• Em um vídeo que está na internet e é compartilhado nas redes sociais, um homem aparece abrindo uma caixa cheia de leite com a finalidade de ensinar uma “dica” aos consumidores. Ele mostra que a parte de baixo de metade das embalagens apresenta alguns quadradinhos coloridos. De acordo com o sujeito, os símbolos só aparecem em leites que passaram por um reprocessamento.

    Ou seja, ele dá a entender que esses produtos já entraram anteriormente no mercado, mas voltaram à indústria para serem tratados quimicamente e, daí, foram devolvidos às prateleiras.

    Em primeiro lugar, o homem não aparece em nenhum momento – só vemos suas mãos – nem cita fonte para embasar esse alerta. Motivos suficientes para ficarmos com a pulga atrás da orelha, certo?

    De qualquer maneira, fomos atrás da Tetra Pak, que fabrica as embalagens que aparecem no vídeo. E para que fique claro: a Tetra Pak não produz leite.

    Segundo Fernanda Miguel, responsável pelo departamento de Tecnologia Asséptica da empresa, o reprocessamento do leite – e de qualquer outro produto – é simplesmente proibido pela legislação.

    Os quadradinhos coloridos apenas representam um teste de cor feito para controle da qualidade de impressão da embalagem. “Não tem nenhuma relação com o produto que vai ali dentro”, afirma Fernanda.

    Mas então por que algumas embalagens têm os símbolos e outras, não? “Da forma com que a embalagem é feita nos equipamentos, há a produção de mais de um tipo na mesma bobina”, esclarece a especialista da Tetra Pak. Dito de outra forma, o teste de qualidade da impressão não precisa ser realizado em todas as caixinhas fabricadas. E isso não tem absolutamente nada a ver com o leite em si.

    Fake news das antigas

    Vale lembrar que essa história de leite reprocessado não é de hoje. Há cerca de dez anos, uma mensagem espalhada também pela internet dizia que um número impresso no fundo da embalagem indicava quantas vezes o produto havia passado por reprocessamento após a data de validade.

    Em algumas caixinhas, era possível encontrar os números 5, 6… “Se isso fosse possível, o leite já teria virado um doce de leite!”, brinca Fernanda.

    De novo, o número não tem qualquer relação com o alimento. Ele indica, na verdade, o posicionamento das bobinas na linha de produção da caixinha.

    Até porque convenhamos: se alguém quisesse fraudar um alimento, não ficaria colocando dicas de ilegalidades na embalagem. Então ao ficar de olho?

    No que prestar atenção

    Na hora da compra, Fernanda diz que é essencial verificar a data de validade do leite e o aspecto da caixa. “Ela não deve estar amassada nem vazando. Precisa estar íntegra e com o lacre da tampa fechado”, ensina. Outra questão que merece ser observada: em quanto tempo o produto deve ser consumido após aberto.

    No mais, caso tenha dúvidas sobre informações contidas nas embalagens e mensagens disseminadas nas redes sociais, não deixe de entrar em contato com as empresas fabricantes dos produtos ou das embalagens.

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    Em menos de um ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve disponibilizar um medicamento antirretroviral para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV entre pessoas em situação de risco. O método, batizado de profilaxia pré-exposição (PrEP), tem alta eficácia e chega a proteger em 90% dos casos, desde que utilizada corretamente.

    Para esse fim, o remédio — chamado Truvada — exige uso contínuo, o que significa que o indivíduo precisa ingerir os comprimidos diariamente. Eles começam a surtir efeito a partir do sétimo dia para relações anais, e a partir do 20º para o sexo vaginal. Vale ressaltar que essa terapia só é eficiente se administrada antes da exposição ao vírus. Para as pessoas com aids, o tratamento é completamente diferente.

    A PrEP já é sugerida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2012, e está disponível em países como Estados Unidos, Peru, Bélgica e França. Segundo a entidade, a estratégia deveria ser empregada em casais formados por uma pessoa portadora do HIV e a outra não; homens que fazem sexo com outros homens; profissionais do sexo; travestis e transexuais.

    Agora, fazer parte desses grupos não garante acesso imediato à profilaxia. É necessária uma análise para avaliar vulnerabilidade, comportamentos de risco e outras questões do paciente: “Uma série de critérios é levada em conta antes da indicação da PrEP, como o número de parceiros sexuais, os outros métodos de prevenção utilizados, o compromisso com a adesão ao medicamento”, explica Adele Benzaken, diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

    Outra coisa importante: o uso da camisinha continua valioso, já que, mesmo com a alta taxa de êxito da PrEP, outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), a exemplo de sífilis e gonorreia, podem se alastrar sem uma barreira física.

    No Brasil, 40 mil novos casos de aids surgem por ano. Atualmente, 827 mil pessoas convivem com a doença no país. Do total, 260 mil não estão em tratamento, mesmo sabendo que são portadoras. Estima-se que outras 112 mil carregam o vírus sem ter conhecimento.

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    A Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou na sexta-feira (15) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da lei que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer.” A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

    Para o coordenador jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, há uma “desconhecimento amplo acerca da eficácia e dos efeitos colaterais da substância”. Já o presidente da AMB, Florentino Cardoso, diz que todas as orientações e alertas científicos das comunidades médicas foram ignorados.

    Na ADI de número 5501, a AMB diz que a liberação da substância sem que sua efetividade tenha sido clinicamente comprovada é incompatível com a Constituição, pois não garante aos brasileiros os direitos à saúde, à segurança e à vida, além do princípio da dignidade da pessoa humana.

    A associação argumenta ainda que a não realização de testes clínicos da fosfoetanolamina em seres humanos fere a Lei 6.360/76, que prevê três fases de análises antes da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Além de não autorizar a comercialização da sustância, a Anvisa informou não ter como garantir se ela pode ou não trazer riscos à saúde de quem a ingerir. “Com o produto estando fora do ambiente regulatório, não há como a Anvisa fiscalizar o processo de fabricação e distribuição, o que também resulta em riscos sanitários para a população. Afinal, sem os estudos clínicos necessários, não há como assegurar que a fosfoetanolamina é segura e eficaz”, disse o órgão.

    Uso da substância

    O SUS não vai fornecer a fosfoetanolamina. Segundo Ministério da Saúde, quem quiser fazer uso da substância terá de pagar por ela.

    A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolaimina para que o paciente possa usá-la. No entanto, o Ministério da Saúde divulgou nota em que afirma que “está sendo sugerida a prescrição médica em talonário numerado que permita o rastreamento do paciente (com justificativa para o uso)”.

    Sendo o produto de efeito desconhecido, é possível que médicos não queiram prescrevê-lo. O oncologista Helano Freitas, coordenador de pesquisa clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção para o fato de que a lei exige apenas um laudo médico que comprove o diagnóstico.

    “Dessa maneira, estão transferindo toda a responsabilidade para o paciente de julgar se algo é bom ou não para ele”, disse. Isso pode levar a uma situação em que o paciente escolha seguir o tratamento com a fosfoetanolamina sem o devido acompanhamento de seu médico.

    “Respeitamos o livre arbítrio, mas precisamos informar adequadamente os pacientes para que eles não incorram em decisões precipitadas acreditando em informações que ainda não têm comprovação”, afirma o oncologista.

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  • foto-imagem-cérebro

    Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College de Londres afirmam que os exercícios mentais mantiveram as mentes dos participantes do experimento “afiadas”, ajudando-os na realização de tarefas diárias – como fazer compras e cozinhar.

    Quase 7 mil pessoas de 50 anos ou mais participaram do estudo, que durou seis meses e foi feito em parceria pelo King’s College e o programa de TV da BBC Bang Goes the Theory.

    Um novo estudo, mais longo, está se iniciando agora.

    Treinamento cerebral

    Os voluntários foram recrutados pela BBC, pela Alzheimer’s Society e pelo Medical Research Council (Conselho de Pesquisas Médicas) da Grã-Bretanha. No momento da seleção, nenhum dos participantes apresentava indícios de problemas de memória ou cognição.

    Experimente fazer um dos exercícios de treinamento cerebral do BBC Lab UK: Qual é a flor diferente? (A resposta está no final do texto)

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    Alguns dos voluntários foram incentivados a entreter-se com jogos de treinamento cerebral tantas vezes quantas quisessem. Cada sessão tinha de durar dez minutos.

    Os outros voluntários (o chamado grupo de controle) fizeram buscas simples na internet.

    O experimento avaliou os participantes por meio de testes padrão de cognição. Os exames foram aplicados três vezes: no início do estudo, após três meses e ao final da pesquisa (após seis meses).

    O objetivo dos testes era verificar se havia diferenças entre os desempenhos cognitivos dos dois grupos.

    Concluído o experimento, os pesquisadores constataram que o grupo que jogou os games de treinamento cerebral para raciocínio e resolução de problemas manteve sua capacidade cognitiva em melhor estado do que o grupo que não jogou.

    Os benefícios foram aparentes nos casos de participantes que jogavam os games pelo menos cinco vezes por semana.

    Artigo sobre a pesquisa publicado na revista científica Journal of Post-acute and Long Term Care Medicine aponta ainda que pessoas com mais de 60 anos que praticavam os jogos relataram melhor desempenho em atividades essenciais do dia a dia.

    No entanto, um estudo anterior feito pelos mesmos pesquisadores constatou que esse tipo de exercício não traz benefícios para pessoas com menos de 50 anos.

    Agora, a equipe do King’s College de Londres está começando um novo experimento para tentar verificar se práticas desse tipo podem ajudar a prevenir o desenvolvimento da demência.

    “(Jogos para) treinamento do cérebro na internet estão se tornando uma indústria milionária e estudos como esse são vitais para que possamos compreender o que games desse tipo podem – e não podem fazer”, afirmou Doug Brown, porta-voz da Alzheimer’s Society.

    “Esse estudo não foi longo o suficiente para avaliar se o pacote de treinamento cerebral pode prevenir o declínio cognitivo ou a demência, mas estamos entusiasmados ao ver que (o treinamento) tem impacto positivo sobre a maneira como pessoas mais velhas desempenham tarefas essenciais do dia a dia.”

    (Resposta: A flor diferente é a circular verde.)

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    Rachel Winograd, psicóloga da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, acredita que sim. E vai além: ela descreve quatro tipos diferentes de “bêbados”, com base em experimentos realizados em seu laboratório.

    “Sempre falamos da maneira como as pessoas ficam diferentes quando bebem – há os bêbados ‘alegres’ e os bêbados ‘chatos’. Mas não existia praticamente nada sobre isso na literatura científica”, afirma.

    Por isso, ela convidou algumas centenas de estudantes para trazerem um amigo para um teste em seu laboratório. Os voluntários responderam questionários detalhados sobre como viam suas próprias personalidades e a de seus colegas, tanto em momentos de sobriedade como de embriaguez.

    Através disso, ela pode examinar mudança em características como conscienciosidade, extroversão e amabilidade.

    Mary Poppins ou Professor Aloprado?

    Em seguida, Winograd e seus colegas analisaram as respostas em busca de pontos em comum de características comportamentais, descobrindo quatro tipos distintos de “bêbados”, que eles batizaram de acordo com algumas personalidades famosos do cinema e da literatura.

    O bêbado Ernest Hemingway, assim como o próprio escritor americano, mantém seu intelecto e sua capacidade de raciocinar mesmo com o consumo de álcool, e muda muito pouco quando se embriaga.

    Já o tipo Mary Poppins é aquele bêbado alegre e agradável, mas que se mantém responsável durante toda a balada.

    O Professor Aloprado começa a noite tímido, mas de repente se torna mais extrovertido e até um pouco “saidinho”.

    Por fim, o bêbado Mr. Hyde (o personagem malvado do clássico O Médico e o Monstro) é aquele que se torna mais desagradável e irresponsável quanto mais bebe.

    ‘Olhos de cerveja’

    É interessante notar que a maioria dos voluntários analisados por Winograd se revelou como sendo do tipo Ernest Hemingway, enquanto apenas 15% eram Mary Poppins.

    Apesar de ter batizado as diferentes personalidades de maneira aparentemente frívola, Winograd acredita que a referência a ícones culturais pode ajudar sua pesquisa a atingir um público mais amplo.

    “Não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que essa classificação cobre todas as nuances”, afirma. “Mas trata-se de algo fácil de entender e que as pessoas podem reconhecer facilmente, aplicando a si mesmos ou a seus amigos e familiares quando interpretarem a pesquisa.”

    O estudo mostrou ainda que a visão que um voluntário tinha de si mesmo acerca de seu comportamento quando embriagado raramente coincidia com a opinião de seu amigo.

    Uma possível explicação pode ser o fato de nossos “olhos de cerveja” nos levam a pintar um retrato mais favorável de nós mesmos do que realmente nossos amigos veem.

    Ou ainda, pode ser que percebamos melhor as mudanças em nós mesmos, algo que nossos amigos não percebem.

    Também seria interessante analisar como o estado de embriaguez de uma pessoa muda de acordo com a situação. É perfeitamente normal ser o Professor Aloprado uma noite e Mr. Hyde na outra.

    Para resolver essas questões, Winograd está trabalhando em experimentos para filmar estudantes enquanto começam a beber, para que especialistas independentes avaliem seu comportamento.

    Enquanto isso, ela espera que seu projeto ajude as pessoas a pensarem de uma forma mais analítica sobre seus hábitos de bebida e os problemas que eles podem acarretar.

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  • foto-imagem-pilular

    A substância 2,4-dinitrofenol, mais conhecida como DNP, era usada originalmente para a fabricação de explosivos, mas está sendo cada vez mais comercializada de forma ilegal pela internet em forma de cápsulas, pó ou creme, sendo procurada por pessoas que querem emagrecer ou reduzir a porcentagem de gordura em seu corpo.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o DNP “já causou doenças graves e mortes em vários países nos últimos três anos”.

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    O uso do DNP como emagrecedor não é novo: na década de 30 foi descoberto que essa substância aumentava a taxa metabólica e permitia a perda de peso.

    Mas o alto número de efeitos colaterais e mortes fez com que a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, proibisse o composto em 1938 e ele acabou catalogado como uma “substância extremamente perigosa e não apta para o consumo humano”.

    O uso do DNP, no entanto, parece estar crescendo novamente, especialmente graças à facilidade de se adquirir essa substância pela internet.

    Segundo um estudo do Departamento de Medicina de Emergência do Hospital Whittington, de Londres, publicado em 2011 pela revista especializada Journal of Medical Toxicology, desde a década de 60 até o fim do século 20 não foram registradas mortes devido ao consumo de DNP.

    Os pesquisadores observaram, porém, um ressurgimento dos casos fatais na primeira década do século 21 – foram 12 mortes entre 2001 e 2010 -, o que, segundo eles, reflete “o aumento da disponibilidade do DNP na internet, onde (esse produto) é comercializado particularmente para o uso de fisiculturistas”.

    Em 2015, apenas na Grã-Bretanha foram 30 casos de intoxicação pela substância (contra 9 casos em 2014). E dos intoxicados, cinco acabaram morrendo.

    Por isso, o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra decidiu fazer um alerta no dia 11 de dezembro, advertindo sobre o “ressurgimento” desse tipo de intoxicação, principalmente entre adolescentes e jovens.

    “Essa droga deveria ser classificada como veneno, já que só traz danos (ao organismo)”, disse à BBC Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin, na Grã-Bretanha.

    Morte

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    Um dos casos mais recentes de intoxicação por DNP foi o da jovem britânica Eloise Aimee Parry, que sofria de bulimia e morreu aos 21 anos em abril, após ingerir a substância.

    Fiona Parry, sua mãe, disse à BBC que Eloise tomou oito pílulas e que os médicos “não puderam fazer nada para salvar sua vida”.

    Parry também pediu que fossem adotadas medidas mais duras contra as empresas que distribuem o DNP.

    “As pessoas precisam saber do perigo que são essas pílulas. A busca por uma boa aparência nunca deveria custar a saúde ou (causar) a morte de alguém”, disse a jornais britânicos.

    Em maio, Rachel Cook, que sofria de transtorno alimentar, também morreu, aos 25 anos.

    De acordo com uma investigação recente, Rachel, que já estava muito magra, tomou as pílulas de DNP porque “queria queimar gordura e perder peso rapidamente”.

    “Sei que existe uma pressão entre os jovens para ficarem magros e muitos tomam medidas drásticas para conseguir isso. Mas eles devem estar cientes das consequências inevitáveis de ingerir essa substância mortal”, disse um dos peritos que investigou o caso de Rachel.

    Alerta mundial

    A Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aecosan) fez recentemente um alerta de que algumas páginas na web que vendem o DNP se passam por empresas farmacêuticas.151214175926_dnp_304x171_reuters_nocredit

    A OMS e a Interpol (a agência internacional de polícia criminal) também emitiram informes alertando sobre o aumento do consumo desse composto.

    “(Trata-se de uma substância) ilícita e potencialmente mortal. Além disso, os riscos ligados a seu consumo são agravados pela condição ilícita de sua fabricação”, afirmou a Interpol em um Alerta Laranja mundial emitido em maio e distribuído a seus 190 países membros.

    Segundo a Aecosan, o efeito adverso mais comum associado ao uso do DNP são as erupções cutâneas (vermelhidão e inflamação da pele, muitas vezes com presença de bolhas).

    “Outros efeitos são a neuropatia periférica (problemas no sistema nervoso), gastroenterite (inflamação que afeta o estômago e o intestino), anorexia, catarata ou surdez permanente”, entre outros.

    Há também outros problemas derivados dos efeitos tóxicos do DNP: confusão, agitação, coma, convulsão, hipertermia, taquicardia, sudorese e colapso cardiovascular.

    E não há nenhum antídoto para a intoxicação por essa substância.

    “As pessoas precisam estar conscientes e atentas, especialmente no que diz respeito a vulnerabilidade de pessoas com transtornos alimentares que pode levar ao uso dessa substância”, diz Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin.

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  • A existência de relatos de cura entre pacientes que recorreram à fosfoetanolamina não comprova a eficácia da substância contra o câncer, alertam especialistas. Estudos com seres humanos necessários para que uma substância seja considerada um medicamento, chamados testes clínicos, têm planejamento e controle rigorosos, além de um acompanhamento contínuo dos pacientes.

    Distribuída pela USP de São Carlos por causa de decisões judiciais, a fosfoetanolamina, alardeada como cura para diversos tipos de câncer, não passou por esses testes em humanos, por isso não é considerada um remédio.

    O médico Evanius Garcia Wiermann, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, afirma que existe um viés de seleção nos relatos de cura divulgados. “Se uma pessoa diz que tomou a cápsula e se curou, eu pergunto: quantas pessoas tomaram e morreram, por isso não puderam dar testemunho? Quantas pessoas passaram mal?”

    Testes clínicos têm controle rigoroso

    Os testes clínicos necessários para o lançamento de uma droga são feitos em três etapas. A fase 1 testa a substância em um número pequeno de voluntários saudáveis para avaliar sua toxicidade. Na fase 2, a substância é testada em pacientes que têm a doença que se pretende tratar para verificar se ela é capaz de controlar a enfermidade.

    foto-imagem-fosfoetanolamina-sinteticaJá na fase 3 o produto é administrado a um número maior de pessoas e seu efeito é comparado com o de outras drogas já existentes ou com placebo, para verificar se a candidata a droga representa um avanço no tratamento da doença.

    Também são avaliadas questões como indicação e contraindicação, dosagem e efeitos colaterais.

    “Sem isso, não existe registro de nenhuma substância como medicamento em qualquer parte do mundo. É preciso garantir se o produto é seguro e efetivo para o uso em humanos e, sem estudos clínicos, não se pode verificar isso”, diz o médico Felipe Ades, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

    Sem os testes clínicos controlados, portanto, não é possível saber se relatos de cura associados à fosfoetanolamina podem ser realmente atribuídos à substância ou se foram resultados do tratamento convencional mantido pelo paciente, por exemplo.

    ‘Quem se responsabiliza?’

    “Quem se responsabiliza se o paciente passar mal?”, questiona Wiermann. Como a substância não é prescrita por médicos, já que não tem registro, não há controle sobre possíveis efeitos tóxicos da fosfoetanolamina no organismo dos pacientes, nem se conhece de que maneira ela pode interagir com outros medicamentos contra o câncer.

    Oncologistas afirmam que a divulgação sobre a fosfoetanolamina tem impactado o cotidiano dos consultórios. “Muitos questionam sobre a droga e perguntam se podemos prescrever. Nenhum oncologista pode prescrevê-la por questões éticas.

    Boa parte dos pacientes entende que não é seguro tomar um medicamento como esse. Mas existe ainda a situação de desespero em que, por meio de advogados, pacientes conseguem a droga na Justiça”, diz Wiermann.

    Ades diz que muitos pacientes têm deixado de fazer os tratamentos convencionais para aderir à fosfoetanolamina. “Isso está impactando muito nossa prática diária.” Segundo ele, muitos acreditam que exista um complô da indústria farmacêutica para encobertar a descoberta da cura do câncer.

    “Isso não existe, é uma loucura, uma teoria da conspiração para pegar pessoas desavisadas e desesperadas e justificar que tomem uma medicação que foi testada em ratos, e não em pessoas”, completa Wiermann.

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  • foto-imagem-humanosUma corrida no parque ou ficar deitado no sofá da sala?

    Se você preferiu a segunda opção, não tema: saiba que um estudo feito por pesquisadores da Universidade Simon Fraser, no Canadá, sugere que os humanos são biologicamente “programados” para serem preguiçosos.

    A pesquisa mostrou que o sistema nervoso reprograma padrões de movimentos como andar em uma busca constante para gastar o mínimo de energia possível.

    “E isso é uma notícia ruim para quem come muito”, afirmou o professor de fisiologia Max Donelan, que é co-autor do estudo.

    Durante o estudo, pesquisadores pediram a nove voluntários que usassem um tipo de aparelho ortopédico (como o da foto acima), que dificultasse o ato de caminhar.

    Após alguns minutos, todos os voluntários já haviam modificado seu modo habitual de caminhar para usar menos energia, ou seja, queimar menos calorias.

    Segundo os pesquisadores, o sistema nervoso continuou a aprimorar os movimentos do andar das pessoas para manter um baixo gasto de energia.

    Eles afirma que as conclusões da pesquisa, divulgada na publicação Current Biology, se encaixam na “tendência” de usar o menor esforço possível nas tarefas físicas.

    “Fornecemos uma base psicológica para essa preguiça ao demonstrarmos que mesmo em um movimento bem comum como andar, o sistema nervoso monitora, de maneira subconsciente, a energia usada e vai, continuamente, aprimorando e reaprimorando os padrões, em um exercício constante para se mover da maneira mais barata, com menos gasto calórico, possível.”

    Mesmo quando as pessoas optaram por correr, seus cérebros trabalhavam para que isso fosse feito da maneira mais eficiente possível.

    Segundo Donelan, mais pesquisas são necessárias para ampliar o estudo e se ter uma compreensão melhor de como os milhares de músculos e nervos trabalhavam juntos para conseguir esse feito.

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  • foto-imagem-cientista-idadeEles dizem que o novo método pode ajudar a prever quando uma pessoa vai morrer e identificar aqueles com alto risco de demência. Pode também vir a ser útil nas áreas de medicina, aposentadoria e seguros.

    A equipe que fez o estudo, do King’s College de London, disse que a “idade biológica” de uma pessoa é mais útil do que a data de nascimento.

    Mas o trabalho, apresentado na publicação Genome Biology, não dá pistas sobre como desacelerar o processo de envelhecimento.

    O teste procura uma “marca de idade” nas células do corpo ao comparar o comportamento de 150 genes.

    Ele foi desenvolvido, a princípio, comparando 54 mil marcadores de atividade de genes em pessoas saudáveis – mas, em maioria, sedentárias -, com idades entre 25 e 65 anos, e então reduzindo-as a 150.

    “Há uma marca de idade comum a todos os nossos tecidos, e isso parece ser um prognóstico para diversas coisas, incluindo longevidade e declínio cognitivo”, disse Jamie Timmons, do King’s College London.

    “Aparentemente, a partir dos 40 anos isso pode ser usado como indicativo de como um indivíduo está envelhecendo.”

    A equipe disse que “saúde” e “idade” eram duas coisas diferentes.

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    E acrescentou que algumas decisões de estilo de vida, como passar o dia no sofá, podem ser ruins para a saúde, mas não parecem afetar a velocidade do envelhecimento do corpo.

    A equipe acredita que combinar fatores de estilo de vida e idade biológica poderia dar uma imagem mais precisa das condições de saúde de uma pessoa.

    Beira da morte?

    Os cientistas fizeram experimentos com o teste usando um grupo de homens de 70 anos na Suécia.

    Eles identificaram quem estava envelhecendo bem e quem estava envelhecendo muito rápido e conseguiram prever quem iria morrer nos próximos anos.

    “Conseguimos de fato selecionar pessoas que quase não tinham chance de morrer e algumas que tinham quase 45% de chances de morrer”, disse Timmons.

    Há planos de fazer um piloto com o teste em transplantes de órgãos no Reino Unido para ver se as pessoas que estão tecnicamente velhas, mas tem uma idade biológica jovem, ainda podem doar órgãos com segurança.

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    Os pesquisadores dizem que isso também pode provocar mudanças em testes para detectar câncer, com pessoas que estão envelhecendo rapidamente tendo que passar por testes mais cedo.

    Timmons diz que o teste também será uma ferramenta útil na previsão do início da demência.

    Ele afirma que ele poderia ser combinado com outros exames para identificar pessoas com mais risco de desenvolver a doença neurodegenerativa e usá-los em testes clínicos.

    “Neste momento, precisamos de ferramentas para identificar aqueles que correrão mais risco daqui a 10, 20 anos, e acho que é aí que essa pesquisa terá impacto”, disse.

    Aposentadoria?

    Os cientistas do King’s sabem que a possibilidade de verificar sua idade biológica por ter consequências para a concessão de aposentadorias e prêmio do seguro.

    “Isso levanta várias questões, sem dúvida, e um forte debate, mas nós já somos julgados por nossa idade, então isso pode ser uma forma mais esperta de fazer isso.”

    “Você pode decidir não dar muita atenção para a aposentadoria e curtir sua vida como ela é agora.”

    Outros pesquisadores também consideraram o novo método promissor.

    “Esse novo teste tem grande potencial já que, com mais pesquisa, pode ajudar a melhorar o desenvolvimento e avaliação de tratamentos que prolongam a boa saúde na terceira idade”, disse Neha Issar-Brown, do UK Medical Research Council.

    “Uma das maiores questões na biologia humana é como envelhecemos e como esse processo tem impacto na nossa saúde em geral e o risco de condições como Alzheimer”, disse Eric Karran, do Alzheimer’s Research UK.

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  • foto-imagem-vacina-contra-gripeO vírus da gripe muda a cada ano e a vacina deve, portanto, se adaptar, mas dois estudos importantes publicados nesta segunda-feira (24) podem acelerar o desenvolvimento de uma vacina antigripal universal.

    Verdadeiro “Graal” da pesquisa sobre o vírus Influenza, o desenvolvimento de uma única vacina que proteja contra todas as cepas do vírus da gripe, está sendo estudado há muitos anos, mas nenhuma vacina foi até agora testada em humanos.

    Dois estudos distintos, publicados na revista científica britânica “Nature” e na americana “Science”, relatam ter demonstrado “a prova de conceito” de vacina universal em ratos, furões e macacos, um resultado muito bem recebido por vários especialistas que enfatizam, no entanto, que uma chegada nas farmácias da nova vacina não é para amanhã.

    As duas equipes de pesquisadores concentraram sua pesquisa sobre a parte do vírus que é o principal alvo dos anticorpos: a hemaglutinina. Esta proteína, presente na superfície do vírus da gripe, permite a sua fixação às células do corpo.

    No estudo publicado na revista “Nature”, os pesquisadores do Instituto Americano de Alergia e Doenças Infecciosas indicam que testaram com sucesso as suas vacinas em ratos e furões, animais que apresentam os mesmos sintomas que os seres humanos.

    As vacinas tradicionais contra a gripe utilizam vírus inativos (injetáveis) ou atenuados (spray nasal) e, portanto, devem ser atualizadas a cada ano com base nas cepas circulantes no outro hemisfério.

    Vírus que evoluem

    Os vírus da gripe evoluem constantemente, graças a fenômenos de deriva antigênica (mutações genéticas que levam a pequenas modificações) e quebras (que causam alterações maiores).

    Mas em vez de atacar a cabeça da hemaglutinina, em constante mutação, os estudiosos se concentraram no tronco desta proteína, muito mais estável.

    Ao ligar esta base proveniente de um vírus A (H1N1) a nanopartículas e combinando-a com um adjuvante, eles conseguiram imunizar camundongos e furões antes de injetar neles doses letais do vírus A (H5N1).

    Embora a vacinação não tenha conseguido neutralizar completamente o vírus H5N1, ela protegeu totalmente os ratos e parcialmente os furões.

    “Esta descoberta é um passo importante para o desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe”, indicou à AFP Gary Nabel, responsável pelo estudo, que acredita que os componentes da vacina não devem inicialmente substituir as vacinas tradicionais, mas apenas “completá-las”.

    Resposta imunológica ampla e protetora

    Em outro estudo publicado na revista “Science”, um grupo de pesquisadores liderados por Antoinette Impagliazzo do Instituto de Vacinas Crucell, um Instituto de Pesquisas do laboratório Janssen, relatou ter testado uma vacina que confere proteção completa para ratos e uma resposta imunológica considerável em macacos.

    Eles também trabalham com base na hemaglutinina, esforçando-se para encontrar configurações capazes de se ligar aos anticorpos monoclonais de amplo espectro, atingindo várias cepas virais.

    “O candidato final, chamado mini-HA, tem demonstrado uma capacidade única de induzir uma resposta imunológica ampla e protetora em camundongos e primatas não humanos”, ressaltam os pesquisadores, que estimam ter avançado em direção a uma vacina universal contra a gripe.

    “Este é um avanço excitante”, considerou Sarah Gilbert, professora de imunologia da Universidade de Oxford. “Mas as novas vacinas ainda deverão passar por testes clínicos para ver como funcionam em seres humanos (…), o que poderá levar vários anos”, acrescentou.

    “Para uma verdadeira proteção universal, será necessário garantir a proteção conferida por outras cepas virais”, afirmou, por sua vez, Garry Lynch, um especialista australiano.

    Para o professor Bruno Lina, professor de virologia em Lyon e diretor do centro de referência francês para a gripe, “esta é uma interessante linha de trabalho”.

    Mas ele também observou que os ratos têm resposta imune muito diferentes do humanos e que “não se pode dizer que seremos capazes de fazer rapidamente uma vacina para proteger os seres humanos.”

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