para entender como funciona essa conexão e descobrir se estratégias para desanuviar o estresse podem evitar tais complicações.

    Pessoas que já tenham histórico de doenças cardíacas também apresentam maior risco de saúde caso passem por episódios de descontrole emocional, afirmou o estudo americano, publicado na revista científica European Heart Journal.

    Nas duas horas imediatamente subsequentes ao ataque de raiva, o risco de uma parada cardíaca aumentou cinco vezes e o de derrame mais de três vezes, identificou o levantamento, baseado em nove pesquisas diferentes.

    O estudo foi feito a partir da análise de dados de milhares de pessoas.

    Temperamento explosivo

    Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard afirmaram que o risco de um ataque de raiva na população comum é relativamente baixo – a chance de um indivíduo sofrer uma parada cardíaca atinge uma a cada 10 mil pessoas com baixo risco cardiovascular que tenham rompantes de fúria uma vez por mês.

    Para pessoas com alto risco cardiovascular, o risco aumenta para quatro em cada 10 mil.

    Mas, segundo pesquisadores, o risco é cumulativo, o que significa que indivíduos com temperamento explosivo têm chance maior de sofrer tais problemas.
    Na avaliação da pesquisadora Elizabeth Mostofsky e sua equipe, responsáveis pelo estudo, cinco ataques de raiva podem resultar em 158 paradas cardíacas por 10 mil pessoas com baixo risco cardiovascular por ano, aumentando para 657 paradas cardíacas por 10 mil pessoas com alto risco cardiovascular.

    Segundo ela, “embora o risco de sofrer um ataque cardíaco após uma explosão de raiva é relativamente baixo, o risco pode acumular dependendo do número de episódios em que o indivíduo perca o controle”.

    Ainda não está claro, no entanto, por que a raiva pode ser perigosa – os pesquisadores destacam que os resultados não necessariamente indicam que a cólera causa problemas cardíacos e de circulação.

    Especialistas já constataram que o estresse crônico pode provocar um ataque cardíaco parcialmente porque aumenta a pressão sanguínea, mas também porque muitas pessoas reagem de forma insalubre a crises de estresse – fumando ou bebendo muito álcool, por exemplo.

    Os pesquisadores afirmaram que valeria a pena testar a eficácia de estratégias que evitem ou combatam o estresse, como ioga por exemplo.

    Segundo Doireann Maddoc, da Fundação do Coração do Reino Unido, “não está claro o que causa esse efeito. Ele pode estar ligado a mudanças psicológicas que a raiva causa em nossos corpos, mas mais pesquisa é necessária para explorar a biologia por trás disso”.

    “A maneira como você lida com a raiva e o estresse também é importante. Aprender como relaxar pode ajudar a aliviar situações de alta pressão. Muitas pessoas acham que a atividade física pode ajudar a desanuviar após um dia estressante”.

    Tags: , , , , ,

  • foto-imagem-nova-forma
    Com uma festa engatada na outra, é bem provável que você tenha exagerado nas comilanças no final do ano – e um pouco depois. Está achando impossível aproveitar o resto do verão com um corpo sequinho?

    Maçã
    Fonte de quercetina, um potente anti-inflamatório natural, vai dar ânimo e desinchar você.

    Chá-verde
    Tem catequinas diuréticas. Facilita a saída de elementos tóxicos do corpo, pelo suor e pela urina. Tome até o anoitecer para não atrapalhar o sono.

    Frutas vermelhas
    Pouco calóricas, têm flavonoides, antioxidantes que turbinam o processo de detoxificação.

    Couve

    Rica em clorofila, que limpa o fígado, metabolizador de tudo (incluindo drinques) que entra no corpo. Inclua em sucos, em jejum, para agir melhor.

    Limão, laranja e grapefruit
    Com poderosa ação solvente de lipídeos, ajudam a eliminar as danadas das gordurinhas localizadas.

    Tags: , , ,

  • foto-imagem-saude
    Uma adolescente começa a ler um poema de Rudyard Kipling, rompendo o silêncio em uma sala cheia de idosos: “se puder manter a calma/quando todos à tua volta já a perderam”, quando um deles, doente de Alzheimer, completa com um murmúrio: “você será um homem, meu filho!”.

    Para combater a perda de memória que afeta 800 mil pessoas no Reino Unido, instituições especializadas e hospitais estão recorrendo à poesia.

    A melodia e o ritmo de versos conhecidos consegue bater na porta da memória, servem de “detonador que ativa” a palavra e as lembranças, explicou Jill Fraser. A associação “Kissing it Better”, que ela dirige, organiza leituras em asilos para idosos.

    Quando os pacientes “escutam uma palavra que conseguem lembrar de um poema, eles ganham o dia”, contou Elaine Gibbs, diretora do lar para idosos Hylands, que abriga 19 velhinhos em Stratford upon Avon, terra natal de William Shakespeare, região central da Inglaterra.

    Mais de 40% dos brasileiros acreditam que diabetes é doença exclusivamente de idosos, revela pesquisa Com os cabelos grisalhos presos e vestido florido, Miriam Cowley ouve com atenção uma jovem que lê o poema À Margarida, de William Wordsworth, um clássico nas escolas britânicas.
    Esta antiga professora, que sofre com a perda de memória recente disse que “sabia o poema, mas tinha esquecido. Aprendi quando era menina”.

    — Terei belos sonhos, sonhos tranquilizadores, de margaridas e árvores.

    Quando se chega a este centro, “todo mundo está sentado em seu canto e, de repente, você começa a ler um poema em voz alta e vê como o olhar deles se ilumina”, explicou Hannah Ciotkowski, uma voluntária de 15 anos.

    Segundo Anita Wright, de 81 anos, ex-atriz da respeitada companhia Royal Shakespeare (RSC), que também lê neste lar e integra o projeto “Kissing it Better”, que conta com voluntários de 6 a 81 anos, “é maravilhoso quando se juntam a você para terminar um verso”.

    O ritmo da poesia “cola no nosso eu mais profundo”, assegurou Lyn Darnley, que chefia o departamento de voz e texto da RSC.

    — A poesia pode afetar, recuperar lembranças, não só emoções, mas também da profundidade da linguagem.

    Anita Wright lembrou de uma experiência emocionante. Ela estava lendo um poema sobre um homem que se despedia da amada, quando uma idosa começou a chorar e lembrou da morte do namorado.

    — Não tinha dito uma só palavra desde que entrou na instituição e este poema abriu as comportas porque remeteu a um episódio de sua vida.

    Dave Bell, enfermeiro da organização Dementia UK, que luta contra o Alzheimer, disse que “a poesia não cura a senilidade”.

    — Mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que lembram de algo. [Além disso], permite criar um laço entre gerações.

    Hannah, de 15 anos, garantiu que “quando for velha, vou querer que as pessoas venham me ver para ler poemas e cantar músicas para mim”.

    Tags: , , , , , ,

  • foto-imagem-depressaoExames de laboratório mostram que as células parecem ser biologicamente mais velhas em pessoas que sofreram ou sofrem casos graves de depressão.

    Os pesquisadores detectaram essas diferenças em uma estrutura da célula chamada telômero. O comprimento destas estruturas é usado para medir o envelhecimento celular.

    Os especialistas já sabiam que as pessoas que sofrem de depressão têm um risco maior de desenvolver doenças ligadas ao envelhecimento, como alguns tipos de câncer, diabetes, obesidade e doenças cardíacas.

    Isso pode derivar, em parte, de um estilo de vida não muito saudável, que incluiria também o consumo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo.

    O estudo foi publicado a revista especializada Molecular Psychiatry.

    Telômeros curtos
    Josine Verhoeven, do Centro Médico da Universidade VU, na Holanda, junto com colegas americanos, recrutou 2.407 pessoas para participarem do estudo.

    Mais de um terço desses voluntários sofria de depressão; um terço tinha passado por um caso grave de depressão; e o restante nunca havia tido a doença.

    Os voluntários deram uma amostra de sangue para os pesquisadores analisarem, em busca de sinais de envelhecimento celular. Eles buscavam alterações nos telômeros.

    Os telômeros protegem os cromossomos, que contêm o DNA. A função do telômero é proteger os cromossomos de possíveis danos e, à medida que as células se dividem, eles vão ficando cada vez mais curtos.

    Medir o tamanho destes telômeros é uma forma de avaliar o envelhecimento celular.

    As pessoas que estavam com depressão ou já tinham sofrido com a doença no passado tinham telômeros bem mais curtos do que os que nunca tinham passado por isso.

    Essa diferença era aparente mesmo quando eram levadas em conta diferenças no estilo de vida, como o fato de alguns voluntários fumarem ou beberem muito.

    Além disso, os pesquisadores descobriram que os pacientes com casos de depressão bem mais graves ou crônicos tinham os telômeros mais curtos entre todos os voluntários.

    Reação à angústia
    Verhoeven e os outros cientistas especulam que os telômeros mais curtos podem ser uma consequência da reação do corpo à angústia causada pela depressão.

    “Esse estudo em larga escala fornece provas convincentes de que a depressão está associada a muitos anos de envelhecimento biológico, especialmente entre aqueles que sofrem com os sintomas mais graves e crônicos”, afirmaram os cientistas no estudo.

    Ainda não está claro se esse processo de envelhecimento pode ou não ser revertido.

    A médica britânica Anna Phillips, especialista da Universidade de Birmingham, pesquisou os efeitos do estresse no comprimento dos telômeros.

    Segundo a médica, o comprimento dessa estrutura celular não fornece uma previsão consistente para outros problemas, como o risco de morte.

    Phillips também afirmou que é provável que um grande problema de saúde relacionado à depressão – não um episódio ou uma vida inteira de sintomas moderados da doença – desencadeie a redução dos telômeros.

    Tags: , , , ,