• Só de olhar para a barriga não dá para desconfiar, mas ali dentro moram no mínimo 10 trilhões de micro-organismos. Uma população pra lá de numerosa – a título de comparação, em todo o planeta somos, atualmente, 7,3 bilhões de habitantes. A esse universo abrigado no aparelho digestivo deu-se inicialmente o nome de flora intestinal, devidamente rebatizada de microbiota.

    Assim como acontece em nossa sociedade, os bichinhos têm família, nome e sobrenome. E, mais importante de tudo, executam inúmeras funções dentro do corpo. “Nos últimos anos, o número de evidências sobre a influência da microbiota na saúde aumentou muito”, afirma Elisabeth Neumann, professora do Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Micro-organismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Essa influência, é bom que se diga, nem sempre é positiva. “O desbalanço nas populações bacterianas está associado a diversas doenças”, conta a nutricionista Adriane Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

    Uma equação bem simples denota essa quebra de equilíbrio: os micróbios potencialmente nocivos, que também habitam o intestino, se multiplicam a ponto de se sobrepor no jogo de influências sobre os bichinhos benfeitores. Uma das maneiras de evitar que isso aconteça ou reverter a situação é investir nos probióticos, bactérias reconhecidamente benéficas e que podem ser encontradas em iogurtes, leites fermentados, queijos, além de cápsulas e sachês.

    De acordo com Yasumi Osawa, farmacêutica da Yakult, empresa pioneira nas pesquisas sobre o tema, doses adequadas desses seres microscópicos ajudam a repovoar a microbiota, dessa vez com indivíduos de boa índole. Para mantê-los em forma e garantir sua colonização, também entram em cena os prebióticos, fibras que não conseguimos digerir. “Elas servem de alimento para os probióticos”, explica Yasumi.

    As relações e os banquetes travados dentro da barriga e seus reflexos no corpo vêm ganhando tanta importância que demandam um evento científico próprio, o Congresso Brasileiro de Pre, Pro e Simbióticos, o PreProSim. Realizado em junho, junto ao Ganepão, uma das conferências de nutrição mais relevantes do país, o evento não deixou dúvidas de que precisamos conhecer e valorizar o trabalho dessas bactérias. Abaixo, você vai ver como elas repercutem na imunidade, no coração e até na saúde mental.

    1. Baixa imunidade

    Está aí um efeito clássico dos probióticos: deixar nosso sistema de defesa mais afiado. Segundo Adriane, da Unicamp, a chegada das bactérias no intestino desperta as células de defesa, que, no susto, ainda não têm certeza se os bichinhos são mesmo aliados. “Esse mecanismo mantém o sistema imunológico ativo e mais apto a reagir frente a micro-organismos causadores de doenças”, explica a especialista.

    Há outras ações que contribuem para a blindagem contra agentes infecciosos. A farmacêutica Cristina Bogsan, professora da Universidade de São Paulo (USP), conta que as células de defesa que reconhecem o vírus da gripe passam a viver mais quando o indivíduo toma um probiótico presente em um leite fermentado, por exemplo – por tempo suficiente para passar o inverno numa boa.

    2. Problemas intestinais

    Considerando que 70% da microbiota fica na região do intestino, é natural que vejamos um impacto direto ali. “Atualmente, os probióticos e os simbióticos fazem parte do tratamento da constipação”, exemplifica o médico Dan Waitzberg, professor da USP e presidente do Ganepão.

    Há bactérias, como a Bifidobacterium animalis, presentes em determinados iogurtes, que incitam os movimentos peristálticos. São eles que fazem as fezes caminharem adiante. “O bolo fecal é transportado, mas não se liquefaz. É por isso que não há diarreia”, tranquiliza Cristina. Por falar nisso, Waitzberg lembra que os probióticos também são úteis frente ao popular intestino solto. Estudos apontam que certas bactérias reduzem o tempo de diarreia bem como as visitas ao banheiro.

    3. Obesidade

    Faz tempo que os cientistas sabem que a microbiota de um indivíduo obeso é diferente da de alguém com peso saudável. E um micro-organismo que marca presença em pessoas esbeltas tem animado a turma da pesquisa, a Akkermansia muciniphila. Durante palestra no PreProSim, a nutricionista Priscila Sala, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, contou que a bactéria diminuiu de 40 a 50% o ganho de massa corporal entre cobaias.

    “Em experimentos, seu efeito foi preservado mesmo quando ela foi aquecida a 70 °C”, diz. Um grande diferencial, pois os alimentos com probióticos hoje são refrigerados para garantir a sobrevivência das bactérias. Enquanto a Akkermansia não chega ao mercado, invista em frutas vermelhas, cebola, chocolate e castanhas, que criam condições para o bichinho prosperar.

    4. Doenças bucais

    Aqui, dá para contar com duas formas de atuação. Uma é indireta: quando os probióticos chegam ao intestino, minimizam inflamações, o que melhora o estado de gengiva e adjacências. Mas a cavidade oral tem sua própria microbiota. Daí por que algumas bactérias têm impacto direto (e local) em encrencas como cárie e periodontite.

    Em estudos, o dentista Michel Messora, na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, notou que associar o tratamento-padrão da periodontite a suplementos de probióticos melhorou a resposta dos pacientes à intervenção. “Além disso, caiu o risco de retorno da doença”, destaca Messora. Para prevenir o problema capaz de derrubar os dentes, ele diz que dá para apostar em iogurtes e leites fermentados – desde que tenham baixo teor de açúcar.

    5. Colesterol e pressão

    Nesses assuntos que afligem o coração, os achados são incipientes, porém empolgantes. A farmacêutica Elisabeth, da UFMG, revela que algumas linhagens dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium seriam capazes de assimilar o colesterol no intestino. “Isso reduziria os níveis disponíveis para a absorção pelo corpo”, ensina. Mas ela diz que são necessários mais estudos para confirmar esse desfecho.

    Outros testes demonstram que certas bactérias têm a habilidade de induzir a produção de substâncias que regulam a pressão arterial, outro fator de risco ao coração. “Mas não podemos sonhar em resolver um problema dessa magnitude só com o uso desses micro-organismos”, ressalta Elisabeth. “Nenhum pre ou probiótico deve ser encarado como substituto da medicação”, enfatiza Cristina, da USP.

    6. Chateações íntimas

    Candidíase e vaginose respondem por quase 90% dos incômodos mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. O pior é que tendem a ser recorrentes. “E os antibióticos e antifúngicos andam menos eficazes”, observa José Maria Soares Junior, vice-chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    Um jeito de driblar essa resistência é botar os probióticos em jogo. “Ao ingeri-los por meio de suplementos, dá para mudar a flora intestinal e, assim, colonizar beneficamente a vagina”, descreve o médico. Daí os micro-organismos prejudiciais não acham brecha para se proliferar. Segundo Soares Junior, os alimentos probióticos até auxiliariam na prevenção. “Mas não adianta fumar, ser sedentária e descuidar do resto da dieta. Tudo isso afeta a microbiota”, alerta o ginecologista.

    7. Irritações de pele

    Ter um intestino regulado – com a forcinha dos probióticos – também deixa a cútis mais viçosa. “É que as toxinas que interferem na barreira hídrica da pele, por exemplo, acabam eliminadas”, informa Yasumi, da Yakult. Com isso, há menos espaço para rugas, pele seca… Mas as bactérias do bem têm outros trunfos na área dermatológica. Existem cepas, já disponíveis em sachês para serem tomados, que combatem a dermatite atópica.

    Os probióticos, nesse caso, ajudam a conter o processo inflamatório que leva a lesões na pele. Nessa mesma linha, segundo novos estudos, algumas bactérias ainda bateriam de frente com a acne. Para tirar proveito desses efeitos, o conselho é manter uma ingestão de probióticos frequente. Caso contrário, a microbiota volta ao seu estado natural, programado lá no início da vida. Mas é provável que, em breve, tenhamos cremes com essas bactérias.

    8. Câncer

    Especula-se que prevenir a disbiose – ou seja, o domínio das bactérias ruins na flora intestinal – diminuiria o risco de tumores, particularmente os colorretais. “É que teríamos menos inflamação ali, o que, com os anos, pode predispor à doença”, conta a nutricionista Thaís Manfrinato Miola, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Nesse aspecto, uma dieta equilibrada contendo alimentos com probióticos seria bem-vinda.

    Hoje, na prática, também se vê a indicação das bactérias boas durante o tratamento do tumor. Ao indicá-las a pacientes cirúrgicos, o médico Antonio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná, viu menos complicações infecciosas, além de menor uso de antibióticos e tempo de internação. Segundo Thaís, a medida também se mostra útil para aplacar reações adversas da quimio e radioterapia.

    9. Estresse e ansiedade

    Ninguém duvida que existe uma conexão direta entre intestino e cérebro. Por isso, há uma tendência em ligar os probióticos a impactos no sistema nervoso. “Algumas bactérias produzem moléculas precursoras de serotonina e estimulam a liberação de gaba”, exemplifica Cristina, da USP. Complicou? “Trata-se de neurotransmissores associados ao controle da ansiedade e à sensação de felicidade”, traduz.

    Ela frisa, porém, que os estudos estão caminhando para confirmar tais efeitos. Ainda se debate o papel dos probióticos frente a Alzheimer, Parkinson e depressão, além de desordens que afetam outras áreas do organismo. “Há um universo ilimitado de possibilidades”, diz Elisabeth, da UFMG. Mas não espere para mimar seus hóspedes. Eles retribuirão deixando a casa – ou seja, seu corpo – em ordem.

    Quem é quem nessa comunidade microscópica

    Probióticos
    São as bactérias bacanas, que só agem quando ingeridas na dose certa. Cada tipo (ou cepa) tem uma função específica.

    Prebióticos
    É assim que se definem certas fibras que alimentam os probióticos. Estão na cebola, no alho, na banana verde etc.

    Simbióticos
    Essas formulações já apresentam, numa tacada só, os benditos probióticos e seus alimentos, os prebióticos.

    Posbióticos
    Trata-se de substâncias liberadas pelos probióticos que podem ser acrescidas a produtos a fim de gerar vantagens.

    Parabióticos
    São os probióticos inativos, ou seja, mortos. Mesmo assim, eles conseguem atuar positivamente no organismo.

    Quando as bactérias aparecem?

    Ao contrário do que já se imaginou, hoje sabemos que o bebê não vem ao mundo sem uma microbiota. Mas esse conjunto de micro-organismos passa a se formar pra valer no nascimento. Por isso os louros vão para o parto normal, que permite a transferência das bactérias da mãe para o filho.

    O aleitamento materno é outro fator bem-vindo, enquanto o abuso de antibióticos não deixa a vizinhança tão amigável. Levar esses pontos em conta é essencial, porque a microbiota que carregamos pelo resto da vida se estabelece até uns 3 anos.

    Vale a pena investir em versões manipuladas?

    Em palestra durante o PreProSim, o médico Dan Waitzberg, da USP, frisou que as fórmulas de manipulação ainda não são as melhores opções para tirar proveito dos micro-organismos probióticos. “Não dá para saber de onde eles vieram”, justifica. Fora que os bichinhos podem se transformar em condições fora de controle, o que alteraria seu comportamento dentro do corpo.

    Segundo o expert, a junção de bactérias também requer bastante cautela. Não é porque são bacanas individualmente que serão excelentes em parceria. “Fazer misturas sem conhecer bem o assunto é feitiçaria, não medicina”, declara Waitzberg. Os itens industrializados seriam escolhas mais apropriadas, porque há laudos garantindo sua segurança. Mas, claro, o médico deve conhecer as bactérias minuciosamente, já que cada tipo tem uma função específica.

    Onde encontrar os probióticos

    Atualmente

    Iogurtes: alguns deles contam com as bactérias boas – e possuem diversos sabores.

    Leite fermentado: o mercado já conta com versões para adultos e até com menos açúcar.

    Cápsulas: além de protegerem bem as bactérias, são superfáceis de transportar.

    Sachês: o nitrogênio mantém os bichinhos vivos. É só dissolver o pó na água ou ingerir direto.

    Futuramente

    Sorvetes: pode comemorar: a guloseima garantiria a viabilidade dos probióticos.

    Chocolates: estudos já mostraram que ele também é ótima morada para bactérias do bem.

    Sucos: a acidez torna um desafio ter probióticos neles. Mas é uma forte possibilidade.

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  • Se você quiser atrair problemas, basta passar algumas noites sem dormir. E pode somar à lista de malefícios o ganho de peso e o possível desenvolvimento de doenças metabólicas que podem ser desencadeadas pelo excesso de peso, como o diabetes, por exemplo. Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, sugerem que dormir pouco contribui para o aumento da circunferência abdominal – e o pouco não é tão pouco assim: seis horas, duas a menos do que a média recomendada para um adulto saudável. Alguém se identifica?

    O estudo monitorou os hábitos de sono e a quantidade de comida ingerida por 1 615 adultos saudáveis. Além disso, os pesquisadores ficaram de olho em outros indicadores metabólicos, como colesterol, pressão, glicemia, funcionamento da tireoide e a circunferência abdominal de cada um deles.

    Ao final do estudo, os voluntários que dormiram seis horas ou menos apresentaram 3 centímetros a mais na cintura do que aqueles que dormiram por nove horas. Pouco tempo de sono também foi relacionado a níveis reduzidos de HDL (colesterol bom).

    Os cientistas ficaram surpresos por não haver correlações entre o período reduzido de descanso a uma dieta pouco saudável, fato que já havia sido comprovado anteriormente. Veja: outras pesquisas mostraram que dormir pouco nos induzia a fazer más escolhas alimentares, preferindo comidas com baixos valores nutricionais a alimentos mais complexos. No entanto, o estudo em questão sugere que a privação de sono é, isoladamente, uma vilã da boa forma física.

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  • Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

    Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

    Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

    O que tirar de lição

    Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

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  • Aproximadamente 30% da população mundial está acima do peso — desses, 600 milhões de adultos e 150 milhões de crianças têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30, o que acusa obesidade. Mas mesmo quem está abaixo desse valor deve se preocupar: das 4 milhões de mortes atribuídas ao excesso de gordura em 2015, quase 40% ocorreram entre sujeitos com IMC entre 25 e 30, considerado apenas como sobrepeso.

    Os dados, que fazem parte de um novo levantamento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revelam “uma crescente e perturbadora crise de saúde pública global”, como definem os autores da investigação. A avaliação é significativa porque incluiu 195 países e territórios – e os resultados foram obtidos ao longo de 35 anos de observação.

    Os cientistas analisaram inúmeros relatórios sobre a relação da obesidade com variadas disfunções. Além disso, basearam-se em outro grande estudo que verificou o impacto de mais de 300 doenças ao redor do globo.

    “As pessoas que ignoram o aumento de peso fazem isso por conta e risco: risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições que ameaçam a vida”, diz Christopher Murray, um dos autores da pesquisa. E, mais do que a longevidade, cabe ressaltar a qualidade de vida. Segundo o levantamento, em 2015 a soma de anos vividos com alguma consequência considerável do excesso de peso — de câncer a hipertensão — entre a população mundial chegou a incríveis 120 milhões.

    A maior taxa de obesidade entre crianças e jovens é a dos Estados Unidos, com quase 13%. Em adultos, o país campeão nesse quesito é o Egito, com alarmantes 35%. Ao total, 2,2 bilhões de indivíduos no planeta enfrentam problemas com a balança, e o novo documento só reforça que o excesso de peso é uma das questões de saúde pública mais desafiadoras da atualidade.

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  • foto-imagem-cancer-colorretal

    Em comparação com quem veio ao mundo nos anos 1950, pessoas que nasceram na última década do século 20 possuem um risco duas vezes maior de apresentar câncer de cólon e quatro vezes maior de serem diagnosticadas com um de reto. Não é pouca coisa.

    A pesquisa, realizada pela Sociedade Americana do Câncer, englobou 500 mil casos que ocorreram entre 1974 e 2013. Embora a análise não revele os motivos por trás desse aumento, os especialistas têm alguns palpites.

    Primeiro, eles descartaram a possibilidade de a questão ser exclusivamente genética. “É difícil especular que um indivíduo dos anos 1990 seria tão diferente geneticamente de um dos anos 1950. O que mudou foi a nossa exposição ambiental e nosso estilo de vida”, disse coloproctologista George Chang, em entrevista à CNN.

    Os cientistas também não acreditam que isso se fruto de métodos mais eficientes para diagnosticar o problema. Ora, são justamente os indivíduos mais velhos que se submetem corriqueiramente aos exames para flagrar o mal — não os mais jovens.

    Uma possibilidade considerada pelos médicos é a obesidade. Ou melhor: talvez não o excesso de peso em si, e sim os riscos em comum com o câncer colorretal, como alimentação ruim e sedentarismo. De qualquer maneira, é importante não ignorar certos sintomas, como sangue nas fezes e constipação recorrente.

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  • foto-imagem-peso-depois-emagrecer

    Depois de muita luta, suor e dedicação, você consegue reduzir a circunferência da cintura. Mas tenha em mente que a vida continua. A manutenção do peso ideal é um desafio ainda maior do que eliminar o excesso de quilos em si.

    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, nos Estados Unidos, analisou o desempenho de participantes do reality show americano “O Grande Perdedor”, no qual o competidor que mais emagrecer sai vitorioso. Segundo dados do estudo, de uma média de 58,3 quilos enxugados, houve reganho de 41 em seis anos. “O metabolismo dos participantes ficou mais lento depois que eles emagreceram”, esclarece o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre outras coisas, não é mais necessário fazer tanto esforço como antes para diversas atividades diárias – inclusive os exercícios -, reduzindo o gasto calórico.

    Além de diminuir de ritmo, o organismo de quem desinfla as próprias medidas luta de diversas maneiras para voltar ao peso original. “Nosso corpo de homem primitivo acha que estamos passando por um momento de falta de comida”, completa Mancini. Algumas das repercussões envolvem o aumento da concentração de grelina, o hormônio da fome, e a diminuição de GLP-1, substância que promove saciedade.

    Isso significa que é preciso manter as mudanças comportamentais que fomentaram o emagrecimento e fazer ajustes nos treinos que potencializam a queima de gordura – apertar o ritmo conforme vai se adaptando é importante. Persistir é primordial para evitar o efeito sanfona.

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    Por outro lado, essas informações que “reabilitam” a manteiga vão contra diversas recomendações e deixam de fora várias nuances.

    Mas afinal, qual é a verdade sobre a gordura saturada?

    A Organização Mundial da Saúde aconselha que o percentual de calorias proveniente dela não ultrapasse 10%.

    O argumento é que a gordura saturada aumenta a quantidade de colesterol ruim no sangue, apesar de também aumentar o do tipo bom.

    O colesterol ruim entope artérias e pode levar a um infarto ou AVC. No entanto, testes com estatinas mostram que essas drogas, que diminuem o colesterol, podem reduzir o risco de ataque cardíaco.

    Confusão?

    Quando o assunto é nutrição, obter provas confiáveis é sempre uma espécie de pesadelo.

    Alguns estudos se baseiam em questionários que perguntam o que as pessoas comeram no ano anterior, para então ver o que acontece décadas depois.

    O problema é que muita gente tem dificuldade para lembrar o que comeu no dia anterior, quem dirá um ano atrás. Além disso, os hábitos alimentares mudam muito com o tempo.

    E não seria lá muito antiético trancar pessoas e fazer experimentos com suas dietas por décadas para ver se elas terão um infarto.

    Por isso, as provas acabam sendo uma colagem de resultados de diversos estudos, que dá uma impressão geral de que a gordura saturada é ruim.

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    A agência Public Health England, do Departamento de Saúde do Reino Unido, que aconselha as pessoas a cortar gordura saturada, diz que um dos artigos-chave em que a recomendação é baseada é uma revisão de 15 testes clínicos que mudaram as dietas de mais de 59 mil pessoas por pelo menos dois anos.

    Mas até isso é um indicativo do motivo da possível confusão sobre a gordura saturada.

    O trabalho não mostra impactos em mortes por doenças cardíacas ou outras causas. E conclui que cortar gordura saturada e substituí-la por carboidratos ou proteínas não faz diferença nos riscos.

    A nutricionista-chefe do Public Health England, Alison Tedstone, afirma que gordura saturada é de fato ruim, mas que é justo dizer que “às vezes a questão da gordura fica simplista demais”.

    “Os dados mudaram um pouco ao longo dos anos por causa de novos estudos que surgiram. E há que se considerar diferenças sutis, como se estamos falando em, poli ou carboidrato integral.”

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    “Concordo que é inapropriado dizer para a população aumentar seu consumo de carboidrato sem pensar sobre quais carboidratos são esses.”

    O conselho dela é que as pessoas cozinhem com óleo de girassol, em vez de manteiga, e que usem margarina com pouca gordura.

    A redenção da manteiga?

    Alguns pesquisadores, no entanto, já argumentaram que até isso está errado e que manteiga e outros alimentos ricos em gordura saturada fazem parte de uma dieta saudável.

    Um estudo feito em 2014 pela Universidade de Cambridge, do Reino Unido, ganhou repercussão após concluir que não há “evidências conclusivas” para as recomendações de cortar gordura saturada.

    Foi essa análise que levou à avalanche de notícias dizendo que a manteiga “está de volta”.

    “Isso é uma simplificação exagerada, nunca dissemos isso”, esclarece uma das pesquisadoras, Nita Forouhi, da unidade de epidemiologia da Universidade de Cambridge.

    A revisão mostrou que não há uma relação significativa entre a quantidade de gordura saturada, gordura monossaturada ou um tipo de gordura polissaturada e doenças cardíacas.

    Mas Forouhi afirma que é preciso focar mais não naquilo que deve ser cortado, mas pelo que deve ser substituído.

    O estudo não pôde avaliar esse aspecto.

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    Segundo a especialista, a gordura saturada virou um “debate muito, muito reducionista”. Ela alerta que as pessoas “devem ser cuidadosas sobre dar mensagens simplificadas demais”.

    Forouhi, porém, está na linha de frente de uma pesquisa que pode transformar o debate sobre a gordura saturada e trazer algumas delas de volta à mesa.

    Houve um tempo em que médicos pensavam que todo o colesterol era ruim, até que descobriram que há o bom e o mau colesterol.

    Agora, há uma percepção crescente de que nem toda gordura saturada é igual e que há provas crescentes de que algumas podem ser benéficas.

    “Nossas novas descobertas também podem ajudar a esclarecer as conclusões de estudos que dizem que alguns tipos de laticínios podem diminuir o risco de diabetes e doenças cardíacas”, diz a pesquisadora.

    Veredito

    Mas então, as notícias estavam certas? Queijo, iogurte, leite integral e manteiga devem permanecer no cardápio?

    Forouhi diz que isso é perigoso pegar os primeiros resultados da pesquisa para afirmar coisas do gênero.

    “Não podemos supor que os efeitos benéficos de laticínios vem apenas do ácidos graxos saturados ‘bons’, já que todos os alimentos contém uma combinação de ingredientes.”

    Ela alerta que há uma “ligação forte” entre manteiga/gordura saturada e mau colesterol, e que outros estudos deveriam ser feitos com tipos específicos dessa gordura.

    Especificamente sobre a manteiga, a especialista diz que os estudos mais científicos não a incluem dentro da definição de laticínio.

    “Enquanto as pesquisas ainda estão sendo feitas, acho que não devemos sair mudando nada”, diz ela sobre as recomendações.

    “É muito cedo para dar ao público a impressão de que há uma licença. A pesquisa preliminar é animadora, mas não só definitiva. Não dá para dizer que a manteiga está de volta.”

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    Essa é a conclusão de uma grande metanálise (estudo que integra os resultados de várias pesquisas sobre uma mesma questão) envolvendo mais de 68 mil adultos. O trabalho, feito nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology.

    Segundo os especialistas envolvidos no estudo, nenhuma dieta baseada no consumo de proporções específicas de calorias provenientes dos três grupos de alimentos – carboidratos, proteínas e gorduras – funciona a longo prazo.

    Sem evidências

    O estudo foi liderado por Deirdre Tobias, da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.

    “Não há evidências positivas a favor de dietas com baixo consumo de gordura”, disse a pesquisadora.

    Um grama de gordura contém mais do que o dobro das calorias contidas em um grama de carboidratos ou proteínas, explicou a médica.

    “Então, a lógica é: reduzir a ingestão de gordura levaria naturalmente à perda de peso. Mas nossas evidências claramente indicam que isso não acontece.”

    Tobias e seus colegas fizeram uma revisão sistemática de 53 estudos que compararam a eficácia de dietas com baixa ingestão de gordura a outras dietas – incluindo aquela em que não há restrições.

    O objetivo era avaliar a capacidade da dieta com pouca gordura de levar à perda de peso a longo prazo (pelo menos um ano) em participantes adultos.

    Os especialistas levaram em conta a intensidade das dietas, que envolviam desde simples instruções em uma folha de papel até programas intensivos para emagrecimento incluindo sessões de terapia, anotações diárias em um caderno e aulas de culinária.

    Concluída a análise, os pesquisadores verificaram que não houve diferença na média de perda de peso entre dietas com pouca gordura e dietas com mais gordura.

    Cortar a gordura, o estudo concluiu, só é mais eficaz do que simplesmente não fazer dieta alguma.

    Além disso, produziu menos perda de peso do que cortar carboidratos – embora a diferença seja muito pequena (pouco mais de um kg), informaram os autores.

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    “A ciência não endossa dietas com pouca gordura como melhor estratégia para perda de peso a longo prazo”, disse Tobias. “Para controlarmos a epidemia de obesidade, vamos precisar de mais pesquisas para identificar melhores abordagens.”

    O desafio, disse a pesquisadora, é não apenas perder peso, mas mantê-lo baixo a longo prazo.

    “Temos de ir além das proporções de calorias vindas de gordura, carboidratos e proteína para discutir padrões saudáveis de alimentação, alimentos integrais e tamanhos das porções”, disse Tobias.

    “Encontrar formas de melhorar a adesão a dietas a longo prazo, e de evitar o ganho de peso, em primeiro lugar, são estratégias importantes para que tenhamos um peso saudável”, concluiu.

    Doença crônica

    Márcio Mancini, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), disse à BBC Brasil não haver surpresas nas revelações do estudo norte-americano.

    “Dietas, isoladamente, são inefetivas para a média. Não vou dizer que não se deve tentar, mas a maioria dos pacientes vai necessitar de algo mais.”

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    Na opinião do brasileiro, esse “algo mais” é o medicamento. Segundo ele, a obesidade é um problema crônico, e demanda o uso de estratégias semelhantes às usadas no tratamento de outras doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão.

    “Hoje, as diretrizes da sociedade médica americana (para o tratamento da obesidade) são receitar o remédio já na primeira consulta”, disse. “Que é o que se faz em tratamentos para hipertensão, por exemplo. Ninguém mais diz, ‘reduz o sal e vamos ver como está a pressão daqui a três meses'”.

    “É remédio na primeira consulta, trata-se de um problema crônico”, reforçou.

    Médicos do serviço nacional de saúde do Reino Unido – o NHS –, por outro lado, sugerem que outras estratégias devem ser adotadas antes do remédio.

    O serviço recomenda, além de dieta e exercícios, que o paciente procure grupos de apoio na comunidade. No Brasil, há os Comedores Compulsivos Anônimos, entre outros serviços de ajuda.

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  • foto-imagem-causas-inusitadas-da-surdezA audição é um dos fenômenos mais delicados do corpo humano. Conversar ou ouvir os Beatles depende dos nossos menores ossos e de 30 mil microssensores com formato de pelinhos, movidos por um líquido armazenado em uma estrutura que lembra um caracol. Eles é que guiam as ondas sonoras até virarem mensagens lidas pelo cérebro. O avançar dos anos enferruja essa orquestra, mas o fato é que várias condições podem sabotá-la. O curioso é que muitas delas não têm (aparentemente) nada a ver com as orelhas.

    1. Obesidade

    O prejuízo auditivo engordou a coleção de problemas relacionados à obesidade. Pesquisadores da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, observaram, em um levantamento com 1500 adolescentes, que 15% dos jovens acima do peso sofriam com algum grau de perda de audição, o dobro do que foi visto na garotada em forma. Embora ainda não haja uma explicação definitiva sobre esse elo, o otorrino e líder do estudo, Anil Lalwani, destaca uma hipótese: o baixo nível de adiponectina entre os obesos. Essa substância tem efeito anti-inflamatório e ajudaria a resguardar os vasinhos nas redondezas do ouvido. O impacto dos quilos extras na audição também foi apontado em outra megapesquisa americana. Ao cruzar os dados de 68 mil enfermeiras acompanhadas por ano, verificou-se que a probabilidade de ter um déficit auditivo era 22% maior entre as gordinhas. E há uma coincidência: os sons começaram a sumir justamente quando o peso saiu de controle. “O primeiro sinal do sofrimento das células ciliadas do ouvido é o zumbido. Se a agressão continuar, vem a perda auditiva pra valer”, avisa Castilho. Ao que parece, uma das formas de minimizar essa agressão é eliminar os quilos a mais.

    2. Micróbios

    Vírus, bactérias e fungos, ávidos visitantes do corpo humano, não poupam os ouvidos. Eles têm até um atalho para chegar lá. Entre a orelha e a garganta, há um pequeno tubo, a trompa de Eustáquio, que drena líquidos e mantém a pressão no ouvido numa boa. Ela abre e fecha sozinha, mas às vezes fica bloqueada – é isso que gera aquela sensação incômoda dentro do avião, por exemplo. Só que esse caminho pode ser interditado pelo acúmulo de muco e pus nas vias respiratórias, quadro comum em infecções como a gripe. Se isso ocorre, os fluidos se acumulam no ouvido. Sem aquela drenagem, os micróbios, sobretudo as bactérias, se multiplicam e dominam o pedaço – é a otite. Com o ouvido parcialmente bloqueado, você deixa de ouvir cerca de 24 decibéis, o que equivale a viver com fones na orelha. Se a infecção piorar, a perda pode chegar a 48 decibéis e já há dificuldade pra pegar uma conversa. O drama é que os invasores podem viajar até a cóclea e danificar cílios e nervos. “E aí é uma via de mão dupla”, diz o médico Sady Selaimen da Costa, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Por isso, déficits auditivos em meio a perrengues nas vias aéreas cobram o olhar do otorrino. E situações como meningite e HIV despertam alerta máximo pelo seu potencial de retaliações no ouvido.

    3. Diabete

    Excesso de açúcar na corrente sanguínea é sinônimo de encrenca para os pequenos vasos que têm de abastecer as estruturas do ouvido. “As células ciliadas [os pelinhos que ficam na cóclea] são muito sensíveis. Por causa disso, alterações como o aumento ou a carência de glicose na circulação podem atrapalhar seu funcionamento”, ensina Castilho. Ora, é por meio do sangue que as células de cada canto do organismo são alimentadas e protegidas. Se o plasma fica viscoso demais, como costuma ocorrer na diabete fora de controle, o fornecimento a áreas mais delicadas fica comprometido e os vasinhos podem sofrer lesões. Isso explica por que 90% dos diabéticos do tipo 1 e 60% dos portadores do tipo 2 desenvolvem problemas de visão, como a retinopatia. No ouvido, a situação é bem parecida, e, não é à toa, a Associação Americana de Diabete estima que pessoas com a doença tenham uma propensão duas vezes maior de desenvolver deficiência auditiva. Mesmo quem tem pré-diabete não escapa desse risco: dificuldades para ouvir são 30% mais comuns em quem vive com a glicemia entre 100 e 125 mg/dl. Diante das evidências, o recado é ficar de olho nos níveis de glicose e, com tratamento adequado e mudanças de hábito, frear o diabete para ouvir bem a vida inteira.

    4. Pressão alta

    Apesar de ficar dentro da cabeça, ao lado do cérebro, o ouvido interno é um órgão relativamente isolado. E sua irrigação até que depende de poucas artérias. Não precisa de muito estrago, portanto, pra haver algum enrosco na captação dos sons. Além do diabete e do excesso de peso, os vasos sofrem quando a hipertensão aparece. Em médio e longo prazo, ela corrompe o fluxo sanguíneo para o ouvido. “E, tendo menos circulação nessa área, o indivíduo vai perder a audição aos poucos”, alerta Ricardo Bento. Para prevenir a fuga da audição, a pressão tem de ser domada – o ideal é que ela fique abaixo de 140 por 90 mmHG. Cuidar da dieta, maneirando no sódio e na gordura, praticar atividade física e dormir direito são alguns dos pilares do controle, que ainda exige, se o médico julgar necessário, o uso de remédios. Não dá pra se descuidar por outra razão. “Em geral, um hipertenso não é só hipertenso”, afirma o otorrino Selaimen da Costa, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em outras palavras, é comum que a pressão alta venha acompanhada de barriga, diabete… Aí já viu: temos um combo de fatores afetando a saúde auditiva. Quer goste, quer não, verdade é que o estilo de vida saudável é crucial para debelar esse trio. Convém dar ouvidos a isso.

    5. Osteoporose

    Um estudo de Taiwan que acaba de ser publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism cruzou prontuários médicos de mais de 10 mil cidadãos diagnosticados com osteoporose e constatou que, em comparação com pessoas livres do problema, a presença do distúrbio está associada a um risco 76% maior de surdez. O ouvido dispõe de três ossinhos: o martelo, a bigorna e o estribo. E é natural que a gente pense que o seu enfraquecimento tenha algo a ver com o achado. No entanto, nada é tão simples quanto parece. Os cientistas creem que, mesmo fragilizados, tais ossos continuam cumprindo seu papel. Eles apostam, na verdade, que são problemas vasculares comuns às duas condições que ligariam uma coisa à outra. Além disso, não dá pra descartar o duplo impacto da idade nessa história.

    A lista não acabou

    Outras causas ou fatores que colaboram para a perda de audição.

    Exposição constante a ruídos ou música alta no fone de ouvido

    Problemas de tireoide

    Tumores

    Traumas e acidentes

    Tabagismo

    Uso indiscriminado ou excessivo de medicamentos (como ácido acetilsalicílico, antibióticos e diuréticos)

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  • foto-imagem-gordura-para-esquecerQue ela faz um mal danado ao coração, quase todo mundo lembra e ninguém questiona. Mas a repercussão de alimentos ricos em trans (bolachas, salgadinhos, sorvetes…) alguns palmos acima do peito, lá no cérebro, ainda é um terreno novo entre os estudiosos da nutrição. Terreno que foi chacoalhado por uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Ela traz dados robustos de que o consumo frequente de produtos industrializados cheios de gordura é capaz de comprometer a memória – e muito antes de os cabelos brancos surgirem.

    Os cientistas pediram a 1 018 homens, com idade entre 20 e 45 anos, que respondessem a um questionário sobre hábitos alimentares – um dos tópicos era a carga de trans no cardápio. Depois das perguntas todos participaram de um teste de memória simples, em que assistiam a uma sequência de palavras. A única tarefa dos voluntários era dizer se o que eles estavam lendo naquele momento era igual ao que tinham visto antes. Aí veio a surpresa: a cada grama ingerido do ingrediente, o sujeito se esquecia de 0,76 palavra. “Isso significa que, num exame com 86 vocábulos, as pessoas que comiam muito dessa gordura erravam 11 termos a mais em comparação com quem a evitava no prato”, explica a médica Beatrice Golomb, líder da investigação. A diferença é considerada enorme, ainda mais quando se leva em conta a idade dos participantes. Ora, é entre os 20 e os 45 anos que o indivíduo se forma e cresce na vida acadêmica e profissional – fase crítica para o cérebro trabalhar.

    Com uma gordura interfere nas atividades dos neurônios?

    Numa ação chamada pró-oxidante, a trans promove, dentro do organismo, uma enxurrada de radicais livres, moléculas que, em excesso, danificam as células nervosas – inclusive nas áreas cerebrais que retêm as lembranças. “O abuso de itens ricos em trans também está associado ao ganho de peso, que, por sua vez, impacta negativamente na massa cinzenta”, acrescenta o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo

    A partir de que quantidade é prejudicial?

    Apesar de a presença do ingrediente ter sido reduzida no mercado nos últimos anos, o assunto ainda preocupa os profissionais de saúde – até porque produtos mais baratos permanecem lotados dessa gordura. “A trans deve representar, no máximo, 1%, ou 2,2 gramas, das calorias diárias”, indica a nutricionista Selma Sanches Dovichi, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

    Se pensarmos que uma porção de batata frita pré-cozida tem 6 gramas de trans e uma única fatia de pizza congelada leva 1,1 grama, ultrapassar esse limite é mais fácil do que se imagina. E o mesmo raciocínio se aplica a quem se entrega aos pacotes de bolacha recheada ou salgadinho. “Quanto menos trans na dieta, melhor”, frisa Silva.

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