• O poder medicinal da cannabis, a popular maconha, acaba de ganhar mais um respaldo dos especialistas, dessa vez da Universidade de Londres, na Inglaterra. Eles descobriram que os canabinoides, substâncias derivadas da planta, são capazes de combater um tipo de câncer que atinge células do sangue, a leucemia. Além disso, os experts apontaram que o recurso é mais eficaz quando usado depois da quimioterapia.

    Em células isoladas em laboratório, a equipe britânica testou a eficácia de medicamentos convencionais sozinhos e também associados aos canabinoides. Os resultados não deixaram dúvidas de que a segunda etapa foi mais bem sucedida. São dados animadores: ora, se os desfechos forem replicados em humanos, significa que serão necessárias menos doses de químio. Esta terapia, cabe lembrar, é conhecida por causar efeitos colaterais bem desagradáveis.

    É preciso frisar que falamos aqui de um extrato altamente concentrado e purificado, que já vem sendo explorado pela medicina há bastante tempo. “(…) Não é o mesmo que fumar maconha”, explicou o oncologista Wai Liu, líder da investigação, em um comunicado. “Os canabinoides configuram uma perspectiva empolgante na oncologia, e estudos como o nosso servem para estabelecer as melhores maneiras de serem usados para maximizar o efeito terapêutico “, completou.

    Diversos grupos de pesquisadores ao redor do mundo estão examinando a aplicabilidade dessas substâncias para o câncer e também para outros problemas, como depressão e dor crônica. Para o time de Liu, o próximo passo é verificar se as repercussões desse estudo serão as mesmas quando testadas em pacientes oncológicos.

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  • Marque no relógio: no tempo que você levará para ler esta reportagem, pelo menos dois brasileiros sucumbirão ao infarto, a causa de morte número 1 em nosso país e em boa parte do mundo. Esse cenário catastrófico é motivado pelo descontrole de fatores que patrocinam o entupimento das coronárias, as artérias que irrigam o coração, como o excesso de peso, o tabagismo, a pressão alta e altas taxas de colesterol e glicemia. Porém, chama a atenção a persistente lentidão com que as pessoas em geral (e, em certa medida, até profissionais de saúde) suspeitam dos sintomas de algo crítico no peito.

    Essa grave falha foi escancarada por uma pesquisa do Imperial College London, na Inglaterra, recém-publicada no jornal científico The Lancet. Os autores reuniram dados sobre todos os 135 mil óbitos por ataque cardíaco que ocorreram na Inglaterra entre 2006 e 2010. Eles descobriram que, em 16% dos casos, os indivíduos haviam visitado o hospital durante o mês anterior com dores, desmaios ou falta de ar.

    Mesmo assim, esses pontos de alerta não foram suficientes para levantar a possibilidade de um evento sério no coração. “O estudo destaca a importância de ficar atento aos sinais sugestivos do problema, uma vez que uma em cada seis pessoas passaram por consulta e não tiveram um diagnóstico correto”, analisa o médico Marcus Bolívar Malachias, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

    É óbvio que as pontadas agudas no peito são a face mais conhecida e comum do infarto. Mas nem sempre essa sensação dá as caras. Aliás, um músculo cardíaco em parafuso se entrega por outras vias também. “Entre elas, podemos citar dificuldades para respirar, palidez, suor frio, náuseas, vômitos, tontura, confusão mental, perda de consciência e dores difusas nas costas, nos braços e na mandíbula”, lista o médico Agnaldo Píspico, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

    O estabelecimento deles está relacionado à conexão entre diferentes estruturas do sistema nervoso que transmitem o estímulo doloroso e a região atingida. Se a obstrução aconteceu na porção inferior do coração, por exemplo, é natural experimentar desconfortos como regurgitação e azia.

    E olha que os sintomas menos famosos são corriqueiros em alguns grupos específicos, a começar pelas mulheres. Um levantamento do Centro Médico Regional de Lakeland, nos Estados Unidos, concluiu que 42% das infartadas não sentiram uma dorzinha sequer no tórax. “Elas também demoram em média uma hora a mais para ir ao pronto-socorro em comparação com os homens”, observa o cardiologista Otavio Gebara, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. Para piorar, o aumento do estresse e das incumbências com trabalho, casa e família elevou as estatísticas das doenças cardiovasculares entre o público feminino nas últimas décadas.

    Diabéticos e idosos são outros perfis de gente que tem o colapso cardíaco sem manifestar sintomas clássicos. “O diabete danifica os nervos e altera a sensibilidade à dor”, explica o cardiologista José Armando Mangione, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. A doença ainda modifica a configuração interna dos vasos sanguíneos e possibilita o surgimento de coágulos que bloqueiam a passagem do líquido vermelho.

    Nos mais velhos, o avançar das décadas deixa o coração franzino. “Muitas vezes, só vemos que um paciente de 70 ou 80 anos infartou após alguns meses, no resultado de exames de rotina”, conta o cardiologista Leopoldo Piegas, do Hospital do Coração, na capital paulista.

    Quando, então, suspeitar que sinais tão simples significam um infarto sem virar hipocondríaco? A regra essencial é ficar com a pulga atrás da orelha caso os incômodos sejam intensos e surjam do nada. Quem possui histórico familiar de enfermidades cardíacas, fuma, está acima do peso, hipertenso ou com o colesterol alto também deve ficar ligado. “É necessário socorrer na primeira hora, pois esse é o momento em que ocorre a maioria das mortes”, frisa o cardiologista Francisco Lourenço Junior, do Hospital Quinta D¿Or, no Rio de Janeiro. Não tem jeito: para o relógio trabalhar a nosso favor, rapidez é primordial. Só assim evitamos que o coração afunde em águas nada tranquilas.

    Desconfiar sempre

    Grupos em que as manifestações das emergências cardíacas não são tão clássicas

    Mulheres

    A dor pode não ser tão forte nelas e vem acompanhada de palpitações. Episódios com impacto emocional são o gatilho de muitos piripaques cardíacos nesse público.

    Idosos

    Com um coração pouco vigoroso, saem de cena as pontadas do infarto. No lugar delas, pintam sintomas como confusão mental, tontura e falta de ar.

    Diabéticos

    Açúcar demais lesa os nervos responsáveis pelas sensações dolorosas, o que mascara o aperto nos vasos do coração. Náuseas e suor frio acendem o sinal de alerta nessa turma.

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    Os médicos sempre falam de um futuro onde o câncer será tratado de acordo com características moleculares, e não por causa do local em que surgiu. Eis que, na semana passada, uma notícia tornou esse futuro uma realidade, o que abre as portas para uma Oncologia ainda mais personalizada e efetiva.

    A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora americana, aprovou pela primeira vez na história um medicamento com base em alterações biológicas do tumor. Isso significa que, desde que a doença apresente essa particularidade — já falaremos dela —, pode receber a droga, independentemente se está na mama, no intestino, no pâncreas, na pele…

    “Todas as indicações anteriores se baseavam no órgão afetado. A revolução está no fato de que um aspecto molecular do câncer, descoberto com exames relativamente simples, foi priorizado”, contextualiza o médico Jacques Tabacof, coordenador geral da Oncologia Clínica e da Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

    Na prática, a medicação — chamada de pembrolizumabe, da farmacêutica MSD — poderá ser empregada em quaisquer tipos de tumor avançado que não respondam aos tratamentos convencionais. Isso, claro, desde que a doença possua a tal alteração, presente em 5% de todos pacientes. Ainda é pouca gente, mas a perspectiva de termos mais armas que atuam em várias frentes é certamente positiva aos pacientes, principalmente entre os que, hoje, têm um arsenal exíguo à disposição.

    Outra coisa: o Brasil ainda não aprovou o pembrolizumabe para esse fim. Por aqui, ele só é empregado contra o melanoma, uma versão especialmente agressiva de câncer de pele. Nos Estados Unidos, mesmo antes dessa novidade, o princípio ativo já vinha sendo usado contra linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

    Por dentro do câncer… e da aprovação

    A tal característica molecular que define o uso ou não do remédio se chama instabilidade de microssatélite. Não fique com medo do nome complicado: “Trata-se de uma alteração na célula que dificulta reparos no nosso DNA”, explica Tabacof, que também atua no Centro Paulista de Oncologia (CPO). Com isso, uma mutação perigosa que normalmente seria consertada segue incólume e pode originar um câncer.

    Acontece que essa particularidade torna a moléstia, digamos, mais vulnerável à ação do pembrolizumabe, um medicamento pertencente ao grupo da imunoterapia. O remédio, na verdade, estimula as células de defesa do próprio organismo a identificarem o câncer e o atacarem.

    “Embora tenha chamado a atenção ultimamente, a droga não é a única a seguir esse princípio. É possível que, no futuro próximo, outras farmacêuticas busquem aprovações similares com seus imunoterápicos”, raciocina Tabacof. Seguindo essa lógica, talvez nos próximos anos mais fármacos sejam liberados para atuar em diversos tipos de câncer. Entendeu quão relevante é a decisão da FDA?!

    Segundo estudos que garantiram a aprovação, quase 40% dos voluntários envolvidos observaram uma melhora objetiva ao tomar pembrolizumabe — isso mesmo após outros tratamentos terem fracassado. Do pessoal que apresentou uma evolução no quadro, 78% mantiveram os benefícios por seis meses ou mais.

    Ainda assim, é importante dizer que a liberação da agência americana foi tomada com base em pesquisas preliminares. Em outras palavras, os resultados foram considerados promissores ao ponto de sustentarem a comercialização do pembrolizumabe para esse fim — mesmo sem levantamentos maiores e mais abrangentes. Novos trabalhos irão delinear com maior clareza o potencial real do princípio ativo da MSD.

    De qualquer maneira, a aprovação de uma medicação que prioriza mutações no câncer em vez do órgão afetado já balançou os alicerces da Oncologia. Resta quantificar qual a real magnitude dessa quebra de paradigma para os pacientes.

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    Em menos de um ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve disponibilizar um medicamento antirretroviral para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV entre pessoas em situação de risco. O método, batizado de profilaxia pré-exposição (PrEP), tem alta eficácia e chega a proteger em 90% dos casos, desde que utilizada corretamente.

    Para esse fim, o remédio — chamado Truvada — exige uso contínuo, o que significa que o indivíduo precisa ingerir os comprimidos diariamente. Eles começam a surtir efeito a partir do sétimo dia para relações anais, e a partir do 20º para o sexo vaginal. Vale ressaltar que essa terapia só é eficiente se administrada antes da exposição ao vírus. Para as pessoas com aids, o tratamento é completamente diferente.

    A PrEP já é sugerida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2012, e está disponível em países como Estados Unidos, Peru, Bélgica e França. Segundo a entidade, a estratégia deveria ser empregada em casais formados por uma pessoa portadora do HIV e a outra não; homens que fazem sexo com outros homens; profissionais do sexo; travestis e transexuais.

    Agora, fazer parte desses grupos não garante acesso imediato à profilaxia. É necessária uma análise para avaliar vulnerabilidade, comportamentos de risco e outras questões do paciente: “Uma série de critérios é levada em conta antes da indicação da PrEP, como o número de parceiros sexuais, os outros métodos de prevenção utilizados, o compromisso com a adesão ao medicamento”, explica Adele Benzaken, diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

    Outra coisa importante: o uso da camisinha continua valioso, já que, mesmo com a alta taxa de êxito da PrEP, outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), a exemplo de sífilis e gonorreia, podem se alastrar sem uma barreira física.

    No Brasil, 40 mil novos casos de aids surgem por ano. Atualmente, 827 mil pessoas convivem com a doença no país. Do total, 260 mil não estão em tratamento, mesmo sabendo que são portadoras. Estima-se que outras 112 mil carregam o vírus sem ter conhecimento.

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    Concebido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, esse programa usa inteligência artificial para identificar quais lesões cutâneas merecem mais atenção dos médicos. O funcionamento é simples: com uma foto, o software consegue detectar se uma mancha ou pinta deve ou não ser investigada.

    Por trás da aparente simplicidade está um time de cientistas que teve de criar um banco de imagens com mais ou menos 130 mil imagens de doenças de pele. Depois disso, mais um desafio: ensinar um sistema criado para diferenciar cachorros e gatos a detectar câncer de pele.

    Sim, o software foi originalmente criado pelo Google para distinguir os rostos de cachorros e gatos — mas essa nova função parece ser bem mais útil. “Em vez de escrever em códigos de computador exatamente o que procurar, nós deixamos que o algoritmo ache sozinho”, explica Andre Esteva, um dos autores da pesquisa, em comunicado.

    Na fase de testes, 21 dermatologistas analisaram 370 fotografias de lesões cancerosas ou não. Eles teriam que dizer quais alterações deveriam seguir para biópsia. Para surpresa dos cientistas, as performances dos médicos e da máquina foram bastante parecidas.

    “O objetivo não é substituir os médicos e nem o diagnóstico. O que estamos replicando é uma espécie das duas primeiras projeções iniciais que um dermatologista pode realizar”, disse Esteva ao jornal The Guardian.

    A máquina, claro, ainda precisa ser aperfeiçoada e testada em outras investigações. No futuro, a meta da equipe é criar um aplicativo para celular com essa inteligência artificial. “Todos vão ter um super computador no bolso, com vários sensores, incluindo câmeras. E se nós pudermos usar isso para detectar o câncer de pele?”, comentou Esteva.

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    Digamos que, por ironia do organismo, o coração de quem tem muito açúcar correndo pelas veias não leva uma vida tão doce. É que o diabete, e o panteão de alterações que faz companhia à alta da glicose, semeia a discórdia nas artérias, elevando o risco de infarto e outras mazelas cardíacas. Não é por menos que a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) dá início à sua nova campanha nacional “Diabetes sem Complicações” focando o combate à doença cardiovascular. “Queremos conscientizar essa população de que, além de ajustar a glicemia, ela precisa aderir a um pacote de medidas visando ao controle do peso, da pressão, do colesterol…”, justifica o endocrinologista Luiz Turatti, presidente da SBD.

    É um alerta que deveria ser ouvido por muita gente. Estima-se que 10% dos brasileiros (mais de 20 milhões) tenham diabete e 90% dessa fatia conviva com o tipo 2 do problema — como ele pega carona na obesidade, as projeções indicam um crescimento nos números. “O diabete é marcado por um processo inflamatório, que favorece a formação e a instabilidade das placas que entopem os vasos”, ensina o cardiologista Ricardo Pavanello, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Na verdade, dá pra encher um tratado com tantos fenômenos indesejáveis que ligam o tipo 2 da encrenca ao sofrimento do coração.

    “A resistência à insulina, que impede o uso adequado da glicose pelas células, atrapalha a dilatação das artérias, elevando a pressão”, cita uma das peças do quebra-cabeça o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Pavanello elenca outra: “O corpo do diabético tem uma maior tendência à formação de trombos”. Em conjunto, essas pecinhas levam a um mesmo desenho — uma artéria que irriga o músculo cardíaco é bloqueada e, sem suprimento de sangue, o coração sofre um infarto. “Devemos lembrar ainda que, muitas vezes, o diabético também tem gordura no fígado e na barriga, apneia do sono, alterações de colesterol… É uma rede de fatores intrincada”, ressalta Couri. E que pode culminar em um golpe ao peito.

    O diabete é inimigo notável do sistema de encanamento que distribui o sangue pelo organismo. Maltrata tanto artérias maiores, como as coronárias que abastecem o coração, como vasinhos no fundo do olho. “Dá pra supor que o paciente é diabético só de ver exames como o cateterismo dele”, conta Pavanello. Isso porque suas artérias se encontram mais tortuosas e apresentam lesões em vários pontos. “Por essa razão, cirurgias de ponte de safena são mais efetivas do que stents [minibalões instalados para desobstruir os vasos] nessa população”, revela Couri.

    Ocorre que o drama cardíaco não termina apenas em infartos. Anos de diabete fora de controle sobrecarregam o órgão, que não consegue mais relaxar a contento. Aí ele endurece literalmente e entra em estado de insuficiência. O quadro, conhecido como cardiopatia diabética, tem alta letalidade e cobra acompanhamento de perto. Mas saiba que o coração não precisa bater na corda bamba ou sob o temor de um ataque. Há um plano de ação para poupá-lo do perigo — e a ciência vem se aperfeiçoando nessa missão.

    Pela salvação do peito

    Não é fácil rever e mudar o estilo de vida. Tenha em mente, porém, que, em se tratando de diabete, os ajustes na rotina — alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, respeito ao sono, entre outros — não se revertem apenas em um melhor domínio sobre os níveis de glicose. Eles ajudam a remediar outros fatores de risco cardiovascular que andam de mãos dadas com o mal do sangue doce, caso do excesso de peso. A sintonia com as orientações médicas e o esforço para aderir a comportamentos saudáveis compensam. O coração sabe disso.

    Nessas horas, também é comum (e necessário) que os profissionais peçam socorro a medicamentos. “O desafio da prevenção da doença cardiovascular entre os diabéticos é que não basta domar a glicemia. Temos de controlar a pressão, o colesterol e a formação de coágulos, o que pode exigir remédios diários para atuar nessas condições”, explica o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Não é uma delícia engolir uma porção de comprimidos por dia, mas a tática amplia a expectativa e a qualidade de vida do cidadão. Tanto é que, segundo Couri, a Associação Americana de Diabetes já recomenda o uso de estatina (droga que baixa o colesterol) a todo diabético acima dos 40 anos, mesmo (acredite!) que ele não tenha taxas elevadas de colesterol ruim no sangue. Tudo, argumenta-se, em nome da prevenção.

    O conceito de agregar fármacos, aliás, passa pelo tratamento do diabete em si. “Como estamos falando de um problema de origem multifatorial, precisamos agir em diversas frentes. Hoje é corriqueiro pacientes saírem do consultório com dois ou três tipos de medicamentos prescritos”, relata Couri. Nessa linha, despontou há pouco o primeiro remédio criado para frear a glicemia a demonstrar efeito direto na redução do risco cardiovascular. Trata-se da empagliflozina, desenvolvida pela Aliança Boehringer Ingelheim-Eli Lilly, princípio ativo que aumenta a eliminação de açúcar pela urina.

    Em estudo com mais de 7 mil diabéticos do tipo 2 e alta probabilidade de infartar — brasileiros no meio —, a adição do comprimido ao programa terapêutico (que envolvia outras medicações) chegou a resultados expressivos. “Observou-se uma redução de 38% nas mortes por doença cardiovascular e uma diminuição de 35% no índice de hospitalização por falhas cardíacas”, conta o endocrinologista Andres Palacios, da Universidad Pontificia Bolivariana, em Medellín, na Colômbia. Foi registrado um único efeito adverso: leve aumento nos casos de infecção urinária ou genital. “Não se propõe substituir um remédio por outro, mas adicionar para melhorar a resposta e minimizar o risco do paciente”, argumenta Palacios. Somar, e não se esqueça de botar bons hábitos nessa conta, é o verbo que está ditando a proteção ao coração do diabético.

    415 milhões de pessoas têm diabete no mundo hoje — número que deve saltar pra 642 milhões em 2040
    50% das mortes entre os diabéticos do tipo 2 vêm de problemas cardiovasculares
    12 anos é quanto encurta a expectativa de vida de alguém com diabete e alto risco cardiovascular
    1/3 dos diabéticos desconhece que os problemas do coração são a principal causa de morte entre eles
    10% dos brasileiros têm diabete. E atenção: nesse grupo, o infarto costuma ser mais silencioso
    50% dos diabéticos do tipo 2 não alcançam a meta de controle da glicemia

    Sobrou para o coração
    Por que o diabete complica tanto a vida do sistema cardiovascular

    Inflamou geral
    A glicose dando sopa no sangue e a resistência à insulina propiciam um estado de inflamação, que favorece o surgimento de placas nas artérias.

    Gorduras mil
    Boa parte dos diabéticos tem muita gordura na barriga e no fígado, fator associado a triglicérides e moléculas inflamatórias à solta pelos vasos.

    Sob pressão
    Entre outras funções, a insulina relaxa as artérias. Quando ela não atua direito, há um déficit nessa dilatação, o que eleva a pressão dentro dos vasos.

    Sangue viscoso
    Trombos capazes de entupir artérias se formam mais facilmente na circulação dos diabéticos. Isso porque há uma maior agregação de plaquetas.

    Saída lá por baixo

    Como atua o primeiro remédio para diabéticos capaz de baixar o risco cardíaco

    1.Todo mundo tem uma proteína nos rins, a SGLT2, que capta parte da glicose e do sódio que estava no sangue e a devolve à circulação, impedindo sua eliminação do corpo.

    2.O medicamento empagliflozina inibe a tal da SGLT2, estimulando a saída de açúcar e sódio pela urina. Ele ajuda a domar a glicemia e traria ganhos ao controle do peso e da pressão.

    A medicação, de uso oral, faz eliminar quase 80 gramas de glicose do sangue por dia, o que equivale a 300 calorias — ou quase duas latas de refri normal.

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  • foto-imagem-bebe

    Quando Sierra Yoder estava grávida de cinco meses, os médicos da pequena cidade onde ela vivia no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, disseram que seu filho tinha uma doença muito rara, conhecida como encefalocele.

    Isso significa que o cérebro do bebê estava crescendo fora do crânio.

    “Eles nos disseram que nosso filho não sobreviveria. Não nos deram nenhuma esperança”, explicou Yoder.

    Diante dos prognósticos ruins dados pelos médicos, ela e seu marido, Dustin Yoder, decidiram que interromperiam a gravidez.

    Eles já estavam dispostos a iniciar o procedimento do aborto, mas, de última hora, mudaram de ideia e seguiram em frente.

    E, apesar de todas as previsões negativas, Bentley nasceu com saúde e sobreviveu.

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    Preparados para o pior

    Sierra teve uma gestação normal, e o bebê veio ao mundo em 31 de outubro de 2015, um dia depois do previsto.

    “Quando Bentley nasceu, esperávamos que ele não fosse chorar, que não fosse se mexer, pensávamos que não saberíamos nem identificar quando ele estivesse com fome”, disse Dustin.

    No entanto, o bebê chegou como todos os outros: chorando. “Nós nos olhamos e pensamos: eles nos disseram que ele nem sequer iria respirar”, contou Sierra.

    Apesar da surpresa, o processo não foi fácil. Apesar da alegria pelo nascimento do filho, a mãe tinha se preparado para perdê-lo – diante das previsões negativas, ela procurou saber, por exemplo, informações sobre os procedimentos para funerais.

    Mas o bebê se desenvolveu bem e recebeu alta.

    “Nós não conseguíamos entender como Bentley estava usando seu cérebro. Pensamos que ele talvez ele estivesse usando uma parte que ficava dentro do crânio”, disse Sierra.

    Esperançosos, eles decidiram pedir uma segunda opinião em uma clínica em Cleveland e contataram especialistas do Hospital Infantil de Boston. Foram os médicos de lá que disseram ao casal que era possível fazer uma cirurgia em Bentley.

    Os neurocirurgiões John Meara e Mark Proctor operaram o bebê em 24 de maio passado. E o procedimento foi um sucesso.

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    Um caso raro

    Quando a equipe do hospital conheceu os pais do bebê, dois meses antes da operação, ficou surpresa com o fato de que Bentley tinha sobrevivido e felizes diante da possibilidade de dar a ele melhores condições de vida, contou Proctor à BBC.

    “Fizemos várias operações desse tipo durante o ano e por isso os pais vieram até nós. Não é algo que nunca havíamos visto”, explicou.

    “A encefalocele é uma doença rara que afeta um bebê em milhões. Mas o caso de Bentley era ainda mais particular porque ele tinha uma grande parte de seu cérebro ativa.”

    Por causa disso, havia razões para acreditar que o cérebro poderia funcionar normalmente, segundo o médico.

    De acordo com os especialistas, não há como saber exatamente a porcentagem que estava ativa – eles estimam, porém, que provavelmente chegava perto dos 90%.

    “Cada caso é um caso, mas o de Bentley era um dos mais complexos”, disse o neurocirurgião.

    Mas e agora, o que esperar do desenvolvimento do bebê?

    “É uma pergunta difícil de responder. Ele provavelmente vai demorar um pouco mais para desenvolver a fala, mas esperamos que possa ter uma vida normal. Ainda é complicado saber como ele vai evoluir”, afirmou o médico.

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    A transmissão do vírus da zika pelo mosquito Aedes aegypti acontece em 57 países e territórios, revelou o boletim epidemiológico da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado nesta quinta-feira (5). Em nove países foi observada a transmissão entre pessoas – provavelmente por via sexual.

    Segundo o documento, em 44 dos territórios foi a primeira vez que foi registrado o surto do vírus. No restante, a transmissão já acontecia desde 2007.

    Em oito países foram registrados casos de microcefalia potencialmente causados pela zika. Em dois casos, reportados na Eslovênia e nos Estados Unidos, a contaminação aconteceu no Brasil. Em outro, também nos Estados Unidos, está relacionado a breve estada no México, Guatemala e Belize.

    Em 13 países foram observados casos da síndrome de Guillain-Barré. Desses, em pelo menos oito houve a confirmação de infecção por zika.

    De acordo com o comunicado, a OMS não vê um declínio geral no surto. Com base nas evidências, o vírus da zika continua a se espalhar geograficamente a áreas onde os vetores competentes estão presentes. Embora ao número de infeção tenha caído em alguns países, a vigilância deve permanecer alta.

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    A Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou na sexta-feira (15) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da lei que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer.” A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

    Para o coordenador jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, há uma “desconhecimento amplo acerca da eficácia e dos efeitos colaterais da substância”. Já o presidente da AMB, Florentino Cardoso, diz que todas as orientações e alertas científicos das comunidades médicas foram ignorados.

    Na ADI de número 5501, a AMB diz que a liberação da substância sem que sua efetividade tenha sido clinicamente comprovada é incompatível com a Constituição, pois não garante aos brasileiros os direitos à saúde, à segurança e à vida, além do princípio da dignidade da pessoa humana.

    A associação argumenta ainda que a não realização de testes clínicos da fosfoetanolamina em seres humanos fere a Lei 6.360/76, que prevê três fases de análises antes da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Além de não autorizar a comercialização da sustância, a Anvisa informou não ter como garantir se ela pode ou não trazer riscos à saúde de quem a ingerir. “Com o produto estando fora do ambiente regulatório, não há como a Anvisa fiscalizar o processo de fabricação e distribuição, o que também resulta em riscos sanitários para a população. Afinal, sem os estudos clínicos necessários, não há como assegurar que a fosfoetanolamina é segura e eficaz”, disse o órgão.

    Uso da substância

    O SUS não vai fornecer a fosfoetanolamina. Segundo Ministério da Saúde, quem quiser fazer uso da substância terá de pagar por ela.

    A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolaimina para que o paciente possa usá-la. No entanto, o Ministério da Saúde divulgou nota em que afirma que “está sendo sugerida a prescrição médica em talonário numerado que permita o rastreamento do paciente (com justificativa para o uso)”.

    Sendo o produto de efeito desconhecido, é possível que médicos não queiram prescrevê-lo. O oncologista Helano Freitas, coordenador de pesquisa clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção para o fato de que a lei exige apenas um laudo médico que comprove o diagnóstico.

    “Dessa maneira, estão transferindo toda a responsabilidade para o paciente de julgar se algo é bom ou não para ele”, disse. Isso pode levar a uma situação em que o paciente escolha seguir o tratamento com a fosfoetanolamina sem o devido acompanhamento de seu médico.

    “Respeitamos o livre arbítrio, mas precisamos informar adequadamente os pacientes para que eles não incorram em decisões precipitadas acreditando em informações que ainda não têm comprovação”, afirma o oncologista.

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    O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 23, o projeto de lei n° 3/2016, que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética. Pra quem não se lembra, esse composto foi chamado de cura contra o câncer por parte de seus criadores e usuários. Se a proposta for aprovada pela presidenta Dilma, a pílula anticâncer poderá ser produzida, importada e prescrita independentemente de registro sanitário. Isso significa que as cápsulas serão usadas no tratamento mesmo antes de os estudos serem concluídos e de estarem devidamente registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
    Por outro lado, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas não tomem a substância até que todos os testes sejam concluídos.
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    Resultados iniciais

    Na mesma semana em que a substância foi aprovada no Senado, saíram também as primeiras conclusões das pesquisas científicas, que já estão em curso. Relatórios iniciais divulgados pelo Ministério da Ciência apontam que as cápsulas de fosfoetanolamina sintética têm potencial limitado. Trocando em miúdos, as cinco primeiras pesquisas realizadas com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que avaliaram a efetividade da substância com células em laboratórios, trouxeram resultados nada positivos. Em entrevista ao UOL, a pesquisadora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Alicia Kowaltowski, disse que foram testados dois tipos de células tumorais e três métodos diferentes. Aí, comprovou-se que o composto não tem efeito, nem mesmo em concentrações milhares de vezes maiores do que as usadas clinicamente.

    Ainda que as previsões dos primeiros estudos sejam pessimistas, pacientes com câncer e seus familiares promovem campanhas para a liberação da substância. Na rede social Facebook, grupos que somam mais de 10 mil usuários organizam protestos e trocam informações com os melhores atalhos para se conseguir a “pílula do câncer”. Na página virtual, muitos advogados fazem propaganda com os sucessos obtidos na Justiça para conseguir a medicação. Até o final de 2015, foram movidos 13 mil processos exigindo o fornecimento da substância por parte da USP, onde a molécula vinha sendo produzida pelo químico Gilberto Chierice, principal nome por trás da fosfoetanolamina.

    Motivos para ter cautela

    Os depoimentos positivos quase sempre se sobrepõem aos negativos. Várias pessoas que engolem uma pílula contra o câncer e não melhoram caem no silêncio ou, infelizmente, morrem antes de dar declarações.
    Sempre há um viés por parte de quem coleta e seleciona os testemunhos. Ora, um sujeito que deseja provar o potencial de um comprimido pode destacar os finais felizes.
    Sem um seguimento pormenorizado, é impossível medir a evolução do quadro (será que o tumor regrediu ou só alguns sintomas foram aliviados provisoriamente?).
    Não dá pra saber se uma eventual recuperação veio da promessa testada, de um tratamento anterior ou de qualquer intervenção adotada, às vezes inconscientemente.
    Acompanhe as pesquisas

    Os estudos para mapear a composição da fosfoetanolamina vêm sendo conduzidos pelo Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASSBio/UFRJ), em parceria com o Laboratório de Química Orgânica Sintética do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (LQOS/UNICAMP). Já os estudos pré-clínicos — ou seja, sem voluntários humanos — estão sendo conduzidos pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC) e pelo Centro de Inovação de Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP). Os relatórios emitidos por essas instituições estão disponíveis aqui.

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