• Nas últimas semanas, uma mensagem de voz com 5 minutos de duração está pipocando nos celulares dos brasileiros. Nela, uma mulher não identificada diz que a cebola cortada é capaz de atrair bactérias e, assim, provocar uma série de doenças. Quem nos alertou sobre o assunto foi nosso assinante Altair Gomes, que mandou um e-mail e pediu que fizéssemos uma avaliação sobre o assunto e informássemos se a acusação é verdadeira ou falsa. Agradecemos o seu contato e a sugestão, Altair!

    Para averiguar essa história direitinho, procuramos referências nos estudos científicos e entrevistamos dois profissionais envolvidos com a área: a nutróloga Nayara Almeida, do Rede D’Or Hospital São Luiz, em São Paulo, e o engenheiro de alimentos Edison Triboli, do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul. Os dois especialistas foram unânimes em afirmar que a alegação é totalmente falsa.

    Para desmontar a farsa, nós transcrevemos o áudio do Whatsapp e vamos mostrar, ponto a ponto, todos os seus erros:

    “[…] hoje eu descobri por que a cebola cortada e deixada de canto não pode ser reutilizada. Preste atenção. Cuidado com as cebolas. Em 1919, a gripe matou 40 milhões de pessoas…”

    A autora do áudio se refere à gripe espanhola que, na verdade, começou em 1918 e matou de 50 a 100 milhões de indivíduos. Ela é considerada a pior pandemia da história da humanidade. Desinformações assim já levantam a suspeita de um conteúdo falso.

    “…um médico visitou os agricultores que tiveram o ataque e para ver se poderia ajudá-los a combater a gripe. Muitos dos agricultores e suas famílias que contraíram a gripe morreram. No entanto, o médico conheceu um fazendeiro cuja família era saudável e ninguém na casa pegou gripe. O médico perguntou ao agricultor o que ele estava fazendo que era diferente dos outros. A esposa do fazendeiro respondeu que ela cortou uma cebola com casca em um prato e colocou em todos os cômodos de sua casa.…”

    Repare nas mancadas cometidas aqui: não é citado o nome do médico nem sua especialidade, qual país ou cidade em que ele atuava, quem eram esses agricultores… Sempre desconfie quando os dados não são exatos e nem é possível conferir a informação por meio de outras fontes.

    “…ele pediu uma dessas cebolas, achando que era da plantação diferente. Quando colocou sob microscópio, encontrou nela o vírus da gripe. As cebolas obviamente absorveram todas as bactérias e, portanto, mantiveram a família saudável.”

    Dois erros crassos nesse trecho. Primeiro, não dá para visualizar um vírus no microscópio comum. Esse agente infeccioso só pode ser visto num microscópio eletrônico, que foi inventado no ano de 1931, bem depois da gripe espanhola. Em segundo lugar, a voz feminina diz que as cebolas “absorveram todas as bactérias”. Ora, a gripe é causada por um vírus, o influenza! As bactérias nada tem a ver com a doença.

    “…enviei essa história para um amigo no Oregon que sempre me dá material sobre a questão da saúde. Ele me respondeu com essa interessante experiência com as cebolas. Ele disse: obrigado pelo lembrete. Eu não conheço a história do agricultor mas sei que também tive pneumonia e fiquei muito doente. Do meu conhecimento anterior de cebolas, cortei as duas pontas de uma cebola e coloquei em um jarro vazio e coloquei ao meu lado durante a noite. De manhã, comecei a me sentir melhor enquanto a cebola ficava preta…”

    Sim, a cebola pode até ficar preta se exposta no ambiente, pois entra em decomposição. Mas esse processo não acontece de uma noite para a outra e nem pela invasão de bactérias causadoras de pneumonia. Aliás, não tem como todos esses micro-organismos saírem dos pulmões de um indivíduo doente e migrarem, como num passe de mágica, para uma cebola. Veja só, até os antibióticos, remédios potentes fabricados para combater esse tipo de infecção, demoram alguns dias para trazer resultado.

    “…muitas vezes, quando temos problemas de estômago, não sabemos a quem culpar. Talvez as cebolas que comemos antes sejam as culpadas. Cebola absorve bactéria. E essa é a razão pela qual elas são tão boas em nos impedir de pegar gripes e resfriados. Por essa razão, não devemos devemos comer uma cebola que esteja descansando por um tempo depois de cortada. Restos de cebola são venenosos. Quando uma intoxicação alimentar é relatada, a primeira coisa que as autoridades procuram é se a vítima comeu cebolas e de onde vieram …”

    O erro se repete: gripes e resfriados são provocados por vírus, não por bactérias. A nutróloga Mayra Almeida nos ajuda no trecho seguinte: “As infecções gastrointestinais podem ser causadas por vírus e bactérias. O contágio se dá majoritariamente por alimentos e água contaminados, em ambientes onde a higiene é precária ou há falta de saneamento básico. Não é adequado dizer que a cebola seria a causa única desses problemas.”

    “…as cebolas são enormes imãs de bactérias, especialmente as cruas. Nunca guarde uma porção de cebola em fatias por um período de tempo e depois use-a na preparação de alimentos. Não é seguro nem mesmo se você armazenar em um saco com zíper e armazenar na geladeira…”

    Baboseira pura. Se essa acusação fosse verdadeira, muita gente já teria morrido por aí. Não há nenhum relato na ciência sobre algum caso em que isso ocorreu.

    Na verdade, não existe problema em utilizar um pedaço de cebola que restou de uma receita feita anteriormente. É importante, claro, usar sempre o bom senso: fique de olho no aspecto da hortaliça e descarte-a se perceber qualquer sinal de decomposição, como mudança na cor, na textura e no aroma. “Como ela tem um cheiro muito forte depois de aberta, o ideal é guardá-la na geladeira dentro de um pote com tampa de borracha, para impedir que o odor se espalhe para outros alimentos”, sugere o professor Edison.

    “…além disso, não dê cebola para os cães. Seus estômagos não podem metabolizar as cebolas…”

    Finalmente um trecho com uma dica bacana! Tanto o alho quanto a cebola contêm uma substância chamada alicina. Em cães e gatos, ela pode levar a um tipo de anemia conhecido como hemolítica. Em suma, trata-se da destruição dos glóbulos vermelhos no sangue. A intoxicação pode aparecer gradativamente e, para isso, é necessário que o animal consuma uma grande quantidade desses ingredientes.

    Só que isso não tem nada a ver com bactérias. Na dúvida, converse com o veterinário de seu pet.

    “[…] sempre que cortar uma cebola e usar somente metade, coloque a outra metade em algum outro ponto de sua casa, preferencialmente nos quartos, para que absorvam possíveis bactérias…”

    Uma atitude dessas não vai adiantar em nada e só vai deixar sua casa com um cheirinho, digamos, peculiar. Para evitar infecções, o melhor mesmo é adotar outras medidas que têm comprovação científica, como lavar as mãos com frequência (especialmente ao chegar em casa, no trabalho ou na escola) e tomar as vacinas disponíveis para a sua faixa etária.

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  • Cidades que ainda têm estoque da vacina contra a gripe devem, a partir desta segunda (25 de junho), ampliar a indicação para crianças entre 5 e 9 anos e adultos entre 50 e 59 anos, conforme orientação do Ministério da Saúde. A Campanha Nacional de Vacinação foi encerrada, na maioria dos municípios, na última sexta-feira. Ela garantia doses gratuitamente para os seguintes grupos:

    – Idosos a partir de 60 anos

    – Crianças de 6 meses a 5 anos de idade

    – Trabalhadores da saúde

    – Professores das redes pública e privada

    – Povos indígenas

    – Gestantes

    – Puérperas (até 45 dias após o parto)

    – Pessoas com doenças crônicas (asma, diabetes…) ou com imunossupressão

    Agora, como saber quais municípios ampliarão a cobertura? Infelizmente, não há uma lista oficial e consolidada até o momento, então o jeito é pesquisar caso a caso. Capitais como São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belém e Fortaleza já anunciaram a extensão da indicação. E, claro, nesses locais os grupos de risco seguirão tendo direito à vacinação.

    O principal alerta do governo é para a importância da imunização de crianças – o país já contabiliza 44 mortes de menores de 5 anos por complicações relacionadas ao vírus influenza, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2017 (14 óbitos). Até o momento, 3,6 milhões de brasileiros 6 meses e 5 anos ainda não tomaram a injeção. Este é o grupo prioritário com menor cobertura vacinal (67,7%), seguido pelas gestantes (71%).

    As turmas com maior cobertura são professores (98%), puérperas (96,2%), idosos (91%), indígenas (90,5%) e trabalhadores da saúde (88,6%).

    A cobertura da vacina

    Segundo o Ministério da Saúde, 54,4 milhões de brasileiros integram os grupos prioritários que eram alvo da campanha e deveriam ser vacinados. Desses, 45,8 milhões visitaram os postos.

    A Região Sudeste é a com menor cobertura vacinal contra a gripe até o momento, com 77,2%. Em seguida estão Norte (78,4%), Sul (84,8%), Nordeste (89,3%) e Centro-Oeste (96,5%).

    Os estados de Goiás, do Amapá, Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Tocantins, Maranhão, da Paraíba e de Alagoas têm cobertura vacinal contra a gripe acima de 90%. Roraima tem 60,4%, e o Rio de Janeiro, 62,4%.

    Os casos de gripe em 2018

    O último boletim do governo mostra que, até 16 de junho, foram registrados 3 122 casos de influenza em todo o país, com 535 mortes. Do total, 1 885 episódios e 351 óbitos foram por H1N1 e 635 casos e 97 óbitos por H3N2. Foram registrados 278 casos e 31 óbitos por influenza B e 324 de influenza A não subtipado, com 56 mortes.

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  • As crianças devem ser especialmente protegidas contra a gripe – não à toa, a campanha nacional de vacinação oferece doses gratuitas para os brasileirinhos entre 6 meses e 5 anos de idade. Por quê?

    “Os chamados grupos de risco, que envolvem essa faixa etária, estão mais sujeitos a complicações após a infecção do vírus influenza”, resume a pediatra Renata Scatena, diretora da Casa Crescer, um centro de vacinas de São Paulo. Ou seja, os pequenos têm uma maior probabilidade de sofrer com pneumonias e outros casos graves, que podem inclusive matar.

    Ainda assim, Renata ressalta que até os meninos e meninas mais velhos não podem se descuidar – há casos de quadros severos nessa faixa etária também. Para eles, a opção seria tomar a injeção em clínicas particulares, por exemplo.

    Aliás, o ideal é que todas as pessoas que vivem ao redor de crianças – ou de outros grupos de risco – se protejam da gripe. Isso porque a vacina não é 100% eficaz, ou seja, alguns garotos podem pegar a doença mesmo após terem ido ao posto de saúde. Agora, se os pais, os avós e os irmãos estão imunizados, é muito mais difícil de o vírus sequer entrar em contato com o novo membro da família.

    E os bebês com menos de 6 meses de idade? Eles não devem aplicar a vacina, porque faltam estudos nessa subpopulação. Mas calma: se a mãe recebeu o imunizante na gestação ou logo após o nascimento, vai repassar os anticorpos contra a gripe pelo leite.

    Hoje, praticamente não há contraindicações. “Só se pede para evita-la quando o indivíduo está resfriado, por exemplo, para não confundir os sintomas com eventuais reações leves da vacina”, ensina Renata. No mais, talvez o jovem tenha um pouco de dor local, cefaleia ou febre baixa.
    Só não ache que a vacinação causa gripe. É balela, como você pode ver clicando aqui. Mais um lembrete: as doses devem ser anuais, assim como em toda a população.

    A escola e a gripe

    Está aí um local que junta componentes para a disseminação de uma infecção. Veja: as crianças ficam aglomeradas em locais fechados, estão sempre brincando umas com as outras – e, cá entre nós, às vezes até “pegam emprestado” itens como uma chupeta ou garrafinha.

    “Mas não é para o seu filho ficar em casa”, tranquiliza Renata. Segundo ela, é importante estimular nos ambientes escolares a vacinação. E, dentro do possível, estipular regrinhas de higiene protetoras.

    Por exemplo: lavar as mãos com frequência, não compartilhar chupetas e brinquedos mastigáveis e deixar o pequeno de molho caso os sintomas da gripe deem as caras (febre, nariz escorrendo, tosse…).

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  • A grávida deve tomar a vacina da gripe – ela inclusive tem direito à versão gratuita, que será oferecida na campanha de 2018 do Ministério da Saúde a partir do dia 23 de abril. Ao se imunizar contra essa doença, a mãe protege tanto a si própria como ao bebê.

    Benefícios da vacinação na mulher grávida

    Os diversos subtipos do vírus influenza podem causar mais estragos na gestação. “Durante a pandemia de gripe em 2009, vi muitas grávidas com quadros sérios da doença”, reitera a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

    Nelas, é mais comum que, além dos sintomas clássicos (febre, coriza, dor, indisposição), surjam complicações como pneumonia e outras infecções respiratórias. Em situações extremas, isso chega a levar à morte.

    “Há uma hipótese de que isso ocorra porque a flutuação hormonal piora a resposta imunológica da paciente a vírus e bactérias”, explica Rosana. A distribuição de líquidos pelo corpo, que se altera nos nove meses, também teria a ver com a maior severidade.

    Ao se vacinar, portanto, a futura mamãe evita a gripe e suas complicações. Não à toa, as últimas campanhas incluem as gestantes no grupo de risco, que tem direito à imunização gratuita.

    Aliás, há um subtipo do vírus influenza – o H1N1 – que seria especialmente danoso às grávidas. A boa notícia é que a vacina de 2018 foi produzida para também nos proteger contra ele.

    E as vantagens para o bebê

    Quando recebe sua dose do imunizante, a mãe diminui inclusive a probabilidade de parto prematuro, uma situação que coloca ela e o filho em risco. “A principal causa de prematuridade são as infecções em geral”, relata Rosana.

    Claro que, aí, não estamos falando apenas da gripe. Mas o fato é que o processo inflamatório decorrente da invasão do vírus pode, sim, antecipar o parto.

    Além disso, os anticorpos produzidos pelo organismo da mãe a partir da vacinação passam para o feto através da placenta. Em outras palavras, a proteção contra a gripe vai se estender para o filho.

    E por que isso é tão importante? Ora, antes dos 6 meses de vida, a criança não pode receber essa injeção. Logo, se a mãe não foi atrás de sua dose, o bebê fica suscetível às agressões do vírus influenza. Cabe ressaltar que o sistema imune do pequenino ainda é frágil nessa fase – se ele é infectado, corre maior risco de sofrer problemas graves.

    “Até por isso, pedimos para que, dentro do possível, as pessoas que convivem com a criança também se vacinem”, reforça Rosana.

    Veja: o imunizante não garante 100% de proteção, inclusive porque os diversos subtipos do vírus influenza estão sempre sofrendo mutações e circulando por lugares diferentes do planeta. Estima-se que 70% das pessoas que aplicam a dose de fato se resguardam contra esses inimigos da saúde.

    Assim, pedir para todo mundo que está ao redor da gestante ou da criança aplicar a vacina é uma ótima maneira de afastar qualquer chance de a gripe atingi-las. Quanto menos gente capaz de transmitir a doença na casa, melhor.

    A vacinação é segura durante a gestação?

    Certamente: Ao contrário da vacina da febre amarela, por exemplo, o vírus colocado na composição do imunizante para a gripe é inativado. Ou seja, não há qualquer risco de ele se espalhar pelo corpo e causar estragos.

    Mas por que então algumas pessoas tomam a picada e, depois, relatam sintomas da infecção? Em primeiro lugar, o sistema imune demora dias para produzir os anticorpos – e pode ser que o sujeito tenha entrado em contato com o vírus no ambiente nesse meio termo. É por isso que os experts pedem para a população se proteger antes do inverno, a estação oficial da gripe.

    Segundo: como já dissemos, a eficácia da vacina é de 70%. Pode ser, portanto, que a dose não tenha surtido o efeito desejado.

    De reações à vacina, é possível que o indivíduo apresente uma alergia local na pele. Entretanto, isso é raro. Ela só está proibida para quem tem alergia severa ao ovo, o que está longe de ser algo frequente.

    Quando tomar

    A rede pública vai começar a disponibilizar a vacina trivalente – contra as cepas H1N1, H3N2 e do tipo B Yamagata – a partir do dia 23 de abril de 2018. Já as clínicas particulares oferecem a versão quadrivalente, que também afasta o risco de infecção pelo tipo B Victoria. Seu custo varia entre 100 e 200 reais, mais ou menos.

    A injeção pode ser administrada em qualquer período da gestação. “Aliás, quem está amamentando e não se imunizou também deveria se vacinar”, completa Rosana.

    E que fique claro: a vacinação é anual. Não adianta a mulher achar que, como se protegeu no ano passado, não deve se preocupar agora que está grávida. Como o vírus da gripe está sempre se modificando, as vacinas devem ser adaptadas anualmente.

    Um recado final: o bebê pode se vacinar a partir dos 6 meses de vida, se o médico achar conveniente. Só cabe ressaltar que, na primeira vez que uma criança menor de 9 anos receber a picada contra a gripe, será necessária uma dose de reforço.

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  • foto-imagem-vacina

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa do nosso país vai corresponder a 66,5 milhões de pessoas em 2050 — isso é mais do que o triplo dos 19,6 milhões atuais. O IBGE estima ainda que o grupo vai ultrapassar o de menores de 14 anos. Pensando nesse crescimento, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) criou a campanha Quem é Sênior Vacina, focada no pessoal com mais de 60 anos.

    O site traz recomendações, explicações, depoimentos, dados e até um mapa para localizar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Apesar das orientações, é importante conversar com um médico, já que só ele é capaz de avaliar as necessidades e riscos para cada paciente. Confira abaixo informações sobre algumas das principais vacinas indicadas pela SBIm para os idosos:

    Doenças pneumocócicas

    Uma a cada quatro ou cinco pessoas acima de 65 anos infectadas pela Streptococcus pneumoniae morre. Essa bactéria, mais conhecida como pneumococos, causa, entre outras doenças, pneumonia e meningite. No caso da última, a letalidade nos idosos chega a 80%. Mesmo entre os que não morrem, sequelas neurológica são comuns.

    Ambas essas doenças podem ser prevenidas com uma simples picada. Mas atenção: para os mais velhos, a vacina só está à disposição em clínicas privadas.

    Gripe

    O envelhecimento é acompanhado de uma queda natural de imunidade, o que torna essa doença mais prevalente em quem já possui idade avançada. Só para ter uma ideia, até 71,2% das mortes causadas pelo vírus influenza nos Estados Unidos aconteceram em maiores de 65 anos.

    Segundo um estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, também nos Estados Unidos, a vacina preveniu 40 mil óbitos por lá entre 2005 e 2014. Ela está disponível no Brasil gratuitamente nos postos de saúde.

    Herpes-zóster

    Essa doença, resultado de uma reativação tardia do vírus da catapora, gera dores excruciantes que podem se tornar crônicas. O incômodo é tanto que está associado à depressão.

    Segundo uma pesquisa publicada no periódico BMC Geriatrics, a perspectiva é que as ocorrências aumentem em 3,74% por ano até 2030. Então é melhor se prevenir: a vacina tem eficácia de cerca de 60% contra o surgimento da enfermidade e de 70% contra a da dor crônica. Contudo, está disponível apenas na rede privada.

    Hepatite B

    Ela pode deflagrar cirrose e câncer de fígado — enfermidades responsáveis por 686 mil mortes todos os anos. E essa infecção está se alastrando entre os mais velhos, principalmente os do sexo masculino. Em 2002, eram 2,8 homens acometidos a cada 100 mil pessoas. Já em 2015, o número saltou para 11,4.

    A vacina existe e está disponível gratuitamente. Mas só para quem possui menos de 49 anos de idade.

    Difteria, Tétano e Coqueluche

    A vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, ou dTpa, protege contra as três encrencas citadas acima. Apesar de as estatísticas atuais não apontarem uma alta taxa de infecção entre adultos, especula-se que, em parte, isso seja resultado da ausência de sintomas aparentes. Em outras palavras, muitas pessoas podem ter sido invadidas por esses micro-organismos e não saber disso. A principal questão, nesse caso, é proteger os mais novos — mais especificamente os menores de seis meses.

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  • foto-imagem-pulmao

    Em duas décadas de poder, o imperador mongol Gengis Khan (1162-1227) conquistou um território de 33 milhões de quilômetros quadrados – quatro vezes o tamanho do Brasil – e sua campanha de expansão teria matado pelo menos 4 milhões de pessoas. Passados oito séculos de tamanha barbárie, por ora a humanidade se vê livre de líderes megalomaníacos com forças suficientes para subjugar povos inteiros. No entanto, uma doença respiratória bastante comum e que já impôs seu domínio aos seis continentes continua causando os mesmos 4 milhões de mortes. Com um detalhe sórdido: essa taxa se repete ano após ano. Falamos da pneumonia, uma infecção nos pulmões provocada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários.

    No Brasil, são 70 mil óbitos anuais, o que faz da enfermidade a campeã de internações em hospitais e a terceira que mais mata (só fica atrás de infarto e AVC). O principal vilão por trás dela é a bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, responsável por três em cada dez casos. “Por alguma falha no sistema de defesa, o micro-organismo consegue invadir e se instalar nas vias respiratórias inferiores, onde encontra uma região favorável para se reproduzir e deflagrar uma inflamação”, descreve Carlos Carvalho, professor titular de pneumologia da Universidade de São Paulo. O quadro, que é detectado por meio de uma radiografia do tórax, costuma gerar tosse, febre, catarro e dor no peito.

    Para saber como a pneumonia prejudica a qualidade de vida dos pacientes, o laboratório Pfizer encomendou um levantamento ao Instituto Global Market Research. Eles entrevistaram 600 brasileiros que já sofreram com o ataque nos pulmões. De acordo com os resultados, 59% dos participantes alegam um forte impacto emocional e social ao longo do tratamento. “Muitos relatam que ela atrapalhou relacionamentos e os impediu de marcar presença em reuniões familiares”, revela Eurico Correia, diretor médico da companhia farmacêutica no país. Cerca de 65% precisaram se ausentar do trabalho e 80% tiveram gastos extras na farmácia.

    A pesquisa ainda mostrou que o nível de conhecimento sobre a doença é baixo. Quando questionados sobre medidas de prevenção, vários disseram que poderiam ter evitado a friagem ou parado de fumar, mas nenhum citou a vacina como uma forma de se proteger. Aliás, só um quinto sabia da existência de um imunizante para os quadros pulmonares causados pelo pneumococo. A falta de informação motivou a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) a lançar a campanha “Pneumonia Pneumocócica Tem Vacina”, que conta com um site focado na divulgação do tema. “Também vamos percorrer parques e shoppings de diversas cidades para disseminar o assunto”, diz o pneumologista Fernando Luiz Lundgren, presidente eleito da SBPT.

    A vacina para pneumonia não só existe como está disponível no Brasil em três versões: a 10, a 13 e a 23-valente (os numerais se referem à quantidade de subtipos de bactérias aos quais elas oferecem resguardo). A primeira delas faz parte do Calendário Básico de Vacinação do Ministério da Saúde desde 2010 e é obrigatória a todas as crianças menores de 5 anos. As outras duas integram as recomendações da SBIm para adultos. “Elas estão indicadas para quem tem mais de 50 anos e possui doenças crônicas, além de todos que já ultrapassaram os 60”, diz o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da entidade. O esquema envolve tomar uma dose da 13-valente e, seis meses depois, outra da 23-valente. Daí, é preciso realizar um reforço da 23 após cinco anos. Infelizmente, ainda elas só são obtidas na rede privada.

    A implementação do imunizante no programa infantil modificou completamente o perfil da pneumonia no nosso país. Em 2009, 39% dos casos de internação pela infecção pulmonar eram de crianças menores de 4 anos, enquanto os adultos com cinco décadas de vida representavam 30,7% do total. Já em 2015, esse número se inverteu: 45,7% das hospitalizações ocorrem nos mais velhos, ante 32,5% nos pequenos. “Isso só demonstra que, mesmo num período curto, a vacina se mostrou efetiva e alterou a proporção de pacientes por faixa etária”, analisa Correia.

    Com essa mudança nas estatísticas, os idosos passaram a ser o grupo que gera maior preocupação quando o assunto é pneumonia. A condição é mais custosa e difícil de tratar neles. Para piorar, os próprios números atestam que a vacina permanece uma ilustre desconhecida por aqui. “Após os 60, dificuldades para se alimentar e deglutir os alimentos são habituais, o que eleva o risco de ter a enfermidade”, observa a médica Claudia Figueiredo Mello, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

    Outros que merecem atenção especial são os portadores de males crônicos, como aqueles com aids, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), problemas cardíacos ou reumatológicos. Essa turma costuma apresentar um sistema de defesa mais frágil, que não combate a contento as tentativas de invasão do pneumococo e companhia. “Tabagistas também são propensos a desenvolver a condição, uma vez que o cigarro lesa a barreira inicial de proteção dos pulmões contra as bactérias”, lembra Claudia.

    Não se esqueça de levar a blusa, hein!?
    Embora a pneumonia seja mais frequente em idosos, não dá pra se descuidar em outras fases da vida. Como precaução, é preciso adotar uma dieta saudável, praticar exercícios, lavar as mãos, evitar ambientes secos no inverno… A friagem, aliás, é um tópico controverso. “No frio, o organismo gasta muita energia para aquecer o ar que chega aos pulmões, o que pode comprometer a imunidade e facilitar o aparecimento de problemas respiratórios”, explica Carvalho. Mas isso não significa que a temperatura gelada é a principal autora do atentado à saúde pulmonar: ela apenas nos deixa vulneráveis. “Se isso fosse verdade, os esquimós já teriam morrido há tempos”, brinca o especialista.
    É preciso se cuidar também diante da gripe, que atua como um abre-alas para a pneumonia. “O vírus influenza faz as células de defesa ficarem ocupadas e torna as cavidades dos pulmões mais propícias à acomodação das bactérias”, conta o pneumologista Marcelo Basso, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Nesse sentido, tomar a vacina contra a gripe ajuda – apesar de a proteção total só vir mesmo com os imunizantes antipneumococo. De fato, todo reforço é desejável para barrar a ameaça. Afinal, nem grandes imperadores estão livres dela: por ironia do destino, o próprio Gengis Khan teria morrido de pneumonia, aos 65 anos.

    Ela está por trás
    Conheça em detalhes a principal bactéria causadora da pneumonia

    Nome: Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo.
    Onde vive: geralmente na região da nossa boca e garganta.
    Como leva à pneumonia: costuma aproveitar baixas no sistema imunológico (como diante de uma gripe, por exemplo) para descer e se instalar nos pulmões.
    Provoca outras doenças: sim. A mesma bactéria pode originar diferentes problemas, como otite, meningite, sinusite e endocardite.

    ABC das encrencas
    Apesar de serem parecidas, há diferenças entre três doenças respiratórias comuns

    PNEUMONIA PNEUMOCÓCICA
    Causador – Streptococcus pneumoniae, entre outros
    Sintomas – Febre superior a 38 oC, tosse com catarro purulento, falta de ar e dores no peito.
    Prevenção – Tomar as vacinas 13 e 23-valente, trocar o filtro do ar-condicionado e ter uma vida saudável.
    Tratamento – Antibióticos dão conta do recado. Sujeitos com risco de complicações são hospitalizados.

    GRIPE
    Causador – Vírus influenza A, B ou C
    Sintomas – Febre, cansaço, desconforto muscular, dor de garganta e na cabeça.
    Prevenção – Realizar a vacinação anual, lavar as mãos com frequência e evitar aglomerações.
    Tratamento – Medicamentos atuam no sentido de aliviar as manifestações típicas da doença.

    RESFRIADO
    Causador – Mais de 200 tipos de vírus, como o rinovírus
    Sintomas – Nariz entupido, coriza, febre baixa (ou ausente), tosse e dor de garganta leve.
    Prevenção – Não levar as mãos aos olhos ou à boca e higienizá-las sempre que possível.
    Tratamento – Remédios analgésicos e antitérmicos combatem os principais sintomas.

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  • foto-imagem-vacinas-imunidade

    Feitas a partir de partículas do vírus ou da bactéria que causa a enfermidade — também existem versões com o agente patógeno inteiro inativado —, as vacinas têm um papel importântíssimo no fortalecimento do sistema imune. “O imunizante faz com que o sistema aprenda a responder à infecção por meio de anticorpos”, detalha a pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

    As agulhadas funcionam como uma espécie de simulação de emergência: caso no futuro ocorra uma invasão, as células de defesa já sabem como proceder para neutralizar o perigo. Em épocas de gripe e outras doenças infecciosas, a procura por vacinas aumenta bastante.

    “O cuidado deve ser maior em gestantes, crianças, idosos e portadores de doenças crônicas, grupos com risco de ter complicações”, destaca o infectologista Gilberto Turcato Júnior, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Mas a vacina da gripe, por exemplo, só vai ser efetiva contra a… gripe! É preciso estar com a carteirinha de vacinação atualizada para ficar protegido diante de outros bandidos microscópicos.

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  • foto-imagem-vacina-contra-gripeO vírus da gripe muda a cada ano e a vacina deve, portanto, se adaptar, mas dois estudos importantes publicados nesta segunda-feira (24) podem acelerar o desenvolvimento de uma vacina antigripal universal.

    Verdadeiro “Graal” da pesquisa sobre o vírus Influenza, o desenvolvimento de uma única vacina que proteja contra todas as cepas do vírus da gripe, está sendo estudado há muitos anos, mas nenhuma vacina foi até agora testada em humanos.

    Dois estudos distintos, publicados na revista científica britânica “Nature” e na americana “Science”, relatam ter demonstrado “a prova de conceito” de vacina universal em ratos, furões e macacos, um resultado muito bem recebido por vários especialistas que enfatizam, no entanto, que uma chegada nas farmácias da nova vacina não é para amanhã.

    As duas equipes de pesquisadores concentraram sua pesquisa sobre a parte do vírus que é o principal alvo dos anticorpos: a hemaglutinina. Esta proteína, presente na superfície do vírus da gripe, permite a sua fixação às células do corpo.

    No estudo publicado na revista “Nature”, os pesquisadores do Instituto Americano de Alergia e Doenças Infecciosas indicam que testaram com sucesso as suas vacinas em ratos e furões, animais que apresentam os mesmos sintomas que os seres humanos.

    As vacinas tradicionais contra a gripe utilizam vírus inativos (injetáveis) ou atenuados (spray nasal) e, portanto, devem ser atualizadas a cada ano com base nas cepas circulantes no outro hemisfério.

    Vírus que evoluem

    Os vírus da gripe evoluem constantemente, graças a fenômenos de deriva antigênica (mutações genéticas que levam a pequenas modificações) e quebras (que causam alterações maiores).

    Mas em vez de atacar a cabeça da hemaglutinina, em constante mutação, os estudiosos se concentraram no tronco desta proteína, muito mais estável.

    Ao ligar esta base proveniente de um vírus A (H1N1) a nanopartículas e combinando-a com um adjuvante, eles conseguiram imunizar camundongos e furões antes de injetar neles doses letais do vírus A (H5N1).

    Embora a vacinação não tenha conseguido neutralizar completamente o vírus H5N1, ela protegeu totalmente os ratos e parcialmente os furões.

    “Esta descoberta é um passo importante para o desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe”, indicou à AFP Gary Nabel, responsável pelo estudo, que acredita que os componentes da vacina não devem inicialmente substituir as vacinas tradicionais, mas apenas “completá-las”.

    Resposta imunológica ampla e protetora

    Em outro estudo publicado na revista “Science”, um grupo de pesquisadores liderados por Antoinette Impagliazzo do Instituto de Vacinas Crucell, um Instituto de Pesquisas do laboratório Janssen, relatou ter testado uma vacina que confere proteção completa para ratos e uma resposta imunológica considerável em macacos.

    Eles também trabalham com base na hemaglutinina, esforçando-se para encontrar configurações capazes de se ligar aos anticorpos monoclonais de amplo espectro, atingindo várias cepas virais.

    “O candidato final, chamado mini-HA, tem demonstrado uma capacidade única de induzir uma resposta imunológica ampla e protetora em camundongos e primatas não humanos”, ressaltam os pesquisadores, que estimam ter avançado em direção a uma vacina universal contra a gripe.

    “Este é um avanço excitante”, considerou Sarah Gilbert, professora de imunologia da Universidade de Oxford. “Mas as novas vacinas ainda deverão passar por testes clínicos para ver como funcionam em seres humanos (…), o que poderá levar vários anos”, acrescentou.

    “Para uma verdadeira proteção universal, será necessário garantir a proteção conferida por outras cepas virais”, afirmou, por sua vez, Garry Lynch, um especialista australiano.

    Para o professor Bruno Lina, professor de virologia em Lyon e diretor do centro de referência francês para a gripe, “esta é uma interessante linha de trabalho”.

    Mas ele também observou que os ratos têm resposta imune muito diferentes do humanos e que “não se pode dizer que seremos capazes de fazer rapidamente uma vacina para proteger os seres humanos.”

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  • Uma mudança na alimentação pode ser suficiente para acabar com os resfriados recorrentes. Alguns alimentos fortalecem a defesa do organismo para combater doenças e vencer a batalha contra bactérias e vírus.

    “Uma dieta equilibrada que inclua legumes, frutas e outros produtos naturais é a melhor maneira de fornecer ao sistema imunológico vitaminas e minerais que vão fortalecê-lo”, disse à BBC Emma Williams, da Fundação Britânica de Nutrição.

    Aqui está uma lista de cinco alimentos que ajudam a combater os invasores do corpo.

    Moluscos

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    Esses animais marinhos, entre eles mariscos, ostras e lulas, contêm zinco, um componente essencial do sistema imunológico celular.

    De acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, no corpo humano, quando há uma deficiência deste elemento, as células de defesa (ou linfócitos), que coordenam a resposta imune celular, não funcionam de forma adequada.

    No entanto, é importante ter em mente que o excesso dessa substância pode inibir o mecanismo de defesa do organismo contra a doença.

    De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em Inglês), a quantidade diária recomendada de zinco para as mulheres é entre 4 e 7 miligramas e para homens é entre 5 e 9 mg.

    Iogurte

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    Assim como outros produtos lácteos e fermentados, esse alimento tem probióticos, também conhecidos como “bactérias boas”.

    São microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, são capazes de regular a resposta do sistema imunológico, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, por sua sigla em Inglês).

    De acordo com um artigo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, os probióticos têm vários benefícios para os seres humanos, incluindo a prevenção de gripes e resfriados, além de diminuir a gravidade dos sintomas, caso a doença não possa ser completamente evitada.

    Ainda segundo o mesmo documento, as “bactérias boas” também ajudam a prevenir infecções vaginais, do trato urinário e também a acelerar a recuperação de certas infecções intestinais, como a síndrome do intestino irritável.

    Alho

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    Em testes laboratoriais, os investigadores descobriram que o alho tem propriedades que permitem combater a infecção, as bactérias, vírus e fungos.

    Embora mais estudos sejam necessários para determinar os benefícios específicos dessa planta em humanos, uma pesquisa feita nos países do sul da Europa encontrou uma ligação entre a freqüência de consumo de alho e cebola e uma redução do risco do desenvolvimento de certos tipos câncer.

    De acordo com a WebMD, um site americano com informações relacionadas a saúde, o alho tem uma variedade de antioxidantes que ataca os “invasores” do sistema imunológico. “Um de seus alvos é a Helicobacter pylori, uma bactéria associada com algumas úlceras e câncer de estômago.”

    Cereais

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    Vários estudos científicos sugerem que a deficiência de vitamina B6 – encontrada na aveia, no germe de trigo e de arroz – diminui a resposta do sistema imunológico.

    Um exemplo disso, de acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos EUA, é a capacidade das células de amadurecerem e se transformarem em vários tipos de linfócitos.

    Quantidades moderadas de cereais para complementar o nível de deficiência de vitamina B6 restaura o funcionamento do sistema imunológico.

    “Grãos (carne, peixe, nozes, queijo e ovos) também têm selênio, que também beneficia o sistema imunológico, diminui as doenças infecciosas em idosos e ajuda na recuperação de crianças com infecções do trato respiratório”, Williams explica.

    Frutas cítricas

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    De acordo com um artigo da National Library of Medicine, os resfriados de pessoas que consomem regularmente a vitamina C, presente em frutas cítricas, podem durar menos tempo e os seus sintomas nesses casos são geralmente menos graves.

    “Em adultos, a duração é reduzida em 8% e em crianças por 13,6%. Estudos têm mostrado que, em pessoas que fazem exercício físico nos meses de inverno ficando exposto ao frio extremo, o consumo de vitamina C reduziu pela metade a chance de ficar resfriado “, acrescenta Williams.

    Deve-se considerar, no entanto, que, uma vez que já se tem a doença, as frutas cítricas não têm efeitos terapêuticos.

    A vitamina C é importante para a formação da proteína usada na pele, tendões, ligamentos e vasos sanguíneos.

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  • foto-imagem-cancerA cura do câncer é o sonho de muitos pesquisadores e nos últimos anos uma técnica que pode revolucionar o tratamento da doença vem se aperfeiçoando: a virusterapia, o uso de vírus geneticamente modificados para atacar as células tumorais.

    A Fundação Instituto Leloir, da Argentina, anunciou recentemente dois importantes avanços. Junto a colegas de Chile, Grã-Bretanha e Estados Unidos, os cientistas da instituição conseguiram adaptar um vírus que causa gripe e conjuntivite, o adenovírus, para atacar com sucesso o câncer de pele e de pâncreas em camundongos.

    O diretor da equipe do Leloir, Osvaldo Podhajcer, chefe do Laboratório de Terapia Celular e Molecular e pesquisador sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), disse à BBC Mundo que foi possível reduzir ou eliminar tumores sem danificar outros tecidos.

    Isso ocorreu porque os cientistas modificaram o DNA de modo que o vírus só possa se reproduzir em células cancerosas.

    A técnica representa um grande avanço em relação aos tratamentos convencionais para o câncer, como a quimioterapia ou radioterapia, que deixam sequelas graves.

    Além disso, o trabalho pode ter um enorme impacto sobre a cura do melanoma e do câncer de pâncreas, duas das doenças mais mortais.

    “Esses dois tipos de câncer são os menos propensos a receber tratamento não-cirúrgico”, disse à BBC o oncologista Eduardo Cazap, presidente da União Internacional de Controle do Câncer (UICC, na sigla em Inglês).

    Riscos
    Quando se fala de um vírus geneticamente modificado, há sempre o temor de que esses avanços científicos representem um grande risco no futuro, a possibilidade de causarem uma pandemia.

    Essa é a premissa do filme de 2007 Eu Sou a Lenda, com Will Smith, em que um cientista consegue curar o câncer, modificando o vírus da varíola, mas a mutação do vírus acaba convertendo todos os seres humanos — menos o personagem de Smith — em zumbis.

    foto-imagem-cancerNeste sentido, os especialistas do Instituto Leloir disseram à BBC que optaram por trabalhar com o adenovírus porque é um vírus pouco perigoso, muito estável, o que exclui qualquer risco de mutação.

    Na verdade, Podhajcer explicou que trabalhou com essas duas formas de câncer pela falta de tratamentos conhecidos e pela alta incidência na população.

    O trabalho sobre o câncer de pâncreas foi feito em parceria com duas universidades do Chile, Concepción e Andrés Bello, o que é raro na América Latina.

    Os cientistas estabeleceram um marco ao compactarem o ADN para fazer com que o vírus se multiplique mais rápido.

    O estudo foi publicado na revista Molecular Therapy, da Associação Americana de Terapias Celulares e Genéticas.

    Enquanto isso, a pesquisa sobre o câncer de pele foi feita em conjunto com as universidades de Londres, Birmingham e St. Louis, onde também houve progresso.

    Mais eficácia
    “Pela primeira vez que conseguimos mudar geneticamente um vírus para tirar vantagem das características das células cancerosas e as atacar”, disse Podhajcer.

    Segundo o especialista, isto deu ao vírus 40% mais de eficácia.

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    O trabalho foi publicado no Journal of Investigative Dermatology.

    Apesar da importância destes estudos, os autores ressaltaram que ainda é muito cedo para estabelecer se o impacto real será a cura para o câncer.

    Primeiro, é preciso percorrer todas as etapas de testes pré-clínicos e clínicos, um longo processo que leva anos e exige grande financiamento.

    Se tudo der certo, o Instituto Leloir estima que o tratamento estaria disponível em cerca de cinco anos.

    No entanto, Cazap adverte que muitos casos de sucesso em roedores não funcionam em testes em humanos.

    “O potencial dessas descobertas é muito interessante, mas você tem que ver se funcionam”, disse ele.

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