• Pode ser difícil encontrar ânimo diante da falta de ar e da fraqueza provocadas pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Mas pesquisadores espanhóis têm argumentos convincentes para incluir os exercícios no combate à condição, um resultado de anos de tabagismo ou da inalação de gases poluentes.

    Eles distribuíram acelerômetros – um aparelho que mexe a movimentação – a 114 pacientes com diferentes níveis de atividade física. Aí, constataram que a progressão da doença é mais lenta entre aqueles que se movimentam no dia a dia. A cada mil passos dados, o efeito protetor se ampliava.

    “Exercitar-se tem um poder anti-inflamatório”, interpreta o fisioterapeuta e educador físico Celso Ricardo Carvalho, da Universidade de São Paulo. “Dançar, subir escada, andar no parque… Tudo o que o sujeito conseguir fazer ajuda a preservar a função pulmonar”, afirma.

    A DPOC afeta os músculos

    A redução do fluxo de ar característica da doença se reflete em todo o corpo. Com a falta de oxigenação, até os músculos começam a degenerar.

    E a perda de força leva a pessoa ao sedentarismo, formando um círculo vicioso. Devidamente orientados por um profissional, exercícios de resistência, com pesinhos, ajudam a reverter a perda de massa magra.

    Como montar um treino seguro e eficaz

    Ajuste aos poucos: deve-se começar de maneira leve e avançar lentamente. O controle de tempo e intensidade das práticas é crucial.

    Foco na respiração: na DPOC, os músculos do tórax e o diafragma são muito exigidos. Por isso, exercícios específicos para respiração são bem-vindos.

    Pausa nas crises: diante de falta de ar, chiado no peito e tontura, é preciso parar os exercícios até se recuperar bem.

    Após hospitalização: depois de uma internação, um programa de reabilitação pulmonar, orientado por fisioterapeuta, ajuda a retomar as atividades.

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  • Um acidente científico. É assim que o biomédico Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), se refere à descoberta da associação entre a ingestão de alecrim-do-campo e a queda na glicemia.

    É que, inicialmente, ele e sua equipe achavam que a planta tinha potencial na perda de peso. “Notamos em pesquisas com animais, porém, que ela poderia ajudar no combate ao diabetes“, relata.

    Ao que tudo indica, esse tipo de alecrim protege o pâncreas, órgão que produz a insulina, e melhora a resposta das células ao hormônio — com isso, o açúcar não sobra no sangue. Os cientistas decidiram, então, usar o extrato do vegetal em uma receita de cerveja, batizada de Rosemary. Ela já está sendo testada em pacientes e, segundo Malfatti, os resultados são bem animadores.

    Como há empresários interessados na inovação, há grandes chances de a bebida sair do laboratório e chegar ao mercado em breve.

    Por trás da própolis

    Sabia que a própolis verde é produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo? “E esse é um meio bacana de aproveitar seus benefícios”, diz Malfatti. A resina é conhecida por ser antioxidante e antimicrobiana.

    Nas pesquisas do biomédico, ele concebeu um método para extrair do alecrim só os compostos de seu interesse — como os destinados à cerveja. Então não dá para comparar seus efeitos com os da própolis.

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  • O poder medicinal da cannabis, a popular maconha, acaba de ganhar mais um respaldo dos especialistas, dessa vez da Universidade de Londres, na Inglaterra. Eles descobriram que os canabinoides, substâncias derivadas da planta, são capazes de combater um tipo de câncer que atinge células do sangue, a leucemia. Além disso, os experts apontaram que o recurso é mais eficaz quando usado depois da quimioterapia.

    Em células isoladas em laboratório, a equipe britânica testou a eficácia de medicamentos convencionais sozinhos e também associados aos canabinoides. Os resultados não deixaram dúvidas de que a segunda etapa foi mais bem sucedida. São dados animadores: ora, se os desfechos forem replicados em humanos, significa que serão necessárias menos doses de químio. Esta terapia, cabe lembrar, é conhecida por causar efeitos colaterais bem desagradáveis.

    É preciso frisar que falamos aqui de um extrato altamente concentrado e purificado, que já vem sendo explorado pela medicina há bastante tempo. “(…) Não é o mesmo que fumar maconha”, explicou o oncologista Wai Liu, líder da investigação, em um comunicado. “Os canabinoides configuram uma perspectiva empolgante na oncologia, e estudos como o nosso servem para estabelecer as melhores maneiras de serem usados para maximizar o efeito terapêutico “, completou.

    Diversos grupos de pesquisadores ao redor do mundo estão examinando a aplicabilidade dessas substâncias para o câncer e também para outros problemas, como depressão e dor crônica. Para o time de Liu, o próximo passo é verificar se as repercussões desse estudo serão as mesmas quando testadas em pacientes oncológicos.

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    Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, 6 milhões de pessoas no mundo morrem por ano devido ao cigarro. E um novo estudo do Intuito Nacional do Câncer desse país mostrou que mesmo quem fuma uma vez por dia (ou até menos) já se expõe a problemas graves que culminam em morte prematura.

    Participaram da pesquisa 290 mil adultos, que responderam, entre os anos de 2004 e 2005, questionários sobre seu convívio com o tabaco. Eles então foram acompanhados por uma média de seis anos e meio — durante esse período, 37 331 voluntários morreram. Ao cruzar todos as informações, os cientistas calcularam que indivíduos que fumaram até um cigarro por dia ao longo do tempo apresentavam um risco 64% maior de morrer, quando comparados a não fumantes.

    A maior probabilidade de falecer antes da hora subia para 87% se o indivíduo fumasse de um a dez cigarros por dia. E nesses dois grupos o risco de desenvolver câncer de pulmão era de seis a 12 vezes maior. Já a possibilidade de sofrer com doenças respiratórias subia seis vezes. Não é, nem de perto, pouca coisa.

    Mas nem tudo está perdido. Ao avaliar apenas os ex-fumantes, notou-se que a taxa de mortalidade foi menor entre os que costumavam tragar menos cigarros ao longo da vida. E o mais bacana: quanto mais cedo paravam com o vício, maior era a chance de viver mais.

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    O cacau é a nova droga recreativa da vez. De acordo com o site de notícias americano Ozy, a substância tem sido usada em festas eletrônicas onde o consumo de bebidas alcoólicas não é permitido, como a Lucid, realizada mensalmente em Berlim, na Alemanha. De acordo com seus usuários, a ingestão de cacau – na forma de pílula, bebida e até mesmo via nasal – excita o cérebro e provoca sensação de energia e disposição.

    Na Lucid, o cacau amargo balinês é servido em bebidas misturadas com mel, xarope de agave e canela. Já a Morning Gloryville, uma empresa que organiza festas nos Estados Unidos e na Europa, abastece seus bares com bebidas à base de cacau e com a substância em cápsulas. A forma mais curiosa — ou estranha — de consumir o cacau é via nasal. O produto em pó pode ser encontrado na loja do belga Dominique Persoone. Ele inventou um dispositivo que ajuda a “inalar” o alimento, além de ter criado uma mistura inédita da substância com menta e gengibre.

    Segundo os defensores, o cacau cru, além de ser uma substância lícita em todas as partes do mundo, é muito mais potente do que se imagina. Ele desencadearia uma onda de endorfina na corrente sanguínea, aumentando a sensação de euforia. Em seguida, o cacau reduziria a tensão corporal ao promover o relaxamento muscular. Além disso, a substância é cheia de flavonoides que, de acordo com um estudo publicado recente no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, responsáveis por aumentar a circulação sanguínea e estimular o cérebro. Outra vantagem descrita pelos adeptos: ao contrário de outras drogas, o cacau não distorce a realidade. De acordo com Ruby May, organizadora da Lucid, ele apenas “amplifica” a experiência musical.

    Por outro lado, segundo Catherine Kwik-Uribe, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Mars Symbioscience, empresa de tecnologia dedicada ao desenvolvimento de produtos com base científica, embora o cacau puro contenha certos compostos que melhoram o humor, como a anandamida e feniletilamina, a quantidade deles na substância seria tão baixa que não teria qualquer influência direta sobre o humor. Ou seja, os efeitos “entorpecentes” citados seriam apenas um placebo.

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    A Associação Médica Brasileira (AMB) protocolou na sexta-feira (15) uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) e mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão imediata da lei que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer.” A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14).

    Para o coordenador jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, há uma “desconhecimento amplo acerca da eficácia e dos efeitos colaterais da substância”. Já o presidente da AMB, Florentino Cardoso, diz que todas as orientações e alertas científicos das comunidades médicas foram ignorados.

    Na ADI de número 5501, a AMB diz que a liberação da substância sem que sua efetividade tenha sido clinicamente comprovada é incompatível com a Constituição, pois não garante aos brasileiros os direitos à saúde, à segurança e à vida, além do princípio da dignidade da pessoa humana.

    A associação argumenta ainda que a não realização de testes clínicos da fosfoetanolamina em seres humanos fere a Lei 6.360/76, que prevê três fases de análises antes da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Além de não autorizar a comercialização da sustância, a Anvisa informou não ter como garantir se ela pode ou não trazer riscos à saúde de quem a ingerir. “Com o produto estando fora do ambiente regulatório, não há como a Anvisa fiscalizar o processo de fabricação e distribuição, o que também resulta em riscos sanitários para a população. Afinal, sem os estudos clínicos necessários, não há como assegurar que a fosfoetanolamina é segura e eficaz”, disse o órgão.

    Uso da substância

    O SUS não vai fornecer a fosfoetanolamina. Segundo Ministério da Saúde, quem quiser fazer uso da substância terá de pagar por ela.

    A lei não prevê que seja necessária a prescrição da fosfoetanolaimina para que o paciente possa usá-la. No entanto, o Ministério da Saúde divulgou nota em que afirma que “está sendo sugerida a prescrição médica em talonário numerado que permita o rastreamento do paciente (com justificativa para o uso)”.

    Sendo o produto de efeito desconhecido, é possível que médicos não queiram prescrevê-lo. O oncologista Helano Freitas, coordenador de pesquisa clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo, chama a atenção para o fato de que a lei exige apenas um laudo médico que comprove o diagnóstico.

    “Dessa maneira, estão transferindo toda a responsabilidade para o paciente de julgar se algo é bom ou não para ele”, disse. Isso pode levar a uma situação em que o paciente escolha seguir o tratamento com a fosfoetanolamina sem o devido acompanhamento de seu médico.

    “Respeitamos o livre arbítrio, mas precisamos informar adequadamente os pacientes para que eles não incorram em decisões precipitadas acreditando em informações que ainda não têm comprovação”, afirma o oncologista.

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  • foto-imagem-litio

    Em doses baixas, o lítio prolongou a vida desses invertebrados. Os testes foram conduzidos por uma equipe de pesquisadores da Universidade College London, no Reino Unido.

    Os cientistas dizem que a descoberta pode levar ao desenvolvimento de novas drogas que ajudem as pessoas a viver vidas mais longas e saudáveis.

    O lítio é receitado por psiquiatras para controlar transtornos mentais, como a bipolaridade e a depressão, mas pode provocar uma série de efeitos colaterais se ministrado em doses altas.

    A ciência ainda não sabe explicar muito bem como o lítio atua no cérebro, mas nas moscas a substância retarda o envelhecimento através do bloqueio de uma enzima conhecida como GSK-3.

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    “A resposta das moscas para doses baixas de lítio é bastante encorajadora e nosso próximo passo é atacar o GSK-3 em animais mais complexos”, disse Linda Partridge, responsável pelo estudo.

    “Dessa forma, podemos no futuro pensar em desenvolver testes em humanos”, acrescentou.

    O estudo foi publicado na revista científica Cell Reports e concluiu que as moscas tratadas com lítio viveram 16% mais do que a média.

    Por outro lado, quando a substância foi ministrada em alta dosagem, diminuiu o período de vida dos insetos.

    “As doses baixas não apenas prolongaram a vida das moscas mas também protegeram seus organismos do estresse e ainda bloquearam a produção de gordura naquelas com uma dieta rica em açúcar”, acrescentou Ivana Bjedov, parte da equipe responsável pelas descobertas.

    A ONG britânica Parkinson’s UK ajudou a financiar o estudo. Uma de suas porta-vozes, Claire Bale, afirmou que a pesquisa tem o potencial de gerar idosos mais saudáveis e também oferecer possíveis soluções para tratar ou prevenir doenças, como o Mal de Parkinson.

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  • foto-imagem-senado-aprova-pilula-do-cancer

    O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 23, o projeto de lei n° 3/2016, que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética. Pra quem não se lembra, esse composto foi chamado de cura contra o câncer por parte de seus criadores e usuários. Se a proposta for aprovada pela presidenta Dilma, a pílula anticâncer poderá ser produzida, importada e prescrita independentemente de registro sanitário. Isso significa que as cápsulas serão usadas no tratamento mesmo antes de os estudos serem concluídos e de estarem devidamente registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
    Por outro lado, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas não tomem a substância até que todos os testes sejam concluídos.
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    Resultados iniciais

    Na mesma semana em que a substância foi aprovada no Senado, saíram também as primeiras conclusões das pesquisas científicas, que já estão em curso. Relatórios iniciais divulgados pelo Ministério da Ciência apontam que as cápsulas de fosfoetanolamina sintética têm potencial limitado. Trocando em miúdos, as cinco primeiras pesquisas realizadas com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que avaliaram a efetividade da substância com células em laboratórios, trouxeram resultados nada positivos. Em entrevista ao UOL, a pesquisadora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Alicia Kowaltowski, disse que foram testados dois tipos de células tumorais e três métodos diferentes. Aí, comprovou-se que o composto não tem efeito, nem mesmo em concentrações milhares de vezes maiores do que as usadas clinicamente.

    Ainda que as previsões dos primeiros estudos sejam pessimistas, pacientes com câncer e seus familiares promovem campanhas para a liberação da substância. Na rede social Facebook, grupos que somam mais de 10 mil usuários organizam protestos e trocam informações com os melhores atalhos para se conseguir a “pílula do câncer”. Na página virtual, muitos advogados fazem propaganda com os sucessos obtidos na Justiça para conseguir a medicação. Até o final de 2015, foram movidos 13 mil processos exigindo o fornecimento da substância por parte da USP, onde a molécula vinha sendo produzida pelo químico Gilberto Chierice, principal nome por trás da fosfoetanolamina.

    Motivos para ter cautela

    Os depoimentos positivos quase sempre se sobrepõem aos negativos. Várias pessoas que engolem uma pílula contra o câncer e não melhoram caem no silêncio ou, infelizmente, morrem antes de dar declarações.
    Sempre há um viés por parte de quem coleta e seleciona os testemunhos. Ora, um sujeito que deseja provar o potencial de um comprimido pode destacar os finais felizes.
    Sem um seguimento pormenorizado, é impossível medir a evolução do quadro (será que o tumor regrediu ou só alguns sintomas foram aliviados provisoriamente?).
    Não dá pra saber se uma eventual recuperação veio da promessa testada, de um tratamento anterior ou de qualquer intervenção adotada, às vezes inconscientemente.
    Acompanhe as pesquisas

    Os estudos para mapear a composição da fosfoetanolamina vêm sendo conduzidos pelo Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASSBio/UFRJ), em parceria com o Laboratório de Química Orgânica Sintética do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (LQOS/UNICAMP). Já os estudos pré-clínicos — ou seja, sem voluntários humanos — estão sendo conduzidos pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (NPDM/UFC) e pelo Centro de Inovação de Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP). Os relatórios emitidos por essas instituições estão disponíveis aqui.

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  • foto-imagem-drinks

    Rachel Winograd, psicóloga da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, acredita que sim. E vai além: ela descreve quatro tipos diferentes de “bêbados”, com base em experimentos realizados em seu laboratório.

    “Sempre falamos da maneira como as pessoas ficam diferentes quando bebem – há os bêbados ‘alegres’ e os bêbados ‘chatos’. Mas não existia praticamente nada sobre isso na literatura científica”, afirma.

    Por isso, ela convidou algumas centenas de estudantes para trazerem um amigo para um teste em seu laboratório. Os voluntários responderam questionários detalhados sobre como viam suas próprias personalidades e a de seus colegas, tanto em momentos de sobriedade como de embriaguez.

    Através disso, ela pode examinar mudança em características como conscienciosidade, extroversão e amabilidade.

    Mary Poppins ou Professor Aloprado?

    Em seguida, Winograd e seus colegas analisaram as respostas em busca de pontos em comum de características comportamentais, descobrindo quatro tipos distintos de “bêbados”, que eles batizaram de acordo com algumas personalidades famosos do cinema e da literatura.

    O bêbado Ernest Hemingway, assim como o próprio escritor americano, mantém seu intelecto e sua capacidade de raciocinar mesmo com o consumo de álcool, e muda muito pouco quando se embriaga.

    Já o tipo Mary Poppins é aquele bêbado alegre e agradável, mas que se mantém responsável durante toda a balada.

    O Professor Aloprado começa a noite tímido, mas de repente se torna mais extrovertido e até um pouco “saidinho”.

    Por fim, o bêbado Mr. Hyde (o personagem malvado do clássico O Médico e o Monstro) é aquele que se torna mais desagradável e irresponsável quanto mais bebe.

    ‘Olhos de cerveja’

    É interessante notar que a maioria dos voluntários analisados por Winograd se revelou como sendo do tipo Ernest Hemingway, enquanto apenas 15% eram Mary Poppins.

    Apesar de ter batizado as diferentes personalidades de maneira aparentemente frívola, Winograd acredita que a referência a ícones culturais pode ajudar sua pesquisa a atingir um público mais amplo.

    “Não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que essa classificação cobre todas as nuances”, afirma. “Mas trata-se de algo fácil de entender e que as pessoas podem reconhecer facilmente, aplicando a si mesmos ou a seus amigos e familiares quando interpretarem a pesquisa.”

    O estudo mostrou ainda que a visão que um voluntário tinha de si mesmo acerca de seu comportamento quando embriagado raramente coincidia com a opinião de seu amigo.

    Uma possível explicação pode ser o fato de nossos “olhos de cerveja” nos levam a pintar um retrato mais favorável de nós mesmos do que realmente nossos amigos veem.

    Ou ainda, pode ser que percebamos melhor as mudanças em nós mesmos, algo que nossos amigos não percebem.

    Também seria interessante analisar como o estado de embriaguez de uma pessoa muda de acordo com a situação. É perfeitamente normal ser o Professor Aloprado uma noite e Mr. Hyde na outra.

    Para resolver essas questões, Winograd está trabalhando em experimentos para filmar estudantes enquanto começam a beber, para que especialistas independentes avaliem seu comportamento.

    Enquanto isso, ela espera que seu projeto ajude as pessoas a pensarem de uma forma mais analítica sobre seus hábitos de bebida e os problemas que eles podem acarretar.

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    A substância 2,4-dinitrofenol, mais conhecida como DNP, era usada originalmente para a fabricação de explosivos, mas está sendo cada vez mais comercializada de forma ilegal pela internet em forma de cápsulas, pó ou creme, sendo procurada por pessoas que querem emagrecer ou reduzir a porcentagem de gordura em seu corpo.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o DNP “já causou doenças graves e mortes em vários países nos últimos três anos”.

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    O uso do DNP como emagrecedor não é novo: na década de 30 foi descoberto que essa substância aumentava a taxa metabólica e permitia a perda de peso.

    Mas o alto número de efeitos colaterais e mortes fez com que a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, proibisse o composto em 1938 e ele acabou catalogado como uma “substância extremamente perigosa e não apta para o consumo humano”.

    O uso do DNP, no entanto, parece estar crescendo novamente, especialmente graças à facilidade de se adquirir essa substância pela internet.

    Segundo um estudo do Departamento de Medicina de Emergência do Hospital Whittington, de Londres, publicado em 2011 pela revista especializada Journal of Medical Toxicology, desde a década de 60 até o fim do século 20 não foram registradas mortes devido ao consumo de DNP.

    Os pesquisadores observaram, porém, um ressurgimento dos casos fatais na primeira década do século 21 – foram 12 mortes entre 2001 e 2010 -, o que, segundo eles, reflete “o aumento da disponibilidade do DNP na internet, onde (esse produto) é comercializado particularmente para o uso de fisiculturistas”.

    Em 2015, apenas na Grã-Bretanha foram 30 casos de intoxicação pela substância (contra 9 casos em 2014). E dos intoxicados, cinco acabaram morrendo.

    Por isso, o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra decidiu fazer um alerta no dia 11 de dezembro, advertindo sobre o “ressurgimento” desse tipo de intoxicação, principalmente entre adolescentes e jovens.

    “Essa droga deveria ser classificada como veneno, já que só traz danos (ao organismo)”, disse à BBC Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin, na Grã-Bretanha.

    Morte

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    Um dos casos mais recentes de intoxicação por DNP foi o da jovem britânica Eloise Aimee Parry, que sofria de bulimia e morreu aos 21 anos em abril, após ingerir a substância.

    Fiona Parry, sua mãe, disse à BBC que Eloise tomou oito pílulas e que os médicos “não puderam fazer nada para salvar sua vida”.

    Parry também pediu que fossem adotadas medidas mais duras contra as empresas que distribuem o DNP.

    “As pessoas precisam saber do perigo que são essas pílulas. A busca por uma boa aparência nunca deveria custar a saúde ou (causar) a morte de alguém”, disse a jornais britânicos.

    Em maio, Rachel Cook, que sofria de transtorno alimentar, também morreu, aos 25 anos.

    De acordo com uma investigação recente, Rachel, que já estava muito magra, tomou as pílulas de DNP porque “queria queimar gordura e perder peso rapidamente”.

    “Sei que existe uma pressão entre os jovens para ficarem magros e muitos tomam medidas drásticas para conseguir isso. Mas eles devem estar cientes das consequências inevitáveis de ingerir essa substância mortal”, disse um dos peritos que investigou o caso de Rachel.

    Alerta mundial

    A Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (Aecosan) fez recentemente um alerta de que algumas páginas na web que vendem o DNP se passam por empresas farmacêuticas.151214175926_dnp_304x171_reuters_nocredit

    A OMS e a Interpol (a agência internacional de polícia criminal) também emitiram informes alertando sobre o aumento do consumo desse composto.

    “(Trata-se de uma substância) ilícita e potencialmente mortal. Além disso, os riscos ligados a seu consumo são agravados pela condição ilícita de sua fabricação”, afirmou a Interpol em um Alerta Laranja mundial emitido em maio e distribuído a seus 190 países membros.

    Segundo a Aecosan, o efeito adverso mais comum associado ao uso do DNP são as erupções cutâneas (vermelhidão e inflamação da pele, muitas vezes com presença de bolhas).

    “Outros efeitos são a neuropatia periférica (problemas no sistema nervoso), gastroenterite (inflamação que afeta o estômago e o intestino), anorexia, catarata ou surdez permanente”, entre outros.

    Há também outros problemas derivados dos efeitos tóxicos do DNP: confusão, agitação, coma, convulsão, hipertermia, taquicardia, sudorese e colapso cardiovascular.

    E não há nenhum antídoto para a intoxicação por essa substância.

    “As pessoas precisam estar conscientes e atentas, especialmente no que diz respeito a vulnerabilidade de pessoas com transtornos alimentares que pode levar ao uso dessa substância”, diz Ryck Albertyn, anestesista e consultor do Hospital Worthin.

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