• Uma proteção extra contra doenças causadas pelas bactérias pneumococo — como pneumonia e meningite — acaba de chegar à rede pública. O Ministério da Saúde anunciou a inclusão da vacina pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13) no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com câncer, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados.

    Também chamada de Prevenar 13, ela é a única capaz de proteger contra os 13 subtipos mais comuns dessa bactéria no mundo (1, 3, 4, 5, 6A, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19A, 19F e 23F). Produzida pelo laboratório Pfizer, já estava disponível desde 2016 nas clínicas privadas brasileiras.

    “São várias as doenças provocadas pelo pneumococo. Ele é um dos principais agentes causadores de pneumonia, por exemplo”, informa a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim).

    A especialista conta que todas as crianças do país já têm direito a outro imunizante que afasta o risco de infecção por esse inimigo da saúde. Trata-se da vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10). Ela deve ser aplicada aos 2 meses de vida, com reforços aos 4 e 12 meses.

    De acordo com a Sbim, 70% dos casos de doenças graves decorrentes do pneumococo são evitados com essa versão. Já a Prevenar 13, por proteger contra três sorotipos a mais, levanta esse número para 90%.

    “Agora, em geral, pessoas com mais de 5 anos não têm indicação rotineira, porque o risco de complicações é baixo”, informa Isabella. No entanto, quando falamos de indivíduos com quadros que suprimem as defesas do corpo, o perigo de o pneumococo causar estragos é consideravelmente maior. Daí porque o SUS optou por oferecer daqui em diante a VPC 13 para aqueles três grupos de pacientes.

    Como será a vacinação agora

    Antes da inclusão do novo imunizante, o SUS disponibilizava a pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) para esses mesmos pacientes. Entretanto, ela é menos eficaz e seu tempo de duração é menor. A Prevenar 13, portanto, chega para complementar o tratamento dos maiores de 5 anos.

    “O esquema de doses inclui as duas. Primeiramente, deve-se tomar a VPC13. Doze meses depois, a VPP23 e, após cinco anos, a VPP23 novamente”, ensina a Isabella.

    Segundo a vice-presidente da Sbim, a Prevenar 13 é segura e não possui contraindicações dentro dos grupos aos quais é recomendada. “Ela pode causar apenas dor no braço e vermelhidão local. É importante que o médico dê orientações”, completa a pediatra.

    Onde encontrar a Prevenar 13

    Diferentemente da VPC10, ela não será oferecida em todo posto de saúde. Assim como a VPP23, é necessário visitar os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries). Essas instalações estão presentes em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal.

    “Para ter acesso à vacinação, é preciso receber um laudo médico justificando a recomendação”, orienta a pediatra. Como dissemos, na rede pública apenas pacientes oncológicos, portadores do vírus HIV e indivíduos transplantados se beneficiarão dela.

    Já nas clínicas privadas, a aplicação se estende a outras turmas que correm um risco maior de sofrerem complicações da infecção por pneumococo. Indivíduos com diabetes e hipertensão estão entre elas.

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  • Existem pessoas com pele normal, oleosa, seca e mista. Tais definições dependem de um fator essencial para a saúde da pele: o equilíbrio entre a quantidade de água e óleo – esse último, produzido pelas glândulas sebáceas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a pele seca é caracterizada por uma perda de água em excesso. Malnutrida, ela não consegue desempenhar a importante função de barreira protetora, comprometendo seu visual e sua saúde.

    Reconhecendo a pele seca

    Os poros são pouco visíveis e seu aspecto é sem brilho, não luminoso. Em alguns casos é possível observar áreas vermelhas, ásperas e descamadas, além de causar sensação de repuxamento, coceira e queimação. A pele seca também apresenta maior tendência à perda de elasticidade, abrindo caminho para o surgimento de pequenas fissuras. Pessoas com todos os
    tipos de pele estão sujeitas à desidratação em áreas específicas – como calcanhar e cotovelos –, mas trata-se de algo pontual e reversível.

    Principais causas

    Uma pele ressecada pode ser causada tanto por fatores internos quanto externos. No primeiro item, destaca-se a predisposição genética, problemas de saúde como o diabetes, e irregularidades hormonais, como as provocadas pela menopausa ou por disfunções na tireoide. Já os fatores externos englobam questões como o tempo frio ou seco, banhos demorados e muito quentes, além de pouca ingestão de água no dia a dia. Vale lembrar que o ressecamento cutâneo constante tende a ocasionar outros problemas dermatológicos, como eczema e psoríase.

    Rotina de cuidados

    Procure beber, no mínimo, 2 litros de água por dia. O banho também é um momento de atenção: nada de duchas demoradas e muito quentes, e evite o uso excessivo de sabonetes e buchas, que acabam eliminando a barreira de proteção da pele. No caso dos cosméticos, com tantas opções disponíveis, quem sofre com os problemas da pele seca precisa ter mais critério na escolha do produto. O Bio-Oil Gel para Pele Seca, por exemplo, ajuda a reter a umidade natural da pele, além de revitalizar, suavizar e nutrir. O produto ainda recupera a flexibilidade e elasticidade perdidas, aliviando quadros de secura e descamação.

    PELE NUTRIDA e ULTRA-HIDRATADA

    A fórmula de Bio-Oil Gel para Pele Seca é ultraconcentrada e 100% ativa. Ao contrário da maioria do cremes e loções do mercado – que possuem, em média, 70% de água e logo evaporam sem hidratar a pele – o novo produto de Bio-Oil tem apenas 3% de água e 80% de óleos e manteigas, como a de karité, hidratando profundamente e reparando a barreira cutânea natural.

    Basta aplicar uma gota do gel na área ressecada para sentir os resultados.

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  • Uma doença emergente, com sintomas parecidos aos da leishmaniose visceral, acaba de ser descrita pela primeira vez por pesquisadores brasileiros. Mais grave e resistente a tratamentos, ela é provocada por um parasita até então desconhecido, já infectou cerca de 150 pessoas e matou ao menos uma delas.

    O primeiro caso foi identificado em 2011, em Aracaju (Sergipe). Um homem de 60 anos, com sintomas de leishmaniose visceral — problema endêmico em algumas regiões do país — deu entrada no hospital já em estado grave, o que não é comum. Via de regra, a leishmaniose evolui mais lentamente.

    “Ele não respondeu aos tratamentos convencionais, com quatro recidivas que resultaram em novas internações”, explicou, em comunicado à imprensa, Roque Pacheco Almeida, imunologista da Universidade Federal do Sergipe (UFS), que atendeu o caso, descrito em artigo recém-publicado no periódico Emerging Infectious Disease. “Em mais de 30 anos trabalhando com leishmaniose, com mais de 11 mil indivíduos diagnosticados, nunca tinha visto nada parecido”, destaca o médico.

    O homem em questão apresentou ainda lesões de pele características de outro tipo de leishmaniose, a tegumentar, que geralmente é mais branda. Ele acabou morrendo em 2012.

    Esse caso dramático e intrigante motivou uma investigação feita por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade de São Paulo e da UFS. Os resultados, mostrados no estudo, são claros: trata-se mesmo de uma nova espécie, que infecta mamíferos e pode ameaçar a saúde.

    O novo inimigo da saúde

    Nem o agente infeccioso nem a doença têm nome. Sabe-se que o parasita se parece com o Crithidia fasciculata, uma espécie de protozoário que infecta insetos, mas é incapaz de fazer o mesmo com mamíferos. Já a leishmaniose é causada por espécies do gênero Leishmania.

    O Crithidia e o Leishmania são da mesma família do Trypanosoma cruzi, que deflagra a Doença de Chagas. Análises genômicas ajudaram a confirmar que se tratava de uma espécie desconhecida, provavelmente pertencente a esse grupo maior de micro-organismos.

    Após essa identificação, a equipe cultivou em laboratório o mesmo protozoário que circulava no corpo daquela vítima fatal, e confirmou que ele era capaz de infectar, além de seres humanos, camundongos.

    Esse projeto foi financiado pelo Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (Crid) da Fapesp, com participação da Fiocruz e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).

    Confusão com a leishmaniose?

    A leishmaniose visceral é causada por mais de uma dezena de protozoários do tipo Leishmania, transmitidos pelo mosquito palha. A doença afeta fígado e baço e, se não tratada, pode ser fatal.

    A Organização Mundial da Saúde calcula entre 50 e 90 mil casos ao ano no mundo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 3 500 indivíduos afetados no mesmo período, com mortalidade crescente: de 3,1% em 2000 para 7,1% em 2012.

    “A alta pode estar relacionada ao surgimento dessa nova doença, parecida com a leishmaniose visceral, mas mais grave e resistente aos tratamentos”, comentou Almeida no texto de divulgação. Ou seja, alguns óbitos dos últimos anos atribuídos à leishmaniose na realidade decorreriam dessa nova ameaça. Mas isso não foi confirmado.

    A transmissão dessa doença

    Uma das suspeitas do grupo de pesquisadores é a de que o novo parasita seria carregado por dois gêneros de mosquito: o Culex, famoso pernilongo que atormenta as noites quentes brasileiras, e os anofelinos, que estão por trás da malária.

    Mais estudos são necessários para confirmar a hipótese, bem como entender o ciclo de vida do micróbio, seus reais hospedeiros e efeitos da infecção pelo corpo. Já se sabe, contudo, que ele tem potencial para se tornar um problema de saúde pública, principalmente se não receber a devida atenção das autoridades.

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  • Acompanhar o Congresso Brasileiro de Infectologia, cuja vigésima primeira edição acaba de ocorrer em Belém do Pará, é ter um painel do que vírus, bactérias, fungos e companhia vêm aprontando por aí e, ao mesmo tempo, um retrato das diversas (e desiguais) realidades do país. Enquanto regiões ainda penam com doenças que parecem (mas só parecem) coisa do passado, como a hanseníase, nas grandes cidades os hospitais mais modernos já quebram a cabeça para contra-atacar micróbios resistentes e letais. O ponto em comum, e que independe de lugar ou classe social, é: as doenças infecciosas continuam sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo.

    Queda na vacinação, desmatamento e crescimento urbano, mudança climática, falta de informação… Tudo isso conspira para que micro-organismos ganhem terreno e imponham problemas à humanidade. A medicina corre atrás, buscando não só novos imunizantes e tratamentos, mas estratégias mais eficazes de esclarecer e engajar a população a se defender. Inclusive porque, em matéria de moléstias infecciosas, todo cidadão tem um papel a cumprir: seja lavando as mãos e não usando antibiótico por conta, seja limpando o quintal para não dar abrigo ao mosquito da dengue.

    Mapeamos, a seguir, alguns dos temas mais preocupantes debatidos no congresso, que reuniu mais de 2 mil profissionais em Belém entre os dias 10 e 13 de setembro.

    É ano de dengue

    Entre as doenças disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti, capaz de transmitir dengue, zika e chikungunya, a dengue já é o principal tormento de 2019. Como o próprio Ministério da Saúde divulgou, já foram registrados mais de 1,4 milhão de casos até agosto deste ano — um aumento de quase 600% em relação a 2018.

    Segundo o infectologista Antonio Carlos Bandeira, da Vigilância Epidemiológica do Estado da Bahia, 65% dos casos e notificações vêm ocorrendo na região Sudeste. Só em São Paulo houve, até março deste ano, um incremento de mais de 2 000% na quantidade de pessoas acometidas. O Centro-Oeste fica em segundo lugar entre as regiões problemáticas.

    O sorotipo 2 do vírus da dengue (existem quatro) é o que mais circula pelo Brasil nesta temporada. Ao suspeitar do quadro — que pode provocar, entre outras coisas, febre, dor de cabeça e no corpo —, o conselho é procurar um serviço de saúde quanto antes. A identificação e o manejo precoce evitam complicações e mortes.

    A tendência de crescimento da dengue felizmente não se repete com dois outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, o zika (2,3 mil casos prováveis até março de 2019) e o chikungunya (15,3 mil), que se mostram mais estáveis no número de episódios em comparação com o ano anterior.

    Ainda assim, não dá para bobear com o mosquito. A prevenção inclui desde eliminar os criadouros a recorrer a repelentes e telas em casa. Bandeira reforçou a necessidade de se investir em novas tecnologias, como larvicidas biológicos e vacinas contra as infecções.

    A epidemia dos micróbios resistentes

    Eis um tema inescapável e que dominou boa parte das conferências e debates no congresso. A resistência antimicrobiana, que é a capacidade de bactérias e fungos repelirem os tratamentos disponíveis, já entrou na lista das dez prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS). Algumas projeções vislumbram que, por volta de 2050, o problema vai causar mais mortes que outra doença em ascensão, o câncer.

    As causas do fenômeno não se resumem ao uso indiscriminado de antibióticos e outros remédios na medicina humana. “A maior parte dos antibióticos produzidos hoje é voltada à agropecuária e empregada como fator de crescimento para o cultivo de animais e em algumas plantações”, observou o médico Marcos Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    A utilização massiva, e que envolve inclusive algumas substâncias similares àquelas que tratam infecções em humanos, tem repercussões, diretas e indiretas, no meio ambiente e até no que acontece dentro dos hospitais. Num mundo em que os micro-organismos são praticamente onipresentes, tudo se encontra conectado. E, quem diria, até o aquecimento global tem um dedo nessa história.

    Cyrillo abordou em uma apresentação o papel da mudança climática no crescimento da resistência antimicrobiana. É que, simplificando uma questão complexa, o aumento da temperatura seria capaz de tornar bactérias e fungos mais perigosos. Acredita-se que esse fenômeno tenha contribuído para o surgimento e a expansão das infecções por Candida auris, um fungo altamente letal e que já causa furor em hospitais (por enquanto, fora do Brasil). Já não dá mais para separar a saúde humana do bem-estar do planeta.

    A explosão das doenças sexualmente transmissíveis

    Esse foi o título de uma das conferências do congresso. E duas doenças causadas por bactérias que voltaram com tudo protagonizaram discussões. Falamos da gonorreia e da sífilis.

    O termo “explosão” das ISTs — sigla para infecções sexualmente transmissíveis, antigamente conhecidas por DSTs — não é exagerado. De acordo com a infectologista Miralba Freire, professora da Universidade Federal da Bahia, a OMS calcula que mais de 1 milhão de infecções do tipo sejam adquiridas por dia pelo mundo.

    A gonorreia é a segunda IST mais prevalente em boa parte do globo. Segundo a médica, hoje ela atinge mais pessoas jovens e homens que fazem sexo com outros homens. E a doença não apronta só com os genitais, não. “Vem crescendo o número de casos com acometimento do reto e da faringe”, relatou Miralba.

    Da mesma maneira que acontece com outras infecções bacterianas, a gonorreia também atormenta os médicos devido à resistência a antibióticos.

    Para deter seu avanço, precisamos investir em relações sexuais seguras, com o preservativo, e realizar o teste que detecta a bactéria — em alguns grupos, o exame deve ser periódico e repetido com maior frequência.

    Raciocínio semelhante se aplica a outra IST da pesada, a sífilis. “Ela cresce em todas as regiões do mundo e tem um importante impacto psicossocial e econômico”, afirmou o infectologista Aluísio Segurado, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São mais de 6 milhões de vítimas com idades entre 15 e 49 anos hoje.

    Para o especialista, a ascensão da doença no país não se deve apenas a mais diagnósticos. “Há um aumento na circulação do agente infeccioso”, apontou. A sífilis pode lesar os genitais e ainda desatar complicações em várias áreas do corpo. Gestantes e seus rebentos inclusive enfrentam o perigo da sífilis congênita, quando a bactéria ataca o bebê ainda no ventre materno (muitos casos são fatais).

    Para quebrar a epidemia da moléstia, Segurado salientou a necessidade de esclarecer mais a população e criar condições para que se faça diagnóstico e tratamento quanto antes.

    O drama da hanseníase continua

    A doença provocada pela bactéria Micobacterium leprae — e durante séculos conhecida como lepra — ainda é um desafio para o Brasil. Se passou pela sua cabeça um pensamento do tipo “isso ainda existe?”, saiba que, não apenas existe, como nosso país tem o segundo maior contingente de pessoas com a doença no planeta (só perdemos para a Índia).

    Em uma apresentação emocionada no congresso, o infectologista Marcio Gaggini, professor da Universidade Brasil, em Fernandópolis (SP), convocou médicos, autoridades e sociedade a olharem mais para o problema e suas vítimas, muitas delas esquecidas pelos quatro cantos do país. Segundo o especialista, mais de 200 mil cidadãos podem ter ficado sem diagnóstico e assistência nos últimos anos.

    O Brasil aloja 91% dos casos de hanseníase da América Latina. Por aqui, a maior parte dos episódios ocorre nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Muitos dos pacientes só descobrem a doença depois que ela provocou deformidades na pele, nas mãos, no rosto…

    A bactéria causadora é transmitida pelo ar — esqueça aquela história de que, ao tocar em alguém com hanseníase, você pegou! — mas pode ser erradicada com tratamento. “As pessoas estão sofrendo hoje com diagnóstico tardio e sequelas”, revelou Gaggini. Campanhas e ações dirigidas a regiões e comunidades mais afetadas pela condição são urgentes.

    Sim, também precisamos conscientizar a população. Na presença de alterações como manchas e lesões na pele, acompanhadas por falta de sensibilidade, procure um médico ou serviço de saúde. Não só existe tratamento para hanseníase como ele pode levar à cura.

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  • Um estudo com 3 592 adultos associou o costume de ficar mais de quatro horas diárias vendo televisão a um risco 50% maior de doenças cardíacas — isso em comparação com quem se limitava a um máximo de duas horas.

    Mas é agora que a porca torce o rabo: o mesmo artigo, assinado por instituições americanas, não detectou uma taxa maior de males do coração entre os voluntários que passavam o horário de trabalho sentados. Por quê?

    “No escritório, o empregado está sempre levantando para ir a uma reunião ou até a uma copiadora”, nota Jeanette Garcia, cinesiologista da Universidade da Flórida Central e autora da pesquisa. Essas pausas ativas amenizariam os danos do imobilismo. Já quando fazemos a maratona de uma série, nosso corpo gruda por horas na poltrona.

    Olhos vidrados

    Será que vemos muita TV? Pelo menos os participantes do estudo americano, sim

    31% dos voluntários passam mais de quatro horas diante da televisão
    33% deixam o aparelho ligado por menos de 120 minutos
    36% assistem entre duas e quatro horas

    O exercício contra-ataca

    Uma boa notícia: segundo o mesmo levantamento, dedicar pelo menos 150 minutos por semana às atividades físicas de intensidade moderada ou vigorosa praticamente anula a ameaça ao músculo cardíaco decorrente de longos períodos em frente ao televisor.

    Ainda assim, fazer intervalos entre os programas para mexer as pernas é bem-vindo, inclusive às juntas.

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  • O Ministério da Saúde anunciou o envio de cápsulas de vitamina A aos estados que enfrentam surtos de sarampo. Segundo o boletim oficial, elas são destinadas aos bebês com menos de 6 meses de vida e que têm suspeita da doença.

    A medida pegou de surpresa muitos brasileiros que desconheciam o uso de suplementos desse nutriente no tratamento do sarampo. Mas os médicos encaram a recomendação como positiva.

    “A deficiência de vitamina A é um fator de risco para internações, problemas nos olhos e morte decorrente do sarampo entre crianças. Há muitos estudos comprovando o benefício da suplementação”, explica Marco Aurélio Safadi Palazzi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

    Os baixos níveis da substância são mais comuns em regiões pobres, que lidam com a desnutrição infantil. Só que o sarampo em si também diminui a concentração de vitamina A no sangue — ou seja, uma criança infectada de qualquer lugar do país está sujeita a essa deficiência. “Essa é a maior preocupação, porque a vitamina protege a pele e mucosas, dois tecidos agredidos pelo vírus”, destaca Regina Célia de Menezes Succi, pediatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    Embora o governo tenha se concentrado nos pequenos com menos de 6 meses por causa dos surtos de 2019, crianças mais velhas com suspeita de sarampo também se beneficiam dos comprimidos de vitamina A. De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, há evidências robustas de redução na mortalidade com esse tratamento em pequenos de até 2 anos.

    Em meninos e meninas acima dessa faixa etária, as pesquisas são menos contundentes, mas também sugerem uma queda no risco de complicações com os suplementos.

    O que a vitamina A tem a ver com o sarampo

    Ela está em diversos alimentos, como folhas verde-escuras, cenoura, ovos e frutas. “Não conhecemos muito bem os motivos para a relação específica com o sarampo, mas se sabe que a vitamina A tem um papel no sistema imune, além de atuar na manutenção da saúde ocular”, aponta Palazzi.

    Entre outras coisas, o nutriente é anti-inflamatório e participa da fabricação da mucina, um tipo de proteína que impede a entrada de micro-organismos nocivos na pele e nas mucosas. Por isso que sua carência, quando provocada pelo vírus do sarampo, deixa essas estruturas vulneráveis.

    Histórico de uso

    Nos anos 1970 e 1980, quando o Brasil enfrentava epidemias constantes de sarampo, a desnutrição infantil era mais comum. Não à toa, o vírus provocava mais estragos.

    “Desde essa época começamos a administrar vitamina A para evitar complicações, e verificamos que isso diminuía a mortalidade em crianças”, comenta Regina.

    Quando tomar a vitamina A contra o sarampo?

    Somente em casos de suspeita da doença, mesmo que ainda não exista a confirmação por meio do exame de sangue. As doses são consideradas seguras e até fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS) onde a desnutrição é uma realidade.

    Para o uso específico contra o sarampo, os postos dos estados em surto estão oferecendo cápsulas de 50 mil UI para os bebês com menos de 6 meses. Contudo, a quantidade a ser ingerida varia conforme a idade.

    De acordo com o informe do ministério, em crianças de 6 meses a 1 ano, a concentração sobe para 100 mil UI. Acima dessa faixa etária, a orientação é administrar 200 mil UI.

    A aplicação envolve duas doses. Uma no momento em que surge a suspeita e a outra no dia seguinte.

    Atenção: os especialistas ainda não sabem se adultos infectados se beneficiariam da suplementação. Os médicos ouvidos pela SAÚDE especulam que o efeito positivo até pode ser o mesmo, mas destacam que ainda não há provas concretas disso.

    Fora o uso da vitamina A nas crianças, não há tratamento específico para o sarampo. O melhor mesmo é prevenir.

    Posso tomar vitamina A para evitar o sarampo?
    Não existem evidências de que tomar comprimidos com o nutriente previne contra a doença. Até porque sua deficiência não é comum nas regiões mais afetadas pelo sarampo — e suas fontes alimentares são amplamente consumidas na maioria do país.

    “A única coisa que realmente diminui o risco de infecção é a vacina”, enfatiza Regina.

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  • Formigamentos não são coisa do outro mundo: no dia a dia, podemos experimentar isso em diferentes partes do corpo sem que a sensação esteja relacionada a alguma doença. Pode acontecer nas mãos quando batemos o cotovelo, nos membros inferiores quando ficamos com as coxas cruzadas ou ainda nas pernas quando permanecemos um tempo prolongado em uma cadeira dura ou até mesmo no vaso sanitário.

    Nessas situações, o formigamento é fruto de uma compressão externa causada por um trauma ou superfície dura. Um processo natural. No entanto, quando essa queixa se torna persistente ou recorrente, é importante procurar um médico para investigar possíveis problemas de saúde.

    Entre as principais doenças que podem estar por trás de um formigamento mais frequente estão as neurológicas e ortopédicas. Um bom exemplo são os quadros de compressão mecânica dos nervos. Quando a compressão ocorre na altura do punho temos a chamada síndrome do túnel do carpo. Quando ocorre na região cervical, podemos ter uma hérnia de disco ou a síndrome do desfiladeiro cérvico-torácico. Ambas pedem tratamento.

    Outras possíveis causas de formigamento são as infecções (caso da hanseníase), intoxicação por metais, toxinas ou drogas, deficiências de vitaminas (tiamina e vitamina B12), doenças metabólicas (diabetes, insuficiência renal…) ou, ainda, enfermidades que atingem o sistema nervoso, como esclerose múltipla e a síndrome de Guillain-Barré.

    Os problemas de caráter vascular não são causas comuns de formigamento, mas, quando acontece uma obstrução à passagem de sangue nas artérias, ocorre deficiência de oxigênio e nutrientes nos nervos dos braços e pernas, o que pode desencadear sintomas como a sensação de dormência nos membros. Entre as doenças vasculares associadas a isso estão os quadros de embolia e trombose arterial.

    Na embolia arterial, coágulos se desprendem do coração ou de grandes artérias e se deslocam em direção aos vasos dos braços ou das pernas. Pessoas com alguns tipos de arritmia (como fibrilação atrial) ou doenças em válvulas cardíacas estão mais sujeitos.

    Nos casos de trombose arterial ocorre a formação de placas de gordura e coágulos capazes de entupir os vasos. As artérias da perna são as mais acometidas. Alguns fatores de risco estão associados ao problema: tabagismo, colesterol alto, diabetes, hipertensão, entre outros. Sendo assim, é fundamental aderir a um estilo de vida saudável — o que inclui evitar o cigarro, ter uma alimentação balanceada, praticar atividade física e alongamentos regulares e controlar o peso.

    Em caso de dúvidas ou suspeitas, procure uma avaliação médica e evite as receitas milagrosas oferecidas por pessoas, locais e canais sem instrução ou qualificação. É um diagnóstico preciso e precoce, seguido de um tratamento efetivo, que fará a diferença na melhora dos sintomas.

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  • A ciência do envelhecimento tem avançado rapidamente e feito importantes descobertas sobretudo na área das doenças neurodegenerativas. Hoje já entendemos melhor os mecanismos por trás de problemas como Parkinson e Alzheimer, o que facilita a busca por compostos farmacológicos úteis à prevenção e ao tratamento. Nesse contexto, o gengibre, uma raiz utilizada há séculos pela medicina tradicional oriental, vem atraindo a atenção de pesquisadores e especialistas por apresentar potencial terapêutico frente a doenças neurológicas associadas ao avançar da idade.

    Em uma revisão de estudos publicada em 2018 no periódico Pharmacology and Therapeutics, os cientistas destacam propriedades do gengibre capazes de combater males como o Parkinson e Alzheimer, bem como a perspectiva de o alimento melhorar a memória e reduzir a severidade dos danos causados por um acidente vascular cerebral (AVC).

    De onde vem o efeito?
    Antes de visualizar de que modo o gengibre pode repercutir no cérebro, precisamos entender os fenômenos que dão origem às doenças neurodegenerativas. O Alzheimer é caracterizado pela formação de placas beta-amiloide, que destroem progressivamente os neurônios, e pela redução do neurotransmissor acetilcolina. O nome é complicado, mas basta dizer que neurotransmissores são substâncias responsáveis pelo transporte de informação em nosso cérebro. A acetilcolina está particularmente relacionada ao aprendizado e à memória.

    Pois experimentos de laboratório, em células e animais, demonstram que o extrato de gengibre diminui o acúmulo das tais placas beta-amiloide e minimizam a atividade de uma enzima que degrada a acetilcolina. O resultado: melhora nas funções cognitivas e redução da perda de células nervosas.

    Na doença de Parkinson, por sua vez, há uma degradação dos neurônios que liberam outro neurotransmissor, a dopamina. Ela está diretamente envolvida com as funções motoras: sua insuficiência pode levar, portanto, a tremores, dificuldades ao caminhar etc. Estudos em modelo animal apontam que o gengibre também atua na redução da destruição desses neurônios, preservando e otimizando a capacidade motora das cobaias com Parkinson.

    No caso do AVC isquêmico, o problema ocorre com a obstrução de uma artéria no cérebro que interrompe o fornecimento de sangue para um grupo de neurônios. Isso desencadeia danos oxidativos nesse órgão e a morte de células. Nos experimentos, o tratamento com extrato de gengibre combate o estresse oxidativo e diminui os danos aos neurônios. Na prática, isso atenua déficits físicos e comportamentais originários do AVC.

    À parte os efeitos positivos diante de doenças neurológicas, existem indícios de que o gengibre pode melhorar a memória de pessoas saudáveis. Em pesquisa feita com mulheres, o consumo do extrato da raiz trouxe ganhos cognitivos: as voluntárias que consumiram gengibre apresentaram desempenho superior em testes de memória espacial e numérica, tempo de reação e reconhecimento de palavras.

    Pensando em obter esses benefícios, o conselho por ora é usar a raiz como tempero ou na forma de chá — lembrando que o gengibre não substitui nenhum tratamento prescrito pelo médico. Nos dias mais frios, a infusão feita com a raiz dá aquela sensação de aconchego e ainda turbina a memória. Na temporada de calor, um smoothie com lascas de gengibre é refrescante e revigorante.

    Uma recomendação importante é conversar com o profissional de saúde antes de usá-lo no dia a dia. Alguns compostos encontrados na raiz podem potencializar a ação de medicamentos que atuam na coagulação sanguínea, por exemplo. É com orientação e sem exageros que tiramos o melhor proveito desse alimento reverenciado há tanto tempo.

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  • Fazer exercícios aeróbicos — nadar, correr, pedalar— em intensidade moderada é uma estratégia reconhecida para diminuir o risco de câncer. Mas, conforme a ciência avança, a musculação também parece ganhar reconhecimento nessa área. A mais recente pesquisa sobre o tema mostra que levantar peso pode ajudar a evitar os tumores de cólon, uma parte do intestino.

    O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, avaliou mais de 200 mil aposentados do país que foram incluídos em um estudo maior, conduzido entre 1995 a 2005. Nesse período, eles responderam periodicamente a questionários com perguntas sobre dieta, saúde e estilo de vida.

    Diante dessas informações, os especialistas analisaram a frequência dos dez tumores mais comuns nessa turma. E concluíram que, entre os homens que puxam ferro, o risco de manifestar câncer de cólon era quase 10% menor. Para as mulheres, a diferença não foi relevante do ponto de vista estatístico.

    Treinamento de força versus câncer

    Os cientistas americanos destacam no artigo que há poucas evidências sobre os efeitos da musculação na prevenção dos tumores. Assim, não dá para cravar quais tumores ela protegeria e os motivos por trás disso.

    No entanto, outras pesquisas exploraram esse elo. Exemplo: um estudo de 2017 da Universidade de Sidney (Austrália), feito com mais de 80 mil homens e mulheres, revelou que os praticantes de atividades de força simples, como flexões e abdominais, possuíam uma probabilidade 31% menor de morrer de câncer.

    Para os autores, o achado sugere que exercícios de fortalecimento são tão importantes quanto os aeróbicos para evitar a doença.

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  • A cada dia, novas pesquisas reiteram os papéis da microbiota intestinal — trilhões de micro-organismos que habitam o intestino — dentro do nosso corpo. Uma microbiota saudável contribui, entre outras coisas, para a imunidade e o metabolismo. Isso acontece porque bactérias e companhia produzem nutrientes, vitaminas e outras substâncias com ação local ou a distância. E até o sistema nervoso é influenciado por elas. Por isso falamos no eixo intestino-microbiota-cérebro.

    Acontece que o estresse mental e físico, o descuido com o estilo de vida e uma dieta desbalanceada também impactam nos micro-organismos do aparelho digestivo. Nesse contexto, a microbiota pode se modificar e deixar de oferecer benefícios. Algo que tem reflexo inclusive na saúde mental.

    A novidade é que experimentos recentes sugerem que doenças psiquiátricas podem ser tratadas com a regulação da microbiota intestinal, conforme conclui uma revisão de estudos do Centro de Saúde Mental de Xangai, na China.

    Os investigadores analisaram 21 trabalhos de qualidade, 14 deles testando probióticos (micro-organismos que, ingeridos em quantidade adequada, oferecem vantagens a quem os recebe) e os outros sete avaliando ajustes na dieta. Os cientistas chineses verificaram, então, que mais da metade dessas pesquisas encontrou efeitos positivos sobre os sintomas de ansiedade.

    ipos específicos de bactérias através de um suplemento que pode ter sido usado por tempo insuficiente para produzir mudanças reais no ambiente intestinal. Outro ponto a destacar: a maioria dos estudos não encontrou eventos adversos.

    Com esses dados, os pesquisadores chineses reforçam a ideia de que regular a microbiota por meio de mudanças na dieta e/ou uso de probióticos pode ser uma alternativa, ao lado dos tratamentos psiquiátricos consagrados, para aliviar os sintomas da ansiedade — situação que, segundo estimativas, afeta um terço da população mundial pelo menos em algum momento da vida.

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