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Tem novidade no tratamento do diabetes chegando ao Brasil. E o Dr. Couri explica como ela promete facilitar a vida de quem convive com a doença

Mesmo com o desenvolvimento de agulhas para aplicação de insulina cada vez menores — hoje já temos versões com apenas 4 milímetros —, muitas pessoas com diabetes sofrem ou se sentem desconfortáveis com o fato de ter de injetar o hormônio quatro, cinco, seis vezes ao dia. Essa é uma realidade ainda mais incômoda para as crianças.

Tem gente com diabetes que inclusive deixa de aplicar algumas doses diárias de insulina devido a esse estresse. E nem preciso dizer como isso pode provocar um descontrole nos níveis de glicose no sangue, com todos os prejuízos que essa situação acarreta.

Para ajudar a diminuir o desconforto e melhorar a adesão ao tratamento com insulina, chega neste ano ao Brasil uma tecnologia batizada de i-Port.

Criado pela empresa Medtronic, o i-Port é um dispositivo implantável na superfície da pele que possui um cateter (uma pequena cânula) que pode ter 6 ou 9 milímetros e fica inserido no tecido subcutâneo.

Com isso, em vez de o paciente receber várias picadinhas ao dia, ele injeta a insulina nesse dispositivo (com caneta ou seringa, e na frequência pré-estabelecida com o médico) sem sentir dor ou desconforto.

O i-Port deve ser implantado nos mesmos locais usuais de aplicação da insulina, como nádegas, barriga, coxas e braços, e precisa ser trocado a cada três dias. Sua inserção na pele é simples e pode (e deve) ser realizada pelo próprio paciente ou familiares. Situações como banho e prática de esportes (inclusive aquáticos) não são empecilho para o uso.

Apesar de o preço por aqui ainda não ter sido divulgado pelo fabricante, acredito que o recurso será uma excelente opção para muitas pessoas com diabetes angariarem conforto e qualidade de vida durante o tratamento. Só lembrando que o controle do diabetes vai muito além da aplicação rigorosa da insulina. Envolve cuidar de si, manter bons hábitos alimentares e a prática regular de exercícios.

Pesquisa sugere que sistema nervoso readapta movimentos para gastar o mínimo de energia possível.

foto-imagem-humanosUma corrida no parque ou ficar deitado no sofá da sala?

Se você preferiu a segunda opção, não tema: saiba que um estudo feito por pesquisadores da Universidade Simon Fraser, no Canadá, sugere que os humanos são biologicamente “programados” para serem preguiçosos.

A pesquisa mostrou que o sistema nervoso reprograma padrões de movimentos como andar em uma busca constante para gastar o mínimo de energia possível.

“E isso é uma notícia ruim para quem come muito”, afirmou o professor de fisiologia Max Donelan, que é co-autor do estudo.

Durante o estudo, pesquisadores pediram a nove voluntários que usassem um tipo de aparelho ortopédico (como o da foto acima), que dificultasse o ato de caminhar.

Após alguns minutos, todos os voluntários já haviam modificado seu modo habitual de caminhar para usar menos energia, ou seja, queimar menos calorias.

Segundo os pesquisadores, o sistema nervoso continuou a aprimorar os movimentos do andar das pessoas para manter um baixo gasto de energia.

Eles afirma que as conclusões da pesquisa, divulgada na publicação Current Biology, se encaixam na “tendência” de usar o menor esforço possível nas tarefas físicas.

“Fornecemos uma base psicológica para essa preguiça ao demonstrarmos que mesmo em um movimento bem comum como andar, o sistema nervoso monitora, de maneira subconsciente, a energia usada e vai, continuamente, aprimorando e reaprimorando os padrões, em um exercício constante para se mover da maneira mais barata, com menos gasto calórico, possível.”

Mesmo quando as pessoas optaram por correr, seus cérebros trabalhavam para que isso fosse feito da maneira mais eficiente possível.

Segundo Donelan, mais pesquisas são necessárias para ampliar o estudo e se ter uma compreensão melhor de como os milhares de músculos e nervos trabalhavam juntos para conseguir esse feito.

Com ajuda de implante, Ray Flynn volta a poder distinguir contornos das coisas e das pessoas

foto-imagem-olho-biônicoCirurgiões de Manchester, no Reino Unido, realizaram o primeiro implante de um olho biônico em um paciente com o caso mais comum de perda de visão em países desenvolvidos.Ray Flynn, de 80 anos, sofre de degeneração macular relacionada à idade avançada – que causou a perda total do seu campo de visão central.

Ele passou a usar um implante na retina, que converte imagens de vídeo vindas de uma pequena câmera que ele usa nos óculos.

Flynn disse estar “encantado” com o implante e espera que, em breve, sua visão melhore o suficiente para que ele possa voltar a se dedicar a atividades como jardinagem e compras.

Erva ou flor?

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O implante Argus 2, fabricado pela empresa americana Second Sight, já foi usado para restaurar parte da visão de pacientes que ficaram cegos em decorrência da doença rara retinite pigmentosa, que causa a degeneração da retina.

A operação feita em Manchester é o primeiro caso em que o implante é usado em um paciente com degeneração macular, que afeta, em graus diferentes, pelo menos meio milhão de pessoas no Reino Unido.

Antes da cirurgia, Ray Flynn explicou o avanço de sua doença.

“Não consigo digitar a senha do meu cartão em uma loja ou em um banco. Apesar de praticar jardinagem com frequência, não consigo mais distinguir entre ervas e flores”, disse à BBC.

Ele afirmou ainda que precisava sentar-se muito perto da televisão para conseguir enxergar qualquer coisa e que deixou de assistir às partidas de seu time de futebol, o Manchester United, por não conseguir entender o que acontece no campo.

A operação durou quatro horas e foi comandada por Paulo Stanga, cirurgião de retina e vítreo do Manchester Royal Eye Hospital e professor de Oftalmologia e Regeneração Retinal na Universidade de Manchester.

“O progresso de Flynn é impressionante, ele está conseguindo ver os contornos de pessoas e objetos muito bem. Acho que pode ser o começo de uma nova era para pacientes com perda de visão.”

Até de olhos fechados

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Com o implante, o paciente recebe a informação visual de uma câmera em miniatura colocada em seus óculos, que funciona mesmo quando ele está de olhos fechados.

As imagens são convertidas em pulsos elétricos e transmitidas via wi-fi (por isso, os óculos são equipados com um transmissor) para eletrodos implantados em sua retina.

Os eletrodos estimulam as células restantes na retina, que enviam a informação para o cérebro.

Em um teste duas semanas após a cirurgia, Flynn conseguiu detectar padrões de linhas horizontais, verticais e diagonais em um computador, coisa impossível antes do procedimento.

Ele manteve os olhos fechados durante o teste, para que a equipe tivesse certeza de que a informação visual vinha da câmera em seus óculos, em contato com o implante em seu olho.

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Além de Flynn, mais quatro pacientes com degeneração macular receberão o implante, como parte de um teste clínico.

O Argus 2 custa cerca de 150 mil libras (R$ 740 mil) incluindo os custos do tratamento, mas os pacientes deste primeiro teste serão tratados gratuitamente.

Atualmente, o implante não consegue proporcionar uma visão detalhada das coisas – mas estudos anteriores mostraram que pode ajudar pacientes a distinguirem formas geométricas e portas, por exemplo.

Segundo Paulo Stanga, Flynn deve aprender a interpretar melhor as imagens do implante com o passar do tempo.

Tratamento de doenças do envelhecimento ‘interruptor’ que atua em envelhecimento celular

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À medida que nossas células se dividem – para renovar tecidos da pele, pulmões, fígado e outros órgãos – as extremidades dos cromossomos presentes nas células vão se encurtando cada vez mais. Quando essas extremidades, chamadas telômeros, tornam-se muito curtas, as células perdem a capacidade de se dividir, o que promove a degeneração dos tecidos. Isso é o que geralmente ocorre com o envelhecimento.

Existe, porém, uma enzima chamada telomerase que é capaz de reconstruir os telômeros, prolongando a capacidade das células de se dividir. Uma pesquisa publicada este mês na revista “Genes and Development”, desenvolvida pelo Instituto Salk para Estudos Biológicos, na Califórnia, avançou na compreensão de como funciona essa enzima. O estudo descobriu que existe um tipo de “interruptor”, capaz de “desligar” e “ligar” essa enzima.

Desta forma, em algumas situações, mesmo quando presente na célula, ela pode não impedir seu processo de envelhecimento.

Entender de que forma esse interruptor é ligado e desligado pode ajudar a desenvolver mecanismos para evitar o envelhecimento celular. E também pode trazer informações importantes para pesquisas na área de câncer. Isso porque a presença de grandes quantidades de telomerase está relacionada ao crescimento celular desregulado que caracteriza o câncer.

Levedura de pão

O estudo foi feito em uma levedura unicelular chamada Saccharomyces cerevisiae, usada para fazer vinho e pão. Os cientistas observaram o processo de divisão celular nessa levedura, para desvendar os mecanismos de funcionamento da telomerase.

O que descobriram foi que, enquanto a duplicação do genoma está em curso, a telomerase fica “desmontada” e inativa. Mas, assim que a duplicação termina, a enzima se “monta” de volta, tornando-se ativa e recompondo as extremidades dos cromossomos para garantir a divisão celular completa.

“Estudos anteriores sugeriam que, uma vez presente, a telomerase está disponível sempre que for necessário”, diz a pesquisadora Vicki Lundblad, uma das autoras do estudo. “Ficamos surpresos ao descobrir que, em vez disso, a telomerase tem o que é em essência um botão de ‘desligar’, pelo qual ela se desmonta.”

Caso a ciência aprenda a manipular esse interruptor que liga e desliga a enzima telomerase, pode ser possível tanto desenvolver tratamentos para as doenças do envelhecimento quanto desenvolver mecanismos de combate ao câncer

Homem se recupera após ter crânio reconstruído com impressora 3D

O chinês identificado apenas pelo sobrenome Hu, de 46 anos, se recupera bem da cirurgia em que teve o crânio reconstruído com a ajuda de uma impressora 3D.

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Hospital usou tela de titânio criada com impressora 3D para ajudar na reconstrução de crânio e dar aparência normal a Hu

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Homem ficou ferido depois que ele caiu do terceiro andar de um prédio

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O hospital usou uma tela de titânio criada com uma impressora 3D para ajudar na reconstrução da cabeça do paciente e dar uma aparência normal ao homem.

No acidente, Hu perdeu parte de seu crânio e ficou com a cabeça desfigurada.

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Hu, que ficou ferido depois que caiu do terceiro andar de um prédio, passou pela cirurgia em um hospital de Xi’an, na província de Shaanxi, na China.

Tecnologia transformar seu celular em personal trainer

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Encontrar motivação para praticar atividade física nunca foi tão fácil. A tecnologia ajuda você a agendar treinos, medir desempenho e se motivar a alcançar suas próprias metas.

É possível usar até mesmo aquele celular antigo que você tem na gaveta. Comece acrescentando à agenda os horários em que nada mais interessa a não ser praticar um exercício. Pelo menos 30 minutos por dia fazem toda a diferença para acabar com o sedentarismo e alcançar uma vida mais saudável. Além disso, praticamente todos os celulares possuem cronômetros. É uma opção simples para que você consiga acompanhar o próprio progresso, especialmente em resistência e duração dos treinos. Monte um circuito na sua rua, no parque ou na escola e registre os tempos para medir seu progresso.

[adrotate banner=”2″]Se o seu aparelho permitir, instale aplicativos que acompanham seu percurso com a ajuda do GPS. Além de aproveitar uma música para motivar você, é possível acompanhar informações sobre ritmo da corrida e o total de passos diários (especialistas indicam até 10 mil passos/dia). Quando terminar, terá informações valiosas como tempo, distância percorrida, velocidade média, locais por onde passou e calorias queimadas.

Esses “personal trainers” de bolso ainda podem ajudar a encontrar o ritmo certo para que você não gaste toda a sua energia no começo e desista logo na primeira esquina por causa do cansaço. Outro recurso interessante é que você conseguirá comparar seus resultados de hoje com os de ontem e manter a motivação em alta para fazer ainda melhor amanhã. Quer estimular seus amigos e ganhar companhia no seu percurso? Compartilhe seus resultados nas redes sociais.

Outros aplicativos servem para acompanhar suas refeições. Diariamente, você deve inserir os dados dos alimentos que consumiu e dos exercícios físicos que fez. Dessa maneira, você consegue saber com maior precisão quantas calorias foram consumidas no dia, controlar seu apetite e alcançar seu objetivo.

Roupa que monitora funções vitais de recém-nascidos

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Normalmente, eles têm poucos minutos por dia para estar ao lado da criança e vivem uma rotina desgastante, de grande preocupação com a saúde do recém-nascido.

Amenizar este sofrimento foi o objetivo de três italianos – um engenheiro, um médico e uma empresária do ramo têxtil – ao criar uma roupa com tecido especial capaz de monitorar dados cardíacos, respiratórios e de movimentos de bebês.

“Isso possibilita uma terapia fundamental: a do contato da pele da mãe com a do filho”, diz Rinaldo Zanini, diretor da maternidade e coordenador médico da unidade de terapia intensiva neonatal do hospital da Província de Lecco, no norte da Itália, em entrevista à BBC Brasil.

“Ainda temos controle e segurança, mas sem criar uma barreira entre os dois.”

Fios inteligentes

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Os dados captados pela roupa são analisados em tablets, computadores ou celulares

Na verdade, os cabos e sensores ainda estão lá, mas integrados ao tecido. É como se os recém-nascidos “vestissem” os eletrodos.

Feitos de prata, os fios inteligentes são bons condutores de eletricidade. “Isso garante boa qualidade do sinal para o monitoramento”, afirma pesquisador Giuseppe Andreoni, da Universidade Politécnica de Milão.

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Ao mesmo tempo, os fios têm uma textura semelhante à da malha de algodão e propriedades antibacterianas, evitando alergias no bebê.

No protótipo final, os fios inteligentes foram incorporados à costura das mangas. “Assim, temos certeza de que sempre estão em contato com a pele”, explica a empresária Alessia Moltani à BBC Brasil.

Um modem preso à roupa transmite por rede sem fio os dados captados por sensores. As informações podem ser, então, analisadas por computador, tablet ou celular.

Cura e cuidado

Assim, tenta-se conciliar a cura com o cuidado.

O uso do tecido inteligente diminui o impacto psicológico na mãe, que já está sensível pela gravidez encerrada antes da hora.

Também evita uma terapia incômoda, em que os eletrodos presos à pele do bebê devem ser trocados diariamente.

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Nos testes, os bebês eram duplamente monitorados, pelo método tradicional e pela roupa. “Cientificamente, chegamos aos mesmos resultados”, diz Zanini. “Mas o novo tratamento é menos estressante e favorece a descida do leite materno”, afirma Zanini.

Marina Padovan foi uma das mães que aceitou fazer parte da pesquisa. Ela chegou à maternidade para um parto prematuro com 32 semanas de gravidez. Seu filho nasceu com 1,340 quilos e ficou um mês e meio no hospital.

“Era difícil ver meu filho com todos aqueles tubos e fios. Pedia ajuda à enfermeira a cada amamentação”, diz ela, que, por isso, decidiu testar o protótipo da roupa inteligente. “Era melhor ter ele monitorado, mas no meu colo, sem precisar da ajuda de ninguém.”

‘Start-up’

Há dez anos, a ciência estuda diferentes aplicações desses tecidos eletrônicos. Seu uso em roupas de bebês é o mais novo passo deste tipo de tecnologia, que poderá ser usada também para monitorar idosos no futuro.

O projeto nasceu há cerca de quatro anos, como uma pequena empresa, ou “start up”, na Universidade de Milão. A Comftech hoje faz parte de um grupo seleto de oito empresas da União Europeia que integram o programa do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia, dedicado à saúde e prevenção de doenças.

Segundos dados oficiais, nascem cerca de 40 mil bebês prematuros a cada ano na Itália, o que representa cerca de 7% do total de partos. Nestes casos, a roupa oferece um tratamento mais humanizado.

No entanto, seu uso caseiro requer atenção. “Não é um instrumento genérico para dar uma falsa sensação de segurança aos pais”, alerta Zanini. “A roupa revela situações de crise e perigo, mas é necessário também ensinar a eles a como reagir numa emergência assim.”

Mapeamento genético de óvulos fertilizados pode duplicar as chances de sucesso em fertilizações in vitro.

foto-imagem-fertilização-in-vitroOs testes foram conduzidos por pesquisadores das universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e Pequim, na China. Os resultados foram publicados nesta semana na revista científica Cell.

A fertilização in vitro é uma técnica usada para ajudar casais que estão com problemas para ter filhos. O óvulo da mulher e o esperma do homem são fertilizados em laboratório, e posteriormente implantados no útero feminino.

O desafio é identificar quais óvulos fertilizados são os mais saudáveis, com maiores chances de levar a uma gravidez bem-sucedida.

Mapeamento genético
Em geral, os cientistas costumam tirar células do embrião – quando ele já está se desenvolvendo – e analisá-las. Mas muitas vezes estes exames não detectam problemas genéticos do embrião.

O novo método desenvolvido pelos cientistas nos Estados Unidos e na China analisa substâncias conhecidas como “glóbulos polares”, que são fragmentos de células dos embriões. A partir deles, os cientistas fazem um mapeamento genético completo.

A técnica é capaz de ajudar a detectar casos de problemas genéticos do embrião e riscos de aborto natural.

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“Teoricamente, se isso funcionar bem, nós conseguiremos dobrar o índice de sucesso da tecnologia de bebês de proveta – de 30% para 60%, ou até mais”, diz Jie Qiao, cientista da universidade de Pequim que trabalhou no estudo.

A pesquisa foi feita com análises de 70 óvulos fertilizados “in vitro”, todos de voluntárias no estudo.

O pesquisador Xiaoliang Sunney, da universidade de Harvard, disse à BBC que a técnica pode favorecer mulheres que já tiveram casos mal-sucedidos de gravidez e querem tentar novamente ter filhos.

No entanto, um cientista britânico – que não participou da pesquisa, mas analisou as suas conclusões – recomenda cautela sobre o assunto.

O especialista Yacoub Khalaf, do hospital Guy’s Hospital, de Londres, disse à BBC que mapeamentos deste tipo podem ser animadores na teoria, mas que na prática ainda é preciso observar resultados mais conclusivos.

Problemas de fertilidade afetam cerca de 15% de casais em todo o mundo, levando muitos a buscar soluções como fertilização in vitro.

Campos magnéticos pode ajudar alguns fumantes a abandonar o hábito

foto-imagem-aparelho-magnéticoOs pesquisadores dizem ter usado um estimulação magnética transcraniana (TMS, na sigla em inglês) para “desfazer” o vício em nicotina do cérebro do paciente.

As descobertas preliminares, apresentadas na conferência Neuroscience 2013, nos EUA, sugerem que a técnica pode ajudar fumantes a reduzir o consumo de cigarro ou mesmo abandoná-lo.

Mas novos testes são necessários antes que a técnica seja indicada para uso clínico.

Estímulo
A TMS estimula neurônios a alterar funções cerebrais e já é utilizada no tratamento de alguns pacientes que sofrem de depressão.

A equipe da Universidade Ben Gurion, em Israel, usou os campos magnéticos em duas áreas do cérebro associadas ao vício em nicotina: o córtex pré-frontal e a ínsula.

Os 115 fumantes que participaram do estudo foram divididos em três grupos — submetidos a TMS de alta frequência, a de baixa frequência ou a nenhum tratamento — durante 13 dias.

Após seis meses de estudo, o grupo que teve TMS de alta frequência consumiu menos cigarro e apresentou índices maiores de abandono do fumo.

As melhores taxas de sucesso no tratamento ocorreram quando os participantes viram fotos de cigarros acesos durante a terapia magnética. Desses, um terço largou o cigarro após seis meses.

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Resposta do cérebro
Os pesquisadores argumentam que a terapia pode alterar a resposta natural do cérebro a imagens, sensações e objetos associados ao fumo.

“A pesquisa mostra que podemos conseguir desfazer algumas das mudanças que o fumo crônico causa no cérebro”, explica Abraham Zangen, da Universidade Ben Gurion.

“Sabemos que muitos fumantes querem largar o cigarro ou fumar menos, e a técnica pode ajudar a conter a causa número um de doenças evitáveis.”

O médico Chris Chambers, especialista em TMS na Universidade de Cardiff (Grã-Bretanha), acha que o estudo contribui por “somar-se a crescentes evidências de que o estímulo cerebral, quando aplicado a partes específicas do lóbulo frontal, pode aumentar nossa capacidade de superar vícios”.

“(O estudo) é animador e tem uma gama de aplicações na psiquiatria”, agrega.

No entanto, ele ressalta que a pesquisa ainda não foi revisada por grupos médicos e que ainda é preciso “desenvolver um entendimento maior sobre o porquê e como esses métodos funcionam”.

Um outro estudo, divulgado na mesma conferência, sugere que o estímulo cerebral por meio de eletrodos pode ajudar também no combate ao vício de heroína.

O estudo foi feito com camundongos, que ingeriram a droga descontroladamente até se viciarem. Os animais que foram submetidos a estimulação cerebral profunda reduziram o consumo do entorpecente.

Barry Everitt, professor da Universidade de Cambridge, disse que os estudos podem trazer benefícios: “Intervenções sem o uso de medicamentos seriam um grande passo adiante no tratamento antidrogas, que atualmente depende de substituir uma droga pela outra e tem altas taxas de reincidência”.

Lentes de contato dão visão telescópica a usuário que podem fornecer uma visão telescópica para seus usuários.

foto-imagem-olho-humanoA combinação das lentes com os óculos consegue ampliar 2,8 vezes o tamanho de uma imagem visualizada pelo usuário.

Filtros polarizadores permitem à pessoa mudar de uma visão normal para telescópica ajustando o óculos.

Esse sistema de visão telescópica foi desenvolvido para ajudar pessoas que sofrem com a cegueira provocada pela idade, mas também pode ter aplicações militares.

A degeneração macular relacionada à idade é uma das formas mais comuns de cegueira. Ela danifica a mácula, a parte do olho que lida com o detalhamento da imagem. Quando a mácula se degenera, a pessoa sofre uma perda na capacidade de reconhecer rostos e de realizar algumas tarefas, tais como dirigir e ler.

Controle preciso
As lentes de contato criadas pelos pesquisadores têm uma região central que permite a entrada de luz para uma visão normal. O elemento telescópico fica em um anel em volta da região central. Pequenos espelhos de alumínio, montados segundo um padrão específico, atuam como um aplificador que lança a luz para o anel ao menos quatro vezes antes de direcioná-la para a retina.

Durante o uso normal, a imagem ampliada é bloqueada por filtros polarizadores, e por isso não é vista. O usuário pode ligar o aparelho alterando esses filtros, posicionados no óculos, de forma que apenas a imagem ampliada é lançada sobre a retina.

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Os pesquisadores Joseph Ford, da Universidade da Califórnia, e Eric Tremblay, da EPFL (Escola Politécnica Federal de Lausanne), na Suíça, construiram o sistema que filtra a luz adaptando óculos fabricados usados em televisores 3D.

Sua característica original era criar um efeito 3D ao bloquear de forma alternada as lentes esquerda e direita.

O protótipo produzido pela equipe tem oito milímetros de diâmetro, um milímetro de espessura na região central e 1,17 mm no anel ampliador.

“A parte mais difícil do projeto foi tornar as lentes ‘respiráveis’”, disse Tremblay à BBC. “Se você quiser usar as lentes por mais de 30 minutos é necessário que elas permitam que o olho respire”.

Segundo ele, a lente deve permitir a entrada de gases para que a córnea não fique sem oxigênio.

‘Encorajador’
A equipe de pesquisadores resolveu esse problema produzindo lentes com pequenos canais que permitem ao oxigênio fluir para o olho.

Porém, isso tornou o processo de fabricação das lentes muito mais difícil.

As versões das lentes permeáveis aos gases devem passar pelos primeiros testes clínicos em novembro, segundo ele. O objetivo é que portadores de deficiência visual consigam usar o equipamento o dia inteiro.

O projeto é uma evolução de tentativas anteriores de resolver o problema. Algumas delas envolviam implantes de lentes telescópicas e uso de óculos volumosos com estruturas de lentes de aumento.

Clara Eaglen, gerente de ações de saúde da organização RNIB, que auxilia pessoas com problemas de visão, afirmou que a pesquisa é interessante e elogiou o foco em degeneração macular.

“É encorajador que produtos inovadores como as lentes de contato telescópicas estejam sendo desenvolvidos, especialmente quando melhoram a visão que sobrou nos pacientes. Qualquer coisa que ajude a maximizar a visão funcional é muito importante, porque as pessoas com deficiência readquirem alguma independência e ficam menos isoladas”.

As lentes podem porém ser empregadas em outras áreas. Isso porque a pesquisa está sendo financiada pelo Darpa, o braço de pesquisas das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Analistas dizem que os militares buscam na iniciativa uma forma de criar uma “super visão” e não resolver o problema da degeneração macular.