• Se você é cardíaco, atenção: a Copa do Mundo pode ser um gatilho para que sofra um infarto. É o que diz uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Segundo o trabalho, nas últimas quatro edições do torneio antes de 2014, o índice de ataques cardíacos entre pacientes maiores de 35 anos saltou de 4% a 8% em todo o país.

    Os pesquisadores analisaram os dados dos Sistemas de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), verificando as hospitalizações e os óbitos ocorridos no período de 1º de maio a 31 de agosto dos anos de 1998, 2002, 2006 e 2010. Eles compararam os índices dos dias sem Copa, dias de Copa sem jogos do Brasil e dias de jogos do Brasil. Apesar de o número de problemas cardiovasculares ter subido durante o campeonato mundial, o de mortes não teve aumento significativo.

    Um outro estudo, dessa vez realizado na Alemanha e publicado no periódico The New England Journal of Medicine, analisou quantos habitantes da Grande Munique foram ao pronto-socorro por problemas do coração de 1º de maio a 8 de junho e de 10 a 31 de julho de 2006 (ano em que a Copa ocorreu nesse país) e compararam com o período de 1º de maio a 31 de julho de 2003 e de 2005.

    Nos dias em que a Alemanha jogou, os pesquisadores notaram que a procura pelo atendimento de emergência foi 2,5 vezes maior. Eles registraram outro dado interessante: conforme a Alemanha ia avançando na competição, a busca pelo hospital crescia ainda mais.

    É importante salientar que os jogos de futebol não foram a causa desses problemas, mas sim um gatilho para pessoas que já tinham predisposição a doenças cardiovasculares. Segundo a cardiologista Rica Buchler, do Alta Excelência Diagnóstica, em São Paulo, diabéticos, hipertensos e sedentários são mais propensos a sofrerem um infarto, por exemplo.

    Na hora do jogo, como a frequência cardíaca cresce, ocorre um aumento de fluxo de sangue – que fica mais grosso – e, aí, pode ocorrer o mal-estar que leva o paciente ao pronto-socorro.

    “A emoção de um jogo por si só não cria a enfermidade. A parada cardíaca ou a morte súbita pode acontecer apenas se a pessoa que tem a doença não se cuida e deixa de tomar os medicamentos ou se ela nem faz ideia da sua condição clínica”, reforça a médica. “A nossa preocupação é com as pessoas que não visitam o médico regularmente, não fazem exames, não medem a pressão e podem ter emoções fortes durante os jogos, que serão um gatilho para um transtorno maior”, completa.

    Então, se você tem um problema no coração e acha que não poderá ver a Copa, fique tranquilo. Não é nada disso! O importante é ter conhecimento prévio da sua condição física e respeitar o seu corpo.

    “O estresse de um jogo decisivo é o mesmo de quando se escala uma montanha: suba apenas se você tiver condições. Para passar pela Copa com segurança e sem sustos, basta ficar atento e se monitorar. A família do paciente também deve auxiliá-lo”, aconselha a médica.

    Além disso, ela pontua que é preciso evitar o excesso de cafeína e álcool. “Para quem já faz acompanhamento de rotina, só é necessário continuar seguindo as recomendações do médico para se manter seguro”, conclui.

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  • O envelhecimento natural da bexiga e a cirurgia de remoção de tumores de próstata são as duas principais causas de incontinência urinária entre os homens. Essa condição, marcada pela perda involuntária de urina, mexe pra valer com a autoestima da ala masculina.

    É o que confirma uma revisão de estudos realizada na Universidade de Adelaide, na Austrália. Ela revela que até 42% dos homens com o problema chegam a desenvolver depressão e praticamente todos se saem mal nas avaliações de qualidade de vida. “Muitos se afastam do convívio social com medo do cheiro que estariam exalando ou da necessidade urgente de encontrar um banheiro”, observa o médico Carlos Sacomani, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

    O primeiro passo para acabar com esses tormentos é buscar um profissional de saúde e, após o diagnóstico, iniciar um tratamento. Infelizmente, só 30% dos acometidos chegam a marcar uma consulta.

    Absorvente para eles
    Essa é uma tendência para driblar os empecilhos e as limitações da incontinência. O produto, já disponível em farmácias, tem um bolso onde o pênis é colocado. Quando ocorre o escape, a urina fica restrita a esse espaço. “O absorvente dá mais comodidade e funciona bem nos quadros leves e moderados”, diz o urologista Flavio Trigo, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

    Os tratamentos que minimizam ou até curam o distúrbio
    Ajustes no dia a dia: Envolvem reduzir o consumo de água e programar visitas regulares ao banheiro.

    Fisioterapia: Fortalece a musculatura que sustenta os órgãos do sistema urinário.

    Remédios: Comprimidos e injeções de toxina botulínica ajudam a regular a bexiga.

    Marca-passo: Um eletrodo estimula os nervos que controlam a saída do xixi.

    Cirurgia: Em último caso, dá pra implantar dispositivos que apertam os canais urinários.

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  • A empresa Multilab recebeu más notícias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Lotes de dois produtos seus voltados para o tratamento de piolhos, carrapatos, sarnas e outros parasitas foram reprovados em análises microbiológicas e, por isso, não poderão ser mais vendidos.

    Os fármacos que não passaram no teste são: Deltalab Loção de 100ml e Keltrina Plus 5% de 60ml. O resultado da avaliação significa que esses medicamentos apresentaram alterações que poderiam comprometer sua eficiência ou colocar a saúde do usuário em risco.

    Estamos falando de duas loções que são aplicadas diretamente no foco do problema para matar os parasitas. Elas não precisam de receita médica.

    Segundo a Anvisa, os lotes defeituosos são:

    Deltalab Loção de 100ml: 404874, 404875 e 405762

    Keltrina Plus 5% de 60ml: 403552, 407649 e 407650

    Embora o recolhimento desses lotes já esteja ocorrendo, convém ficar de olho na hora de ir à farmácia.

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  • Desenvolvidos para evitar a gravidez, os contraceptivos orais não estão, a exemplo de qualquer outra medicação, isentos de efeitos colaterais. Dentre eles, a trombose, ainda que rara nesse contexto, é o evento mais temido. A trombose é caracterizada pela obstrução parcial ou total de veias ou artérias por coágulos sanguíneos (os trombos) em determinada região do corpo.

    Em 90% dos casos as veias das pernas é que são afetadas, gerando sintomas como dor e inchaço. Entre as reações adversas mais graves da pílula também são relatados quadros de infarto e acidente vascular cerebral. Novamente, falamos de complicações raras. O período de maior vigilância, contudo, engloba os seis primeiros meses de uso do anticoncepcional, quando estatisticamente esses problemas apresentam maior incidência.

    As pílulas são constituídas de hormônios sexuais femininos que possuem não só a capacidade de inibir a ovulação — daí o efeito contraceptivo — mas também a de induzir alterações no sistema de coagulação do sangue. Na prática, o que acontece é o aumento de substâncias e fatores pró-coagulação acompanhado da redução dos nossos anticoagulantes naturais.

    Pesquisas ao longo dos anos vêm esmiuçando a ligação dos hormônios da pílula — especialmente a combinação de etinilestradiol e progestagênio, base da maior parte das formulações — com a probabilidade de sofrer uma trombose. Sabe-se hoje que os contraceptivos com dosagem reduzida oferecem menor risco nesse sentido.

    Estudos revelam que mulheres em uso de pílulas com dosagens acima de 0,05 mg de etinilestradiol ou estradiol (derivados do estrogênio) apresentam um risco trombótico até dez vezes maior quando comparadas às não usuárias. Calcula-se que isso represente o dobro da possibilidade de ocorrência de uma trombose na comparação com as formulações com doses menores do hormônio.

    Em relação aos métodos contraceptivos que contêm apenas progesterona, observou-se no decorrer das análises que o levonorgestrel presente nos anticoncepcionais de segunda geração seria o que apresenta menor risco. Quando usado isoladamente, esse hormônio afeta de forma mínima o sistema de coagulação, de modo que não traria risco considerável para trombose. Ainda assim, vale notar que há uma diminuição do efeito contraceptivo.

    O mais importante na hora de prescrever ou contraindicar essas medicações é avaliar a presença de fatores associados à trombose: obesidade, diabetes, câncer, tabagismo, sedentarismo, idade acima de 40 anos, varizes, alterações genéticas ou adquiridas na coagulação e histórico pessoal e familiar de eventos trombóticos.

    A contracepção hormonal de hoje é segura e apresenta riscos menores para trombose até mesmo quando comparada a situações fisiológicas como a gestação e o período pós-parto. No entanto, seu uso deve ser individualizado e decidido e acompanhado junto a um médico.

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  • A grávida deve tomar a vacina da gripe – ela inclusive tem direito à versão gratuita, que será oferecida na campanha de 2018 do Ministério da Saúde a partir do dia 23 de abril. Ao se imunizar contra essa doença, a mãe protege tanto a si própria como ao bebê.

    Benefícios da vacinação na mulher grávida

    Os diversos subtipos do vírus influenza podem causar mais estragos na gestação. “Durante a pandemia de gripe em 2009, vi muitas grávidas com quadros sérios da doença”, reitera a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

    Nelas, é mais comum que, além dos sintomas clássicos (febre, coriza, dor, indisposição), surjam complicações como pneumonia e outras infecções respiratórias. Em situações extremas, isso chega a levar à morte.

    “Há uma hipótese de que isso ocorra porque a flutuação hormonal piora a resposta imunológica da paciente a vírus e bactérias”, explica Rosana. A distribuição de líquidos pelo corpo, que se altera nos nove meses, também teria a ver com a maior severidade.

    Ao se vacinar, portanto, a futura mamãe evita a gripe e suas complicações. Não à toa, as últimas campanhas incluem as gestantes no grupo de risco, que tem direito à imunização gratuita.

    Aliás, há um subtipo do vírus influenza – o H1N1 – que seria especialmente danoso às grávidas. A boa notícia é que a vacina de 2018 foi produzida para também nos proteger contra ele.

    E as vantagens para o bebê

    Quando recebe sua dose do imunizante, a mãe diminui inclusive a probabilidade de parto prematuro, uma situação que coloca ela e o filho em risco. “A principal causa de prematuridade são as infecções em geral”, relata Rosana.

    Claro que, aí, não estamos falando apenas da gripe. Mas o fato é que o processo inflamatório decorrente da invasão do vírus pode, sim, antecipar o parto.

    Além disso, os anticorpos produzidos pelo organismo da mãe a partir da vacinação passam para o feto através da placenta. Em outras palavras, a proteção contra a gripe vai se estender para o filho.

    E por que isso é tão importante? Ora, antes dos 6 meses de vida, a criança não pode receber essa injeção. Logo, se a mãe não foi atrás de sua dose, o bebê fica suscetível às agressões do vírus influenza. Cabe ressaltar que o sistema imune do pequenino ainda é frágil nessa fase – se ele é infectado, corre maior risco de sofrer problemas graves.

    “Até por isso, pedimos para que, dentro do possível, as pessoas que convivem com a criança também se vacinem”, reforça Rosana.

    Veja: o imunizante não garante 100% de proteção, inclusive porque os diversos subtipos do vírus influenza estão sempre sofrendo mutações e circulando por lugares diferentes do planeta. Estima-se que 70% das pessoas que aplicam a dose de fato se resguardam contra esses inimigos da saúde.

    Assim, pedir para todo mundo que está ao redor da gestante ou da criança aplicar a vacina é uma ótima maneira de afastar qualquer chance de a gripe atingi-las. Quanto menos gente capaz de transmitir a doença na casa, melhor.

    A vacinação é segura durante a gestação?

    Certamente: Ao contrário da vacina da febre amarela, por exemplo, o vírus colocado na composição do imunizante para a gripe é inativado. Ou seja, não há qualquer risco de ele se espalhar pelo corpo e causar estragos.

    Mas por que então algumas pessoas tomam a picada e, depois, relatam sintomas da infecção? Em primeiro lugar, o sistema imune demora dias para produzir os anticorpos – e pode ser que o sujeito tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio termo. É por isso que os experts pedem para a população se proteger antes do inverno, a estação oficial da gripe.

    Segundo: como já dissemos, a eficácia da vacina é de 70%. Pode ser, portanto, que a dose não tenha surtido o efeito desejado.

    De reações à vacina, é possível que o indivíduo apresente uma alergia local na pele. Entretanto, isso é raro. Ela só está proibida para quem tem alergia severa ao ovo, o que está longe de ser algo frequente.

    Quando tomar

    A rede pública vai começar a disponibilizar a vacina trivalente – contra as cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata – a partir do dia 23 de abril de 2018. Já as clínicas particulares oferecem a versão quadrivalente, que também afasta o risco de infecção pelo tipo B Victoria. Seu custo varia entre 100 e 200 reais, mais ou menos.

    A injeção pode ser administrada em qualquer período da gestação. “Aliás, quem está amamentando e não se imunizou também deveria se vacinar”, completa Rosana.

    E que fique claro: a vacinação é anual. Não adianta a mulher achar que, como se protegeu no ano passado, não deve se preocupar agora que está grávida. Como o vírus da gripe está sempre se modificando, as vacinas devem ser adaptadas anualmente.

    Um recado final: o bebê pode se vacinar a partir dos 6 meses de vida, se o médico achar conveniente. Só cabe ressaltar que, na primeira vez que uma criança menor de 9 anos receber a picada contra a gripe, será necessária uma dose de reforço.

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  • Já se vão quase 50 anos desde que o médico americano Robert Atkins (1930-2003) lançou sua famosa dieta, caracterizada pela eliminação brutal de carboidratos (arroz, pães, massas…) e por uma maior permissividade em relação às gorduras. De lá pra cá, cardápios similares ficaram à espreita do prato, ora alcançando popularidade, ora caindo em desuso. A onda da vez, queridinha entre quem quer emagrecer sem demora, é conhecida como low carb, termo em inglês para cardápio com pouco carboidrato. Segundo o Google, principal site de buscas na internet, ela foi a dieta mais procurada em 2017 pelos brasileiros, com um crescimento de 986% em relação a 2016.

    Nem precisa gastar seu tempo vasculhando quanto carboidrato é permitido nesse modelo alimentar. Não há consenso quanto a isso – o que dificulta, do ponto de vista científico, chegar a conclusões sobre o método. Em geral, fala-se em um consumo de 20 a 40% do nutriente em relação às calorias ingeridas em um dia, ou algo em torno de 50 a 100 gramas. Em uma dieta tradicional, suas fontes devem representar de 55 a 65% das calorias diárias. É uma baixa considerável.

    Na ponta do lápis

    Dieta tradicional
    Indica-se que de 55 a 65% das calorias consumidas diariamente sejam de fontes de carboidratos.

    Dieta low carb
    De todas as calorias ingeridas no dia, só de 20 a 40% deveriam vir do famigerado nutriente.

    Mas, mais do que bitolar na quantidade, a low carb propõe foco no tipo de alimento escolhido para suprir essa demanda. As pessoas são incentivadas a obter os carboidratos a partir de legumes e verduras. Já grãos, cereais, farináceos, algumas frutas e tudo que leva açúcar saem de cena por causa do alto teor da substância. Para ter ideia, é preciso dar adeus ao pão do café da manhã e ao arroz com feijão do almoço. No outro lado da balança, o que sobe é a ingestão de redutos de gorduras e proteínas.

    Não é difícil explicar por que esse cardápio causou frisson entre quem está preocupado com as dobras na cintura. “Sabemos que as dietas low carb levam a uma perda de peso rápida”, informa o endocrinologista Bruno Halpern, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Só que esse fato, tão apreciado pelo público, não é animador para parte dos especialistas na área. Na visão de Halpern, como as fontes de proteínas e gorduras saciam bastante, as pessoas passam a comer menos – daí emagrecem mesmo. O dilema é que, segundo ele, essas dietas restritivas são menos efetivas com o tempo. Lá vem efeito sanfona…

    Para Antonio Herbert Lancha Jr., professor titular de nutrição da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), até o emagrecimento ligeiro merece vista grossa. Isso porque a queda súbita no número que a balança exibe não significaria necessariamente uma queima de gordura. Calma que a gente explica o mistério.

    Low carb e emagrecimento

    O carboidrato é um dos elementos que determinam a presença de água dentro de nossas células. Portanto, quando o nutriente está em falta, o líquido vai embora. “As pessoas acham que a variação do peso vem da eliminação de gordura. Mas, na realidade, elas só perderam água”, esclarece Lancha Jr., que também é autor do livro O Fim das Dietas (Editora Abril). Pior: de acordo com experimentos do professor, nesse bolo a massa magra também vai para o espaço. E os músculos são justamente nossos maiores torradores de energia e gordura corporal.

    O endocrinologista Pedro Assed, do Rio de Janeiro, concorda que é válido colocar essas questões em pauta. Afinal, desidratar ou ver a musculatura minguar não é nada desejável, apesar de o peso parecer adequado. “Nesses casos, é necessário um plano para reverter a situação. E ele envolve ajustes na dieta e em outros hábitos, como o tempo de sono e jejum“, descreve o médico.

    Então, o problema não estaria na low carb em si, mas no fato de ela ser realizada sem acompanhamento. Segundo o nutrólogo e neurologista Rafael Higashi, diretor da clínica Higashi, no Rio de Janeiro, caso o profissional não tenha aparelhos para verificar a taxa de gordura do paciente – como o de bioimpedância -, pode medir braço, panturrilha e força muscular. “Se houver perda em 30 dias, há algo errado”, avisa.

    De qualquer forma, em termos de perda de peso, não é pra esperar milagres. Há evidências de que tanto faz investir na low carb ou em uma dieta baseada na redução de gorduras ou de calorias. “Uma das premissas para o emagrecimento é gastar mais do que consumir”, resume a nutricionista Ana Beatriz Barrella, da RG Nutri, na capital paulista. Ao revisar vários estudos publicados de 2005 a 2016 sobre todas essas estratégias, pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, concluíram que a perda de peso advinda da low carb seria insignificativamente maior – coisa de 1 a 2 quilos.

    Os cientistas salientaram ainda que só é possível garantir a segurança do método por seis meses, já que a maioria das experiências é de curto prazo. Fora isso, informam que, nos trabalhos, não dá para identificar a qualidade das fontes de proteínas e gorduras colocadas no prato.

    Portanto, é altamente contraindicado consultar o vizinho ou a internet na hora de montar o cardápio. Há quem interprete, por exemplo, que tudo bem comer, dia após dia, bacon, picanha, salsicha e frango com pele frito na banha de porco. Lembre-se: os impactos negativos vão além do peso.

    Ao carregar a mão na gordura animal, por exemplo, as consequências não são nada agradáveis. “Esse hábito pode chegar a dobrar o colesterol total, a triplicar o colesterol LDL e a reduzir pela metade o HDL“, alerta a nutricionista Nágila Damasceno, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP e membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Caso tenha se perdido nas siglas, a gente explica: enquanto o colesterol LDL deposita gordura nas artérias, o HDL a tira de circulação. Entendeu o enrosco?

    De acordo com a nutricionista clínica Isabella Vorccaro, da capital paulista, para minimizar qualquer ameaça, o ideal é privilegiar itens como azeite, abacate, coco, castanhas e sementes, ricos em gorduras insaturadas, reconhecidamente mais benéficas. “Eles geram saciedade e, ao mesmo tempo, ofertam vitaminas, minerais e fibras“, esclarece.

    Escrito nos hormônios

    Para os defensores da low carb, não é surpresa que outras estratégias – como simplesmente reduzir o tamanho das porções de comida – emagreçam na mesma magnitude. Mas a alegação para coibir o carboidrato não para por aí. “O consumo exagerado desse nutriente leva a uma superestimulação do pâncreas, com maior produção de insulina”, aponta Isabella.

    E o excesso desse hormônio é ligado a um maior risco de engordar e ficar diabético. Fora isso, o açúcar derivado do carboidrato contribuiria com processos inflamatórios, situação que patrocina muitas doenças.

    Que ter insulina aos montes na circulação não é bacana, ninguém discorda. Mas, para quem não é tão fã da low carb, outras questões merecem debate. Para começar, a produção do hormônio não é incitada apenas pela glicose derivada dos carboidratos.

    “Algumas proteínas e gorduras também estimulam esse processo”, explica a nutricionista Bruna Reis, do Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª Região (CRN-3). Logo, ignorar o arroz do bufê e cair de boca na fraldinha não garantem folga ao pâncreas – a produção de insulina também será instigada.

    Nágila, da Socesp, frisa que o hormônio faz parte de um metabolismo saudável, já que abre as portas para glicose, proteínas e gorduras entrarem nos tecidos. “Essa história só se torna perigosa se comemos em excesso”, avisa a nutricionista.

    Nesse contexto, o pâncreas produz tanta insulina que, para se proteger, os tecidos se fecham. Ocorre, assim, um aumento do hormônio circulante e uma maior resistência à sua ação. E, se a insulina não atua direito, de fato sobra açúcar no sangue, um estopim para encrencas. “Mas isso se dá mais pelo abuso do todo”, reitera Nágila.

    Lancha Jr. também defende que é maldade colocar a oscilação de insulina só nas costas dos carboidratos. “Vamos supor que 90% de sua dieta venha de pão. Só que você consumirá tudo isso com um caminhão de alface. Pronto: o índice glicêmico já é compensado, assim como a liberação de insulina”, raciocina. O exemplo é surreal, claro, mas ilustra como o pico de açúcar no sangue depende bastante do que agregamos à refeição.

    Tem outro ponto: o que conta pra valer são quantidade e tipos de carboidratos escolhidos. Todos os especialistas concordam que exageramos em alimentos que fazem a glicose e a insulina dispararem – arroz e massas refinadas, sobremesas e refrigerantes são exemplos. Só que, em vez de ir para o extremo (a low carb), o pulo do gato seria maneirar e substituir esses itens por versões boas do nutriente, como arroz e massas integrais, grãos, cereais e frutas.

    É que elas são lotadas de fibras, substâncias que freiam a subida da glicose no sangue. “Isso, por si só, já altera o padrão de produção da insulina”, reforça o biólogo e nutricionista Geraldo Thedei, da Universidade de Uberaba (MG).

    Há mais argumentos favoráveis às trocas, e não ao corte radical. “Alguns estudos demonstram que a dieta restrita em carboidratos, especialmente nesses ricos em fibras, modificam a diversidade de bactérias no intestino, o que predisporia a problemas inflamatórios, como alergias e doenças autoimunes”, diz Bruna.

    Agora, para quem já recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 2, a low carb pode até ser uma saída para domar a glicemia. O pesquisador Grant Brinkworth, da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation, na Austrália, viu essa faceta da dieta de perto. Em experiência com 115 diabéticos, metade seguiu uma alimentação com baixo teor de carboidratos (14% das necessidades calóricas diárias), enquanto outra parte focou na redução de gorduras. “Embora os dois grupos tenham perdido peso de forma similar, quem aderiu à low carb conseguiu controlar melhor a doença”, revela Brinkworth.

    A nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), confirma que alguns pacientes se beneficiam bastante do método – quando bem-feito e individualizado. Contudo, ressalta que tanto a SBD como as organizações internacionais que atuam com esse público priorizam um cenário de equilíbrio nutricional, em que há, sim, espaço para os carboidratos. “Evitar o terrorismo nutricional é essencial para a adesão ao tratamento”, defende.

    Caso você tenha chegado até aqui sem a certeza se a low carb é um bom investimento, tranquilo. No fim das contas, o melhor padrão alimentar é aquele factível de ser seguido. “E isso depende do perfil do paciente”, pondera Assed. O crucial é não embarcar em modismos sem a orientação de um profissional. Ele consegue avaliar, de forma global, se a dieta está valendo a pena. O primeiro erro é deixar isso só a critério da balança.

    Cetogênica é outra coisa

    Esse estilo de dieta é uma versão bem mais radical da low carb. Em geral, o consumo de carboidratos não passa de 10%. Já o de gordura chega a incríveis 90%. Nágila Damasceno avisa que tal cardápio só vale para situações muito específicas, como quadros de epilepsia que não respondem a remédios.

    Mas tem gente que anda recorrendo à dieta cetogênica para secar a barriga. Na visão de Geraldo Thedei, da Universidade de Uberaba (MG), é um verdadeiro disparate. “Há produção elevada de substâncias que mudam o pH do sangue. Isso traz riscos para o organismo”, alerta. Para completar, o menu é pobre em vitaminas, minerais, fibras… “Trata-se de uma deseducação alimentar”, crava Thedei.

    Tem que malhar

    Caso escute por aí que a low carb ajudou fulano a emagrecer 30, 40, 50 quilos sem atividade física, saiba: não há vantagem alguma nisso. “Exercício nunca é dispensável”, declara a nutricionista Isabella Vorccaro. “Inclusive, é um dos pilares da saúde”, acrescenta. Ocorre que, ao cortar os carboidratos, muita gente sente uma indisposição tremenda. Normal, pois o nutriente nos fornece energia. A solução, porém, não é parar de se mexer. Nem se entupir de cafeína. “Ela não produz energia. Só disfarça a fadiga”, aponta Gabriela Parise, nutricionista da RG Nutri. Fora que pegar pesado nos estimulantes pode acarretar danos depois.

    O QUE PODE COMER

    Os grupos alimentares abaixo dão uma ideia do que é o padrão low carb na prática

    Café

    Sem açúcar, tá? Chás e água com limão podem também.

    Laticínios

    Iogurte natural, ricota e cottage são opções.

    Azeite

    O óleo da azeitona tem gordura boa.

    Carnes

    De vaca, frango, peixe… Vale tudo.

    Cogumelos

    De todos os tipos, à vontade.

    Ovos

    Liberados em qualquer refeição.

    Tubérculos

    Batata-doce e inhame seriam os melhores.

    Frutas com baixo índice glicêmico

    Abacate, coco, morango e damasco fazem parte da lista.

    Leguminosas

    Grão-de-bico e lentilha, mas com muita moderação.

    Verduras e legumes

    Pode variar e investir sem medo.

    Oleaginosas

    Prove amêndoas, castanhas, nozes…

    O QUE É MELHOR EVITAR

    Os alimentos e grupos abaixo são contraindicados na dieta low carb

    Leite desnatado

    O ponto fraco é que não tem gordura.

    Doces

    Têm açúcar pra dar e vender.

    Massas

    Aposente macarrão, lasanha, nhoque…

    Industrializados

    Não são considerados comida de verdade.

    Milho

    Em qualquer receita, ele está vetado.

    Pães

    É o símbolo máximo do carboidrato, né?

    Sucos de frutas

    Tem que evitar os naturais e o néctar.

    Tapioca

    É bastante similar ao pão.

    Refrigerante

    Um verdadeiro poço de açúcar.

    Frutas com alto índice glicêmico

    Banana, melancia, manga, uva e abacaxi são exemplos.

    Arroz branco

    Nem o integral deve entrar no prato.

    Batata-inglesa

    Tem menos fibras que os outros tubérculos.

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  • A partir de hoje, todos os produtos com alegações terapêuticas da empresa Bella Você Natural não podem ser distribuídos, divulgados e, principalmente, comercializados no Brasil. No portfólio da empresa, havia uma série de cápsulas, óleos, sementes e outros itens que ajudariam a emagrecer, combater a disfunção erétil, afastar a gripe…

    A medida, já publicado no Diário Oficial da União, decorre do fato de que a empresa em questão não tinha qualquer registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ou seja, nenhum de seus produtos tem qualquer comprovação de eficiência ou mesmo de segurança.

    Dito de outra forma, não dá pra saber se o que está no rótulo de fato corresponderia à realidade. E olha: as embalagens dos produtos, pelo menos no site, prometem maravilhas. Ah, se fosse verdade…

    Um único item, por exemplo, alega emagrecer, reduzir o colesterol, melhorar o humor, fortalecer o sistema imunológico, combater a TPM e regular o intestino! Ao se deparar com esse tipo de produto, desconfie. Se você pretende remediar algo, procure um profissional.

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  • Antes de tudo, é importante destacar que ter ovários policísticos não é sinônimo de sofrer com a síndrome do ovário policístico (SOP) e seus sintomas. Essa diferença também altera o tratamento.

    Veja: 20% das mulheres, ao fazerem um ultrassom, apresentam vários cistos no ovário. No entanto, a síndrome em si só é diagnosticada se há aumento de hormônios masculinos no corpo da mulher e um período menstrual irregular.

    Acredite: em alguns casos a paciente pode ter SOP e não apresentar vários cistos no ovário! O diagnóstico é definido quando pelo menos dois dos três critérios a seguir estão presentes: aumento da produção de hormônios masculinos, anovulação (período menstrual irregular) e exames de imagem com ovário policístico. Isso, claro, desde que outras doenças que cursam com sintomas parecidos sejam descartadas.

    A SOP em si atinge de 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Ela costuma surgir quando a hipófise, a glândula que regula a produção hormonal, acaba estimulando a liberação em excesso de andrógenos, os hormônios masculinos.

    Com isso, o amadurecimento dos óvulos, processo que ocorre todo mês, é comprometido. Quando a célula reprodutiva feminina não se desenvolve como deveria, vira um folículo enrijecido, que fica preso na região. É o famoso cisto no ovário.

    Portanto, aglomeração de cistos – em conjunto com o excesso de hormônios masculinos – pode impedir a formação de óvulos saudáveis e, consequentemente, alterar ou interromper o ciclo menstrual, levando à infertilidade. O aumento de andrógenos provoca ainda, entre outros sintomas, o aparecimento de acne e pelos no rosto.

    Por trás da síndrome do ovário policístico muitas vezes está a resistência à insulina, hormônio fabricado pelo pâncreas e responsável pelo controle do nível de açúcar no sangue. É que o desequilíbrio nessa produção pode desencadear o diabetes tipo 2. E os níveis de glicose muito elevados prejudicam os ovários, que passam a gerar mais andrógenos do que estrógenos, os hormônios femininos.

    Sintomas

    – Dificuldade para engravidar

    – Menstruação desregulada ou inexistente

    – Ganho de peso

    – Pele muito oleosa

    – Acne

    – Crescimento de pelos no rosto, nos seios e no abdômen

    – Queda de cabelo

    – Atenção: não é regra, mas primeiros sinais da SOP costumam aparecer na adolescência

    Causas e fatores de risco

    – Histórico familiar

    – Resistência à insulina

    – Obesidade

    A prevenção

    Embora não dê para evitar completamente a síndrome do ovário policístico, medidas com perda de peso em geral normalizam parte dos problemas. Estamos falando de espinhas, pelos, alterações menstruais… Levar uma vida saudável, com dieta leve e exercício físico, diminui até mesmo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, outro fator de risco da SOP.

    O diagnóstico

    Desordens típicas da síndrome do ovário policístico podem ser confundidas com alterações da menstruação em si – entre elas o aparecimento da própria acne. Às vezes, esses sintomas e a própria irregularidade menstrual são intensificadas nos primeiros ciclos da adolescente. Por isso é importante procurar um ginecologista para uma avaliação logo que a menina entra na puberdade.

    Para o diagnóstico da SOP, o especialista leva em conta sintomas como irregularidade do ciclo menstrual e a presença de muitos pelos no rosto ou no corpo, além de testes laboratoriais que indicam o excesso de hormônios masculinos. Um exame de ultrassom ajuda: num quadro típico, ele revela a presença de dezenas de cistos ou mostra volume ovariano maior que 10 centímetros cúbicos.

    Mas, como já dissemos no início, é possível que a imagem do exame nem mostre essas alterações. Converse com o médico.

    O tratamento

    A síndrome do ovário policístico em si não tem cura. Mas o tratamento, aliado à adoção de um estilo de vida saudável, afasta as consequências.

    Antes de tudo, a pessoa deve praticar atividades físicas regularmente e ter uma dieta equilibrada, o que também significa maneirar no açúcar e na gordura.

    Se o médico constatar que a SOP está relacionada à resistência à insulina, a paciente via de regra será orientada a se medicar com metformina ou glitazonas, substâncias que corrigem esse defeito. Tais drogas afastam o risco de diabetes.

    Para aquelas que não querem engravidar, o tratamento é feito à base de pílula anticoncepcional. Ela contém doses de estrógeno e progesterona que normalizam o ciclo menstrual e diminuem a produção de hormônios masculinos. Uma alternativa é o uso exclusivo de progesterona.

    Caso o medicamento não dê resultados, pode-se optar pela cauterização laparoscópica dos cistos. É uma cirurgia pouco invasiva que, digamos, queima as estruturas que estão tomando conta do ovário.

    Por outro lado, quando há dificuldade para engravidar, a ovulação é induzida com substâncias como as gonadotrofinas e o clomifeno. O tratamento facilita a gestação porque torna o momento da ovulação mais previsível.

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  • Que tal se refrescar, nesse calorão, com uma taça de frozen à base de farinha de beterraba? Pois saiba que 30 pessoas receberam o convite para degustar a nova receita, bolada por cientistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e da Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe (Uniarp).

    O sucesso foi absoluto – e não só pelo sabor. A turma se deleitou com doses extras de fibras, potássio, magnésio e cálcio. Mas o destaque ficou por conta de antioxidantes poderosos. Desse grupo, o nome que sobressai é a betalaína, que inclusive confere o tom peculiar do vegetal. “Nós também criamos um cookie, e as crianças que participaram da degustação adoraram”, conta a química Bianca Schveitzer, da Epagri, e uma das autoras do trabalho que avaliou os teores de nutrientes desses preparos diferenciados.

    Os estudiosos catarinenses não dispensaram nem mesmo folhas e talos em novas experiências. Segundo o engenheiro agrônomo Gentil Gabardo, professor da Uniarp, essas partes são ótimas fontes de vitaminas e sais minerais. Aliás, às vezes até levam a melhor em quantidade quando comparadas à própria beterraba. Panquecas e pães enriquecidos com a nutritiva farinha são os próximos itens a sair do forno dos pesquisadores.

    Beterraba para o coração… e muito mais
    Em outros pontos do país, o alimento também protagoniza novos estudos. A nutricionista Anna Paula Oliveira Gomes, juntamente com as professoras Patrícia Borges Botelho, da Universidade de Brasília (UnB), e Caroline Dario Capitani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apurou a atuação de folhagens e hastes da planta em prol dos vasos sanguíneos.

    Para isso, elas ofereceram uma bebida preparada com essas partes a um grupo de indivíduos com colesterol e triglicérides alterados após uma refeição repleta de gordura saturada – aquela que, em excesso, ameaça o coração. Os resultados indicam que a receita é capaz de minimizar a redução de HDL, o chamado bom colesterol. Em outras palavras, há indícios de que ela contribua para o equilíbrio nas taxas da molécula gordurosa, mecanismo que zela pela saúde cardíaca.

    Por trás desse feito estão compostos flavonoides de nomes bem peculiares. “As folhas e os talos de beterraba são ricos em vitexina-ramnoside”, exemplifica Anna Paula. Eles conseguem a façanha de modular proteínas envolvidas no transporte de colesterol, promovendo uma espécie de faxina nas artérias. Assim, elas tendem a ficar livres de processos inflamatórios e entupimentos.

    Não há dúvidas de que o coração bate feliz quando tem beterraba no prato. Um estudo publicado no periódico Hypertension comprovou que seu suco ajuda a reduzir a pressão. O alimento melhora a função e a elasticidade dos vasos – aí o sangue circula sem aperto. Embora o efeito resulte do combo de substâncias presentes no vegetal, um ingrediente especial desperta a atenção da ciência nesse quesito: o nitrato.

    O tal nitrato presente nos talos, nas folhas e na própria beterraba tem o mérito de apresentar alto poder vasodilatador. Em outras palavras, ele é precursor de óxido nítrico, substância que é velha conhecida por relaxar as artérias.

    Portanto, favorece a oxigenação de todo o organismo. De olho nisso, já dá para imaginar que o consumo da hortaliça também agrade ao cérebro, né? Um trabalho publicado na revista científica Journals of Gerontology comprova a benesse.

    Pesquisadores deram uma bebida à base da hortaliça a um grupo de 25 voluntários com mais de 55 anos de idade antes da prática de exercícios. Ao final da experiência, observou-se um impacto positivo na região cerebral relacionada ao controle motor.

    Outra evidência que cada vez ganha mais força é de que o nitrato contribui com a demanda de oxigênio para a musculatura. Daí o posto de parceiro dos esportistas. Há, inclusive, comprovação de que aumente a capacidade física.

    O nutricionista Murilo Dáttilo, da RG Nutri, na capital paulista, comenta que, em situações específicas, caso de competições, há indicação de suplemento de suco de beterraba com concentração de nitrato padronizada.

    Não significa, veja bem, que qualquer pessoa possa sair por aí consumindo esses produtos, tá? Vale ressaltar que a cautela é restrita ao uso de suplementação. Não há contraindicação quando se trata do alimento in natura.

    Cada parte, um benefício
    Folhas: são as responsáveis por dar gás ao desenvolvimento do vegetal, transformando energia luminosa em carboidratos. Guardam boas doses de minerais e de vitamina C, baita aliada da nossa imunidade.

    O macete é prestar atenção na hora da compra. A folhagem deve ser brilhante. As chamadas folhas de beterraba baby são ótimas cruas em saladas e sucos. Mas, para total absorção dos nutrientes, vale refogá-las rapidamente.

    Talos: além de sustentar as folhas, conduzem nutrientes para a raiz. Não à toa concentram fibras, vitaminas e substâncias como os carotenoides, festejados principalmente pela proteção aos nossos olhos.

    Observe se o tom das hastes está bem vivo e capriche na higienização antes de botar na panela. Dá para incluir em receitas de omeletes, vinagretes, sopas, quiches, farofas, patês e até bolos.

    Raiz: é o órgão de reserva da planta. Acumula açúcares, que são a fonte de energia utilizada nos processos celulares. Seu diferencial, porém, é a coloração resultante de potentes antioxidantes, as betalaínas.

    Cozinhar com casca, em panela de pressão, é uma boa pedida para evitar grandes perdas, especialmente das badaladas betalaínas. Outra opção que preserva seus nutrientes é consumir a beterraba crua em saladas, sanduíches e sucos.

    O açúcar da beterraba é um perigo?
    Sem paranoia: até diabéticos podem colocar a beterraba no cardápio. “Ela não é proibida”, afirma a nutricionista Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes. O teor de carboidrato é baixo e até parecido com o de alimentos insuspeitos, caso do chuchu.

    Isso sem falar na presença das fibras, substâncias que asseguram uma resposta glicêmica gradual – assim, não há picos de açúcar no sangue. Maristela explica que há muita confusão em torno da hortaliça. “É a versão branca que serve de matéria-prima para a produção de açúcar”, lembra. Aí a colorida acaba banida do prato injustamente.

    O engenheiro agrônomo Luis Felipe Villani Purquerio, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), explica que existem diferentes tipos de beterraba, mas que é somente da branca que se extrai a sacarose. “Ela tende a acumular mais açúcar”, ensina.

    No Brasil, graças à abundância de cana-de-açúcar, não usamos a hortaliça para esse fim, mas em países como a França ela atende à boa parte do mercado açucareiro. E quem deu impulso a essa indústria foi ninguém menos que Napoleão Bonaparte (1769-1821). O imperador entregou pessoalmente uma medalha ao cientista que criou a primeira fábrica.

    Apesar do parentesco forte, a beterraba esbranquiçada perde feio para a vibrante no quesito antioxidantes. “Essa capacidade é menos expressiva devido à ausência das betalaínas”, explica a bióloga Ana Paula Preczenhak, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Muito mais que colorir o vegetal e combater radicais livres, as betalaínas têm propriedades anti-inflamatórias e já figuram em estudos pela sua capacidade de proteger contra o câncer.

    Não se assuste se esse grupo de pigmentos deixar sua marca no vaso sanitário. “Eles podem passar quase intactos pelo trato digestivo, interferindo com a cor das fezes“, explica a nutricionista Norka Beatriz Barrueto, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A professora avisa que o efeito tende a cessar após 48 horas e acredita que essa situação não sinaliza anemia, como já foi sugerido.

    Por falar em deficiência de ferro, embora a raiz ofereça o mineral, ele não é bem aproveitado. “Para melhorar a absorção, consuma a hortaliça junto de um alimento fonte de vitamina C”, sugere a nutricionista Renata Guirau, do Oba Hortifruti. Então, que tal um suco de laranja com beterraba no próximo café da manhã? Abuse da criatividade e deixe o resto por conta da super-hortaliça.

    O que a beterraba é, afinal?
    Originária das regiões de clima temperado da Europa e do norte da África, a beterraba (de nome oficial Beta vulgaris) é chamada popularmente de raiz tuberosa, uma designação comum a vegetais que acumulam nutrientes na raiz principal e embaixo da terra. Como servem de estoque energético para a planta, essas hortaliças são muito ricas. A má notícia é que, mesmo abaixo do solo, não estão livres de apresentar resíduos de defensivos agrícolas, os indesejáveis agrotóxicos. Portanto, sempre que der, priorize as versões orgânicas.

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  • Eliminar fontes de carboidratos – pães, massas e afins – da rotina está na moda. Discussões à parte sobre o efeito disso na perda de peso, um novo estudo dá motivos para grávidas ou mulheres que estão planejando engravidar não seguirem a tal dieta low carb.

    Segundo os pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA), esse padrão alimentar aumenta o risco de o feto apresentar defeitos no tubo neural, o que pode levar a incapacidades para o resto da vida e até mesmo à morte. No trabalho, foram analisadas 11 285 gestações ocorridas entre 1998 e 2011.

    “Nós já sabíamos que a dieta da mulher antes e durante a gravidez tem papel importante no desenvolvimento do feto. A novidade é a sugestão de que uma dieta com pouco carboidrato pode aumentar o risco de o bebê ter defeitos no tubo neural em 30%”, informou a pesquisadora Tania Desrosiers, ao site da instituição. “Isso é preocupante, especialmente porque as dietas low carb são populares”, acrescentou.

    Para a cientista, esses achados demonstram a importância de a mulher, ao engravidar, conversar com profissionais de saúde sobre qualquer dieta ou hábito alimentar.

    O tal do ácido fólico
    Trata-se do nutriente essencial para garantir o bom desenvolvimento do tubo neural. Nos Estados Unidos, desde 1998 os produtos à base de grãos são enriquecidos com o ácido fólico. No Brasil, não é diferente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também exige que as farinhas de trigo e milho sejam turbinadas com a substância.

    De olho nisso, fica fácil entender por que abolir massas, pães e companhia não é uma boa ideia durante a gravidez ou no momento que antecede a concepção do bebê. Aí você pode pensar: “mas basta tomar um suplemento!”.

    A questão é que, como muitas gestações não são planejadas, boa parte das mulheres só recorre a esses itens mais tarde, depois que o defeito no tubo neural já teria ocorrido. Daí a relevância dos alimentos enriquecidos com o ácido fólico.

    De acordo com Tania, autora da pesquisa, investigações futuras são necessárias para ver se essa relação é válida para outras populações e também para entender exatamente de que maneira o consumo de carboidratos se relaciona com prejuízos no tubo neural.

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