• O diabetes do tipo 2 costuma ser associado ao consumo desenfreado do açúcar. Mas de nada adianta maneirar nesse ingrediente e ir para o lado oposto, abusando dos alimentos cheios de sal. Um estudo realizado por pesquisadores suecos e finlandeses demonstra que o sódio, mineral presente no tempero, elevaria o risco de a doença surgir.

    No trabalho, que foi recentemente apresentado no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, os pesquisadores também encontraram ligação entre excesso de sódio e a ocorrência de um quadro chamado diabetes autoimune latente em adultos (ou Lada, na sigla em inglês), que seria bastante confundido com o diabetes do tipo 2. Só que, nesse caso, trata-se de uma doença de progressão bem mais lenta e que não exige tratamento com insulina.

    O estudo

    Liderados pela Dra. Bahareh Rasouli, do Instituto Karolinska, na Suécia, os pesquisadores avaliaram dados de 355 indivíduos com a tal Lada, 1 136 com diabetes tipo 2 e 1 379 pessoas saudáveis.

    A alimentação diária dos participantes foi analisada por meio de questionários. Outras informações essenciais também entraram na conta, como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, nível de atividade física, consumo de álcool e fatores de risco genéticos para o diabetes.

    Os voluntários foram divididos em três grupos diferentes, de acordo com o tipo de consumo de sal. Ou seja, alto (mais de 7,9 gramas por dia), médio (entre 6 e 7,9 gramas) e baixo (até 6 gramas). E os integrantes da primeira turma apresentaram um risco quase 60% maior de receber o diagnóstico de diabetes tipo 2 do que o último. Não custa lembrar que a Organização Mundial da Saúde recomenda uma ingestão de até 2 gramas de sódio por dia, o que dá aproximadamente 5 gramas de sal.

    Os dados ainda mostraram que cada grama extra de sódio (o correspondente a cerca de 2,5 gramas de sal) aumentaria em até 43% o risco de uma pessoa se tornar diabética do tipo 2. Já em relação à Lada, cada grama do mineral elevaria em impressionantes 73% a probabilidade de esse quadro dar as caras.

    Os estudiosos não chegaram a investigar de que maneira o abuso do mineral contribuiria para o diabetes aparecer. Porém, especula-se que a substância pode levar à resistência à ação da insulina. E se esse hormônio não atua direito, a tendência é sobrar açúcar no sangue. Além disso, há evidências de que o sódio estaria ligado ao ganho de peso, um conhecido fator de risco para o diabetes do tipo 2.

    O jeito é maneirar

    Em entrevista ao portal Medical News Today, a líder da pesquisa admite que, por conta de o acompanhamento da dieta dos participantes ter acontecido através de questionários, é possível que as conclusões não sejam tão exatas assim. Afinal, muita gente não se lembra direitinho de tudo que comeu – ou pode deixar de relatar certos alimentos.

    Mas ela ressalta que não devemos subestimar os perigos do sódio em relação ao diabetes. Para a cientista, o próximo passo é avaliar se a diminuição do consumo de sal ajudaria na prevenção do distúrbio.

    Mas não é preciso esperar os resultados desses novos trabalhos para maneirar no sal e na ingestão de alimentos ricos em sódio – como é o caso de muitos industrializados. Afinal, já está mais do que claro que o excesso do mineral contribui para a subida da pressão arterial, o que nos deixa mais suscetíveis a problemas como infarto e derrame.

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  • Ele é conhecido como açaí da palmeira juçara, planta nativa da Mata Atlântica. Sim, é a mesma que dá origem ao palmito

    Se confiar na aparência, dá para confundir o açaí amazônico (aquele tradicional) com o fruto da palmeira juçara. “Eles são do mesmo gênero, mas de espécies diferentes”, ensina a nutricionista Cynthia Howlett, do Rio de Janeiro. Isso explica certas particularidades. De acordo com a especialista, o produto da juçara tem três vezes mais antocianinas, substâncias protetoras do coração e do cérebro.

    Se quiser provar, a Ciano Indústria de Alimentos Sustentáveis lançou a marca Juçaí, que oferece a polpa desse fruto somada a ingredientes como inhame (fonte de fibras) e frutas, cheias de vitaminas e minerais. Por ser adoçado, é bom pegar leve. “Logo mais teremos a versão zero açúcar”, avisa Cynthia, consultora da marca. Abaixo, você confere o que encontramos em 100 gramas da polpa dos dois tipos:

    Açaí do Pará

    Energia: 51,4 cal

    Antocianinas: 17,5 mg

    Carboidratos: 4,3 g

    Gorduras totais: 1,3 g

    Açaí da juçara

    Energia: 63,8 cal

    Antocianinas: 61,8 mg

    Carboidratos: 5,7 g

    Gorduras totais: 3,5 g

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  • O fim do feriadão trouxe um incentivo especial para os jovens cuidarem da saúde: começou nesta segunda-feira (11) a Campanha Nacional de Multivacinação, do Ministério da Saúde. A iniciativa vai até o dia 22 de setembro e contempla crianças e adolescentes de até 15 anos de idade, com foco na prevenção de 18 doenças diferentes.

    O intuito é colocar as cadernetas de vacinação em dia. É essencial, portanto, que os interessados levem aos postos de saúde esse documento, junto de identificação.

    Caso a carteirinha tenha sido perdida, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo sugere que os pais levem os filhos ao mesmo local onde o vacinaram no passado. Assim, será possível verificar quais doses estão faltando.

    Para os menores de 7 anos, a atual campanha terá vacinas para tuberculose, poliomelite, rotavírus humano, pneumocócica 10 valente, tetra viral ou tríplice viral mais varicela (atenuada) e hepatite A. Já para os mais grandinhos, as doses vão focar em difteria, tétano e HPV. E todos terão a chance de se imunizar para coqueluche, hepatite B, febre amarela, meningite e tríplice viral.

    Cada estado adotará medidas específicas para incentivar essa campanha. Em São Paulo, por exemplo, haverá um “Dia D”: em 16 de setembro, um sábado, uma espécie de mutirão vai incentivar a vacinação. Serão cerca de 315 mil profissionais espalhados por 5,1 mil postos diferentes, das 8h às 17h.

    Cabe ressaltar que as picadas serão aplicadas na molecada que não está com a carteirinha em dia. Ou seja, se o seu filho tomou tudo direitinho, você não precisa arrastá-lo até o posto de saúde.

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  • Desde Mendel e suas ervilhas, lá no século 19, a genética vem nos surpreendendo e gerando grandes promessas. Quando a molécula do DNA foi apresentada, em 1953, uma gama de possibilidades abriu-se para o mundo científico e passou inclusive a alimentar a imaginação dos ficcionistas.

    Em 2003, exatos 50 anos após a descoberta do DNA, o genoma humano foi sequenciado e, aí, o que parecia só ficção tornou-se uma realidade promissora para a ciência e a sociedade. Entre outros avanços, vivenciamos a criação de testes genéticos, exames que possibilitam detectar doenças muito precocemente.

    Mas o sequenciamento do genoma, combinado a outros desenvolvimentos tecnológicos, permitiu aos cientistas trabalharem francamente com a possibilidade de fazer da genética uma ciência proativa – não simplesmente restrita aos diagnósticos, mas capaz de resolver erros genéticos em células vivas. A esta formidável capacidade se deu o nome de edição genética.

    Muitas técnicas de edição foram desenvolvidas por engenharia genética, com limitações e insucessos. Eis que, no início deste mês, o mundo se surpreende mais uma vez: embriões humanos são geneticamente modificados com êxito para eliminar uma doença!

    O nome dessa façanha da engenharia genética é CRISPR. Trata-se de uma técnica de edição de genes que não foi, a rigor, inventada pelo homem. Ela é fruto da observação do processo de defesa de algumas bactérias, que se “lembram” dos invasores que as infectam e constroem barreiras para impedir um novo ataque. Tudo isso recrutando o DNA.

    A sigla CRISPR significa Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. Essa complexa denominação faz referência às pequenas porções do DNA bacteriano que são compostas por repetições de nucleotídeos (os blocos que formam um DNA). Depois que as bactérias sofrem um ataque de um vírus, pedacinhos de DNA viral se tornam uma espécie de banco de memória do qual a bactéria se apropria e insere no seu próprio DNA.

    Na iminência de um novo ataque daquele vírus, a bactéria ativa suas moléculas-guia de RNA que, além de ter a capacidade de reconhecer um DNA estranho, orientam uma enzima para fazer a clivagem (o corte) e a montagem (a cola) da barreira genética que eliminará o DNA invasor.

    Um mecanismo de defesa simples, inteligente e elegante, que faz a bactéria se “lembrar” rapidamente para eliminar o invasor caso ele se atreva a atacá-la novamente.

    Foi pela observação desse processo bacteriano que as cientistas Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier descobriram e demonstraram que a CRISPR é capaz de orientar a clivagem (o corte) de alvos específicos de qualquer gene. Para fazer a clivagem, as cientistas usaram uma enzima, a Cas9, como “tesoura molecular” especializada em cortar DNA, semelhante ao que faz a bactéria para se defender.

    Com essa enzima elas aplicaram a técnica de “cortar-e-colar” – como a que usamos para editar textos no computador. Doudna e Charpentier foram as primeiras a empregar a Cas9 em células vivas. E a partir daí inúmeros trabalhos científicos e bilhões de dólares têm sido investidos nessa tecnologia, que foi considerada o maior avanço científico de 2015 pela revista científica Science.

    A CRISPR vem sendo usada há alguns anos, mas ganhou as atenções mundiais agora com uma nova pesquisa envolvendo embriões humanos. Ela possibilitou livrá-los de uma mutação genética que levaria ao desenvolvimento de uma grave doença no coração.

    A edição genética foi bem-sucedida e, assim, estabeleceu-se um marco histórico para a ciência médica rumo à prevenção de doenças hereditárias. Mas há também um amplo acordo no sentido de que são necessários mais estudos e certezas antes de se usar a técnica como tratamento.

    Digamos que a CRISPR está em fase de treinamento.

    Perspectivas contra câncer, HIV… e até na agropecuária

    O ponto é que, até o momento, as pesquisas são promissoras. Não é exagero afirmar que o uso da CRISPR deverá mudar significativamente o mundo da medicina. Com a aplicação dessa ferramenta simples e barata de “cortar-e-colar”, já é possível bloquear mutações por trás do câncer, bem como retardar o progresso de células tumorais.

    Entre as tantas possibilidades do uso da CRISPR, antevemos a eliminação de mutações genéticas no embrião que poderiam levar a sérios problemas de saúde e desenvolvimento. Existem projetos que envolvem a CRISPR na área de transplantes de órgãos, utilizando porcos, e até mosquitos geneticamente editados por CRISPR para erradicar a malária.

    A técnica já eliminou o genoma do HIV em organismos vivos e forçou bactérias resistentes a antibióticos a se suicidarem. Enxertos de pele geneticamente modificados pela CRISPR estão sendo desenvolvidos para tratamento de diabetes dos tipos 1 e 2. Até algumas formas de cegueira hereditária poderão ser efetivamente curadas por edição genética!

    No campo da agropecuária, entre outros melhoramentos, a CRISPR está promovendo a criação de gado resistente à tuberculose. E também está melhorando a eficiência de algas para produzir mais biocombustíveis, além de viabilizar o cultivo de trigo imune a fungos, tomates mais resistentes e amendoins que não causam alergias. Veja: já não estamos falando de alimentos transgênicos – tema que ainda suscita muitos debates – mas de simples modificações genéticas, uma vez que não há inserção de material genético estranho.

    Tudo indica que os limites da CRISPR serão determinados apenas pelos aspectos éticos da aplicação dessa ferramenta de edição genética. A preocupação de sempre quanto aos aspectos morais de manipulação de embriões, de criar bebês sob encomenda, além de outras aventuras que possam ferir o bom senso e a consciência. Sem dúvida, são questões que precisarão ser socialmente discutidas e demandarão regras para impor limites.

    O que importa, contudo, é saber que, agora, o que fazia parte de um caótico sonho das possibilidades da genética — como a cura de doenças com o remanejamento de genes e a prática de uma medicina, de fato, preventiva e personalizada — está se transformando em uma uma realidade alcançável. Não mais uma promessa.

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  • Muito se fala sobre a prevalência e os prejuízos da obesidade. Mas uma análise apresentada na 125ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia alerta para outro mal pra lá de nocivo: a solidão. De acordo com os condutores do trabalho — cientistas da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos —, uma das principais ameaças nesse sentido seria o aumento do risco de morte prematura.

    A pesquisa ocorreu em duas partes. Na primeira, 148 estudos foram avaliados, totalizando 300 mil pessoas. Cruzando as informações dessa turma, os experts americanos concluíram que quem cultiva bons relacionamentos interpessoais tem 50% mais chances de não falecer antes da hora em comparação aos solitários.

    Já a segunda etapa considerou os dados de aproximadamente 3,4 milhões de voluntários, divididos em 70 pesquisas. Como era de se esperar, também houve uma clara relação entre a solidão ou o isolamento social e o risco de morrer antes do tempo. Mas o que intrigou os experts é o fato de esses problemas, segundo o estudo, serem tão deletérios quanto a obesidade ou outras condições sérias de saúde.

    O isolamento social é definido como pouco ou nenhum contato com outros indivíduos. A solidão, por sua vez, é marcada pela falta de conexão emocional com os demais. Ou seja, é possível se sentir sozinho mesmo em meio a um mar de gente.

    Durante a convenção em que essa revisão foi apresentada, a professora de psicologia Julianne Holt-Lunstad, uma de suas autoras, destacou a relevância do achado para os que estão na terceira idade, quando a falta de contato social é mais comum. Para ela, tal associação reforça a importância de investirmos em iniciativas que promovem o engajamento e a interação desse público, como centros de recreação e jardins comunitários.

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  • Embora diversas pesquisas confirmem a relação entre diabetes e disfunção erétil, tal prevalência ainda gerava discussão. Pensando nisso, um time de cientistas da França, da Inglaterra, da Itália e de Moçambique se debruçaram sobre 145 estudos, analisando, ao todo, dados de 88 557 diabéticos do sexo masculino.

    Resultados: relataram dificuldade para manter a ereção 37,5% dos voluntários com diabetes tipo 1 e 66,3% dos com o tipo 2. Ao todo, o problema atingia 52,5% dos pacientes. O achado foi publicado no periódico científico Diabetic Medicine.

    A discrepância dos índices entre as duas versões da doença não tem explicação exata no momento. No entanto, sabe-se que o excesso de açúcar circulante no organismo — independentemente do tipo de diabetes — lesa os vasos sanguíneos que abastecem o pênis. E é aí que surge a impotência sexual.

    Agora é torcer para que esse estudo incentive os marmanjos a fazerem exames e se submeterem a eventuais tratamentos, como esperam os pesquisadores que conduziram a revisão. Além disso, que ele promova um estilo de vida saudável, capaz de evitar o surgimento do diabetes… e suas repercussões no corpo inteiro.

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  • Já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o aparelho se chama iGrow e possui 51 feixes de luz que incidem sobre o couro cabeludo e impedem a perda das madeixas. Segundo o fabricante, a tecnologia aumenta em 35% a contagem dos fios. Basta utilizá-la em casa por 20 minutos durante três dias da semana – há até fones para ouvir música e deixar as sessões menos maçantes.

    “O capacete, que pode ser usado junto com outros tratamentos, está indicado para a calvície androgenética, relacionada a mudanças hormonais“, diz a dermatologista Letícia Arsie Contin, de São Paulo. Antes de comprá-lo, porém, é importante buscar orientação médica.

    Como a nova tecnologia reverteria o problema

    1. Raízes do penteado
    Os fios crescem a partir do bulbo capilar, que fica no interior do couro cabeludo.

    2. Sumiço na cuca
    Com o tempo, essa estrutura pode definhar. Até o momento em que ela se fecha totalmente.

    3. Hora de iluminar
    O laser do capacete chega até o bulbo e promoveria a dilatação dos vasos sanguíneos da região.

    4. Fortes e nutridos
    Com mais sangue por ali, os cabelos tendem a se manter e ganham força para crescer.

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  • Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

    Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

    Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

    O que tirar de lição

    Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

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  • De uma hora para outra, o sujeito, em geral jovem, começa a perder peso, sentir dores abdominais e ter diarreias constantes. Embora esses não sejam sintomas específicos, muitas vezes é assim que se manifestam as doenças inflamatórias intestinais (DII), conjunto de distúrbios cuja incidência vem crescendo mundo afora. “Não há estudos epidemiológicos no Brasil, mas notamos na prática um aumento nos casos, em parte pela melhora no diagnóstico, em parte por razões ainda não totalmente esclarecidas”, contextualiza a gastroenterologista Didia Cury, da clínica Scope, em Campo Grande (MS).

    A médica, que realiza pesquisas em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, organizou um simpósio internacional na capital sul-matogrossense para discutir, com outros especialistas, novidades e aspectos pouco conhecidos da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, os tipos mais comuns do transtorno. “A retocolite ataca mais o intestino grosso, enquanto o Crohn pode afetar o sistema digestivo da boca ao ânus e também outros locais, como pele, olhos e articulações”, explica as diferenças o gastroenterologista Jaime Gil, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

    A teoria mais aceita é que a inflamação crônica é resultado de uma reação exagerada do sistema imune à flora intestinal. Como nem sempre os sintomas são claros, não é raro ver gente levando dez anos para receber o diagnóstico, atraso que compromete a qualidade de vida. Com a meta de educar mais a população sobre o tema, elencamos agora os pontos quentes recém-debatidos no evento.

    Novas armas com mais foco

    Até pouco tempo atrás, havia poucos fármacos disponíveis para tratar os casos mais complicados de DII. Chegaram, então, medicamentos inovadores, os anticorpos monoclonais, com a missão de inibir moléculas específicas por trás da inflamação crônica – um dos principais é o anti-TNF. Nem sempre, porém, eles atingiam o resultado esperado e ainda impunham efeitos colaterais. É aí que entra a nova geração dessas medicações (caso do vedolizumabe e do ustequinumabe), concebidas para agir apenas no local afetado pela doença, o que reduz riscos e melhora a eficiência da terapia.

    Hoje, os anticorpos são indicados em quadros moderados e severos, mas se discute uma mudança de abordagem. “Estamos prescrevendo essas substâncias mais cedo porque elas parecem ser mais eficazes nos primeiros anos do que depois de uma década com o problema”, conta Alan Moss, gastroenterologista e pesquisador de Harvard.

    De olho na tuberculose

    Quem toma medicamentos imunossupressores, caso do próprio anti-TNF, está mais sujeito a desenvolver essa infecção. “Já é uma praxe procurar o micro-organismo nos portadores de doença inflamatória intestinal, mas nem sempre esse rastreamento é efetivo e refeito ao longo da vida”, diz o patologista Julio Croda, da Fundação Oswaldo Cruz, um dos palestrantes do evento.

    A demora no diagnóstico nesses casos traz complicações potencialmente fatais. “Sem contar que contribui para a transmissão da tuberculose, que hoje mata mais que a aids por aqui”, aponta Croda. O pesquisador estudou pacientes em tratamento de DII na clínica Scope e descobriu que 3,8% deles tinham o bacilo no sangue, incidência proporcionalmente maior que a da população em geral.

    Por que o divã é bem-vindo

    Estresse e ansiedade fora de controle favorecem as crises nas doenças inflamatórias intestinais. Na via oposta, essas condições por si podem gerar angústia, irritação e medo, dificultando o convívio social e alimentando quadros depressivos. Para se blindar dessa situação, que atrapalha o próprio contra-ataque à DII, especialistas indicam um acompanhamento psicológico.

    “A doença impõe solidão, e o estresse emocional precisa ser administrado antes que impacte na manifestação dos sintomas”, explica a psicóloga Daisy Maldaun, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autora de um livro recém-lançado que traça o perfil psicológico das pessoas com DII. Além da terapia, meditação e ioga são técnicas recomendadas para ajudar na manutenção do equilíbrio mental, tão importante para o sucesso do tratamento.

    Homeopatia ajuda?

    A busca pela medicina alternativa costuma ganhar força quando os remédios tradicionais falham no socorro ao intestino, o que não é tão raro de acontecer. Daí a proposta da homeopatia de aliviar certas manifestações na DII. “O método foca no indivíduo como um todo e traz um olhar cuidadoso que faz diferença na percepção e no trabalho com os sintomas da doença”, diz Gilson Roberto, psicólogo e homeopata de Porto Alegre e um dos participantes do simpósio.

    O tema, no entanto, ainda gera controvérsia. “Não há evidência científica de que a homeopatia funcione na DII e práticas não comprovadas podem gerar frustração e prejudicar a adesão ao tratamento convencional”, contrapõe Jaime Gil. Na dúvida, o melhor a fazer é conversar com o especialista e jamais abandonar as medicações anteriormente prescritas.

    E a fertilidade, como é que fica?

    Esse assunto nem sempre é discutido no consultório ao longo do tratamento, mas deveria. Isso porque a inflamação crônica – e até os fármacos que a combatem – pode comprometer a capacidade reprodutiva de homens e mulheres com DII. Quando o problema atinge o cólon (no intestino grosso), por exemplo, chega a repercutir em regiões como o útero, onde o óvulo fecundado se aninha para dar origem ao embrião.

    Já na ala masculina, o uso de alguns medicamentos está relacionado a uma baixa na velocidade dos espermatozoides. “A DII afeta especialmente pessoas em idade reprodutiva que, com medo e sem informação, adiam os planos de ter filhos. Só que, quanto mais o tempo passa, maior é a queda na taxa de fertilização”, analisa Didia. Felizmente, com acompanhamento médico, é possível, sim, garantir a continuidade da família.

    Para flagrar mais cedo

    Uma das ameaças que a turma com DII enfrenta é o maior risco de câncer colorretal. “Isso porque, com o tempo, a inflamação constante favorece alterações nas células que ficam nas paredes do intestino. E essas pequenas lesões podem evoluir para um tumor”, resume o coloproctologista Guilherme Cutait, da Universidade de São Paulo (USP).

    A boa notícia é que, com a nova safra de aparelhos endoscópicos e outros métodos de imagem, dá para detectar mais precocemente essas feridinhas com potencial de virarem malignas no futuro. E mais: na endoscopia, dá até para remover os pontos suspeitos durante o próprio exame. “Só que estamos falando de tecnologias de ponta que ainda não estão disponíveis em todos os lugares do país”, pondera o gastroenterologista Alexandre Carlos, também da USP.

    O que o futuro reserva

    Existem três promessas à vista. Uma delas vem de estudos com comprimidos de uso diário para controlar a doença – baita vantagem se pensarmos que os anticorpos monoclonais atuais dependem de injeções periódicas. Já a terapia com células-tronco tenta fazer uma correção no sistema imune para ele parar de agredir o aparelho digestivo. “Só que esse método parece beneficiar um grupo pequeno de pacientes, além de o efeito ser temporário”, conta Alan Moss, que testou a técnica em Harvard.

    Por fim, há o transplante fecal, a transposição de bactérias de uma flora saudável para o intestino doente. Moss está avaliando essa opção e adianta que ela esbarra, por ora, no mesmo problema de uma resposta de curta duração. A chave, diz o pesquisador, é investigar mais para entender melhor esses males. “Eles têm mecanismos diferentes e pedem uma abordagem individualizada.”

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  • A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, mais conhecida como Proteste, verificou em laboratório amostras de dez marcas de queijo minas frescal, com foco na quantidade de sódio e gordura desses alimentos. Conclusão: informações exibidas nas embalagens não condizem com a realidade em vários casos. Por exemplo: 90% das provas tinham bem mais gordura do que o descrito no rótulo.

    As seguintes empresas foram avaliadas:

    Tirolez;
    Ipanema
    Quatá
    Fazenda
    Puríssimo (uma das amostras com 40% menos sódio)
    Sol Brilhante (com 35%menos sódio)
    Balkis (sem sal)
    Keijobon (uma das amostras sem sal)

    As maiores variações entre o total de gordura apresentado na embalagem e o que de fato está no produto foram observadas em Keijobon sem sal (145%), Puríssimo (56%) e Sol Brilhante (53%). Apenas a versão com sal da Keijobon se manteve dentro dos limites. Vale ressaltar que, de acordo com a legislação brasileira, a diferença entre os dados do pacote e o que de fato é ofertado ao consumidor não pode ser maior que 20%.

    Além disso, a Proteste descobriu que, com exceção do queijo Puríssimo reduzido em sal, todos apresentaram teores de matéria gorda no extrato seco acima do estipulado para os queijos semigordos — segundo o Ministério da Agricultura, o queijo minas é um tipo semigordo de alta umidade. Em contrapartida, a tal umidade foi respeitada nas provas colhidas. Também não foram detectados micro-organismos que fazem mal ao corpo.

    E o sódio?

    Os produtos da Quatá e Keijobon possuíam menos desse mineral do que especificavam. Apesar do erro, cabe ressaltar que, do ponto de vista de saúde, a falha é, digamos, inofensiva. Ora, o excesso desse nutriente favorece a hipertensão. Já a Puríssimo light, que prometia redução de 40% do mineral, na verdade foi flagrada com 47% a mais do que o sinalizado.

    Com os resultados em mãos, o Ministério da Agricultura e a Anvisa devem estudar medidas para que esses problemas sejam controlados. Enquanto isso, cabe a você fazer eventuais reclamações e tomar os devidos cuidados no supermercado.

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