• Ao avaliar mais de 10 mil crianças americanas, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, chegaram à seguinte conclusão: aquelas que nasceram muito pesadas apresentavam maior risco de serem obesas durante a infância.

    Para ter ideia, os bebês que vieram ao mundo com mais de 4,5 quilos tinham uma probabilidade 69% maior de serem bem rechonchudos na época do jardim de infância. Na segunda série – último período escolar analisado pelos pesquisadores – 23,1% deles eram obesos. Já entre os que nasceram com o peso normal, essa taxa era de 14,2%.

    Para os experts, o dado indica que, ao lidar com um recém-nascido gorducho, os pediatras deveriam redobrar os cuidados. Não se engane: a obesidade impactar negativamente na saúde desde os primeiros anos de vida.

    O que tirar de lição

    Segundo os cientistas, seria interessante que os pediatras tivessem um cuidado especial com os pais desses bebês maiores. Assim, ao orientá-los sobre a importância de um estilo de vida saudável, as crianças ficariam mais protegidas contra a obesidade.

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  • Aproximadamente 30% da população mundial está acima do peso — desses, 600 milhões de adultos e 150 milhões de crianças têm índice de massa corporal (IMC) acima de 30, o que acusa obesidade. Mas mesmo quem está abaixo desse valor deve se preocupar: das 4 milhões de mortes atribuídas ao excesso de gordura em 2015, quase 40% ocorreram entre sujeitos com IMC entre 25 e 30, considerado apenas como sobrepeso.

    Os dados, que fazem parte de um novo levantamento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revelam “uma crescente e perturbadora crise de saúde pública global”, como definem os autores da investigação. A avaliação é significativa porque incluiu 195 países e territórios – e os resultados foram obtidos ao longo de 35 anos de observação.

    Os cientistas analisaram inúmeros relatórios sobre a relação da obesidade com variadas disfunções. Além disso, basearam-se em outro grande estudo que verificou o impacto de mais de 300 doenças ao redor do globo.

    “As pessoas que ignoram o aumento de peso fazem isso por conta e risco: risco de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições que ameaçam a vida”, diz Christopher Murray, um dos autores da pesquisa. E, mais do que a longevidade, cabe ressaltar a qualidade de vida. Segundo o levantamento, em 2015 a soma de anos vividos com alguma consequência considerável do excesso de peso — de câncer a hipertensão — entre a população mundial chegou a incríveis 120 milhões.

    A maior taxa de obesidade entre crianças e jovens é a dos Estados Unidos, com quase 13%. Em adultos, o país campeão nesse quesito é o Egito, com alarmantes 35%. Ao total, 2,2 bilhões de indivíduos no planeta enfrentam problemas com a balança, e o novo documento só reforça que o excesso de peso é uma das questões de saúde pública mais desafiadoras da atualidade.

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  • foto-imagem-cancer-colorretal

    Em comparação com quem veio ao mundo nos anos 1950, pessoas que nasceram na última década do século 20 possuem um risco duas vezes maior de apresentar câncer de cólon e quatro vezes maior de serem diagnosticadas com um de reto. Não é pouca coisa.

    A pesquisa, realizada pela Sociedade Americana do Câncer, englobou 500 mil casos que ocorreram entre 1974 e 2013. Embora a análise não revele os motivos por trás desse aumento, os especialistas têm alguns palpites.

    Primeiro, eles descartaram a possibilidade de a questão ser exclusivamente genética. “É difícil especular que um indivíduo dos anos 1990 seria tão diferente geneticamente de um dos anos 1950. O que mudou foi a nossa exposição ambiental e nosso estilo de vida”, disse coloproctologista George Chang, em entrevista à CNN.

    Os cientistas também não acreditam que isso se fruto de métodos mais eficientes para diagnosticar o problema. Ora, são justamente os indivíduos mais velhos que se submetem corriqueiramente aos exames para flagrar o mal — não os mais jovens.

    Uma possibilidade considerada pelos médicos é a obesidade. Ou melhor: talvez não o excesso de peso em si, e sim os riscos em comum com o câncer colorretal, como alimentação ruim e sedentarismo. De qualquer maneira, é importante não ignorar certos sintomas, como sangue nas fezes e constipação recorrente.

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  • foto-imagem-peso-depois-emagrecer

    Depois de muita luta, suor e dedicação, você consegue reduzir a circunferência da cintura. Mas tenha em mente que a vida continua. A manutenção do peso ideal é um desafio ainda maior do que eliminar o excesso de quilos em si.

    Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, nos Estados Unidos, analisou o desempenho de participantes do reality show americano “O Grande Perdedor”, no qual o competidor que mais emagrecer sai vitorioso. Segundo dados do estudo, de uma média de 58,3 quilos enxugados, houve reganho de 41 em seis anos. “O metabolismo dos participantes ficou mais lento depois que eles emagreceram”, esclarece o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre outras coisas, não é mais necessário fazer tanto esforço como antes para diversas atividades diárias – inclusive os exercícios -, reduzindo o gasto calórico.

    Além de diminuir de ritmo, o organismo de quem desinfla as próprias medidas luta de diversas maneiras para voltar ao peso original. “Nosso corpo de homem primitivo acha que estamos passando por um momento de falta de comida”, completa Mancini. Algumas das repercussões envolvem o aumento da concentração de grelina, o hormônio da fome, e a diminuição de GLP-1, substância que promove saciedade.

    Isso significa que é preciso manter as mudanças comportamentais que fomentaram o emagrecimento e fazer ajustes nos treinos que potencializam a queima de gordura – apertar o ritmo conforme vai se adaptando é importante. Persistir é primordial para evitar o efeito sanfona.

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  • FOTO-IMAGEM-manteiga

    Por outro lado, essas informações que “reabilitam” a manteiga vão contra diversas recomendações e deixam de fora várias nuances.

    Mas afinal, qual é a verdade sobre a gordura saturada?

    A Organização Mundial da Saúde aconselha que o percentual de calorias proveniente dela não ultrapasse 10%.

    O argumento é que a gordura saturada aumenta a quantidade de colesterol ruim no sangue, apesar de também aumentar o do tipo bom.

    O colesterol ruim entope artérias e pode levar a um infarto ou AVC. No entanto, testes com estatinas mostram que essas drogas, que diminuem o colesterol, podem reduzir o risco de ataque cardíaco.

    Confusão?

    Quando o assunto é nutrição, obter provas confiáveis é sempre uma espécie de pesadelo.

    Alguns estudos se baseiam em questionários que perguntam o que as pessoas comeram no ano anterior, para então ver o que acontece décadas depois.

    O problema é que muita gente tem dificuldade para lembrar o que comeu no dia anterior, quem dirá um ano atrás. Além disso, os hábitos alimentares mudam muito com o tempo.

    E não seria lá muito antiético trancar pessoas e fazer experimentos com suas dietas por décadas para ver se elas terão um infarto.

    Por isso, as provas acabam sendo uma colagem de resultados de diversos estudos, que dá uma impressão geral de que a gordura saturada é ruim.

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    A agência Public Health England, do Departamento de Saúde do Reino Unido, que aconselha as pessoas a cortar gordura saturada, diz que um dos artigos-chave em que a recomendação é baseada é uma revisão de 15 testes clínicos que mudaram as dietas de mais de 59 mil pessoas por pelo menos dois anos.

    Mas até isso é um indicativo do motivo da possível confusão sobre a gordura saturada.

    O trabalho não mostra impactos em mortes por doenças cardíacas ou outras causas. E conclui que cortar gordura saturada e substituí-la por carboidratos ou proteínas não faz diferença nos riscos.

    A nutricionista-chefe do Public Health England, Alison Tedstone, afirma que gordura saturada é de fato ruim, mas que é justo dizer que “às vezes a questão da gordura fica simplista demais”.

    “Os dados mudaram um pouco ao longo dos anos por causa de novos estudos que surgiram. E há que se considerar diferenças sutis, como se estamos falando em, poli ou carboidrato integral.”

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    “Concordo que é inapropriado dizer para a população aumentar seu consumo de carboidrato sem pensar sobre quais carboidratos são esses.”

    O conselho dela é que as pessoas cozinhem com óleo de girassol, em vez de manteiga, e que usem margarina com pouca gordura.

    A redenção da manteiga?

    Alguns pesquisadores, no entanto, já argumentaram que até isso está errado e que manteiga e outros alimentos ricos em gordura saturada fazem parte de uma dieta saudável.

    Um estudo feito em 2014 pela Universidade de Cambridge, do Reino Unido, ganhou repercussão após concluir que não há “evidências conclusivas” para as recomendações de cortar gordura saturada.

    Foi essa análise que levou à avalanche de notícias dizendo que a manteiga “está de volta”.

    “Isso é uma simplificação exagerada, nunca dissemos isso”, esclarece uma das pesquisadoras, Nita Forouhi, da unidade de epidemiologia da Universidade de Cambridge.

    A revisão mostrou que não há uma relação significativa entre a quantidade de gordura saturada, gordura monossaturada ou um tipo de gordura polissaturada e doenças cardíacas.

    Mas Forouhi afirma que é preciso focar mais não naquilo que deve ser cortado, mas pelo que deve ser substituído.

    O estudo não pôde avaliar esse aspecto.

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    Segundo a especialista, a gordura saturada virou um “debate muito, muito reducionista”. Ela alerta que as pessoas “devem ser cuidadosas sobre dar mensagens simplificadas demais”.

    Forouhi, porém, está na linha de frente de uma pesquisa que pode transformar o debate sobre a gordura saturada e trazer algumas delas de volta à mesa.

    Houve um tempo em que médicos pensavam que todo o colesterol era ruim, até que descobriram que há o bom e o mau colesterol.

    Agora, há uma percepção crescente de que nem toda gordura saturada é igual e que há provas crescentes de que algumas podem ser benéficas.

    “Nossas novas descobertas também podem ajudar a esclarecer as conclusões de estudos que dizem que alguns tipos de laticínios podem diminuir o risco de diabetes e doenças cardíacas”, diz a pesquisadora.

    Veredito

    Mas então, as notícias estavam certas? Queijo, iogurte, leite integral e manteiga devem permanecer no cardápio?

    Forouhi diz que isso é perigoso pegar os primeiros resultados da pesquisa para afirmar coisas do gênero.

    “Não podemos supor que os efeitos benéficos de laticínios vem apenas do ácidos graxos saturados ‘bons’, já que todos os alimentos contém uma combinação de ingredientes.”

    Ela alerta que há uma “ligação forte” entre manteiga/gordura saturada e mau colesterol, e que outros estudos deveriam ser feitos com tipos específicos dessa gordura.

    Especificamente sobre a manteiga, a especialista diz que os estudos mais científicos não a incluem dentro da definição de laticínio.

    “Enquanto as pesquisas ainda estão sendo feitas, acho que não devemos sair mudando nada”, diz ela sobre as recomendações.

    “É muito cedo para dar ao público a impressão de que há uma licença. A pesquisa preliminar é animadora, mas não só definitiva. Não dá para dizer que a manteiga está de volta.”

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  • foto-imagem-dieta

    Essa é a conclusão de uma grande metanálise (estudo que integra os resultados de várias pesquisas sobre uma mesma questão) envolvendo mais de 68 mil adultos. O trabalho, feito nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology.

    Segundo os especialistas envolvidos no estudo, nenhuma dieta baseada no consumo de proporções específicas de calorias provenientes dos três grupos de alimentos – carboidratos, proteínas e gorduras – funciona a longo prazo.

    Sem evidências

    O estudo foi liderado por Deirdre Tobias, da Escola de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.

    “Não há evidências positivas a favor de dietas com baixo consumo de gordura”, disse a pesquisadora.

    Um grama de gordura contém mais do que o dobro das calorias contidas em um grama de carboidratos ou proteínas, explicou a médica.

    “Então, a lógica é: reduzir a ingestão de gordura levaria naturalmente à perda de peso. Mas nossas evidências claramente indicam que isso não acontece.”

    Tobias e seus colegas fizeram uma revisão sistemática de 53 estudos que compararam a eficácia de dietas com baixa ingestão de gordura a outras dietas – incluindo aquela em que não há restrições.

    O objetivo era avaliar a capacidade da dieta com pouca gordura de levar à perda de peso a longo prazo (pelo menos um ano) em participantes adultos.

    Os especialistas levaram em conta a intensidade das dietas, que envolviam desde simples instruções em uma folha de papel até programas intensivos para emagrecimento incluindo sessões de terapia, anotações diárias em um caderno e aulas de culinária.

    Concluída a análise, os pesquisadores verificaram que não houve diferença na média de perda de peso entre dietas com pouca gordura e dietas com mais gordura.

    Cortar a gordura, o estudo concluiu, só é mais eficaz do que simplesmente não fazer dieta alguma.

    Além disso, produziu menos perda de peso do que cortar carboidratos – embora a diferença seja muito pequena (pouco mais de um kg), informaram os autores.

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    “A ciência não endossa dietas com pouca gordura como melhor estratégia para perda de peso a longo prazo”, disse Tobias. “Para controlarmos a epidemia de obesidade, vamos precisar de mais pesquisas para identificar melhores abordagens.”

    O desafio, disse a pesquisadora, é não apenas perder peso, mas mantê-lo baixo a longo prazo.

    “Temos de ir além das proporções de calorias vindas de gordura, carboidratos e proteína para discutir padrões saudáveis de alimentação, alimentos integrais e tamanhos das porções”, disse Tobias.

    “Encontrar formas de melhorar a adesão a dietas a longo prazo, e de evitar o ganho de peso, em primeiro lugar, são estratégias importantes para que tenhamos um peso saudável”, concluiu.

    Doença crônica

    Márcio Mancini, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), disse à BBC Brasil não haver surpresas nas revelações do estudo norte-americano.

    “Dietas, isoladamente, são inefetivas para a média. Não vou dizer que não se deve tentar, mas a maioria dos pacientes vai necessitar de algo mais.”

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    Na opinião do brasileiro, esse “algo mais” é o medicamento. Segundo ele, a obesidade é um problema crônico, e demanda o uso de estratégias semelhantes às usadas no tratamento de outras doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão.

    “Hoje, as diretrizes da sociedade médica americana (para o tratamento da obesidade) são receitar o remédio já na primeira consulta”, disse. “Que é o que se faz em tratamentos para hipertensão, por exemplo. Ninguém mais diz, ‘reduz o sal e vamos ver como está a pressão daqui a três meses'”.

    “É remédio na primeira consulta, trata-se de um problema crônico”, reforçou.

    Médicos do serviço nacional de saúde do Reino Unido – o NHS –, por outro lado, sugerem que outras estratégias devem ser adotadas antes do remédio.

    O serviço recomenda, além de dieta e exercícios, que o paciente procure grupos de apoio na comunidade. No Brasil, há os Comedores Compulsivos Anônimos, entre outros serviços de ajuda.

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  • foto-imagem-causas-inusitadas-da-surdezA audição é um dos fenômenos mais delicados do corpo humano. Conversar ou ouvir os Beatles depende dos nossos menores ossos e de 30 mil microssensores com formato de pelinhos, movidos por um líquido armazenado em uma estrutura que lembra um caracol. Eles é que guiam as ondas sonoras até virarem mensagens lidas pelo cérebro. O avançar dos anos enferruja essa orquestra, mas o fato é que várias condições podem sabotá-la. O curioso é que muitas delas não têm (aparentemente) nada a ver com as orelhas.

    1. Obesidade

    O prejuízo auditivo engordou a coleção de problemas relacionados à obesidade. Pesquisadores da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, observaram, em um levantamento com 1500 adolescentes, que 15% dos jovens acima do peso sofriam com algum grau de perda de audição, o dobro do que foi visto na garotada em forma. Embora ainda não haja uma explicação definitiva sobre esse elo, o otorrino e líder do estudo, Anil Lalwani, destaca uma hipótese: o baixo nível de adiponectina entre os obesos. Essa substância tem efeito anti-inflamatório e ajudaria a resguardar os vasinhos nas redondezas do ouvido. O impacto dos quilos extras na audição também foi apontado em outra megapesquisa americana. Ao cruzar os dados de 68 mil enfermeiras acompanhadas por ano, verificou-se que a probabilidade de ter um déficit auditivo era 22% maior entre as gordinhas. E há uma coincidência: os sons começaram a sumir justamente quando o peso saiu de controle. “O primeiro sinal do sofrimento das células ciliadas do ouvido é o zumbido. Se a agressão continuar, vem a perda auditiva pra valer”, avisa Castilho. Ao que parece, uma das formas de minimizar essa agressão é eliminar os quilos a mais.

    2. Micróbios

    Vírus, bactérias e fungos, ávidos visitantes do corpo humano, não poupam os ouvidos. Eles têm até um atalho para chegar lá. Entre a orelha e a garganta, há um pequeno tubo, a trompa de Eustáquio, que drena líquidos e mantém a pressão no ouvido numa boa. Ela abre e fecha sozinha, mas às vezes fica bloqueada – é isso que gera aquela sensação incômoda dentro do avião, por exemplo. Só que esse caminho pode ser interditado pelo acúmulo de muco e pus nas vias respiratórias, quadro comum em infecções como a gripe. Se isso ocorre, os fluidos se acumulam no ouvido. Sem aquela drenagem, os micróbios, sobretudo as bactérias, se multiplicam e dominam o pedaço – é a otite. Com o ouvido parcialmente bloqueado, você deixa de ouvir cerca de 24 decibéis, o que equivale a viver com fones na orelha. Se a infecção piorar, a perda pode chegar a 48 decibéis e já há dificuldade pra pegar uma conversa. O drama é que os invasores podem viajar até a cóclea e danificar cílios e nervos. “E aí é uma via de mão dupla”, diz o médico Sady Selaimen da Costa, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Por isso, déficits auditivos em meio a perrengues nas vias aéreas cobram o olhar do otorrino. E situações como meningite e HIV despertam alerta máximo pelo seu potencial de retaliações no ouvido.

    3. Diabete

    Excesso de açúcar na corrente sanguínea é sinônimo de encrenca para os pequenos vasos que têm de abastecer as estruturas do ouvido. “As células ciliadas [os pelinhos que ficam na cóclea] são muito sensíveis. Por causa disso, alterações como o aumento ou a carência de glicose na circulação podem atrapalhar seu funcionamento”, ensina Castilho. Ora, é por meio do sangue que as células de cada canto do organismo são alimentadas e protegidas. Se o plasma fica viscoso demais, como costuma ocorrer na diabete fora de controle, o fornecimento a áreas mais delicadas fica comprometido e os vasinhos podem sofrer lesões. Isso explica por que 90% dos diabéticos do tipo 1 e 60% dos portadores do tipo 2 desenvolvem problemas de visão, como a retinopatia. No ouvido, a situação é bem parecida, e, não é à toa, a Associação Americana de Diabete estima que pessoas com a doença tenham uma propensão duas vezes maior de desenvolver deficiência auditiva. Mesmo quem tem pré-diabete não escapa desse risco: dificuldades para ouvir são 30% mais comuns em quem vive com a glicemia entre 100 e 125 mg/dl. Diante das evidências, o recado é ficar de olho nos níveis de glicose e, com tratamento adequado e mudanças de hábito, frear o diabete para ouvir bem a vida inteira.

    4. Pressão alta

    Apesar de ficar dentro da cabeça, ao lado do cérebro, o ouvido interno é um órgão relativamente isolado. E sua irrigação até que depende de poucas artérias. Não precisa de muito estrago, portanto, pra haver algum enrosco na captação dos sons. Além do diabete e do excesso de peso, os vasos sofrem quando a hipertensão aparece. Em médio e longo prazo, ela corrompe o fluxo sanguíneo para o ouvido. “E, tendo menos circulação nessa área, o indivíduo vai perder a audição aos poucos”, alerta Ricardo Bento. Para prevenir a fuga da audição, a pressão tem de ser domada – o ideal é que ela fique abaixo de 140 por 90 mmHG. Cuidar da dieta, maneirando no sódio e na gordura, praticar atividade física e dormir direito são alguns dos pilares do controle, que ainda exige, se o médico julgar necessário, o uso de remédios. Não dá pra se descuidar por outra razão. “Em geral, um hipertenso não é só hipertenso”, afirma o otorrino Selaimen da Costa, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em outras palavras, é comum que a pressão alta venha acompanhada de barriga, diabete… Aí já viu: temos um combo de fatores afetando a saúde auditiva. Quer goste, quer não, verdade é que o estilo de vida saudável é crucial para debelar esse trio. Convém dar ouvidos a isso.

    5. Osteoporose

    Um estudo de Taiwan que acaba de ser publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism cruzou prontuários médicos de mais de 10 mil cidadãos diagnosticados com osteoporose e constatou que, em comparação com pessoas livres do problema, a presença do distúrbio está associada a um risco 76% maior de surdez. O ouvido dispõe de três ossinhos: o martelo, a bigorna e o estribo. E é natural que a gente pense que o seu enfraquecimento tenha algo a ver com o achado. No entanto, nada é tão simples quanto parece. Os cientistas creem que, mesmo fragilizados, tais ossos continuam cumprindo seu papel. Eles apostam, na verdade, que são problemas vasculares comuns às duas condições que ligariam uma coisa à outra. Além disso, não dá pra descartar o duplo impacto da idade nessa história.

    A lista não acabou

    Outras causas ou fatores que colaboram para a perda de audição.

    Exposição constante a ruídos ou música alta no fone de ouvido

    Problemas de tireoide

    Tumores

    Traumas e acidentes

    Tabagismo

    Uso indiscriminado ou excessivo de medicamentos (como ácido acetilsalicílico, antibióticos e diuréticos)

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  • foto-imagem-gordura-para-esquecerQue ela faz um mal danado ao coração, quase todo mundo lembra e ninguém questiona. Mas a repercussão de alimentos ricos em trans (bolachas, salgadinhos, sorvetes…) alguns palmos acima do peito, lá no cérebro, ainda é um terreno novo entre os estudiosos da nutrição. Terreno que foi chacoalhado por uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Ela traz dados robustos de que o consumo frequente de produtos industrializados cheios de gordura é capaz de comprometer a memória – e muito antes de os cabelos brancos surgirem.

    Os cientistas pediram a 1 018 homens, com idade entre 20 e 45 anos, que respondessem a um questionário sobre hábitos alimentares – um dos tópicos era a carga de trans no cardápio. Depois das perguntas todos participaram de um teste de memória simples, em que assistiam a uma sequência de palavras. A única tarefa dos voluntários era dizer se o que eles estavam lendo naquele momento era igual ao que tinham visto antes. Aí veio a surpresa: a cada grama ingerido do ingrediente, o sujeito se esquecia de 0,76 palavra. “Isso significa que, num exame com 86 vocábulos, as pessoas que comiam muito dessa gordura erravam 11 termos a mais em comparação com quem a evitava no prato”, explica a médica Beatrice Golomb, líder da investigação. A diferença é considerada enorme, ainda mais quando se leva em conta a idade dos participantes. Ora, é entre os 20 e os 45 anos que o indivíduo se forma e cresce na vida acadêmica e profissional – fase crítica para o cérebro trabalhar.

    Com uma gordura interfere nas atividades dos neurônios?

    Numa ação chamada pró-oxidante, a trans promove, dentro do organismo, uma enxurrada de radicais livres, moléculas que, em excesso, danificam as células nervosas – inclusive nas áreas cerebrais que retêm as lembranças. “O abuso de itens ricos em trans também está associado ao ganho de peso, que, por sua vez, impacta negativamente na massa cinzenta”, acrescenta o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo

    A partir de que quantidade é prejudicial?

    Apesar de a presença do ingrediente ter sido reduzida no mercado nos últimos anos, o assunto ainda preocupa os profissionais de saúde – até porque produtos mais baratos permanecem lotados dessa gordura. “A trans deve representar, no máximo, 1%, ou 2,2 gramas, das calorias diárias”, indica a nutricionista Selma Sanches Dovichi, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

    Se pensarmos que uma porção de batata frita pré-cozida tem 6 gramas de trans e uma única fatia de pizza congelada leva 1,1 grama, ultrapassar esse limite é mais fácil do que se imagina. E o mesmo raciocínio se aplica a quem se entrega aos pacotes de bolacha recheada ou salgadinho. “Quanto menos trans na dieta, melhor”, frisa Silva.

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  • foto-imagem-obesidade-faz-mal-a-vista

    É só encarar um sanduíche saboroso e já ficamos com água na boca. Contudo, em nome da sua visão, resista e não ponha os olhos no cardápio de uma lanchonete. Deixe-os fixos nesta página com a seguinte notícia: sim, uma cintura avantajada pode favorecer o aparecimento de problemas oftalmológicos. Um exemplo recente disso vem da Universidade de Colônia, na Alemanha, onde 1 147 vítimas da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) foram comparadas a 1 773 pessoas livres dela. Após observar dados sobre a forma física dos voluntários, os pesquisadores revelaram que os obesos têm um risco 44% maior de sofrer com essa doença. “Mostramos que existem hábitos além do tabagismo capazes de estimular o desenvolvimento da DMRI”, diz o oftalmologista Sascha Fauser, autor do artigo.

    O que é a degeneração macular relacionada à idade?

    Resposta sem pestanejar: trata-se de uma degradação da mácula, a porção central da retina, que se traduz em uma mancha no meio do campo de visão. Agora, difícil é escrever uma frase que explique por que uma barriga saltada abre as portas para essa chateação, a principal causa de cegueira em sujeitos acima dos 50 anos. “A obesidade comumente provoca alterações no metabolismo que podem danificar vasos sanguíneos, entre eles os que nutrem a mácula”, arrisca Rubens Belfort Neto, oftalmologista da Universidade Federal de sçao Paulo (Unifesp). A endocrinologista Cíntia Cercato, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (abeso), levanta outra hipótese: “O excesso de peso está associado a uma maior concentração dos chamados produtos de glicação avançada. E essas moléculas disparam reações que afetariam a retina”.

    Um perigo para os diabéticos

    Tem mais. Os tais produtos de glicação avançada atingem níveis estratosféricos em gente com diabete descompensado, uma pane ligada aos pneus de sobra. Ou seja, obesidade gera diabete, que geraria DMRI. Aliás, o excesso de açúcar na circulação desencadearia outros males oftalmológicos. “Sabemos, entre outras coisas, que os diabéticos têm maior probabilidade de serem diagnosticados com catarata”, aponta Tiago Prata, oftalmologista da Unifesp e diretor clínico do Hospital Medicina dos Olhos, na Grande São Paulo. Isso porque doses elevadas de glicose deixam o cristalino, a lente natural dos olhos, opaca – aí a visão embaça.

    O ronco na mira

    Outra enfermidade deflagrada pelos acúmulos gordurosos é a apneia do sono, que promove barulhentas interrupções na respiração durante as horas dormidas. E, que fique claro, não estamos mudando completamente de assunto, “Hoje em dia, esse distúrbio é considerado um fator de risco para o glaucoma, uma lesão no nervo óptico que começa comprometendo a visão periférica”, contextualiza Prata. De novo, não se sabe ao certo o motivo por trás, embora há quem acredite que a menor presença de oxigênio no sangue típica da apneia repercuta nos globos oculares. Diante disso tudo, melhor por os olhos em opções menos engordativas do que num X-tudo.

    Quando problemas de visão nos fazem engordar

    Os sintomas de glaucoma, catarata e afins dificultam a prática esportiva – enxergar uma bola, os adversários e os companheiros faz parte da dinâmica de várias modalidades. Como resultado, seus portadores não raro caem no sedentarismo, um patrocinador de abdomens inflados. Para contornar esse cenário, o ideal é tratar direitinho seu quadro e, se for o caso, buscar exercícios que dependam menos de uma visão aguçada.

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  • foto-imagem-obesidade

    Levantamento feito com crianças e adolescentes de comunidades de baixa renda de São Paulo e Rio de Janeiro apontou que o excesso de peso é maior entre os cariocas dessa faixa etária do que entre os paulistanos. A análise foi elaborada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP, dentro do programa Meu Pratinho Saudável.

    Em outubro, especialistas examinaram 350 crianças e adolescentes da comunidade Cidade de Deus, no Rio, e outras 350 de Paraisópolis, em São Paulo. Todos passaram por aferição de peso, altura e circunferência abdominal.

    A amostragem indicou que na capital paulista 27,8% dos avaliados estavam acima do peso ideal. Já no Rio de Janeiro, o índice chegou a 55,7% (mais da metade).

    Em relação aos hábitos alimentares, 71% das crianças pesquisadas no Rio relataram o consumo regular de frituras, 70%, de doces e 76%, de refrigerantes. Em São Paulo, 75% dos pesquisados consomem muita fritura, 76%, doces e 80,5%, refrigerantes.

    Elisabete Almeida, médica especialista em obesidade investiga com o programa, desde 2011, a obesidade infantil e o sobrepeso no Brasil. Segundo ela, as altas taxas detectadas nas comunidades pobres são preocupantes e indicam um descontrole nutricional maior na parcela mais carente da população. Para se ter ideia, a taxa média de sobrepeso em grupos de crianças e adolescentes de classe média é de 30%, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

    “Antigamente, essa população sofria de desnutrição. Hoje não tem mais isso. O aumento da renda das classes E e D tem feito as famílias comprar muitas ‘bobagens’ como congelados, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos de caixinha, achocolatados e etc.”, disse ela. “Isso indica que essa população é a que mais precisa de educação em alimentação, porque uma criança ou adolescente com sobrepeso é um indicativo de um possível adulto obeso”, complementou.

    Epidemia preocupante

    Segundo o médico Paulo Ferrez Collett Solberg, do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pesquisa é uma amostragem muito pequena e seleta e, por isso, não é possível generalizar a comparação entre as crianças e adolescentes do Rio de Janeiro e de São Paulo. No entanto, ele afirma que essa amostra reflete o quanto a obesidade infantil está em alta no Brasil.

    “O nosso estilo de vida está mudando. Ao mesmo tempo em que você combate a desnutrição, você aumenta o acesso a alimentos altamente calóricos, mas não saudáveis. Além disso, fazemos menos atividades físicas do que antigamente, ou seja, estamos mais sedentários. [A obesidade] é uma epidemia mundial”, afirma Solberg sobre a obesidade.

    De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada três meninos e meninas de 5 a 9 anos está acima do peso normal para a idade. O fenômeno é grave também entre pessoas de 10 a 19 anos, faixa de idade em que o excesso de peso gira em torno de 20%.

    Os médicos ouvidos pelo G1 concordam que é preciso estimular políticas públicas para combater a obesidade infantil, com a criação de campanhas educativas para controlar o ganho de peso, responsável por provocar problemas sérios como hipertensão, colesterol alto e diabetes.

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