• A depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico, desordens mentais muitas vezes negligenciadas entre a família e os amigos devido ao desconhecimento que ainda existe sobre essas doenças, são um problema sério e cada vez mais comum. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje existem mais de 350 milhões de deprimidos em todo o planeta.

    Além dos sintomas intrínsecos ao quadro — tristeza profunda, isolamento social, falta de entusiasmo com a vida… —, a depressão (e mesmo o transtorno de ansiedade e a síndrome do pânico) agrava ou se soma a fatores de risco tradicionalmente reconhecidos como causadores das doenças cardiovasculares, caso de obesidade, tabagismo, pressão elevada, colesterol alto, diabetes, sedentarismo…

    Um estudo interessante sobre o tema, conduzido pelo médico Kalil Duaillib, professor titular de psiquiatria da Universidade de Santo Amaro (Unisa), foi apresentado no último Congresso da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) em 2017.

    O trabalho deixa claro que o manejo do estresse e o tratamento da depressão — bem como da ansiedade e do pânico — contribuem para a redução da ocorrência de eventos cardiovasculares. Os riscos são concretos, uma vez que os problemas de origem mental estão associados a situações comprovadamente ameaçadoras para o coração.

    Uma delas é a insônia, caracterizada pela demora excessiva para dormir, acordar com frequência durante o sono ou despertar antes do tempo adequado. Quem tem insônia e dorme por volta de seis horas por noite corre um risco 30% maior de desenvolver hipertensão no comparativo com pessoas com sono normal. Já quem tem insônia e dorme menos de cinco horas por noite enfrenta um risco 520% maior!

    As pessoas com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) apresentam, por sua vez, um risco 30% maior de ter uma doença cardiovascular.

    Ao redor das dificuldades psicológicas rondam outros fatores nocivos ao sistema circulatório. No Brasil, assim como ocorre no México, vem aumentando de maneira expressiva o consumo de álcool pela população. Além disso, 1,5 milhão de brasileiros com mais de 18 anos fuma maconha todos os dias e 8,4 milhões o fazem quatro vezes por semana. Muitos desses comportamentos estão relacionados a depressão, estresse, ansiedade e síndrome do pânico.

    É preciso considerar também que o indivíduo deprimido não raro abandona o tratamento de uma enfermidade e tende a ingerir álcool e outras substâncias.

    Repito: depressão, ansiedade e síndrome de pânico são problemas graves. Esses inimigos aparentemente invisíveis da saúde e do coração não são simples crises de tristeza, abatimento ante um fato pontual da vida ou melindre, temperamento e capricho, como às vezes são interpretados pela sociedade. Falamos de doenças que merecem máxima atenção, apoio e tratamento médico especializado. Inclusive pelo bem do coração!

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  • Estima-se que, até 2029, o câncer vai superar as doenças cardíacas e se tornar a principal causa de morte no país. Em Porto Alegre, é provável que isso ocorra já em 2018, tornando a capital gaúcha a primeira grande cidade do Brasil a observar esse fenômeno.

    Apesar dos diversos avanços no tratamento do câncer alcançados nas últimas décadas, como no caso dos tumores de mama, a mortalidade por outros tipos, como o de pulmão, continua elevada. Entre outros motivos, isso se relaciona com o diagnóstico tardio e a falta de acesso às terapias inovadoras, que podem beneficiar pacientes aumentando a sobrevida e melhorando o convívio com a doença.

    Um novo remédio passa, em média, dez anos em estudo antes de chegar ao mercado. Mas o acesso do paciente a uma terapia inovadora depende, na maioria das vezes, da capacidade do governo e dos planos de saúde em oferecê-la.

    Daí a importância da ampliação do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgado em novembro de 2017. A lista, revisada a cada dois anos para atualizar a relação mínima de tratamentos que devem ser oferecidos pelas operadoras de planos de saúde, incluiu 18 novos procedimentos, entre exames, terapias e cirurgias.

    Um ótimo exemplo das inserções no rol da ANS em 2018 é uma terapia-alvo indicada para um subtipo do câncer de pulmão: o de não pequenas células com mutação do EGFR. O tumor de pulmão é o que mais mata no Brasil e no mundo, sendo responsável por 18,2% de todas as mortes por câncer. Só no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que, em 2016/2017, foram cerca de 28 220 novos casos (17 330 em homens e 10 890 em mulheres).

    A disponibilização pelas seguradoras desse medicamento, batizado de afatinibe, é uma vitória a partir de um intenso trabalho de entidades representativas de pacientes, da classe médica e da indústria farmacêutica junto aos órgãos responsáveis. Ela representa um marco no tratamento da doença em nosso país, porque aumenta o leque de opções para muitas pessoas.

    É relevante frisar também que ações simples tomadas por parte da própria população podem melhorar o cenário da doença. Primeiro, precisamos ter atenção especial aos sintomas iniciais do câncer de pulmão, que às vezes se assemelham aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, sem que eles possuam uma origem clara, a pessoa procure orientação médica.

    Soma-se a isso a importância do diagnóstico correto do subtipo da doença. O câncer de pulmão possui muitas versões – cada qual com diferentes estratégias de combate. Por isso, ao constatar o problema, o paciente deve sempre passar por testes para identificação exata do subtipo de sua enfermidade, e dessa forma iniciar o tratamento mais adequado.

    Novidades como a inclusão do afatinibe no Rol da ANS devem ser celebradas. É dessa forma que poderemos proporcionar aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas, além de uma expectativa maior no sucesso do tratamento.

    É relevante frisar também que ações simples tomadas por parte da própria população podem melhorar o cenário da doença. Primeiro, precisamos ter atenção especial aos sintomas iniciais do câncer de pulmão, que às vezes se assemelham aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, sem que eles possuam uma origem clara, a pessoa procure orientação médica.

    Soma-se a isso a importância do diagnóstico correto do subtipo da doença. O câncer de pulmão possui muitas versões – cada qual com diferentes estratégias de combate. Por isso, ao constatar o problema, o paciente deve sempre passar por testes para identificação exata do subtipo de sua enfermidade, e dessa forma iniciar o tratamento mais adequado.

    Novidades como a inclusão do afatinibe no Rol da ANS devem ser celebradas. É dessa forma que poderemos proporcionar aos pacientes uma melhora significativa dos sintomas, além de uma expectativa maior no sucesso do tratamento.

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  • Sua avó acordou com as juntas doendo. Isso é sinal de quê? De que ela precisa de um ortopedista, é claro. Um artigo científico publicado faz pouco confirmou que os incômodos ósseos da terceira idade, ao contrário do que afirma a sabedoria popular, não são sinal de que vai chover mais tarde.

    O estudo, liderado por Anupam Jena, professor de saúde pública da Universidade Harvard (EUA), cruzou os prontuários médicos de 1,5 milhão de americanos com mais de 65 anos com os registros meteorológicos do órgão federal que cuida de dados oceânicos e atmosféricos. Os resultados saíram no especial de Natal da editora científica BMJ – um volume anual com pesquisas engraçadinhas sobre família, álcool e outras coisas que lembram os papos furados da ceia.

    No período analisado, 6,35% das consultas médicas feitas por idosos em dias chuvosos incluíram reclamações sobre dores nas costas e nas juntas. Quando não choveu, o número subiu um pouco, em vez de diminuir: 6,39%. A diferença, de qualquer forma, é estatisticamente insignificante (ou seja, deu um empate).

    Diante do resultado cético, os pesquisadores levaram em consideração as duas objeções possíveis: uma é que às vezes não dá para marcar uma consulta médica no mesmo dia em que a dor é sentida. Outra é que sair de casa em dias chuvosos é desconfortável, o que justificaria esperar o céu abrir no dia seguinte.

    Por isso, os gráficos também foram gerados levando em consideração a data em que a dor foi sentida, e não a data da visita ao médico. Surpresa: não adiantou nada. Os números se mantiveram estáveis.

    Só não foram incluídas na conta, é claro, dores que não foram fortes o suficiente para levar os pacientes ao médico. Afinal, essas não geram dados. “Não importa como a gente processe as informações, não dá para encontrar nenhuma correlação entre a chuva e visitas ao médico por dor nas costas ou nas juntas”, afirmou Jena em um comunicado. “No final das contas, essas dores são uma previsão do tempo confiável.”

    É claro que esses resultados não vão mudar a opinião de todo mundo. Quando nós desejamos estar certos em relação a crenças pseudocientíficas, entra em ação a memória seletiva: a lembrança da dor se fixa melhor quando ela vem em dias chuvosos do que quando ela vem em dias secos, o que te leva a crer, em longo prazo, que o joelho só incomoda quando o tempo está úmido. Mas isso não é verdade.

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  • Pesquisadores ingleses avaliaram como as pessoas aplicam protetor solar no rosto e descobriram que os arredores dos olhos são até duas vezes mais negligenciados do que o resto da face. O trabalho, realizado pela Universidade de Liverpool, chama a atenção porque as pálpebras e companhia também sofrem com o câncer de pele. E não é pouco.

    “10% dos tumores de pele tipo carcinoma basocelular, que é o mais comum, ocorrem na área dos olhos, onde ele é mais perigoso”, explica o médico Flávio Barbosa Luz, da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ora, remover nódulos malignos dali exige uma operação delicada, que não raro envolve a reconstrução da pálpebra.

    Hora, então, de olhar com carinho para esse pedaço ignorado da face. O momento é oportuno para discutir o assunto, uma vez que estamos no Dezembro Laranja, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pele. A iniciativa é da SBD e tem em 2017 o lema “Se exponha, mas não se queime”.

    Detalhes do estudo

    O grupo avaliou 57 indivíduos em duas oportunidades. Primeiro, eles foram instruídos a passar protetor solar da maneira que sempre faziam. Depois, voltaram ao laboratório em uma segunda oportunidade e receberam informações sobre a importância de não esquecer dos olhos antes de receberem o produto.

    Os pesquisadores fotografaram o rosto dos voluntários depois da aplicação com câmeras sensíveis à radiação ultravioleta emitida pelo sol. Na primeira ocasião, até 14% da área dos olhos foi ignorada pelos participantes, enquanto no restante do rosto esse índice ficou em 7%. Ao fornecer as instruções antes, a cobertura melhorou, mas alguns cantinhos ainda permaneceram descobertos.

    A encruzilhada dessa história: não é lá muito agradável aplicar nenhum creme em volta dos olhos. “É difícil passar protetor nessa região. O produto escorre, não é apropriado”, aponta Barbosa. Os próprios autores do estudo concluem que, embora a educação tenha seu impacto, é importante pensar em alternativas mais confortáveis ao filtro.

    “Aqui precisamos fazer um mea culpa. Nós sempre associamos a defesa contra a radiação solar ao uso do protetor, mas ele não é a única medida possível”, comenta Barbosa.

    Como blindar a visão

    No caso dos olhos, o melhor é usar óculos escuros – sim, ele também vai blindar suas pálpebras dos raios ultravioleta (UV). Só não adianta ser qualquer modelo do camelô. “Qualquer vidro resguarda contra o UVB, mas para barrar o UVA, que também é perigoso, a lente precisa passar por um tratamento especial”, alerta Barbosa.

    Se a grana está curta, um chapéu de abas largas ou uma viseira também garantem que o sol não atinja diretamente as vistas e o rosto todo. Vale lembrar que 90% dos cânceres de pele mais comuns ocorrem entre cabeça e pescoço.

    Nada disso, entretanto, significa que o protetor deva ser dispensado. Ele continua obrigatório, mas seu uso (assim como o dos óculos) deve ser ajustado às realidades individuais. Por exemplo, de nada adianta passá-lo antes de sair de casa bem cedinho e esquecê-lo na hora de sair do trabalho para almoçar em pleno solão do meio dia.

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  • Se a acupuntura como terapia complementar para a asma era controversa entre os pneumologistas, um estudo assinado por universidades da Alemanha e da Suíça tem tudo para fomentar o uso das agulhas contra a doença.

    No trabalho, a resposta de mais de mil asmáticos à combinação desse método milenar com tratamentos convencionais se mostrou extremamente positiva. Foram observados benefícios na saúde física e mental dos participantes, além de um incremento na qualidade de vida.

    “Nenhuma pesquisa anterior chegou a resultados tão consistentes”, reconhece a médica Alenita Oliveira, da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. A expert explica, porém, que nem todo mundo pode se submeter à acupuntura. Por isso, é necessário avaliar cada caso.

    O que fazem as agulhas

    Seu poder anti-inflamatório, que beneficia os asmáticos, é reconhecido há tempos. Segundo Dirceu Salles, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, a técnica também oxigena o sangue e pode diminuir tanto o número quanto a intensidade das crises.

    Outras medidas que aprimoram o controle da asma

    Ioga

    De acordo com Salles, as técnicas respiratórias típicas do método são bem-vindas. A ioga também tende a reduzir o processo inflamatório.

    Atividade física

    Quer algo mais agitado? Tudo bem. Alenita só lembra que é essencial estar com a doença controlada antes de se jogar na malhação.

    Alimentação

    Dieta equilibrada é regra sempre. Mas atenção especial ao selênio, mineral antioxidante. Uma castanha-do-pará já fornece a dose certa.

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  • Em novembro de 2003, surgia na Austrália o movimento Movember — união das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (novembro) —, quando homens deixaram crescer o bigode para chamar atenção à saúde masculina e fazer um alerta sobre o câncer de próstata. A campanha expandiu-se pelo mundo e inspirou o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida para promover ações de esclarecimento sobre a doença no Brasil.

    Quando excluímos os tumores de pele, o câncer de próstata figura como aquele mais comum em homens acima dos 50 anos. É também a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos. No Brasil, está por trás de 62 mil novos casos e 13 mil óbitos por ano.

    A doença, em geral, evolui lentamente, mas existem casos agressivos. Sabe-se que um em cada seis homens terá o problema, mais frequente em negros e naqueles que possuem parentes de primeiro grau que tiveram o câncer. Quando acomete homens com menos de 50 anos, pode estar associado a mutações genéticas hereditárias do gene BRCA 1 e/ou 2, o mesmo relacionado aos cânceres de mama e ovário hereditários nas mulheres.

    Devemos ficar atentos à condição porque, na fase inicial, não costuma apresentar sintomas. Eles aparecem mais nos estágios avançados — dores nas costas, nas pernas e nos quadris podem surgir em função da disseminação da doença para os ossos, por exemplo. É comum, no entanto, a presença de sinais de hiperplasia (aumento) da próstata, situação benigna que pode coexistir com o câncer e provocar diminuição na força do jato miccional, aumento na frequência das idas ao banheiro e esvaziamento incompleto da bexiga.

    Estudos já tentaram demonstrar se alguns alimentos, vitaminas, suplementos antioxidantes ou mesmo fármacos seriam capazes de prevenir o câncer de próstata, mas, até o momento, não há evidências contundentes de que seja possível evitá-lo. As pesquisas indicam o envelhecimento como principal fator de risco. Dieta com alto teor de gordura animal, obesidade e sedentarismo também podem estar associados à maior probabilidade de desenvolvê-lo.

    O impacto do diagnóstico precoce

    As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 45 no caso de negros e homens com histórico familiar da doença.

    Dois exames são essenciais para o diagnóstico: a dosagem no sangue do PSA e o toque retal.

    O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína que pode ser encontrada no tecido prostático, no sêmen e na corrente sanguínea. Pode estar alterado em diferentes contextos, caso de prostatites (infecções da próstata), hiperplasia e do próprio câncer. Um resultado normal no PSA, isoladamente, não exclui a possibilidade de haver um tumor maligno. Daí a necessidade do toque retal.

    Embora ainda visto com certo preconceito, não há atualmente outro exame com a mesma eficiência. Quando realizado por um médico bem treinado, o toque dura segundos, é indolor e permite avaliar características fundamentais para o diagnóstico de doenças prostáticas. Se, após esses exames houver suspeita da doença, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

    O câncer de próstata tem comportamento variável. Pode ser de baixa, intermediária ou alta agressividade, estar localizado apenas na próstata, avançado localmente ou já espalhado em outros órgãos.

    O tratamento é baseado nesses fatores e em características individuais do paciente. Cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia e vigilância ativa (quando o urologista segue acompanhando, mas não é feita uma intervenção direta no problema) são as estratégias que podem ser tomadas isoladamente ou em associação. O tratamento ideal é personalizado e busca a melhor forma de combater o câncer com menor grau de agressão ao paciente.

    Felizmente, quando a doença é detectada em fase inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%. Por isso, ajude a propagar essa mensagem em mais um Novembro Azul. Além de salvar vidas, a detecção precoce permite recuperar a alegria e a autoestima dos homens, assim como o bem-estar da família.

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  • Para descobrir como anda a tireoide, não há muito segredo. Dois exames de sangue dosam os hormônios associados a essa glândula, importante para o funcionamento de todo o organismo – em excesso, eles provocam o hipertireoidismo e, quando andam em baixa, estão associados ao hipotireoidismo.

    Enquanto o TSH é produzido no cérebro para estimular o funcionamento da tireoide, o T4 é secretado por ela mesma. Hoje em dia, a análise do T4 total está caindo em desuso. É que os médicos preferem analisar o T4 livre, que é uma espécie de sobra do hormônio em circulação.

    Para que servem os exames

    O TSH é mais específico e, por isso, considerado padrão-ouro na avaliação da glândula. Os exames são usados no diagnóstico de disfunções como o hiper e o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona rápido ou devagar demais, respectivamente.

    Como são feitos

    A pessoa fica em jejum por cerca de quatro horas no caso da medição do TSH e, no mínimo, por três horas para o T4. Depois, o técnico colhe uma amostra de sangue e envia para análise no laboratório.

    Os resultados

    O laboratório quantifica os hormônios presentes na amostra e, no laudo, o resultado vem junto com valores referência de normalidade para comparação. Os números variam de laboratório para laboratório. Esses são os do Fleury Medicina e Saúde:

    TSH – 0,45 a 4,5 mUI/L
    T4 Livre – 0,6 a 1,3 ng/dL

    Valores abaixo ou acima desses podem indicar problemas.

    Periodicidade

    A dosagem do TSH é usualmente incorporada no checkup anual das mulheres a partir dos 35 anos e, depois dessa idade, repetido de cinco em cinco anos. Mas há controvérsias sobre a necessidade de pedir esses exames quando não há sintomas que indiquem panes na tireoide. Já o T4 livre só costuma ser indicado caso haja uma alteração nos valores de TSH.

    Cuidados e contraindicações

    Algumas situações podem interferir nos resultados, como a ingesta de hormônios tireoidianos sintéticos. Nesse caso, a coleta tem que ser feita antes de tomar o medicamento ou quatro horas depois.

    Indivíduos que consomem suplementos com biotina devem suspender o uso três dias antes da coleta de sangue. Fatores como gravidez, idade fértil, presença de anemia e insuficiência cardíaca também precisam ser ponderados pelo médico na hora de interpretar os resultados.

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  • Causada por um vírus, a hepatite C passa anos sem dar sinal. E o drama é que seu primeiro sintoma pode vir de uma cirrose ou de um câncer no fígado. Mas dá pra evitar essas situações extremas com uma simples picada no dedo: o teste para diagnosticar a condição demora poucos minutos e está disponível no sistema público de saúde. Caso ela seja detectada, o tratamento também é gratuito e hoje traz perspectivas de cura.

    Mesmo com tanta facilidade, há ainda muita gente que não sabe da infecção. Isso motivou entidades como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e a farmacêutica Abbvie a criarem uma campanha de conscientização sobre o tema.

    “Queremos incentivar que todos façam o teste, principalmente indivíduos com mais de 40 anos, aqueles que têm tatuagem ou piercing e portadores de diabetes ou doença renal crônica”, lista o médico Edmundo Lopes, presidente da SBH.

    Como prevenir e tratar a hepatite C

    Transmissão
    As principais formas são compartilhamento de agulhas, tesouras e alicates, transfusão de sangue e sexo sem camisinha.

    Doença
    O vírus invade o organismo na surdina e fica um tempão lá no fígado. Em longo prazo, pode provocar até tumores.

    Teste
    Realizado em qualquer posto de saúde, precisa de apenas uma picada na ponta do dedo para a análise de uma gota de sangue.

    Público-alvo
    A campanha foca principalmente quem tem mais de 40 anos, porque no passado as agulhas não eram descartáveis.

    Tratamento
    Três ou quatro comprimidos são prescritos durante três a seis meses e impedem que o vírus continue se replicando.

    Eficácia
    As drogas conseguem eliminar o vírus em mais de 95% das vezes. Em outras palavras, elas têm poder de cura.

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  • O fim do feriadão trouxe um incentivo especial para os jovens cuidarem da saúde: começou nesta segunda-feira (11) a Campanha Nacional de Multivacinação, do Ministério da Saúde. A iniciativa vai até o dia 22 de setembro e contempla crianças e adolescentes de até 15 anos de idade, com foco na prevenção de 18 doenças diferentes.

    O intuito é colocar as cadernetas de vacinação em dia. É essencial, portanto, que os interessados levem aos postos de saúde esse documento, junto de identificação.

    Caso a carteirinha tenha sido perdida, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sugere que os pais levem os filhos ao mesmo local onde o vacinaram no passado. Assim, será possível verificar quais doses estão faltando.

    Para os menores de 7 anos, a atual campanha terá vacinas para tuberculose, poliomelite, rotavírus humano, pneumocócica 10 valente, tetra viral ou tríplice viral mais varicela (atenuada) e hepatite A. Já para os mais grandinhos, as doses vão focar em difteria, tétano e HPV. E todos terão a chance de se imunizar para coqueluche, hepatite B, febre amarela, meningite e tríplice viral.

    Cada estado adotará medidas específicas para incentivar essa campanha. Em São Paulo, por exemplo, haverá um “Dia D”: em 16 de setembro, um sábado, uma espécie de mutirão vai incentivar a vacinação. Serão cerca de 315 mil profissionais espalhados por 5,1 mil postos diferentes, das 8h às 17h.

    Cabe ressaltar que as picadas serão aplicadas na molecada que não está com a carteirinha em dia. Ou seja, se o seu filho tomou tudo direitinho, você não precisa arrastá-lo até o posto de saúde.

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  • Desde Mendel e suas ervilhas, lá no século 19, a genética vem nos surpreendendo e gerando grandes promessas. Quando a molécula do DNA foi apresentada, em 1953, uma gama de possibilidades abriu-se para o mundo científico e passou inclusive a alimentar a imaginação dos ficcionistas.

    Em 2003, exatos 50 anos após a descoberta do DNA, o genoma humano foi sequenciado e, aí, o que parecia só ficção tornou-se uma realidade promissora para a ciência e a sociedade. Entre outros avanços, vivenciamos a criação de testes genéticos, exames que possibilitam detectar doenças muito precocemente.

    Mas o sequenciamento do genoma, combinado a outros desenvolvimentos tecnológicos, permitiu aos cientistas trabalharem francamente com a possibilidade de fazer da genética uma ciência proativa – não simplesmente restrita aos diagnósticos, mas capaz de resolver erros genéticos em células vivas. A esta formidável capacidade se deu o nome de edição genética.

    Muitas técnicas de edição foram desenvolvidas por engenharia genética, com limitações e insucessos. Eis que, no início deste mês, o mundo se surpreende mais uma vez: embriões humanos são geneticamente modificados com êxito para eliminar uma doença!

    O nome dessa façanha da engenharia genética é CRISPR. Trata-se de uma técnica de edição de genes que não foi, a rigor, inventada pelo homem. Ela é fruto da observação do processo de defesa de algumas bactérias, que se “lembram” dos invasores que as infectam e constroem barreiras para impedir um novo ataque. Tudo isso recrutando o DNA.

    A sigla CRISPR significa Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. Essa complexa denominação faz referência às pequenas porções do DNA bacteriano que são compostas por repetições de nucleotídeos (os blocos que formam um DNA). Depois que as bactérias sofrem um ataque de um vírus, pedacinhos de DNA viral se tornam uma espécie de banco de memória do qual a bactéria se apropria e insere no seu próprio DNA.

    Na iminência de um novo ataque daquele vírus, a bactéria ativa suas moléculas-guia de RNA que, além de ter a capacidade de reconhecer um DNA estranho, orientam uma enzima para fazer a clivagem (o corte) e a montagem (a cola) da barreira genética que eliminará o DNA invasor.

    Um mecanismo de defesa simples, inteligente e elegante, que faz a bactéria se “lembrar” rapidamente para eliminar o invasor caso ele se atreva a atacá-la novamente.

    Foi pela observação desse processo bacteriano que as cientistas Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier descobriram e demonstraram que a CRISPR é capaz de orientar a clivagem (o corte) de alvos específicos de qualquer gene. Para fazer a clivagem, as cientistas usaram uma enzima, a Cas9, como “tesoura molecular” especializada em cortar DNA, semelhante ao que faz a bactéria para se defender.

    Com essa enzima elas aplicaram a técnica de “cortar-e-colar” – como a que usamos para editar textos no computador. Doudna e Charpentier foram as primeiras a empregar a Cas9 em células vivas. E a partir daí inúmeros trabalhos científicos e bilhões de dólares têm sido investidos nessa tecnologia, que foi considerada o maior avanço científico de 2015 pela revista científica Science.

    A CRISPR vem sendo usada há alguns anos, mas ganhou as atenções mundiais agora com uma nova pesquisa envolvendo embriões humanos. Ela possibilitou livrá-los de uma mutação genética que levaria ao desenvolvimento de uma grave doença no coração.

    A edição genética foi bem-sucedida e, assim, estabeleceu-se um marco histórico para a ciência médica rumo à prevenção de doenças hereditárias. Mas há também um amplo acordo no sentido de que são necessários mais estudos e certezas antes de se usar a técnica como tratamento.

    Digamos que a CRISPR está em fase de treinamento.

    Perspectivas contra câncer, HIV… e até na agropecuária

    O ponto é que, até o momento, as pesquisas são promissoras. Não é exagero afirmar que o uso da CRISPR deverá mudar significativamente o mundo da medicina. Com a aplicação dessa ferramenta simples e barata de “cortar-e-colar”, já é possível bloquear mutações por trás do câncer, bem como retardar o progresso de células tumorais.

    Entre as tantas possibilidades do uso da CRISPR, antevemos a eliminação de mutações genéticas no embrião que poderiam levar a sérios problemas de saúde e desenvolvimento. Existem projetos que envolvem a CRISPR na área de transplantes de órgãos, utilizando porcos, e até mosquitos geneticamente editados por CRISPR para erradicar a malária.

    A técnica já eliminou o genoma do HIV em organismos vivos e forçou bactérias resistentes a antibióticos a se suicidarem. Enxertos de pele geneticamente modificados pela CRISPR estão sendo desenvolvidos para tratamento de diabetes dos tipos 1 e 2. Até algumas formas de cegueira hereditária poderão ser efetivamente curadas por edição genética!

    No campo da agropecuária, entre outros melhoramentos, a CRISPR está promovendo a criação de gado resistente à tuberculose. E também está melhorando a eficiência de algas para produzir mais biocombustíveis, além de viabilizar o cultivo de trigo imune a fungos, tomates mais resistentes e amendoins que não causam alergias. Veja: já não estamos falando de alimentos transgênicos – tema que ainda suscita muitos debates – mas de simples modificações genéticas, uma vez que não há inserção de material genético estranho.

    Tudo indica que os limites da CRISPR serão determinados apenas pelos aspectos éticos da aplicação dessa ferramenta de edição genética. A preocupação de sempre quanto aos aspectos morais de manipulação de embriões, de criar bebês sob encomenda, além de outras aventuras que possam ferir o bom senso e a consciência. Sem dúvida, são questões que precisarão ser socialmente discutidas e demandarão regras para impor limites.

    O que importa, contudo, é saber que, agora, o que fazia parte de um caótico sonho das possibilidades da genética — como a cura de doenças com o remanejamento de genes e a prática de uma medicina, de fato, preventiva e personalizada — está se transformando em uma uma realidade alcançável. Não mais uma promessa.

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