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Pessoas a partir de 5 anos de idade com câncer, infecção pelo vírus HIV ou que passaram por transplante de órgãos terão direito ao imunizante

Uma proteção extra contra doenças causadas pelas bactérias pneumococo — como pneumonia e meningite — acaba de chegar à rede pública. O Ministério da Saúde anunciou a inclusão da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com câncer, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados.

Também chamada de Prevenar 13, ela é a única capaz de proteger contra os 13 subtipos mais comuns dessa bactéria no mundo (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F). Produzida pelo laboratório Pfizer, já estava disponível desde 2016 nas clínicas privadas brasileiras.

“São várias as doenças provocadas pelo pneumococo. Ele é um dos principais agentes causadores de pneumonia, por exemplo”, informa a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

A especialista conta que todas as crianças do país já têm direito a outro imunizante que afasta o risco de infecção por esse inimigo da saúde. Trata-se da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10). Ela deve ser aplicada aos 2 meses de vida, com reforços aos 4 e 12 meses.

De acordo com a Sbim, 70% dos casos de doenças graves decorrentes do pneumococo são evitados com essa versão. Já a Prevenar 13, por proteger contra três sorotipos a mais, levanta esse número para 90%.

“Agora, em geral, pessoas com mais de 5 anos não têm indicação rotineira, porque o risco de complicações é baixo”, informa Isabella. No entanto, quando falamos de indivíduos com quadros que suprimem as defesas do corpo, o perigo de o pneumococo causar estragos é consideravelmente maior. Daí porque o SUS optou por oferecer daqui em diante a VPC 13 para aqueles três grupos de pacientes.

Como será a vacinação agora

Antes da inclusão do novo imunizante, o SUS disponibilizava a pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) para esses mesmos pacientes. Entretanto, ela é menos eficaz e seu tempo de duração é menor. A Prevenar 13, portanto, chega para complementar o tratamento dos maiores de 5 anos.

“O esquema de doses inclui as duas. Primeiramente, deve-se tomar a VPC13. Doze meses depois, a VPP23 e, após cinco anos, a VPP23 novamente”, ensina a Isabella.

Segundo a vice-presidente da Sbim, a Prevenar 13 é segura e não possui contraindicações dentro dos grupos aos quais é recomendada. “Ela pode causar apenas dor no braço e vermelhidão local. É importante que o médico dê orientações”, completa a pediatra.

Onde encontrar a Prevenar 13

Diferentemente da VPC10, ela não será oferecida em todo posto de saúde. Assim como a VPP23, é necessário visitar os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries). Essas instalações estão presentes em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal.

“Para ter acesso à vacinação, é preciso receber um laudo médico justificando a recomendação”, orienta a pediatra. Como dissemos, na rede pública apenas pacientes oncológicos, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados se beneficiarão dela.

Já nas clínicas privadas, a aplicação se estende a outras turmas que correm um risco maior de sofrerem complicações da infecção por pneumococo. Indivíduos com diabetes e hipertensão estão entre elas.

Fomos ao Congresso Brasileiro de Infectologia e mapeamos alguns dos principais desafios envolvendo doenças causadas por vírus e micróbios no país

Acompanhar o Congresso Brasileiro de Infectologia, cuja vigésima primeira edição acaba de ocorrer em Belém do Pará, é ter um painel do que vírus, bactérias, fungos e companhia vêm aprontando por aí e, ao mesmo tempo, um retrato das diversas (e desiguais) realidades do país. Enquanto regiões ainda penam com doenças que parecem (mas só parecem) coisa do passado, como a hanseníase, nas grandes cidades os hospitais mais modernos já quebram a cabeça para contra-atacar micróbios resistentes e letais. O ponto em comum, e que independe de lugar ou classe social, é: as doenças infecciosas continuam sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.

Queda na vacinação, desmatamento e crescimento urbano, mudança climática, falta de informação… Tudo isso conspira para que micro-organismos ganhem terreno e imponham problemas à humanidade. A medicina corre atrás, buscando não só novos imunizantes e tratamentos, mas estratégias mais eficazes de esclarecer e engajar a população a se defender. Inclusive porque, em matéria de moléstias infecciosas, todo cidadão tem um papel a cumprir: seja lavando as mãos e não usando antibiótico por conta, seja limpando o quintal para não dar abrigo ao mosquito da dengue.

Mapeamos, a seguir, alguns dos temas mais preocupantes debatidos no congresso, que reuniu mais de 2 mil profissionais em Belém entre os dias 10 e 13 de setembro.

É ano de dengue

Entre as doenças disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti, capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya, a dengue já é o principal tormento de 2019. Como o próprio Ministério da Saúde divulgou, já foram registrados mais de 1,4 milhão de casos até agosto deste ano — um aumento de quase 600% em relação a 2018.

Segundo o infectologista Antonio Carlos Bandeira, da Vigilância Epidemiológica do Estado da Bahia, 65% dos casos e notificações vêm ocorrendo na região Sudeste. Só em São Paulo houve, até março deste ano, um incremento de mais de 2 000% na quantidade de pessoas acometidas. O Centro-Oeste fica em segundo lugar entre as regiões problemáticas.

O sorotipo 2 do vírus da dengue (existem quatro) é o que mais circula pelo Brasil nesta temporada. Ao suspeitar do quadro — que pode provocar, entre outras coisas, febre, dor de cabeça e no corpo —, o conselho é procurar um serviço de saúde quanto antes. A identificação e o manejo precoce evitam complicações e mortes.

A tendência de crescimento da dengue felizmente não se repete com dois outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, o zika (2,3 mil casos prováveis até março de 2019) e o chikungunya (15,3 mil), que se mostram mais estáveis no número de episódios em comparação com o ano anterior.

Ainda assim, não dá para bobear com o mosquito. A prevenção inclui desde eliminar os criadouros a recorrer a repelentes e telas em casa. Bandeira reforçou a necessidade de se investir em novas tecnologias, como larvicidas biológicos e vacinas contra as infecções.

A epidemia dos micróbios resistentes

Eis um tema inescapável e que dominou boa parte das conferências e debates no congresso. A resistência antimicrobiana, que é a capacidade de bactérias e fungos repelirem os tratamentos disponíveis, já entrou na lista das dez prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS). Algumas projeções vislumbram que, por volta de 2050, o problema vai causar mais mortes que outra doença em ascensão, o câncer.

As causas do fenômeno não se resumem ao uso indiscriminado de antibióticos e outros remédios na medicina humana. “A maior parte dos antibióticos produzidos hoje é voltada à agropecuária e empregada como fator de crescimento para o cultivo de animais e em algumas plantações”, observou o médico Marcos Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A utilização massiva, e que envolve inclusive algumas substâncias similares àquelas que tratam infecções em humanos, tem repercussões, diretas e indiretas, no meio ambiente e até no que acontece dentro dos hospitais. Num mundo em que os micro-organismos são praticamente onipresentes, tudo se encontra conectado. E, quem diria, até o aquecimento global tem um dedo nessa história.

Cyrillo abordou em uma apresentação o papel da mudança climática no crescimento da resistência antimicrobiana. É que, simplificando uma questão complexa, o aumento da temperatura seria capaz de tornar bactérias e fungos mais perigosos. Acredita-se que esse fenômeno tenha contribuído para o surgimento e a expansão das infecções por Candida auris, um fungo altamente letal e que já causa furor em hospitais (por enquanto, fora do Brasil). Já não dá mais para separar a saúde humana do bem-estar do planeta.

A explosão das doenças sexualmente transmissíveis

Esse foi o título de uma das conferências do congresso. E duas doenças causadas por bactérias que voltaram com tudo protagonizaram discussões. Falamos da gonorreia e da sífilis.

O termo “explosão” das ISTs — sigla para infecções sexualmente transmissíveis, antigamente conhecidas por DSTs — não é exagerado. De acordo com a infectologista Miralba Freire, professora da Universidade Federal da Bahia, a OMS calcula que mais de 1 milhão de infecções do tipo sejam adquiridas por dia pelo mundo.

A gonorreia é a segunda IST mais prevalente em boa parte do globo. Segundo a médica, hoje ela atinge mais pessoas jovens e homens que fazem sexo com outros homens. E a doença não apronta só com os genitais, não. “Vem crescendo o número de casos com acometimento do reto e da faringe”, relatou Miralba.

Da mesma maneira que acontece com outras infecções bacterianas, a gonorreia também atormenta os médicos devido à resistência a antibióticos.

Para deter seu avanço, precisamos investir em relações sexuais seguras, com o preservativo, e realizar o teste que detecta a bactéria — em alguns grupos, o exame deve ser periódico e repetido com maior frequência.

Raciocínio semelhante se aplica a outra IST da pesada, a sífilis. “Ela cresce em todas as regiões do mundo e tem um importante impacto psicossocial e econômico”, afirmou o infectologista Aluísio Segurado, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São mais de 6 milhões de vítimas com idades entre 15 e 49 anos hoje.

Para o especialista, a ascensão da doença no país não se deve apenas a mais diagnósticos. “Há um aumento na circulação do agente infeccioso”, apontou. A sífilis pode lesar os genitais e ainda desatar complicações em várias áreas do corpo. Gestantes e seus rebentos inclusive enfrentam o perigo da sífilis congênita, quando a bactéria ataca o bebê ainda no ventre materno (muitos casos são fatais).

Para quebrar a epidemia da moléstia, Segurado salientou a necessidade de esclarecer mais a população e criar condições para que se faça diagnóstico e tratamento quanto antes.

O drama da hanseníase continua

A doença provocada pela bactéria Micobacterium leprae — e durante séculos conhecida como lepra — ainda é um desafio para o Brasil. Se passou pela sua cabeça um pensamento do tipo “isso ainda existe?”, saiba que, não apenas existe, como nosso país tem o segundo maior contingente de pessoas com a doença no planeta (só perdemos para a Índia).

Em uma apresentação emocionada no congresso, o infectologista Marcio Gaggini, professor da Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), convocou médicos, autoridades e sociedade a olharem mais para o problema e suas vítimas, muitas delas esquecidas pelos quatro cantos do país. Segundo o especialista, mais de 200 mil cidadãos podem ter ficado sem diagnóstico e assistência nos últimos anos.

O Brasil aloja 91% dos casos de hanseníase da América Latina. Por aqui, a maior parte dos episódios ocorre nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Muitos dos pacientes só descobrem a doença depois que ela provocou deformidades na pele, nas mãos, no rosto…

A bactéria causadora é transmitida pelo ar — esqueça aquela história de que, ao tocar em alguém com hanseníase, você pegou! — mas pode ser erradicada com tratamento. “As pessoas estão sofrendo hoje com diagnóstico tardio e sequelas”, revelou Gaggini. Campanhas e ações dirigidas a regiões e comunidades mais afetadas pela condição são urgentes.

Sim, também precisamos conscientizar a população. Na presença de alterações como manchas e lesões na pele, acompanhadas por falta de sensibilidade, procure um médico ou serviço de saúde. Não só existe tratamento para hanseníase como ele pode levar à cura.

Os experts sempre pedem para não permanecermos muito tempo sentados. Mas, na frente da TV, o hábito seria ainda mais nocivo

Um estudo com 3 592 adultos associou o costume de ficar mais de quatro horas diárias vendo televisão a um risco 50% maior de doenças cardíacas — isso em comparação com quem se limitava a um máximo de duas horas.

Mas é agora que a porca torce o rabo: o mesmo artigo, assinado por instituições americanas, não detectou uma taxa maior de males do coração entre os voluntários que passavam o horário de trabalho sentados. Por quê?

“No escritório, o empregado está sempre levantando para ir a uma reunião ou até a uma copiadora”, nota Jeanette Garcia, cinesiologista da Universidade da Flórida Central e autora da pesquisa. Essas pausas ativas amenizariam os danos do imobilismo. Já quando fazemos a maratona de uma série, nosso corpo gruda por horas na poltrona.

Olhos vidrados

Será que vemos muita TV? Pelo menos os participantes do estudo americano, sim

31% dos voluntários passam mais de quatro horas diante da televisão
33% deixam o aparelho ligado por menos de 120 minutos
36% assistem entre duas e quatro horas

O exercício contra-ataca

Uma boa notícia: segundo o mesmo levantamento, dedicar pelo menos 150 minutos por semana às atividades físicas de intensidade moderada ou vigorosa praticamente anula a ameaça ao músculo cardíaco decorrente de longos períodos em frente ao televisor.

Ainda assim, fazer intervalos entre os programas para mexer as pernas é bem-vindo, inclusive às juntas.

Médico esclarece quando essa sensação incômoda pode indicar algo mais sério

Formigamentos não são coisa do outro mundo: no dia a dia, podemos experimentar isso em diferentes partes do corpo sem que a sensação esteja relacionada a alguma doença. Pode acontecer nas mãos quando batemos o cotovelo, nos membros inferiores quando ficamos com as coxas cruzadas ou ainda nas pernas quando permanecemos um tempo prolongado em uma cadeira dura ou até mesmo no vaso sanitário.

Nessas situações, o formigamento é fruto de uma compressão externa causada por um trauma ou superfície dura. Um processo natural. No entanto, quando essa queixa se torna persistente ou recorrente, é importante procurar um médico para investigar possíveis problemas de saúde.

Entre as principais doenças que podem estar por trás de um formigamento mais frequente estão as neurológicas e ortopédicas. Um bom exemplo são os quadros de compressão mecânica dos nervos. Quando a compressão ocorre na altura do punho temos a chamada síndrome do túnel do carpo. Quando ocorre na região cervical, podemos ter uma hérnia de disco ou a síndrome do desfiladeiro cérvico-torácico. Ambas pedem tratamento.

Outras possíveis causas de formigamento são as infecções (caso da hanseníase), intoxicação por metais, toxinas ou drogas, deficiências de vitaminas (tiamina e vitamina B12), doenças metabólicas (diabetes, insuficiência renal…) ou, ainda, enfermidades que atingem o sistema nervoso, como esclerose múltipla e a síndrome de Guillain-Barré.

Os problemas de caráter vascular não são causas comuns de formigamento, mas, quando acontece uma obstrução à passagem de sangue nas artérias, ocorre deficiência de oxigênio e nutrientes nos nervos dos braços e pernas, o que pode desencadear sintomas como a sensação de dormência nos membros. Entre as doenças vasculares associadas a isso estão os quadros de embolia e trombose arterial.

Na embolia arterial, coágulos se desprendem do coração ou de grandes artérias e se deslocam em direção aos vasos dos braços ou das pernas. Pessoas com alguns tipos de arritmia (como fibrilação atrial) ou doenças em válvulas cardíacas estão mais sujeitos.

Nos casos de trombose arterial ocorre a formação de placas de gordura e coágulos capazes de entupir os vasos. As artérias da perna são as mais acometidas. Alguns fatores de risco estão associados ao problema: tabagismo, colesterol alto, diabetes, hipertensão, entre outros. Sendo assim, é fundamental aderir a um estilo de vida saudável — o que inclui evitar o cigarro, ter uma alimentação balanceada, praticar atividade física e alongamentos regulares e controlar o peso.

Em caso de dúvidas ou suspeitas, procure uma avaliação médica e evite as receitas milagrosas oferecidas por pessoas, locais e canais sem instrução ou qualificação. É um diagnóstico preciso e precoce, seguido de um tratamento efetivo, que fará a diferença na melhora dos sintomas.

Conversamos com especialistas para desmistificar mais um boato virtual – o de que o fruto do coqueiro eliminaria tumores malignos

Segundo um texto que circula nas redes sociais, o professor Chen Huiren, do Hospital Geral da China, descobriu a cura para todos os tipos de câncer. É bem simples: basta tomar água de coco quente – não aquela tradicional, mas uma feita com flocos finos do fruto. Isso seria o suco de coco quente.

Só que a história não tem quase nada de verdade. Desde 2017, ela é desmentida por autoridades e veículos da imprensa, inclusive de outros países. Ainda assim, vira e mexe ela ressurge, com um outro detalhe diferente.

“Não há nenhum estudo sobre o assunto, mas infelizmente essa notícia falsa se espalhou pelo mundo”, comenta Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center.

O único elemento real do texto é que existe um cientista chamado Chen Hui-Ren (o nome está um pouco diferente mesmo), que atua no Hospital Geral da China. Seu nome está no Research Gate, site que compila pesquisadores do mundo todo.

Segundo o portal, ele desenvolve estudos sobre alguns tipos de câncer. Porém, nenhum aborda o coco.

Daqui em diante, é inconsistência atrás de inconsistência. Comecemos pela ideia de que uma única estratégia é capaz de eliminar qualquer tumor.

“O câncer não é uma doença só. Por isso, é impossível existir um remédio que mate todas as suas versões”, aponta Clarissa Baldotto, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).

Mais uma fake news envolvendo a água alcalina

Uma versão semelhante da história faz sucesso há anos na internet, com a limonada quente como protagonista. Segundo a mensagem, a mistura de limão (ou coco, se você preferir) e água aquecida tornaria o líquido alcalino, o que liberaria uma substância “que é o mais recente avanço no tratamento de câncer, cistos e tumores”.

A água alcalina é a protagonista, aliás, de vários boatos sobre saúde. Não existe, contudo, nenhuma evidência a seu favor na ciência. Pelo contrário – saiba mais clicando aqui.

O risco de cair em furadas

Tratamento e prevenção do câncer são algumas das áreas mais atingidas pelas fake news. E isso é ruim mesmo que o tratamento alternativo em questão inclua uma fruta tão saudável como o coco.

“O mais cruel dessas notícias é, que além de espalharem mentiras, mexem com as emoções de pessoas que estão precisando de ajuda contra uma doença séria”, salienta Clarissa.

Além da ineficácia, essas abordagens terapêuticas não raro fazem as pessoas abandonarem os tratamentos convencionais. E já há estudos mostrando que essa atitude aumenta o risco de morte.

Quando o assunto é câncer (e a saúde no geral), vale o ditado: se o milagre é grande, desconfie do santo. Ao receber um material suspeito, não compartilhe antes de checar a veracidade com seu médico e em sites confiáveis. Se não encontrar nada sobre o tema, envie-nos sua sugestão pelo Facebook ou Instagram que verificaremos para você.

Esse problema, que causa muita irritação na pele sem razão aparente, é comumente confundido com uma simples reação alérgica, segundo nova pesquisa

A urticária crônica espontânea, doença que atinge em torno de 1 milhão de brasileiros, provoca lesões vermelhas e com relevo na pele, além de muita coceira. Até por isso, é frequentemente confundida com diferentes tipos de alergia — inclusive pelos profissionais de saúde, segundo uma pesquisa encomendada pela farmacêutica Novartis e conduzida pelo Instituto Ipsos Brasil.

O estudo, realizado em abril de 2019 com 183 pacientes, revela que 79% deles receberam o diagnóstico errado de uma alergia comum antes de finalmente descobrirem o motivo real da coceira e da vermelhidão.

“Isso ocorre porque, infelizmente, a maioria dos colegas não conhece o mecanismo exato da urticária. Eles acham que é uma reação alérgica a alguma coisa quando, em boa parte das vezes, não é”, justifica o imunologista e alergista Luis Felipe Ensina, coordenador do Centro de Referência e Excelência em Urticária da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O especialista conta que existem vários tipos de urticária. Há as agudas, que de fato são reações alérgicas a uma substância aplicada na pele ou a um alimento ingerido, por exemplo. Os sintomas surgem e depois somem com tratamento após no máximo umas semanas.

Também temos as urticárias crônicas, cujos sintomas duram mais de seis semanas. Entre elas, há as desencadeadas por estímulos físicos, como frio, calor, luz do sol…

E é possível que o quadro não possua uma causa aparente — essa é a tal urticária crônica espontânea. Para detectá-la, o médico precisa conhecer o histórico do indivíduo e realizar exames clínicos.

Independentemente da versão, as crises são caracterizadas por lesões vermelhas e elevadas na pele e muita coceira. “Cada crise aparece e desaparece em minutos ou horas sem deixar marca. Podem vir acompanhadas de inchaço na língua, nas pálpebras, nas orelhas e nas extremidades”, complementa Luis Felipe Ensina.

A vida com urticária crônica espontânea

“Esse tipo é um problema autoimune. O próprio sistema imunológico reconhece moléculas e células da pele como estranhas e as ataca. Com isso, temos a liberação da histamina, que é a substância que provoca a irritação”, esclarece o especialista.

A urticária crônica espontânea pode persistir de seis meses a cinco anos. Imagine como é conviver com a coceira todos os dias durante esse tempo — o cenário fica ainda mais dramático se o diagnóstico e o tratamento não forem precisos.

“Sem remediar os sintomas, a pessoa chega ao ponto de não dormir direito, nem de se concentrar no trabalho e nas atividades sociais”, alerta Ensina. Aliás, aquela pesquisa do Instituto Ipsos Brasil mostra que 80% dos entrevistados já deixaram de ir ao serviço por causa da doença.

“O aspecto das lesões interfere no bem-estar. Os portadores têm vergonha de sair de casa ou sentem medo por não saberem quando vão ter as crises”, alega o expert. Segundo o levantamento, 56% dos pacientes relataram sofrer preconceito.

“Eles acabam se isolando e desenvolvendo ansiedade ou um monte de outros problemas psicológicos”, afirma Ensina. Não à toa, 58% dos respondentes do estudo tiveram indícios de depressão ou outro transtorno mental.

É possível ter qualidade de vida

Quando tratada da forma correta, dá para conviver com a chateação. “Do mesmo jeito que começa, a urticária um dia vai embora. Então, o que fazemos é controlar os sintomas. Esse é objetivo do tratamento”, relata Ensina.

O imunologista explica que há uma sequência lógica de medicamentos a serem empregados para cada caso. Quando um remédio falha ou não surte o efeito desejado, é substituído por outro.

Tudo começa com os anti-histamínicos. A dose pode ser aumentada de acordo com a evolução do paciente.

Se não houver melhora, dá para recorrer a um tratamento moderno batizado de omalizumabe. É um imunobiológico que controla a doença em 85% das vezes. Quem ainda assim não observar um alívio considerável pode ser medicado com a ciclosporina (um imunossupressor).

“A pessoa terá uma vida absolutamente normal até que um dia não irá mais precisar dos medicamentos”, conclui o médico.

Portanto, se coceira e vermelhidão surgirem na pele — e especialmente se durarem mais de seis semanas —, procure um alergista e não deixe de relatar essa informação. Ela é crucial para o diagnóstico e o tratamento corretos.

Brinquedo ajuda no entendimento do braille, o sistema de escrita com pontos em relevo que permite a pessoas cegas ler pelo tato

A disponibilidade de audiolivros e aplicativos para deficientes visuais é cada vez maior. Por isso, o aprendizado do braille às vezes tem ficado em segundo plano. Só que isso dificulta o desenvolvimento da autonomia das crianças que não enxergam ou têm baixa visão.

Para virar esse jogo, o Grupo Lego, junto com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a Universidade Estadual Paulista, criou o projeto Lego Braille Bricks. São kits de 250 peças moldadas com o mesmo número de pontos em relevo de letras e números do alfabeto para deficientes visuais.

“Se não entenderem coisas simples como letras maiúsculas, separação de palavras e pontuação, essas crianças poderão ter dificuldades, mais tarde, de se inserir na universidade e no mercado de trabalho”, justifica Ika Fleury, membro do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill. Com o brinquedo, a meninada aprende se divertindo.

Outras formas de aprender Braille

O Lego não é a única forma de os pequenos desbravarem o alfabeto para cegos: jogos interativos que dependem do tato também podem ser usados na escola. Mas, segundo Ika Fleury, eles são apenas complementos.

A máquina de escrever com teclas em braille ou o reglete com punção (instrumento de madeira com ponta metálica que perfura o papel) compõem o sistema tradicional.

Efeito seria pior anos depois do ataque cardíaco – no curto prazo, uma dose moderada de tristeza até ajudaria na recuperação. Entenda

Pessoas que infartaram e se sentem tristes ou deprimidas por longos períodos têm maior risco de morrer em até quatro anos após o ocorrido. Na contramão, quando o baixo astral ocorre por pouco tempo, o efeito na recuperação pode ser até positivo.

A descoberta vem de um estudo recente, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, que avaliou mais de 57 mil indivíduos que tiveram uma pane cardíaca. O estresse emocional foi medido dois e 12 meses após o ataque. Além disso, houve um acompanhamento da saúde em geral por uma média de quatros anos.

Mais de 20% deles caíram na categoria “estresse emocional persistente”, pois se sentiam mal nas duas análises. Comparados aos pacientes que não exibiam problemas de humor, os depressivos apresentaram um risco de mortalidade 46% maior e, nos ansiosos, o perigo de morte aumentou 54%.

De acordo com outros trabalhos citados nessa pesquisa, o estado de espírito está mais associado a fatores sociais do que clínicos: jovens, mulheres, estrangeiros e desempregados são mais acometidos pela tristeza intensa pós-infarto.

O lado positivo da tristeza

Investigações anteriores já haviam mostrado que as emoções influenciam no prognóstico do ataque cardíaco. Mas o novo estudo foi o primeiro a levar em conta a duração do estresse. Cerca de 15% dos participantes se sentiram deprimidos ou ansiosos nos dois primeiros meses pós-infarto, mas se recuperaram com o tempo.

Nesse caso, a tristeza temporária não impactou negativamente a saúde. “Alterações passageiras de humor, quando não frequentes ou exageradas, são parte comum da vida”, explicou à imprensa Erik Olsson, psicólogo da Universidade Uppsala, na Suécia, autor do trabalho.

“Estar um pouco deprimido após um infarto pode até ser bom, pois o humor regula nosso comportamento e faz com que você saia um pouco de circulação e descanse”, comentou o pesquisador, que ressaltou mais uma vez o aspecto socioeconômico por trás da retomada do humor. “Provavelmente essas pessoas tinham um status social mais alto e, assim, contavam com recursos melhores para lidar com a situação”, ressaltou.

A chateação e o desânimo constantes, por outro lado, dificultam a adoção de mudanças de estilo de vida que melhoram a reabilitação da pane cardíaca, como parar de fumar, ser fisicamente ativo, comer bem e tomar direitinho os medicamentos.

Como se recuperar do infarto

Não é fácil superar um evento tão marcante quanto um ataque cardíaco, claro. Mas há estratégias que ajudam a lidar melhor com o baque.

A primeira dica é buscar fazer as mesmas coisas de antes – ao menos as positivas. “Alguns pacientes evitam sexo e exercícios porque têm medo de que a atividade seja gatilho para um novo evento. Isso não é bom”, exemplificou Olsson.

Para quem nunca foi de ficar cabisbaixo antes, é preciso um pouco de paciência e aceitação. Ora, é normal se sentir derrubado: trata-se de uma reação em parte biológica a um evento que colocou a vida em risco.

O ideal é procurar auxílio de um especialista quando sentimentos como tristeza e angústia passam a ocupar a maior parte dos dias, impedindo a manutenção da rotina. Parte das clínicas cardiológicas já oferece suporte psicológico. Basta pedir ajuda – outro aspecto desafiador dessa história.

Médico explica as principais causas da noctúria e conta quais são as formas de controlar a condição. A boa notícia: tem, sim, tratamento!

Nós, médicos, temos um nome para essa situação em que se acorda algumas (ou muitas!) vezes durante a madrugada para fazer xixi: é a noctúria. Falamos de um transtorno definido pelo ato de urinar precedido e sucedido pelo sono. Muitas pessoas acreditam, de maneira equivocada, que urinar no meio da noite seja um sinal de saúde, de que o organismo anda muito bem. Acontece que a noctúria é frequentemente relacionada a redução na qualidade do sono, sonolência diurna, aumento da pressão arterial, alteração do humor, maior propensão a quedas e fraturas e até a acidentes de trânsito.

O risco de desenvolver a noctúria aumenta com o passar dos anos. Pode chegar a 30% entre pessoas acima dos 65 anos e passar dos 50% entre aquelas com mais de 80. Como dá para perceber, ela atinge indivíduos mais velhos, quando eles já costumam se mostrar mais frágeis.

Que fique claro que a noctúria em si não é uma doença. Urinar frequentemente à noite deve ser visto como sinal de alerta para o sujeito procurar o médico (em geral, o urologista) e podermos detectar o que está acontecendo de errado, bem como prevenir os problemas listados anteriormente.

Existem três causas principais para a noctúria:

1- Obstrução do jato urinário, que acontece com o aumento benigno da próstata em homens ou devido a um estreitamento da uretra, o canal por onde sai o xixi.

2- Hiperatividade vesical, situação marcada por contrações inadvertidas da bexiga que provocam intensa vontade de urinar e está relacionada a infecção urinária e cálculos renais ou não tem causa aparente.

3- Aumento na produção noturna de urina, condição associada a fatores ou doenças, como insuficiência cardíaca, diabetes, insuficiência venosa (inchaço das pernas) ou, ainda, desbalanço hormonal.

Um passo essencial para apurarmos o que vem ocorrendo é a solicitação de um diário miccional, que é uma avaliação, realizada pelo próprio paciente, da frequência em que ele urina de manhã e à noite, do volume de xixi e da quantidade e qualidade de líquidos ingeridos durante determinado período. O diário nos ajuda a determinar qual das três causas é o motivo da noctúria.

Apenas após essa avaliação inicial e, eventualmente, o uso de exames mais específicos, o profissional irá chegar a um diagnóstico preciso. O tratamento, por sua vez, deve ser baseado na origem do problema. Podemos resumir da seguinte forma:

1- Diante de um bloqueio do canal urinário, a causa mais comum de noctúria em homens após os 40 anos, o tratamento é baseado em medicamentos relaxantes do músculo prostático ou cirurgias na próstata para eliminar a obstrução que está comprometendo o ato e a frequência de urinar.

2- No caso da hiperatividade da bexiga, quadro mais frequente em mulheres após a menopausa e associado à incontinência urinária, recorremos a terapias e medicações que controlam as contrações da bexiga.

3- Havendo a produção aumentada de urina à noite, medidas comportamentais, como reduzir a quantidade de líquido ingerido após às seis da tarde e erguer os membros inferiores à tarde por cerca de 30 minutos, assim como ajustar a dose de remédios diuréticos, já ajudam bastante. Mas existem casos que podem exigir uma intervenção com medicamentos específicos. E, felizmente, já existe um tipo capaz de baixar em 60% os episódios de noctúria.

O recado mais importante para a pessoa que suspeita que está urinando demais à noite é entender que está sob risco e seu problema tem solução. Portanto, não tem por que demorar a procurar um especialista.

Em estudo brasileiro, uma substância evitou lesões no DNA das células da pele que levam aos tumores. Espera-se que ela seja adicionada aos filtros solares

Hoje em dia, um protetor ajuda na prevenção do câncer de pele ao impedir que os raios ultravioleta entrem em contato com a derme. Mas no futuro ele talvez faça mais do que isso. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram um antioxidante capaz de controlar as consequências da exposição solar no DNA das células – e querem inclui-lo nos filtros.

O time se concentrou na substância N-acetilcisteína, hoje usada como medicamento, em células isoladas com um defeito genético chamado de xeroderma pigmentoso variante. Essa alteração provoca uma doença rara que aumenta o risco de câncer de pele em até 2 mil vezes antes dos 20 anos de idade.

Pois bem: ao aplicar o antioxidante nas células defeituosas antes da exposição à radiação solar, os cientistas perceberam que elas ficaram mais preparadas para lidar com a luz ultravioleta do tipo A (UVA). Se isso acontece em uma célula sujeita a desencadear o câncer, talvez o mesmo ocorra com unidades sem mutações genéticas problemáticas.

Os danos causados pelo UVA

O efeito da radiação ultravioleta na pele ainda está sendo desvendado pela ciência. Durante o estudo, os pesquisadores verificaram que a derme sofre um processo oxidativo e danoso entre quatro e seis horas depois da exposição ao UVA. Mas, ainda bem, o uso da tal N-acetilcisteína freou esses estragos, que parecem estar por trás de mutações cancerígenas.

A expectativa é que moléculas do tipo sejam acrescentadas aos protetores. “Acreditamos que o antioxidante nos cremes solares vai prevenir danos na capacidade de recuperação da célula, evitando o câncer de pele em pacientes com xeroderma pigmentoso e, porque não, na população como um todo”, comentou, em comunicado à imprensa, o biólogo Carlos Menck, líder do trabalho.

Protetores mais modernos e turbinados

Em março, o Laboratório de Cosmetologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP apresentou um protetor com ação antioxidante até 70% mais potente que os convencionais. O produto é feito com rutina, flavonoide encontrado em uma planta nativa do cerrado brasileiro, e já foi testado em seres humanos, porém ainda não está nas farmácias.

Além dos UVA e UVB, que são barrados pelos protetores solares disponíveis atualmente no mercado, há ainda a luz visível. Trata-se da claridade que ilumina o dia, considerada inofensiva até pouco tempo, mas que pode ser perigosa também. Ela age em conjunto com o UVA danificando o DNA das células, processo que favoreceria o aparecimento do câncer de pele.

Eis que, no final de 2017, outro grupo da USP desenvolveu um filtro colorido, semelhante à maquiagem, para barrar esse tipo de radiação. O produto usa nanopartículas de melanina – o pigmento que colore a pele – para criar uma camada física contra a luz visível.