• Segundo um texto que circula nas redes sociais, o professor Chen Huiren, do Hospital Geral da China, descobriu a cura para todos os tipos de câncer. É bem simples: basta tomar água de coco quente – não aquela tradicional, mas uma feita com flocos finos do fruto. Isso seria o suco de coco quente.

    Só que a história não tem quase nada de verdade. Desde 2017, ela é desmentida por autoridades e veículos da imprensa, inclusive de outros países. Ainda assim, vira e mexe ela ressurge, com um outro detalhe diferente.

    “Não há nenhum estudo sobre o assunto, mas infelizmente essa notícia falsa se espalhou pelo mundo”, comenta Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center.

    O único elemento real do texto é que existe um cientista chamado Chen Hui-Ren (o nome está um pouco diferente mesmo), que atua no Hospital Geral da China. Seu nome está no Research Gate, site que compila pesquisadores do mundo todo.

    Segundo o portal, ele desenvolve estudos sobre alguns tipos de câncer. Porém, nenhum aborda o coco.

    Daqui em diante, é inconsistência atrás de inconsistência. Comecemos pela ideia de que uma única estratégia é capaz de eliminar qualquer tumor.

    “O câncer não é uma doença só. Por isso, é impossível existir um remédio que mate todas as suas versões”, aponta Clarissa Baldotto, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

    Mais uma fake news envolvendo a água alcalina

    Uma versão semelhante da história faz sucesso há anos na internet, com a limonada quente como protagonista. Segundo a mensagem, a mistura de limão (ou coco, se você preferir) e água aquecida tornaria o líquido alcalino, o que liberaria uma substância “que é o mais recente avanço no tratamento de câncer, cistos e tumores”.

    A água alcalina é a protagonista, aliás, de vários boatos sobre saúde. Não existe, contudo, nenhuma evidência a seu favor na ciência. Pelo contrário – saiba mais clicando aqui.

    O risco de cair em furadas

    Tratamento e prevenção do câncer são algumas das áreas mais atingidas pelas fake news. E isso é ruim mesmo que o tratamento alternativo em questão inclua uma fruta tão saudável como o coco.

    “O mais cruel dessas notícias é, que além de espalharem mentiras, mexem com as emoções de pessoas que estão precisando de ajuda contra uma doença séria”, salienta Clarissa.

    Além da ineficácia, essas abordagens terapêuticas não raro fazem as pessoas abandonarem os tratamentos convencionais. E já há estudos mostrando que essa atitude aumenta o risco de morte.

    Quando o assunto é câncer (e a saúde no geral), vale o ditado: se o milagre é grande, desconfie do santo. Ao receber um material suspeito, não compartilhe antes de checar a veracidade com seu médico e em sites confiáveis. Se não encontrar nada sobre o tema, envie-nos sua sugestão pelo Facebook ou Instagram que verificaremos para você.

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  • A urticária crônica espontânea, doença que atinge em torno de 1 milhão de brasileiros, provoca lesões vermelhas e com relevo na pele, além de muita coceira. Até por isso, é frequentemente confundida com diferentes tipos de alergia — inclusive pelos profissionais de saúde, segundo uma pesquisa encomendada pela farmacêutica Novartis e conduzida pelo Instituto Ipsos Brasil.

    O estudo, realizado em abril de 2019 com 183 pacientes, revela que 79% deles receberam o diagnóstico errado de uma alergia comum antes de finalmente descobrirem o motivo real da coceira e da vermelhidão.

    “Isso ocorre porque, infelizmente, a maioria dos colegas não conhece o mecanismo exato da urticária. Eles acham que é uma reação alérgica a alguma coisa quando, em boa parte das vezes, não é”, justifica o imunologista e alergista Luis Felipe Ensina, coordenador do Centro de Referência e Excelência em Urticária da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    O especialista conta que existem vários tipos de urticária. Há as agudas, que de fato são reações alérgicas a uma substância aplicada na pele ou a um alimento ingerido, por exemplo. Os sintomas surgem e depois somem com tratamento após no máximo umas semanas.

    Também temos as urticárias crônicas, cujos sintomas duram mais de seis semanas. Entre elas, há as desencadeadas por estímulos físicos, como frio, calor, luz do sol…

    E é possível que o quadro não possua uma causa aparente — essa é a tal urticária crônica espontânea. Para detectá-la, o médico precisa conhecer o histórico do indivíduo e realizar exames clínicos.

    Independentemente da versão, as crises são caracterizadas por lesões vermelhas e elevadas na pele e muita coceira. “Cada crise aparece e desaparece em minutos ou horas sem deixar marca. Podem vir acompanhadas de inchaço na língua, nas pálpebras, nas orelhas e nas extremidades”, complementa Luis Felipe Ensina.

    A vida com urticária crônica espontânea

    “Esse tipo é um problema autoimune. O próprio sistema imunológico reconhece moléculas e células da pele como estranhas e as ataca. Com isso, temos a liberação da histamina, que é a substância que provoca a irritação”, esclarece o especialista.

    A urticária crônica espontânea pode persistir de seis meses a cinco anos. Imagine como é conviver com a coceira todos os dias durante esse tempo — o cenário fica ainda mais dramático se o diagnóstico e o tratamento não forem precisos.

    “Sem remediar os sintomas, a pessoa chega ao ponto de não dormir direito, nem de se concentrar no trabalho e nas atividades sociais”, alerta Ensina. Aliás, aquela pesquisa do Instituto Ipsos Brasil mostra que 80% dos entrevistados já deixaram de ir ao serviço por causa da doença.

    “O aspecto das lesões interfere no bem-estar. Os portadores têm vergonha de sair de casa ou sentem medo por não saberem quando vão ter as crises”, alega o expert. Segundo o levantamento, 56% dos pacientes relataram sofrer preconceito.

    “Eles acabam se isolando e desenvolvendo ansiedade ou um monte de outros problemas psicológicos”, afirma Ensina. Não à toa, 58% dos respondentes do estudo tiveram indícios de depressão ou outro transtorno mental.

    É possível ter qualidade de vida

    Quando tratada da forma correta, dá para conviver com a chateação. “Do mesmo jeito que começa, a urticária um dia vai embora. Então, o que fazemos é controlar os sintomas. Esse é objetivo do tratamento”, relata Ensina.

    O imunologista explica que há uma sequência lógica de medicamentos a serem empregados para cada caso. Quando um remédio falha ou não surte o efeito desejado, é substituído por outro.

    Tudo começa com os anti-histamínicos. A dose pode ser aumentada de acordo com a evolução do paciente.

    Se não houver melhora, dá para recorrer a um tratamento moderno batizado de omalizumabe. É um imunobiológico que controla a doença em 85% das vezes. Quem ainda assim não observar um alívio considerável pode ser medicado com a ciclosporina (um imunossupressor).

    “A pessoa terá uma vida absolutamente normal até que um dia não irá mais precisar dos medicamentos”, conclui o médico.

    Portanto, se coceira e vermelhidão surgirem na pele — e especialmente se durarem mais de seis semanas —, procure um alergista e não deixe de relatar essa informação. Ela é crucial para o diagnóstico e o tratamento corretos.

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  • A disponibilidade de audiolivros e aplicativos para deficientes visuais é cada vez maior. Por isso, o aprendizado do braille às vezes tem ficado em segundo plano. Só que isso dificulta o desenvolvimento da autonomia das crianças que não enxergam ou têm baixa visão.

    Para virar esse jogo, o Grupo Lego, junto com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a Universidade Estadual Paulista, criou o projeto Lego Braille Bricks. São kits de 250 peças moldadas com o mesmo número de pontos em relevo de letras e números do alfabeto para deficientes visuais.

    “Se não entenderem coisas simples como letras maiúsculas, separação de palavras e pontuação, essas crianças poderão ter dificuldades, mais tarde, de se inserir na universidade e no mercado de trabalho”, justifica Ika Fleury, membro do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill. Com o brinquedo, a meninada aprende se divertindo.

    Outras formas de aprender Braille

    O Lego não é a única forma de os pequenos desbravarem o alfabeto para cegos: jogos interativos que dependem do tato também podem ser usados na escola. Mas, segundo Ika Fleury, eles são apenas complementos.

    A máquina de escrever com teclas em braille ou o reglete com punção (instrumento de madeira com ponta metálica que perfura o papel) compõem o sistema tradicional.

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  • Pessoas que infartaram e se sentem tristes ou deprimidas por longos períodos têm maior risco de morrer em até quatro anos após o ocorrido. Na contramão, quando o baixo astral ocorre por pouco tempo, o efeito na recuperação pode ser até positivo.

    A descoberta vem de um estudo recente, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, que avaliou mais de 57 mil indivíduos que tiveram uma pane cardíaca. O estresse emocional foi medido dois e 12 meses após o ataque. Além disso, houve um acompanhamento da saúde em geral por uma média de quatros anos.

    Mais de 20% deles caíram na categoria “estresse emocional persistente”, pois se sentiam mal nas duas análises. Comparados aos pacientes que não exibiam problemas de humor, os depressivos apresentaram um risco de mortalidade 46% maior e, nos ansiosos, o perigo de morte aumentou 54%.

    De acordo com outros trabalhos citados nessa pesquisa, o estado de espírito está mais associado a fatores sociais do que clínicos: jovens, mulheres, estrangeiros e desempregados são mais acometidos pela tristeza intensa pós-infarto.

    O lado positivo da tristeza

    Investigações anteriores já haviam mostrado que as emoções influenciam no prognóstico do ataque cardíaco. Mas o novo estudo foi o primeiro a levar em conta a duração do estresse. Cerca de 15% dos participantes se sentiram deprimidos ou ansiosos nos dois primeiros meses pós-infarto, mas se recuperaram com o tempo.

    Nesse caso, a tristeza temporária não impactou negativamente a saúde. “Alterações passageiras de humor, quando não frequentes ou exageradas, são parte comum da vida”, explicou à imprensa Erik Olsson, psicólogo da Universidade Uppsala, na Suécia, autor do trabalho.

    “Estar um pouco deprimido após um infarto pode até ser bom, pois o humor regula nosso comportamento e faz com que você saia um pouco de circulação e descanse”, comentou o pesquisador, que ressaltou mais uma vez o aspecto socioeconômico por trás da retomada do humor. “Provavelmente essas pessoas tinham um status social mais alto e, assim, contavam com recursos melhores para lidar com a situação”, ressaltou.

    A chateação e o desânimo constantes, por outro lado, dificultam a adoção de mudanças de estilo de vida que melhoram a reabilitação da pane cardíaca, como parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer bem e tomar direitinho os medicamentos.

    Como se recuperar do infarto

    Não é fácil superar um evento tão marcante quanto um ataque cardíaco, claro. Mas há estratégias que ajudam a lidar melhor com o baque.

    A primeira dica é buscar fazer as mesmas coisas de antes – ao menos as positivas. “Alguns pacientes evitam sexo e exercícios porque têm medo de que a atividade seja gatilho para um novo evento. Isso não é bom”, exemplificou Olsson.

    Para quem nunca foi de ficar cabisbaixo antes, é preciso um pouco de paciência e aceitação. Ora, é normal se sentir derrubado: trata-se de uma reação em parte biológica a um evento que colocou a vida em risco.

    O ideal é procurar auxílio de um especialista quando sentimentos como tristeza e angústia passam a ocupar a maior parte dos dias, impedindo a manutenção da rotina. Parte das clínicas cardiológicas já oferece suporte psicológico. Basta pedir ajuda – outro aspecto desafiador dessa história.

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  • Nós, médicos, temos um nome para essa situação em que se acorda algumas (ou muitas!) vezes durante a madrugada para fazer xixi: é a noctúria. Falamos de um transtorno definido pelo ato de urinar precedido e sucedido pelo sono. Muitas pessoas acreditam, de maneira equivocada, que urinar no meio da noite seja um sinal de saúde, de que o organismo anda muito bem. Acontece que a noctúria é frequentemente relacionada a redução na qualidade do sono, sonolência diurna, aumento da pressão arterial, alteração do humor, maior propensão a quedas e fraturas e até a acidentes de trânsito.

    O risco de desenvolver a noctúria aumenta com o passar dos anos. Pode chegar a 30% entre pessoas acima dos 65 anos e passar dos 50% entre aquelas com mais de 80. Como dá para perceber, ela atinge indivíduos mais velhos, quando eles já costumam se mostrar mais frágeis.

    Que fique claro que a noctúria em si não é uma doença. Urinar frequentemente à noite deve ser visto como sinal de alerta para o sujeito procurar o médico (em geral, o urologista) e podermos detectar o que está acontecendo de errado, bem como prevenir os problemas listados anteriormente.

    Existem três causas principais para a noctúria:

    1- Obstrução do jato urinário, que acontece com o aumento benigno da próstata em homens ou devido a um estreitamento da uretra, o canal por onde sai o xixi.

    2- Hiperatividade vesical, situação marcada por contrações inadvertidas da bexiga que provocam intensa vontade de urinar e está relacionada a infecção urinária e cálculos renais ou não tem causa aparente.

    3- Aumento na produção noturna de urina, condição associada a fatores ou doenças, como insuficiência cardíaca, diabetes, insuficiência venosa (inchaço das pernas) ou, ainda, desbalanço hormonal.

    Um passo essencial para apurarmos o que vem ocorrendo é a solicitação de um diário miccional, que é uma avaliação, realizada pelo próprio paciente, da frequência em que ele urina de manhã e à noite, do volume de xixi e da quantidade e qualidade de líquidos ingeridos durante determinado período. O diário nos ajuda a determinar qual das três causas é o motivo da noctúria.

    Apenas após essa avaliação inicial e, eventualmente, o uso de exames mais específicos, o profissional irá chegar a um diagnóstico preciso. O tratamento, por sua vez, deve ser baseado na origem do problema. Podemos resumir da seguinte forma:

    1- Diante de um bloqueio do canal urinário, a causa mais comum de noctúria em homens após os 40 anos, o tratamento é baseado em medicamentos relaxantes do músculo prostático ou cirurgias na próstata para eliminar a obstrução que está comprometendo o ato e a frequência de urinar.

    2- No caso da hiperatividade da bexiga, quadro mais frequente em mulheres após a menopausa e associado à incontinência urinária, recorremos a terapias e medicações que controlam as contrações da bexiga.

    3- Havendo a produção aumentada de urina à noite, medidas comportamentais, como reduzir a quantidade de líquido ingerido após às seis da tarde e erguer os membros inferiores à tarde por cerca de 30 minutos, assim como ajustar a dose de remédios diuréticos, já ajudam bastante. Mas existem casos que podem exigir uma intervenção com medicamentos específicos. E, felizmente, já existe um tipo capaz de baixar em 60% os episódios de noctúria.

    O recado mais importante para a pessoa que suspeita que está urinando demais à noite é entender que está sob risco e seu problema tem solução. Portanto, não tem por que demorar a procurar um especialista.

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  • Hoje em dia, um protetor ajuda na prevenção do câncer de pele ao impedir que os raios ultravioleta entrem em contato com a derme. Mas no futuro ele talvez faça mais do que isso. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram um antioxidante capaz de controlar as consequências da exposição solar no DNA das células – e querem inclui-lo nos filtros.

    O time se concentrou na substância N-acetilcisteína, hoje usada como medicamento, em células isoladas com um defeito genético chamado de xeroderma pigmentoso variante. Essa alteração provoca uma doença rara que aumenta o risco de câncer de pele em até 2 mil vezes antes dos 20 anos de idade.

    Pois bem: ao aplicar o antioxidante nas células defeituosas antes da exposição à radiação solar, os cientistas perceberam que elas ficaram mais preparadas para lidar com a luz ultravioleta do tipo A (UVA). Se isso acontece em uma célula sujeita a desencadear o câncer, talvez o mesmo ocorra com unidades sem mutações genéticas problemáticas.

    Os danos causados pelo UVA

    O efeito da radiação ultravioleta na pele ainda está sendo desvendado pela ciência. Durante o estudo, os pesquisadores verificaram que a derme sofre um processo oxidativo e danoso entre quatro e seis horas depois da exposição ao UVA. Mas, ainda bem, o uso da tal N-acetilcisteína freou esses estragos, que parecem estar por trás de mutações cancerígenas.

    A expectativa é que moléculas do tipo sejam acrescentadas aos protetores. “Acreditamos que o antioxidante nos cremes solares vai prevenir danos na capacidade de recuperação da célula, evitando o câncer de pele em pacientes com xeroderma pigmentoso e, porque não, na população como um todo”, comentou, em comunicado à imprensa, o biólogo Carlos Menck, líder do trabalho.

    Protetores mais modernos e turbinados

    Em março, o Laboratório de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP apresentou um protetor com ação antioxidante até 70% mais potente que os convencionais. O produto é feito com rutina, flavonoide encontrado em uma planta nativa do cerrado brasileiro, e já foi testado em seres humanos, porém ainda não está nas farmácias.

    Além dos UVA e UVB, que são barrados pelos protetores solares disponíveis atualmente no mercado, há ainda a luz visível. Trata-se da claridade que ilumina o dia, considerada inofensiva até pouco tempo, mas que pode ser perigosa também. Ela age em conjunto com o UVA danificando o DNA das células, processo que favoreceria o aparecimento do câncer de pele.

    Eis que, no final de 2017, outro grupo da USP desenvolveu um filtro colorido, semelhante à maquiagem, para barrar esse tipo de radiação. O produto usa nanopartículas de melanina – o pigmento que colore a pele – para criar uma camada física contra a luz visível.

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  • 1) Todo medicamento tomado em jejum faz mal ao estômago
    Alguns de fato podem acarretar esse problema. Já outros até devem ser ingeridos com o estômago vazio para facilitar a absorção pelo organismo.

    Siga a recomendação de um médico ou farmacêutico. E leia a bula, claro.

    2) É seguro tomar remédio vencido, mas com aparência normal
    Sempre respeite o prazo de validade. Não há estudos confiáveis que indiquem que os remédios mantêm sua eficácia e segurança após o prazo recomendado. Nesse caso, portanto, não dá para confiar nos seus olhos ou no seu nariz.

    3) Fitoterápicos não possuem efeitos colaterais
    Qualquer fármaco pode causar reações adversas, inclusive os tidos como naturais. Além de sobrecarregarem o fígado em casos de consumo excessivo, os fitoterápicos às vezes interagem com substâncias presentes em outras drogas, convencionais ou não.

    É aquela máxima: todo tratamento medicamentoso merece uma conversa com o profissional de saúde.

    4) Não é preciso completar o tratamento se os sintomas desaparecerem
    Isso é um perigo! O fim dos sintomas não indica a cura da doença. No caso dos antibióticos, a interrupção do tratamento antes do tempo indicado pelo médico chega a tornar as bactérias mais resistentes.

    5) O banheiro é um bom lugar para guardar seus comprimidos
    Por ser úmido e mais abafado, esse lugar não é a opção ideal. Para que não tenham sua composição alterada, os medicamentos devem ser mantidos em local fresco e arejado, longe da luz e de fontes de calor.

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  • O tratamento da esquizofrenia, transtorno mental crônico que atinge cerca de 1 milhão de brasileiros, tem alcançado avanços importantes, com o surgimento de novas opções terapêuticas. A doença, no entanto, possui um aspecto social que também exige muita atenção: o estigma que acompanha os portadores. Preconceito e desconhecimento, quando não combatidos, prejudicam a todos os envolvidos.

    Tanto esquizofrenia como estigma são palavras que têm origem grega. A primeira quer dizer “mente dividida”, em referência à mistura de realidade e ilusão em que vivem os portadores da doença, acometidos por alucinações e delírios. A segunda, antes um sinal corporal que identificava de alguma forma o indivíduo, deixou de ser característica física para rotular de forma muito mais ampla o representante de determinado grupo, provocando discriminação, sofrimento emocional e enormes dificuldades de inserção social.

    Estereótipos de vários tipos (raciais e religiosos, entre outros) estão enraizados em nosso dia a dia, e os problemas mentais têm sido historicamente terreno fértil para generalizações e distorções, muitas vezes propagadas em obras de ficção, programas humorísticos e até nos noticiários.

    Exemplo disso é o uso metafórico da palavra esquizofrenia em contextos que vão da política ao futebol. Torná-la sinônimo de desordem, imprevisibilidade e falta de bom senso é banalizar uma grave condição médica e alimentar estigmas. Machuca os pacientes e seus familiares.

    A desinformação, por falta de acesso ou interesse, gera uma série de equívocos sobre a esquizofrenia. Envolvem, entre outras coisas, as causas da doença e o perfil dos pacientes, considerados por muitos como perigosos, violentos e inaptos para o convívio e para atividades como estudo e trabalho.

    A boa notícia é que no Brasil e no mundo há várias iniciativas empenhadas em disseminar conhecimento e conscientizar a população.

    O primeiro grande passo foi dado pela Associação Mundial de Psiquiatria, que, em 1996, lançou um programa de combate à estigmatização da esquizofrenia chamado Open the Doors – ele foi adotado em 20 países.

    No Brasil, onde começou em 2001 com apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo (Proesq), ele deu origem à Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (Abre).

    Essa organização sem fins lucrativos tem como missão “melhorar a qualidade de vida das pessoas com esquizofrenia e de seus familiares, defender seus direitos, eliminar o estigma, disseminar informações e promover o diálogo sobre natureza e tratamento da esquizofrenia”.

    O tratamento, aliás, tem avançado de maneira bastante significativa, possibilitando um melhor convívio familiar e social. As inovações que surgiram recentemente favorecem a adesão ao uso contínuo dos medicamentos, controlam de forma eficiente os sintomas e previnem ou retardam os episódios de recaída, tão frequentes durante o curso da esquizofrenia.

    A saúde mental é um dos temas mais relevantes do nosso tempo, com implicações que vão muito além da esfera médica. Mas é o drama humano que, acima de tudo, deve mobilizar autoridades, empresas e cidadãos comuns. As pessoas são muito mais complexas e importantes do que a doença que elas têm.

    É função de todos contribuir para minimizar o estigma que cerca a esquizofrenia, a depressão e outras enfermidades psíquicas. Ele é gatilho para consequências como desemprego, isolamento, abuso de drogas e suicídio. A receita é simples: informação, informação e mais informação.

    *Ary Gadelha é coordenador do Programa de Esquizofrenia e professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), além de vice-presidente da Associação Brasileira da Neurociências Clínicas (Abranec).

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  • Não há apenas uma forma de fazer a reposição hormonal nas mulheres. Das doses aos princípios ativos, passando pelas formas de aplicação, os especialistas podem adotar diferentes esquemas, dependendo de cada caso. Mas qual método teria menor risco de causar a trombose venosa (ou tromboembolismo venoso)? Essa foi a pergunta que um estudo da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, buscou responder.

    Os pesquisadores observaram as informações médicas de 80 396 voluntárias de 40 a 79 anos que foram diagnosticadas com esse problema. Os dados de outras 391 494 mulheres livres dele foram utilizados para fins de comparação.

    Antes de apresentar os resultados, um recado: não se desespere e busque ler a matéria até o fim para compreender os verdadeiros pontos fortes e fracos dessa técnica.

    Sem mais delongas, a reposição hormonal oral foi associada a um risco 58% maior de desenvolver a tal trombose venosa. Isso em comparação com mulheres que não receberam doses de hormônio por qualquer via. Além disso, comprimidos que só contém estrogênio foram considerados ligeiramente menos perigosos do que os que combinam mais hormônios.

    Para quem não sabe, o tromboembolismo venoso consiste na formação de um coágulo nas veias, que geralmente atinge as pernas e provoca, entre outras coisas, dor e inchaço. O maior problema, no entanto, é quando esse trombo se solta e vai parar lá no pulmão, obstruindo a circulação de sangue. Essa é a temida – e, às vezes, letal – embolia pulmonar.

    Agora vamos dar uma boa notícia. De acordo com o trabalho britânico, a reposição hormonal transdérmica (feita com adesivo ou gel colocados na pele, por exemplo) não foi atrelada a um risco maior de trombose venosa.

    “No método oral, o estrogênio, ao passar pelo fígado, gera substâncias que favorecem a coagulação do sangue, o que predispõe à trombose. Isso não acontece com a reposição transdérmica”, diferencia a endocrinologista Dolores Pardini, diretora do Departamento de Endocrinologia Feminina Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

    De acordo com a médica, o estudo reforça – com muita qualidade – o que já era sabido entre os profissionais. “As vias não orais de reposição hormonal estão mais em voga hoje em dia”, afirma.

    Dolores ainda faz um apelo: “Não podemos usar esses dados para desencorajar mulheres a fazerem a reposição. O que precisamos é individualizá-la de acordo com cada caso”.

    Risco de trombose não é certeza

    Quando se associa o uso de um remédio qualquer a uma reação adversa, muitas pessoas pensam que esse problema vai acontecer em 100% dos pacientes. Mas não costuma ser assim.

    No caso da reposição hormonal com comprimidos, por exemplo, o estudo inglês indica que há um episódio de tromboembolismo venoso a cada 1 076 usuárias. Dito de outra maneira, a maioria das mulheres que toma as pílulas não sofrerá com essa encrenca por causa das doses de hormônios sintéticos.

    “É curioso como algumas pessoas têm medo da reposição, mas não se amedrontam com a obesidade ou as varizes, que são mais perigosas nesse sentido”, comenta Dolores, que também é chefe do Ambulatório de Menopausa da Universidade Federal de São Paulo.

    Vários fatores aumentam a probabilidade da trombose. Tabagismo, histórico na família e idade estão entre eles. O médico basicamente junta essas e várias outras informações para, então, pesar os benefícios e os riscos de cada forma de reposição hormonal junto com a paciente.

    As vantagens da reposição hormonal

    Só para não deixar passar: essa estratégia costuma ser válida apenas para quem sofre com uma baixa concentração de hormônios femininos, o que é comum após a menopausa.

    Dito isso, as benesses começam pela qualidade de vida. Ora, a reposição ajuda a contornar sintomas como fogachos, secura vaginal, infecções urinárias de repetição. Até as flutuações de humor e a falta de sono – mais frequentes nessa fase da vida – podem ser amenizadas com o tratamento.

    Mas não para por aí. “Do ponto de vista médico, o principal benefício é a proteção cardiovascular”, sentencia Dolores. Quando bem empregado, o método auxilia a controlar a pressão e o colesterol, só para citar duas chateações que afetam o coração.

    Os ossos também saem ganhando, uma vez que a restituição dos hormônios freia a perda de massa óssea. Como consequência, o risco de osteoporose cai consideravelmente.

    Os cuidados básicos com a reposição

    Embora o foco aqui seja a trombose venosa, a reposição hormonal já foi ligada a um risco ligeiramente maior de câncer de mama. Apesar de essa probabilidade ser pequena entre a população em geral, mulheres com histórico desse tumor na família devem ter atenção redobrada.

    Fora isso, o ideal é iniciar a terapia logo após a menopausa. “Há uma janela de oportunidade. A reposição deveria começar, no máximo, seis ou sete anos após a última menstruação”, afirma Dolores. “Ao demorar mais do que isso, os riscos podem superar os benefícios”, arremata.

    São tantas particularidades que uma visita ao médico é fundamental. “Nada de imitar o tratamento da vizinha”, brinca a expert da Sbem.

    O recado final de Dolores Pardini é: ao redor dos 50 anos, a mulher já precisaria realizar uma dosagem hormonal e discutir abertamente com o profissional sobre a reposição hormonal. Você já fez isso?

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  • Boa parte da população mundial sofre com dores. Sentir dor é um alerta natural, um aviso de que algo não vai bem no nosso corpo. Em algumas situações, porém, essa manifestação se torna persistente, comprometendo a qualidade de vida. De forma resumida, podemos dizer que a dor aguda, consequência de um trauma ou doença, é aquela que dura menos de três meses. Quando o sintoma supera esse tempo transforma-se em dor crônica. Aí, a dor deixa de ser sinal e vira, ela mesma, problema, prejudicando o trabalho, as atividades diárias, a independência e a vida familiar e afetiva.

    Infelizmente, podemos dizer que a dor no Brasil ainda é subtratada. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor traz dados alarmantes sobre a situação em nosso país. Ela indica que 37% da população sofre de dor crônica — a média mundial é 35%. Holanda, Japão, Austrália e Canadá, para citar algumas nações, ficam em torno de 20%. As dores mais recorrentes aqui são nas costas (as lombalgias), de cabeça e aquela relacionada ao câncer.

    O trabalho mostra ainda o índice de brasileiros que enfrentam a dor por região: 36% no Norte, 28% no Nordeste, 24% no Centro-Oeste, 38% no Sudeste e 42% no Sul.

    Em meio a esse cenário, em que muitas pessoas ficam desassistidas, existe a possibilidade de explorarmos ainda mais o potencial das chamadas práticas integrativas e complementares a fim de controlar ou minimizar as dores. Falamos de técnicas que visam reequilibrar corpo e mente do indivíduo, suavizar sintomas e devolver qualidade de vida.

    No contexto da dor, entre diversas abordagens, vou me concentrar aqui nos efeitos e nas aplicações da massagem terapêutica, que pode ser definida como a manipulação manual dos tecidos moles do corpo para aprimorar a saúde e o bem-estar em geral.

    A massagem terapêutica não deve ser confundida com uma massagem relaxante comum. A ideia, nesse caso, é realizar movimentos que afetam positivamente o organismo, promovendo relaxamento muscular, melhorando a circulação local, reduzindo o estresse e criando uma sensação de conforto.

    Existem pesquisas com essa terapia em pelo menos seis tipos de dor. Vamos resumir os achados e os benefícios na prática.

    1. Dor lombar: o desconforto nas costas é a queixa mais comum da população mundial. Já existem evidências de que a massagem terapêutica não só diminui a dor no local, mas também reduz a incapacidade decorrente dela e alivia a ansiedade e a depressão entre quem tem o problema.

    2. Fibromialgia: trabalhos científicos indicam que a terapia com massagem pode integrar o tratamento dessa síndrome, marcada por dores espalhadas pelo corpo. Além de reduzir a dor em si, observa-se a diminuição de fadiga e rigidez, bem como ganhos ao bem-estar mental.

    3. Dor pós-operatória: esse tipo de incômodo após uma cirurgia pode complicar a recuperação, prolongar a permanência no hospital e ainda interferir no retorno do paciente às atividades do cotidiano. Já temos bons indícios de que a massagem terapêutica diminui a intensidade e a frequência da dor nessas circunstâncias.

    4. Dor de cabeça: a massagem se destina particularmente às dores do tipo tensional, consideradas, de acordo com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos, a versão mais prevalente. Estudos revelam que essa abordagem minimiza a percepção, a frequência, a duração e a intensidade da dor.

    5. Artrite e artrose: pesquisas apontam que sessões de uma hora de massagem sueca (uma das variações da massagem terapêutica) uma vez por semana trazem melhoras significativas a pessoas com o desgaste no joelho. Também existem testes bem-sucedidos com pacientes enfrentando artrite reumatoide, distúrbio autoimune que afeta as juntas. A massagem melhora a mobilidade e a dor nos membros.

    6. Dor no câncer: a massagem terapêutica é vista de forma promissora no controle da dor, da fadiga e da ansiedade em pessoas com câncer. A conclusão vem de uma meta-análise — uma extensa revisão de estudos — conduzida pelo Instituto Samueli, nos Estados Unidos, com o suporte da Associação Americana de Massagem Terapêutica. Os dados disponíveis atualmente mostram que a dor no câncer é altamente comum: em alguns tipos da doença, mais da metade dos pacientes avaliados tem esse sintoma. Dessa forma, precisamos pensar em maneiras de tratar a dor e angariar mais qualidade de vida durante o tratamento oncológico.

    Podíamos ficar um bom tempo discutindo os resultados de novos estudos com o uso da massagem para tratar a dor. O ponto em comum, refletido em um experimento com enfermeiras que recebiam massagem em sua jornada de trabalho, é que há uma melhora tanto em parâmetros como estresse, insônia e fadiga, como também em sintomas físicos como tensão e dor na cabeça, nos ombros…

    Dentro do conceito atual de tratar de forma cada vez mais integrada o paciente, devemos prestar atenção nas descobertas da ciência e pensar em alocar melhor recursos tendo em vista o bem-estar do indivíduo. Nesse sentido, a manipulação do corpo, em paralelo a um trabalho com as condições emocionais, soma pontos valiosos à recuperação e à manutenção da qualidade de vida.

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