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    Com uma festa engatada na outra, é bem provável que você tenha exagerado nas comilanças no final do ano – e um pouco depois. Está achando impossível aproveitar o resto do verão com um corpo sequinho?

    Maçã
    Fonte de quercetina, um potente anti-inflamatório natural, vai dar ânimo e desinchar você.

    Chá-verde
    Tem catequinas diuréticas. Facilita a saída de elementos tóxicos do corpo, pelo suor e pela urina. Tome até o anoitecer para não atrapalhar o sono.

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    Frutas vermelhas
    Pouco calóricas, têm flavonoides, antioxidantes que turbinam o processo de detoxificação.

    Couve

    Rica em clorofila, que limpa o fígado, metabolizador de tudo (incluindo drinques) que entra no corpo. Inclua em sucos, em jejum, para agir melhor.

    Limão, laranja e grapefruit
    Com poderosa ação solvente de lipídeos, ajudam a eliminar as danadas das gordurinhas localizadas.

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  • Acontece que esse gasto calórico vindo da quebra dos nutrientes — e conhecido como termogênese alimentar — não entra na equação das dietas de hoje em dia, principalmente por ter sido revelado e consolidado pela ciência somente nos últimos anos. “Percebemos que era o momento de alterar o nosso método para adaptá-lo aos conhecimentos científicos atuais”, afirma Marcelly Ferrari, editora de conteúdo do Vigilantes do Peso, no Rio de Janeiro.

    Por isso, no dia 2 de janeiro de 2012, chega ao Brasil o ProPontos, o novo sistema dessa organização. “A ideia é justamente contemplar as novidades das pesquisas sem complicar demais a vida das pessoas, inclusive a de quem passa mais tempo fora do que dentro de casa”, reforça Sônia Almeida, nutricionista-chefe do Vigilantes.

    Que fique claro: o sistema de pontos não será renegado. Ou seja, cada participante vai continuar recebendo uma cota a ser gasta diariamente e uma extra para ser torrada durante a semana naqueles momentos especiais. O que de fato muda é a forma como os pontos são atribuídos aos alimentos em geral. Isso porque, se antes eles eram mais baseados nas calorias, agora o foco está na presença e na concentração dos chamados macronutrientes: o carboidrato, a gordura e a proteína.

    Saciedade é uma palavra-chave dentro da nutrição moderna. E o Vigilantes do Peso conseguiu incluí-la no seu dicionário com aquela decisão de criar uma fórmula baseada nos macronutrientes. “As proteínas, por exemplo, dão mais trabalho para serem digeridas do que as gorduras. E isso faz com que elas tragam uma maior sensação de estômago cheio”, analisa Celso Cukier, nutrólogo do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo. Logo, um prato repleto de fontes proteicas culmina em menos pontos riscados da cota diária do que outro extremamente gorduroso.

    Aliás, as fibras ganharam importância na matemática dos pontos por aplacarem a fome. “Elas diminuem o ritmo de absorção da glicose, e essa desaceleração é outro fator que contribui para a saciedade”, ensina a nutricionista carioca Mariana Froes.

    Frutas à vontade!

    Uma das metas do Vigilantes do Peso foi buscar um plano que pudesse ser seguido pela vida toda. Ou, dito de outra maneira, que proporcionasse, além da diminuição da barriga, uma alimentação equilibrada. “Foi observado que os obesos geralmente têm deficiências nutricionais e hábitos alimentares muito errados”, diz Sônia Almeida.

    Para estimular a incorporação de um cardápio saudável, a esmagadora maioria das frutas — a única exceção é o abacate — e boa parte dos legumes não implicam em mais nenhum ponto. Só um detalhe: a regra vale quando esses vegetais são consumidos em sua versão natural. Um suco de laranja ou mesmo a polpa do açaí terão que ser contabilizados como uma porção de alimento qualquer.

    Esse princípio, entretanto, demanda certo cuidado. “O incentivo é realmente interessante. Mas deve haver controle, porque há uma pequena probabilidade de o participante, especialmente se ele sofrer com alguma compulsão, ingerir frutas em demasia”, ressalta Mariana Froes. E esse excesso pode, sim, terminar em barriga inflada. Apenas para pensar em uma hipótese, cada unidade de banana-da-terra dispõe de 122 calorias. E comer pencas dela diariamente sem dúvida comprometeria a queda do ponteiro da balança.

    O meio encontrado para evitar problemas dessa ordem foi criar livros e cartilhas que expliquem detalhes sobre uma alimentação balanceada (veja outros materiais de apoio do ProPontos à direita). E também disponibilizar orientadores nas reuniões para reforçar as atitudes corretas. A polêmica, aí, recai sobre o fato de essas pessoas não serem nutricionistas. “Todas elas recebem treinamento e, por terem participado do Vigilantes do Peso, sabem como ninguém as ânsias de alguém que está entrando agora no programa”, defende Marcelly Ferrari. “Porém, a ausência de um especialista dificulta o diagnóstico de doenças ou intolerâncias que devem ser consideradas em qualquer dieta”, contrapõe Cukier. No final das contas, uma coisa não elimina a outra. Aliar o recente programa do Vigilantes do Peso a consultas com profissionais de saúde é bastante válido para conquistar seus objetivos — de uma vez por todas.

    Os outros pilares do programa
    Para ser um sucesso total, ele não depende só da alimentação

    Assista às reuniões
    Um estudo do Centro de Pesquisas em Nutrição Humana, na Inglaterra, comprovou que, quando uma dieta vislumbrava encontros em grupo frequentes, a perda de peso era duas vezes maior do que um regime que somente se concentrava no prato. “O apoio de outros serve de encorajamento para aqueles momentos difíceis”, explica Susan Jebb, que assinou o trabalho.

    Mantenha-se em movimento
    A atividade física é considerada fundamental pela equipe do Vigilantes do Peso e inclusive está no programa. Explica-se: ao superar suas metas de exercício na semana, você ganha pontos extras para serem utilizados nos dias seguintes.

    Um pouco de história
    O Vigilantes do Peso surgiu na sala da casa de Jean Nidetch, no início dos anos 1960, nos Estados Unidos. Ela recebeu amigas para discutir como perder peso e daí veio a ideia de aliar uma dieta séria a reuniões frequentes. No Brasil há 34 anos, a organização instituiu o sistema de pontos por aqui em 2003.

    A cota de cada um
    Por mais que estejamos falando de um método destinado à população em geral, o total de pontos a que se tem direito no Vigilantes varia, dependendo do sexo, da idade, da altura, do peso e dos próprios objetivos. “A cota também muda de acordo com a evolução do emagrecimento da pessoa ao longo do tempo”, completa Sônia Almeida.

    coxinha

    Antes…

    283 calorias

    15 pontos – No método que vai dexar de ser usado, as calorias e o total de gorduras eram os parâmetros principais para atribuir uma pontuação às porções dos alimentos.

    … e agora

    O que mata a fome – As fibras ganharam importância por regular a digestão, o que diminui o apetite e, logo, os riscos de uma comilança desenfreada.

    A energia de cada nutriente – Enquanto 1 grama de proteína ou de carboidrato traz 4 calorias, 1 grama de gordura possui 9. Isso influencia na conta do novo sistema.

    Custo de conversão – Até 20% das calorias do carboidrato são torradas antes de o nutriente ser absorvido. No caso da gordura, são apenas 3%. Daí que o ProPontos abrange diferenças assim para ser mais preciso.

    17 pontos – Com essas novas considerações, a coxinha se torna uma escolha ainda mais pesada. Se valia 15 pontos no passado, agora… Portanto, se desejar comê-la, será preciso abdicar de outras comidas engordativas no resto do dia.

    Maça

    Antes…

    1 ponto – Uma maçã grande tem cerca de 130 calorias. Isso fazia com que, na versão anterior do programa, ela consumisse 1 ponto da cota diária permitida.

    … e agora

    Densidade energética – Um fator estimulado é apostar em opções que tenham um grande volume, mas poucas calorias, como justamente a maçã.

    Alimento pleno – Esse título é conferido aos itens que não estão lotados de sódio, gordura saturada e açúcar e, por outro lado, apresentam boas doses de fibras.

    0 ponto – Por ofertarem vitaminas e outras substâncias benéficas, as frutas não são mais pontuadas, desde que ingeridas in natura. A única exceção é o gordo abacate.

    Material básico
    Os itens abaixo são fundamentais para seguir o ProPontos

    Livros de apoio
    Eles trazem dados a respeito do programa e, mais do que isso, sobre a manutenção do peso ideal.

    Calculadora
    Quando você coloca a quantidade de gorduras, proteínas, carboidratos e fibras de uma porção de alimento, ela revela os pontos a serem descontados.

    Diário pessoal
    Permite saber quanto ainda se pode consumir, além de fornecer o histórico de seus progressos.

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  • Essa história de medicina ortomolecular nunca foi tão falada como na última década. Defendendo o uso PER-SO-NA-LI-ZA-DO de vitaminas, aminoácidos, minerais e enzimas, ela já conquistou muitas famosas no mundo, preocupadas em cuidar da beleza com saúde, mas também com pressa. Em suma, o grande objetivo desse tratamento é a neutralização dos radicais livres, prejudiciais ao funcionamento das células, causando consequências como a falta de vitalidade da pele, do cabelo e das unhas. A dieta ortomolecular já ganhou defensoras como Claudia Raia, e também consiste numa prescrição específica do que cada paciente precisa repor no organismo para equilibrá-lo. A estética ortomolecular não foge à regra, ela consiste num tratamento direcionado, decidido pelo médico depois de uma minuciosa pesquisa sobre a saúde da paciente.

    [adrotate banner=”2″]Atrizes como Flávia Alessandra, Letícia Spiller e Samara Felippo já recorreram ao tratamento para cuidar da pele e dos cabelos. Segundo Dra. Cristina Maria Carrasco, terapeuta ortomolecular, essa alternativa de acompanhamento estético pode, inclusive, ajudar com combate às temidas estrias. Ela explica que ao atender uma cliente, faz uma verdadeira investigação a respeito dos hábitos, costumes e forma de vida dessa pessoa. São analisados a rotina, a alimentação, o histórico de saúde e as predisposições genéticas.

    Um papo com seu nutricionista vai esclarecer se esse tipo de tratamento também pode lhe ajudar. Mas, até o dia da consulta, vá descobrindo de que forma os alimentos são seus aliados:

    Potássio: é importante para manter a flexibilidade e a hidratação dos cabelos.

    Onde encontrar: carnes magras, banana, pepino, uva, amêndoas e semente de girassol.

    Vitamina C: protege a pele da ação dos raios ultravioleta.

    Onde encontrar: abacaxi, acerola, agrião, caju, goiaba, laranja, limão, morango, salsão, pimentão, tangerina, tomate.

    Vitamina E: ajuda a prevenir o surgimento de linhas finas de expressão e atenuar as já existentes.

    Onde encontrar: cereal e pão integrais, amêndoa, azeite de oliva, castanha-do-pará, repolho, avelã, abacate, germe de trigo.

    Colágeno: a carência deste aminoácido provoca flacidez na pele, queda de cabelos e enfraquecimento das unhas.

    Onde encontrar: peixes, ovos, carnes.

    Zinco: aumenta a ação de enzimas, que combatem os radicais livres; dá força aos cabelos e às unhas; reduz as linhas finas de expressão e ajuda no tratamento da acne.

    Onde encontrar: ostras, leite, iogurte, carnes e grãos.

    Vitamina A: antioxidante, auxilia no tratamento de acne e queda de cabelos.

    Onde encontrar: fígado, gema de ovo, iogurte, leite e desnatados.

    Vitaminas do complexo B: antioxidantes, retardam o envelhecimento e melhoram a aparência da pele, cabelos e unhas.

    Onde encontrar: levedo de cerveja, fígado, iogurte, peito de frango, leite, germe de trigo, laranja, pão integral.

    Ferro: sua carência pode resultar em unhas e cabelos fragilizados.

    Onde encontrar: carnes, leite e derivados, vegetais folhosos.

    Magnésio: atua em sinergia com o zinco para energizar e tonificar a pele. Também é essencial na formação de proteínas, como a queratina.

    Onde encontrar: nozes, frutos do mar, abacate, melão, abacaxi, leguminosas, cenoura e peixes.

    Cálcio: sua deficiência torna os cabelos finos e quebradiços e deixa as unhas fracas.

    Onde encontrar: leite e derivados com baixo teor de gordura, tofu, salmão e sardinha.

    Selênio: antioxidante, protege as células dos radicais livres, auxilia na firmeza dos tecidos.

    Onde encontrar: grãos integrais, peixes, castanha-do-pará, cogumelo, carne vermelha, ovos, leite e derivados.

    Silício: fortalece o cabelo e estimula o seu crescimento. Também contribui para formar colágeno e elastina.

    Onde encontrar: pepino, frutos do mar, aveia, cevada e salsa.

    Ômega-3: neutraliza as agressões externas, protege os vasos sanguíneos e diminui o ressecamento

    Onde encontrar: salmão, bacalhau, sardinha, atum e linhaça.

    Polifenóis: combate os radicais livres, auxilia no tratamento da temida celulite e protege os vasos sanguíneos.

    Onde encontrar: sementes de uva, ameixa, suco de uva e vinho tinto.

    Cobre: ajuda a combater a queda de cabelo e as manchas no corpo.

    Onde encontrar: ostras, fígado, chocolate, nozes, leguminosas e cereais.

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  • Uma pesquisa exclusiva feita com 1.695 leitores da CRESCER mostrou os hábitos da família brasileira à mesa. Descubra aqui por que o exemplo que você dá é tão importante quanto o que serve para seu filho comer

    Muita bolacha e refrigerante, poucas frutas, legumes e verduras e nada de peixe no prato. Uma pesquisa inédita (e exclusiva) feita com 1.695 leitores pelo site da CRESCER mostrou que junk food, comida semipronta e guloseimas variadas invadiram a casa das famílias brasileiras – até para quem tem bebês com menos de 12 meses! –, e a sua pode ser uma delas. Quantas vezes você já disse para o seu filho comer melhor? Quantas vezes quase enlouqueceu tentando fazê-lo engolir algumas colheradas? Milhares de pais têm problemas na hora das refeições. Nossa pesquisa mostrou isso. E mostrou ainda mais. Revelou que o estímulo e principalmente o exemplo que você dá não têm sido dos melhores… Quer ver? Só 3,5% dos pais contaram que comem verduras, legumes e frutas na medida recomendada pelos médicos (cinco porções por dia). Quando a pergunta passa para os filhos, o resultado não é muito diferente, claro: apenas 4% seguem a recomendação.

    49,5% das famílias não arrumam a mesa para o café da manhã

    Fato é que se você não tiver uma alimentação saudável, as chances da criança ter serão pequenas. “O que a gente percebe são as crianças se adaptando aos maus hábitos dos pais, não uma melhora na alimentação depois que elas nasceram. E isso acontece por vários fatores, como falta de tempo e de planejamento. Sabemos de bebês menores de seis meses que já comeram lasanha congelada”, diz Fabíola Suano, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A situação começa mal logo pela manhã. Segundo nossa pesquisa, 49,5% dos pais não arrumam a mesa para o café da manhã e, em 13% dos lares, a criança come em menos de dez minutos e sozinha. Na casa da família de Lucia Helena Barone, 39 anos, mãe de Maurizio, 8 anos, e Eduardo, 3, ninguém se reúne para tomar o café. Aliás, as manhãs são um sufoco, como ela mesma diz. “Eu não tenho disposição para levantar mais cedo e deixar tudo pronto. Como estamos sempre atrasados, meu marido come de pé, na cozinha. O pequeno sempre quer tomar ‘tetê’ vendo televisão, e eu fico por conta dele”, assume.

    4% das crianças comem 5 porções (a quantidade recomendada) de frutas, verduras e legumes por dia

    É curioso pensar que essa refeição é considerada, por todos os especialistas, a mais importante do dia. Inúmeros estudos já comprovaram que o rendimento escolar fica prejudicado quando a criança pula o café. Se na sua casa é assim, você pode, por exemplo, deixar tudo pronto na noite anterior (veja mais dicas) e determinar – sim, para alguns assuntos deixe de lado a democracia – que a televisão só vai ser ligada depois que todos comerem sentados à mesa, juntos. Para isso dar certo, você precisa do apoio de toda a família.

    34% dos pais não almoçam nem jantam com os filhos

    O que falta no prato
    Os problemas com a alimentação se repetem ao longo do dia. As escolhas dos pais, de novo, refletem as dos filhos. Apenas 8% das crianças comem a quantia recomendada de peixes por semana (de duas a três vezes). Uma parcela dos pais, 17%, contou que não prepara nunca o alimento e 52% afirmaram fazer peixe raramente. De fato, o consumo dessa carne no Brasil é baixo, mesmo em áreas onde você poderia comprá-la com mais facilidade, como nas cidades litorâneas. Um dos motivos é que, até pouco tempo, a recomendação para dar peixe para bebês era a partir de 2 anos. Mas a idade baixou. A SBP indica a partir dos 6 meses, na papinha. Os pescados são fonte de ômega 3, que ajuda no desenvolvimento do sistema nervoso cerebral e da retina.

    Seguindo a linha do “exemplo dos pais”, não surpreende saber que o consumo das frutas, verduras e legumes é ínfimo. “O alimento saudável ganhou o estigma de que precisa de mais tempo para ser preparado, e não é verdade. O que faz a diferença é o planejamento. Passe a comprar hortaliças que vêm processadas e higienizadas, além de polpas congeladas para fazer sucos esporadicamente. Em casa, deixe a salada limpa à noite para consumir no outro dia”, afirma Raphaella Machado, nutricionista da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Enquanto o consumo de alimentos saudáveis mostrou-se baixo na pesquisa feita por CRESCER, o de bolachas, refrigerantes e sucos de caixinha não seguiu o mesmo caminho. As respostas mostraram que 38,5% das crianças e 17% dos pais consomem bolachas pelo menos quatro vezes por semana. Quando o assunto é refrigerante, esses números ficam em 34,5% e 52%, respectivamente. Já no caso do suco industrializado, 40% dos pais afirmaram dar a bebida pronta de duas a cinco vezes por semana, em comparação aos 26% que fazem suco natural no mesmo período. A antropóloga Carmen Rial, da Universidade Federal de Santa Catarina, afirma que o consumo desses alimentos também aumentou a quantidade de vezes que comemos por dia. Antigamente, esse número não passava de cinco. Hoje, são mais de 20, por conta dos chamado “beliscar”. “Na prática, a comida se dissociou das refeições principais”, diz.

    Não é para você abolir as guloseimas da sua vida. Se sentir vontade de refrigerante, por exemplo, é melhor tomar fora de casa. O mesmo vale para os alimentos mais calóricos. Se seu filho ver você provando, vai pedir. Não porque as crianças nascem com um desejo inato por junk food. Na verdade é uma tentativa do bebê de se aproximar da família. Mas, sim, as crianças aceitam mais facilmente alimentos macios, uma característica da maioria das comidas processadas, como nuggets, salsicha e hambúrguer. “Quando o pai fala que o filho não come, a gente pergunta: ele não come nada mesmo? Geralmente, ele aprendeu a gostar do que é altamente processado”, diz Fabíola, da SBP. Em casos assim, e quando o que a família come não é legal, os especialistas recomendam que os pais comprem comida em restaurantes que vendem por quilo pelo menos três vezes por semana. Assim você tem uma variedade no cardápio e mais chances de comer verduras e legumes, por exemplo. “Quanto mais velha a criança, mais difícil vai ser a reeducação alimentar”, afirma. Por isso, o exemplo é tão importante – para o que é bom e para o que não é.

    João, 3 anos, experimentou refrigerante pela primeira vez em casa, aos 8 meses. E não foi ele quem pediu para provar. A mãe, Kelly Pedroso, 28 anos, sempre tomava e um dia ofereceu ao filho. “Ele fez uma careta na hora, mas depois gostou.” Hoje o garoto adora salgadinho, batata palha, pizza e bolacha recheada. “Comida feita em casa a gente quase não dava, porque nós também comíamos muita coisa pronta. Eu ‘entupia’ o João com essa comida, mas a fome dele parecia não passar. Então eu dava mais. A babá fazia o mesmo”, afirma. Só pouco mais de um mês, Kelly começou a ter medo que o menino ficasse obeso, que pudesse ter uma doença grave provocada pela má alimentação. De fato, os maus hábitos podem aumentar as chances de problemas de saúde na infância, como obesidade e diabetes, e na vida adulta, como doenças cardiovasculares. Agora, a reeducação alimentar de João é acompanhada por uma equipe multidisciplinar que inclui pediatra e nutricionista. Saíram de cena as comidas ruins. Mas a mudança espantou também a fome do garoto, que neste momento só quer tomar leite.

    COM OS AVÓS PODE TUDO
    Mais de 65% dos pais discutem com os avós sobre a alimentação da criança. Se seu filho fica pouco tempo com eles, releve uma ou outra guloseima que derem. Se eles ajudam na criação, você tem que definir algumas regras. Uma sugestão é levá-los a uma consulta com o pediatra, para saberem o que a criança tem que comer e como.

    Na pesquisa, perguntamos aos pais o que fazem quando o filho se recusa a comer. A solução de 31% é dar mamadeira que, em 49% das casas é preparada com uma ou mais colheres de achocolatado em pó e açúcar. Claro que a criança prefere a mamadeira, mais fácil de ser ingerida do que um prato de comida e ainda docinha. E claro também que é mais fácil para você: seu filho aceita, toma sozinho e, pelo menos, não fica de barriga vazia. Mas o leite não substitui a refeição porque não oferece a quantidade de nutrientes que a criança precisa. A curto prazo, você não vai notar os problemas. Mas eles vão chegar. Um dos mais comuns é a anemia, carência de ferro. Uma pesquisa realizada em Minas Gerais com bebês de 6 a 12 meses mostrou que 60% tinha algum grau da doença, que causa desde dores de cabeça até desmaios.

    Kyara Rebecchi, 26 anos, mãe de Laura, 1 ano e 10 meses, apela para o leite e outros truques quando “bate um desespero”, ou seja, quando a filha se recusa a comer. “Tem que ser tudo na marra. Um dia falei que se ela não comesse ia vir o monstro que come os dedinhos do pé. O pai fez até barulho atrás da porta para assustá-la. Como o monstro nunca veio, ela não aceitou mais a desculpa. Foi uma grande bobeira. Não resolveu o problema da comida e ainda criei um medo desnecessário”, diz, em tom de arrependimento.

    Se você está disposto a solucionar os problemas alimentares da sua casa, comece a repensar os seus hábitos. Se você não gosta de legumes, por exemplo, faça uma torta caseira em que a cenoura seja um dos ingredientes. Mostre o alimento in natura ao seu filho e depois sente-se para comer com ele. Tente colocar no seu prato pelo menos uma folha de salada. Se for preciso, conte até três e coma de uma vez. Quando você oferece para a criança mas não prova junto, um dia ela vai parar de comer. Isso acontece por volta do primeiro ano, quando o bebê percebe que os pais não comem o mesmo que ela.

    Quando a família não tem restrição alimentar, é mais fácil colocar as mudanças em prática. Comece pelas compras no supermercado – o que você coloca no carrinho e o que seu filho pede para você pôr. Faça algumas substituições. O saldo final precisa ter mais alimentos saudáveis que processados. Tente também estabelecer uma relação mais amigável com o tempo. A gente sabe que ter jornada dupla (ou tripla) não é fácil, mas se esforce para fazer pelo menos uma refeição por dia com seu filho. Na pesquisa feita por CRESCER, 34% dos pais nem almoçam nem jantam com a criança. Veja se é possível combinar com seu chefe um horário maior para o almoço, assim você consegue comer em casa, ou então entrar e sair mais cedo para jantar com seu filho, sem correria.

    Outro problema é que, muitas vezes, a falta de paciência dos pais é levada para a mesa. Bebês a partir de seis meses reconhecem a irritação no semblante dos pais. E mais: eles já conseguem estabelecer relações sobre isso. “Eles pensam que comer não é legal porque ‘meu pai/minha mãe fica bravo’”, afirma Fabíola. Tenha em mente sempre que fazer uma refeição em família é tão importante quanto cuidar de uma alimentação saudável. Você cria um vínculo emocional, que começou no aleitamento materno. “Neste momento também está sendo formada a personalidade da criança”, diz Fabíola. Você pode pensar que é um exagero relacionar caráter à hora das refeições. Se a gente imaginar que as pessoas estão ali só para comer, pode até ser. Mas é preciso ir além. Na mesa você instiga a curiosidade sobre novos sabores, troca experiências do dia a dia, ensina seu filho a dividir, esperar, ser generoso, ter comprometimento com horários, a saber ouvir – sem falar no aprofundamento (delicioso) da relação de vocês.

    COMO FOI FEITA A PESQUISA

    A participação nessa última pesquisa realizada por CRESCER foi recorde: 1.695 leitores responderam nossas perguntas. Mais de 60% deles têm entre 25 e 39 anos, 88% são casados e 52% são pais de crianças entre 1 e 3 anos. Trabalham em período integral 58,5%.

    Agradecimentos: Dzarm
    Agradecimentos: Hering
    Fonte: Maria Emilia Suplicy, nutricionista do Hospital Pequeno Príncipe; Vivian Braga, antropóloga, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas; Wilson Salgado Júnior, pediatra do Prontobaby – Hospital da Criança (RJ).

    Fonte Revista Crescer

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